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BRASIL
11/01/2007
O pacote de Chinaglia
Bondades
- Para alcançar a presidência da Câmara, candidato promete cargos, aumento de
salário dos deputados e indicação de nomes para ministérios
Brasília.
Lançado no início de dezembro sob uma cortina de desconfianças - emanadas das
oposições, da bancada governista e até do seu próprio partido, o PT - o
candidato à presidência da Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (SP), foi
guindado a favorito em apenas 35 dias de campanha, depois de assegurar o apoio
da maioria da futura bancada do PMDB.
Para alcançar essa condição, o petista teve de desfiar uma extensa lista de
promessas. Conforme consulta feita pelo JB a parlamentares de governo e
oposição, os compromissos vão desde a partilha de cargos em comissões, passam
pelo aumento de salário dos deputados e a indicação de nomes para ministérios e
estatais.
Há quem diga - em tom jocoso - que o presidente Lula, quando voltar de férias,
irá encontrar a reforma ministerial pronta e acabada sobre a mesa.
- A base governista ligou o trator. Os comandantes da campanha de Chinaglia
prometem o bolsa-mesa, um kit com distribuição de cargos na Mesa Diretora e no
governo, além de liberação de emendas - acusou o deputado Raul Jungmann
(PPS-PE), um dos idealizadores da terceira via.
Caso se torne real o rateio extra-oficial de postos e cargos promovido pelo PT,
o grande beneficiado será o PMDB, considerado o fiel da balança. Para a ala do
partido recém convertida ao lulismo - como os deputados ligados ao presidente
nacional da legenda, Michel Temer (PMDB-SP), e Eliseu Padilha (PMDB-RS) - foi
oferecido o Ministério dos Transportes, que Padilha comandou no governo FH.
- Estão oferecendo até ministério nosso. É a agroindústria passando por cima da
agricultura familiar - disse um deputado do PL, ligado ao ex-ministro Alfredo
Nascimento.
Os ex-aliados do ex-governador do Rio Anthony Garotinho, como o deputado
Eduardo Cunha (PMDB-RJ), receberam a promessa de ganhar a presidência da
Fundação Nacional de Saúde (Funasa) e cargos na diretoria de Furnas Centrais
Elétricas. Ao PMDB do Rio também foi oferecido, em troca de votos para
Chinaglia, o Ministério da Saúde.
O deputado Fernando Diniz, do PMDB mineiro, também garantiu seu quinhão,
segundo relatos de deputados. Como recompensa pelo apoio ao petista, poderá
indicar nomes para ocupar cargos no DNIT de Minas e na diretoria dos Correios.
A bancada ruralista é outra que não ficou de mãos abanando. Ao deputado
Waldemir Moka (PMDB-MS) foi prometido o Ministério da Agricultura.
- Essa suposta distribuição de cargos é tão descabida que não merece comentário
- rechaçou o coordenador da campanha de Chinaglia, deputado Odair Cunha
(PT-MG).
O petista nega, mas os tucanos dizem que a extensa lista de compromissos do PT
chegou até a oposição. Em troca de votos, Chinaglia está acenando com um acordo
para apoiar um tucano à presidência da Assembléia Legislativa de São Paulo.
- Não vai dar certo essa tentativa com o Serra - prevê o senador Albano Franco
(SE).
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BRASIL
11/01/2007
Preço menor para novos pedágios
Brasília
A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, informou ontem que o governo vai
reavaliar o processo de concessão de sete trechos de estradas federais, prevista
para este ano, a fim de reduzir os valores das tarifas de pedágio que serão
cobradas. A decisão paralisa novamente a licitação dos trechos. Dilma
descartou, no entanto, a anulação das concessões à iniciativa privada.
- Não é que as concessões possam ser canceladas. Estamos em processo de análise
desse modelo e esse trabalho deve ser concluído o mais rápido possível - disse
Dilma.
A declaração foi mal recebida pela iniciativa privada. E pegou de surpresa o Ministério dos
Transportes e a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), que se preparavam
para publicar os editais das concessões nos próximos dias. Depois de algumas
horas, no entanto, o ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, aderiu ao discurso
entoado pela colega.
- O governo está avaliando o assunto. Neste momento, não há decisão - declarou
Passos, por meio de sua assessoria de imprensa.
Em nota oficial, a Associação Brasileira de Infra-Estrutura e Indústrias de
Base (Abdib) demonstrou preocupação.
- Se mostrarmos hesitação em criar as condições regulatórias adequadas e em
oferecer projetos para a iniciativa privada, será um retrocesso - alertou o
presidente da entidade, Paulo Godoy. - Se isso acontecer, os recursos internos
e externos serão aplicados em outros países.
A primeira etapa do programa de concessões foi realizada há 10 anos. O governo
Fernando Henrique Cardoso iniciou a segunda etapa, cujo modelo foi alterado em
2003. O Tribunal de Contas da União (TCU) exigiu que diversas alterações fossem
feitas nos editais. As pendências diziam respeito justamente ao valor dos
pedágios. O TCU só liberou os editais no fim do ano passado.
De acordo com a ministra da Casa Civil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva
determinou que o governo buscasse um novo modelo para a segunda etapa do
programa de concessões de rodovias, pois as tarifas de pedágio previstas, entre
R$ 3,12 e R$ 4,61, estavam altas. O setor privado já considerava baixas as
cifras estipuladas anteriormente.
A segunda etapa de concessões transferirá à iniciativa privada, quando
executada, a gestão de trechos das rodovias BR-153, BR-116, BR-393, BR-101 e
BR-381, estradas responsáveis pela
maior parte do tráfego rodoviário do país.
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RIO
11/01/2007
Verbas que Lula deu ao Rio existem só no papel
BRASÍLIA
- Nenhum centavo dos R$ 636,8 milhões liberados nas últimas semanas pelo
governo federal para obras e serviços no Rio de Janeiro foi gasto até agora. A
verba - destinada a obras em estradas atingidas pela chuva, para socorrer
desabrigados e também para os Jogos Pan-Americanos - está emperrada pela burocracia.
O dinheiro não chega na ponta por falta de convênios, licitações e até mesmo
pela demora em definir os reparos necessários. Processos de compra de viaturas
que serão usadas no Pan, por exemplo, ainda nem começaram.
Os R$ 50 milhões liberados emergencialmente na segunda-feira para a compra de
colchões, medicamentos e a reparação de danos causados por enchentes e
inundações no Rio de Janeiro também não saíram do lugar. Dependem, ainda, de
documentação de cada prefeitura e assinatura de convênios. A recuperação de estradas igualmente ainda não
foi iniciada. Depende, além dos trâmites burocráticos, do fim das chuvas no
Estado.
Nenhum dos 26 municípios do Rio de Janeiro beneficiados pelas medidas
provisórias conseguiu entregar, até agora, os decretos homologados de estado de
emergência ou a avaliação dos danos causados pelas chuvas, documentos que
habilitam as prefeituras a receber o dinheiro destinado ao socorro das cidades
atingidas pelas chuvas e enchentes no Estado. Essa é a justificativa apresentada
pelo Ministério da Integração Nacional, responsável pelos recursos destinados a
obras de emergência nos locais atingidos por chuvas e enchentes, para a demora
no empenho dos R$ 131,2 milhões prometidos pelo governo para a área de Defesa
Civil. O secretário nacional de Defesa Civil, Jorge Pimentel, promete liberação
imediata dos recursos assim que a documentação for apresentada ao ministério
pelos municípios.
O montante destinado ao socorro das cidades inclui R$ 10 milhões para o
atendimento da população atingida por desabamentos e enchentes. Nos cálculos da
Defesa Civil do Estado do Rio de Janeiro, há 5.718 desabrigados e 6.473
desalojados no Estado, em decorrência das chuvas, e, desde o início do ano, 26
pessoas morreram em desabamentos e inundações, quase todas na Região Serrana.
De acordo com o Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit), mais de R$ 32
milhões já foram divididos entre obras para recuperar estradas. Três empresas
contratadas de forma emergencial - sem licitação - estão prontas para trabalhar
com assim que as chuvas cessarem. De acordo com o Dnit, as empreiteiras
poderão começar as obras mesmo sem a publicação no Diário Oficial, o que
geralmente é exigido. Como o dinheiro já foi liberado, as empresas não precisam
esperar pelo empenho da verba, ação que garante que não ficarão sem pagamento.
Dos nove trechos previstos para as obras no Rio, somente três já têm previsão
de recursos e empresas contratadas. A recuperação da Ponte General Dutra, em
Campos, custará R$ 10 milhões e será feita pela empreiteira Gaspar. A Delta
Construções - empresa acusada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) de
irregularidades durante a Operação Tapa-Buracos - será responsável pela
recuperação de trechos da BR-356, que custará R$ 15 milhões, e dividirá com a
Oriente a recuperação da BR- 393, que receberá R$ 7,4 milhões.
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ECONOMIA
11/01/2007
Lula suspende leilão de estradas para avaliação
Em
decisão considerada política, governo decide reexaminar a venda de trechos de
rodovias federais, que tentava privatizar há sete anos
BRASÍLIA.
Depois de sete anos de tentativas, está suspenso, para reavaliação, um dos
maiores programas de concessão de rodovias federais já montado, informaram ontem
os ministros da Casa Civil, Dilma Rousseff, e dos Transportes, Paulo Sérgio Passos.
A decisão, considerada política, surpreendeu o mercado e até integrantes do
Palácio do Planalto — a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) havia concluído, no
fim de semana passado, o edital do leilão dos sete trechos de estradas, uma obsessão do
presidente Luiz Inácio Lula da Silva até pelo menos dois meses atrás.
O próprio diretor-geral da ANTT, José Alexandre Resende, confessou ontem, antes de se
reunir com o Passos, que soube da medida pelos jornais. No Ministério dos
Transportes, o viés político também foi ressaltado.
Técnicos da pasta disseram desconhecer a medida até a manhã de ontem, afirmando
que não houve reuniões sobre o assunto.
— Não tem decisão ainda.
Mas (o procedimento) está sendo avaliado — afirmou Passos.
Dilma disse que o governo não está descartando a licitação.
Ao contrário: a União pretende lançar, ainda este ano, um novo edital, mas a
ministra não descartou manter o documento no formato em que está — o que
reforça o caráter político da suspensão anunciada ontem.
A concessão representaria investimentos de R$ 19,5 bilhões, nos próximos 25
anos, em 2.600 quilômetros de estradas nas regiões Sul e Sudeste. Entre
elas, estão trechos importantes para a produção nacional, como a Régis
Bittencourt (BR-116, de São Paulo a Curitiba), a Fernão Dias (BR381, entre São
Paulo e Belo Horizonte), BR-393 (divisa de Minas com Rio até o entroncamento
com a Via Dutra) e BR-101 (divisa do Espírito Santo com o Rio, até a Ponte
Rio-Niterói).
Lula quer garantir tarifas baixas, segundo Dilma Nos bastidores, suspeita-se
que a reviravolta tem como objetivo não desagradar aos governadores aliados. A
suspensão do leilão, por exemplo, começou a vazar na terça-feira, durante
visita de Dilma ao governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB). O paranaense
se opõe à cobrança de pedágio nas estradas. Mas ceder apenas a ele poderia
trazer dor de cabeça com outros governistas.
Dilma se limitou a explicar que o que motivou Lula a determinar a suspensão foi
a necessidade de se chegar a uma fórmula que garanta as tarifas de pedágio mais
baixas possíveis, objetivo que não era atendido pelas regras.
Segundo ela, várias questões, como a queda das taxas de juros, têm impacto
sobre o preço.
Pelo modelo apresentado ao Tribunal de Contas da União (TCU), as tarifas seriam
reajustadas anualmente pelo IPCA e deveriam ficar entre R$ 3,50 e R$ 5. A
aprovação do edital pelo TCU, em novembro, foi considerada na época um trunfo
para Lula, que estabeleceu como uma das metas do segundo mandato deslanchar as
obras de infraestrutura.
Desde 1999 a União tenta leiloar os sete trechos.
Além disso, Dilma alegou que o governo federal já vem realizando obras em
quatro das sete estradas programadas para o leilão — duplicação da Régis
Bittencourt e da Fernão Dias e restauração de BR-153 e BR-101, no Rio. Com
isso, precisaria ser feita também uma reavaliação de preço cobrado pelas
concessões.
— É uma orientação do presidente no sentido de a gente avaliar as concessões.
Não temos posição definida — afirmou a ministra, que garantiu que não haverá
mudança em relação às concessões já realizadas.
As outras estradas que constam do pacote são a BR-153 (divisa de Minas
Gerais com São Paulo até divisa de São Paulo com Paraná), a BR-116 (Curitiba à
divisa de Santa Catarina com o Rio Grande do Sul) e um trecho entre Curitiba e
Florianópolis, que reúne três BRs: 376, 116 e 101.
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MERCADO ABERTO
11/01/2007
Infra-estrutura vai a Dilma para questionar concessões
Os
grandes empresários ligados à infra-estrutura ficaram perplexos, ontem, com a
declaração de Dilma Rousseff (Casa Civil) de que o governo iria desistir do
programa de concessão de sete rodovias federais para criar uma empresa
estatal que ficaria encarregada da manutenção das estradas e que cobraria
pedágio.
O susto foi ainda maior pelo fato de Dilma ter dado a informação um dia depois
de o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, ter anunciado um plano de
estatização das empresas de energia e telefonia.
A Fiesp reuniu ontem alguns dos grandes empreiteiros que seriam prejudicados
com a decisão.O encontro foi comandado por Saturnino Sérgio, diretor de
infra-estrutura da Fiesp, e contou com a participação de representantes da
Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa, Odebrecht e CCR. "Todos ficamos
perplexos com a decisão do governo", diz Saturnino Sérgio.
Também pego de surpresa com a decisão do governo, o empresário Paulo Godoy,
presidente da Abdib (associação do setor de infra-estrutura), irá se reunir
hoje, em Brasília, com Dilma Rousseff para discutir, entre outros temas, se há
mesmo intenção do governo de suspender as concessões de rodovias. "Vou verificar
se, de fato, há essa intenção ou se foi um mal-entendido", diz Godoy.
Godoy acha que, neste momento, é preciso ter cabeça fria, e que pode ter
ocorrido uma leitura equivoca. Ele diz que não acredita que o governo vá
desperdiçar a oportunidade que o país tem hoje de atrair grandes investidores
para as obras em infra-estrutura.
Segundo Godoy, o país precisa atrair um total R$ 85 bilhões para esses
investimentos, e, por isso, ele espera que a decisão não tenha ainda sido tomada
pelo governo. "Não acredito que o governo vá abandonar o caminho das
concessões", diz.
Mesmo que o governo volte atrás ou que diga que foi mal interpretado, a
declaração de Dilma Rousseff trará, no mínimo, duas conseqüências. A primeira,
mais evidente, será a de que o programa de concessão irá sofrer mais um atraso,
e as estradas continuarão em
péssimo estado de conservação.
Em segundo lugar, colocou uma pulga atrás da orelha do empresariado, que começa
a ver em Dilma Rousseff uma certa vocação estatizante e que agora começa a
desabrochar. A dúvida dos empresários é se ela conta ou não com o apoio do
presidente Lula.
Caso mantida, a decisão não só estará na contramão mundial -incluindo até dos
Estados Unidos, que têm a maior malha rodoviária do planeta- como correrá o
risco de não dar certo, como já se viu no passado, com o pedágio público.
"Nós preferimos pagar um pedágio mais caro e ter uma estrada boa a pagar
uma quantia menor e ter uma estrada em péssimo estado de conservação",
afirma Neuton Gonçalves, diretor da NTC & Logística (a associação dos
transportadores de carga e logística).
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FÓRUM DE LEITORES
11/01/2007
O pior de dois mundos
Quando
pensamos que pior do que está não pode ficar, o governo nos surpreende. Deixar
de privatizar estradas importantes como a Régis Bittencourt e a Fernão Dias e
passar a cobrar pedágio é o pior de dois mundos. Vamos continuar com estradas perigosas, cheias de
buracos e sem fiscalização e ainda pagar mais por isso. Usuário freqüente da
Régis, minha esperança de ter uma estrada decente foi embora com mais essa
decisão equivocada e anacrônica.
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NACIONAL
11/01/2007
Estradas com cobrança têm boa avaliação, diz CNT
Aprovação
dessas rodovias chegou a 79%, enquanto a das não-pedagiadas não passou de 16,9%
As
estatísticas demonstram que as rodovias pedagiadas - concedidas à iniciativa
privada ou administradas pelos Estados - são as que apresentam as melhores
condições de tráfego. A Pesquisa Rodoviária 2006, elaborada pela Confederação
Nacional dos Transportes (CNT), avaliou como 'ruim' ou 'péssimo' o estado geral
de 41,4% de mais de 73 mil quilômetros de rodovias não-pedagiadas,
tanto as de gestão da União quanto dos Estados. O porcentual de 'ótimo' e 'bom'
dessas vias ficou em 16,9%. Já entre as rodovias pedagiadas, a CNT avaliou que apenas
3,9% dos mais de 10 mil quilômetros pesquisados estão 'ruins' ou 'péssimos',
enquanto a taxa de 'ótimo' e 'bom' chega a 79,7%.
A Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR) informou
ontem que os 23 melhores trechos de rodovias listados no ranking da CNT em 2006
são pedagiados. Destes, 20 são concedidos a empresas privadas.
Com relação aos custos dos pedágios, a entidade citou um estudo feito em 2005
pela Fundação Instituto de Administração, encomendado pela Agência de
Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), que mostra que para cada R$ 1 pago
nos pedágios pelos usuários das rodovias concedidas em São Paulo há um retorno
de R$ 1,84 para a sociedade.
Esse retorno embutiria alguns benefícios proporcionados pelas melhores
condições da pista, como economia de combustível, redução dos custos de
transporte de cargas e menor emissão de poluentes, além da diminuição dos
acidentes.
A administração pública de rodovias vem sendo constantemente objeto de críticas
de transportadores, usuários e do Tribunal de Contas da União (TCU). O ministro
Augusto Nardes, responsável pela área de transportes no tribunal, foi um dos principais
críticos da operação tapa-buraco, desencadeada pelo governo federal no ano
passado. Nardes chegou a dizer que os cerca de R$ 500 milhões aplicados na
operação 'foram literalmente jogados na sarjeta', já que muitas das estradas incluídas no
programa do governo voltaram rapidamente a apresentar problemas.
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NACIONAL
11/01/2007
Planalto diz que só tolera pedágio com tarifa baixa
Dilma
afirma que governo decidiu rever todos os critérios da licitação para concessão
de rodovias federais que estava pronta para ser realizada
O
governo usou o argumento de que quer tarifas mais baratas de pedágio para
justificar a suspensão do programa de concessão à iniciativa privada de sete
trechos de estradas, lista que incluía a Fernão Dias e a Régis Bittencourt.
Sem prazo definido para estabelecer a nova política para as rodovias federais, o Planalto
decidiu rever todos os critérios da licitação que estava pronta para ser
lançada e tinha recentemente obtido o aval do Tribunal de Contas da União
(TCU).
A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, disse ontem que as concessões
serão reavaliadas por orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Admitiu que elas podem ser retomadas sob um novo modelo, mas afirmou que o
governo ainda não detalhou quais serão os novos critérios, além das baixas
tarifas. Segundo a ministra, um estudo será feito ainda este anos, “no prazo
mais rápido possível”.
Dilma procurou amenizar os impactos negativos que a suspensão provocou no
mercado e enfatizou que uma parceria com a iniciativa privada nesse setor é
importante para o governo. “Nós queremos processos de concessão, queremos que a
iniciativa privada participe, também que haja parcerias público-privadas.
Agora, nós também temos como objetivo as menores tarifas possíveis”, disse ela,
antes de almoço com representantes da Associação Nacional dos Jornais (ANJ).
A indefinição do Planalto é vista com preocupação até por integrantes do
governo que participam das discussões. A demora pode agravar a situação das estradas, especialmente no
Sul e no Sudeste, regiões castigadas por chuvas. Com a crescente deterioração
das vias, o governo terá de investir mais dinheiro em sua conservação, se forem
mantidas sob administração estatal.
As perspectivas também não são boas para a hipótese de o governo voltar atrás e
retomar a licitação daqui a alguns meses, por exemplo. A deterioração das estradas nesse meio tempo
exigiria novos cálculos dos custos de operação e mais investimentos dos
eventuais concessionários, o que poderia até aumentar o teto de valor do
pedágio.
O sistema rodoviário e de logística, segundo Dilma, precisa ter o menor custo
possível porque afeta, em cadeia, outros setores da economia e os consumidores.
“Isso não significa que o governo tenha abandonado a hipótese dessa combinação
entre investimentos públicos e privados”, afirmou. “Mas estamos olhando dentro
de uma visão estratégica de longo prazo.”
Uma das idéias em estudo, segundo fontes do governo, é a criação de uma empresa
federal para a administração de rodovias. Os recursos arrecadados com a
cobrança do pedágio seriam investidos na manutenção dos trechos. Ao ser
questionada sobre o assunto, Dilma esquivou-se: “Não temos posição definida
sobre nenhuma das questões.”
A reavaliação dos critérios ficará a cargo da Casa Civil, dos Ministérios do
Planejamento e dos Transportes e da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). O diretor-geral da
ANTT, José Alexandre
Resende, disse que o edital de licitação não havia sido lançado ainda porque
era necessária uma nova resolução do Conselho Nacional de Desestatização,
aprovando as últimas modificações.
O edital de licitação suspenso pelo governo já previa tarifas de pedágio mais
baratas que a média cobrada nas rodovias federais concedidas. O teto seria de
R$ 4,984 da BR 116, no trecho entre Curitiba e a divisa de Santa Catarina com o
Rio Grande do Sul.
Resende disse que não havia sido informado oficialmente da decisão do governo
de suspender a licitação.
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CELSO MING
11/01/2007
Maus sinais
O
governo Lula está mandando para o País mais dois maus sinais: o de que suas
decisões estão suscetíveis à contaminação ideológica e o de que vacila mais do
que já vacilou em questões decididas.
Terça-feira, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, anunciou, em
Curitiba, que o governo decidiu suspender a concessão de 11 trechos de rodovias federais para a
iniciativa privada. A declaração surpreendeu tanto o ministro dos
Transportes, Paulo Sérgio de Oliveira Passos, como o
diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres, José Alexandre
Resende, que só souberam da novidade pela imprensa, o que demonstra falta de
coordenação no governo federal.
Ninguém gosta de pagar pedágio, como não gosta de pagar conta de luz, de
condomínio, de mensalidade escolar, de morrer todos os anos com 4% do valor do
carro no IPVA. Mas à parte de não gostar de pedágio como qualquer um de nós, o
governador do Paraná, Roberto Requião, tem uma pinimba extra contra qualquer
pedágio, como se não tivessem nenhuma justificativa.
Provavelmente a decisão comunicada pela ministra Dilma teve um motivo imediato:
evitar criação de caso com o governador Requião, da base aliada, cujo Estado é
cortado pela Rodovia Régis Bittencourt, conhecida como 'rodovia da morte'
pela enorme incidência de acidentes com vítimas. O trecho paranaense é um dos
que seriam objeto de concessão com fins de garantir melhorias e conservação,
mediante cobrança de pedágio.
Mas o problema não se esgota nas idiossincrasias do governador Requião. O
governo Lula tem demonstrado que não sabe lidar com políticas que, de algum
modo, lembrem privatização. Em 2004, aprovou no Congresso as regras das
Parceiras Público-Privadas (PPPs), pelas quais empresas privadas se encarregam
não só de implantar e desenvolver projetos de infra-estrutura, mas também de
ampliá-los e conservá-los, podendo para isso arrecadar tarifa pública
previamente definida. Mas, até agora, só um projeto federal de PPP está
adiantado. Outros 22 estão emperrados, por várias razões - a principal delas, ideológica.
Grande número de dirigentes do PT entende que as PPPs não passam de 'privataria
disfarçada', querendo com isso dizer que é um sistema em que é impossível
evitar a promiscuidade entre interesses público e privado. Curiosamente, os
mesmos que fazem essa mistureba não acham que a apropriação de repartições do
Estado por um partido político ou mesmo por pessoas físicas seja, aí sim,
claramente nefasta ao interesse público. Justiça seja feita, a confusão não é
prerrogativa do PT; permeia a maioria das esquerdas e até segmentos da
social-democracia brasileira - se é que isso existe por aqui.
Se não tem dinheiro nem para as operações tapa-buraco, como é que o governo
federal vai agora investir em novas estradas, consertar as rodovias da morte e cobrar pedágio
insignificante por isso, como querem a ministra Dilma e o governador Requião?
O principal fator de travamento do crescimento é o governo, que não sabe o que
quer e se arrepende do que decidiu.
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METRÓPOLE
11/01/2007
São Paulo tem 22 pontes destruídas e 2,5 mil km de estradas
intransitáveis
As
prefeituras dos 67 municípios atingidos pelas chuvas em São Paulo começaram
ontem a avaliar os prejuízos. Pelo menos 22 pontes caíram com as enchentes e
cerca de 2,5 mil quilômetros de estradas rurais estão intransitáveis.
Em Itapetininga, as áreas ribeirinhas e de várzeas continuavam sob as águas do
Rio Itapetininga. Mais três prefeituras, Pirapozinho, Presidente Bernardes e
Adamantina, decretaram situação de emergência. A prefeitura de Presidente
Prudente também pediu ajuda para refazer o sistema de captação de água, afetado
pelas chuvas.
Subiu para 12 o número de municípios que protocolaram pedido para decretação de
estado de emergência na Coordenadoria Estadual de Defesa Civil. O prazo para os
técnicos concederem o pedido é de cinco dias e só depois os municípios poderão
receber recursos.
Segundo a avaliação da Defesa Civil, os danos das chuvas só não foram maiores
em razão do plano preventivo colocado em ação desde o início da Operação Verão,
dia 1º de dezembro.
O monitoramento dos índices pluviométricos e a antecipação das informações
meteorológicas permitiram que muitas famílias fossem retiradas de casas em
áreas de risco. Em Paraguaçu Paulista e Maracaí, no oeste do Estado, as
prefeituras e órgãos da Defesa Civil conseguiram remover cerca de 10 mil
moradores antes do rompimento da barragem da Represa Grande, um lago com 164
hectares. A retirada começou assim que foram detectados sinais de que a
barragem não suportaria o volume de água. A inundação atingiu as casas vazias.
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POLÍTICA
11/01/2007
Base aliada aposta alto em vitória
Brasília,
11 de Janeiro de 2007 - Parlamentares acusam Arlindo Chinaglia de oferecer
vantagens para conseguir apoio. Lançado no início de dezembro sob uma cortina
de desconfianças "emanadas das oposições, da bancada governista e até do
seu próprio partido, o PT" o candidato à presidência da Câmara, deputado
Arlindo Chinaglia (SP), foi guindado à favorito em apenas 35 dias de campanha,
depois de assegurar o apoio da maioria da futura bancada do PMDB.
Para alcançar essa condição, no entanto, o petista teve de desfiar, nos últimos
dias, uma extensa lista de promessas. Conforme consulta feita por este jornal a
parlamentares de governo e oposição, os compromissos vão desde a partilha de
cargos em comissões, passam pelo aumento no salários dos deputados e chegam até
a indicação de nomes para ministérios e diretorias de empresas estatais.
Há até, entre os deputados ouvidos, quem diga em tom jocoso que o presidente
Lula, quando retornar de férias, irá encontrar a reforma ministerial pronta e
acabada sobre a mesa. "A base aliada ligou o trator. Os comandantes da
campanha de Chinaglia estão prometendo o bolsa-mesa, um kit com farta
distribuição de cargos na Mesa Diretora e no governo, além de liberação de
emendas e outros mimos", acusou o deputado Raul Jungmann (PPS-PE), um dos
idealizadores da chamada terceira via.
Caso se torne real o rateio de postos e cargos promovido pelo PT, o grande
beneficiado será o PMDB, considerado o fiel da balança na disputa. Para a ala
do PMDB recém convertida ao lulismo "como os deputados ligados ao
presidente nacional da legenda, Michel Temer (PMDB-SP) e Eliseu Padilha
(PMDB-RS)" foi oferecido o Ministério dos Transportes, que Padilha
comandou no governo Fernando Henrique. "Estão oferecendo até ministério
nosso. É a agroindústria passando por cima da agricultura familiar", disse
um deputado do PL, ligado ao ex-ministro Alfredo Nascimento, numa roda de
conversas na Câmara.
Os ex-aliados peemedebistas do ex-governador do Rio Anthony Garotinho, como o
deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), receberam a promessa de ganhar a presidência
da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) e cargos na diretoria de Furnas Centrais
Elétricas. Ao PMDB do Rio também teria foi oferecido, em troca de votos para
Chinaglia, o Ministério da Saúde.
O deputado Fernando Diniz, na condição de representante do PMDB mineiro, também
garantiu seu quinhão, segundo relatos de deputados. Como recompensa pelo apoio
ao petista, poderá indicar nomes para ocupar cargos no DNIT de Minas e na
diretoria dos Correios.
A bancada ruralista é outra que não ficou de mãos abanando. Ao deputado
Waldemir Moka (PMDB-MS) foi prometido o ministério da Agricultura. "Essa
suposta distribuição de cargos é tão descabida que não merece nem
comentário", rechaçou o coordenador da campanha de Chinaglia, deputado
Odair Cunha (PT-MG). "O que temos é um projeto político para a Câmara.
(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 7)(Sérgio Pardellas).
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NAS ENTRELINHAS
11/01/2007
Aldo e o Planalto
Barganhas
de cargos por votos transformaram-se em uma tradição da política brasileira. A
grande novidade seria o uso de métodos pouco republicanos contra um dos
principais aliados do presidente Lula
O
comportamento do Palácio do Planalto na disputa pela presidência da Câmara
intriga os aliados de Aldo Rebelo. O ministro de Relações Institucionais, Tarso
Genro, nega qualquer interferência na eleição. Rejeita as acusações de
liberação de emendas e oferecimento de cargos em troca de apoio a Arlindo
Chinaglia. Os rumores nos gabinetes do Congresso, no entanto, sugerem ações
menos imparciais.
O apoio obtido por Chinaglia na reunião de terça-feira do PMDB, por exemplo,
deixou deputados próximos de Aldo cheios de dúvidas. Quando buscaram
explicações, ouviram falar em promessas de cargos importantes na Esplanada dos
Ministérios para alguns caciques do partido. Os peemedebistas do Rio de Janeiro
estariam certos de receber a pasta da Saúde. Os de Minas ficariam com a dos
Transportes, mas deixariam o Departamento Nacional de Infra-Estrutura de
Transportes (Dnit) para os correligionários do Distrito Federal.
As próximas semanas vão mostrar se as suspeitas do grupo de Aldo fazem sentido.
Barganhas de cargos por votos há muito deixaram de ser novidade. Mais que isso,
transformaram-se em uma tradição da política brasileira. A grande novidade, no
caso atual, seria o uso de métodos pouco republicanos contra um dos principais
aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nos primeiros quatro anos de
governo.
Aldo Rebelo foi líder do governo na Câmara e ministro da Coordenação Política
antes de chegar à Presidência da Câmara. No cargo atual, agiu em sintonia com o
Palácio do Planalto na administração da crise do mensalão. Em nenhum momento o
deputado comunista entrou em choque com as orientações de Lula. Com um perfil
assim, Aldo tinha tudo para acreditar que seria o candidato do Planalto. Só
faltava combinar com o PT.
Os petistas preferiram trilhar caminho próprio. O partido tem a segunda maior
bancada e Chinaglia possui todas as credenciais para comandar a Câmara.
Parlamentar experiente e determinado, buscou e conseguiu uma aliança formal com
o PMDB, legenda com maior número de deputados. Falta, agora, assegurar os votos
no plenário no dia 1º de fevereiro.
A história recente do Congresso demonstra que os argumentos pragmáticos valem
mais do que os políticos. Nesses termos, os deputados sabem que Aldo tem pouco
a oferecer. Ao mesmo tempo, acreditam que Chinaglia dispõe de mais cacife na
cúpula do Planalto para firmar compromissos em nome do governo. Os movimentos
de Aldo na direção da oposição reforçam essa impressão. A vitória do candidato
petista estaria, então, assegurada. O problema é que o governo Lula, exatamente
pelas divisões internas, muitas vezes perde as votações no Congresso.
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GIRO
11/01/2007
Alô, Dnit!
A
Associação dos Moradores do Conjunto Caiçara pede roçagem nas vias da BR-153,
próximo ao trevo da Agetop, em Goiânia.
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CIDADES
11/01/2007
Buracos e má sinalização marcam avenida
Moradores
e comerciantes ao longo da avenida Júlio Campos, em Várzea Grande, reclamam das
condições de trafegabilidade e da falta de sinalização horizontal e vertical na
pista. “A Júlio Campos é a porta de entrada de Várzea Grande, mas está
abandonada. A sinalização é precária e a cada dia os buracos só vão
aumentando”, disse o comerciante André de Souza Ramalho, 46 anos.
Ramalho lembrou ainda que a avenida dá acesso às BRs - 364 e 163, que ligam a
cidade às regiões norte e sudoeste do Estado e, por isso, o tráfego de caminhões
e de ônibus que fazem linhas intermunicipais – além de carros de passeio - é
grande.
O motorista Valdinei José da Silva, 65 anos, que mantém um ponto de venda de
caldo de cana na Júlio Campos, diz que há dois meses foi realizado o serviço de
tapa-buracos na pista. “O serviço deve ter sido mal feito, porque a avenida já
está novamente esburacada”.
Ele citou ainda que a pista tem vários quebra-molas sem qualquer sinalização.
“Falta placas e faixas indicando a existência dos quebra-molas. Quando a gente
vê, já está em cima”, reclamou lembrando a falta de faixa para pedestres.
Já o superintendente municipal de Trânsito e Transportes, Tarcíso Bassan,
informou que no fim do ano passado foi solicitado ao Departamento Nacional de
Infra-estrutura de Transportes (Dnit) a assinatura de um convênio para
recapeamento e melhoria da sinalização da Júlio Campos, uma vez que a avenida é
um prolongamento das rodovias federais 163/364.
“Temos atendido os comerciantes e moradores na medida do possível. Está em
nosso planejamento melhorar a sinalização da Júlio Campos e, como Várzea Grande
cresceu em torno da BR-163, solicitamos o convênio para recapear e investir na
sinalização”, informou.
Conforme Bassan, o pleito do município feito ao Dnit irá beneficiar o
trecho que vai Ponte Nova até o Trevo do Lagarto, englobando três avenidas
(Feb, Ulisses Pompeu de Campos e Júlio Campos) num total de 12,8 quilômetros.
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CARLOS LINDENBERG
11/01/2007
O quilômetro da vergonha
O
vice-presidente José Alencar está atento à situação das chuvas em Minas,
particularmente à deterioração das estradas. O chefe de Gabinete do
vice-presidente, Adriano Silva, informa que José Alencar leu a coluna de
sábado, como faz habitualmente, e se sentiu impulsionado a conversar com o
presidente Lula, que saía de férias naqueles dias, com a ministra Dilma
Rousseff e com o ministro dos Transportes, Paulo Sérgio de Oliveira Passos, buscando empenhar
recursos para o socorro imediato às péssimas condições de tráfego nas estradas federais mineiras,
principalmente a BR-135, que vai de Belo Horizonte ao Oeste baiano, passando
por Montes Claros, no Norte do Estado.
A coluna dizia que o vice-presidente, homem público devotado às causas
nacionais, poderia ‘aproveitar‘ as férias do presidente Lula e, como segundo
homem na hierarquia política do país, determinar aos ministros que acudissem
Minas da forma mais rápida e eficaz possível, porque os mineiros estavam
pagando um preço alto demais pelo descaso do Governo federal, haja vista que as
estradas em piores condições,
como a 135, são as de responsabilidade da União. E até recomendava ao vice que
não ficasse incomodado se alguém o chamasse de bairrista por cuidar com maior zelo
das coisas de Minas, afinal, ele havia percorrido o Estado por duas vezes,
pedindo os votos dos mineiros para ele e para o presidente Lula.
De forma que há razões de sobra para que se possa esperar, do Governo federal,
a atenção que as estradas de sua responsabilidade estão a exigir do Dnit. Sabe-se que a
burocracia no Serviço Público é bem maior do que a eficiência, de forma que a
sensibilidade do vice-presidente da República é meio caminho andado, mas não é
tudo. Essas providências costumam ficar agarradas no cipoal da burocracia e só
saem a golpes de facão. De forma que o vice-presidente, que sabe das coisas, já
deve estar atento a esse tipo de enrolação.
Se o vice ficou sensibilizado ao ser lembrado de suas relações com Minas, o
presidente Lula certamente ficaria pasmo se visse o que se costuma assistir ao
longo da BR-135, sobretudo nas proximidades do trevo de Curvelo, onde a estrada
se bifurca para levar ao Norte de Minas e ao Distrito Federal. Do ponto de
vista físico, a estrada é uma coleção infernal de buracos. Esses buracos, em
boa medida, foram tapados durante a campanha eleitoral, em que se usou uma lama
asfáltica de efeito rápido, mas que também desaparece com dois dias de chuva.
Na época, criticou-se muito o Governo federal pela operação tapa-buraco,
dizendo-se que se jogava dinheiro fora. De fato, mas se não houvesse o
tapa-buraco, a estrada
simplesmente desapareceria, tragada pelas crateras.
Como se esperava, os buracos voltaram com as chuvas do final do ano. Mas
trouxeram com eles um quadro desolador e, certamente, capaz de deixar o
presidente Lula, sempre preocupado com os pobres, de cabelos em pé. Claro,
porque os que passam por ali ficam a um só tempo revoltados com o descaso da
União, mas também penalizados com o que vêem: são dezenas de pessoas, entre
elas mulheres, crianças, velhos, moças e rapazes, todos de pás e enxadas nas
mãos, a tapar os buracos com terra recolhida na beira do asfalto.
Esses voluntários, recrutados pela necessidade da sobrevivência, entre eles
crianças, não só correm sério risco de acidentes e se submetem ao sol
escaldante do Centro-Norte-mineiro, como se expõem despidos da mais elementar
vestimenta da cidadania: ficam à beira da estrada de mãos estendidas a pedir
esmolas dos que passam como pagamento para um serviço que, na verdade, é de
responsabilidade do Governo federal. Ou seja, o Governo não somente se omite do
dever de conservar a estrada, como produz esses legítimos beneficiários do
Bolsa-Estrada. Lula, que criou em boa hora o Bolsa Família, certamente se
indignaria mais ao passar pela BR-135 e assistir a cenas tão degradantes à
altura do que se convencionou chamar de quilômetro da vergonha - logo ali, a
pouco mais de 100 quilômetros de Belo Horizonte.
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ECONOMIA
11/01/2007
Norte pode recorrer à Justiça pela BR-135
MONTES
CLAROS - As entidades de classe do Norte de Minas ameaçam entrar com uma
representação no Ministério Público Federal, pedindo providências contra o
Departamento Nacional de Infra-Estrutura Terrestre (Dnit), por causa da
precariedade da BR-135, no trecho Montes Claros-Trevo da BR-040, com 300
quilômetros de extensão. A Associação dos Municípios da Área Mineira da Sudene
(Amams) está preparando o documento, em que pedirá também o bloqueio dos
recursos da Cide (imposto sobre combustíveis) para assegurar a reconstrução da
rodovia.
O advogado da Amams, Ozias Corrêa, que está preparando a ação, afirma que houve
desperdício de dinheiro público em 2006, quando foram realizadas obras na
estrada. Segundo ele, a previsão de durabilidade era de dois a três anos, mas
antes de completar um ano, a BR-135 já estava novamente em mau estado de
conservação.
O Dnit adiou a reunião com
as lideranças da região que estava programada para ontem, quando seria cobrada
do diretor-geral do órgão, Mauro Barbosa da Silva, a licitação da obra. O
projeto técnico para recuperação da rodovia, elaborado por empresa
especializada, foi viabilizado pela Associação Comercial e Industrial de Montes
Claros (ACI) e repassado ao Dnit em setembro do ano passado. A assessoria de imprensa do
órgão em Minas Gerais informou que há R$ 5 milhões para ser aplicado na
melhoria da BR-135 ainda neste ano, mas as obras somente começarão quando o
período de chuvas acabar, para não atrapalhar o serviço.
Essa é a segunda vez que as entidades de classe da região ameaçam entrar com
ação judicial por causa da precariedade da rodovia. No ano passado, elas
pretendiam recorrer à Justiça Federal, pedindo que toda a arrecadação oriunda
da Cide no Norte de Minas e na Região Central fosse bloqueada para assegurar a
reconstrução da estrada.
Estudos realizados pelo Sindicato dos Postos de Combustíveis (Minaspetro)
indicaram que a arrecadação da Cide, em um ano, na área de abrangência da
BR-135, permitiria pagar a sua recuperação. No entanto, a ação judicial acabou
não sendo impetrada, e o único resultado prático é que o Sindicato das Empresas
de Transportes de Cargas (Sindinor) conseguiu os recursos para custear a
elaboração do projeto para a reconstrução da rodovia.
O advogado Ozias Corrêa garante que, agora, a representação será apresentada ao
Ministério Público, incluindo um relatório sobre o grande número de acidentes
que tem ocorrido na rodovia, causando a morte de várias pessoas.
Simultaneamente, haverá uma mobilização política, com os prefeitos da região
tentando uma audiência no Ministério dos Transportes. Outra proposta é a
interdição da BR-135, em protesto contra a sua precariedade para tentar sensibilizar
o Governo federal a priorizar a recuperação da rodovia.
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GERAL
11/01/2007
Nova pista é asfaltada
O
motorista que enfrenta os perigos do trecho não-duplicado da BR-101, no Sul do
Estado, começa aos poucos a ver que o sonho da duplicação está os poucos se
tornando realidade. Desde o início da semana, profissionais da empreiteira
Queiroz Galvão trabalham na pavimentação da nova pista.
De acordo com o Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes (DNIT), a pista duplicada
deve ser liberada para o tráfego assim que os cinco primeiros quilômetros forem
pavimentados. "Não liberamos trechos menores para evitar acidentes.
Acredito que ainda neste ano boa parte do lote 27 vai estar concluída",
argumenta Avanir Aguiar de Sá, responsável pelo DNIT de Tubarão.
O órgão também confirmou que pretende liberar até o final do mês o tráfego
sobre os viadutos na BR-101 nas comunidades de Esplanada e do Poço Oito, em
Içara. Com isso, chegaria a três o número de obras de arte entregues pela
Queiroz Galvão desde o final do ano passado no lote 27 a fim de desafogar o
trânsito próximo aos balneários da região. Segundo informações do DNIT, o projeto dos dois
viadutos é semelhante e, por isso, a liberação ocorrerá simultaneamente.
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ECONOMIA
11/01/2007
Estado quer R$ 2,2 bi para obras
Solicitação
será feita hoje à União para abastecimento, transportes e portos
Pernambuco
chega à reunião dos governadores do Nordeste com a ministra da Casa Civil,
Dilma Rousseff, que ocorre hoje, em Natal (RN), solicitando R$ 2,268 bilhões
para um conjunto de obras a serem incluídas no Projeto-Piloto de Investimentos
(PPI) de 2007. O encontro também terá a participação dos ministros Pedro Brito
(Integração Nacional) e Fernando Haddad (Educação). Os projetos são para
recursos hídricos, transportes e portos. O estado conseguiu, em 2006, do PPI e da
Lei Orçamentária Anual (LOA), uma média de R$ 1,443 bilhão, dividindo uma parte
com outros estados para a adequação de rodovias federais.
O conjunto das obras foi apresentado, ontem, ao governador Eduardo Campos, em
reunião com os secretários estaduais. Segundo o titular da pasta de
Planejamento e Gestão, Geraldo Júlio de Mello, o destaque é para obras de
abastecimento de água e transportes (veja arte ao lado). “Também vamos sugerir a
entrada da Ferrovia Transnordestina”, disse.
Os projetos que poderão receber mais dinheiro são os da Secretaria de
Transportes, com um valor de R$ 1,461 bilhão. A obra que requer mais recursos é
para a restauração e duplicação da BR-232, no trecho entre São Caetano e
Arcoverde, demandando R$ 401 milhões. O setor recebeu R$ 389 milhões da LOA e
do PPI de 2006, dividindo com outros estados para as BRs-116 e 101. Para 2007,
estão garantidos R$ 898 milhões.
A Secretaria de Recursos Hídricos tem em destaque o pedido dos R$ 170 milhões
para terminar o Sistema Adutor de Pirapama. Os recursos servirão para a
adequação elevatória e construção de uma nova linha de adutora e estação de
tratamento. No tocante aos pedidos da Secretaria de Desenvolvimento Econômico,
o destaque da relação fica para o Porto de Suape. A lista inclui R$ 136,8 milhões
para dragagem e construção do acesso rodoferroviário à Ilha de Tatuoca, onde
será instalado o Estaleiro Atlântico Sul (R$ 83,3 milhões), construção do Cais
4 (R$ 38 milhões) e adaptação estrutural do Píer de Granéis Líquidos (R$ 15,5 milhões).
TRANSPOSIÇÃO
Os recursos necessários para as obras da Transposição do Rio São Francisco
também poderão sair do PPI. Para 2007, as atividades demandam R$ 700 milhões,
sendo que apenas R$ 100 milhões estão garantidos no OGU de 2007. Ontem, Brito autorizou
a licitação para os projetos executivos dos eixos Norte e Leste.
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ECONOMIA
11/01/2007
Suape precisa de R$ 140,7 milhões
O
Governo do Estado e a Petrobras acertaram, ontem, as obras essenciais e o
cronograma de desembolso de recursos para a Refinaria Abreu e Lima, que
começará a ser instalada no Complexo Industrial Portuário de Suape a partir do
segundo semestre deste ano. De acordo com a lista de ações prioritárias, será
preciso investir R$ 140,7 milhões. Como só há R$ 14,1 milhões com rubrica no
Orçamento Geral do Estado, o desafio será obter os R$ 126,6 milhões restantes,
já que no Orçamento Geral da União deste ano só constam R$ 66 milhões para o
complexo.
Para 2007, está agendada a transferência da linha de alta tensão de energia, ao
custo de R$ 6,8 milhões. A dragagem do canal de acesso e bacia de evolução do
píer petroleiro só deve sair do papel a partir de 2008, sendo concluída em 2009,
por R$ 60 milhões. Para 2009, também estão marcadas a construção do píer
petroleiro (R$ 10 milhões) e a duplicação da avenida portuária (R$ 7 milhões).
Em 2010, serão mais 34,5 milhões e, em 2011, outros R$ 22,3 milhões só para a
duplicação da avenida principal de acesso e do tronco distribuidor rodoviário
sul.
O secretário de Desenvolvimento Econômico, Fernando Bezerra Coelho, disse que
foi acertada a constituição de um grupo de trabalho para aprofundar os estudos
para as operações de recebíveis. Se a proposta der certo, o píer deverá ser o
primeiro contemplado. “O píer é a necessidade mais próxima da partida da
refinaria. Como a Petrobras vai gerar um fluxo de caixa, Suape pode captar
recursos em instituições financeiras”, comentou o coordenador do comitê técnico
da refinaria, Ricardo Barreto.
Coelho informou que outra fonte de recursos pode vir da volta da importação de
Gás Liqüefeito de Petróleo (GLP) feita pela Petrobras via Suape. Desde
novembro, a Secretaria da Fazenda editou um decreto permitindo o diferimento de
ICMS para atrair a operação novamente, mas a petrolífera ainda não retornou aos
patamares anteriores.
De acordo com o gerente de operações do porto, Sidney Aires, entre 2002 e 2003
a Petrobras trabalhava com 40 milhões de quilos do GLP via Suape. No mês
passado não foram nem dez milhões. “O mais importante é viabilizarmos o retorno
das importações, o que pode trazer um acréscimo de R$ 4 milhões a R$ 5 milhões
de ICMS.
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GERAL
11/01/2007
Nova pista é asfaltada
O
motorista que enfrenta os perigos do trecho não-duplicado da BR-101, no Sul do
Estado, começa aos poucos a ver que o sonho da duplicação está os poucos se
tornando realidade. Desde o início da semana, profissionais da empreiteira
Queiroz Galvão trabalham na pavimentação da nova pista.
De acordo com o Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes (DNIT), a pista duplicada
deve ser liberada para o tráfego assim que os cinco primeiros quilômetros forem
pavimentados. "Não liberamos trechos menores para evitar acidentes.
Acredito que ainda neste ano boa parte do lote 27 vai estar concluída",
argumenta Avanir Aguiar de Sá, responsável pelo DNIT de Tubarão.
O órgão também confirmou que pretende liberar até o final do mês o tráfego
sobre os viadutos na BR-101 nas comunidades de Esplanada e do Poço Oito, em
Içara. Com isso, chegaria a três o número de obras de arte entregues pela
Queiroz Galvão desde o final do ano passado no lote 27 a fim de desafogar o
trânsito próximo aos balneários da região. Segundo informações do DNIT, o projeto dos dois
viadutos é semelhante e, por isso, a liberação ocorrerá simultaneamente.