FOLHA DE S. PAULO - SP 

DINHEIRO
14/04/2007

 

União investe mal, diz Banco Mundial

Estudo centrado em transportes vê "séria desconexão entre planejamento, elaboração de orçamentos e realização de gastos"

 

GUSTAVO PATU
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Estudo do Bird (Banco Mundial) aponta que a falta de recursos "está longe de ser o único ou talvez até mesmo o mais importante" obstáculo ao aumento dos investimentos do governo federal -proposta central do pacote oficial de estímulo ao crescimento econômico, o PAC.

Centrado no setor de
transportes, que recebe a maior fatia dos recursos orçamentários, o trabalho do Bird conclui que há "uma séria desconexão entre o planejamento, a elaboração de orçamentos e a realização dos gastos" na União.

Listam-se ainda, entre os problemas encontrados, deficiências de gerenciamento, escassez de pessoal qualificado, ambiente legal hostil, controles decorrentes de suspeitas de corrupção e prevalência de critérios políticos sobre os técnicos na escolha de dirigentes.

Com base nesse diagnóstico, o texto avalia que a simples elevação dos recursos disponíveis não será suficiente para ampliar a capacidade produtiva nacional no curto prazo. As deficiências encontradas, argumenta o estudo, "tornam a produção de infra-estrutura altamente ineficiente".

O estudo faz referência direta ao PPI (Projeto Piloto de Investimentos), que reúne ações prioritárias em infra-estrutura livres de restrições orçamentárias. O programa é considerado um início de tentativa de enfrentar os problemas, mas o trabalho mostra como desde 2005 o governo não tem conseguido realizar os gastos previstos no projeto.

A principal medida do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) neste ano é elevar o PPI de R$ 4,6 bilhões para R$ 11,3 bilhões. Até agora, porém, não foi aprovada sequer a lei necessária para a alteração do valor.

Mais uma sigla compõe o quadro pessimista descrito pelo Bird: o PPA (Plano Plurianual de Investimentos), que deveria guiar a elaboração e a execução do Orçamento em períodos de quatro anos, mas tem sido ignorado nos governos FHC e Lula.

De acordo com o estudo, o PPA 2000-2003 previu investimentos orçamentários totais de R$ 37,7 bilhões em
transportes, mas os projetos de Orçamento elaborados pelo Executivo no período só previram, juntos, R$ 21,9 bilhões para o setor, ou 58% do que se considerava necessário.

Embora não mencione números, porque o período ainda está em andamento, o trabalho afirma que a mesma discrepância ocorre no PPA 2004-2007, o primeiro elaborado no governo petista.

Levantamento feito pela Folha mostra que, se os Orçamentos não seguem o PPA, os gastos federais também não seguem o Orçamento. Até março deste ano, apenas 40,6% dos investimentos previstos nos Orçamentos de 2004 a 2007 em todos os setores haviam sido efetivamente feitos (ver quadro nesta página).

No
Ministério dos Transportes, em particular, o Banco Mundial vê, além da escassez de quadros qualificados, a prevalência de "indicados políticos com pouco conhecimento técnico e experiência gerencial, substituições freqüentes e interferência política em decisões operacionais".

 

FOLHA DE S. PAULO - SP 

DINHEIRO
14/04/2007

 

Governo admite problemas, mas contesta estudo

 

 

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Responsável pela elaboração do Plano Plurianual e do Orçamento, o Ministério do Planejamento afirma que o Brasil vem aperfeiçoando os mecanismos de interação entre as duas leis.

"Não existe uma séria desconexão entre o planejamento e o Orçamento", diz o ministério, em mensagem enviada à Folha pela assessoria de imprensa.

Desde o PPA 2000-2003, argumenta o Planejamento, qualquer despesa pública só pode constar do Orçamento se estiver também no PPA.

O que o estudo do Banco Mundial aponta, porém, é a discrepância existente entre os valores previstos em um e outro.

"Os problemas, portanto, são se outra natureza, e realmente os investimentos são às vezes afetados por falta de licenças ambientais e também por falta de projetos", diz a mensagem do ministério.

Para o Planejamento, a carência de projetos está sendo enfrentada agora.

"Muitos anos de baixos investimentos públicos levaram a uma carência de projetos que está sendo superada com a inclusão de recursos no PPI justamente para o desenvolvimento de projetos na área de infra-estrutura."

 

CORREIO BRAZILIENSE - DF 

POLÍTICA
14/04/2007

 

 

 

Lula entra em campo contra CPI

 

Presidente articula com a oposição uma forma de evitar a instalação de uma comissão de inquérito no Senado. Palácio do Planalto prefere que as investigações fiquem na Câmara

 

 

 

Ugo Braga e Fernanda Odilla
Da equipe do Correio
Depois de receber um recado alarmado do coordenador político, Walfrido dos Mares Guia, e do líder do governo na Câmara, José Múcio Monteiro (PTB-PE), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva articulou pessoalmente um acordo velado com a oposição. Ainda não há detalhes de como a conversa ocorreu, mas seu resultado emergiu ao longo do dia de ontem. Senadores do PSDB e do PFL confirmaram que não vão querer instalar de imediato uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar o Apagão Aéreo, apesar de já contarem 28 assinaturas, uma a mais que as necessárias para tanto.

Procurado para explicar por que a oposição perdeu repentinamente a pressa em instalar a CPI no Senado, o piauiense Heráclito Fortes (DEM) deu uma pista ao Correio. “Vamos esperar uma decisão política na Câmara. A próxima semana é fatal”, destacou. Tucanos e democratas do Senado não dizem como, onde nem por quem souberam, mas receberam a informação de que há um acordo em curso para que a CPI seja criada na Câmara até quinta-feira.

Na outra Casa do Congresso, porém, não há nada que indique o início das investigações nos próximos dias. “O governo não vai fazer acordo”, garantia Múcio no fim da tarde, ao voltar do Palácio do Planalto. “Eu não acho que eles vão instalar a CPI no Senado. Então, nós, da Câmara, devemos esperar a decisão do Supremo Tribunal Federal”, informou o deputado Cândido Vacarezza (PT-SP), principal articulador de seu partido. Vacarezza tampouco explicou de onde tirava tamanha certeza sobre a indisposição dos senadores em iniciar a investigação.

Bastidores
O assunto preencheu conversas discretas dos governistas desde a noite da quinta-feira. Mares Guia chamou os líderes dos partidos aliados na Câmara, para que traçassem um plano sobre a CPI. Dois dos interlocutores fizeram um diagnóstico sombrio. Disseram que o presidente não estava corretamente informado, mas que a oposição conseguira no Senado as assinaturas necessárias para a CPI e que, lá, o estrago seria grande, dada a maioria oposicionista da Casa. “Vocês vão ter que botar o guizo no pescoço do Lula”, disse um dos líderes, apontando o dedo na direção do ministro e do líder do governo, e elegendo-os como porta-vozes da má notícia para o chefe.

Mares Guia e Múcio deram o recado a Lula em reunião no Planalto, em que estavam além deles os líderes do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR) e no Congresso, Roseana Sarney (PMDB-MA). Jucá saiu antes dos demais e voltou para o Senado, onde, momentos depois, os oposicionistas recolhiam o vigor investigativo. Fora do gabinete de Lula, o líder confirmou: “O governo não gosta de ter CPI para perturbar o trâmite de votação do PAC no Senado”. Era a senha. O presidente recebeu e entendeu o recado de que a investigação dos senadores lhe seria muito mais dura. Melhor tangê-la para a Câmara.

Embora os senadores da oposição tenham entrado no jogo, não se sabe o que o governo lhes ofereceu. Uma das hipóteses é a de que o PT tenha aceito brecar a instalação da CPI da Nossa Caixa, que fustiga as administrações do atual e do antigo governadores de São Paulo, os tucanos José Serra e Geraldo Alckmin. Sobre a versão, o petista Vacarezza reagiu duramente. “Não fizemos esse tipo de acordo”, jurou. O líder do PSDB na Câmara, Antônio Carlos Pannunzio (SP), também desconversou. “Não há aceno do governo para qualquer tipo de negociação.” Os líderes da oposição se reúnem na próxima segunda-feira com Múcio. A CPI estará na pauta.
Vamos esperar uma decisão política na Câmara. A próxima semana é fatal

Heráclito Fortes (DEM-PI)

Colaborou Sandro Lima

Rebeldia pedetista
Os representantes do Distrito Federal no Senado contrariaram a lógica da disputa entre base aliada e oposição ao governo Lula. Dos três senadores do DF, somente Cristovam Buarque (PDT) assinou o requerimento para instalar a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Apagão Aéreo. O peemedebista Joaquim Roriz e o democrata Adelmir Santana, integrantes da oposição a Luiz Inácio Lula da Silva, não haviam colocado o nome no pedido até a noite de ontem.

Enquanto o DEM é oposição declarada e Roriz faz parte do grupo do PMDB que apoiou os tucanos na última eleição presidencial, o partido de Cristovam aprovou a participação no governo de coalizão proposto por Lula. Mas apenas o pedetista é um dos 28 nomes da lista assinada até agora também por 12 tucanos, 12 pefelistas e três peemedebistas. A oposição contabiliza como certas mais quatro assinaturas: uma do PSDB (Papaléu Paes) e três do DEM (Demóstenes Torres, Marco Maciel e Kátia Abreu), que viajaram antes da coleta começar.

No DEM, três senadores estavam resistentes. “Tive dificuldade de ordem política e pessoal”, admite Heráclito Fortes (PI), que mesmo sendo concunhado de um dos principais alvos da CPI — Carlos Wilson — colocou o nome na lista. Já Adelmir Santana preferiu adiar a assinatura. Edison Lobão (MA) prefere evitar embates com os Sarney. Roriz não retornou os contatos, para falar sobre a CPI. (FO)

Barzellay explica ação do TCU
Da Redação
O Tribunal de Contas da União (TCU) não encontrou falhas na licitação coordenada pelo diretor de Operações da Infraero, Rogério Barzellay, aberta para a compra de 79 ônibus utilizados no transporte de passageiros entre terminais aéreos e os aviões. O ministro relator do processo, Benjamim Zymler, concluiu em seu voto: “No que tange ao mérito da representação, não se verificam as irregularidades objeto da representação, motivo por que deve ser considerada improcedente”. Mas solicitou estudos que comprovem a viabilidade técnica, operacional e econômica da substituição da frota.

Segundo carta enviada por Barzellay ao Correio, “não existe nenhum documento do TCU que tenha detectado indícios de irregularidade” em referência ao assunto. Pelo contrário, o Acórdão nº 233/2007 do Tribunal julga quanto ao mérito uma representação de Paulo Eduardo Senna, considerando a denúncia improcedente.

Barzellay acrescentou que foram feitos estudos de viabilidade técnica e econômica-financeira que justificam e fundamentam a decisão da Diretoria Executiva da Infraero de substituir o atual sistema utilizado de aluguel dos ônibus. O sistema representa atualmente uma despesa de R$1,6 milhão por mês para todos os aeroportos por 60 meses, que é o prazo máximo permitido por lei para esse tipo de contrato de prestação de serviços. A compra de outros oito ônibus pela Infraero a um custo de R$ 535 mil por veículo, não foi feita sob a coordenação de Barzellay, que argumenta ter entrado na Diretoria de Operações depois da decisão da Diretoria Executiva da estatal. Antes de assumir a Diretoria de Operações, Barzellay trabalhou como superintendente da área.

Ele também disse que quando foi do
Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit) não foi o responsável pela contratação da empresa Merco Shipping Marítima por companhias docas que são empresas autônomas. Reafirmou que não manteve nenhum contato com os donos da empresa.Na carta, Barzellay também nega que esteja sendo investigado pelo TCU por irregularidades na gerência da Hidrovia por não ter providenciado licença ambiental para a obra, pois no período da sua superintendência não foram feitas obras. “A licença ambiental daquele empreendimento está em discussão entre o Ibama e o ministério dos Transportes”, diz .

 

 

 

 

FOLHA DE PERNAMBUCO - PE 

ECONOMIA
14/04/2007

 

 

 

BR-232 em Arcoverde ganhará dois viadutos

 

 

 

 

 

RAFAELA AGUIAR
O trecho da BR-232 que corta o município de Arcoverde passará por adequações para atender à atual capacidade do fluxo de veículos. O Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes (
Dnit) vai investir R$ 10,81 milhões na construção de dois viadutos e duplicação das vias locais. O processo está em fase de licitação e as empresas interessadas já fizeram suas ofertas. A escolha da melhor proposta deverá ser divulgada dentro de 15 dias. As atividades estão previstas para iniciarem no próximo mês.

Segundo o superintendente do
Dnit em Pernambuco, Marcos Crispim, esse trecho da rodovia, cerca de três quilômetros, corta a cidade e o fluxo de veículos locais está prejudicando o tráfego daqueles que passam pela BR-232. “Muitas ruas acabam segregando o tráfego local de um lado para o outro”, explicou. No projeto, serão construídos dois viadutos para a passagem dos veículos que trafegam pela rodovia e a duplicação das vias paralelas para a circulação local.

“Também vamos instalar iluminação no trecho que está totalmente escuro. Queremos desafogar o fluxo e reduzir os acidentes”, disse Crispim. As empresas consideradas habilitadas na licitação são: Galvão Engenharia, Mirel Construtora, Delta Construções, CM Machado Engenharia e Construtora Barbosa Mello.

 

 

 

VEJA - SP 

 

 

RADAR
15/04/2007

Jogo arriscado 1

O ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, tem todo o jeito de, mais cedo ou mais tarde, virar notícia – não por dar um jeito nas estradas, mas por levar problemas para Lula. Nascimento tem tido conversas reservadas com deputados tentando levá-los para a base aliada do governo, mais especificamente para o PR (ex-PL). Para seduzi-los, o ministro costuma desfiar entre 40 000 e 100 000 motivos. É alguém com boa lábia, como se vê.

Jogo arriscado 2

Um deputado mineiro foi abordado recentemente pelo ministro. Pensou, pensou – afinal, eram tantos os motivos. Mas recusou.

 

 

ISTOÉ - SP 

BRASIL CONFIDENCIAL
15/04/2007

 

Fortes e fracos

 

 

Lula mandou trocar a placa de inauguração da Estação Cantagalo do Metrô do Rio, que visitou na quarta-feira 11. No lugar do ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, quer o nome de Márcio Fortes, das Cidades. Ou um está muito forte, ou o outro está muito fraco.

Blairo desmonta esquemas do PR

Blairo Maggi, governador de Mato Grosso, assumiu todos os poderes no Partido Republicano, o PR. Foi o presidente Lula quem pediu que tomasse a legenda do controle do
ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, quando ISTOÉ revelou um esquema similar ao mensalão para cooptar parlamentares. O plano é desmontar os esquemas. Para isso, Lula acaba de nomear Luiz Antônio Pagot, homem de confiança de Blairo, como diretor-geral do DNIT. O órgão, que controlas as obras nas estradas, estava com a turma de Alfredo. Pagot é o suieito que fez estradas estaduais por R$ 300 mil o quilômetro, contra R$ 800 mil de Alfredo.

 

 

 

ÉPOCA - RJ 

BRASIL
15/04/2007

 

 

 

O bilionário leilão de cargos

 

Há no governo 24 mil postos de confiança e 11 partidos cheios de apetite. O país conhece bem essa experiência e ela não costuma dar certo

 

 

 

Murilo Ramos e Ronald Freitas
A diretoria de exploração e produção da Petrobras é estratégica para a estatal e para o país. Ela é responsável pela prospecção e exploração de novas e antigas reservas de gás e petróleo. Se o Brasil quiser manter a autosuficiência em petróleo e reduzir a dependência do gás da Bolívia, precisará de uma boa gestão da diretoria. Para gerir seu orçamento anual de R$ 23,5 bilhões, a escolha do ocupante do cargo deveria se basear principalmente em dois critérios: competência técnica e passado limpo.

Não é isso o que ocorre em Brasília. A definição deverá se dar por vínculos políticos e partidários. Uma disputa acirrada está em curso entre PT e PMDB, os dois principais partidos da coalizão montada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para assegurar apoio político ao governo no Congresso. A primeira opção do PMDB para a diretoria da Petrobras é o ex-governador do Rio de Janeiro Moreira Franco. O PT resiste. Insiste na permanência do atual diretor, Guilherme Estrela, petista com histórico de atuação no movimento sindical dos petroleiros.

A vaga na Petrobras é o lote mais valioso do bilionário leilão de cargos do segundo escalão que hoje mobiliza os 11 partidos da coalizão governista. Para ter uma dimensão da importância desse cargo, dos 34 ministérios apenas seis têm mais dinheiro em caixa: Previdência Social, Saúde, Defesa, Trabalho, Educação e Desenvolvimento Social - é deste último que sai a verba do Bolsa-Família. O maior atrativo da Diretoria de Exploração e Produção são os contratos milionários com grandes empresas, na maioria financiadoras de campanhas políticas. Uma história do ex-presidente da Câmara Severino Cavalcante ilustra o valor que os políticos dão ao cargo. Em 2005, logo depois de se eleger presidente da Câmara, Severino se reuniu com o presidente Lula para entregar a relação de cargos pretendidos por seu partido, o PP, em troca do apoio nas votações de interesse do governo. No topo da lista, a Diretoria de Exploração e Produção. Dias depois, a então ministra das Minas e Energia, Dilma Rousseff, ofereceu a Severino outro cargo, recusado por ele. "O que o presidente me prometeu foi aquela diretoria que fura poço e acha petróleo", disse Severino. "É essa que eu quero."

Severino não foi atendido, mas sua frase entrou para o folclore do fisiologismo que orienta o preenchimento dos cargos que na administração pública são conhecidos como comissionados. Para eles, não há a exigência de aprovação em concurso público - sob o pretexto de que devem ser ocupados por pessoas de confiança dos governantes. No Brasil, há cerca de 24 mil cargos comissionados no governo federal, segundo informações da organização não-governamental Transparência Brasil. Esse número era maior antes da privatização dos bancos estaduais, das companhias telefônicas, do sistema ferroviário e das empresas de energia elétrica. Como não há limite legal, tais cargos podem ser criados ou extintos segundo a conveniência do governante. Nos Estados Unidos, os presidentes têm 9 mil vagas para preencher no governo federal. No Reino Unido, apenas 300.

Os cargos comissionados em diretorias e presidências de empresas estatais importantes são encarados pelos partidos como uma espécie de butim disputado encarniçadamente. Além da diretoria da Petrobras, o PMDB pretende manter ou ocupar pelo menos outros dez cargos, todos, naturalmente, com grandes orçamentos (leia quadro). O cacife do partido são suas bancadas no Congresso: 91 deputados federais e 20 senadores. Desde que assumiu cinco ministérios no segundo mandato de Lula, o partido briga para nomear correligionários em todos os postos importantes de cada pasta que passou a comandar. No jargão político, isso se chama "porteira fechada". Pressionado pelo PT, que não quer abrir mão de cargos nos bancos públicos e nas estatais, Lula ainda resiste ao assédio dos aliados. Deputados e senadores adorariam ver nomeações no Diário Oficial a partir desta semana, mas Lula deve prolongar a espera até o segundo semestre.

A demora gera tensão na coalizão governista e pode retardar a votação no Congresso do Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC. "Quanto mais rápido o presidente definir, melhor", diz um político governista. "Os aliados vão ficar mais unidos e o clima, mais relaxado." Um exemplo do jogo velado de pressões por causa da divisão dos cargos ocorreu na quarta-feira 11. As bancadas do PMDB na Câmara e no Senado organizaram um jantar na casa do presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), para o presidente Lula, a pretexto de dar uma demonstração de coesão no apoio ao governo. Estiveram presentes sete dos 20 senadores e quase todos os deputados. Em ambientes como esse, não se discute loteamento de cargos. Mas os peemedebistas não abrem mão da retribuição do apoio dado a Lula. "Em troca, asseguro 85 votos para o governo dos 91 que o PMDB tem na Câmara", afirma o deputado Henrique Eduardo Alves (RN), líder do partido.

Por ser o maior partido da coalizão governista, o PMDB não tem dificuldade para colocar suas pretensões na mesa. Mas os peemedebistas não estão sozinhos na disputa com os petistas. O PR, depois de conseguir a nomeação do senador
Alfredo Nascimento para o Ministério dos Transportes, quer manter o comando do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (DNIT), cujo orçamento para obras de recuperação de rodovias neste ano é de R$ 5 bilhões. O PDT, recém-saído da oposição, ganhou o Ministério do Trabalho e quer indicar os delegados regionais do Trabalho nos 12 Estados onde elegeram deputados. O PP, com 42 deputados federais, quer recuperar o espaço perdido no auge do escândalo do mensalão. "Não tentamos recuperar esses cargos antes por absoluta falta de condições políticas", diz o deputado Mário Negromonte (BA), líder do PP na Câmara. "Hoje, a situação é diferente. Nossa bancada tem algum dos campeões de votos do país." Entre eles, Paulo Maluf (PP-SP), o recordista em números absolutos, com 793 mil votos.

As nomeações políticas não são uma invenção da política brasileira, muito menos do governo Lula. Mas o problema se tornou mais grave pela tendência petista em fazer política com o uso e o aparelhamento da máquina. "O segundo e terceiro escalões deveriam ser preenchidos, em sua maioria, por técnicos, dos quadros da burocracia e não dos partidos", diz o cientista político Fernando Abrucio, colunista de ÉPOCA. "Os políticos brasileiros precisam entender que, sem técnicos, as políticas públicas pioram e comprometem, por tabela, a imagem dos governos e de seus aliados." O caso mais recente de prejuízo provocado pelo loteamento político da máquina federal é o da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Há seis meses, a agência responsável pela fiscalização das companhias aéreas não consegue dar uma resposta satisfatória ao colapso no transporte aéreo. Com experiência anterior em turismo, o presidente da Anac, Milton Zuanazzi, chegou ao cargo por suas ligações com o ministro das Relações Institucionais, Walfrido Mares Guia, não por sua proficiência em gestão de aviação. Na semana passada, ele chegou a dizer que "não havia crise no setor". Outro diretor da agência é o ex-deputado baiano Leur Lomanto. Seu currículo: sete mandatos de deputado federal pela Arena e pelo PFL.

No Banco do Brasil, a indicação para a diretoria de marketing de Henrique Pizzolato, um petista histórico, levou ao envolvimento do nome da instituição no escândalo do mensalão e ao uso de R$ 70 mil do banco na compra de ingressos de show dos cantores Zezé Di Camargo e Luciano para financiar o PT. No começo do governo Lula, o Instituto Nacional do Câncer (Inca) entrou em crise de falta de medicamentos porque o presidente nomeado, Jamil Murad, do PSB, escolheu 17 pessoas para a administração da autarquia que não eram médicos nem tinham experiência em administração hospitalar. A coordenadora de administração era a mulher do presidente da Câmara dos Vereadores do Rio. Na Empresa Brasileira de Agropecuária (Embrapa), a nomeação de petistas, com viés ideológico contra os grandes produtores rurais, levou à paralisação de pesquisas importantes.

O loteamento dos cargos pelo critério político viceja no Brasil pela falta de transparência nas indicações para os cargos de confiança. Nos Estados Unidos, o Senado publica a lista dos escolhidos - conhecida como Plum Book - a cada quatro anos, um mês após a eleição presidencial. A primeira edição saiu em 1952, logo após a vitória de Dwight Eisenhower. O título, Livro Ameixa em português, deve-se ao fato de os bons empregos públicos serem conhecidos pelos americanos como "plum jobs". Por ser roxa a capa do livro, a publicação também é associada à ameixa. Americanos sem vínculo político podem se candidatar a vagas livres. Há uma série de pré-requisitos, todos descritos na internet. O principal: o candidato deve ter conhecimento técnico na área em que deseja trabalhar. Se houver interesse por parte do governo, ele poderá ser alvo de investigação pelo FBI, a polícia federal americana.

Em 2003, o Chile adotou uma lei para que a escolha de funcionários dos ministérios e de empresas públicas, mesmo em cargos de alto escalão, se dê por concurso público. Lá, a aplicação dessa legislação também é lenta. O principal jornal do país, El Mercurio, em editorial publicado no início deste mês, cobrou da presidente Michelle Bachelet a aplicação das novas regras. Segundo o diário, três anos depois da entrada em vigor da lei, mais da metade dos cargos de confiança permanecem nas mãos dos partidos políticos aliados ao governo. Haveria, segundo o jornal, resistência política à mudança e uma confusão entre o que é governo - de caráter provisório - e o que é Estado -, e vai além do atual mandato do presidente.

Distinguir claramente os cargos comissionados de natureza política daqueles de caráter eminentemente técnico ajudaria a combater o loteamento político. "É preciso evitar a nomeação de políticos para cargos que exigem conhecimentos específicos", diz o cientista político José Luciano Dias, do Instituto Brasileiro de Estudos Políticos (Ibep), uma consultoria política de Brasília. Outra providência, segundo Dias, seria adotar punições rápidas para quem comete desmandos no exercício de cargos de confiança. "Se fossem punidos rapidamente ao cometer irregularidades em cargos públicos, os partidos escolheriam os nomes com muito mais critério", afirma.

No Brasil, as discussões para a redução do número de cargos comissionados e a criação de regras para as nomeações nunca prosperaram. Não interessam aos deputados, senadores e vereadores que atendem os interesses de seus correligionários com dinheiro público. Não interessam também aos chefes do Poder Executivo, que enxergam na troca de cargos por votos um instrumento poderoso de cooptação de aliados e de enfraquecimento da oposição. Os cidadãos pagam a conta.Um Estado menor é o melhor remédio contra a luta voraz por cargos comissionados. Mas isso - um Estado menor - é uma impossibilidade no governo Lula.

OS POSTOS MAIS COBIÇADOS
Partidos aliados ao governo disputam postos-chave em estatais e no segundo escalão

TRANSPETRO
Presidência

Quanto vale: controla mais de R$ 400 milhões para investir na construção de petroleiros

Quem quer: o atual presidente, o ex-senador Sérgio Machado (PMDB-CE), deve ficar no cargo. Seu padrinho é Renan Calheiros

GASODUTO BRASIL-BOLÍVIA
Presidência

Quanto vale: a estatal que coordena a operação, a TBG, tem cerca de R$ 200 milhões para investir em obras

Quem quer: o PP

CORREIOS
Presidência e diretorias

Quanto vale: os contratos da estatal de serviços de tecnologia e de transporte de correspondências superam R$ 400 milhões

Quem quer: o PMDB quer retomar a presidência e as diretorias da estatal, hoje a cargo de técnicos

COMPANHIA DE DESENVOLVIMENTO DOS VALES DO SÃO FRANCISCO E DO PARNAÍBA (CODEVASF)
Presidência

Quanto vale: a revitalização do Rio São Francisco é de sua competência. Tem mais de R$ 400 milhões para investir em 2007

Quem quer: o aliado do ex-ministro Ciro Gomes vai dar lugar ao do ministro Geddel Vieira Lima

CAIXA ECONÔMICA FEDERAL
Presidência

Quanto vale: os contratos do setor deverão superar R$ 1,6 bilhão em 2007

Quem quer: o PT. A diretora Clarice Copetti é mulher de César Alvarez, assessor de Lula

ELETROBRÁS
Presidência

Quanto vale: Lula quer fazer da estatal uma segunda Petrobras. Para isso, devem ser investidos R$ 130 milhões

Quem quer: está sob a gestão do PT. Mas o senador José Sarney (PMDB-AP) quer indicar o novo presidente

ELETRONORTE
Presidência

Quanto vale: deverá investir R$ 1 bilhão em 2007

Quem quer: o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) quer emplacar o ex-senador Luiz Otávio (PMDB-PA), mas Sarney luta para indicar um aliado

INFRAERO
Diretoria de Engenharia

Quanto vale: as obras de reformas e ampliações de aeroportos deverão contar com investimentos de R$ 240 milhões em 2007

Quem quer: a atual diretora, Eleuza Soares, é indicação do PT e do PTB, mas o PMDB quer o cargo

BANCO DO NORDESTE
Presidência e diretorias

Quanto vale: o banco tem boa capilaridade nos Estados do Nordeste e recursos superiores a R$ 100 milhões para empréstimos a empresas e pessoas

Quem quer: está sob o comando do PT. Mas o PMDB e o PSB disputam diretorias

DNIT
Diretoria-geral

Quanto vale: tem mais de R$ 5 bilhões para recuperar
estradas em 2007

Quem quer: o diretor Mauro Barbosa deve dar lugar a um afilhado do ministro
Alfredo Nascimento

DENATRAN
Presidência

Quanto vale: tem quase R$ 1 bilhão para fazer campanhas educacionais de trânsito em todo o país. Parte da receita do órgão vem do seguro obrigatório (DPVAT) e de multas

Quem quer: o PP. O órgão está ligado ao Ministério das Cidades, controlado pelo partido

SECRETARIA DOS PORTOS

Quanto vale: hoje está ligada ao
Ministério dos Transportes. Mas pode se tornar independente e contar com cerca de R$ 600 milhões em investimentos

Quem quer: o PSB. O candidato mais forte para assumir o posto é o ex-ministro da Integração Nacional Pedro Britto, ligado ao deputado federal Ciro Gomes (CE)

PETROBRAS
Diretoria de Exploração

Quanto vale: dispõe de R$ 23,5 bilhões por ano para investimentos na produção de petróleo e gás

Quem quer: o PT controla a diretoria. Mas o PMDB tenta emplacar o novo diretor. Nome mais cotado é o do ex-governador e ex-deputado federal Moreira Franco

BR DISTRIBUIDORA
Presidência

Quanto vale: o orçamento da empresa dona da maior rede de postos do país é de quase R$ 800 milhões

Quem quer: está nas mãos do PT. Mas o PMDB quer o cargo

BANCO DO BRASIL
Vice-presidência de Tecnologia

Quanto vale: tem R$ 500 milhões para investimentos em compra de computadores e terminais de auto-atendimento da maior rede bancária do país

Quem quer: PT e PMDB disputam o cargo

 

FOLHA DE S. PAULO - SP 

PAINEL
15/04/2007

 

 

 

Vem chumbo

 

 

 

 

 

Lula já sabe qual será a origem da primeira dor de cabeça com seu recém-escalado time. O Ministério Público Federal avisou o presidente de que está prestes a ser concluída uma nova denúncia contra o titular dos Transportes, Alfredo Nascimento (PR), que já responde a três processos na Justiça Eleitoral por fatos relativos à campanha de 2006 para o Senado.

Dos processos do ministro, o mais delicado o acusa de compra de votos. Sua campanha teria fornecido tíquetes de combustível juntamente com santinhos do então candidato numa carreata em Manacapuru. Mas não é nenhum desses casos que deve complicar a vida de Nascimento. Segundo o recado dado a Lula, o novo revés remete ao mecanismo do mensalão.

 

 

 

O GLOBO - RJ 

CARTAS DOS LEITORES
15/04/2007

 

 

 

Estradas ruins

 

 

 

 

 

O governo federal, através do Dnit, responsável pela manutenção da BR 101-Norte, não atende às mínimas exigências à correta conservação da importante rodovia. A cada quilômetro nos deparamos com verdadeiros matagais, bueiros entupidos e repletos de entulho. Diante de tamanho abandono presenciamos em feriados alguns funcionários com suas vassourinhas tentando limpar viadutos, providência, convenhamos, irrelevante diante de tanta sujeira.

JOSÉ EDUARDO DE SOUZA SANTOS (por fax, 9/4), Rio

Cumpre-me, como usuário e pagador de impostos (IPVA, Cide etc.), denunciar o péssimo estado de conservação da estrada RJ-99, no trecho que corta Seropédica: buracos e mais buracos, mato tomando conta do acostamento e sinalização praticamente inexistente, sem falar nos animais (eqüinos) que provocam acidentes com vítimas fatais. Urge que o governo estadual (DER) tome as providências necessárias para a manutenção da rodovia e, conseqüentemente, a preservação da vida de todos que por lá trafegam.

STEFESON GOMES CABRAL (via Globo Online, 11/4), Seropédica, RJ

O perigo trafega junto com quem precisa passar pela BR-267. No trecho entre Lima Duarte e Caxambu (MG), além de inúmeras crateras, há um deslizamento que ocupa praticamente as duas pistas da rodovia, obrigando o motorista a passar pelo acanhado acostamento, rezando para não aparecer outro carro no sentido contrário. A placa indicando “trecho em obras” só pode ser deboche, visto que não há vestígio de intervenção por lá. O mato já está alto sobre o monte de terra, mostrando claramente que o deslizamento ocorreu há muito tempo.

O que estão esperando? Nova operação tapa-buraco? As próximas eleições ainda estão longe. Até lá, vidas em risco, automóveis danificados e qualquer possibilidade de esperança indo para o beleléu.

PATRICIA BISTENE DE MAGALHÃES (via Globo Online, 10/4), Rio

 

JORNAL DO BRASIL - RJ 

COISAS DO RIO
15/04/2007

 

Sobras da batalha 3

 

O PSB corre sério risco de per der o comando da tal Secretaria dos Portos que o presidente Lula pretende criar. Os socialistas insistem em dizer que Lula prometeu à cúpula do partido entregar a secretaria ao ex-ministro interino dos Transportes Pedro Brito. Mas o atual ministrb, Alfredo Nascimento (PR), quer tomá-la de assalto . "0 presidente não abandonará os velhos, bons e fiéis companheiros socialistas", torce o deputado federal Rodrigo Rollemberg (DF).