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CARTAS - 19/02/2006
Radar
A
contratação de empresas, em regime de urgência,
para o Programa Emergencial de Trafegabilidade e Segurança nas
Estradas, batizado pela imprensa de operação
tapa-buracos, foi feita obedecendo a normas da Lei nº 8666, para
obras emergenciais (Radar, 15 de fevereiro).
Carlos
Marassi
Assessoria de imprensa – Dnit (9ª
Unit)
Curitiba, PR
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NACIONAL - 19/02/2006
Tapa-buraco não resolve situação das estradas
Além dos problemas causados pela chuva, que dificulta os reparos, muitas obras foram mal executadas
Rodrigo
Pereira
Pouco mais de um mês após o início da
operação tapa-buracos do governo federal, lançado
em tom de campanha pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva -
investimento de R$ 440 milhões -, algumas das principais
rodovias do País continuam apresentando péssimas
condições de trafegabilidade.
Além do
período de chuvas, que dificulta e torna menos eficientes os
trabalhos de reparos, muitas das obras foram mal executadas, algumas
empreiteiras utilizaram materiais impróprios e outras não
estão cumprindo o cronograma. Até obras sem contrato já
foram identificadas - o que é ilegal, apesar de a operação
ser classificada como emergencial e dispensar licitação.
Na
terça-feira o Estado publicou reportagem com foto do ministro
do Tribunal de Contas da União (TCU) Augusto Nardes segurando
uma placa de asfalto desprendida na BR-070, rodovia incluída
no plano de emergência do Mato Grosso. O ministro percorreu
1.045 quilômetros de rodovias no Estado e constatou falta de
contratos assinados e má execução de obras. "Não
é possível que as estradas continuem como estão",
disse, impressionado com o volume de tráfego de carretas
escoando o início da safra em rodovias tão precárias.
A operação no Mato Grosso prevê a recuperação
de 1.289 quilômetros de cinco rodovias federais, a um custo de
R$ 22,4 milhões.
Na Fernão Dias, que liga a
capital paulista a Minas Gerais, uma equipe da Delta Construções
S.A. refazia na quinta-feira os remendos no km 84, sentido São
Paulo. O trecho, que fica em São Paulo, passou por reparos em
9 de janeiro, primeiro dia da operação. "Aqui o
tráfego pesado é grande, não agüenta",
disse um dos operários.
Pouco adiante, outra equipe
ocupava duas das três pistas do km 87 para cobrir um enorme
buraco em estado crítico desde terça-feira. "Não
sabemos se foi infiltração ou uma galeria rompida",
esquivou-se um técnico da empreiteira. Ele confirmou,
entretanto, que há cerca de um mês haviam sido feito
reparos nos dois trechos.
Ao longo dos 120 quilômetros
percorridos pelo Estado na Fernão, novos buracos, remendos
desfeitos e sinalização deteriorada eram vistos com
freqüência. "É uma rodovia de tráfego
muito pesado, exige manutenção, não dá
para ficar retalhando", analisa a chefe do Departamento de
Transportes e coordenadora do Laboratório de Pavimentação
da USP, Liedi Bernucci, afirmando que isso deve se repetir em outras
rodovias.
No percurso, não foram encontradas mais
equipes da Delta, nem técnicos do Departamento Nacional de
Infra-Estrutura de Transportes (DNIT), órgão
responsável pela fiscalização, acompanhando as
operações - irregularidade apontada em outras rodovias
nas auditorias preliminares do TCU.
O contrato da Fernão
prevê a recuperação, em 90 dias, de 90,4
quilômetros de cada sentido das pistas, por R$ 360 mil. O DNIT
informou que o engenheiro responsável pela fiscalização
circulava pela rodovia na quinta-feira e outras duas equipes
trabalhavam no km zero da Fernão, sentido Minas.
Em
Minas Gerais, Estado com maior número de intervenções,
o TCU constatou que 80% não tinham contratos assinados. "Na
administração pública não existe contrato
verbal", observou o diretor-técnico do TCU mineiro, José
Reinaldo da Motta, que vê na irregularidade indícios de
serviço feito "à toque de caixa". Um auditor
do TCU local informou que há trechos em situação
considerada "calamitosa", como na BR-120 (em Ponte Nova),
BR-491 (Alfenas), BR-265 (Nepomuceno) e BR-369 (Campos Gerais).
Na
Bahia o TCU já notificou seis empreiteiras por atrasos no
cronograma das obras que podem ser multadas. Na BR-324
(Salvador-Feira de Santana), técnicos do TCU identificaram uso
de cascalho no lugar de massa asfáltica, método
irregular repetido na BR-242, entre Seabra e Ibotirama. COLABORARAM:
BIAGGIO TALENTO, EDUARDO KATTAH E NELSON FRANCISCO
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NACIONAL - 19/02/2006
No Rio, veio asfalto, mas ponte continua caída
Motivo de briga entre Rosinha e Lula, BR-101 continua com problemas
Felipe
Werneck
RIO
Transformada, no final do ano passado, em campo de
batalha entre os governos Rosinha Matheus e Lula, por sua precária
conservação, a BR-101 teve melhoras com a operação
tapa-buraco, mas outro grave problema continua. Mais de três
meses após a queda de uma ponte de 26 metros no km 229,5 da
BR-101 Norte, no município de Silva Jardim (RJ), a
reconstrução ainda não começou, apesar da
dispensa de licitação e das promessas do Departamento
Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (DNIT).
Logo após
o desmoronamento, em 8 de novembro, provocado por uma tromba d'água
no Rio São João, o DNIT deu prazo de 90 dias para se
consertar a obra. No dia seguinte, ampliou o prazo para 120 dias.
A
reportagem percorreu a estrada na quinta-feira, do Rio a Silva
Jardim. Nenhum funcionário trabalhava no km 229,5. Agora, o
engenheiro Rodrigo Costa, coordenador do departamento no Rio, diz que
a reconstrução levará pelo menos 60 dias. E só
começará após a retirada de uma ponte provisória
instalada pelo Exército, que deixou de ser usada com a
abertura de um desvio paralelo à rodovia.
A operação
tapa-buraco prevê a recuperação de 320
quilômetros (descontínuos) da BR-101 Norte. Até
ontem, o DNIT havia fresado e recapeado 38 quilômetros - 10 em
Manilha e 28 em Campos.
O trecho recuperado estava em boas
condições. Ao longo da estrada notavam-se muitas placas
informando que a obra é do DNIT. Segundo Costa, as obras serão
suspensas no carnaval "para evitar engarrafamento". A
primeira audiência pública sobre a proposta de
privatizar a BR-101 será no dia 6 e promete mais polêmica.
"Não é correto que os moradores paguem pedágio
para ir e voltar do trabalho", alerta o deputado José
Bonifácio (PDT).
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NACIONAL - 19/02/2006
Nem BR-070, próxima ao DF, está livre de buracos
Leonardo
Goy
BRASÍLIA
Apesar de já ter recebido os reparos
previstos pela operação tapa-buraco, um trecho da BR-
070 em Goiás, próximo à divisa com o Distrito
Federal, ainda tem buracos na pista. Eles podem ser vistos na altura
do km 10 do trecho goiano da estrada.
De acordo com
informações do Departamento Nacional de Infra-Estrutura
de Transportes (DNIT), em Goiás, os buracos surgiram com as
chuvas, após a execução das obras. Ainda segundo
o DNIT, os buracos serão tapados, pois os contratos prevêem
que as empresas encarregadas das obras façam a manutenção
das pistas por um período de seis meses.
A BR-070, que
liga Brasília a Cuiabá, passando por Goiás, teve
suas obras vistoriadas pelo ministro dos Transportes, Alfredo
Nascimento, no início da operação, dia 9 de
janeiro.
Com exceção dos buracos encontrados no
km 10, o trecho da rodovia no Distrito Federal (cerca de 20
quilômetros) e no início do trecho goiano não
mostram problemas significativos. Mesmo assim, um freqüente
usuário da estrada, o motorista de ônibus Geraldo
Carvalho, que faz a linha Brasília-Ceres (GO), reclamou da
qualidade dos serviços. "Em alguns lugares, a camada nova
de asfalto colocada nos buracos está muito alta. O ônibus
fica trepidando", disse.
A reportagem percorreu também
trechos das BRs 040 e 060, no Distrito Federal e no trecho inicial em
Goiás. Não foram encontrados problemas nos lugares onde
a operação tapa-buraco foi executada.
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ECONOMIA - 19/02/2006
Dinheiro para ano eleitoral
Apenas 20% da verba do Projeto Piloto de Investimentos (PPI) para 2005 foram usados. Agora, o governo aproveita para gastar tudo — R$ 5,4 bilhões, incluindo o novo orçamento — em 2006
Ricardo
Allan
Da equipe do Correio
No ano em que o eleitor brasileiro
escolherá quem vai comandar o país até o final
de 2010, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá um
caminhão de dinheiro trabalhando em favor dos seus planos de
conquistar um segundo mandato. Ao todo, o governo pretende investir
R$ 5,4 bilhões com recursos do Projeto Piloto de Investimentos
(PPI) em obras de infra-estrutura, que proporcionam grande
visibilidade eleitoral. Resultado de cálculo político
ou do ritmo normal da gestão pública, os pagamentos das
obras foram fortemente concentrados neste ano.
O governo nega
que o foco em 2006 tenha o objetivo de influenciar o resultado das
eleições. De acordo com a explicação do
Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão,
o fato se deve a dificuldades nos processos de licitação
no ano passado. Como os termos do PPI só foram acertados com o
Fundo Monetário Internacional (FMI) em janeiro, as
contratações só começaram a decolar a
partir de maio. A morosidade do Departamento Nacional de
Infra-Estrutura de Transportes (Dnit) também teria
atrapalhado.
As empreiteiras só iniciaram o trabalho em
meados do ano passado. Por causa do atraso no cronograma, 80% dos
investimentos previstos foram transferidos para este ano como restos
a pagar, num total de R$ 2,4 bilhões. Esses recursos se somam
aos R$ 3 bilhões previstos no orçamento de 2006, que
ainda não foi votado pelo Congresso. “Neste ano, estamos
entrando em velocidade de cruzeiro no PPI. O Brasil vai virar um
grande canteiro de obras”, prevê o secretário de
Planejamento e Investimentos Estratégicos, Ariel Pares.
A
estimativa é que toda a dotação orçamentária
seja efetivamente gasta neste ano, ficando pouca coisa para ser paga
no ano que vem. Segundo Pares, nunca houve tanto dinheiro disponível
para investimentos na área de transportes. Nas contas do
secretário, o Ministério dos Transportes contou com uma
média de R$ 2,1 bilhões para investir nos últimos
10 anos. Em 2006, a soma dos recursos do PPI e das obras fora do
programa chega perto de R$ 5 bilhões, que serão
aplicados principalmente na recuperação, duplicação
e construção de estradas e modernização
dos portos.
Pares acredita que o instituto da reeleição
trouxe uma dificuldade para prefeitos, governadores e o presidente:
como dissociar investimentos que precisam ser feitos do calendário
eleitoral. “O Brasil vai ter que aprender a lidar com isso. Se
os projetos parassem em ano eleitoral, a sociedade seria punida por
ter aceitado a existência da reeleição”,
diz. Os partidos de oposição, em especial o PSDB e o
PFL, têm reclamado da constante participação de
Lula em inaugurações de obras. O presidente chegou até
a estar presente no início da Operação
Tapa-Buracos.
Mais ambiciosos
Os projetos do PPI,
entretanto, são mais ambiciosos do que consertos emergenciais
nas estradas. O FMI permitiu que o governo aplique R$ 3 bilhões
do superávit primário (economia para pagar juros da
dívida pública) por ano em obras com retorno econômico
garantido – a experiência valerá até 2007,
quando os recursos devem subir para R$ 4 bilhões. No caso das
rodovias, por exemplo, o ganho é calculado levando-se em conta
fatores como a redução no desgaste dos veículos
submetidos à péssima conservação das
pistas, a velocidade do transporte de cargas, os custos de frete e o
número de acidentes evitados.
Dos 42 mil quilômetros
de estradas pavimentadas sob responsabilidade do governo federal, o
PPI atuará principalmente em 22 mil com piores condições
de tráfego. A intenção é, num período
de três anos, deixar pelo menos 34 mil quilômetros de
rodovias num estado considerado bom ou ótimo. O princípio
é tornar toda a extensão da rodovia trafegável,
mesmo que só alguns trechos venham a ser restaurados. “Não
adianta um caminhão pegar 60 quilômetros bons e 60 de
buraqueira”, avalia Pares.
A carteira de obras será
a mesma nos três anos de vigência do PPI, mas as dotações
orçamentárias são flexíveis. Projetos com
cronograma mais rápido de execução poderão
receber mais recursos para que a conclusão seja acelerada.
Obras lentas poderão ter suas verbas redirecionadas. Por
exigência do FMI, o controle dos gastos é feito de forma
mais rígida, com acompanhamento seguido de perto por um comitê
de gestão, formado por representantes dos ministérios
do Planejamento, Fazenda e Casa Civil.
Brasília
também ganha
Três obras previstas no PPI vão
melhorar o acesso rodoviário ao DF. Parte da BR-060, que une
Brasília a Goiânia, está sendo duplicada. O
trecho conhecido como Sete Curvas, que tem um alto índice de
acidentes graves, desaparecerá. Um caminho alternativo está
sendo construído. “Essa é uma estrada muito
importante para o desenvolvimento do DF porque faz a ligação
com a capital do maior parceiro econômico. As relações
tenderão a se intensificar”, diz o secretário.
Nos quilômetros da rodovia em Goiás e no DF, o governo
vai gastar cerca de R$ 40 milhões neste ano.
As saídas
sul e para o Nordeste também serão facilitadas com a
restauração das BRs 040 e 020. Para o secretário
Pares, além de aperfeiçoar a integração
física ao resto do país, as obras podem estimular
empresas a se instalar no DF, em virtude da melhora da logística
e da conseqüente redução dos custos do frete
rodoviário. Um dos principais objetivos do PPI é
baratear o frete, principalmente do escoamento da produção
agrícola, atividade em que o Centro-Oeste tem se notabilizado
nos últimos anos.
O PPI também prevê obras
na modernização dos portos brasileiros e expansão
das linhas dos metrôs de Belo Horizonte, Salvador e Fortaleza,
além do Fura-Fila, uma espécie de ônibus sobre
trilhos em São Paulo. Há previsão de construção
de 250 km da Ferrovia Norte-Sul, com custos totais de R$ 750 milhões
em dois anos. “São projetos que têm um impacto
maior na economia do que se os recursos fossem usados para abater a
dívida pública”, explica. Outros países,
como Chile, Colômbia e Peru, têm programas semelhantes.
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DINHEIRO - 19/02/2006
Investimento não atinge 40% do acertado com FMI
Acordo para excluir gastos do cálculo do superávit primário é subusado
HUMBERTO
MEDINA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Depois de negociar com o
FMI (Fundo Monetário Internacional) a exclusão de parte
dos investimentos em infra-estrutura do cálculo do superávit,
o governo gastou menos da metade do que poderia no primeiro ano de
execução do PPI (Projeto Piloto de
Infra-Estrutura).
Os projetos contavam com R$ 3,581 bilhões
para investimento em 2005. Desse total, cerca de 36% foram
liquidados. O próprio governo admite o atraso, mas avalia que,
até o final de 2007, quando se encerra o período
previsto para a execução das obras do programa, terá
conseguido mudar a situação e, então, tentará
fazer novo acordo com o Fundo Monetário Internacional nesses
moldes.
No jargão da administração
pública, existem três etapas de utilização
dos recursos: empenho, liquidação e pagamento.
Um
recurso é empenhado quando, por exemplo, foi realizada uma
licitação e foi assinado um contrato para a execução
de uma obra, que pode acontecer ou não.
A liquidação
acontece quando a obra é entregue ao governo, após
medição e fiscalização do serviço.
O
pagamento acontece quando o dinheiro efetivamente sai do caixa do
governo.
Por essa razão, o volume de recursos
liquidados é o melhor critério para medir a execução
de um programa, porque mede obras ou serviços entregues.
Em
termos de recursos empenhados, o desempenho do PPI em 2005 é
excelente: R$ 3,575 bilhões, quase 100% do total
disponível.
Apesar dos problemas iniciais, a avaliação
do Ministério do Planejamento é a de que o programa
está atingindo seus objetivos. "Não acho ruim o
[volume de recursos] liquidado que nós tivemos. Entre o evento
da decisão e o momento da conclusão da obra, muitas
vezes passam vários anos. Entre o evento da decisão e o
momento de iniciar a execução, em média dois
anos", afirma Ariel Garces Pares, secretário de
Planejamento e Investimento Estratégico do Ministério
do Planejamento.
Gargalos
Na avaliação do
governo, a própria estrutura da máquina pública
atrasou o PPI. "Quando nós iniciamos uma tarefa de
identificação das condições daqueles
projetos [do PPI], nos deparamos com dificuldades operacionais
sobretudo no Dnit [Departamento Nacional de Infra-Estrutura em
Transportes]. Nós nos demos conta de que o Dnit tinha sérias
dificuldades para fazer isso", afirma Pares.
"No
final de maio começamos a empenhar [os recursos]. Então,
tínhamos perdido cinco meses. De fato havia dificuldades, de
fato os recursos saíram mais tarde, mas acho que, quando
começaram a sair, saíram dentro do que havia sido
compromissado, que era ter uma execução de melhor
qualidade", avalia Pares. "Se não der certo,
perdemos uma oportunidade enorme."
Segundo a análise
do secretário, o Dnit, principal braço executivo do
governo na área de infra-estrutura, não estava
preparado para aumentar seu volume de investimento. Na média
histórica dos últimos dez anos, o órgão
investiu R$ 2,1 bilhões por ano. Esse volume dobrou em 2005.
"De um dia para o outro você injeta mais do que o dobro de
recursos. Os gargalos são óbvios, não tem
pessoal para fiscalizar obras, não tem pessoal para fazer
licitação, não tem pessoal jurídico para
fazer os recursos, não tem engenheiro, não tem nada.
Você não dobra uma instituição de um dia
para o outro", afirmou.
Atualmente, o Dnit está
fazendo concurso público e realizando um processo de
reestruturação.
Critérios
As obras
do projeto piloto com o FMI tiveram recursos de R$ 3,581 bilhões
em 2005. Desse total, no entanto, R$ 2,820 bilhões eram
recursos do PPI de 2005. O restante era dinheiro antecipado do PPI de
2006 ou que já havia sido separado no Orçamento para
essas obras e que, portanto, tem impacto no superávit.
Para
este ano, a previsão é de gastos de R$ 3 bilhões,
mais os restos a pagar de 2005.
Ao longo de 2005, os recursos
do PPI migraram entre várias obras em função do
ritmo de execução. Não interessa ao governo
repassar recursos do PPI para projetos que não tenham chance
de conclusão até 2007, quando o projeto piloto será
avaliado.
Nessas modificações, a construção
da eclusa da represa da hidrelétrica de Tucuruí foi
retirada da lista, e obras como a construção dos metrôs
de Fortaleza (CE) e de Salvador (BA), melhorias nas rodovias Fernão
Dias (que liga São Paulo a Belo Horizonte) e Régis
Bittencourt (entre São Paulo e Curitiba) e a ampliação
da ferrovia Norte-Sul entraram.
Obras importantes para o país,
como a pavimentação de um trecho da BR-163 entre Mato
Grosso e Pará, a transposição do rio São
Francisco e a ampliação da ferrovia Transnordestina não
fazem parte do PPI porque não podem ser concluídas até
o final de 2007.
As obras do PPI também precisam se
enquadrar em um critério mais amplo: se caracterizarem por um
investimento com taxa de retorno que justifique a exclusão do
volume de recursos da conta do superávit.
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OPINIÃO - 19/02/2006
Clamor público
Os
auditores do Tribunal de Contas da União (TCU) foram mais
ligeiros que os fiscais do Ministério dos Transportes. Pegaram
trechos de rodovias recém-consertadas, no Mato Grosso, e foram
ver como os remendos rodoviários se comportavam no reinício
do trânsito pesado. Um desastre. O material aplicado pelas
empreiteiras fora da pior espécie, não atendiam às
especificações mais camaradas. Os veículos
recomeçaram a fazer longos desvios, para chegar ao destino
pretendido, como se não tivera havido, na região,
nenhuma providência para a recuperação das
rodovias.
Bem poderia ser calculado o dano ao país, se
a situação achada em Mato Grosso se alastrasse para os
demais recantos do território, já que em todo o lugar
haverá uma estrada ou mais de uma para recolocar em condições
de escoar o tráfego rodoviário sem maiores vexames.
As
artérias por onde escorre a produção nacional
estavam em tão má situação que o governo
federal, atendendo aos clamores que se levantavam por toda parte,
resolveu tirar da algibeira alguns bilhões de reais para com
eles financiar as obras de recuperação mais urgentes. É
certo que a pressa é inimiga da perfeição, mas
embora urgentes as medidas para a recuperação das
rodovias federais, era de se prever que as autoridades se tomassem
dos mínimos cuidados na seleção das empresas
contratadas, da mesma forma como lhes incumbia - como incumbe em todo
e qualquer tempo - exigir delas a estrita observância das
especificações técnicas de cada uma das obras,
isoladamente, e de todas do enorme conjunto organizado.
Ocorre
que não se trata, apenas, de trechos "recuperados"
que voltaram a ficar pontilhados de buracos. Os agentes do Tribunal
de Contas verificaram, aqui, em Pernambuco, outro tipo de
irregularidade. O trecho da BR-232 entre S. Caetano e Arcoverde "não
teria a urgência prevista no Programa Emergencial do Ministério
dos Transportes", porém, está a receber recursos
do projeto tapa-buracos. Haverá contratos que não
mencionam o necessário desconto de 20% relativamente à
tabela de preços do Departamento Nacional de Infra-Estrutura
de Transportes (DNIT). A imprensa de modo geral concedeu o devido
destaque à opinião exarada pelo próprio ministro
dos Transportes,
Augusto Nardes, de que "achara indício
de irregularidades na Operação Tapa-Buracos em alguns
estados da Federação".
A recuperação
das estradas chegou ao ponto crucial de levantar da opinião
pública a adesão de uma quase unanimidade. Gerou-se em
torno
do oportuno serviço uma das expectativas mais
angustiosas jamais vista no país, porque o sangue que deveria
estar correndo nas veias do organismo nacional estancara em número
infinito de pontos.
Não se pode deixar que a Operação
Tapa-Buracos se transforme em mais uma decepção dentre
os enormes constrangimentos que, vez em quando, vitimam o crédulo
cidadão brasileiro. Há mister a tomada de enérgicas
providências saneadoras em Mato Grosso, em Pernambuco e demais
províncias da Federação incluídas no
Programa Emergencial para a recuperação das pistas de
rolamento que a intensa utilização e a falta de
manutenção regular deixaram em estado lamentável
e mesmo vergonhoso. Meias palavras de advertência não
bastam.
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CIDADES - 19/02/2006
BR-101 tem uma filmagem de registro
O trecho da BR-101 que está em obra de duplicação (RN, PB e CE) será filmado a partir de hoje por uma equipe contratada pelo Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transporte (DNIT). O chamado vídeo-registro, filmagem para efeito comparativo da evolução das obras, será realizado nos dois sentidos da rodovia. No Rio Grande do Norte, o trabalho vai começar hoje logo após as 8h no viaduto de Ponta Negra. A equipe seguirá até a divisa com a Paraíba e então retorna filmando em sentido contrário. O material será utilizado para avaliação dos serviços, antes e depois de executivos.