GAZETA MERCANTIL
TRANSPORTE E LOGÍSTICA - 11/10/2005
Investimentos em estaleiros chegam a US$ 1 bi

Rio, 11 de Outubro de 2005 - Até setembro foram liberados US$ 800 milhões. Em 2004, os créditos foram de US$ 500 milhões. Os investimentos da indústria naval dobrarão neste ano, no que depender da evolução dos financiamentos do Fundo da Marinha Mercante. Somente de janeiro a setembro, a instituição aprovou US$ 800 milhões em crédito, volume que deve ultrapassar US$ 1 bilhão até o final do ano, de acordo com o secretário de Fomento para Ações de Transportes do Ministério dos Transportes, Sérgio Bacci. Em todo o ano de 2004, a Marinha Mercante deu sinal verde para projetos de US$ 500 milhões. Em 2003, foram aprovados US$ 400 milhões. "Os estaleiros passaram a ter uma nova forma de ver a indústria naval. Se modernizam para ter encomendas, para competir fora do Brasil", afirma Bacci. Do total aprovado, cerca de US$ 400 milhões, a metade, será destinada à construção e modernização de estaleiros.

Dois grupos solicitaram crédito da Marinha Mercante neste ano para construir novas instalações- Aker Promar e a Camargo Corrêa em parceria com Queiroz Galvão. Já a Renave procura modernizar sua estrutura produtiva em Niterói.

O valor dobrado em empréstimo não inclui a primeira etapa da licitação de 42 navios da Transpetro. O edital da encomenda de 26 navios, lançado ontem prevê obras da ordem de US$ 1,28 bilhão. "Tomara que possamos financiar tudo", disse Bacci ao prever que o financiamento para a licitação será solicitado no início de 2006. Dinheiro é o que não falta: são R$ 2,5 bilhões à espera de projetos e mais R$ 1 bilhão de arrecadação deste ano. Sem falar dos recursos de 2006.

O governo definiu uma parte da engenharia financeira para a licitação de navios da Transpetro. O Tesouro garantirá mais da metade do pagamento do seguro-garantia que será feito pelos estaleiros vencedores junto a bancos privados. O custo do seguro vai variar de 0,65% a 1,80% do valor segurado, dependendo do credor.

O subsídio do governo vai alcançar de 0,45% a 1,20% do valor segurado, na mesma proporção do pagamento. O seguro deverá ser equivalente a 30% do valor financiado, conforme já havia sido definido.O secretário de Energia, Indústria Naval e Petróleo do Rio de Janeiro, Wagner Victer, critica o modelo de financiamento para a licitação da Transpetro. Para ele, o financiamento deveria ser concedido diretamente ao armador e não aos estaleiros. Os armadores tomariam os empréstimos e assumiriam os riscos, o que eliminaria o problema das garantias dos estaleiros. Em geral, o patrimônio dos estaleiros é inferior ao valor das encomendas, o que dificulta a liberação de recursos pelo BNDES. O custo de financiamento do FMM varia de 2,5% a 5% ao ano e será o grande aliado da licitação de 42 navios da Petrobras.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que participou ontem da solenidade do lançamento do edital da licitação, afirmou que apesar das dificultades em obter os recursos da Marinha Mercante, "a razão venceu a mentira e a indústria naval brasileira está de pé outra vez".

A declaração resume a história da indústria naval, que depois de anos aureos na década de 70, declinou na segunda metade dos anos 80. Com a decadência do setor, o Brasil passou a pagar US$ 10 bilhões por ano com o aluguel de navios estrangeiros.

O grupo vencedor da licitação dos navios de maior porte para a Transpetro não poderá ganhar nenhum outro contrato de construção das outras embarcações. O presidente da Transpetro, Sérgio Machado, revelou que somente os navios Suezmax respondem por cerca de 35% de toda a licitação, avaliada pelo mercado em US$ 1,28 bilhão.

Entre os sete que vão participar de toda a licitação, quatro grupos estão no páreo para construir os maiores - Suezmax (10 unidades) e Aframax (cinco). O estado do Rio é o mais cotado para levar a disputa, considerando que dois concorrentes são fluminenses: o Brasfels, de Angra dos Reis, e o consórcio Rio Naval (Sermetal, Iesa e MPE Montagens). Ainda sem estaleiro, o consórcio da Aker, Promar e Queiroz Galvão - construirá um no Rio Grande do Sul (como o nome indica). E as construtoras Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez, se vencerem, deverão erguer um estaleiro em Pernambuco.

Victer questiona também a participação dos estaleiros chamados virtuais, que não têm instalações ainda. "Não existe nada parecido no País e no mundo. Eles optaram por desclassificar estaleiros experientes para classificar empresas que nunca fizeram um navio", criticou.

A Transpetro vai licitar 26 navios divididos em cinco lotes, um para cada vencedor. Quem vencer os lotes para a construção de outros navios com exceção do Suezmax poderá ganhar duas vezes no máximo.

Os três lotes restantes licitam quatro embarcações do tipo Panamax, quatro cargueiros para derivados de petróleo e três navios gaseiros. Mauá Jurong, de Niterói; Eisa, do Rio de Janeiro, e o grupo Arbi do Rio Grande do Sul, disputam com os outros quatro grupos contratos para a construção de navios de menor porte.

(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 5)(Sabrina Lorenzi)

 

 

A TARDE - BA
MUNICÍPIOS - 11/10/2005
BR-116 interditada por três horas
Motoristas bloqueiam a Rio-Bahia pela terceira vez em 15 dias, em protesto contra a buraqueira, e cobram providências

EDSON BORGES
FEIRA DE SANTANA (DA SUCURSAL) – Pela terceira vez em 15 dias, caminhoneiros bloqueiam, durante três horas, a rodovia BR-116 Sul (Rio-Bahia), no trecho entre Feira de Santana e o entroncamento com a BR-242, a Bahia-Brasília. Esses sucessivos protestos têm por objetivo fazer com que o governo federal tome providências urgentes contra a buraqueira.

O Departamento Nacional de Infra-Estrutura e Transportes (
Dnit) já anunciou a realização de licitação e a previsão é que as obras sejam iniciadas ainda este ano. Os serviços de recuperação também seriam realizados na BR-324, principalmente nos trechos Salvador-Feira de Santana e do entroncamento da BR-116 Norte até Capim Grosso, no norte do Estado.

Revoltados com os danos causados nos veículos e, conseqüentemente, com os prejuízos financeiros, os motoristas querem, com urgência, uma operação tapa-buracos, até que a recuperação seja iniciada. Eles argumentam que não têm como suportar mais as péssimas condições da pista, além dos riscos de assaltos que ocorrem nesses trechos esburacados.

MOLAS – O mineiro Odair Souza Loback era um dos mais exaltados na manifestação de ontem, afirmando que já tem dívidas a serem pagas no início do ano que vem, em razão de danos no caminhão. O motorista contou que numa viagem que fez há oito dias, teve que trocar molas do veículo, gastando mais de R$ 1 mil. Exibindo a nota da compra do material e do serviço, feitos no Posto de Molas Fabrini, em Feira, Odair gritava que não agüentava mais pagar consertos.

– Só estou viajando para pagar dívidas e, mesmo assim, não consigo. Estou fazendo uma viajem por cima da outra, quase não durmo, porque tenho três filhos para criar – lamentava Loback.

O motorista estava viajando com a mulher, no caminhão de placa GZT-7005, de Belo Horizonte/MG, levando sete toneladas de vidro para Recife e Fortaleza. Ele mostrou ainda como os buracos desgastam os pneus irregularmente, porque há sempre o desbalanceamento.

O baiano Valmir Pereira da Silva, da carreta placa MUB-9618, de Itabaiana/SE, também exibia uma nota de R$ 900, de serviço e peças para a troca de dois jogos de molas. “Isto sem contar as despesas que temos toda viagem em borracharias”, frisou.

O carreteiro Giordano Ferrari estava viajando de Guanambi para Campina Grande/PB, quando perdeu dois pneus de um dos eixos traseiros. “Em toda viagem temos esse prejuízo. Não tem carreteiro que não vá à falência desse jeito”, protestou.

FRETES – Os caminhoneiros lembraram que ainda têm que enfrentar uma defasagem no preço do frete e os aumentos no óleo diesel. O último, exemplificaram, elevou em R$ 0,20 cada litro de combustível. Também se queixaram dos agenciadores de cargas, existentes em várias cidades, que têm apenas um pequeno escritório e dominam o mercado, ganhando pelo menos 50% do valor do frete.

Os motoristas bloquearam a rodovia no posto de fiscalização da Secretaria da Fazenda, nas proximidades da cidade de Santo Estêvão, a 140 km de Salvador. Eles começaram a manifestação às 9 horas e terminaram ao meio-dia. A Polícia Rodoviária Federal esteve no local e tentou desbloquear a pista, mostrando, mais uma vez, o fax que o
Dnit passou, na última paralisação, informando a licitação. Mas os manifestantes não deram atenção.

CIDADES - 11/10/2005
BR-381/TREVO DA KRUPP - Esperança no trevo
Finalmente, Dnit autoriza conclusão de obra que há 12 anos destaca-se como monumento à ineficiência e ao desperdício do dinheiro público

Carlos Humberto Luz
Afinal, uma antiga reivindicação da comunidade da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) será atendida pelo governo federal até o final do primeiro semestre de 2006. Trata-se da conclusão das obras do chamado Trevo da Krupp (Usifast), na BR-381, que liga a capital mineira a São Paulo (Fernão Dias). No trecho que corta o município de Betim, um viaduto do complexo, inacabado há 12 anos, desde a duplicação da rodovia federal, destaca-se como monumento à ineficiência e ao desperdício do dinheiro público. O anúncio foi feito ontem, em encontro com autoridades públicas municipais e empresariais, pelo diretor geral do Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes (
Dnit), Alexandre Silveira, após vistoria dos trabalhos de restauração em curso na Fernão Dias, a partir de junho, entre Contagem e Betim.

Iniciadas em junho deste ano, as obras de recuperação (dois sentidos da estrada) se estendem por 21 quilômetros. Até o momento, o governo federal investiu, aproximadamente, R$ 40 milhões no trecho. Contudo, segundo Silveira, serão investidos mais R$ 48 milhões no ano que vem, incluindo também a restauração e construção de passarelas nos bairros Amazonas e São Sebastião, em Contagem. A alça de Betim, por outro lado, deverá ser construída dentro do plano de concessão da Fernão Dias. Já a Trincheira da Petrobras, que facilitará o retorno na área, além de melhorar a segurança, exigirá projeto específico solicitado à Prefeitura de Betim, o mesmo valendo para o Viaduto do PTB , declarou o diretor geral do
Dnit.

ECONOMIA

Com localização estratégica para a economia nacional, a BR-381 constitui corredor de transporte integrador do Nordeste e do Sudeste do País ao Mercosul. O término das obras de recuperação proporcionará significativa melhoria na qualidade de vida dos usuários que trafegam pela rodovia. A Fernão Dias atravessa regiões que abrigam metade da população de Minas Gerais e 60% da produção nacional de ferro-gusa são transportados por este caminho. Por ela são escoados cerca de 43% da economia do Estado. São três milhões de toneladas por ano de produtos agrícolas e 25% da população mineira vivem e trabalham em sua área de influência. Alexandre Silveira informou, também, que R$ 57 milhões serão investidos na BR-116, abrangendo inclusive a área de Teófilo Otoni.

DESAPROPRIAÇÕES

O prefeito de Betim, Carlaile Pedrosa (PSDB), disse que o
Dnit solicitou ao município solução para as desapropriações necessárias para a conclusão do Trevo da Krupp. No lado direito da estrada, altura do Bairro Alterosas (sentido São Paulo), as desapropriações custaram R$ 300 mil. Falta, agora, o lado esquerdo (Bairro PTB e Granja São João) . Carlaile garante, por outro lado, que o projeto para construção da Trincheira da Petrobras (R$ 3 milhões) foi entregue ao órgão federal há poucos dias. A revitalização da BR-381 trará impacto econômico positivo para Betim, Contagem e Ibirité, pois atrairá empresas para o pólo petroquímico do ácido acrílico (absorventes, fraldas, tintas etc) , destacou o prefeito de Betim.

ESTADO DE MINAS
GERAIS - 11/10/2005
Governo promete recursos

Fábio Fabrini
O governo federal anunciou, ontem, a liberação de mais verba para as obras de restauração e adequação da BR-381, entre Contagem e Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Até o ano que vem, R$ 48 milhões serão repassados para a segunda etapa do projeto, que começa em março do ano que vem, após o período das chuvas. O montante será incluído no Orçamento 2006 da União e não pode ser contingenciado, pois faz parte do acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) que aliviou a meta do superávit primário para possibilitar investimentos em infra-estrutura.

O diretor-geral do
Dnit, Alexandre Silveira, garantiu que a primeira etapa da restauração do trecho, que tem 21 quilômetros, será concluída, sem atrasos, até o mês que vem. A troca do asfalto e a reconstrução das muretas de proteção nos últimos seis quilômetros de pista dupla, segundo ele, “diminuirá consideravelmente os transtornos para os motoristas”, que têm enfrentado filas e congestionamentos para cumprir o trajeto entre as duas cidades. “Nas horas de pico, a espera tem sido de 40 minutos”, afirmou o supervisor do Dnit em Contagem, Alexandre Oliveira.

A segunda fase das intervenções prevê uma série de medidas fundamentais para melhorar o trânsito no local. Além da troca do pavimento nas vias marginais, será refeita a sinalização e o sistema de drenagem superficial. Uma passarela será construída e outras duas reformadas. O projeto também prevê a finalização do viaduto que liga a 381 à Via Expressa de Contagem, no bairro Jardim das Alterosas, em Betim. O ponto de travessia começou a ser construído há mais de 12 anos, como parte das obras de duplicação da rodovia, mas parou por causa de questionamentos na Justiça. De lá para cá, virou sinônimo de desperdício de dinheiro público.

Em reforma há três meses, o trecho da BR-381 entre Contagem e Betim é o segundo mais movimentado do Estado. Por dia, passam pelos dois sentidos mais de 80 mil veículos. A marca só é menor que no Anel Rodoviário. As obras custaram, até agora, R$ 40 milhões. Enquanto a restauração não termina, quem tem que passar diariamente pelo local desfia um rosário de queixas. O caminhoneiro Pedro Quirino Pereira, de 50 anos, que duas vezes por semana busca carga em Contagem, gastou ontem cerca de 30 minutos para chegar ao destino. “Sei que no final a situação vai melhorar bastante para nós. Mas acho que o serviço poderia andar mais rápido, com mais operários na pistas e atividades nos fins de semana. Os atrasos encarecem o frete”, alega.

ZERO HORA - RS
GERAL - 11/10/2005
Protesto por estrada bloqueia a BR-285

Líderes políticos, agricultores e moradores de três municípios do norte do Estado interromperam ontem pela manhã, por uma hora, a BR-285, em Lagoa Vermelha.

O objetivo do protesto foi pedir a retomada das obras de asfaltamento da BR-470, entre Lagoa e Barracão, paradas desde 2001 por determinação do Tribunal de Contas da União (TCU).

- Se há problemas na licitação, que seja anulada e feita uma nova. É isso que vamos pedir em Brasília ao
Ministério dos Transportes e ao TCU - disse Gilmar Sossela, coordenador dos municípios sem asfalto da Famurs.

A BR-470 liga o Rio Grande do Sul ao porto catarinense de Itajaí.

Marcos Ledermann, coordenador do Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transporte (
Dnit), informou que o órgão espera a liberação do TCU para reiniciar as obras.

DIÁRIO DO GRANDE ABC
POLÍTICA - 11/10/2005
União engaveta verba do trecho Sul do Rodoanel

Roney Domingos
Do Diário do Grande ABC
A dois meses de o ano terminar, o governo federal não liberou um centavo dos R$ 30 milhões do Orçamento da União reservados para a construção do trecho Sul do Rodoanel. O atraso no repasse é tão grande que, segundo o coordenador da bancada de deputados federais paulistas, Milton Monti (PL), os R$ 17 milhões previstos no Orçamento de 2004 foram liberados apenas no segundo semestre de 2005.

Pré-candidato à presidência de República, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) anunciou que, assim que tiver o licenciamento ambiental, vai começar a obra mesmo sem a participação financeira do Planalto. Brasília ainda não desfez o acordo de investir R$ 700 milhões, mas mantém o repasse de verbas em ponto-morto.

A falta de verbas não atinge apenas o Rodoanel. No ano passado, os 70 parlamentares da bancada paulista reivindicaram ao governo Lula recursos federais de R$ 3,5 bilhões, mas desse montante, apenas R$ 380 milhões (10,8%) foram aprovados na lei orçamentária. Monti afirma que a maior parcela dos recursos ainda está presa no cofre federal. O resultado frustrou a articulação realizada por Alckmin e prefeitos do Grande ABC e de São Paulo. "A bancada tem feito pressão via Congresso. Temos de buscar atendimento às emendas. Esse é o primeiro passo", disse Monti.

Nova rodada de negociações começou na semana passada, voltada a preparar as emendas paulistas ao Orçamento de 2006. Alckmin reuniu os deputados federais no Palácio dos Bandeirantes. Um dos temas do encontro foi a falta de verbas para o trecho Sul do Rodoanel. Na proposta orçamentária de 2006, o governo federal reduziu a primeira parcela de R$ 140 milhões para R$ 14 milhões. Foram prometidos, no total, R$ 750 milhões para a bora. Monti afirma que os parlamentares deverão propor emenda de R$ 126 milhões, para fazer o valor do orçamento chegar aos R$ 140 milhões previstos inicialmente para o ano que vem.

De acordo com o coordenador da bancada paulista, na reunião com os deputados federais, Alckmin mostrou uma série de projetos em que gostaria de ver participação financeira da União. Entre essas obras, Monti citou o Rodoanel, as obras do metrô, presídios, aeroportos e outras obras de infra-estrutura rodoviária no Interior do Estado. Como os recursos são sempre menores do que o esperado, Alckmin terá de escolher três projetos prioritários para incluir nas emendas de bancada. Monti acha que o Rodoanel deverá estar entre elas.

"Vamos pleitear que isso aconteça. A obra é importante não apenas para o Grande ABC ou São Paulo, mas todo o país", afirma. O próximo encontro será realizado entre 8 e 10 de novembro.

A assessoria do
ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento (PL), afirma que, como a obra está em andamento, cabe ao DNIT (Departamento Nacional de Infra-Estrutura) informar porque os recursos estão atrasados. Entre os motivos podem estar problemas com a medição dos trabalhos realizados. O Diário entrou em contato com DNIT em São Paulo mas não obteve retorno.

Além da verba, falta licença ambiental
- A Dersa conclui em 2002 o trecho Oeste do Rodoanel Mário Covas, com 32 km, ligando as
rodovias Bandeirantes, Anhanguera, Castello Branco, Raposo Tavares e Regis Bittencourt. Estado e União dividem os custos da obra, mas a parte federal demora a chegar.

- O novo trecho a construir é o trecho Sul (57 km) que começa na Régis Bittencourt, em Embu, cruza as
rodovias Anchieta e Imigrantes e termina na Avenida Papa João XXIII em Mauá. Prefeitos e empresários do Grande ABC querem a obra para solucionar em parte o nó logístico, apontado como maior entrave ao desenvolvimento local

- O governo do Estado anuncia em 2005 a intenção de fazer trecho mais curto, com apenas 9 km. Os prefeitos cobram o trecho original. Alckmin anuncia então o plano de investir R$ 1,4 bilhão em recursos próprios até 2010 para concluir todo o trecho Sul, orçado em R$ 2,5 bilhões.

- Alckmin e os prefeitos do Grande ABC pressionam o governo federal a injetar recursos na obra, como fez no trecho Oeste. O
ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento anuncia em fevereiro de 2005 acordo para investir R$ 750 milhões em parcelas anuais de R$ 140 milhões.

- Diante do corte de 90% na verba para 2006, o governador Alckmin, pré-candidato à presidência anuncia em outubro a intenção de iniciar a obra com recursos próprios (R$ 380 milhões). O Ministério dos Transporte informa que apesar do corte mantém o acordo.

- O governo tenta obter a licença prévia para licitar as obras até abril de 2006, último ano da gestão Alckmin. Mas a primeira fase de licenciamento enfrenta problemas. A pedido do Ministério Público, a Justiça Federal manda o Ibama analisar o Estudo de Impacto realizado pela Dersa.

- Embora faça uma série de exigências difíceis de cumprir, o Ibama concorda com audiências públicas antes da conclusão do estudo de impacto ambiental. Moradores das áreas afetadas e ambientalistas protestam contra o traçado, que corta mananciais.

Atraso no repasse de verba virou rotina
Roney Domingos
Do Diário do Grande ABC

Investimento no trecho Sul do Rodoanel Mário Covas é um dos oito pontos prioritários da Carta do ABC, que os prefeitos da região entregaram ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em março de 2003. No primeiro ano do governo Lula, o Orçamento da União preparado pela gestão anterior, do tucano Fernando Henrique Cardoso, previa R$ 25 milhões para o Rodoanel, pagos no ano seguinte. Lula terminou de pagar o trecho Oeste, construído pelo antecessor.

Em 2004, o petista destinou R$ 17 milhões, dos quais R$ 10 milhões foram empenhados no mesmo ano e o restante, pago no segundo semestre de 2005. Mas ainda falta quitar os R$ 30 milhões de 2005.

Apesar de o
ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, prometer em fevereiro de 2005 que o governo federal investiria R$ 750 milhões no Rodoanel entre 2006 e 2010, ao passo de R$ 140 milhões por ano, a verba destinada à obra, na proposta orçamentária para 2006 é de R$ 14 milhões. E a verba prevista para 2007, no Plano Plurianual, é ainda menor, R$ 5 milhões.

Embora a ausência do governo federal prejudique o projeto, o principal responsável pelo trecho Sul do Rodoanel é o governo do Estado, que deve arcar com dois terços do valor da obra, segundo acordo que foi determinado em 1998, quando o presidente ainda era o tucano Fernando Henrique Cardoso.

 

Tribuna do Dia (Criciúma)

08/10/2005

Colunista Adelor Lessa

 
Lula confirma visita à 101

O presidente Lula foi ao encontro do deputado Jorge Boeira, ontem, durante reunião com toda a bancada federal do PT, e tomou a iniciativa de falar da BR-101. Palavras do presidente: "A duplicação da 101 é prioridade absoluta do meu governo. Eu vou lá ver a obra e quero inaugurar, pelo menos, um trecho."

 

 

Zero Hora (Porto Alegre/RS)

09/10/2005

Estradas

 

Caminhos abertos para a nova BR-101

Os canteiros de obras se espalham pelos 93 quilômetros de rodovia entre os municípios de Osório e Torres

 

Marcelo Gonzatto

 

 O aumento no ritmo da duplicação transformou a BR-101 em um canteiro de obras de 93 quilômetros em solo gaúcho. Mobilizando um contingente de 600 operários, a implantação se alastra entre Osório e Torres, no Litoral Norte, e aguarda apenas a colocação de asfalto em alguns pontos.

Enquanto no primeiro semestre a obra era mais visível entre Osório e Maquiné, mais ao Sul, nas últimas semanas os trabalhos de escavação, drenagem e terraplanagem rumaram para o Norte e chegaram à divisa com Santa Catarina.

O andamento mais intenso da obra, que até o mês passado consumiu R$ 44 milhões dos R$ 158 milhões previstos para este ano (27,8%), exige atenção redobrada dos motoristas para evitar acidentes. Caminhões carregados de terra cruzam a pista a todo momento, máquinas ocupam as margens em diversos locais e, por vezes, comprometem a utilização do acostamento.

 

Em janeiro, mais de mil homens devem estar na obra

 

Em Santa Catarina, o maior motivo de cuidado para os viajantes são as detonações que ocorrem em seis pontos diferentes, entre Santa Rosa do Sul e Palhoça, a fim de abrir caminho entre as rochas.

Na maior parte dos trechos gaúcho e catarinense, a ampliação se encontra na fase de terraplanagem da nova pista - embora os trechos em implantação se alternem com outros ainda intocados. Em alguns pontos, porém, já foram sobrepostas as camadas de areia, de pedra e de brita que formam a estrutura interna das rodovias. Neste locais, como nas imediações dos kms 85 e 90, em Osório, falta apenas a colocação da camada asfáltica.

- Devemos fazer os primeiros trechos de asfalto em novembro - diz o superintendente operacional da Construtora Bolognesi, Valmor Vasem.

Segundo o Departamento Nacional de Infra-estrutura em Transportes (Dnit), a chuva que tem paralisado operários e máquinas nas últimas semanas ainda não provocou danos ao cronograma da duplicação.

- Com o número de máquinas e homens que estão trabalhando, fica fácil recuperar o tempo perdido - explica o coordenador do Dnit no Estado, Marcos Ledermann.

Segundo Ledermann, a duplicação da BR no Estado se aproxima da marca de 15% de cumprimento do projeto. Em janeiro, a previsão do Dnit é de que mais de mil homens ajudem a construir a nova BR-101 e sepultar a fama da estrada da morte.

 

(marcelo.gonzatto@zerohora.com.br)

 

O ritmo da obra

R$ 44 milhões foram gastos

O Orçamento da União para este ano prevê R$ 158 milhões para a duplicação do trecho gaúcho da BR-101.

Deste valor, R$ 123 milhões (77,8%) estão empenhados, isto é, garantidos para aplicação. Isto representa 32% do custo total previsto para a ampliação da BR-101 no Estado - R$ 385 milhões

Até 30 de setembro, R$ 44 milhões (35,7% dos recursos empenhados para este ano) foram efetivamente gastos em obras e serviços de supervisão e gerenciamento da duplicação

Trecho a trecho

Lote 1 (Torres a Três Cachoeiras)

Recurso gasto: R$ 7,6 milhões (9,6%)

Lote 1.2 (Viadutos, pontes e passarelas na região de Torres)

Recurso gasto: R$ R$ 300 mil (1,3%)

Lote 2 (Três Cachoeiras a Rio Sanga Funda, em Terra de Areia)

Recurso gasto: 6 milhões (8,3%)

Lote 3 (Duplicação e construção de pontes e viadutos entre Rio Sanga Funda e Morro Alto, em Maquiné)

Recurso gasto: R$ 17,1 milhões (10,9%)

Lote 4 (Morro Alto, em Maquiné, a Osório)

Recurso gasto: R$ 4,1 milhões (12,9%)

 

 

Obras à espera da rodovia

 

 

Os primeiros moradores indenizados começam a fazer obras para se adaptar à estrada duplicada. Os comerciantes Daniel Rodrigues da Silva, 20 anos, e Nelson Berzagui, 44 anos, já preparam as fundações do seu novo mercado e de sua nova casa, já que os antigos imóveis foram desapropriados.

- Com a nova estrada, vai ficar bem melhor para nós - diz Silva.

O mercado de madeira será substituído por uma edificação de alvenaria. O construtor Darci Menotti, 48 anos, conta que há vários moradores interessados.

 

 

Chuva em SC atrapalha duplicação

Marcelo Becker/ Tubarão (SC)/Agência RBS

 

 

As obras de duplicação da BR-101 em Santa Catarina deverão se acelerar até o final do ano.

 

Depois de vencer impasses ambientais como o salvamento de sítios arqueológicos e a extração de jazidas para terraplanagem, o Departamento Nacional de Infra-estrutura Terrestre (Dnit) acredita que a evolução do projeto será visível nas próximas semanas.

O governo federal já aplicou cerca de R$ 30 milhões na obra no trecho catarinense até agosto, e outros R$ 250 milhões estão previstos para 2006. De acordo com o coordenador do Dnit em Santa Catarina, João José dos Santos, o único inconveniente recente surgido após o fim dos entraves burocráticos foi a seqüência longa de dias com chuva.

- Tivemos mais de 20 dias nessas condições e isso atrapalhou, mas com o retorno do tempo bom vamos recuperar esse atraso - promete o coordenador.

Além da retirada de cerca de 30 mil árvores, o visual dos 248,5 quilômetros da BR-101 em Santa Catarina foi modificado com a terraplanagem para a abertura de estradas paralelas e a colocação de canais de drenagem. As árvores retiradas vão passar por um processo de triagem e serão utilizadas na construção de casas populares por meio de um convênio entre o Estado e a União.

O projeto prevê 81 viadutos, três túneis e 23 travessias sobre rios.

 

( marcelo.becker@diario.com.br )

 

 

 

Moacir Pereira (A Notícia, Jornal da Manhã, O Estado)

10/10/2005

 

Empecilhos

Empreiteiras contratadas para a execução das obras de duplicação do trecho Sul da BR-101 continuam atuando em ritmo lento. São três as causas: falta de autorização para movimentar jazidas, áreas indígenas e desapropriações não-realizadas. Os empresários não têm dúvidas: o DNIT não terá como gastar os recursos previstos no orçamento de 2006.