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TRANSPORTE
E LOGÍSTICA - 10/10/2005
Privatização de rodovias federais será adiada para 2006
Brasília, 10 de Outubro de
2005 - O Ministério
dos Transportes corre contra o
tempo para contornar o revés que sofreu em um dos projetos de maior prioridade
dessa gestão. Na melhor das hipóteses, o processo de concessão dos três mil
quilômetros de parte das estradas mais valorizadas do programa de privatização
de rodovias do governo deve ser concluído em março de 2006. A
expectativa do governo, ao anunciar as licitações, era realizar os leilões de
concessão na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) neste mês.
"Nós estamos trabalhando, junto com a ANTT (Agência Nacional de Transportes
Terrestres) para viabilizar o
lançamento dos editais ainda em outubro. Isso dará possibilidade para a
assinatura dos contratos entre março e abril", afirma o diretor do
Departamento de Outorgas do ministério dos Transportes, Fábio Duarte.
O que, na prática, é o único processo de estatização tocado durante o governo
de Luiz Inácio Lula da Silva, parou depois que o Tribunal de Contas da União
(TCU) encontrou irregularidades nos estudos de viabilidade econômico-financeira
das concessões, elaborados pelo ministério. O acórdão do tribunal foi
encaminhado ao ministério dos Transportes em agosto.
O TCU questionou os valores máximos estabelecidos para as tarifas que serão
praticadas pelas concessionárias - um dos critérios para qualificação dos
concorrentes na licitação - e a fundamentação da faixa de lucratividade
sugerida pelo ministério, entre 17% e 18%. A previsão é que as tarifas
praticadas fiquem entre R$ R$ 4,20 e R$ 5,20, segundo o ministério.
Técnicos do TCU argumentam que a diminuição da margem de lucro possibilitaria a
prática de tarifas mais baixas e acirraria a competição no leilão dos trechos
rodoviários. Em concessões de outros setores da infra-estrutura, argumentam, a
margem de lucro não ultrapassa 14%.
Para o presidente da Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovias (ABCR), Moacyr Duarte, o que vai acontecer com a
redução da lucratividade é justo o contrário. "A concessão é uma aplicação
de risco. Qualquer empresa vai preferir investir em um fundo um pouco menos
rentável, e mais seguro. Vão faltar concorrentes", acredita. Mas o
verdadeiro temor dos empresários desse setor é que o atraso no calendário tenha
inviabilizado de todo a realização dos leilões ainda nesse governo.
O risco é considerável. As concessões envolvem investimentos da ordem de R$ 14
bilhões ao longo de 25 anos, nos oito trechos que serão leiloados, segundo
Fábio Duarte. Desse montante, cerca de 25% devem ser destinados à necessidade
de recuperação imediata dos trechos privatizados, que se encontram em avançado
estágio de deterioração.
Após a assinatura dos contratos, as empresas ainda têm que enfrentar um prazo
de seis meses para começar a cobrar pedágio. O que deve acontecer entre
setembro e outubro de 2006, no auge da corrida eleitoral. A avaliação é que o ônus
político de começar a cobrar tarifas tão perto das eleições possa demover o
governo da idéia. Na avaliação de um técnico do governo, a criação de novas
tarifas é sempre traumática para a população, e o componente político está
sendo levado em consideração pela administração federal. A instabilidade
política de uma eventual mudança no comando do governo federal também é vista
com cautela pelos empresários.
kicker: O TCU questionou os valores máximos estabelecidos para as tarifas que
serão praticadas pelas concessionárias
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 4)(Karla Correia)
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BRASIL -
10/10/2005
LENTIDÃO NO RODOANEL
Questões ambientais e
disputa política atrasam a mais importante obra rodoviária do país
Marcelo Onaga
Seria razoável esperar, num país NUM com tamanha deficiência em
infra-estrutura. um grande esforço nacional para acelerar os projetos e
encurtar a fantástica distância que nos separa das nações mais desenvolvidas.
Lamentavelmente. o que se vê é o oposto - e nada evidencia melhor a irritante
morosidade em superar gargalos que a situação atual do Rodoanel em torno da
cidade de São Paulo. considerada por especialistas a obra rodoviária mais
importante do país. Concebido para ligar as principais rodovias e o maior porto brasileiro. o Rodoanel esbarrou na
falta de dinheiro, no licenciamento ambiental e nas disputas políticas
envolvendo os governos federal e estadual. Como resultado, diariamente cerca de
20 000 caminhões fazem das já congestionadas ruas e avenidas da capital
paulista um grande corredor de passagem de carga. Pela avenida dos
Bandeirantes, na zona sul da cidade, passam todos os milhares de caminhões
vindos de diversos estados que têm como destino o porto de Santos. As marginais
dos rios Tietê e Pinheiros, duas das principais avenidas da metrópole.
transformaram-se em extensões de estradas como Dutra. Ayrton Senna e Fernão
Dias. A conseqüência disso são horas e horas desperdiçadas em congestionamentos,
milhares de litros de combustível queimados à toa, ar cada vez mais poluído e
custos logísticos elevados. "O Brasil perde cerca de 2 bilhões de reais
por ano pela falta de um rodoanel em São Paulo", diz Renato Pavan, diretor
da consultoria Macrologística.
O projeto do rodoanel paulista existe há mais de 20 anos. Em 1998. ele começou
a sair do papel, com as obras do trecho oeste, que em seus 32 quilômetros de
extensão interliga cinco rodovias (veja quadro). Inicialmente, a obra deveria ser
entregue no ano 2000, mas só foi inaugurada em 2002. Isoladamente, o trecho
pouco resolve, já que não permite o escoamento da carga para o porto de Santos
nem para as rodovias no norte da cidade. O trecho sul, de 57
quilômetros, que liga o trecho oeste às rodovias dos
Imigrantes e Anchieta, deveria estar pronto no final deste ano. As previsões
mais otimistas estimam sua conclusão no final de 2(X)9. Já para os 81
quilômetros das partes leste e norte da obra não há sequer previsão de início.
Essa situação deixa a maior cidade do país em má companhia. São Paulo se junta
a México, Bangcoc, Karachi e Cairo na lista das metrópoles que não têm
rodoanel. Em comum, todas têm trânsito caótico e estão em países
subdesenvolvidos. Cidades mais desenvolvidas. como NovaYork, Paris, Tóquio, e
outras nem tão ricas, como a vizinha Buenos Aires. possuem estruturas que
desviam o tráfego de suas vias urbanas, melhorando a qualidade de vida e
reduzindo o custo dos produtos. "A lentidão causada pela passagem dos
caminhões por São Paulo chega a aumentar em 30% o custo logístico", diz
Antonio Wroblesky Filho, presidente da Ryder, maior empresa de logística do
mundo.
Os ganhos proporcionados pelo rodoanel podem ser verificados pela economia
conseguida por empresas que já usufruem do trecho oeste. A Perdigão, por
exemplo, transporta grande parte de sua produção das fábricas do Sul do país
para o centro de distribuição no Jaguaré, bairro paulistano próximo ao anel
viário. "Antes os caminhões demoravam em média 2 horas entre a chegada à
cidade até nosso centro de distribuição. Hoje eles fazem isso em 30
minutos", diz Cid Nei Baretta, gerente de logística da Perdigão. A redução
de custos não se resume ao frete. Sem ter de passar por um trecho de trânsito
imprevisível. as empresas poderiam planejar melhor suas entregas, reduzindo
estoques e até o tamanho da frota.
Tais vantagens deveriam servir de estímulo para destravar o restante da obra.
Mas ocorre o oposto. Os governos federal e do estado de São Paulo simplesmente
não se entendem. O governo paulista acertou com o Ministério dos Transportes que o investimento de 2,1 bilhões de reais da obra
seria dividido entre as duas partes, cabendo dois terços dos recursos a São
Paulo e um terço ao governo federal. No início do ano, o ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento,
em reunião com o prefeito de São Bernardo do Campo, William Dib, e o secretário
de Transportes do Estado de São Paulo, Dario Lopes, se comprometeu a garantir
700 milhões de reais para o Rodoanel em quatro anos. "Ele disse que seriam
140 milhões no primeiro ano e o restante nos anos seguintes". afirma Dib,
que preside um consórcio formado por sete cidades do ABC paulista que serão
beneficiadas pelo trecho sul do rodoanel. Mas em setembro o Ministério dos Transportes preparou o orçamento de 2006 e reservou apenas 14
milhões de reais para a obra. "O governo federal precisa entender que os
interesses políticos têm de ser deixados de lado para que essa obra saia do papel",
diz Dib. O Ministério
dos Transportes nega
influência política na redução de verba. "A prioridade em 2006 é a
recuperação da malha rodoviária'. diz Paulo Oliveira Passos. secretário executivo
do ministério. Como pano de fundo do imbróglio está a próxima eleição
presidencial. que deve opor o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, a um
candidato do PSDB, partido que governa o estado e a cidade de São Paulo.
Outro entrave importante ao andamento da obra tem sido o licenciamento
ambiental. Por decisão do Ministério Público Federal, o Ibama passou a dividir
com a Secretaria Estadual do Meio Ambiente a análise de impacto da obra. O
governo paulista acusa o Ibama de provocar atrasos com objetivos políticos. O
órgão tinha 90 dias para apresentar um parecer sobre os impactos da obra e só o
entregou depois de 148 dias. A Funai, órgão federal responsável pelos assuntos
indígenas, havia dispensado a exigência de licença prévia para a área cortada
pelo trajeto onde existem duas aldeias indígenas. "Mas o Ibama exigiu que
isso fosse feito, desconsiderando a posição da Funai". diz o secretário
Lopes. "Há vários indícios de interesses políticos em atrasar a
obra." A gerente executiva do Ibama em São Paulo, Analice Pereira. nega
que haja boicote político à obra. Indicada para o cargo por seu irmão, o
ex-secretário-geral do PT Silvio Pereira, um dos pivôs do escândalo do
mensalão, ela afirma que a atuação do órgão no caso é estritamente técnica.
"O Ibama optou pela manutenção da qualidade técnica, ainda que em
detrimento do tempo", afirma Analice. As empresas e o país, portanto. que
esperem.
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BOM DIA -
10/10/2005
Eu que fiz
A obra que o ministro Alfredo Nascimento inaugurou esta semana com o presidente Lula, a recuperação
da rodovia Fernando Dias, em Pouso Alegre, estava parada há dez anos, se
arrastando.
Alfredo prometeu ao presidente que faria a estrada e fez. Agora só falta a
BR-319, que está saindo.
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BOM DIA -
10/10/2005
Troca-troca
Por falar em Alfredo, o
ministro fez mudanças em seu gabinete.
Sai Públio Caio da Chefia de Gabinete e entra Wilton Wolter. O convite oficial
a Wolter, que era assessor especial, foi feito sexta-feira à tarde pelo próprio
ministro. Públio retornou para Manaus no final de setembro. Por enquanto Wolter
acumulará os dois cargos.
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POLÍTICA -
10/10/2005
Oposição não descarta Alfredo
O ministro dos Transportes Alfredo Nascimento
é um forte nome para representar a terceira via, na candidatura ao governo do
Estado. Pelo menos é o que pensam representantes de partidos como PSB, PDT,
PCdoB, PT, PPS e PSDB.
Após o anúncio do seu interesse em se candidatar a governador, muitas são as
possibilidades que podem surgir até o próximo ano para Alfredo, pois sua
aceitação é considerável entre os eleitores e os partidos que pretendem compor
a terceira via para o governo. Muitas são as visões dos políticos, mas em todas
elas o ministro é um nome que não está sendo descartado.
Para o deputado estadual Eron Bezerra (PCdoB), que defende uma candidatura
única, Alfredo constitui um bom nome, assim como os demais indicados.
"Partindo do pressuposto de que a verticalização cairá, porque não é do
interesse de ninguém, a terceira via será formada pelo PCdoB, PSB, PDT, PL e
PPS. Entre esses partidos haverá as discussões e Alfredo, assim como o senador
Jefferson Péres (PDT), ou a deputada Vanessa (Grazziotin-PCdoB), temos o
direito de pleitear essa candidatura". Em sua análise, Eron excluiu PSDB e
PT do bloco da oposição, mas espera que o PDT entre em convergência com o bloco
da qual pretende fazer parte. "O rio só tem duas margens. Vamos ver para
onde o PDT irá nadar. Se é para o nosso lado, ou o lado do PFL e PSDB".
Contatos
O vereador Paulo De Carli (PDT) é um dos que defendem a candidatura de Péres,
mas também não exclui a possibilidade de apoiar Alfredo Nascimento. "Acho que Péres é o nome que hoje pode
pacificar todos os partidos de oposição em torno de sua candidatura. Alfredo é
um nome de respeito e é um forte candidato também, inclusive já houve alguns
contatos informais entre o PDT e PL", comentou o vereador. De Carli também
é a favor de uma candidatura única. "Ao meu ver, o pior quadro seria os
três competindo. O senador Artur Virgílio Neto (PSDB), Péres e Alfredo Nascimento".
Já o vereador Gilmar Nascimento (PSB) acredita que essa competição entre a
oposição é boa para o eleitor. "O Alfredo deixou sua marca na cidade de
Manaus. Constitui um bom nome para o governo, mas tudo dependerá da derrubada
ou não da verticalização e das conversações entre os partidos. Como eleitor,
sou a favor de que haja várias candidaturas além de Eduardo Braga (PMDB) e
Amazonino (PFL)", opinou Gilmar. "Não acho que enfraqueça a
democracia, mas que fortalece a democracia pela pluralidade de
ideologias", completou.
Gilmar disse que hoje o PSB dispõe de uma boa relação com PDT, PL, e PT, mas
tudo dependerá das conversações entre os dirigentes dos partidos.
Fabrício Lima (PSDB), que está engajado na candidatura do senador Artur Neto ao
governo do Estado, também não descarta a possibilidade de vir apoiar Alfredo.
"Acho que este é o momento de ele estar mais presente em Manaus e
participando das discussões. O Artur já se lançou e está aglutinando apoio em
torno de sua candidatura, mas quem sabe lá na frente a gente não converse
melhor e resolva apoiar outro candidato?"
Inviável
Até Francisco Praciano (PT), um dos principais vereadores de oposição à
administração de Alfredo quando este foi prefeito de Manaus, declarou que pode
vir a apoiá-lo, dependendo das circunstâncias. "Não morro de amores pelo
Alfredo, todo mundo sabe disso. Acho que o Expresso foi um projeto que causou
grandes transtornos para a cidade de Manaus, mas como o PL é aliado do PT em
nível nacional, quem sou eu para atrapalhar essa aliança. O PT ainda está em
processo de eleição e ainda não pôs em pauta as eleições. Mas da minha parte
farei todo o esforço possível para afastar o partido da aliança com o
governador Eduardo Braga (PMDB) e firmar alianças com nossos aliados históricos
como PDT, PCdoB, PCB e PSB", falou o parlamentar.
Na opinião do deputado Luiz Castro (PPS), a possibilidade de apoiar Alfredo é
apenas uma possibilidade. "Não houve nenhuma tentativa de aproximação por
parte do PL junto ao PPS, mas tudo é uma questão de conversar. Tenho muito
apreço e respeito pelo ministro, mas ele não é o favorito do povo", disse.
Castro também aposta no fim da verticalização e acredita que o partido, que
goza de boa relação com todas as siglas, ajudará a compor a terceira via com a
oposição. "O PPS, a princípio, está com a terceira via, acho que o melhor
seria uma única candidatura forte", disse. "Mas uma coisa acho
inviável: a candidatura de Péres e Artur ao mesmo tempo e acho que eles sabem
disso também", completou.
Ademar Vieira
(Especial para o Em Tempo)
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ANA AMÉLIA
LEMOS - 10/10/2005
Pressão ajuda
A BR-285 será palco de
protesto das lideranças da Região Nordeste, que clamam pela retomada das obras
da BR-470. A decisão do TCU, na semana passada, em relação à BR-287 pode não
ter desfecho rápido. A pressão continua também naquela área para que o Dnit apresse a retomada dessas obras urgentes.
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CIDADE -
10/10/2005
A “Mina de ouro” é defendida a todo custo
Não é e hoje que os
balseiros são acusados de tentarem, a todo custo, impedir a construção da ponte
sobre o Rio Madeira. “Ali é uma mina de ouro”, diz Moreira Mendes. Ninguém
passa pela balsa sem pagar. A arrecadação maior é na balsa localizada no Abunã
- divisa de Rondônia com o Acre. A outra, ligando a BR 364 à BR 319, que leva
aos municípios de Humaitá e Manaus, o trânsito é menor. “Mas nem por isto a
arrecadação deixa de ser alta”, acrescenta Mendes.
Na época em que o projeto do ex-senador tramitava, um jornalista fez uma
reportagem completa abordando as vantagens para a população caso a ponte se
concretizasse. Para os entrevistados, a obra seria um sonho acalentado durante
anos, mas que, na opinião deles, dificilmente seria realizado por conta do poder
que os donos das balsas mantinham. Na época, ao ser entrevistado, o responsável
pelas balsas em Porto Velho, sorriu e, sem maiores explicações, disse
que a ponte jamais seria construída.
Para Moreira Mendes, os balseiros formam um nicho altamente protegido dentro do
Ministério dos
Transportes, emperrando
qualquer projeto que venha a ser executado. Ele alerta, no entanto, que a obra
está apenas adormecida, mas não morta. “Estou trabalhando para retornar ao
Senado e recomeçar o trabalho.
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CIDADES -
10/10/2005
6° BEC pode concluir ponte do rio Itacutu
Loide Gomes
O 6° BEC (Batalhão de Engenharia de Construção) já enviou para o Departamento
Nacional de Infra-Estrutura de Transporte (DNIT) a
revisão do projeto executivo e o planejamento orçamentário para conclusão da
ponte sobre o rio Itacutu, na fronteira com a Guiana. As obras foram paralisadas
por causa de irregularidades no convênio que estava sob a gestão do Governo de
Roraima.
Caso o DNIT aprove o orçamento apresentado pelos militares, é
possível que o canteiro de obras seja montado ainda este ano, segundo o major
Edimilson Torres de Oliveira Júnior, chefe da Seção Técnica do 6° BEC. “Vamos
precisar de pelo menos sessenta dias para fazer a licitação das empresas que
farão o trabalho especializado de engenharia”, informou.
Ficará sob a responsabilidade direta do batalhão a construção dos acessos à
ponte e a administração e fiscalização da obra. Pelo tamanho da ponte, com 230
metros de comprimento e a logística de engenharia, ele calcula que serão
necessários doze meses para a conclusão dos trabalhos.
Ele explicou que a ponte é dividida em três tipos diferentes de construções: a
infra-estrutura, que é aquela que fica escondida; a mesoestrutura, que são os
pilares e a superestrutura, que é a ponte propriamente dita, com a pista por
onde passam os veículos.
A primeira fase da obra, que é a infra-estrutura, está toda pronta. A segunda,
falta apenas dois por cento, enquanto que a superestrutura ainda precisa ser
feita. “A empresa construiu apenas o disparo de um dos pilares”, informa o
major. Para terminar a ponte o investimento é de R$ 10 milhões. Estima-se que
serão gerados pelo menos cinqüenta empregos diretos no Estado.
IRREGULARIDADES – No processo aberto pela Secretaria de Controle Externo do
Tribunal de Contas da União em Roraima, foi constatado que o projeto básico da
ponte, feito pela empreiteira Queiroz Galvão não possuia licença ambiental.
Além disso, foram encontradas outras dez irregularidades, sendo que seis foram
consideradas graves, entre elas, o superfaturamento da obra.
Os auditores também encontraram indícios de superdimensionamento e
antieconomicidade das obras tanto da ponte sobre o rio Itacutu quanto do rio
Arraia (que foi concluída), gerando custos substanciais desnecessários. Por
causa disso, segundo relatório da Secex/RR, o DNIT informou
que não tem interesse em assumir a conclusão da ponte com a Queiroz Galvão. A
empresa terá que devolver R$ R$ 504,4 mil pelo superfaturamento.