
![]()
INFORME ECONÔMICO
29/03/2007
Novo ministro
O
senador Alfredo Nascimento (PR-AM) assume hoje o cargo de ministro dos
Transportes, depois de vencer o tiroteio dos demais partidos nas últimas
semanas, com muitas denúncias contra ele. Agora a disputa é pelo Departamento
Nacional de Infra-estrutura de Transporte, órgão que vai aplicar os R$ 7,8
bilhões que o ministério tem no orçamento.
![]()
DORA KRAMER
29/03/2007
Justiça tenta outra vez
Partidos
reagem a avanços, na prática travando reforma política já permitida por lei
Como
tantas outras falácias já apresentadas por políticos para fugir de
aperfeiçoamentos que contrariam seus interesses, trata-se de um sofisma a
alegação de que o Tribunal Superior Eleitoral pegou os partidos de surpresa e
legislou ao informar que os mandatos legislativos pertencem às legendas e não
aos candidatos.
Não fosse a obviedade da matéria, temos à disposição a prova: dos 513 deputados
eleitos, apenas 31 obtiveram votos suficientes para conquistar o mandato; os
restantes 482 chegaram à Câmara por força das legendas ou das sobras de votos
dados a outros candidatos.
O tribunal não surpreendeu ninguém, muito menos exorbitou de suas funções.
Apenas respondeu a uma consulta a respeito da titularidade dos mandatos,
baseado nos critérios de funcionamento do sistema eleitoral, dentre os quais a
definição do número de cadeiras no Parlamento a partir dos votos dos partidos e
não dos candidatos.
Não existe, na legislação eleitoral brasileira, a figura do deputado
independente. Todos precisam de partidos para se eleger, tanto quanto
precisamos dos pais para nascer.
À luz da lógica dos fatos, a situação posta a limpo pelo TSE não dá margem a
dúvidas. Não obstante, ato contínuo à resposta do tribunal, vários partidos
levantaram questões contrárias e anunciaram que vão brigar na Justiça pelo
direito de se solaparem uns aos outros.
Os mais prejudicados pela prática do troca-troca referida em fisiologismo e não
em motivações programáticas vão partir de imediato para a recuperação das vagas
perdidas mediante pedido de cassação dos trânsfugas.
Os outros agirão como agiram todos - até os atuais defensores da fidelidade -
por ocasião de uma outra resposta do tribunal eleitoral a consulta sobre o
caráter nacional dos partidos.
Em 2002, o TSE confirmou o que diz a Constituição considerando que os partidos são
nacionais. Em conseqüência, firmou a regra da uniformidade das alianças
partidárias: as coligações para presidente teriam de acompanhar as alianças
feitas no âmbito regional.
A chamada verticalização foi bombardeada de todas as formas. Naquela eleição,
os partidos ignoraram a norma. Nesta última, diante da disposição do TSE de ser
mais rigoroso, acusaram a Justiça de 'atrapalhar' o processo eleitoral, os
caciques fizeram pressão direta e prevaleceu o vale-tudo.
Os partidos recusaram-se a adotar as posições mais corretas e juridicamente
permitidas, preferindo derrubar a lei. O mesmo ocorreu com a cláusula de
desempenho.
Criada para limitar o acesso indiscriminado de legendas de aluguel às
atividades legislativas, a lei (antiga, por sinal) foi derrubada pela
interpretação deformada de que cassava o direito de organização partidária
quando, na verdade, os pequenos e legítimos partidos não quiseram se submeter a
um processo de crescimento paulatino e consistente, conforme o espírito da
legislação.
Agora, de novo, a Justiça eleitoral tenta fornecer os parâmetros para a reforma
política indicando que ela pode ser posta em prática já com o equipamento
jurídico existente.
Mas, outra vez, há resistência. O que demonstra claramente que a defesa da
reforma política é apenas um discurso, uma justificativa à qual os partidos e
os políticos lançam mão sempre que se vêem em algum tipo de enrascada.
Atribuem à falta da reforma as distorções de conduta, mas quando são instados a
andar em linha reta e as regras contrariam seus interesses preferem continuar
na escrita da linha torta.
Quase, quase
A relação dos presidentes da Câmara, Arlindo Chinaglia, e do Senado, Renan
Calheiros, está por um fio. Que pode se romper no processo de discussão sobre o
reajuste dos subsídios dos parlamentares.
O problema ainda é a disputa pela presidência da Câmara. Chinaglia não perdoa
Calheiros pelo apoio dado a Aldo Rebelo. Aliás, não perdoa nenhum dos antigos
partidários da candidatura adversária. Aí incluído o presidente Lula.
Maus administradores de derrotas são comuns. Já péssimos gerentes de vitórias
chamam mais atenção.
Amizade eletiva
Com a volta do senador Alfredo Nascimento para o Ministério dos
Transportes, mais um suplente sem voto assume uma vaga no Senado, o
sindicalista amazonense Pedro Gonçalves da Costa, cujo atributo mais conhecido
é ser amigo do presidente Lula.
'É a regra do jogo', diz ele em defesa de seu mandato. De fato. O problema é da
regra, contraditória no jogo da democracia onde o pressuposto da representação
é o voto.
Teorema
Pela lógica da ministra Matilde Ribeiro - note-se, da Igualdade Racial -, a
maioria governista está sendo racista quando pretende impedir a minoria
oposicionista de instalar a CPI do apagão aéreo.
Raciocinou a ministra na já notória entrevista à BBC Brasil: 'Racismo é quando
uma minoria econômica, política ou numérica coíbe ou veta o direito dos
outros'.
![]()
GERAIS
29/03/2007
Dnit inicia obras na BR-135
Uma
empreiteira contratada pelo Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit) começou esta semana
as obras de reforma e melhoria da BR-135, no trecho não-pavimentado de 64
quilômetros, entre Manga e Montalvânia, no Norte de Minas. Os serviços, foram
iniciados depois de reportagem do Estado de Minas, em 20 de março, mostrando um
grupo de moradores, comerciantes e caminhoneiros de Montalvânia – de 17,2 mil
habitantes, a 775 quilômetros de BH – que decidiu recuperar, por conta própria,
um trecho de 18 quilômetros da rodovia. A estrada entre a cidade e o distrito
de Monte Rei ficou intransitável por causa do abandono pela União.
O comerciante Daniel Francisco de Souza, o Galego, um dos líderes da Comissão
Pró-Recuperação da BR-135, que organizou a campanha de arrecadação de doações
em Montalvânia, comemorou ontem a chegada das máquinas da empreiteira à cidade.
“Foi graças ao Estado de Minas que conseguimos chamar a atenção das autoridades
para solucionar o problema”, disse. Segundo ele, depois de fazer os reparos no
trecho de 18 quilômetros com um trator de esteira, a comissão conseguiu o
cascalho, retirado de uma fazenda ocupada por trabalhadores rurais sem terra, a
oito quilômetros da área urbana. Daniel informou que vai procurar a construtora
responsável pelo serviço (Conserva de Estradas Ltda), para que o material seja
aproveitado (cerca de 200 caminhões de cascalho).
Galego informou que a comissão arrecadou R$ 10,8 mil entre os moradores,
caminhoneiros, comerciantes e produtores rurais do município. Foram gastos R$
4,5 mil nos reparos feitos no trecho Montalvânia-Monte Rei. “Agora, como
chegaram as máquinas do governo, vamos reunir a comissão e decidir o que fazer
com o saldo de R$ 6,3 mil. Vamos devolver aos doadores ou destinar o dinheiro a
instituições de caridade”, explicou. Se se decidir pela doação a entidades, a
preferência será do Hospital Municipal Cristo Rei e da Associação de Pais e
Amigos dos Excepcionais (Apae).
O caminhoneiro Valmir Antunes de Souza, que ajudou a mobilizar os moradores,
acha que a iniciativa valeu a pena. “Conseguimos sensibilizar as autoridades.
Esperamos que a coisa não fique somente na promessa e a estrada seja realmente
recuperada”, disse. Segundo ele, a população de Montalvânia “vive no sofrimento
há 30 anos”, esperando a pavimentação do acesso à cidade.
SEM PRAZO O Dnit informou que, por enquanto, não foi fixado prazo para que a
empresa contratada para recuperar o trecho de 114 quilômetros não-pavimentado
da BR-135, entre Itaracambi, Manga e Montalvânia, termine os serviços. A
empreiteira deverá trabalhar na região vários meses, cuidando da manutenção da
estrada. O órgão adiantou que há recursos no Orçamento da União para
pavimentação da rodovia, mas não informou o valor. Segundo o deputado estadual
Paulo Guedes (PT-MG), a primeira parcela do pagamento das obras, orçada em R$
800 mil, já foi autorizada.
![]()
POLÍTICA
29/03/2007
Brito assume Portos na terça
BRASÍLIA
(Folhapress) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai editar, amanhã, a
medida provisória que cria a Secretaria Nacional de Portos. Escolhido para o
comando da secretaria, o ex-ministro da Integração Nacional Pedro Brito assume
a pasta na próxima terça-feira. Dirigentes do PSB já receberam do Palácio do
Planalto a confirmação de que Lula vai efetivar a criação da pasta esta semana.
“Ganhou a tese boa para o Brasil de que, quando há um problema de gerência, há
necessidade de organizá-lo realmente”, disse o líder do PSB na Câmara, deputado
Márcio França (SP).
Lula decidiu criar a secretaria para evitar que o PSB perca espaço no primeiro
escalão do Governo. O partido perdeu o comando do Ministério da Integração
Nacional para o PMDB e ficou apenas à frente do Ministério da Ciência e
Tecnologia. Integrantes do partido reclamaram do pequeno espaço, o que forçou
Lula a criar a pasta. O PR, que terá Alfredo Nascimento no comando do Ministério dos
Transportes, criticou a mudança. Antes da criação da secretaria, a
administração dos portos era subordinada ao ministério.
O ministro Nelson Machado (Previdência) confirmou, ontem, que deixará a pasta
hoje. Em seu lugar, assumirá Luiz Marinho, hoje à frente do Ministério do
Trabalho. Marinho será substituído pelo presidente do PDT, Carlos Lupi. Ele
adiantou que deve assumir um cargo no Ministério da Fazenda depois de um mês de
férias. Machado não revelou o cargo que ocupará na Fazenda, mas é cotado para
assumir a secretaria-executiva da pasta.
POSSES
Além de Lupi, tomam posse hoje os ministros Alfredo Nascimento (Transportes),
Miguel Jorge (Desenvolvimento) e Franklin Martins (Secretaria de Comunicação).
Este último indicará o também jornalista Ottoni Fernandes Jr. para cuidar da
área de publicidade do Governo. Segundo Franklin Martins, Fernandes Jr.
“conhece bem a área de publicidade”. Ele trabalhou nas revistas IstoÉ e Exame e
no jornal Gazeta Mercantil. Atualmente, era publisher da revista Desafios, do
Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), órgão do Ministério do
Planejamento. Foi preso político durante seis anos no regime militar. Fernandes
Jr. dirigirá a Secretaria de Comunicação Integrada, subordinada à estrutura de
comunicação sob responsabilidade de Franklin que volta a ter status de
ministério, perdido em 2005.
![]()
ECONOMIA
29/03/2007
Estados querem agilizar ferrovia
Depois
de declarações do ministro Geddel Vieira, governadores de três Estados vão
conversar com CFN para tentar acelerar obra
Os governadores de Pernambuco, Ceará e Piauí
estão se articulando para conversar com a Companhia Ferroviária do Nordeste
(CFN) sobre a execução do projeto da Ferrovia Transnordestina, que teve suas obras
iniciadas em agosto do ano passado. “A nossa intenção é fazer uma gestão comum
para ver o que precisa ser feito para agilizá-la”, disse o governador Eduardo
Campos (PSB), ontem, depois de se reunir, no Palácio Campo das Princesas, com
os governadores do Ceará, Cid Gomes (PSB), e de Sergipe, Marcelo Deda (PT). Cid
é irmão do ex-ministro Ciro Gomes (PSB). O governador do Piauí, Wellington Dias
(PT), não esteve presente.
A decisão dos governadores de tratar a Transnordestina como um projeto comum
ocorre três dias depois do ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira,
anunciar que pretende fazer com que a Transnordestina inclua um ramal, ligando
o oeste baiano aos portos de Salvador, o que provocou a desconfiança de que o
ramal cearense ou pernambucano poderá não sair do papel.
A Transnordestina tem um custo de R$ 4,5 bilhões, dos quais mais de R$ 3
bilhões serão bancados com recursos da União, embora a obra seja realizada pela
CFN, empresa que ganhou a concessão para explorar a ferrovia existente entre
Sergipe e o Maranhão, que também é conhecida como antiga Malha Nordeste. O
projeto estabelece o traçado de uma ferrovia, saindo de Eliseu Martins – no sul
do Piauí – e indo até os portos de Pecém, no Ceará, e de Suape. A ferrovia
custará R$ 4,5 bilhões, dos quais mais de R$ 3 bilhões serão bancados com
recursos da União, embora a obra seja realizada pela CFN, empresa que ganhou a
concessão para explorar a ferrovia existente entre Sergipe e o Maranhão,
conhecida como antiga Malha Nordeste.
![]()
ESPECIAL
29/03/2007
Porto de Paranaguá vai receber investimentos de
R$ 90 milhões (28/03)
Porto Alegre, 28 - O superintendente dos portos de Paranaguá e
Antonina, Eduardo Requião, deve anunciar amanhã investimentos de quase R$ 90
milhões no Porto de Paranaguá. Os recursos vão ser empregados na construção de
um terminal público para fertilizantes, um novo silo público para grãos e na
primeira etapa da do Cais Oeste. As três obras serão licitadas e começarão no
próximo mês, informa a assessoria da Administração dos Portos de Paranaguá e
Antonina (APPA) .
![]()
POLÍTICA
29/03/2007
Ministério dos Transportes fica com portos do
Amazonas
Ontem, ainda como senador, Alfredo Nascimento
discursou na tribuna da Casa
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva põe
fim, hoje, à "novela" em torno da nomeação do senador Alfredo
Nascimento (PR-AM) para o Ministério dos Transportes (MT). O novo
ministro toma posse às 10h, no salão nobre do Palácio do Planalto tendo a
presença do governador Eduardo Braga, o prefeito de Manaus, Serafim Corrêa,
dezenas de prefeitos do interior do Estado e parlamentares amazonenses.
Ao meio-dia, no Departamento Nacional de Infra-Estrutura Terrestre (DNIT), ocorre a
transmissão de cargo. O atual ministro Pedro Sérgio Passos volta à condição de
Secretário Executivo do MT, função que ocupava até março de 2006, quando
Alfredo deixou o Ministério para concorrer ao Senado, sendo eleito em outubro
de 2006.
O ministro confirmou que o MT vai mesmo ser desmembrado com a criação da
Secretaria Especial dos Portos (SEP), órgão que vai ficar ligado à
Presidência da República e será dada ao PSB. Mas, Alfredo não saiu perdendo
nessa disputa, pois, as 60 estações hidroviárias previstas para ser implantadas
do interior do Amazonas - a bandeira de campanha para o Governo do Estado em
2010 - não ficará com a SEC, mas com o Ministério dos Transportes.
"O povo do Amazonas pode ficar tranqüilo porque não ficará sem os seus portos para embarque e
desembarque de passageiros e de produção", declarou Alfredo. No entanto, a
SEP só será criada e terá definida sua composição depois da posse dele. Uma das
prioridades do ministro, no Amazonas, é o prosseguimento das obras da BR-319
(Manaus-Porto Velho), a construção de 60 estações hidroviárias no interior, o
Terminal Pesqueiro de Manaus e o porto do Distrito Industrial.
Futuras mudanças
Sobre os cargos à disposição do MT, Alfredo adiantou que haverá mudanças na
direção-geral do DNIT. No lugar de Mauro Barbosa da Silva, ligado ao PR de Goiás,
está cotado o ex-secretário de Transportes e ex-chefe da Casa Civil do Governo
de Mato Grosso, Luís Antônio Pagot. O nome está praticamente confirmado porque
ontem Alfredo se reuniu com o governador Blairo Maggi (PR-MT) e o futuro
diretor-geral do Departamento.
Quem também vai fazer parte da equipe de Alfredo Nascimento na Esplanada dos
Ministérios é o ex-deputado federal Humberto Michiles, que não conseguiu se
reeleger no ano passado. Devem ainda ser mantidos como assessores os
amazonenses Wilson Wolter, Aloísio Braga (2º suplente de senador), Paulo Jacob,
Pedro Carvalho e coronel Vivaldo Barreto.
Com relação aos cargos ligados ao Ministério no Estado do Amazonas, o ministro
não falou em mudanças, mas vai tratar dessa questão após a posse. Hoje, a
Superintendência Regional do Dnit nos Estados do Amazonas e Roraima está sob o
comando de Circe Maria Lima Gandra Baptista.
![]()
OPINIÃO
29/03/2007
Ataques à hidrovia Paraguai-Paraná
A WWF recomeçou seus ataques sobre a hidrovia Paraguai-Paraná.
Saiu no jornal "Folha de S. Paulo" a análise que esta entidade fez
sobre imaginadas conseqüências ambientais que poderão ocorrer na Bacia do
Prata. Falou de toda a região, mas seu foco é a hidrovia e sua ladainha é
sempre sobre o trecho entre Cáceres e Corumbá.
Por que estou dizendo ladainha e imaginadas conseqüências? Porque a WWF está
repetindo os mesmos argumentos de anos atrás sobre o mesmo assunto, incluído em
sua publicação de 1998, "Realidade ou ficção", de estudos sobre a hidrovia.
Diz agora outra vez, na matéria do jornal, que vai haver dragagens e
retificações no rio Paraguai "com a intenção de se criar um canal de
navegação de 3.400 km e de três metros de profundidade". E que com isso as
lagoas e corixos secariam, seriam sugados para o suposto canal.
A WWF deveria dizer de onde tirou essa informação. Não pode ficar atirando
coisas para a opinião pública dessa forma. Houve, em 1992, um estudo da empresa
de engenharia Internave que previa cortar meandros e aprofundar o leito do rio.
O estudo foi liminarmente descartado por todo mundo. Ninguém concordou com
aquela maluquice. Mas, até hoje, toda vez que querem atacar a hidrovia usa-se os argumentos
daquele estudo.
Ninguém concorda que se faça qualquer obra de engenharia na hidrovia. O que há hoje, e é
autorizado pelo Ibama, é a dragagem em certos lugares do rio Paraguai na época
da vazante. Não há e nem vai haver nada que mude o curso do rio Paraguai ou
aprofunde seu leito.
Foi com esse tipo de ação e desinformação que, junto com ONGs nacionais, a WWF
conseguiu impedir a construção do porto de Morrinhos. Botaram estudantes de
Cáceres nas ruas e amedrontaram os donos de pousadas no Pantanal sobre uma
suposta catástrofe. Hoje tem muita gente dali que acha que foi manipulada.
Ninguém até hoje informou de onde veio o dinheiro para que, durante semanas,
grupos de pessoas ficassem nas escolas de Cáceres falando para os alunos sobre
obras que seriam feitas na hidrovia.
Ninguém das ONGs informou aos donos de pousadas da área que o porto seria
construído 140 km abaixo da cidade de Cáceres, no lugar onde o rio Paraguai é
mais largo e recebe os rios Sepotuba e Jauru. Que o lugar onde hoje estão as
pousadas não passariam barcos. As ONGs conseguiram amedrontar as pessoas ao
dizer que as barcaças passariam à beira de suas pousadas. Era uma inverdade.
A Justiça Federal em Mato Grosso apoiou a paranóia criada e pediu um relatório
de impacto ambiental de Cáceres a Corumbá, numa extensão de 600 km. Só com isso
se permitiria construir o porto em Morrinhos. Depois ela entendeu que o correto
seria pedir o estudo ambiental somente do lugar em que se vai construir o
porto.
Agora volta a WWF com a mesma conversa de antes sobre aprofundar leito do rio e
se criar um canal de navegação. Lanço um desafio: que a WWF encontre nos
governos federal e estadual, no meio empresarial, no Comitê Intergovernamental
da Hidrovia, no Ministério das Relações Exteriores (a hidrovia é internacional) ou
onde quer que seja se há algum grupo defendendo o que ela diz.
Ou que se vai fazer aprofundamento do leito do rio Paraguai em três metros para
se criar um canal de navegação. Coisa que existe nos EUA no rio Mississipi. Lá
fizeram, aqui não vamos fazer.
A única coisa diferente que se propõe hoje para a hidrovia seria a construção
do porto de Morrinhos e o asfaltamento de uma estrada ligando ao porto. A WWF
deveria atacar então a construção desse porto e não ficar amedrontando as
pessoas sobre coisas que ninguém de bom senso concorda.
Existe navegação em muitos rios brasileiros, mas as hidrovias em Mato Grosso
sofrem bombardeios que extrapolam o limite do razoável. E não é somente sobre
os rios, é também sobre a nossa Amazônia e não vai demorar a surgir críticas
sobre a região do cerrado. E não vejo no estado nenhum movimento para enfrentar
ações como essas.
Alfredo da Mota Menezes escreve em A Gazeta às terças, quintas e aos domingos.
E-mail: pox@terra.com.br
![]()
POLÍTICA
29/03/2007
Governador conduzirá PR nacional
O governador Blairo Maggi vai assumir a
presidência nacional do Partido Republicano. A definição aconteceu ontem, em
Brasília, durante reunião dos principais líderes da sigla no país. "O PR
decidiu trabalhar um projeto nacional com Maggi", destacou o deputado
Wellington Fagundes, assinalando que Maggi aceitou a missão.
"A partir de agora, com certeza, o governador terá mais visibilidade e
terá uma participação mais forte nas questões políticas". Na condição de
presidente nacional do PR, Blairo Maggi irá se inserir no contexto político do
país, passando a ser uma referência. "O governador deixar de ser apenas um
líder empresarial para ser também político", enfatizou Fagundes.
A escolha de Maggi, segundo Wellington Fagundes, foi decidida desde a sua
decisão de se filiar ao PR. "Nós temos no ministro Alfredo Nascimento uma
referência, mas o seu projeto é ser governador do Amazonas", ressaltou.
"Já o Blairo não poderá ser candidato a reeleição e está disposto a ter
seu nome trabalhado num projeto nacional, ainda em construção".
Wellington Fagundes disse que o PR não descarta qualquer possibilidade de Maggi
vir a se candidatar nas eleições de 2010, podendo ser vice ou candidato a
Presidência da República. "A nossa intenção é dar uma visibilidade maior
neste momento e ir construindo o projeto sem açodamento", ponderou.
"O que interessa é que o PR quer e o governador também", salientou. O
parlamentar afirmou ainda que Blairo Maggi passará, junto com o senador Alfredo
Nascimento, que assume hoje o Ministério dos Transportes, a ser interlocutor
do partido junto ao presidente Lula. "O Blairo é o primeiro governador do
PR e está sendo reconhecido", frisou.
Mesmo dizendo que o seu projeto é terminar o segundo mandato de governador,
Blairo Maggi terá a oportunidade de consolidar a sua liderança em nível
nacional e ser uma opção a presidência da República em 2010. "Não vamos
focar nisso, mas se isso acontecer será bom para Mato Grosso", completou
Fagundes. Maggi retorna hoje à tarde ao Estado, quando irá conceder entrevista
para falar sobre o PR.
![]()
POLÍTICA
29/03/2007
Ministro confirma Pagot no Dnit
Em reunião com bancada do PR, Alfredo revela
que assessor do governo Maggi comandará o órgão; nome vai à sabatina no Senado
O ministro dos Transportes, senador Alfredo
Nascimento (AM), que toma posse hoje, às 10 horas, confirmou ontem, durante
reunião com a bancada do PR e com o governador Blairo Maggi, a indicação do
secretário de Educação, Luiz Antônio Pagot, para a direção geral do Departamento Nacional
de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit). Ele irá encaminhar, na próxima semana, o
nome de Pagot para o presidente Lula que, por sua vez, enviará a Comissão de
Infra-Estrutura do Senado, onde ele será sabatinado.
A perspectiva é de Luiz Antônio Pagot assumir o comando do Dnit até o dia 10 de
abril, dependendo da data da sabatina a ser definido pelo Senado. A comissão de
Infra-Estrutura tem, de Mato Grosso, apenas o senador Jaime Campos (DEM) como
membro titular. Antes de Alfredo Nascimento confirmar a indicação de Pagot, os
senadores Mago Malta (ES) e Expedito Júnior (RO) tentaram emplacar outro nome.
"A questão está contornada", informou o deputado federal Wellington
Fagundes. Ontem à noite, ele ofereceu um jantar, no seu apartamento, as
bancadas do PR na Câmara dos Deputados, no Senado e ao governador Blairo Maggi.
"O senador Expedito Júnior está participando do jantar", informou,
assinalando que, internamente no PR, não há mais nenhum empecilho para Pago
assumir o Dnit.
Apesar de haver várias especulações sobre possíveis vetos a Luiz Antônio Pagot
no Dnit, a sua indicação era
um fato definido desde o início deste ano. No dia 08 de janeiro, durante uma
audiência, o presidente Lula convidou o secretário de Educação para assumir o
órgão e recomendou que trabalhassem o processo junto com o senador Alfredo
Nascimento, que iria reassumir o Ministério dos Transportes. Pagot manteve-se
tranquilo e se dedicando a Educação. "Se o presidente Lula necessitar de
mudar a sua posição, não terá nenhum problema!". Mas, durante todo esse
período, o presidente não manifestou a Maggi outra posição, o que mostrava que
a sua indicação para o Dnit continuava forte.
Luiz Pagot viaja a Brasília, onde irá participar da posse de Alfredo Nascimento
no Transportes.
![]()
POLÍTICA
29/03/2007
Segundo Fagundes, Pagot está confirmado no Dnit
O deputado federal Wellington Fagundes (PR)
confirmou que o secretário de Educação do Estado, Luiz Antonio Pagot, vai
ocupar a direção do Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes (Dnit).
Segundo ele, a confirmação definitiva de que Pagot será nomeado para o Dnit partiu do futuro ministro dos
Transportes, Alfredo Nascimento, que assume hoje o cargo, pelo presidente
Luiz Inácio Lula da Silva, além de ter recebido o respaldo de toda a bancada
federal.
Conforme Fagundes, logo após a posse do ministro será encaminhado por Alfredo
Nascimento o nome de Luiz Antonio Pagot para o Senado. O cargo exige que o
indicado seja sabatinado pelos senadores. Só após o aval do Senado da República
é que o presidente Lula faz a nomeação para o cargo.
O Dnit é um dos cargos mais
cobiçados. Tem um orçamento quatros vezes maior do que o praticado anualmente
pelo governo do Estado. Nos últimos dias, Pagot tem evitado comentar sobre a
nomeação para o cargo em função das várias conjecturas feitas na imprensa de
que não deveria ocupar o Dnit.
“Não estou alimentando expectativa alguma. Estou preocupado com meus afazeres
na pasta da Educação. Mas essa questão já está resolvida entre o presidente
Lula e o governador”, disse, em entrevista anteontem, Pagot. O secretário
emendou: “Se o presidente fez um compromisso, não tem por que ficar discutindo
o assunto”.
Recentemente, surgiram rumores de que membros da direção nacional do PR teriam
tentado vetar seu nome para a direção do Dnit. Os rumores, pelo menos no que diz respeito
à direção do partido, foram derrubados ontem, após a reunião do governador
licenciado Blairo Maggi com a bancada nacional do partido.
![]()
POLÍTICA
29/03/2007
Maggi aceita presidência nacional do PR
Longe das denúncias dos rumorosos casos do
mensalão e sanguessugas, o Partido da República aposta em reputação para
preservar imagem
O governador Blairo Maggi aceitou ontem,
durante reunião com a bancada federal do Partido da República (PR), o convite
para ocupar o cargo de presidente nacional da legenda. O encontro contou com a
participação do senador Alfredo Nascimento (AM), que hoje será empossado pelo
presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, no Ministério dos
Transportes.
O governador é o mais expressivo integrante do partido que não tem registros de
acusações que mobilizaram o cenário político nos últimos dois anos como nos
supostos esquemas do mensalão e do sanguessugas. A deferência do PR ao
governador ocorreu também por conta da nova imagem que os líderes querem
implementar no partido.
O PR nasceu este ano da fusão do PL com o Prona. A troca de denominação da
legenda serviu para que a sigla possa ter uma nova roupagem, longe das
situações embaraçosas vividas pelo PL, até o ano passado, cujas principais
lideranças nacionais, formada por parlamentares, foram acusadas de participar
dos supostos esquemas do mensalão e sanguessugas.
A informação sobre Maggi ter concordado em ocupar a função foi confirmada,
ontem à noite, por telefone, pelo deputado federal Wellington Fagundes,
secretário-geral da comissão provisória do PR, em Mato Grosso. Ontem à noite,
na sua residência em Brasília, o parlamentar ofereceu um jantar ao governador e
à bancada federal da legenda. Segundo ele, foi uma maneira de aproximar o
futuro presidente do PR com os parlamentares, além de selar a mudança no
comando nacional da agremiação.
Será um “jantar das benções”, disse Fagundes, referindo-se ao encontro na sua
casa que selaria o compromisso do governador Blairo Maggi para presidir o
partido. Maggi está licenciado do governo de Mato Grosso desde o dia 7 passado
e só retorna à função no dia 9 próximo.
O atual presidente do PR é o procurador da República aposentado Sérgio Tamer,
do Rio Grande do Norte. Para Fagundes, não haverá dificuldades em o governador
compatibilizar as atividades da legenda com o governo do Estado.
No jantar de ontem também seria definida a data da convenção nacional, na qual
vai aclamar o governador presidente do PR no país. Para Wellington, desde que
Maggi foi convidado para ingressar no partido houve o compromisso dele se
tornar uma referência nacional.
Também pesou na decisão o fato de Maggi ser o primeiro governador a ingressar
oficialmente no partido. O governador licenciado participa hoje em Brasília da
solenidade de posse do ministro Alfredo Nascimento.
Maggi, à época, só formalizou seu ingresso no PR, após conversar com o
presidente Lula, de quem vem se aproximando desde as eleições passadas, quando
apoiou o petista no segundo turno.
![]()
REGIONAL
29/03/2007
Obras das eclusas serão retomadas
Contrato entre o Dnit, Eletronorte e o
Consórcio Camargo Corrêa foi assinado ontem
Com
a assinatura, ontem, em Brasília, da sub-rogação do contrato de obras civis das
eclusas da Usina Hidrelétrica Tucuruí, entre o Departamento Nacional
de Infra-Estrutura de Transportes - Dnit, Eletronorte e o Consórcio Camargo Corrêa,
as obras deverão ser imediatamente retomadas, objetivando a sua conclusão em
dezembro de 2010, conforme definido no Plano de Aceleração de Crescimento -
PAC.
Estiveram presentes no ato de assinatura, o diretor-geral do Dnit, Mauro Barbosa da
Silva, o presidente da Eletronorte, Carlos Raimundo Nascimento, o diretor de
Planejamento e Engenharia, Adhemar Palocci, e o diretor de Infra-Estrutura
Aquaviária do Dnit, Martinho Cândido dos Santos.
O contrato assinado com a Camargo Corrêa tem valor de R$ 440 milhões. A
construção das duas eclusas, ligadas por um canal intermediário, com 5,5
quilômetros de extensão, irá possibilitar a navegabilidade no Rio Tocantins.
Para a conclusão do empreendimento estão estimados recursos da ordem de R$ 620
milhões. Além do contrato para as obras civis, estão previstas a compra e a
instalação dos equipamentos elétricos, fiscalização do projeto, indenizações e
medidas de compensação ambiental. A construção das eclusas vencerá um desnível
de 74 metros e permitirá o tráfego de comboios transportando até 22 mil
toneladas de carga. Este trecho tem grande potencial econômico, devido ao
desenvolvimento agropecuário e agro-industrial da região e pela existência de
minerais e de recursos naturais que podem ser transportados por via fluvial.
De acordo com o diretor de Infra-estrutura Aquaviária, Martinho Cândido dos
Santos, a conclusão das eclusas, iniciada em 1981 e interrompida diversas
vezes, é uma das prioridades do Governo Federal, incluída no PAC. “O Dnit e a Eletronorte
estão trabalhando em conjunto para retomar as obras o mais breve possível, por
termos todos os trâmites legais, bem como o projeto executivo e as respectivas
licenças ambientais aprovados”, afirmou. No último dia 22 de fevereiro, o Dnit liberou R$ 67
milhões para o empreendimento. Para 2007 estão previstos R$ 252 milhões. As
informações são da assessoria de imprensa da Eletronorte.
![]()
MINAS GERAIS
29/03/2007
Dnit inicia obras na BR-135
Rodovia federal liga as cidades de
Montalvânia, Miravânia e Juvenília
Uma empreiteira contratada pelo Departamento Nacional
de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit) começou esta semana as obras de reforma e
melhoria da BR-135, no trecho não pavimentado de 64 quilômetros, entre Manga e
Montalvânia, no Norte de Minas. Os serviços, foram iniciados depois de
reportagem do Estado de Minas, em 20 de março, mostrando um grupo de moradores,
comerciantes e caminhoneiros de Montalvânia - de 17,2 mil habitantes, a 775
quilômetros de BH - que decidiu recuperar, por conta própria, um percurso de 18
quilômetros da rodovia. O trecho entre a cidade e o distrito de Monte Rei,
ficou intransitável por causa do abandono da estrada por parte da União.
Ontem, o comerciante Daniel Francisco de Souza, o Galego, um dos líderes da
Comissão Pró-Recuperação da BR-135, que organizou a campanha de arrecadação de
doações em Montalvânia, comemorou a chegada das máquinas da empreiteira à
cidade. "Foi graças ao Estado de Minas que conseguimos chamar a atenção
das autoridades para solucionar o problema", disse. Segundo ele, depois de
fazer os reparos no trecho de 18 quilômetros com um trator de esteira, a
comissão conseguiu o cascalho, retirado em uma fazenda ocupada por
trabalhadores rurais sem-terra, a oito quilômetros da área urbana. Daniel
informou que vai procurar a construtora responsável pelo serviço (Conserva de
Estradas Ltda), para que o material seja aproveitado (cerca de 200 caminhões de
cascalho).
Galego informou que a comissão arrecadou R$ 10,8 mil junto aos moradores,
caminhoneiros, comerciantes e produtores rurais do município. Foram gastos R$
4,5 mil nos reparos feitos no trecho Montalvânia/Monte Rei. "Agora, como
chegaram as máquinas enviadas pelo governo, vamos reunir a comissão e decidir o
que fazer com o saldo de R$ 6,3 mil. Vamos fazer a devolução aos doadores ou
destinar o dinheiro a instituições de caridade", explicou. Se se decidir pela
doação a entidades, a preferência será do Hospital Municipal Cristo Rei e da
Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae).
O caminhoneiro Valmir Antunes de Souza, que ajudou a mobilizar os moradores,
acha que a iniciativa valeu a pena. "Conseguimos comover as autoridades.
Esperamos que a coisa não fique somente na promessa e a estrada seja realmente
recuperada", disse. Segundo ele, a população de Montalvânia "vive no
sofrimento há 30 anos", esperando a pavimentação do acesso à cidade.
SEM PRAZO. O Dnit informou que, por enquanto, não foi fixado prazo para que a
empresa contratada para recuperar o trecho de 114 quilômetros não-pavimentado
da BR-135, entre Itaracambi, Manga e Montalvânia, termine os serviços. A
empreiteira deverá trabalhar na região por vários meses, cuidando da manutenção
do trecho. O órgão adiantou que há recursos no Orçamento da União destinados à
pavimentação da rodovia, mas não revelou o valor. Segundo o deputado estadual
Paulo Guedes (PT-MG, a primeira parcela do pagamento das obras, orçada em pouco
mais de R$ 800 mil, já foi autorizada.
![]()
POLÍTICA
29/03/2007
Partidos de oposição vão à Justiça para reaver
mandatos
Maiores prejudicados pelo troca-troca
partidário ocorrido nessa legislatura, PSDB, PPS e DEM (o antigo PFL) irão
atrás de recuperar suas vagas na Câmara dos Deputados após a afirmação do
Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de que, nas eleições proporcionais, o mandato
pertence aos partidos e não aos eleitos.
Segundo a mesa-diretora da Casa, 36 parlamentares trocaram de legenda após a
eleição, sendo 23 deles dos três partidos de oposição. A disputa deve acabar no
Supremo Tribunal Federal (STF).
A posição do TSE sobre a titularidade dos mandatos foi uma resposta a uma
consulta do então presidente do PFL, que mudou ontem de nome, Jorge Bornhausen.
Por seis votos a um, os ministros afirmaram que, devido ao sistema
proporcional, o partido ou coligação que elegeu o candidato é o dono do mandato.
Dessa forma, o parlamentar que sair da legenda pela qual foi eleito teria de
deixar seu cargo. O texto aprovado pelo TSE abre a possibilidade de troca de
partido nos casos em que houver mudança no ideário da sigla ou perseguição.
Para o advogado especialista na área eleitoral Alberto Rollo, a decisão é
“brilhante do ponto de vista moral, mas entra em conflito com o artigo 55 da
Constituição, que regula os casos de perda de mandato”. O artigo mencionado
determina os casos em que o eleito perde o mandato e não cita a infidelidade
partidária. Rollo destaca ainda que o Tribunal não deveria ter respondido a
consulta, por não ser sua área de competência. “O trabalho do TSE termina na
diplomação dos eleitos. Não é papel do Tribunal julgar esse tipo de questão”,
explica.
O raciocínio é o mesmo de Ricardo Penteado, presidente do Instituto de Direito
Político e Eleitoral . “Antes de discutir o mérito é preciso deixar claro que a
consulta não deveria nem ter sido respondida porque a questão não é de
responsabilidade do TSE”. Para ele, o Tribunal está legislando. “Não é a
primeira vez que o TSE faz isso”. Devido ao conflito com a Constituição, a
questão deve ter sua instância final no Supremo.
Três ministros do TSE fazem parte também do STF. Além deles, o ministro Celso
de Mello votou de forma semelhante há 20 anos atrás em uma questão parecida,
durante a Constituinte. Na ocasião, a tese foi derrotada. Agora, a depender da
pressão política, a posição aprovada pelo TSE já sairia com votos favoráveis de
4 dos 11 ministros do Supremo.
Animados com o resultado da consulta do DEM, os partidos de oposição estão se
articulando para tentar reaver os mandatos obtidos nas urnas. O Democratas deve
entrar na próxima semana com um pedido junto à Câmara dos Deputados
reivindicando a perda de mandato dos sete parlamentares que deixaram a sigla e
a posse dos suplentes. PPS e PSDB ainda não sabem qual meio irão usar, mas
também já avisaram que vão correr atrás dos cargos. “Existem vários caminhos e
vamos aguardar para ver qual o melhor procedimento, mas queremos os mandatos de
volta”, disse o líder tucano Antonio Carlos Pannunzio.
Oposição comemora
Os líderes oposicionistas comemoraram a decisão e aproveitaram para criticar os
parlamentares que mudaram para legendas da base do governo. “O eleitor vota de
um jeito e tem de ser respeitado. Ninguém tinha dúvida de que o PFL (DEM) seria
oposição ao governo e a grande parte dos que saíram usaram o partido”, afirmou
o presidente do DEM, Rodrigo Maia. “É uma decisão de alto impacto porque a relação
entre Executivo e Legislativo sempre foi promíscua”, disse o líder do PPS,
Fernando Coruja.
“Agora vai acabar com a imoralidade da troca de partidos porque nos últimos
meses a troca era feita por uma indicação no Dnit aqui e outra na Docas lá”, disse
Tasso Jereissati, presidente nacional do PSDB. Maior beneficiário do
troca-troca partidário, o PR acredita que a posição do TSE não irá alterar as
composições das bancadas. “Não há deliberação nenhuma, não foi analisado um
caso concreto, foi só uma consulta”, afirmou Luciano Castro, líder da sigla na
Câmara.
Para o deputado, a justiça eleitoral não tem competência para tirar o mandato
de um parlamentar depois da posse. Argumentou também que a decisão não poderia
ter efeito retroativo. “Se for assim tem que tirar mandato de todo mundo que já
trocou de partido alguma vez”.
O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), já sinalizou ontem que a
mesa-diretora deve responder de forma negativa a ações que visem recuperar os
mandatos para os partidos. Afirmou ainda que pode ser discutida uma nova
legislação para regular o caso. “Se houver um acirramento hipotético de alguém
querer tomar o mandato de outro alguém, pode ou ir para o Judiciário ou
provocar uma legislação nova para regularizar de maneira clara essa questão”.
Segundo técnicos da Casa, a tendência é por uma decisão negativa, o que levaria
os partidos de oposição a pedir um mandado de segurança no STF, onde a questão
seria decidida.
![]()
CIDADES
29/03/2007
Toda a BR-101 será duplicada em SE
A
duplicação de todo o trecho da BR-101 em Sergipe deverá ser licitado no segundo
semestre deste ano. É o que informa o chefe de Infra-Estrutura do Departamento Nacional
de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit), Carlos Alberto Sarmento, acrescentando
que, de acordo com o Programa de Aceleração de Crescimento (PAC), do governo
federal, faltam somente a audiência pública e a licença ambiental para que o
projeto executivo de duplicação da rodovia federal esteja pronto para a
licitação.
O valor orçado é de R$ 600 milhões. A obra vai englobar toda a extensão da
BR-101 no Estado que ainda não foi duplicada, a restauração da parte duplicada
e a construção e/ou restauração de 36 obras d’arte (viadutos, pontes etc.).
"Algumas pontes ou passagens de pedestres serão construídas por inteiro.
Já outras serão restauradas e construídas na parte da duplicação para
acompanhar a nova via", disse Sarmento, observando que a obra não tem data
para iniciar e nem previsão para terminar enquanto não sair o edital.
O que se sabe é que a obra será dividida em lotes. O primeiro trecho a ser
duplicado será do quilômetro zero, situado no meio da ponte do rio São
Francisco, no município de Propriá, até o km 77,3, que fica em Pedra Branca.
"Depois pulamos aqui o trecho que já estamos fazendo e também o que já é
duplicado, que finaliza ali no retorno na área dos motéis, e, a partir daí, que
é o km 93,4, até o km 129, localizado na entrada do município de Lagarto, é o
segundo lote. Do acesso a Lagarto até o km 153,9, no acesso à Linha Verde, é o
terceiro lote", explica.
Sarmento informou que, além do projeto do PAC para a duplicação da BR-101,
existe um programa do Dnit de restauração de toda a estrada da Linha Verde, que se inicia
no km-153,9 e termina no km-206,1, na divisa com a Bahia. "A licitação
para essa parte deverá estar sendo feita nos próximos 120 dias", informou.