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OPINIÕES -
07/11/2005
A outra causa do apagão
rodoviário
7 de Novembro de 2005 - O
transporte de cargas no Brasil é essencialmente rodoviário: 62% do total, segundo
os dados do Ministério
dos Transportes. Apesar disso,
não há regulamentação dessa prestação de serviço implicando sérias dificuldades
operacionais. A primeira delas é a ausência de controle das jornadas dos
motoristas. Basta uma comparação para compreender o risco dessa não
regulamentação: o motorista de caminhão se envolve em oito acidentes a cada 10
mil viagens. No mesmo número de viagens, o motorista de ônibus sofre 0,87
acidente. Ambos são profissionais que circulam pelas mesmas estradas e
enfrentam a mesma precariedade na logística de transporte. Por que os caminhões
têm dez vezes mais acidentes?
A empresa de gerenciamento de risco Pamcary rastreou 4.200 acidentes com
veículos de carga entre julho de 2004 e junho deste ano e identificou que o
motorista de caminhão cumpre jornada diária de 15 horas, provocando a média
anual de 90 mil acidentes. Nas 330 mil viagens monitoradas pela empresa,
acidentes com caminhões provocaram 12 mil mortes, um terço delas dos próprios
caminhoneiros.
Em comparação com dados internacionais, as cifras de acidentes envolvendo
caminhões nas estradas brasileiras são assustadoras: a cada 100 mil
caminhoneiros, nos Estados Unidos há 25 mortes anuais, enquanto no Brasil há
281.
O cotidiano do motorista de ônibus e do de caminhão ajuda a entender esses
dados. O motorista do veículo de passageiros tem salário fixo e descanso
obrigatório, enquanto o rendimento da maioria dos caminhoneiros depende do
número de viagens que faz. As longas jornadas começam aqui. Depois, outros fatores
operacionais agravam o quadro.
O tempo despendido com carga e descarga é antieconômico. O estudo da Pamcary
mostrou que viagens médias de até 1.200 quilômetros representam ocupação média
de 38 horas, e um quarto desse tempo é despendido com carga e descarga. A
exigência de produtividade alcança só o motorista, e não a tarefa de
carga/descarga. Ou seja, ganhar tempo é possível apenas na estrada.
Nos últimos meses, todos os avisos e críticas quanto ao risco de um apagão
logístico nos transportes concentraram-se no estado das estradas e no grave
problema dos roubos de carga. Essas dificuldades são reais, mas compõem só meia
verdade em relação ao problema. Em relação a 2002, com 105,2 mil acidentes,
ocorreu redução no número de sinistros com caminhões no ano passado: 89,2 mil.
Segundo os dados coletados pela consultoria, os acidentes do ano passado
representaram um custo de R$ 9,7 bilhões - somando-se danos humanos e
materiais. Os dados das seguradoras mostraram que no mesmo ano o roubo de
cargas significou prejuízo de R$ 1 bilhão, ou seja, nove vezes menos que o
gerado pelos acidentes. A comparação com o número de acidentes com ônibus
também mostrou que o estado das estradas não pode ser considerado o maior
culpado pelos impressionantes números de acidentes com caminhões.
A frota brasileira de caminhões tem alta idade média, em torno de 9,2 anos.
Esse fato também pesa nos acidentes, porque a difusão dos novos conceitos
logísticos demanda uma produtividade que a longevidade dos veículos impede.
Há um esforço de renovação dessa frota. No mercado interno foram vendidos, em
2004, 82.326 caminhões. Foi uma expansão significativa em relação a 2003,
quando foram vendidos 66.427 unidades. As vendas de ônibus foram bem menores:
17.462 unidades comercializadas em 2004, pouco acima do ano anterior, com
15.997 veículos.
A ausência de regulamentação no transporte de carga rodoviária, obviamente, não
atenua o péssimo estado das estradas brasileiras. Na última semana de outubro,
a pesquisa Indicadores de Competitividade Industrial da Confederação Nacional
da Indústria (CNI) mostrou que 75% das empresas do setor industrial no momento
estão "insatisfeitas" com a precariedade das estradas rodoviárias.
Porém, sem dúvida, conhecer os motivos reais de qualquer problema é o primeiro
passo para resolvê-lo.
Para imprimir, enviar ou comentar, acesse:
www.gazetamercantil.com.br/editorial
kicker: Caminhões têm dez vezes mais acidentes que ônibus que circulam nas
mesmas estradas. E roubo de carga custa dez vezes menos que os acidentes
(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 2)(Para imprimir, enviar ou comentar,
acesse: www.gazetamercantil.com.br/editorial)
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1º CADERNO - 07/11/2005
Governo não tem tempo
para gastar superávit
Ministros da Casa Civil e
do Planejamento se esforçam para acelerar desembolsos para investimentos
Claudia Safatle De
Brasília
O governo não conseguirá gastar, ainda este ano, o excesso de superávit
primário acumulado até setembro, de R$ 3,75 bilhões, cifra que sobe para a casa
dos R$ 15,1 bilhões se considerado o mesmo padrão de execução fiscal do último
trimestre de 2004, quando o superávit consolidado totalizou R$ 11,34 bilhões.
Isso representaria uma disponibilidade líquida de gasto de um volume de
recursos superior a todo o orçamento de investimento programado para 2005, de
R$ 14 bilhões.
Apesar dos esforços da ministra chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, e do
ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, para acelerar os desembolsos de
recursos públicos para investimentos neste e no próximo mês, fazendo o
superávit cair de 5,16% do PIB nos últimos 12 meses para a meta de 4,25% do
PIB, é praticamente impossível o governo conseguir "queimar" o
excesso de superávit, segundo avaliação de especialistas em finanças públicas,
mesmo levando em conta a sazonalidade do gasto, que é mais intenso nos últimos
meses do ano, e a renúncia de receitas decorrente da aplicação da MP do Bem.
Ao acumular um saldo primário de 6,1% do PIB até setembro, o que houve não foi
um erro de cálculo do Ministério da Fazenda. Ocorreu, sim, uma gestão rigorosa
e deliberada, que decorreu, sobretudo, do aumento espetacular da receita
tributária proveniente do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da
Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL). Até agora, a receita com
esses dois tributos superou em R$ 11 bilhões a programação dos técnicos do
Fisco. Fruto dos bons lucros das empresas em 2004.
Depois de inúmeras reuniões com diversos ministros, que tomaram sua agenda da
semana, Paulo Bernardo informou ao Valor que "as coisas estão melhores do
que estávamos pensando". Ou seja, apesar do brutal esforço fiscal
realizado até agora, a execução dos principais projetos de investimento do
governo não é das piores. "Há alguns problemas pontuais e estamos passando
um pente fino. Vamos propor ao presidente Lula um remanejamento de recursos e,
se o presidente concordar, vamos soltar isso nesta semana."
Os maiores problemas de atraso na execução de investimentos estão no Ministério dos Transportes, particularmente nas rodovias. Por exemplo, as obras na BR-101 no Nordeste
demoraram a começar por causa de problemas com o Tribunal de Contas da União,
que postergou as licitações. Segundo o ministro do Planejamento, optou-se por
fazer um trecho com a engenharia do Exército e o restante, por licitação. Houve
atrasos também no início de obras dos projetos pilotos de investimentos
(excluídos do cálculo do déficit público, conforme negociação com o Fundo
Monetário Internacional).
Há fragilidades enormes, também, na capacidade operacional do Estado de
executar projetos. Apenas como exemplo, hoje o Departamento Nacional de
Infra-estrutura de Transportes (Dnit) conta com
apenas quatro engenheiros para trabalhar nos projetos de investimentos em rodovias. O Planejamento, segundo o ministro, pretende
abrir concurso e promover uma reestruturação nessa área. Esses são gargalos que
se espalham pela administração pública.
Bernardo está empenhado, também, em mudar o processo de execução orçamentária.
Nos meses de janeiro e fevereiro, sazonalmente, o governo libera pouquíssimos
recursos para investimentos. As liberações começam a partir de abril e maio e
são mais concentradas no fim do exercício, após garantido o superávit primário.
Ele quer dar mais racionalidade a esse calendário em 2006, até porque, sendo
ano de campanha sucessória, o governo tem limitações da legislação eleitoral
para iniciar obras após o mês de julho.
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ECONOMIA - 07/11/2005
Governo só gastou 50% do Orçamento
Até o dia 15 de outubro
deste ano, o governo federal gastou 51,62% do Orçamento de R$ 1,61 trilhões
previsto para este ano. A análise é do Instituto de Estudos Sócioeconômicos
(Inesc), uma organização da sociedade civil que acompanha as políticas públicas
do governo federal, com base em dados dos Sistemas Integrados de Acompanhamento
Financeiro (Siaf). A assessoria do Ministério da Fazenda afirmou que os dados
sobre execução orçamentária serão divulgados no próximo boletim sobre o
Resultado do Tesouro Nacional.
O menor ritmo de execução do Orçamento, segundo o Inesc, é registrado em áreas
de interesse social, como Direitos Humanos e Cidadania (26%), Habitação (19%),
e Organização Agrária (34%). Os investimentos em infra-estrutura também têm um
baixo índice de aplicação: foram liberados 11,62% dos R$ 22,02 bilhões
previstos para este ano.
Por órgão, o ministério que menos gastou até meados de outubro foi Minas e Energia
– apenas 9,9% dos R$ 4,45 bilhões disponíveis. O Ministério das Cidades,
responsável por programas nas áreas de habitação, saneamento, transportes
coletivos e desenvolvimento urbano, liquidou 20,27% de um Orçamento de R$ 4
bilhões. E o Ministério
dos Transportes, com Orçamento
de R$ 9,65 bilhões, gastou 31,20% do montante disponível.
As únicas áreas que gastaram mais 50% do orçamento, segundo Eliana, são as que
têm recursos vinculados – as que o governo tem obrigação de executar. É o caso
de Assistência Social (78% dos R$ 16 bilhões autorizados), Previdência Social
(71% de R$ 180,5 bi) e Saúde (67% de R$ 36,69 bilhões).
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MANCHETE -
07/11/2005
O importante é tocar as
obras
Queremos a conclusão das
obras da BR-319, não importa quem realize. Se é governo federal ou governo do Estado!”
Assim opinou o deputado Sabá Reis (PL), em coro com membros de partidos como
PMDB do governador Eduardo Braga e PCdoB, partido que faz oposição ao governo
do Estado. "Digo isso e sei que essa também é a opinião do ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento
(PL)".
A reforma da BR, construída em 1977, foi embargada pelo Ministério Público
Federal a pedido do Ibama (Instituto Brasileiro de Recursos Ambientais
Renováveis e Meio Ambiente) e Ministério do Meio Ambiente (MMA). Segundo o
presidente do Instituto, Marcus Barros (PT), a obra não pode ser realizada
antes de se ter o Rima (Relatório de Impacto Ambiental).
Braga anunciou na Assembléia Legislativa, durante a audiência sobre o embargo
da BR-319, realizada na semana passada, que falaria pessoalmente com o
presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para cobrar uma posição do governo
federal sobre as obras da BR. Também garantiu que iria propor a realização de
um convênio com o Ministério
dos Transportes (MT) para
estadualizar as obras.
Após seu pronunciamento, alguns deputados chamaram a atitude de oportunismo
político, mas para a grande maioria não importa quem consiga a liberação, mas
sim que as máquinas voltem a funcionar na estrada. Mas caso aconteça, será uma
demonstração de bom trânsito e coesão de Braga com o presidente Lula.
Para o deputado estadual Francisco Balieiro (PMDB), o governo federal tem que
abrir a mesma exceção que fez com a BR-317, no Acre. "Com a explanação do
representante do Ibama, ficou claro que o problema está em cinco trechos,
dentro do nosso Estado. Então, o governo federal tem que dar o mesmo tratamento
que dispensou ao Acre. A proposta do governador, de estadualizar, é uma saída.
O MT pode fechar esse convênio com o Estado e receber a licença ambiental
através do órgão competente do Estado, no caso, o Ipaam (Instituto de Proteção
Ambiental do Amazonas", declarou. Balieiro não vê como oportunismo a
atitude do governador.
"Não vejo dessa forma. Se há uma questão política nessa história, não foi
o Braga quem criou, mas sim o MT com o MMA e o Ibama, que eu não sei por que
está impedindo a realização das obras", criticou Balieiro. O deputado não
acredita que haja má intenção do Ibama, mas diz que o Amazonas está sendo
discriminado. "Seria leviano da minha parte dizer que há uma má intenção
no Ibama e no MMA, mas posso dizer que há um tratamento diferenciado com
relação ao Amazonas. Porque em outros Estados, rodovias foram construídas sem todos esses empecilhos. Há
uma discriminação", disse.
A deputada federal Vanessa Grazziontin (PCdoB) é outra parlamentar que acredita
na proposta de Braga. "Essa proposta, sem dúvida, deve ser lançada. Se a
União concordar com o convênio, seria bom. É possível, mas acho que o diálogo
deveria ser com todos as entidades envolvidas, incluindo o Ministério Público
Federal, porque foi o MPF que embargou a obra", disse. Para ela, o caso
não se trata de oportunismo. "Não tenho essa leitura, porque vejo primeiro
o lado do Amazonas. Tem que haver uma união de forças para o bem do Estado.
Quero crer, neste momento, que o mais importante é a união pela obra".
Omisso
O deputado estadual Sabá Reis (PL), do mesmo partido do ministro Alfredo Nascimento, afirmou que a celebração do convênio em nada o
afetaria. "O Alfredo quer a estrada, não importa quem a faça sair. Ele não
vê problema algum em passar a responsabilidade para o Estado. Nós sabemos que o
momento é agora. Se essa estrada não sair agora, vai demorar e muito. O momento
é propício, porque temos um ministro que foi prefeito de Manaus e um governador
que está querendo muito a BR", opinou.
Reis também defendeu o governador, quando disse que não se trata de oportunismo
eleitoral. "Se ele não se manifesta, vão dizer que ele é omisso. Se ele se
manifesta, dizem que é oportunista. Aí fica difícil", indignou-se.
Para o deputado, a proposta deveria seguir como o convênio da BR-317, no Acre,
terra natal da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. " Eles deveriam
pegar o mesmo contrato do convênio da 317, tirar o "7", colocar o
"9", apagar o "Acre" por "Amazonas" e retirar o
nome do governador do Acre e escrever Eduardo Braga no lugar. É muito simples,
o contrato deve ser o mesmo que firmaram na terra da ministra", ironizou.
Ademar Vieira
(Especial para o Em empo)
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POLÍTICA -
07/11/2005
Comissões parlamentares
terão agenda cheia durante a semana
CPI dos Correios
apresentará relatório prévio sobre movimentação financeira
Brasília – As agendas dos
deputados que participam das comissões parlamentares de inquéritos estão cheias
nesta semana, culminando na quinta-feira (10) com a apresentação, pela Comissão
Parlamentar Mista de Inquérito dos Correios, do relatório prévio sobre
movimentação financeira das pessoas que estão sob investigação.
Nesta terça-feira pela manhã, a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que
investiga a compra de votos no Congresso vai ouvir o depoimento do deputado
Ronivon Santiago (PP-AC) e à tarde do ex-ministro dos Transportes, Anderson Adauto. Na quarta-feira (9), a CPI
receberá o secretário de Assuntos Institucionais do Partido dos Trabalhadores
do Rio Grande do Sul, Marcelino Pies. Para a quinta-feira (10) está marcado
depoimento de Paulo Antônio Bassoto, integrante do diretório municipal do PT em
Canoas (RS), que consta da lista de pessoas acusadas de beneficiárias de saques
das contas do publicitário Marcos Valério.
A sub-relatoria de Contratos da CPI dos Correios começa os trabalhos da semana
ouvindo na terça-feira, às 14 horas, depoimentos do sócio da empresa Beta,
Roberto Kfouri e do representante da Skymaster, Américo Proietti. No mesmo
horário, a sub-relatoria de Movimentações Financeiras ouve depoimento de
operadores do mercado financeiro que trabalharam com o doleiro Antônio
Claramunt, o Toninho da Barcelona. São eles: Marcelo Viana, Nelma Cunha e
Evaldo Rui Vincentini.
depoimentos
Estão previstos também para a quarta-feira (9) depoimentos do sócio da agência
franqueada dos Correios no Shopping Tamboré, em São Paulo, Ernesto Duarte; e da
presidente da Associação das Empresas Prestadoras de Serviços Postais do Estado
de São Paulo, Emily Yamashita.
A CPI dos Correios vai ouvir também na quarta-feira, em sua sessão plenária, o
ex-presidente da Interbrasil Seguradora S/A, Maurício Paneque; o ex-diretor
superintendente da Interbrazil Seguradora S/A Bruno Prada; a ex-diretora da
Interbrazil Maria Cristina da Cruz; e o superintendente da Superintendência de
Seguros Privados (Susep), René Garcia.
A Sub-Relatoria de Fontes Financeiras da CPMI dos Correios ouve na quarta-feira
depoimentos da ex-assessora financeira do PT de Londrina, Soraya Garcia; do
diretor financeiro do Ministério
dos Transportes durante a
gestão do ex-ministro Anderson Adauto, José Luiz Alves, e do ex-funcionário do
Banco Rural Renato César Alves Souza.
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OPINIÃO -
07/11/2005
A violência no trânsito
de São Luís
Ivony Andrade
Parece que estamos num autódromo, disputando quem chega primeiro. As pessoas,
ou seja, os motoristas saem preparados para matar ou morrer, tamanha a
velocidade.
Já estive na Europa e por todo o Brasil. Porém, nunca vi algo igual. Tanta
pressa. É uma correria, os carros detonados - 80 a 100 km/h. Parecem jovens e
adolescentes que roubam o carro do pai para os famosos “pegas”. Motoristas
indisciplinados, de 18 a 70 anos. Não importa a idade. O que importa é quem
corre mais, quem chega primeiro. É um desafio o trânsito de São Luís. Acredito
que falta um órgão eficiente que controle a ousadia da maluquice do trânsito de
São Luís do Maranhão.
Cadê o Detran?
Não existe mais espaço para pedestre e ainda dizem que São Luís é pacata,
hospitaleira. Que cidade é esta, onde impera o estresse, onde o corre-corre é o
que vale, quem chega primeiro?
Ser Patrimônio da Humanidade, com tanto barulho, loucura no trânsito.
Geralmente, as cidades-patrimônio não tem este volume grande de carros. A
vaidade, a prepotência, o deslumbre de estar em um carro do ano deixam as
pessoas prontas para tudo ou nada, quem não correr está fora de moda. Estas
pessoas, que não tem a menor sensibilidade quanto à vitrina de trânsito.
Quantos jovens não tiveram suas vidas ceifadas, por falta de prudência de
alguns motoristas? Este ano, em São Luís, só se vê falar de acidentes. Torna-se
necessário que estas famílias que foram vítimas do trânsito formem associações
e encaminhem abaixo-assinados para o Ministério dos Transportes e da Justiça para que tomem providências.
Senhores motoristas, pensem na hora de dirigir. Ontem, foi o seu vizinho, filho
do seu amigo, do conhecido. Mas amanhã pode ser você ou seu filho. Lembre-se
disto, você, que vive deslumbrado no seu carrão a 100km/h, porque você ainda
não tem um ente querido na UTI ou numa cadeira de rodas. Pense nisso. Humanize
o trânsito. Seja um motorista civilizado, sem alta velocidade. Quanta gente boa
e bonita não estaria ainda desfrutando da sua amizade?
E-mail: ivonyandrade@bol.com.br
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ECONOMIA -
07/11/2005
Falta de recursos atinge
portos
Pesquisa aponta
necessidade de dragagem e de acesso terrestre na infra-estrutura portuária
BRUNO VILLAS BÔAS
DO JORNAL DO COMMERCIO
Uma pesquisa ainda inédita da Fundação Ricardo Franco, encomendada pelo Ministério dos Transportes, será divulgada em dezembro deste ano reafirmando
a necessidade de se investir nos acessos marítimos, rodoviários e ferroviários
dos portos brasileiros. Técnicos da fundação visitaram 30 portos públicos e privados, de abril a outubro deste ano,
e realizaram a radiografia mais detalhada da infra-estrutura portuária do País
desde a extinção da
Portobrás, há mais de uma década.
Denominada "Levantamento da infra-estrutura portuária e do emprego de
recursos tecnológicos nos
portos brasileiros", a
pesquisa servirá de base para a criação de um planejamento estratégico
integrado para os
portos do País.
Segundo o responsável pelo levantamento, o professor do Instituto Militar de
Engenharia (IME) José Carlos Cesar Amorim, os principais gargalos dos portos brasileiros foram divididos em duas categorias:
necessidade de "água" e de "carga". Ele explica que a
necessidade de "água" se refere às dificuldades de quase todos os portos brasileiros de realizar a dragagem de manutenção
da profundidade do canal de acesso, da bacia de evolução (local de manobra das
embarcações) e dos berços de atracação. Já a necessidade de "carga"
significa a carência de acesso rodoviário e ferroviário, o que reduz
drasticamente a produtividade dos portos.
Carência de acessos inibe crescimento de muitos portos
"Não existe carência de oferta de cargas, mas ocorre a falta de acesso
adequado, o que inibe o crescimento de muitos portos no
País. Os portos de Ilhéus e Salvador, na Bahia, têm graves problemas
de acesso. O porto de Natal, no Rio Grande do Norte, recebeu investimentos em
terminais e tem grande potencial de crescimento, mas falta acesso ferroviário.
O acesso adequado é importante, entre outras coisas, para agilizar a reposição
de carga nos pátios do porto, o que reduz o tempo de embarque e desembarque nos
navios", explica Amorim.
Ele lembra ainda o caso do maior porto da América Latina, o de Santos, em São
Paulo, que movimenta 30% da balança comercial brasileira. Apesar da importância
estratégica para o País, falta um estacionamento para caminhões no porto, o que
evitaria as filas que chegam a 15 quilômetros de extensão na Via Anchieta,
principal rodovia de acesso. O mesmo ocorre no porto de Paranaguá, no Paraná,
onde nos períodos de safra agrícola ocorrem filas de 20 quilômetros na rodovia
de acesso.
O governo federal vem tentando resolver a questão através de projetos como a
Nova Trasnordestina, que ligará os sete estados do Nordeste aos portos de Suape, em Pernambuco, e Pecém, no Ceará. O
projeto está orçado em R$ 4,5 bilhões, entre recursos públicos e privados, e
deverá ser anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva até o final
deste ano. Outro projeto entre os prioritários do governo federal é o
asfaltamento da rodovia Santarém-Cuiabá (BR-163), que viabilizaria o escoamento
da soja produzida no Mato Grosso do Sul pelo porto de Santarém, no Pará.
"Existem questões ambientais na pauta e 15 ministérios envolvidos no
projeto. Se esta saída for viabilizada, será reduzido o custo de transporte e a
produção agrícola brasileira será mais competitiva no exterior. É um porto
fluvial e entre os raros que não tem problema com profundidade do canal de
acesso", diz o professor do IME.
Problema grave que afeta em torno de 25 portos
pesquisados, a dragagem de manutenção do acesso marítimo aos portos é fundamental para viabilizar a operação,
corrigindo um assoreamento natural. "A questão é que os portos têm dificuldades para obter licença ambiental
junto aos órgãos. Além disso, falta recursos para realizar a dragagem",
explica Amorim. "Dos 30 portos
pesquisados, apenas quatro ou cinco não têm acumulação de sedimentos e não
precisam realizar a dragagem, como o de Santarém, que fica dentro do Rio
Tapajós", conta.
Além da necessidade da dragagem de manutenção, que permite ao porto operar com
profundidade original, a demanda internacional por ganho de produtividade no
transporte de carga tem levado os armadores a operar navios de maior porte.
Isso significa que o casco das embarcações tem calado cada vez maior, exigindo
dragagem dos canais de acesso aos portos a
profundidades superiores que a original.
Segundo Amorim, neste caso as dificuldades dos portos
brasileiros estão - além da falta de recursos e de licença ambiental - na
carência de dragas adequadas no mercado. "Mais uma vez, mais de 90% dos portos afirmaram durante a nossa pesquisa que precisam da
dragagem de aprofundamento. A operacionalização dela, no entanto, é muito
complicada. Ela modifica um terreno que está consolidado há séculos, é um chão
duro. Existe ainda a possibilidade de encontrar rocha, que precisaria ser
retirada" diz o professor.
O levantamento da Fundação Ricardo Franco, sediada na Urca, no Rio de Janeiro,
foi encomendada pelo Ministério
dos Transportes em dezembro de
2004. Numa primeira etapa, os técnicos enviaram um questionário simplificado às
autoridades portuárias e às empresas administradoras de portos privados. Em seguida, iniciaram a jornada pelos 30 portos brasileiros. O primeiro foi o do Rio de Janeiro,
seguido pelo Porto de Santos.
"A partir desses dois
portos, estruturamos toda a
pesquisa nacional. Começamos nos portos de Porto Alegre e Rio Grande. Depois seguimos para os de
Santa Catarina, como São Francisco do Sul e itajaí. Nessa lógica, fomos para as
regiões Sudeste, Nordeste e Norte. Concluímos o levantamento em Porto Velho, em Rondônia", diz Amorim.
Terminais de passageiros são raros no país
A pesquisa realizada pela Fundação Ricardo Franco, do Rio de Janeiro, abrangeu
também os terminais de passageiros dos portos
brasileiros. O resultado, segundo o pesquisador José Carlos Amorim, é um
cenário desanimador. No Rio Grande do Norte, por exemplo, os turistas que embarcam
e desembarcam no Porto de Natal, rota para a Ilha de Fernando de Noronha,
encontram um enorme pátio de concreto, sem qualquer infra-estrura ou instalação.
Segundo ele, praticamente todos os portos brasileiros
passam por situação semelhante, mesmo os que recebem turistas estrangeiros,
como Belém e Manaus, e que, portanto, precisam de uma infra-estrutura mais
adequada para o posto da Polícia Federal, Receita Federal e Vigilância Sanitária.
"É comum encontrarmos
portos com uma simples tenda,
mesmo nos que entram turistas estrangeiros.
Falta uma política de governo, porque as autoridades portuárias, em sua
maioria, acham que o passageiro atrapalha a operação no porto. Eles preferem
movimentar carga, que gera mais receita com as tarifas cobradas", afirma o
Amorim.
Para o vice-presidente da Associação Brasileira de Agência de Viagens (Abav),
Carlos Alberto Amorim Ferreira, a situação preocupa principalmente por conta
dos turistas estrangeiros, que são mais exigentes, de um modo geral, que os
turistas brasileiros em relação à qualidade do serviço prestado.
Turista americano tem idade avançada e é exigente
"O turista americano, que tem idade avançada, é absolutamente exigente.
Claro que na hora de fechar um cruzeiro ele não está preocupado com o porto, e
sim com os serviços do navio e as cidades de destino. Mas na hora de uma
segunda viagem, talvez ele reconsidere lembrando da fila para desembarcar e do
calor no terminal, quando há um terminal."
Mesmo nos Portos do Rio de Janeiro e de Santos, em que os
investimentos em infra-estrutura nos terminais de passageiros ocorreram nos
últimos anos, especialistas do setor apontam carência de esteiras para malas e
melhores serviços. Segundo eles, existe ainda uma necessidade de revisão da
política de concessão dos terminais, que permitem a cobrança de taxas
consideradas abusivas por passageiros.
Segundo Dado Nascimento, membro da Associação Brasileira de Cruzeiros
Marítimos, entidade criada durante o 33º Congresso da Associação Brasileia das
Agências de Viagens (Abav), realizado há duas semanas, o Terminal de
Passageiros do Porto de Santos cobra taxa de embarque de US$ 40 por
passageiro, tarifa que considera abusiva.
"O porto de Miami, que tem infra-estrutura muito superior, a taxa cobrada
é de US$ 12. O mesmo ocorre no Rio de Janeiro, em que a tarifa cobrada é de US$
24 por passageiro. Em Santos, existe ainda a obrigatoriedade de utilizar o
carregador de mala do terminal, com taxa de US$ 4 por passageiro, não inclusa
nos US$ 40", reclama Nascimento.
Segundo a associação, a expectativa é que 230 mil passageiros façam o turismo
marítimo nos nove navios transatlânticos disponíveis para a temporada
2006/2006, iniciada em outubro.
O número de passageiros representará crescimento de 43% sobre a temporada
passada, aumento que reforça a necessidade de melhorar a qualidade dos
terminais de passageiros dos portos
brasileiros.
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RIO DE JANEIRO
- 07/11/2005
Rio-Santos é liberada,
após queda de barreira
DA REDAÇÃO
A Rodovia Rio-Santos foi liberada às 19h15 de sábado, após
ter sido parcialmente interditada devido à queda de uma barreira na altura do
km 447 (antigo km 57), no município de Conceição do Jacareí, nas imediações de
Mangaratiba. As duas pistas da BR-101, estrada mais utilizada pelos motoristas
que seguem de Angra dos Reis para o Rio de Janeiro, permaneceram fechadas até a
remoção de todas as rochas, o que complicou a volta dos turistas para o Rio por
conta do feriado prolongado do Dia do Funcionalismo Público e o Dia de Finados.
Segundo o engenheiro superior do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (DNIT) de Angra dos
Reis, Roberto Quinet, a última pedra foi implodida às 17h30 e o trânsito correu
tranqüilo desde então. Quinet afirmou que o trecho foi devidamente sinalizado e
não houve problemas. Por precaução, uma equipe foi colocada de prontidão no
local, explicou, garantindo não haver mais riscos de deslizamento, mesmo com a
ocorrência de chuvas.
O DNIT ainda pretende detonar outras rochas que
apresentam risco de desabamento.
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POLÍTICA
ECONÔMICA - 07/11/2005
Governo só executou 51%
do orçamento até 15 de outubro
Agência Brasil
Até o dia 15 de outubro, o governo federal gastou 51,62% do Orçamento de R$
1,61 trilhão previsto para este ano. A análise é do Instituto de Estudos
Socioeconômicos (Inesc), uma organização da sociedade civil que acompanha as
políticas públicas do governo federal, com base em dados do Sistema Integrado
de Administração Financeira do Governo Federal (Siafi). A assessoria do
Ministério da Fazenda afirmou que os dados sobre execução orçamentária serão
divulgados no próximo boletim sobre o resultado do Tesouro Nacional.
O menor ritmo de execução do Orçamento, segundo o Inesc, é registrado em áreas
de interesse social, como Direitos Humanos e Cidadania (26%), Habitação (19%),
e Organização Agrária (34%). Os investimentos em infra-estrutura também têm um
baixo índice de aplicação: foram liberados 11,62% dos R$ 22,02 bilhões
previstos para este ano.
Por órgão, o ministério que menos gastou até meados de outubro foi Minas e
Energia — apenas 9,9% dos R$ 4,45 bilhões disponíveis. O Ministério das
Cidades, responsável por programas nas áreas de habitação, saneamento,
transportes coletivos e desenvolvimento urbano, liquidou 20,27% de um orçamento
de R$ 4 bilhões. E o Ministério
dos Transportes, com Orçamento
de R$ 9,65 bilhões, gastou 31,20% do montante disponível.
As únicas áreas que gastaram mais de 50% do Orçamento, segundo Eliana, são as
que têm recursos vinculados — as que o governo tem obrigação de executar. É o
caso de Assistência Social (78% dos R$ 16 bilhões autorizados), Previdência
Social (71% de R$ 180,5 bilhões) e Saúde (67% de R$ 36,69 bilhões).
A maior parte das verbas bloqueadas estaria sendo usada para pagamento de juros
da dívida pública, segundo Eliana Graça, assessora de política fiscal e
orçamentária do Inesc. Eliana afirma que são esses recursos que garantem o
superávit primário — economia que o governo federal faz para pagar juros da
dívida. De janeiro a setembro, o superávit chegou R$ 86,505 bilhões. O valor
corresponde a 6,1% de todas as riquezas que o País produziu no ano — o Produto
Interno Bruto (PIB).
“Recursos que deveriam ser aplicados na solução de problemas cruciais, que esse
governo se propôs a resolver, estão sendo economizados para o pagamento da
dívida pública”, afirma. Eliana afirma que, em 2004, o governo federal utilizou
apenas 60% dos recursos que poderia gastar.
“O Orçamento tem uma lógica: a grande prioridade do governo é manter a meta de
inflação e a credibilidade dos investidores internacionais. Teríamos que ter
outra lógica para reduzir a dívida social”, defende.
Eliana acredita que a tendência é que o governo federal acelere a execução
orçamentária nos últimos dois meses do ano, como ocorreu em 2004. No ano
passado, 10% do total executado foi gasto entre 10 de dezembro e 15 de janeiro
deste ano. “O governo economiza recursos, depois vai liberando a conta gotas e
às vezes nem executa. No fim do ano libera um pouco mais”.