JORNAL DO BRASIL - RJ

BRASIL
23/01/2007

Um pacote para gastar 500 bi

Crescimento - Programa anunciado por Lula prevê impulso para a indústria da construção. Na área da habitação, serão atendidos 4 milhões de famílias

BRASÍLIA. Em dívida com milhões de brasileiros, por não ter pago no primeiro governo a promessa de criar e de promover a criação de 10 milhões de empregos, o presidente Lula anunciou ontem o Programa de Aceleração do Crescimento, que estima investimentos públicos e privados superiores a meio trilhão de reais até 2010, mas evitou citar uma nova meta de geração de postos de trabalho. A mesma atitude foi repetida por todos os ministros, embora o pacote impulsione sobretudo a indústria da construção, reconhecidamente grande empregadora de mão-de-obra.

Entre as medidas que interessam direta e imediatamente à população, a criação de empregos é uma das raras metas ausentes do PAC.

O programa prevê abastecimento de água tratada a mais 24,5 milhões de pessoas; serviços de esgoto para 25,4 milhões e de depósito adequado de lixo para mais 31,1 milhões de pessoas. Dos R$ 40 bilhões previstos para Saneamento Básico, R$ 4 bilhões serão aplicados em áreas hoje ocupadas por favelas e palafitas. Por conta das brigas entre a Cedae e o governo federal, o Rio entrará atrasado na disputa pelos recursos para abastecimento d'água e saneamento.

Mais de 23 milhões de pessoas, especialmente no Nordeste e no Centro-Oeste, serão atendidas com abastecimento de água bruta e de água tratada em conseqüência da execução de obras de infra-estrutura hídrica.

Os investimentos e financiamentos para construção e compra de moradias e também para urbanizar favelas deverão atender, em todo o país, a quatro milhões de famílias. Parte delas será beneficiada por subsídios, mas o governo desistiu da idéia de bancar até dois terços do valor da casa própria para famílias com renda mensal de até cinco salários mínimos.

O programa Luz para Todos, que busca universalizar a oferta de energia elétrica, será estendido a mais de 5,2 milhões de pessoas.

A capacidade de transporte por metrô e trens urbanos será ampliada para atender o equivalente a mais 609 milhões de passageiros ao ano em três capitais nordestinas, em Belo Horizonte e em São Paulo.

Os motoristas, promete ainda o governo, terão menos prejuízos e enfrentarão menos riscos hoje provocados pela precariedade das
estradas federais. Mais de 35 mil quilômetros de rodovias serão recuperados, adequados ou duplicados com dinheiro público; e outros 6,8 mil quilômetros serão construídos. No estado do Rio, o governo federal investirá na construção do Arco Rodoviário.

Aos usuários do transporte aéreo o PAC anuncia investimentos em 20 aeroportos, para aumentar em 40,3 milhões a capacidade de atendimento anual de passageiros. O aeroporto Santos Dumont será ampliado. No Tom Jobim, serão recuperados e revitalizados os sistemas de pistas e terminal de cargas.

Leia, até a página 7, os detalhes do Programa de Aceleração Econômica e as reações de governadores, parlamentares e empresários.

 

 

 

JORNAL DO BRASIL - RJ

RIO
23/01/2007

Operação chega até a BR-101

A Operação Divisa - conduzida desde a semana passada pela Força Nacional nas divisas do Rio de Janeiro com São Paulo, Espírito Santo e Minas Gerais - foi estendida ontem para a rodovia BR-101 (Niterói-Manilha), no posto da Polícia Rodoviária Federal (PRF), em São Gonçalo, na altura de Itaúna.

Em uma ação de apoio ao cerco que vem sendo feito pelos integrantes da Força Nacional nas divisas, cerca de 15 agentes da Receita Federal e da PRF fiscalizaram caminhões de carga que passavam em direção à Ponte Rio-Niterói. Não houve nenhuma apreensão.

Para o trabalho, além da checagem de documentos e placas, os fiscais utilizaram um caminhão-scanner dotado de um equipamento de raio-x de última geração, semelhante aos utilizados nos aeroportos, com capacidade de mapear o conteúdo de veículos com até 4,3 metros de altura. Até a tarde de ontem, mais de 20 caminhões haviam passado pelo 'pente-fino'.

- Como a operação está sendo muito divulgada, bandido que se preza não vai entrar com carga proibida no Rio agora - afirmou o auditor da Receita Federal, Carlos Falcão.

Segundo o chefe da 2ª Delegacia da Polícia Rodoviária, inspetor Guaraci Baldi, a BR-101 foi escolhida por ser um corredor de transporte de carga.

 

 

JORNAL DO BRASIL - RJ

RIO
23/01/2007

Câmeras desligadas prejudicam investigação de roubo na BR-040

Uma peça importante para as investigações do assalto à concessionária Concer, que administra a Rodovia Rio-Juiz de Fora (BR-040), foi perdida. As câmeras do circuito interno do prédio, invadido por uma quadrilha de 10 a 12 homens, estavam desligadas. A empresa alegou que estava trocando o sistema de vídeo.

Cerca de R$ 75 mil foram levados no roubo. Segundo rastreamento feito em uma das blazers, caracterizada como se fosse da Polícia Federal, os veículos seriam da favela da Grota, no Complexo do Alemão.

Vestidos como agentes da PF, os bandidos entraram no prédio da Concer procurando o tesoureiro Carlos Eduardo Saar, feito como refém junto a outro funcionário, Edmilson Soares.

- A quadrilha já sabia quem tinha a chave do cofre - disse Alexandre Ziehe, delegado da 61ª DP (Xerém). - Eles estavam tão confiantes que não se preocuparam em esconder o rosto. Infelizmente não poderemos contar com as fitas de vídeo do prédio para identificá-los.

Os reféns foram libertados logo depois, quando uma das picapes capotou. Eles prestaram depoimento ontem e farão hoje o retrato falado de integrantes da quadrilha.

Os bandidos fugiram a pé para a favela Beira-Mar. Oitenta policiais do 15º BPM (Duque de Caxias) entraram na comunidade às 5h para fazer operações de busca e nenhum dos envolvidos no roubo foi encontrado.

- Os moradores confirmaram que eles não são de lá - ressaltou o comandante do batalhão, tenente-coronel José Macedo.

Em setembro do ano passado, o Bingo Botafogo, na Zona Sul, foi roubado por uma quadrilha que usou blazers e uniformes semelhantes aos da PF. A polícia não confirma se há ligação entre os assaltos. Ontem, a 105ª DP (Petrópolis) mandou dois policiais para o Rio, onde vão investigar a quadrilha que, na madrugada de domingo, assaltou um ônibus de turismo, também na BR-040. Os bandidos ameaçaram incendiar os passageiros e levaram os seus pertences.

O policiamento na BR-040 foi reforçado pelo Núcleo de Operações Especiais da PRF. Na madrugada de ontem, 120 agentes da PRF de outros Estados chegaram ao Rio, onde vão colaborar com o cerco armado pela Força Nacional. Outros 180 policiais devem chegar nos próximos dias.

 

 

JORNAL DO BRASIL - RJ

INFORME JB
23/01/2007

Ajuda a Teotônio

Na quinta-feira, o assessor de Assuntos Federativos da Presidência, Vicente Trevas, desembarca em Alagoas com representantes de todos os ministérios para discutir como a União pode ajudar o governador Teotonio Vilela Filho, do PSDB, a tirar o Estado da crise. E, na semana que vem, quem chega lá são os ministros da Integração Nacional, Pedro Brito, e dos Transportes, Paulo Sérgio Passos.

 

 

JORNAL DO BRASIL - RJ

INFORME ECONÔMICO
23/01/2007

Pacote foi grande e boa surpresa

O PACOTE ANUNCIADO PELO GOVERNO causou grande surpresa no mundo empresarial e foi bem recebido pelos governadores. 0 presidente da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira, diz que Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) é muito positivo porque prevê investimentos de R$ 504 bilhões em quatro anos e ainda realiza uma significativa desoneração de tributos. Gouvêa Vieira lembra que os grandes pacotes econômicos que os governos sempre anunciaram no Brasil, nos últimos 30 anos, assustaram porque eram sempre aumentando a carga tributária, cortando investimentos e aumentando o aperto sobre as empresas e os trabalhadores. Este desonerou impostos e aumentou investimentos. 0 presidente da Firjan destaca também, como aspectos positivos para o Rio de Janeiro, a previsão de investimentos de R$1 bilhão na construção do Arco Rodoviário do Rio.

Outras obras

A construção de um trecho ferroviário denominado Trampo Norte, em São Paulo, vai beneficiar o
Porto de Itaguaí. São investimentos que não vão exigir nenhum centavo a mais da população e beneficiam o Estado. Para o presidente da Firjan, o PAC é um pacote que tem amplas possibilidades de fazer a economia crescer a mais de 5% ao ano. Ele considera que as suas metas ambiciosas são importantes para mobilizar a sociedade e mostrar que é possível crescer com taxas elevadas sem gerar inflação.

- 0 pacote tem um lado importante: mostrar que é possível sonhar com um crescimento a taxas elevadas - disse.

Rodovias

No setor de
rodovias, o PAC prevê investimentos de R$ 65 bilhões em quatro anos. Para o presidente da Associação Nacional das Empresas de Obras Rodoviárias (Aneor), José Alberto Pereira Ribeiro, se o governo conseguir realizar 50% dessas metas já será um grande resultado. Ele lembra que os governos, nos últimos 15 anos anteriores, só conseguiram investir R$ 1 bilhão por ano em rodovias.

Rodovias 2

Nos últimos três anos, o governo aumentou os investimentos em
rodovias para cerca de R$ 4 bilhões por ano. Agora, fala-se em R$ 15 bilhões por ano. Para José Alberto, o país vai crescer aceleradamente se realizar só esse volume de investimentos em rodovias previsto pelo PAC.

 

 

O GLOBO - RJ

ECONOMIA
23/01/2007

Pacote mais enxuto

Programa para fazer economia crescer tem R$ 503,9 bi e limite nos gastos públicos

BRASÍLIA Após mais de um mês de adiamentos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou ontem o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que marca, de fato, o início do seu segundo mandato. As medidas prevêem limite nos gastos públicos e investimentos de R$ 503,9 bilhões pelos próximos quatro anos em transporte, energia, saneamento, habitação e recursos hídricos. O objetivo do governo é combinar crescimento econômico com distribuição de renda e inclusão social. No entanto, apesar de ter pedido mais ousadia a sua equipe, Lula acabou anunciando um pacote de medidas mais enxuto do que era esperado em termos de desonerações tributárias para estimular investimentos.

Os recursos anunciados se distribuem em R$ 67,8 bilhões do Orçamento da União e R$ 436,1 bilhões das estatais federais e do setor privado.

A Petrobras, por exemplo, entrará com R$ 148,7 bilhões. Mas, de dinheiro novo mesmo, estimase que o PAC tenha apenas R$ 81,2 bilhões.

Definido pelo presidente como o maior programa estratégico de investimentos do Brasil nos últimos 40 anos, o PAC foi dividido em cinco blocos: infra-estrutura, medidas para estimular crédito e financiamento, melhoria do marco regulatório na área ambiental, desoneração tributária e medidas fiscais de longo prazo.

O conjunto de investimentos é o mais amplo e ficará sob a supervisão da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Há especial atenção para as partes de logística, com destaque para
rodovias, portos, aeroportos e hidrovias; energia, com geração e transmissão de energia elétrica, petróleo, gás natural e combustíveis renováveis; e a infra-estrutura social urbana, termo recém-criado que prevê recursos para saneamento, habitação e transporte urbano.

- O desafio agora é acelerar o crescimento da economia, com a manutenção destas e outras conquistas obtidas nos últimos quatro anos. É hora, acima de tudo, de romper barreiras e superar limites - disse o presidente da República. E emendou: - Antes que os porta-vozes do óbvio digam que falta isso e falta aquilo, esclarecemos que o pacote vai ser implementado em módulos.

Lula pediu o apoio do Congresso para a aprovação das sete medidas provisórias e dos cinco projetos de lei assinados ontem por ele.

Disse que a participação dos governadores nesse esforço para que o país possa crescer de forma mais vigorosa é fundamental e repetiu várias vezes a palavra democracia, lembrando que, sem ela, não há ambiente saudável para o crescimento.

As medidas foram bem recebidas pelos empresários que estavam ontem no Palácio do Planalto. Contudo, todos gostariam que o grau de desonerações fosse bem maior. Os governadores da oposição reclamaram de não terem sido consultados previamente.

 

 

O GLOBO - RJ

ECONOMIA
23/01/2007

Empresários esperavam desoneração maior

No lançamento do PAC, executivos elogiam iniciativa, mas cobram empenho do governo na execução do plano

Henrique Gomes Batista, Patrícia Duarte, Ronaldo D’Ercole e Mirelle de França
BRASÍLIA, SÃO PAULO e RIO. A maioria dos empresários convidados para a solenidade de lançamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) no Palácio do Planalto recebeu bem as medidas. Apesar dos elogios, alguns empresários disseram que o governo poderia ter oferecido uma desoneração fiscal maior. E cobraram empenho do Executivo para cumprir todas as promessas anunciadas ontem.

— Sabemos que nunca é fácil tirar idéias do papel, mas o conceito estratégico do PAC está muito bem elaborado — disse o presidente do grupo Gerdau, Jorge Gerdau Johannpeter.

Para Paulo Safady, presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), a criação do comitê gestor das medidas do pacote é o que pode garantir o sucesso do PAC: — Se algumas medidas saírem logo do papel, os resultados serão sentidos este ano.

Alguns empresários, contudo, se mostraram mais céticos. Para o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Rogélio Golfarb, os investimentos não virão automaticamente.

Para o presidente do Instituto Acende Brasil, entidade que reúne investidores privados no setor de energia, Claudio Sales, o plano, embora tenha pontos positivos, como a isenção de PIS/Cofins para novos projetos, ainda é insuficiente: — Essas medidas são um incentivo para os investimentos do setor privado, mas, se me perguntarem se é um incentivo com a velocidade e o volume necessários para atender à demanda do setor de energia elétrica na sua totalidade, eu digo que não.

‘O Brasil será outro se essas medidas forem cumpridas’ O presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, achou positivo o PAC, mas criticou a falta de corte de gastos públicos.

— A partir do momento em que se faz um programa direcionado ao crescimento, a partir do momento em que o presidente da República em todos o seus discursos fala em crescimento, começa a nos deixar satisfeitos — disse Skaf. — Sentimos que deveria se dar mais ênfase à questão dos gastos públicos e da eliminação de desperdícios do setor.

O presidente da Associação Brasileira da Infra-Estrutura e Indústrias de Base (Abdib), Paulo Godoy, mostrou otimismo: — O Brasil será outro se essas medidas forem cumpridas.

Se tudo isso acontecer, vamos resolver rapidamente os gargalos da infra-estrutura.

— O PAC dá margem para nós desenvolvermos mais projetos privados. Mostra que há compromisso do governo, e isso é fundamental — disse o presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), Paulo Camillo Penna, de um setor que pretende investir US$ 25 bilhões nos próximos cinco anos.

O presidente da Associação Brasileira das Concessionárias de
Rodovias (ABCR), Moacyr Duarte, reclamou que o capítulo que trata das concessões de rodovias federais não menciona a terceira fase do programa, que envolve seis mil quilômetros de estradas federais e já estava sendo analisada na Agência Nacional de Transportes Terrestres: — Estranhei que não tenha sido sequer mencionado, o que é muito negativo pois se está falando de um programa para os próximos quatro anos.

Para o coordenador do Núcleo de Logística da Fundação Dom Cabral, Paulo Rezende, o PAC é necessário, mas mantém indefinidas as garantias à iniciativa privada nos projetos de concessão de
rodovias ou de áreas dos portos. [1]

“Se começar a não acontecer, a gente aumenta a pressão com a sociedade organizada PAULO SKAF, presidente da Fiesp

“ O conjunto de obras listadas pode fazer uma diferença enorme ao desenvolvimento do país, se o PAC realmente for implementado e levado adiante com eficiência. Vamos acompanhar e cobrar
PAULO GODOY, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Base e Infra-Estrutura (Abdib)

É fundamental que todas as medidas entrem rapidamente em vigor e que o pacote seja acompanhado de medidas estruturais mais profundas. Caso isso não ocorra, o PAC e o governo correm sério risco de descrédito
ALFRIED PLÖGER, presidente da Associação Brasileira das Companhias Abertas (Abrasca)

 

 

 

O GLOBO - RJ

ECONOMIA
23/01/2007

Investimentos no Rio se concentram em energia

Dos R$ 81 bilhões destinados ao Sudeste, R$ 34 bi deverão garantir ao estado a auto-suficiência em petróleo

BRASÍLIA. Com sua vocação natural, o Estado do Rio receberá fortes investimentos na área de energia dentro do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) — algo próximo de R$ 40 bilhões. Em outros setores, no entanto, os desembolsos previstos para a região foram tímidos. Um exemplo é a área de transportes, com apenas R$ 1,016 bilhão nos próximos quatro anos, enquanto o total reservado para o país é de R$ 58,28 bilhões no período.

O PAC, divulgado ontem pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, traz investimentos de R$ 503,9 bilhões em infra-estrutura até 2010.

A área mais bem contemplada foi justamente a justamente a energética, com R$ 274,8 bilhões no total, com forte concentração na Região Sudeste (R$ 80,8 bilhões). Para o Rio, foram reservados R$ 34 bilhões, com o objetivo de garantir a auto-suficiência em petróleo, por meio da Petrobras.

Outros R$ 3,76 bilhões servirão para tirar do papel o Plano de Antecipação de Gás (Plangás), além de mais R$ 910 milhões para a construção de gasodutos.

Ontem, o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB) foi só elogios ao PAC. Para compensar a exclusão da linha 3 do metrô do programa, ele já admite recuperar a ligação ferroviária entre Niterói e Itaboraí. A idéia é transformá-la numa espécie de pré-metrô, que funcionaria em sinergia com as balsas que cruzam a Baía de Guanabara até o Rio.

— O ótimo é inimigo do bom. Não dá para querer que tudo seja realizado em quatro anos. O Rio sai muito bem atendido. Vamos buscar caminhos próprios e parcerias com o setor privados para crescer cada vez mais — defendeu o governador, um dos aliados de Lula.

Cabral viu outros benefícios no programa, como o fato de a Petrobras, responsável por 34% dos in ve st ime nt os do PAC, aplicar a grande maioria dos recursos no estado, que representa 80% do petróleo nacional. — Achei o projeto muito bem fundamentado. Tem uma visão logística de integração nacional. Visa à melhoria e à acessibilidade do sistema portuário brasileiro, aeroportuário, ferroviário, além de grande investimento no setor rodoviário — disse.

O arco rodoviário é outra obra que deve aquecer a economia fluminense, na opinião do governador. Ele acredita que o projeto vai gerar milhares de emprego pelas obras se estenderem do
Porto de Sepetiba e por percorrer as principais rodovias federais que cortam o Rio: Washington

“Fico satisfeito, como brasileiro e como governador, com o PAC apresentado hoje” SÉRGIO CABRAL FILHO Governador do Rio.

 

 

O GLOBO - RJ

ECONOMIA
23/01/2007

PALAVRA DE ESPECIALISTA

Mais empregos no estado

Apesar de a Linha 3 do Metrô (de Niterói a São Gonçalo e com possível extensão a Itaboraí) e a construção da usina nuclear Angra 3 não terem sido contempladas nos investimentos do PAC, a aposta em projetos como o Arco Rodoviário Metropolitano, a duplicação da BR-101 no trecho entre Rio e Itaguaí) e o Tramo Norte do Ferroanel de São Paulo vão criar importante fator de desenvolvimento para o Rio de Janeiro, gerando mais empregos no estado.

Para o especialista em geografia econômica da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) Floriano José Godinho de Oliveira, os investimentos vão impulsionar o crescimento no interior do estado através da interligação entre as malhas rodoviária e ferroviária.

Ele cita, por exemplo, a duplicação da BR-101, que vai ligar de forma mais eficiente a nova refinaria de Itaboraí ao
Porto de Sepetiba.

O Tramo Ferroviário Norte vai permitir que diversas composições vindas do Centro-Oeste cheguem ao Rio sem passar pelo interior de São Paulo.

— São investimentos produtivos que vão trazer benefícios para o Rio. Os custos com logísticas serão reduzidos, aumentando a oferta de emprego, já que as empresas vão se sentir mais seguras em investir.

O Arco Rodoviário trará agilidade entre os municípios da periferia da Região Metropolitana do Rio. O Rio vem perdendo capacidade industrial.

 

 

O GLOBO - RJ

ECONOMIA
23/01/2007

Trabalhador poderá usar FGTS em infra-estrutura

Daqui a dois anos, empregados poderão aplicar até 10% do saldo do Fundo; centrais sindicais ameaçam ir à Justiça

BRASÍLIA e SÃO PAULO. O governo decidiu, via medida provisória (MP), usar R$ 5 bilhões do FGTS para investir em projetos de infra-estrutura, e abriu a possibilidade de os trabalhadores aplicarem até 10% do saldo da conta vinculada em projetos dessa natureza, por meio de fundos de investimento que serão criados.

O processo será semelhante ao ocorrido com os fundos com ações de Vale do Rio Doce e Petrobras.

Os novos fundos só deverão ser abertos para aplicações dos trabalhadores daqui a pelo menos dois anos, segundo integrantes do Conselho Curador do FGTS.

Segundo André de Souza, assessor da CUT no Conselho, a presença do trabalhador nesse tipo de investimento só será permitida quando a obra estiver num estágio avançado e com rentabilidade real — para evitar que os trabalhadores fiquem em prejuízo no caso de um empreendimento malsucedido. Ele lembrou que os projetos no setor de infraestrutura demoram para serem concluídos. Para estimular os trabalhadores, o governo dará isenção do Imposto de Renda para quem deixar o dinheiro aplicado nos novos fundos por cinco anos.

— O projeto é sólido, mas não podemos colocar o dinheiro do trabalhador em risco — disse Souza, defendendo a proposta do governo.

A CUT admite ir à Justiça contra o fundo e apresentou condições ao Conselho Curador do FGTS para apoiar a criação do fundo de infra-estrutura, tais como: garantia de rentabilidade mínima para os recursos aplicados; participação de trabalhadores na gestão dos investimentos; e a exigência de contrapartidas em empregos na seleção de cada projeto financiado.

O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, que considerou o PAC tímido, foi mais incisivo: a central já decidiu entrar com a ação no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a criação do Fundo com dinheiro do FGTS.

— Isso acontecerá nos próximos dias — avisou.

SindusCon-SP protesta contra o uso de FGTS O fundo de investimentos com dinheiro do FGTS desagradou até à indústria da construção civil. O presidente do SindusCon-SP, João Claudio Robusti, classificou como preocupante a insistência do governo em levar adiante essa idéia.

— Os recursos do FGTS deveriam continuar sendo integralmente destinados à habitação e ao saneamento — disse Robusti.

A proposta do governo é criar um fundo de investimentos com os recursos para aplicar em obras de saneamento,
rodovias, ferrovias e portos.

O valor, segundo fontes do governo, poderá ser ampliado para R$ 17 bilhões. Atualmente, o FGTS tem uma sobra de caixa de R$ 21 bilhões, que é remunerada pela Selic. Estão fora desse total os valores que o FGTS precisaria para acertar as contas com todos os trabalhadores que fazem parte do fundo.

Mesmo a criação do fundo de investimento para infra-estrutura não será imediata.

Além da aprovação da MP, é preciso esperar pela regulamentação da Comissão de Valores Mobiliários e pela aprovação do regulamento pelo Conselho Curador. O Conselho também terá de nomear um comitê de investimentos que vai analisar e aprovar a participação nos projetos. O FGTS não poderá financiar mais de 30% do empreendimento e a rentabilidade mínima será a TR, mais 6% ao ano.

 

 

O GLOBO - RJ

ECONOMIA
23/01/2007

Obras em rodovias terão prioridade

Governo gastará R$ 33 bilhões, 57% do total no setor de transportes

BRASÍLIA. O governo elegeu as obras em rodovias as principais do setor de transportes

Dos R$ 58,28 bilhões de investimentos previstos nessa área, R$ 33,437 bilhões (57,4% do total) serão destinados à construção, recuperação e duplicação de estradas do país. O restante (R$ 24,843 bilhões) será usado em ferrovias, portos, aeroportos, hidrovias e projetos da Marinha Mercante.

A idéia do governo, ao escolher 72 projetos prioritários — sem contar as sete concessões que pretende fazer — é elevar a eficiência produtiva, fortalecer áreas com fraco desenvolvimento e buscar maior integração sul-americana. No entanto, os projetos listados ontem já estavam sendo geridos pelo Executivo e eram esperados pelo setor privado.

— Não tem surpresa porque são projetos esperados, mas tem surpresa na decisão de empenho do governo. Com essas obras no PAC, há garantia de prioridade e de que serão executadas — disse o
ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos.

O Sudeste receberá R$ 6,1 bilhões, com nove projetos em
rodovias, seis deles em Minas.

São Paulo terá quatro obras, com destaque para o trecho sul do Rodoanel, que demanda R$ 1,2 bilhão. O governo também voltou atrás e decidiu abrir a concessão de sete trechos de
rodovias, totalizando 2.601 quilômetros e investimentos de R$ 3,8 bilhões. Esses recursos, disse Passos, serão os únicos privados do PAC no setor. A ministrachefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, entretanto, disse que os empreendimentos em rodovias serão basicamente privados: — Haverá licitação para a concessão de rodovias. É muito mais barato e o objetivo é garantir o menor custo. [1]

 

 

 

 

 

FOLHA DE S. PAULO - SP

MERCADO ABERTO
23/01/2007

PAC se diferencia pela vontade política, afirma Mantega

O PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), anunciado ontem pelo governo, nasce debaixo de algumas dúvidas e desconfianças. Nos últimos anos, diversos governos tentaram planos mirabolantes como esse, alguns mais, outros menos ambiciosos, mas o objetivo sempre foi o mesmo, incentivar o investimento para aumentar o crescimento do país. Nenhum cumpriu o programado.

A maior desconfiança em relação ao plano diz respeito à questão fiscal, mas talvez esse não seja o maior problema de um plano cujo principal objetivo seja criar estímulo para ampliar o investimento público e privado no país. A grande dúvida é se o governo terá condições de financiamento e gestão para levar o plano até o fim.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, diz que, desta vez, o programa será para valer. Segundo ele, o problema dos outros planos no passado não foi a implementação, mas a falta de vontade política. Nos passados, a Fazenda sempre deu prioridade ao ajuste fiscal para cumprimento das metas de superávit primário, e os investimentos acabavam sacrificados.

"Os ministros da Fazenda sentavam em cima do dinheiro e cortavam investimentos." Mantega não inclui nessa avaliação o primeiro mandato do governo Lula, que teve Antonio Palocci à frente da Fazenda a maior parte do tempo.

Outro problema, e talvez o mais complicado, é a gestão. Há anos sem investir, a máquina governamental pode não estar preparada para gerir um programa que pretende promover R$ 504 bilhões em investimento em infra-estrutura até 2010.

Mantega diz que o governo está fazendo reestruturações internas para aparelhar a máquina e adequá-la para a nova fase. Uma delas será no
Ministério dos Transportes. Também serão criadas comissões para acompanhar de perto a realização das obras do PAC.

O ponto fraco do plano é a questão fiscal. Os cortes sugeridos são tímidos. Mantega diz que o governo tem, na verdade, pouco jogo de cintura para mexer no problema. Segundo ele, o governo tem reduzido despesas em setores em que não há restrições legais, como em gastos de viagens.

O ministro reconhece que o maior problema são as contas da Previdência. A longo prazo, diz que tendem a se deteriorar, seja pelo envelhecimento da população ou pela redução das contribuições. "Nos próximos 30 anos, as contas da Previdência vão desandar." Ele afirmou que é um problema mundial.

Dessa forma, disse que deposita esperança no Fórum da Previdência, anunciado ontem e que será criado em março, com a participação de governo, empresários e trabalhadores.

Mantega disse que o governo prefere, por enquanto, não dar sua opinião sobre o tema, embora tenha sugestões. "Há idéias até do Appy", diz, referindo-se a Bernard Appy, secretário-executivo da Fazenda. Ele acha que a solução para o problema tem de partir de uma discussão com a sociedade. "O governo não pode impor uma idéia de baixo para cima."

O sucesso do PAC depende de muitos fatores, mas é fundamental que o país cresça a taxas maiores para que todas as obras sejam tocadas. Para isso, o governo terá de torcer muito para o cenário continuar favorável a fim de que os juros sigam em queda e se possa, com isso, elevar as despesas. "Se o país não crescer a 5%, todos estaremos perdidos", diz Mantega.

FOLHA DE S. PAULO - SP

DINHEIRO
23/01/2007

Transportes anuncia obras já previstas

Ao anunciar as melhorias logísticas previstas no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), o ministro dos Transportes, Paulo Sérgio de Oliveira Passos, apresentou como "novas" mais de 30 obras já previstas no Plano Plurianual lançado no segundo ano do governo Lula.

Se valesse o escrito no plano, elas deveriam estar prontas até dezembro.

O planejamento do PAC reservou duas "novidades": a BR-163, cuja pavimentação seria um dos emblemas da parceria entre governo e iniciativa privada, será paga com o Orçamento. E foi retomada a concessão de sete
rodovias, entre elas a Fernão Dias, que tinham sido suspensas pelo governo.

Nas contas do ministério, a iniciativa privada vai injetar R$ 16,7 bilhões nas
rodovias até 2010, seja em manutenção ou em investimentos exigidos nas concessões. Não há certeza, porém, se o governo conseguirá convencer empresas sobre os projetos.

A pavimentação da BR-163, por exemplo, seria uma PPP (Parceria Público-Privada) parcialmente patrocinada por exportadores de soja do Centro-Oeste. Mas não saiu do papel em quatro anos pois seria muito cara mesmo para os sojicultores.

Para o ministro, a diferença do PAC está nas novas formas de financiamento. A maioria delas composta por fundos e investimentos públicos.

"A novidade é que vamos tocar agora. Estavam previstas [as obras], mas agora é que efetivamente faremos. Estamos falando de um novo patamar de investimento."

O Nordeste será a região que receberá o maior montante de investimentos em
transportes - R$ 7,3 bilhões. Em seguida, vem as regiões Norte (R$ 6,2 bilhões), Sudeste (R$ 6,1 bilhões), Sul (R$ 3,9 bilhões) e Centro-Oeste (R$ 3,5 bilhões).

 

 

O ESTADO DE S. PAULO - SP

NOTAS E INFORMAÇÕES
23/01/2007

O novo espetáculo do crescimento

Discurso e foguetório não faltaram na apresentação, ontem, do pacote econômico prometido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva como 1º ato do novo “espetáculo do crescimento”. Aberto o embrulho, no entanto, confirmou-se a previsão de um conteúdo medíocre, mal disfarçado pela mistura de investimentos do governo, de estatais e do setor privado - alguns prometidos, outros programados e alguns não mais que desejados. A decisão de inflar o pacote, para torná-lo mais vistoso e mais volumoso - papel aceita tudo -, já bastaria para deixar desconfiados até os otimistas. Mas o conjunto é ainda mais preocupante, porque traz marcas de velhas experiências custosas e malsucedidas.

No domingo, véspera do lançamento, o ex-ministro e deputado eleito Ciro Gomes anunciou à imprensa um programa de R$ 500 bilhões, formado por investimentos do Tesouro, de estatais e de empresas privadas. Ele saía de uma reunião com o presidente e vários ministros no Palácio da Alvorada. Desse total, mais de R$ 300 bilhões sairão do governo e de estatais e serão destinados principalmente ao setor energético. Excluídos os investimentos da Petrobrás - 40% desse total -, ninguém explica onde o governo irá buscar o resto.

No caso da Petrobrás, a novidade não é o valor, mas a sua inclusão no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Afinal, muito antes a empresa havia divulgado seu plano de longo prazo, com investimentos volumosos no Brasil e no exterior, formulado antes da reeleição do presidente Lula.

No essencial, o pacote não é muito mais que uma compilação de velhos projetos acrescidos de alguns incentivos setoriais e de promessas de investimento. Saneamento, energia e
transportes são as áreas definidas como prioritárias para os projetos do governo e das estatais. Estão previstos, além disso, estímulos (desonerações tributárias) para ampliação de capacidade produtiva do setor privado, mas com alcance restrito. Nesse aspecto, o PAC é um prolongamento da política de pequenas facilidades fiscais concedidas de modo mais ou menos arbitrário no primeiro mandato. Mais uma vez o governo do presidente Lula evitou as questões mais importantes e mais complexas. No primeiro mandato não houve nenhuma grande mudança institucional e estrutural - nada comparável à desindexação da economia, à reordenação das finanças estaduais e à aprovação da Lei de Responsabilidade Fiscal, alterações produzidas entre 1994 e 2000.

A reforma tributária, deixada para o governo eleito em 2002, não foi atacada, e o projeto em tramitação no Congresso é muito ruim, segundo especialistas. Mas o ministro da Fazenda limitou-se a anunciar, ontem, a intenção de abrir um debate com os governadores a respeito do assunto. Mantega mencionou, também, a formação de um fórum para discussão da Previdência - mais uma questão crucial jogada para a frente.

O ministro anunciou, além disso, a intenção de manter a meta de superávit fiscal equivalente a 4,25% do Produto Interno Bruto, mas não disse como vai compatibilizar esse objetivo com a elevação do investimento e com a concessão de bondades tributárias. Não há sinal de contenção do gasto corrente - já inflado pelas bondades salariais com reflexos na folha de pessoal e na Previdência.

“É tempo”, disse o presidente Lula, “de acumularmos matéria-prima de sonho e de utopia.” A conclamação seria mais sedutora se o governo mostrasse coragem para enfrentar as mudanças mais ambiciosas e mais complexas e revelasse, ao mesmo tempo, o realismo indispensável a qualquer bom planejamento. Da coragem não há sinal, e não se pode falar em realismo quando as projeções fiscais do ministro da Fazenda têm como pressuposto um crescimento econômico de 4,5% neste ano e de 5% nos três próximos. E se esse crescimento não se confirmar? A utopia do reformador é uma força propulsora da ação, não um substituto da aritmética e do realismo. No caso brasileiro, estão em falta os três ingredientes - a aritmética, o realismo e o reformador.

Em suma, ao que tudo indica estamos diante de mais um “daqueles programas que o governante anuncia, anuncia, anuncia e anuncia e termina o mandato e vocês não vêem”, que Lula - citado em editorial de ontem - dizia que não queria que fosse.

 

 

 

O ESTADO DE S. PAULO - SP

ECONOMIA & NEGÓCIOS
23/01/2007

Pacote terá R$ 503,9 bi para projetos de infra-estrutura

Energia ficará com R$ 274,8 bilhões; para saneamento e habitação, R$ 170 bilhões

O pacote anunciado ontem pelo governo Lula prometeu dispor de R$ 503,9 bilhões em recursos da União, das estatais e de empresas privadas para a execução de projetos de infra-estrutura entre 2007 e 2010. Orientado para estimular a atividade econômica em cada região do País, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) destinará a maior fatia de recursos - R$ 274,8 bilhões - para a diluição dos riscos de outro “apagão” no Brasil e a consolidação de um modelo de auto-suficiência em energia não renovável. Outros R$ 170,8 bilhões serão vinculados a projetos de saneamento e de habitação e mais R$ 58,3 bilhões para obras de transportes.

Em mais de uma hora de exposição, no Palácio do Planalto, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, explicou que houve preocupação do governo em distribuir regionalmente os projetos e de conectá-los entre si. A afirmação serviu de argumento para seu apelo em favor do engajamento dos governos estaduais na execução dos projetos. “Uma das premissas do PAC será afirmar aos governadores que o programa é de interesse deles”, assinalou, diante dos 23 governadores e dois vice-governadores presentes.

Na lógica da regionalização, a maior parte dos recursos coube a projetos de impacto nacional, que consumirão R$ 180,5 bilhões dos R$ 503 bilhões nos quatro anos do segundo governo Lula. O Sudeste ficou com a segunda maior fatia, de R$ 130,5 bilhões, seguido pelo Nordeste, com R$ 80,4 bilhões. Para a região Norte, foram reservados R$ 50,9 bilhões e para o Sul, R$ 37,5 bilhões. O Centro-Oeste receberá R$ 24,1 bilhões.

Um grupo gestor será criado para monitorar a implantação das obras e será composto pela Casa Civil e os Ministérios do Planejamento e da Fazenda. Mas terá, segundo Dilma, interface com os Estados e os empresários - duas instâncias das quais o governo dependerá para ver realizado seu plano.

HERANÇA

Os R$ 503 bilhões serão distribuídos em metas destacadas no PAC. Mesmo que haja total parceria do setor privado, parte das obras deverá virar herança da gestão Lula para o sucessor. “Até pela experiência do apagão e da inexistência de projetos deixados pelo governo anterior, vamos fazer um esforço para legarmos um portfólio de projetos para o próximo governo.”

Na área energética, foram previstas 79 obras para a produção adicional de 12.386 megawatts (MW) até 2010 - semelhante à da Usina de Itaipu - e de mais de 27.420 MW depois 2010, último ano do governo Lula. O PAC prevê ainda a construção de 13.826 quilômetros de linhas de transmissão até 2010, destacada em 37 projetos, e de mais 5.257 quilômetros nos anos seguintes. Essa meta significará um acréscimo de 23% em relação à atual rede.

Também é objetivo do PAC levar eletricidade para mais 5,2 milhões de pessoas e saneamento básico para 22,5 milhões domicílios, permitir a aquisição da casa própria por 4,6 milhões de famílias, abastecer com água potável e irrigação 23,9 milhões de pessoas e atender, por ano, 609 milhões de passageiros do metrô.

O plano prevê a integração do Rio São Francisco com as bacias hidrográficas do Nordeste, o abastecimento de água para 24 microrregiões e 22 projetos de irrigação. Traz ainda planos de revitalização das bacias do Rio São Francisco e do Parnaíba e a construção de oito linhas de metrô e de um corredor de transporte coletivo.

Na área de
transportes, o PAC engloba 69 obras de construção e recuperação de 45.337 quilômetros de rodovias e de 2.518 quilômetros de ferrovias. Inclui ainda a modernização de 12 portos marítimos e a construção de 67 portos fluviais e de uma eclusa em Tucuruí. Por fim, estão previstas 12 novas obras e a conclusão de outras 10 para a elevação da capacidade de 20 aeroportos.

 

 

 

 

O ESTADO DE S. PAULO - SP

ECONOMIA & NEGÓCIOS
23/01/2007

Linhas do BNDES terão redução de spreads

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) promoveu cortes entre meio e um ponto porcentual nos spreads básicos para financiamentos destinados aos setores de geração, transmissão e distribuição de energia, produção e distribuição de gás, ferrovias, portos, aeroportos, rodovias, saneamento e transportes urbanos. A medida, incluída no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), reduzirá o custo dos empréstimos concedidos pelo banco nessas áreas.

Segundo o presidente da instituição, Demian Fiocca, o BNDES tem hoje na carteira R$ 90 bilhões em projetos de infra-estrutura. Desses, R$ 79 bilhões se enquadram nas novas regras. 'Queremos acelerar os investimentos em infra-estrutura', declarou Fiocca.

O spread básico é um dos três componentes do custo total cobrado pelo BNDES em seus empréstimos, que também inclui a TJLP e o spread de risco, destinado a cobrir perdas com inadimplência. Dos três, a TJLP, hoje em 6,5% ao ano, é o mais pesado. Já o spread de risco vai de 0,8% a 1,8% ao ano.

A partir de agora, projetos na área de infra-estrutura pagarão entre 0% (para investimentos no setor de
ferrovias) e 2% ao ano (nos investimentos destinados a concessões rodoviárias e distribuição de energia elétrica) a título de spread básico. Os demais componentes não foram alterados.

Para projetos dedicados à construção de hidrelétricas, haverá estímulos extras. Os prazos de pagamento dos empréstimos foram elevados para até 20 anos, dependendo do porte do empreendimento. Para grandes usinas, com capacidade de produção superior a mil megawatts, o prazo subiu de 14 para 20 anos. Para hidrelétricas abaixo dessa faixa, ele passa de 14 para 16 anos. Também foi ampliada a participação do banco em investimentos destinados à construção de hidrelétricas enquadrados no Project Finance, nos quais as garantias do empréstimo são os contratos de venda de energia.

É a segunda vez que o banco reduz spreads básicos desde 2005, quando decidiu dar tratamento diferenciado a investimentos considerados prioritários. As reduções mais elevadas, de um ponto porcentual, foram para projetos nas áreas de distribuição de energia elétrica e concessões rodoviárias, que caem de 3% para 2%.

 

 

O ESTADO DE S. PAULO - SP

ECONOMIA & NEGÓCIOS
23/01/2007

Investidor espera menos travas na infra-estrutura

Empresários consideram o PAC bem estruturado, mas alertam para a repetição de erros do passado, quando os projetos não saíram do papel

O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), anunciado ontem pelo governo, tem todas as condições de eliminar os principais gargalos da infra-estrutura brasileira e dar início ao processo de crescimento robusto da economia. Mas, para isso ocorrer, o País terá de ser ágil o suficiente para tirar do papel todas as promessas feitas e não repetir os erros do passado, em que vários planos foram anunciados com alarde e deixados apenas na gaveta.

'O governo pôs na mesa um cardápio de soluções. Agora só resta rezar para que as medidas saiam da teoria para a prática. Aí é que mora o perigo', afirma o presidente do Sindicato Nacional da Construção Pesada (Sinicon), Luiz Fernando dos Santos Reis. Na avaliação dele, o programa está muito bem estruturado e as premissas apresentadas pela ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, são perfeitas.

O PAC não trouxe nenhuma novidade em relação a novos projetos. Todos fizeram parte de apresentações de governos passados e até mesmo do atual, quando lançou o programa de Parceria Público-Privada (PPP). Na avaliação dos especialistas, esse é o reconhecimento de que as obras são realmente importantes para o futuro do País. 'Tudo é muito bem vindo para gerar crescimento. Mas temos de ficar vigilantes em relação à implementação dos projetos', afirma o diretor da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Saturnino Sérgio da Silva, que anunciou que a entidade quer criar um índice de efetividade das medidas. 'O Avança Brasil (plano de FHC) não foi pra frente por falha na execução.'

Entre as medidas mais elogiadas estão a ampliação de prazos de financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a desoneração do PIS e Cofins dos investimentos. 'Os investimentos no setor agora tem nome, sobrenome e endereço', enfatizou o presidente da Associação Brasileira da Infra-Estrutura e Indústrias de Base (Abdib), Paulo Godoy.

No setor portuário, a única queixa foi a manutenção da gestão dos
portos nas mãos das companhias Docas, disse o presidente da Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP), Wilen Manteli. Excluída essa questão, ele considerou positivas as medidas. O setor deve receber R$ 2,6 bilhões do Estado. Mas foram medidas administrativas que mais chamaram a atenção. Entre elas estão a solução dos conflitos de competência na área ambiental, segurança regulatória e a terceirização da dragagem dos canais de navegação.

Para Rodrigo Vilaça, diretor-executivo da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF), a liquidação da Rede Ferroviária Federal (RFFSA) é a que mais preocupa. 'O fechamento da Rede é importante, mas o governo deve assumir problemas deixados pela estatal. Hoje são as concessionárias que administram questões trabalhistas e ambientais deixados.'

Jorge Takahashi, presidente do Sindicato dos Armadores de Navegação Fluvial de São Paulo, achou tímida as medidas para o setor. Em quatro anos, o Estado deve investir só R$ 735 milhões em
hidrovias pelo País.

FRASE

Luiz Fernando Reis

Presidente do Sindicato da Construção Pesada

'O governo pôs na mesa um cardápio de soluções. Agora,
resta rezar para que as medidas saiam da teoria para a prática'

 

 

O ESTADO DE S. PAULO - SP

ECONOMIA & NEGÓCIOS
23/01/2007

Programa lembra esforço do Avança Brasil, de FHC

O dilema de alavancar a atividade econômica brasileira levou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a anunciar, em clima de alta expectativa, um programa que lembrou o esforço de seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso, no período pós-crise de 1999. O Avança Brasil foi lançado por FHC no fim de agosto de 1999 - seis meses depois da mudança da política cambial e da severa desvalorização do real - e deixou alguns remanescentes de seus 365 projetos para o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) exposto ontem por Lula.

Entre as obras que passaram do Avança Brasil para o PAC estão pelo menos seis
rodovias. A primeira é a duplicação do trecho de Belo Horizonte a Governador Valadares da BR-381. Outro caso é a duplicação da BR-153, na divisa de Mato Grosso e Goiás. Também consta do PAC um projeto para o qual o Avança Brasil previa a conclusão em 2008 - a duplicação da BR-101, no trecho entre Palhoça (SC) e Osório (RS).

Resistiram ao tempo as obras de duplicação da BR-060, de Brasília (DF) a Anápolis; da BR-070, do Distrito Federal a Águas Lindas (GO), e da BR-153, de Aparecida de Goiânia a Itumbiara (GO).

No setor de geração de energia elétrica, o Avança Brasil apostou na construção de termoelétricas. O PAC de Lula investe mais pesado nas hidrelétricas - inclusive naquelas que seu antecessor preferiu não incluir por causa das dificuldades para obter licenças ambientais e de investimentos privados. O PAC listou hidrelétricas de execução complicada, como a de Belo Monte (PA), e incluiu projetos no Rio Madeira (RO) com risco de confusão diplomática com a Bolívia - as hidrelétricas de Jirau e de Santo Antônio.

Embora a ministra Dilma Rousseff tenha insistido que nunca na história do Brasil houve um plano com preocupação regional, o Avança Brasil seguia a mesma lógica. Mas, em vez de apontar os projetos por região, o plano de FHC os organizou em eixos de integração da infra-estrutura existente e sua melhor aplicação ao desenvolvimento regional. O projeto de FHC envolveu R$ 317 bilhões em investimentos para 2000 a 2003, a serem executados por parcerias entre os setores público e privado, com um leque de projetos mais amplo que o do PAC.

DENISE CHRISPIM MARIN, LU AIKO OTTA e SÉRGIO GOBETTI

 

 

O ESTADO DE S. PAULO - SP

METRÓPOLE
23/01/2007

No terceiro dia, Força Nacional se desloca para a Rio-Santos

Secretário da Segurança do Rio pediu helicóptero do Exército para fazer o transporte de tropas

Depois de se concentrar nas regiões norte e do médio Paraíba, a Força Nacional de Segurança deverá se concentrar na BR-101 (Rio-Santos), no trecho de Paraty, no litoral sul, na divisa com São Paulo. Até amanhã, será divulgado o primeiro balanço da operação, iniciada no sábado.

Parte do grupo que está baseado em Barra Mansa, com 40 militares, começaria a se deslocar ontem à noite para Paraty. Até as 19 horas, não estava definido se eles entrariam em ação ainda de madrugada ou somente pela manhã. O planejamento, idealizado em conjunto com a Secretaria de Segurança do Rio, prevê a cobertura de toda a divisa do Rio com São Paulo, Minas e Espírito Santo, tendo Parati como o ponto mais ao sul e Bom Jesus do Itabapoana, o extremo norte.

A tropa voltou ontem à Via Dutra e à BR-040 (Rio-Juiz de Fora), onde já havia estado no fim de semana. Montou barreiras e revistou veículos. Em Penedo, a chuva forte da tarde atrapalhou a operação, que teve de ser interrompida às 16h45, 15 minutos após iniciada, para não provocar acidentes.

A operação Divisa Integrada deverá contar com 40 cães farejadores, que serão cedidos pela Secretaria Nacional de Segurança Pública. A informação saiu da primeira reunião do Gabinete de Gestão Integrada, à qual compareceram representantes da segurança estadual e federal e da Prefeitura.

O secretário estadual da Segurança, José Mariano Beltrame, pediu ao Exército um helicóptero para transporte de tropas. Policiais rodoviários federais ganharam reforço ontem de uma equipe da Receita Federal, que se posicionou na BR-101, próximo a Niterói. Um caminhão do tipo scanner, equipado para fazer raios X em cargas, foi deslocado para lá.

A PM Rafaela Freitas Siqueira, de 21 anos, é a caçula da tropa da Força que está baseada em Barra Mansa. Lotada no 9º Batalhão da PM de Mato Grosso, ela vive o maior desafio dos seus três anos de carreira. Mãe de dois filhos, de 1 e 3 anos, ela nunca enfrentou um bandido; agora, encara a responsabilidade de evitar a entrada de drogas e armas no Rio.

 

 

GAZETA MERCANTIL - SP

POLÍTICA
23/01/2007

Programa pode garantir força política a Lula até 2010

Brasília, 23 de Janeiro de 2007 - Ao apresentar ontem seu ambicioso programa para o segundo mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva avisou que pretende influir em sua própria sucessão, em 2010. Na avaliação dos governadores aliados, Lula quer manter força política e eleitoral, mesmo não podendo mais ser candidato. "Em 2010 eu não estarei disputando mais a Presidência, mas quero entregar ao sucessor um País muito melhor do que aquele que recebi", disse Lula em reunião com 25 dos 27 governadores antes do lançamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), segundo relato do pernambucano Eduardo Campos (PSB).

"O próximo presidente pode estar aqui nesta sala", acrescentou o presidente, com o objetivo, segundo Campos, de desarmar resistências a um programa que pode fortalecer politicamente o governo federal. Não escapou aos governadores o fato de que o PAC privilegia obras no Nordeste e programas de saneamento, habitação e transporte urbano para a população mais pobre - a região e o setor social que mais fortemente apoiaram a reeleição de Lula em 2006.

"Lula está dando uma resposta a esse eleitor, mostrando de saída que mantém os compromisso de fazer o País crescer em benefício dos mais pobres", disse o governador petista de Sergipe, Marcelo Déda. Segundo ele, o presidente quer deixar uma "marca positivamente forte" do segundo período, diferenciando-o do primeiro, caracterizado pelo baixo crescimento econômico e sucessivas crises políticas. "O primeiro mandato foi de recuperação da economia, o segundo será o do crescimento para mudar o País", disse o governador de Sergipe.

A unificação dos projetos de infra-estrutura sob a marca do PAC também deve servir para identificar as ações do governo federal nos Estados. "Se tem uma coisa que incomoda os governadores é ver a marca do governo federal bem grande nas obras nos Estados. Com o carimbo do PAC, vai ser difícil esconder de onde vem o dinheiro", previu Eduardo Campos.

Entre os governadores do PSDB, a crítica mais comum está relacionada à arrecadação que perdem com a desoneração de tributos compartilhados entre União, Estados e municípios, como IPI, por exemplo. "Não participamos desse banquete de obras mas seremos lembrados na hora de pagar a conta", reclamou o tucano Cássio Cunha Lima, da Paraíba.
(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 14)(Reuters)

 

 

VALOR ECONÔMICO - SP

1º CADERNO
23/01/2007

PAC eleva investimento e corta superávit

Solenidade de lançamento do PAC, em Brasília: programa, que lista 37 medidas, das quais apenas 21 são novas e outras 9 já foram implementadas, prevê uma desoneração fiscal de investimentos do setor privado restrita a R$ 6,6 bilhões
O principal eixo do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), divulgado ontem, é a expansão do investimento público em até 0,5 ponto percentual do Produto Interno Bruto (PIB), à custa da redução do superávit primário do setor público. A desoneração fiscal de investimentos do setor privado ficou restrita a apenas R$ 6,6 bilhões, e as medidas que visam a conter a expansão de gastos correntes são tímidas e ainda incertas, pois dependem da aprovação do Congresso.

O programa lista 37 medidas, das quais apenas 21 são novas; outras 9 já foram implementadas, 2 estão em implementação e 5 estão em tramitação no Congresso. Algumas das medidas já implementadas, como o reajuste da tabela do IR, dão contribuição duvidosa para o aumento da capacidade de crescimento da economia.

Mesmo entre as 21 medidas novas, muitas se restringem a intenções - por exemplo, a criação de um fórum para discutir a reforma da Previdência Social com a sociedade, a cooperação com Estados e a criação de uma comissão interministerial para aperfeiçoar a governança corporativas das estatais.

O ponto central do pacote foi o anúncio do aumento de investimento - o governo anunciou R$ 503,9 bilhões ao longo de quatro anos. Mas os números devem ser vistos com cuidado: boa parte é gasto já programado por estatais, como a Petrobras, ou o dinheiro que bancos públicos e privados já iam destinar de qualquer forma para financiamentos habitacionais.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, explicou que R$ 67,8 bilhões virão do orçamento da União, e o resto - R$ 436,1 bilhões vêm de outras fontes. Dos R$ 67,8 bilhões que virão do Orçamento, R$ 52,5 bilhões foram incluídos no Programa Piloto de Investimentos (PPI), o que representa cerca de R$ 11,3 bilhões por ano, ou 0,5 ponto percentual do PIB. Mantega, disse que, se necessário, os investimentos podem ser abatidos do superávit primário, que nessa hipótese cairia de 4,2% para 3,75% do PIB. Mas fontes do governo admitem que provavelmente, não haverá tempo para gastar tudo.

Não foi anunciada nenhuma medida concreta para destravar o nó ambiental. Saiu apenas a intenção de enviar um projeto de lei que procura estabelecer as competências de União, Estados e municípios na área.

Na infra-estrutura logística, (
rodovias, portos, ferrovias, aeroportos etc.) serão gastos R$ 58,280 bilhões de 2007 a 2010. A maior parte do dinheiro sai do Orçamento, com R$ 33 bilhões, e os R$ 17 bilhões são financiamentos do BNDES. Entre os R$ 58,280 bilhões, estão os R$ 3,8 bilhões do que o governo espera que o setor privado invista em concessões de estradas.

Na área de energia, foram anunciados R$ 274,8 bilhões em quatro anos, mas o grosso dos projetos vai ser tocado pela Petrobras, com investimentos de R$ 179 bilhões. Não há de novo. A estatal apenas continuará a tocar seus antigos projetos.

A novidade foi a flexibilização dos requisitos do BNDES para fazer empréstimos na área, com maior carência e ampliação do prazo de amortização, reduzindo o custo de capital das empresas. A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, disse que a Eletrobrás irá participar sociedades de propósito específico (SPEs) com participação de até 49% no capital. Outra fonte de dinheiro novo - R$ 5 bilhões - é um fundo de investimento em infra-estrutura que será criado com recursos do FGTS.

Na área de habitação, os investimentos somam R$ 106,3 bilhões, o que significa a média anual de R$ 26,570 bilhões, não diferente das somas hoje aplicadas. Nos números do governo, estão R$ 42 bilhões ao longo de quatro anos que, espera-se, os bancos públicos e privados vão emprestar com recursos da caderneta de poupança, além de R$ 8,4 bilhões que pessoas físicas vão dar de poupança própria. O resto vem de fontes como Orçamento, FGTS e Estados e municípios. Ficou de fora, pelo menos por enquanto, o uso da multa adicional de 10% do FGTS para o subsídio de habitações para famílias com renda até cinco salários mínimos.

Para dar uma roupagem austera ao PAC, o governo incluiu medidas que visam a garantia a solvência do setor público no médio e longo prazo. São projetos que ainda dependem de concordância do Congresso. Um deles limita o aumento do salário mínimo à variação da inflação (IPCA) mais a média do crescimento real do PIB com dois anos de defasagem. O mecanismo tende a criar problemas num ciclo econômico recessivo, embora seja um avanço em relação aos aumentos reais concedidos em anos recentes.

Na área fiscal, de outro lado, o governo concedeu limite de R$ 7 bilhões para Estados e municípios tomarem financiamentos de habitação e saneamento. A desoneração dos investimentos, inicialmente estimada em R$ 12 bilhões, caiu para apenas R$ 6,6 bilhões justamente porque o governo preferiu aumentar o mínimo a incentivar investimentos privados.

 

 

 

VALOR ECONÔMICO - SP

1º CADERNO
23/01/2007

Para empresários, faltam garantias

A reação de empresários e economistas ao PAC teve pelo menos uma direção comum: a iniciativa do governo é elogiável, mas há muita incerteza sobre a eficácia das medidas anunciadas. A principal crítica é em relação a garantias aos investimentos.

Para Paulo de Tarso Resende, professor e coordenador de infra-estrutura da Fundação Dom Cabral, a execução do pacote até 2010 vai depender da boa vontade política, uma vez que diversas leis complementares ainda serão discutidas no Congresso. Para ele, agências reguladoras devem perder o caráter político e adotar isenção técnica para dar credibilidade ao plano. Ele quer garantias claras para investimentos privados.

As relações entre os setores público e privado também preocupam Newton Azevedo, presidente da Eco-Enob. "As agências devem oferecer um ambiente jurídico tranqüilo para a realização dos investimentos".

O presidente da MRS Logística, Julio Fontana, espera que as medidas possam acelerar as obras do tramo norte do Ferroanel (obra de 63 km de extensão que retira a passagem de trens de carga pelo centro de São Paulo). "Ainda não temos conhecimento do percentual a ser investido pelo governo na obra", afirmou.

Os fabricantes de veículos apóiam as medidas por entender que o pacote mantém as condições econômicas favoráveis, que têm ajudado no crescimento de vendas de carros no país. "Está claro para todo o mundo que haverá estabilidade, que a inflação continuará sob controle e que a taxa de juros continuará declinante", diz o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Rogelio Golfarb.

O coordenador-geral do Centro de Agronegócio da Fundação Getulio Vargas, Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura disse que a agropecuária brasileira se ressente de uma série de questões macroeconômicas que afetam sua condição competitiva. Entre elas, estão o alto custo do dinheiro, a tributação elevada, a infra-estrutura para escoamento de safras bastante desatualizada, e ausência de política de renda para o campo, além da necessidade de criação de empregos nos outros setores da atividade econômica que teria como conseqüência um crescimento da demanda por alimentos.

Para ele, "embora, surpreendentemente", o PAC não tenha "nenhuma medida específica em favor da agropecuária e do agronegócio, tem efeitos indiretos potencialmente favoráveis para o setor rural", como os investimentos em infra-estrutura, sobretudo
portos e estradas.

Para Rodrigues, a redução da TJLP e do spread do BNDES "também apontam para uma diminuição do custo do dinheiro, e espera-se que isto tenha um efeito residual para a melhoria da taxa de câmbio, no prazo mais longo".

Luiz Fernando Santos Reis, presidente do Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada (Sinicon), avaliou que o PAC é coerente e está bem estruturado, mas alicerçado em uma redução modesta da carga tributária para as empresas. Ele manifestou preocupação com a necessidade de órgãos do governo, como o Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes (
DNIT), se estruturarem para executar as ações previstas.

Moacyr Duarte, presidente da Associação Brasileira de Concessionárias de
Rodovias, lamentou que no anúncio do PAC a ministra Dilma Rousseff tenha voltado a insistir na redução das tarifas de pedágio. Ele disse que a discussão de uma tarifa teto de pedágio para sete trechos de rodovias sujeitos a concessão embute o risco de não aparecerem interessados caso o governo erre no cálculo.

Wilen Manteli, presidente da Associação Brasileira dos Terminais Portuários, achou boa a decisão do governo de acelerar obras de dragagem nos principais
portos do país. "É importante que esse serviço seja concessionado a longo prazo para que as empresas ganhadores respondam pela manutenção do calado (profundidade)". Para ele, faltaram medidas que mexam nas administrações portuárias. Manteli elogiou a decisão de alterar a lei das licitações. Segundo ele, há grandes empresas como Vale do Rio Doce, Cargill, Copesul e Aracruz interessadas em investir em terminais portuários se as licitações tiverem regras claras.

 

 

 

VALOR ECONÔMICO - SP

1º CADERNO
23/01/2007

Em transportes, várias obras já estavam previstas em governos anteriores

O governo federal colocou dentro do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) uma série de obras de infra-estrutura previstas em planos de desenvolvimento de governos anteriores. Com isso, alçou para R$ 58,2 bilhões a cifra de investimentos programados para obras em rodovias, ferrovias, portos, aeroportos, hidrovias e marinha mercante.

Boa parte das obras do PAC já estava prevista no Plano Plurianual de Investimentos - o PPA, lançado em 2000 pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso para o período que ia daquele ano até 2003, e retomado no primeiro mandato do governo Lula para o triênio 2004-07. Enquanto o
ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, anunciava as obras, uma a uma, ressaltando que a maioria delas era nova, um quadro, ao seu lado, sob o título PPA, mostrava que boa parte dessas obras já foram previstas em planos de desenvolvimento anteriores.

Para o Nordeste, o ministro anunciou que o governo irá duplicar a BR-101 de Natal a Feira de Santana, nas proximidades de Salvador. Há sete anos, FHC anunciou que a mesma rodovia seria duplicada de Natal a Aracaju. Passos justificou que a previsão de duplicação, antes do PAC, só ia até Palmares, em Pernambuco, e, por isso, trata-se de uma obra nova.

Na região Centro-Oeste, o ministro Passos falou da pavimentação da BR-364, também prevista no PPA de FHC, que era chamado de "Avança Brasil". O ministro especificou que, agora, será feita a pavimentação num trecho mais definido, que vai de Diamantino a Campo Novo dos Parecis. Em 2000, FHC disse, sobre esta mesma obra: "Quem for à Chapada de Parecis, no Mato Grosso verá o que está começando a ser feito - e já há alguma coisa feita - na 364."

O PAC prevê ainda a construção das eclusas de Tucuruí, no Pará. FHC também previu essa obra. "Esta eclusa vai permitir que a riqueza do centro do Brasil flua e saia, se quiser, pelo Pará", declarou o então presidente, em 2000, no lançamento do PPA.

O atual
ministro dos Transportes foi questionado, durante entrevista à imprensa, sobre quais obras eram realmente novas. Então, começou a fazer uma lista em que incluiu até o Rodoanel de São Paulo. "O trecho Sul é novo", disse o ministro, sobre a obra que já estava prevista no PPA de Lula para o triênio 2004-07.

O ministro também enfatizou a
Ferrovia Nova Transnordestina como obra nova. Ele disse que parte da obra, orçada em R$ 4,5 bilhões - a maior do Nordeste -, será feita por investimentos privados e o restante por fundos públicos, como o Finor e o FNDE. Há sete anos, FHC afirmou sobre a Transnordestina: "Vamos, sim, fazer a Transnordestina." O presidente Lula também incluiu a obra no seus planos iniciais do primeiro mandato.

Também estão no PAC as concessões de sete trechos de
rodovias federais, cujo processo de licitação foi suspenso pela ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, há duas semanas. O ministro Passos disse que essas obras "não foram suspensas", mas estão "em desenvolvimento", sendo reavaliadas pelo governo para, depois, entrarem em fase de execução.

O
Ministério dos Transportes anunciou que os R$ 58,2 bilhões previstos para a realização das obras de infra-estrutura do PAC estão divididos da seguinte forma: R$ 34 bilhões virão do Orçamento Geral da União, R$ 17 bilhões de financiamento público (em especial do BNDES) e o restante (R$ 7,2 bilhões) da iniciativa privada.

Para este ano, a previsão é de R$ 13,3 bilhões para obras. Isso significa que o governo terá de obter mais R$ 44,9 bilhões entre 2008 e 2010 para concluir as obras do PAC. Em
rodovias, R$ 33,4 bilhões terão de ser investidos até 2010 para o governo atingir a meta. Nas ferrovias, o governo anunciou a necessidade de R$ 7,8 bilhões em investimentos para construir 2,5 mil quilômetros. Em portos, deverão ser investidos R$ 2,6 bilhões. Nas hidrovias serão R$ 735 milhões para obras em 67 portos e em uma eclusa. Em 20 aeroportos do país serão investidos R$ 3 bilhões. (Colaborou Daniel Rittner).

 

 

CORREIO BRAZILIENSE - DF

ARI CUNHA
23/01/2007

Estradas

Jornais de todo o Brasil destacam desastres que ocorrem nas estradas. As explicações giram em torno de imprudência de motoristas ou defeito de carros. A verdade não pode ser escondida. Temos mais de 10 mil quilômetros de estradas em condições de perigo constante. Falta ao Ministério dos Transportes definir parâmetros para construção correta. O preço é alto e o produto é de pouca valia.

 

 

CORREIO BRAZILIENSE - DF

SR. REDATOR
23/01/2007

Rodoferroviária

Desde o longínquo 1981, o embarque e desembarque de ônibus interestaduais passou a ser feito de forma provisória na antiga estação ferroviária no final do Eixo Monumental. Apelidada pomposamente de Rodoferroviária, há exatos 26 anos convivemos com a pior rodoviária do país. Qualquer cidadezinha de 30 mil almas tem terminal rodoviário melhor que o de Brasília. Os governantes locais há décadas prometem um novo terminal. Precisamos urgentemente de uma rodoviária decente.

Custódio Evidalvino Amaro da Silveira Neto, Vicente Pires

 

 

JORNAL DE BRASÍLIA - DF

POLÍTICA
23/01/2007

Energia é prioridade

Dos R$ 503 bilhões de investimentos previstos no Plano, cerca de R$ 274,8 bi serão aplicados para evitar o risco de apagões no setor

O governo Luiz Inácio Lula da Silva prometeu dispor de R$ 503,9 bilhões em recursos da União, das estatais e de empresas privadas para a execução de projetos de infra-estrutura entre 2007 e 2010. Pacote orientado para estimular a atividade econômica em cada região do País, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) destinará a maior fatia de seus recursos, R$ 274,8 bi, para a diluição dos temores de um novo "apagão" no Brasil e a consolidação de um modelo de auto-suficiência em energia não-renovável. Outros R$ 170,8 bi serão vinculados a projetos de saneamento e de habitação e mais R$ 58,3 bi para obras de transportes.

A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, explicou que houve preocupação do governo em distribuir regionalmente os projetos e de conectá-los entre si. A afirmação serviu como pretexto para seu forte apelo em favor do "engajamento" dos governos estaduais na execução dos projetos. Na lógica da regionalização, a maior parte dos recursos coube a projetos de impacto nacional, que consumirão R$ 180,5 bi do bolo nos quatro anos do segundo governo Lula. O Sudeste ficou com a segunda maior fatia, de R$ 130,5 bi, seguido pelo Nordeste, com R$ 80,4 bi. Para a região Norte, foram reservados R$ 50,9 bi, e para o Sul, R$ 37,5 bi. Depois aparece o Centro-Oeste, com R$ 24,1 bi. Os R$ 503 bilhões serão distribuídos em metas já destacadas no próprio PAC. Mesmo que haja total parceria do setor privado para os projetos, uma parte das obras deverá transformar-se em herança de Lula a seu sucessor.

Energia
Na área energética, foram previstas 79 obras para a geração adicional de 12.386 megawatts até 2010, capacidade semelhante à da usina de Itaipu, e de mais de 27.420 megawatts depois de 2010, o último ano do governo Lula. O PAC prevê ainda a construção de 13.826 quilômetros de linhas de transmissão até 2010, destacadas em 37 projetos, e de mais 5.257 quilômetros nos anos seguintes. Essa meta significará um acréscimo de 23% à atual rede.

As medidas abrangem ainda investimentos já anunciados pela Petrobras, como o de atingir volumes de exploração de 800 milhões de barris ao ano e de produção de 2,6 milhões de barris ao dia até 2010, a partir da construção de sete plataformas.

Também estão nos planos da companhia ampliação da frota de petroleiros, com a aquisição de 70 navios até 2012, e a construção de gasodutos para permitir o transporte de 39,2 milhões de metros cúbicos ao dia. Esse cenário consolidaria a auto-suficiência brasileira no setor de petróleo e a independência do fornecimento do gás da Bolívia.

Social
Para a área social, o PAC fixou os objetivos de levar energia elétrica a mais 5,2 milhões de pessoas, saneamento básico a 22,5 milhões domicílios, permitir a aquisição da casa própria por 4,6 milhões de famílias, abastecer com água potável e irrigação 23,9 milhões de pessoas e atender, por ano, milhões de usuários no metrô. O plano prevê a integração do Rio São Francisco com as bacias hidrográficas do Nordeste, o abastecimento de água a 24 microrregiões e 22 projetos de irrigação. Traz ainda planos de construção de oito linhas de metrô e de um corredor de transporte coletivo.

Transportes
Ao anunciar as melhorias logísticas, o
ministro dos Transportes, Paulo Sérgio de Oliveira Passos, apresentou como "novas'' mais de 30 obras já previstas no Plano Plurianual lançado no segundo ano do governo Lula. Se valesse o escrito no plano, elas deveriam estar prontas até dezembro.

O planejamento do PAC reservou duas "novidades'': a BR-163, cuja pavimentação seria um dos emblemas da parceria entre governo e iniciativa privada, será paga com o Orçamento. E foi retomada a concessão de sete
rodovias, entre elas a Fernão Dias, que tinham sido suspensas pelo governo.

Nas contas do ministério, a iniciativa privada vai injetar R$ 16,7 bilhões nas
rodovias até 2010, seja em manutenção ou em investimentos exigidos nas concessões. Não há certeza, porém, se o governo conseguirá convencer as empresas. A pavimentação da BR-163, por exemplo, seria uma Parceria Público-Privada parcialmente patrocinada por exportadores de soja. Mas não saiu do papel em quatro anos pois seria muito cara para os sojicultores. Para o ministro, a diferença está nas novas formas de financiamento.

O PAC engloba 69 obras de construção e recuperação de 45.337 quilômetros de
rodovias e de 2.518 quilômetros de ferrovias. Inclui ainda a modernização de 12 portos marítimos e a construção de 67 portos fluviais e de uma eclusa, em Tucuruí. Por fim, estão previstas 12 novas obras e a conclusão de outras dez para a elevação da capacidade de 20 aeroportos.

Para empresários, bom início

O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) tem medidas capazes de induzir novos investimentos do setor privado, mesmo que o crescimento não chegue aos 4,5% a 5% ao ano pretendidos pelo presidente Lula. Mas, na avaliação de boa parte dos dirigentes empresariais, para que isso ocorra o governo terá de colocar em prática o conjunto de propostas para destravar a economia, entre as quais muitas dependem de aprovação do Congresso. "Vamos monitorar o cronograma do plano para que as intenções realmente acabem acontecendo", disse Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). "Se começar a não acontecer, vamos pressionar", afirmou. Segundo Skaf, o PAC atende a reivindicações que o setor privado vem fazendo nos últimos anos, como o aumento dos investimentos públicos em infra-estrutura, melhorias nas condições de crédito e desoneração.

O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Rogelio Golfarb, vê nas medidas anunciadas ontem uma sinalização positiva para o setor produtivo. "Não foi apenas um discurso do presidente, veio acompanhado de ações." Embora não inclua medidas específicas para a indústria automobilística, o PAC tem horizontes gerais para todo o setor produtivo que, na visão de Golfarb, criam quadro favorável para o crescimento e melhora o ambiente para investimentos. A indústria automobilística já anunciou mais de R$ 10 bilhões de investimentos até 2011.

Para Edgard Pereira, economista-chefe do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), o comprometimento do governo com os investimentos em infra-estrutura representa " uma sinalização no sentido de que os investimentos privados não seriam paralisados por um estrangulamento na oferta de energia ou da capacidade de escoamento".

Já o presidente do Conselho de Administração do Grupo Gerdau, Jorge Gerdau Johannpeter, acha que a sociedade e o Congresso devem apoiar as medidas para que tenham impacto na economia o mais rapidamente possível. "Quanto mais rápida for a execução do PAC, mais rápido teremos resultados."

Polêmica sobre ações

A possibilidade de o governo vender ações da União em empresas estatais para obter recursos para investimentos é uma das ações mais polêmicas do PAC. Favoráveis ou não à venda, economistas e sindicalistas ficaram surpresos com a possibilidade de o governo Lula vir a adotar a medida. Isso porque o PT sempre foi contra a venda de patrimônio público e crítico do governo tucano pela decisão de privatizar empresas de energia e de telecomunicações.

"O Lula está copiando o programa do PSDB e fala até em dilapidar o patrimônio do povo brasileiro. Nós só vamos aceitar venda de ações de estatais para os trabalhadores com recursos do FGTS, como já aconteceu no caso da Petrobras e da Vale", diz Paulo Pereira da Silva, presidente da Força Sindical.

Para Marcio Holland, professor de economia da FGV, a venda de ações de estatais seria a medida "mais ousada e interessante" do PAC, "já que daria recursos para o governo investir em infra-estrutura e seria uma forma de incentivar a participação da sociedade no mercado de capitais. Aplicar em ações do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal dá boa rentabilidade."

Na avaliação de Marcio Pochmann, economista da Unicamp, a venda de ações de estatais "seria uma medida temerária". A Central Única dos Trabalhadores (CUT) também vê com preocupação a venda de ações de estatais.

Riscos para o FGTS

O subsídio que o governo havia anunciado para aquisição da casa própria por trabalhadores de baixa renda ficou fora do PAC, mas o uso de recursos do FGTS para financiar obras de infra-estrutura, com risco para o patrimônio do trabalhador, foi incluído e pode atingir R$ 17 bilhões.

O governo também permitirá que os trabalhadores usem até 10% do dinheiro de suas contas do FGTS nos setores de energia, rodovia, ferrovia, porto e saneamento, como ocorreu com a Petrobras e a Vale. Essas aplicações serão isentas de Imposto de Renda.

Segundo o ministro Guido Mantega (Fazenda), ainda não foi concluída a negociação sobre o adicional de 10 pontos percentuais na multa recolhida ao FGTS por demissões sem justa causa, que financiará o subsídio à casa própria. Criada em 2001, a multa foi usada para pagar a correção aos trabalhadores que tinham dinheiro no FGTS nos planos Verão e Collor. Os empresários não concordam em manter o percentual em 10 pontos.

O financiamento de obras de infra-estrutura com o FGTS será feito em duas etapas. Na primeira, R$ 5 bilhões do dinheiro que o FGTS acumula em caixa acima do pagamento das indenizações a todos os trabalhadores será destinado a um fundo de investimentos.

Em caso de prejuízo, o patrimônio do FGTS será reduzido. Se houver ganho, haverá aumento. Essas aplicações poderão aumentar e absorver até 80% do superávit do FGTS. Para o governo, o risco de prejuízo é pequeno, já que o fundo só poderá participar com até 30% do valor dos projetos.

 

 

TRIBUNA DO BRASIL - DF

ECONOMIA
23/01/2007

Com o pé no acelerador

Programa lançado pelo presidente Lula prevê investimentos de R$ 503,9 bilhões

A expectativa do governo com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), lançado ontem pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é fazer com que o nível de investimentos no País chegue a R$ 503,9 bilhões nos próximos quatro anos, incluindo recursos da iniciativa privada. As novas obras, aliadas a medidas fiscais de longo prazo e desonerações, farão o Produto Interno Bruto (PIB) crescer em torno de 4,5% neste ano e 5% a partir do ano que vem, segundo os cálculos do governo.

Para tornar o PAC algo real, o governo precisará convencer o Congresso Nacional a aprovar ao menos 11 medidas provisórias e cinco projetos de lei, além de projetos que já estão em tramitação, como a reforma tributária, o marco legal das agências reguladoras e a Lei do Gás.

As medidas de desoneração tributária também foram mais tímidas do que o esperado. Inicialmente, o Ministério da Fazenda avaliava que o PAC poderia incluir um corte de R$ 10 bilhões a R$ 12 bilhões em impostos e contribuições para favorecer o crescimento econômico. Ontem, entretanto, o ministro Guido Mantega, da Fazenda, estimou que o governo abrirá mão de cerca de R$ 6,6 bilhões com o PAC.

Além disso, desse total, R$ 2,5 bilhões são da Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas, que já foi aprovada pelo Congresso Nacional no ano passado. "São apenas números médios em um patamar superior ao que vem fazendo hoje. Os economistas costumam fazer projeções e errar toda vez", disse Guido Mantega.

Na área fiscal, o governo decidiu adotar um limite de 1,5% para o aumento real do salário dos servidores públicos e uma regra de longo prazo para o ajuste do salário mínimo, baseada na inflação e no crescimento do PIB registrado dois anos antes.

O governo decidiu também, por meio do PAC, desonerar o investimento em fundos de infra-estrutura, autorizar o uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) em obras, isentar os investimentos em TV digital e semicondutores e também reduziu de 5% para zero a alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) do aço. Vai também elevar o limite de isenção do PIS e Cofins para a compra de computadores e laptops de R$ 2,5 mil para R$ 4 mil.

"Esse conjunto de medidas vai estimular o aumento do investimento privado, principalmente no setor de infra-estrutura. Queremos desobstruir os gargalos que existem nas áreas administrativa, jurídica e até mesmo legislativa", disse o ministro.

Casa própria ficou de fora do programa

O governo decidiu deixar de fora do PAC a principal medida de estímulo à compra de imóveis que havia sido divulgada. Guido Mantega, que prometeu subsídio de até dois terços do valor de compra de um imóvel para famílias com renda de até dez salários mínimos, informou que essa medida não foi incluída no PAC.

A idéia primeiro era utilizar o patrimônio líquido do FGTS, hoje em R$ 21 bilhões, para o subsídio. Depois o governo passou a defender o custeio da medida com a prorrogação da multa adicional de 50% do FGTS em caso de demissão sem justa causa de trabalhadores formais – desse total, 40% iriam para o trabalhador e 10% para o subsídio. Ontem, Mantega informou que a medida não saiu porque o governo não terminou as negociações com os empresários sobre a prorrogação da multa adicional.

A cobrança da multa de 50% do FGTS foi regulamentada pela lei complementar 110, de 29 de junho de 2001, a fim de levantar recursos para o pagamento da correção dos saldos devido a perdas dos plano Verão e Collor 1. Mas, como o governo terminou neste mês de pagar os expurgos do FGTS com esse adicional de 10%, a expectativa de empresários era de que a alíquota voltasse a ser de 40%.

Desoneração fiscal aquém das expectativas

As medidas de desoneração tributária anunciadas ontem pelo governo são bem mais tímidas do que se cogitou nas últimas semanas. O Ministério da Fazenda avaliava que o PAC poderia incluir um corte de R$ 10 bilhões a R$ 12 bilhões em impostos e contribuições para favorecer o crescimento econômico.

Ontem, entretanto, o ministro Guido Mantega estimou que o governo abrirá mão de cerca de R$ 6,6 bilhões com o PAC. Desse total, R$ 2,5 bilhões são da Lei Geral de Micro e Pequenas Empresas, que já foi aprovada pelo Congresso Nacional no ano passado.

Os outros R$ 4,1 bilhões referem-se a medidas de desoneração da fabricação de computadores e notebooks e do investimento na construção civil, máquinas, equipamentos e fundos de projetos de infra-estrutura, entre outras medidas.

A redução ficou abaixo do estimado porque o governo voltará a aumentar gastos correntes neste ano, principalmente com o reajuste do salário mínimo de R$ 350 para R$ 380.

A Receita Federal lembra, entretanto, que, mesmo antes do PAC, o governo já havia concordado com desonerações tributárias de R$ 2,750 bilhões neste ano que não foram incluídas nessa conta de R$ 6,6 bilhões.

Rodovias receberão mais verbas

O PAC prevê investimentos de R$ 33,437 bilhões na malha rodoviária, sendo R$ 8.086 bilhões neste ano. A expectativa do governo é fazer obras em 45.337 quilômetros, sendo que 42.090 quilômetros deverão receber investimentos públicos para recuperação, adequação, duplicação e construção.

Para melhorar as condições de logística do País, também estão previstos investimentos de R$ 1,666 bilhão neste ano e mais R$ 6,197 bilhões entre 2008 e 2010 em
ferrovias. Os portos receberão R$ 2.633 bilhões até 2010, os aeroportos, R$ 3,001 bilhões, as hidrovias, R$ 735 milhões e R$ 10,581 bilhões. Dos R$ 58,280 bilhões previstos para a infra-estrutura de logística, R$ 33 bilhões serão provenientes do Orçamento Geral da União e R$ 17 bilhões financiados pelo BNDES.

O PAC prevê também a concessão dos sete trechos da malha rodoviária com 2.601 quilômetros de extensão nos estados do Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, entre os quais estão as
rodovias Régis Bittencourt (SP-PR) e Fernão Dias (SP-MG).

Energia será a prioridade

O setor de petróleo, gás natural e combustíveis renováveis deverá receber a maior parcela dos investimentos previstos no PAC. Dos R$ 196,4 bilhões previstos para serem investidos até 2010, segundo o programa anunciado ontem, serão R$ 93,4 bilhões em exploração e produção de petróleo; R$ 45,2 bilhões em refino, transporte e petroquímica; R$ 40,4 bilhões em gás natural e R$ 17,4 bilhões em combustíveis renováveis até 2010.

O programa prevê a construção de novas plataformas de petróleo, 4.526 quilômetros de novos gasodutos, ampliação da infra-estrutura de transporte de GNL (gás natural liqüefeito) e ampliação da frota nacional de petroleiros.

Entre os combustíveis renováveis, estão previstos investimentos de R$ 12,112 bilhões em álcool e R$ 1,196 bilhão em biodiesel, além da construção de um alcoolduto entre as regiões Sudeste e Centro-Oeste.

Fonte : Tribuna do Brasil

 

 

ESTADO DE MINAS - MG

GERAIS
23/01/2007

Morre 24ª vítima da chuva

Tempestade em São João del-Rei derruba casas e aposentado desaparece na correnteza. Previsão da meteorologia é de novos temporais na região Sul, Zona da Mata e Rio Doce

Subiu para 24 o número de mortos pelas chuvas em Minas Gerais, desde 1º de outubro de 2006, considerado início da estação chuvosa. A forte tempestade que atingiu São João del-Rei, no Campo das Vertentes, a 185 quilômetros de BH, na noite de domingo, deixou uma vítima fatal e sete residências inundadas. O Corpo de Bombeiros confirmou a morte do aposentado Sebastião Francisco dos Santos Neto, de 71 anos, que tentava atravessar a Avenida Luiz Girola, no Bairro Colônia do Marçal, na hora da tempestade e foi arrastado pela correnteza, sendo tragado por um bueiro. Outros dois bairros ficaram bastante danificados com a tromba d’água: Tijuco e Vila Nossa Senhora de Fátima. No Centro, uma casa de dois andares desabou na Rua Marcondes Neves. Na região ribeirinha, dezenas de casas foram inundadas pelas águas do Córrego do Lenheiro, que corta a cidade.

De acordo com informações da Defesa Civil municipal, alguns bairros ficaram ilhados e foi solicitado apoio do Exército e da Polícia Militar do Meio Ambiente com barcos e caminhões, para a retirada das pessoas que não conseguiam sair de suas casas. Segundo o secretário de Governo e Desenvolvimento Econômico, Ronildo Assis de Oliveira, essa foi a segunda chuva forte que atingiu este ano o município de 82 mil habitantes. Ele conta que os estragos só não foram maiores porque antes do período chuvoso a prefeitura fez o desassoreamento de córregos, vistoriou locais de risco e construiu algumas casas para abrigar famílias que moram em áreas ribeirinhas. “Temos quatro córregos que cortam o município. A chuva do domingo foi muito forte, com 60 milímetros de precipitação, por volta das 21h. O entulho que desceu pelo Córrego Lenheiro atingiu várias casas, no Bairro Tijuco e na Vila Nossa Senhora de Fátima. Trabalhamos à noite toda na limpeza das casas, desobstrução de ruas e pontes e no encaminhamento das famílias atingidas para casa de parentes”, disse o secretário.

No Sul de Minas, a chuva continua causando estragos. Em Pratápolis, a 386 quilômetros de BH, 32 casas foram inundadas pelo Rio Palmeira, que transbordou na madrugada de segunda-feira. Os bombeiros ajudaram a retirar as famílias das casas. A enchente atingiu o Bairro Passa Santo e parte do Centro da cidade. Segundo o Corpo de Bombeiros, o nível do rio já está voltando ao nomal. Ontem de madrugada, um barreira caiu na rodovia MG-184, entre Carmo do Rio Claro e Conceição da Aparecida. Durante a tarde, funcionários da prefeitura de Conceição da Aparecida estiveram no local para retirar a terra. A Prefeitura de Passos, a 356 quilômetros de BH, comunicou à Cedec que na sexta-feira o município foi afetado por fortes chuvas, que provocaram enchentes e a destruição de uma ponte sobre o Córrego Cava Funda. A área rural também foi afetada, danificando
estradas vicinais. A cidade tem quase 104 mil habitantes.

Segundo o Centro de Climatologia MG Tempo /PUC Minas/Cemig, uma frente fria estacionada no litoral do Rio de Janeiro e Espírito Santo interage com áreas de instabilidade de baixa pressão, que jogam umidade do Planalto Central e da região Amazônica para Minas Gerais, provocando pancadas, especialmente durante o dia. As regiões mineiras que merecem mais atenção essa semana são Sul, Zona da Mata e Rio Doce. Ontem, no fim do dia, choveu forte em Caldas, quase na divisa com São Paulo. O solo encharcado das chuvas intermitentes, os córregos e rios com volume alto e as encostas escorregadias merecem atenção das prefeituras, que devem manter-se em alerta. Para Belo Horizonte, a previsão é de pancadas de chuva ao longo da semana. A temperatura vai ficar entre 20 e 30 graus, com umidade relativa do ar alta.

RODOVIAS As condições das
estradas mineiras pioraram (veja quadro). O Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit) alega que não recebeu recursos do Orçamento da União para 2007 e que não fechou os valores necessários às obras emergenciais nas 44 BR’s que cortam Minas Gerais. Já o Departamento de Estradas de Rodagem (DER-MG) diz que tem 86 pontos com problemas em rodovias sob sua responsabilidade. À medida que a chuva diminui em algumas regiões, equipes do DER e do Dnit estão tapando buracos, criando vias alternativas e solucionando os problemas. Para atender usuários que tiverem problemas em estradas, o DER-MG disponibilizou o telefone 0800 285 15 17.

Estradas em más condições

Rodovias Federais com problemas

• BR-116- Km 390 ao Km 394, entre Governador Valadares e Frei Inocêncio

• BR-262 - Km 418 perto de Pará de Minas: entupimento de bueiro

• BR-452- Km 211, perto de Araxá: erosão na pista

• BR-153- Km 65,2-região do Prata: problemas na cabeceira da ponte

• BR-267- Km 122,5: erosão na pista

• BR-381- Km 167,8 entre Governador Valadares e Ipatinga

• BR-381- Km 608 ao Km 673: erosões entre Oliveira e Lavras

• BR-381 - Km 274, Km 281 e km 328: recuperação de três pontes

• BR-040- Km 473 ao km 532,9 entre Sete Lagoas e BH: erosão em barranco

• BR-262- Km 695,8 perto de Araxá: entupimento de bueiro

• BR-267- Km 29,7 entre Juiz de Fora e Leopoldina: ponte com problemas

• BR-354- Km 387 ao Km 388: erosão em encosta, perto do entroncamento com a BR-262

• BR-365- Km 367 ao Km 393: abatimento de pista perto de Varjão

Rodovias administradas pelo DER-MG

• BR-259 – Entroncamento BR-116/Entroncamento Coroaci: kms 200, 204 e 205 com tráfego precário, por causa de quedas de barreira

• BR-352 – Coromandel/Rocinha. Opção é a MG-188/ligação com a LMG-747

• BR-364 – Entroncamento Gurinhatã/BR-365 (Chaveslândia): Km 241,3

• LMG-679 – BR-365/Claro dos Poções: ponte sobre o Córrego dos Macacos

• LMG-743 – Major
Porto/Entroncamento BR-354: no km 64, a ponte sobre o Ribeirão Água Limpa está limitada a 12 toneladas. Do Km 41 ao km 82, há atoleiros

• LMG-778 – Carmésia/MGT-120: km 16,5 interditado. Queda de ponte sobre o Ribeirão Borba Gato

• LMG-872 – Entroncamento MG-126 (Santa Helena)/Pequeri: km 3 fechado por rompimento de aterro

• MG-020 – Santa Luzia/Jaboticatubas: Km 28 interditado, com erosão

• MG-176 – Entroncamento BR-262 (Luz)/Entroncamento BR-354: trecho interrompido entre os kms 85,7 e 127,5

• MG-230 – Rio Paranaíba/Serra do Salitre: atoleiros

• MG-238 – Cachoeira da Prata/Entroncamento MG-060 (Maravilhas): no km 94, a ponte sobre o Rio Vermelho II está com limite de carga de 27 toneladas

• MG-341 – São Roque de Minas/Piumhi: no km 29,4, a ponte de madeira está com limite de carga de 24 toneladas

• MG-447 – Mirai/Guiricema: km 58 interrompido por destruição de bueiro. No km 102, entre Cataguases e entroncamento BR-120, trecho interrompido

• MG-455 – Entroncamento BR-459/Santa Rita de Caldas: trecho interrompido

• MGT-146 – Entroncamento BR-365/Entroncamento MG-230: no km 41, ponte sobre Rio Espírito Santo com limite de carga de 12 toneladas.No km 67, ponte sobre o Ribeirão Jacu limitada a 15 toneladas

• MGT-259 – Santa Efigênia/Entroncamento Tranqueiras: trecho interrompido

Fonte:
DNIT-MG e DER/MG

 

 

ESTADO DE MINAS - MG

POLÍTICA
23/01/2007

Aposta nos investimentos

Programa prevê aporte de R$ 503,9 bilhões até 2010, em projetos para eliminar gargalos, e crescimento de 4,5% da economia brasileira este ano, e de 5%, a partir de 2008

Mariana Mazza, Edna Simão e Luís Osvaldo Grossmann
Brasília – O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) anunciado ontem pelo governo federal prevê investimentos públicos e privados de R$ 503,9 bilhões e um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 4,5% neste ano e de 5% ao ano até o fim do segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2010. Do total de investimentos, R$ 67,8 bilhões sairão dos cofres públicos e R$ 436,1 bilhões das estatais e do setor privado. A maior parte dos recursos é destinada à infra-estrutura. “Infra-estrutura é onde o governo está apostando mais”, afirmou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ao anunciar o pacote de medidas. “Temos que aumentar a oferta de infra-estrutura para que não haja pontos de estrangulamento e reduzir o risco Brasil, aperfeiçoar o marco regulatório, facilitar a obtenção de licenças ambientais”, acrescentou o ministro.

Segundo a ministra da Casa Civil, do total de investimentos, o setor de energia deverá receber o maior montante, com R$ 274,1 bilhões. A necessidade de atrair urgentemente investidores para tocar as grandes obras do setor elétrico fez com que o governo ampliasse as facilidades de financiamento no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O cálculo do Ministério de Minas e Energia é que o custo do investimento em energia cairá mais de 20% com a vigência das medidas compiladas no PAC, anunciadas ontem. A flexibilização era esperada pelas grandes construtoras, uma vez que o governo tem tido problemas sérios para encontrar investidores dispostos a se arriscarem em obras de grande porte, como as hidrelétricas. Sem contar que as benesses anunciadas fazem parte de um programa de desoneração do capital voltado para o setor elétrico e conduzido pelo BNDES desde 2005.

À primeira vista, a meta é garantir o início de novas obras para que não falte energia a partir de 2010. Mas o governo acredita que, além de reativar os investimentos privados na geração elétrica, conseguirá reduzir o preço final na conta de luz dos brasileiros. “As empresas vão poder pegar financiamentos a custos mais baixos. Se há melhores custos para a construção, podemos ter tarifas mais moderadas”, avaliou o presidente do BNDES, Demian Fiocca. O Ministério de Minas e Energia está calculando qual pode ser o tamanho do impacto na conta de luz das medidas anunciadas. Mesmo sem um valor, o ministro Silas Rondeau é otimista. “É uma contribuição importantíssima para o bolso do consumidor”, afirmou.

A redução de 20% nos custos do investimento no setor considera todas as vantagens criadas gradualmente pelo banco de fomento nos últimos dois anos e o impacto das medidas até 2010. Também fazem parte da conta medidas que afetam a cadeia de construção civil, extremamente ligada com os custos das obras de geração e transmissão de energia. O banco aumentou de 14 para 20 anos o prazo de amortização para os projetos hidrelétricos com capacidade de geração acima de 1 mil megawatts (MW), por exemplo. O prazo é o mesmo concedido para a construção da binacional Itaipu, a maior usina em funcionamento no Brasil, com potência instalada de 14 mil MW. Também há uma nova redução do spread (taxa de juros) que incide sobre os empréstimos, de 1,5% para 0,5% ao ano.

OBRAS Recai sobre a Petrobras praticamente todo o peso de escorar os grandes investimentos públicos previstos no PAC. Aproximamente 40% dos aportes listados pelo governo virão da poderosa estatal do petróleo. A lista de obras, no entanto, coincide com os planos estratégicos traçados pela empresa e divulgados no ano passado. “Há uma identidade muito grande entre o interesse da Petrobras enquanto empresa e enquanto estatal brasileira com o plano anunciado pelo governo”, afirmou o presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli.

Dos R$ 179 bilhões para as áreas de petróleo e gás, R$ 171 bilhões sairão dos caixas da Petrobras diretamente ou em parceria. O valor é quase três vezes maior do que todo o investimento previsto para o reforço logístico, que compreende
rodovias, ferrovias, hidrovias, portos, aeroportos e marinha mercante. O total do PAC para a logística foi de R$ 58,280 bilhões.

Boa parte desses recursos serão para as
estradas. O Ministério dos Transportes programou obras em 45,337 mil km e pretende aplicar R$ 30,979 bilhões em recursos orçamentários entre 2007 e 2010. O foco em obras como rodovias e hidrovias tem um objetivo social para o governo, que quer expandir as áreas de desenvolvimento regional. “A expansão dos investimentos em infra-estrutura é condição essencial para o desenvolvimento sustentável, com a eliminação de gargalos e redução das desigualdades”, destacou a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, ao explicar o pacote.

 

 

ESTADO DE MINAS - MG

POLÍTICA
23/01/2007

Pouca verba para obras

Pacote não detalha os recursos destinados a Minas. Serviços previstos são em seis rodovias e ampliação de 700 vagas de estacionamento no aeroporto de Confins

Isabella Souto e Leonardo Augusto
A falta de um programa para recuperação da malha rodoviária federal e os investimentos tímidos nos aeroportos mineiros e no metrô de Belo Horizonte. Essas são as áreas que deixaram a desejar no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para Minas Gerais, na avaliação do governo estadual. O projeto não detalha qual é o volume de recursos destinados ao estado, mas toda a região Sudeste receberá R$ 6,1 bilhões em quatro anos, para empreendimentos de infra-estrutura de
transportes.

Nas páginas do PAC, foram elencadas as obras previstas para Minas Gerais entre 2007 e 2010. Aí está o ponto central das críticas feitas pelo Palácio da Liberdade: em um estado que tem a maior malha rodoviária federal, apenas seis
estradas foram enumeradas para obras, entre as quais cinco serão duplicadas, enquanto uma delas receberá nova pavimentação. O programa ainda prevê R$ 3,8 bilhões para a concessão de rodovias federais à iniciativa privada. Mas o rodoanel, uma obra importante para Belo Horizonte, ficou fora do pacote.

Entre as cinco
rodovias que serão duplicadas, estão as BRs-381, trecho entre Belo Horizonte e Governador Valadares – incluindo o contorno da capital –; 153 e 365 na divisa de Goiás e Minas até o trevão de Uberlândia; 040 no trecho entre Curvelo e Sete Lagoas; 262 entre Betim e Nova Serrana e ainda a conclusão da duplicação da 050 que liga Uberaba a Araguari, passando por Uberlândia. O programa prevê ainda a pavimentação de trecho da BR 265 que liga Ilicínea a São Sebastião do Paraíso, na região Sul.

A proposta não agradou ao governador Aécio Neves (PSDB). Em entrevista depois da reunião de apresentação do PAC, Aécio criticou, sobretudo, a ausência de recursos para recuperar as
estradas. “Vejo um plano audacioso de construção de novas estradas, mas como governador do estado que tem a maior malha rodoviária federal do país, não tenho o detalhamento de conservação de sua malha que está em estado de absoluta calamidade, não apenas em Minas, mas em outros estados da federação”, afirmou.

Outra queixa referiu-se aos recursos previstos para os aeroportos brasileiros. A região Sudeste receberá R$ 1,8 bilhão para investimentos. Em Confins, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, as verbas se destinarão apenas à ampliação de 700 vagas no estacionamento. “Apenas o estado está investindo cerca de R$ 350 milhões no acesso a esse aeroporto”, disse, referindo-se às obras da Linha Verde, previstas para inauguração este ano.

“Acho absolutamente tímido, para não usar um outro termo, o anúncio de que será construída ali uma ampliação de um estacionamento”, completou. De acordo com o governador, são necessários ainda investimentos no aeroporto da Zona da Mata (localizado em Goianá) e Pampulha, mas o PAC não fez qualquer menção a estes aeroportos.

CONCESSÃO A Agência Nacional de Transportes Rodoviários estima que a concessão de 2.601 quilômetros em todo o país custará R$ 3,8 bilhões. Quase a metade prevista (1.084 quilômetros) passa também por Minas Gerais – estado com a maior malha rodoviária federal. Passarão à iniciativa privada 321,6 quilômetros da BR 153 nas divisas entre Minas e São Paulo e entre São Paulo e Paraná.

Outros 200,4 quilômetros correspondem a trecho da BR-393 na divisa entre Minas e Rio de Janeiro até o entroncamento da Via Dutra, que liga o Rio a São Paulo. Uma das mais movimentadas do país, a BR-381 volta à pauta privatizações do setor rodoviário. O PAC prevê a concessão de 562,1 quilômetros da estrada no trecho que liga Belo Horizonte à capital paulista.

 

 

O ESTADO DO PARANÁ - PR

CIDADES
23/01/2007

Obras na BR-476 devem começar hoje

As obras de recuperação no quilômetro 20 na Estrada da Ribeira (BR-476), na altura do município de Adrianópolis, na divisa com o Estado de São Paulo, devem ter início hoje, com a chegada das máquinas de trabalho.

Segundo informações do Departamento Nacional de Infra-Estrutura e Transporte (
DNIT), ontem foram feitos os últimos levantamentos necessários para o início da intervenção. Na manhã da última sexta-feira, as fortes chuvas que atingiram a região provocaram a ruptura de dutos de um bueiro e a terra sob a pista cedeu, abrindo um buraco de cinco metros de diâmetro.

Nenhum veículo passava pelo local na hora do afundamento da pista. Durante o sábado, o buraco aumentou e a Polícia Rodoviária Federal (PRF) interditou a via nos dois sentidos. Ontem, com o tempo mais estável, o trecho funcionava em meia pista novamente, mas com a passagem exclusiva para veículos leves. Os caminhões que trafegam na região, geralmente carregados de madeira com destino ao
Porto de Paranaguá, estão tendo que fazer o desvio que leva à BR-116.

 

 

DIÁRIO DE PERNAMBUCO - PE

ECONOMIA
23/01/2007

Estado garante maior fatia de verbas

PROJETOS // Obras de infra-estrutura em Suape, BR-101, metrô, refinaria e Transnordestina estão no Programa de Aceleração do Crescimento

Em mais uma demonstração de prestígio político com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governador Eduardo Campos conquistou, proporcionalmente, entre os estados do Nordeste, o maior volume em recursos e empreendimentos contemplados dentro do Plano de Acelaração do Crescimento (PAC), divulgado ontem pelo governo federal. Da extensa lista de projetos considerados prioritários pelo governo do estado - negociada e deixada nas mesas de vários ministérios -, a maior parte aparece no documento do PAC. O desafio, agora, é fazer os números estampados nas planilhas se reverterem em obras - caminho que também poderá ficar mais curto graças ao alinhamento político lá e cá.

"Ficamos muito satisfeitos com o desempenho de Pernambuco no PAC. Não existe nenhum projeto estruturador importante que tenha ficado de fora. Fomos contemplados com as obras de infra-estrutura em Suape, BR-101, refinaria, aeroporto (4 fingers), Transnordestina, metrô, duas termelétricas, além de intervenções nas áreas de recursos hídricos e outras", enumera Edurado. O governador destaca que só não foi possível incluir no PAC as obras que não tinham projeto executivo, a exemplo do Canal do Sertão, que terá recursos apenas para a conclusão dessa fase de formatação do projeto.

Eduardo Campos adianta que a expectativa é que os recursos comecem a ser liberados a partir de março. "O habitual é a liberação para custeio pelo governo federal, a partir de março, e as verbas para investimento no segundo semestre. Mas pelas conversas de bastidores, a perspectiva é que já em março comecem a sair os recursos do PPI (Projeto Piloto de Investimentos)", diz. Na avaliação do governador, com o anúncio público do PAC, o presidente Lula assumiu um compromisso com a sociedade. "Os investimentos terão que ser liberados. O comitê gestor do PAC, integrado pela Casa Civil e pelos ministérios do Planejamento e da Fazenda, vai acompanhar a liberação dos recursos", explica.

O governador também ficou satisfeito com a fatia do Nordeste na divisão do bolo. A região, que será contemplada com investimento de R$ 80,4 bilhões em infra-estrutura entre 2007 e 2010, ficou atrás apenas do Sudeste, que terá R$ 130,5 bilhões.

Apesar de considerar positivo o anúncio do PAC de um ponto de vista mais geral, o governador afirma que os governadores nordestinos poderão discutir possíveis distorções no projeto. No dia 6 de março está programada, em Brasília, uma reunião entre governadores e ministros. Um dos pontos que poderá ser apontado por Eduardo é a falta do ramal da Transnordestina, entre Bom Nome e Petrolina.

Outra conquista anunciada por Eduardo Campos foi que o governo federal vai levar a leilão em julho ou agosto deste ano, a autorização para a exploração de petróleo no litoral de Pernambuco e da Paraíba. O anúncio foi feito, ontem, pelo ministro das Minas e Energia, Silas Rondeau, em conversa com o governador. Com isso, será disponibilizado para o mercado o lote PE/PB, em reunião ordinária do Conselho Nacional de Petróleo e Energia, no próximo dia 30.

"O ministro disse que a pauta dareunião está pronta e o lote de Pernambuco foi incluído. Eu o havia procurado há alguns dias para tratar do assunto e hoje (ontem) ele fez a confirmação", comemora.

PERNAMBUCO NO PAC

Refinaria Abreu e Lima - R$ 10 bilhões

Construção de dez petroleiros - R$ 2,5 bilhões

Petroquímica Suape (PTA) - R$ 1,2 bilhão

Pólo Têxtil do Nordeste - R$ 678,7 milhões

Linha Sul do Metrô Recife - R$ 295,63 milhões

Dragagem e construção do novo acesso rodoferroviário ao
Porto de Suape - R$ 53,3 milhões

BR-116/Alargamento da ponte sobre o Rio São Francisco na divisa PE/BA - R$ 20 milhões

Duplicação da BR-101/Corredor Nordeste

Ferrovia Transnordestina

Dragagem e derrocagem na Hidrovia do Rio São Francisco e acesso rerroviário ao
Porto de Juazeiro (BA) - Pirapora (MG) -Juazeiro (BA) - Petrolina (PE)

Construção de quatro pontes de embarque no Aeroporto do Recife

Implantação de duas usinas termelétricas (Pau Ferro e Termomanaus)

Construção da linha de Transmissão Xingó-Angelim

Implantação de duas usinas de biodiesel

Fonte: Governo federal

 

 

DIÁRIO DE PERNAMBUCO - PE

ECONOMIA
23/01/2007

PE quer R$ 108 mi para portos

Um dia após o anúncio do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) já começa a "peregrinação" a Brasília em busca de informações sobre o quinhão de cada estado na divisão dos recursos. Hoje, às 10h, no gabinete do Ministério dos Transportes, serão anunciados os investimentos detalhados para os portos brasileiros. O pleito de Pernambuco no Projeto Piloto de Investimentos (PPI) em 2007 para os portos do estado é de R$ 108,9 milhões.

O secretário de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco e presidente do
Porto de Suape, Fernando Bezerra Coelho, diz que a expectativa é que sejam liberados este ano pelo menos recursos para a dragagem, o acesso rodoferroviário à Ilha de Tatuoca e a construção do Cais 4. "Algumas obras, como a construção de um píer para navios petroleiros, que vai servir a refinaria Abreu e Lima, poderão ser realizadas entre 2008 e 2009. Se tivermos contempladas as demandas mais urgentes já ficamos satisfeitos", afirma Bezerra Coelho.

Dentre os projetos de interesse de Pernambuco e em implantaçãono
Porto de Suape estão a Refinaria Abreu e Lima (R$ 10 bilhões), a fábrica de PTA (matéria-prima do PET), estimada em R$ 1,2 bilhão e com previsão de operação para 2009, a unidade de POY (filamentos de poliéster), com investimento de R$ 678,7 milhões. O PAC também contemplou a construção dos 42 navios petroleiros encomendados pela Transpetro para a renovação de sua frota. Do total da primeira fase (26 navios), Pernambuco ficou com a encomenda de dez suezmax - maior lote.

Bezerra Coelho adianta que, amanhã, acompanha o governador Eduardo Campos, em reunião com empresários do setor de Tecnologia da Informação, em São Paulo. "Vamos fazer prospecção de negócios", diz sem informar mais detalhes.

 

 

 

 

DIÁRIO DE PERNAMBUCO - PE

ECONOMIA
23/01/2007

NE contemplado na área de transportes

A Região Nordeste ficará com a maior fatia dos recursos para investimentos em transportes dentro do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Estão previstos R$ 7,3 bilhões até 2010 para obras em rodovias, ferrovias, portos e hidrovias. O destaque é a restauração e duplicação da BR-101, que começa em Natal e vai até Feira de Santana, na Bahia. O Ministério dos Transportes não divulgou ontem o total de recursos que serão empregados. Atualmente estão em curso os trabalhos no trecho entre a capital potiguar e Palmares. Os três primeiros lotes (um no Rio Grande do Norte, um na Paraíba e um em Pernambuco) começaram a ser executados pelo Exército em dezembro de 2005.

O estado tem três lotes na duplicação que, somados, ultrapassam investimentos de R$ 700 milhões. As obras nos 41,4 quilômetros entre a divisa PE/PB e o município de Igarassu devem ficar prontas no próximo ano e estão orçadas em R$ 234,3 milhões. Mês passado, o Ibama deu autorização para a supressão vegetal, liberando as construtoras para intervir emáreas de preservação permanente (APPs) e viabilizando o início dos trabalhos nos outros dois lotes, entre o Cabo e Palmares. "Também teremos recursos para manutenção da malha rodoviária", disse o coordenador do Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes (
Dnit) no estado, Marcos Crisprim.

Outra obra prevista no PAC é a restauração e alargamento da ponte sobre o Rio São Francisco, ligando as cidades de Petrolina e Juazeiro (BA). Os trabalhos foram iniciados em 2002 e interrompidos quatro vezes. "Já temos R$ 20 milhões e queremos concluir até o final do ano", explicou Crispim. Estão sendo restaurados os 801 metros de extensão da ponte. A estrutura será totalmente reforçada. A largura passará de dez para 20 metros, acrescentando mais duas faixas de rolamento e duas para pedestres. Cerca de 35 mil veículos passam pela ponte todos os dias, sendo que 80% são do tráfego urbano. Nos horários de pico (das 6h às 10h e das 15h às 19h) há longos congestionamentos.

Aeroporto - As quatro pontes de embarque (fingers) que ainda faltam ser colocadas no terminal de passageiros do Aeroporto do Recife também foram contempladas no PAC. A construção de 150 metros de conector para a instalação dos quatro fingers será a primeira etapa do projeto de ampliação do terminal, que hoje conta com 11 pontes. Em 2006, o aeroporto recebeu 3,95 milhões de passageiros. A segunda etapa prevê outras quatro pontes e a reforma do antigo terminal, elevando a capacidade dos atuais 5 milhões para 7,2 milhões de passageiros. Essa segunda fase, no entanto, não foi incluída no Programa. (T.N.)

 

 

 

FOLHA DE BOA VISTA - RR

POLÍTICA
23/01/2007

Governo terá mais R$ 40 milhões para recuperar trechos da BR-174

Rebeca Lopes
A revitalização dos 720 quilômetros da BR-174 está estimada em R$ 94 milhões, sendo que R$ 40 milhões já estão garantidos para o Governo do Estado executar as obras. A suplementação para conclusão dos serviços deverá acontecer entre setembro deste ano e abril de 2008, período de verão.

O diretor do Departamento Estadual de Infra-Estrutura de Transportes, José Eufrânio Alves, disse que os recursos já estão disponíveis e serão liberados à medida que os serviços forem executados. “A obra de recuperação da 174 é a mais importante, porque corta o Estado de norte a sul”, disse.

Três trechos são considerados críticos ao longo dessa rodovia: os primeiros 30km na divisa com o Estado do Amazonas; 16km entre a Vila Novo Paraíso e Rio Dias; e o terceiro, muito reclamado por quem viaja, localiza-se entre Caracaraí e Boa Vista, totalizando 20km. “Nessa semana estaremos corrigindo esse trecho crítico”.

Outras
rodovias federais contam com recursos para pavimentação e revitalização. Do contrato de R$ 20 milhões para pavimentação da BR-210 (que corta o Estado de leste a oeste), no trecho que vai de São João da Baliza a Entre Rios, onde as obras estão em andamento, estão disponíveis R$ 8 milhões a serem liberados à medida que os serviços forem executados.

Ainda na BR-210, a revitalização de aproximadamente 60km entre Novo Paraíso e São João da Baliza depende da assinatura de convênio entre Governo do Estado e
DNIT (Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes). Somente depois o Estado vai abrir licitação para contratação da empresa. A obra é estimada em R$ 8,4 milhões.

O diretor disse ainda que no contrato para pavimentação de 25km localizados entre a sede do Cantá e Vila Central, dos quais conta com oito quilômetros pavimentados, o Governo Federal liberou R$ 2 milhões dos R$ 10 milhões.

 

 

FOLHA DE BOA VISTA - RR

POLÍTICA
23/01/2007

DNIT faz levantamento de rodovias

Rebeca Lopes
O
DNIT realizou levantamento das condições das rodovias federais em todo o país, com intuito de minimizar os danos causados pelas fortes chuvas. O órgão apresentou estimativa de custos dos serviços emergenciais detectados pela equipe técnica, na intenção de garantir a trafegabilidade das rodovias e segurança dos usuários.

Com base no levantamento, o Governo Federal liberou duas Medidas Provisórias (343 e 344), sendo a primeira de R$ 139 milhões e a outra R$ 31,2 milhões. Esta última destinada especialmente ao Rio de Janeiro, prejudicado com as intensas chuvas concentradas na região Sudeste. Os 139 milhões de reais foram rateados entre alguns estados.

Na região Norte apenas Rondônia e Amazonas foram incluídos no plano emergencial. No quadro divulgado pelo
DNIT, consta a reconstrução de uma ponte de madeira entre Roraima e Amazonas, no KM 190 da BR-230, pela empresa Ferreira Franco. O valor orçado da obra é de R$ 298,8 mil, com previsão de conclusão para abril de 2007.

Para garantir o direito de todos em ter acesso à informação e de dar transparência às ações em implantação, nesse período de regime de exceção o
DNIT disponibiliza um quadro resumo das obras emergenciais já em andamento em todo o país. (R.L.)

 

 

FOLHA DE BOA VISTA - RR

POLÍTICA
23/01/2007

Projeto é modificado e obras serão refeitas em trecho da 174

Rebeca Lopes
As especificações técnicas inadequadas levaram à modificação de projeto inicial elaborado pelo
DNIT (Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes), no trecho que vai entre a Vila do Equador e Rio Dias, na BR-174. Quase metade dos 60 quilômetros que receberam lama asfáltica trincou.

Conforme o diretor do Departamento Estadual de Infra-Estrutura de Transportes (DEIT), José Eufrânio Alves, no trecho eram previstas correção dos buracos, reciclagem de alguns trechos e aplicação da lama asfáltica. “Essa solução se revelou inadequada, porque em um trecho de 60 km que foi feito a metade trincou”.

Segundo ele, o que aconteceu foi “uma inadequação do projeto”, já que as especificações técnicas estabelecidas pelo
DNIT foram fielmente seguidas. Um novo projeto foi elaborado e os serviços serão refeitos. Na prática, quer dizer mais investimentos.

No trecho total de 145km, o contrato para aplicação da lama asfáltica nos 60 km era na ordem de R$ 11 milhões. Com a modificação das especificações, os serviços a serem executados serão mais caros. A parte que trincou será reciclada e os 85km receberão tratamento especial duplo.

“Isso significa mais dinheiro, porque tanto o tratamento duplo especial quanto a reciclagem são mais caros que a lama asfáltica, que é o material inadequado para aquele trecho”, enfatizando não ter havido mudança de empresa. No convênio entre União e Estado, a contrapartida local é de 10%.

Apesar das constantes liberações de recursos por parte do Governo Federal, as
rodovias federais geram constantes reclamações de quem as usa. Conforme ele, dois fatores contribuem para as péssimas condições: a falta de conservação e a falta de controle de carga por veículo.

O diretor explicou que o revestimento asfáltico tem vida útil, sendo necessário além de tapar buracos e recapear, manter serviço de conservação das
rodovias. É necessário limpeza de material vegetal (matagal ao longo dos acostamentos), limpeza dos dispositivos de drenagem para escoamento da água e tapar buracos que por ventura venham aparecer.

Entretanto, em nível de Brasil, essa prática não é comum. “Um dos fatores que mais contribuem, sem sombra de dúvida, é a falta de conservação. Mas a estrada é calculada para uma determinada carga por eixo dos veículos, mas normalmente se usa uma carga maior”, comentou. (R.L.)

 

 

CORREIO POPULAR – SP

ECONOMIA
23/01/2007

Estradas ruins impedem escoamento da produção

Produtores vivem “pesadelo” com estado precário das vias rurais na região

O suinocultor campineiro Abel Vieira, de 61 anos, está com uma tremenda dor de cabeça: não consegue transportar os porcos em fase de abate para o frigorífico e nem receber insumo para alimentar os animais do plantel. Drama semelhante vive o agricultor José Xavier Abacherly, de 53 anos, que é obrigado, muitas vezes, a vender milho verde pela metade do preço. O pesadelo dos dois produtores tem um único motivo: as condições precárias das estradas rurais de Campinas.

Outros relatos como os deles chegam com freqüência ao Sindicato Rural e mostram casos extremos de homens do campo que reduziram a área cultivada porque não conseguem escoar a produção. O presidente da entidade, Antônio Crestana, revelou que um produtor do bairro Carlos Gomes plantou apenas 50% da área cultivada de hortaliças em decorrência da perda de produto durante o transporte até o mercado consumidor.

A situação fica pior com a chegada da temporada de chuva. Andar pelos bairros rurais de Campinas é uma verdadeira aventura. Só carros potentes conseguem vencer o lamaçal e os buracos que se somam nas dezenas de quilômetros de
estradas. Em meio à indignação, os agricultores reclamaram que são excluídos das prioridades da atual administração municipal do pedetista Hélio de Oliveira Santos.

Prejuízos

A agricultura já deixou de ser uma operação na qual a preocupação é apenas cultivar a terra. A logística, ou seja, o transporte e distribuição dos alimentos, é importante na cadeia produtiva. Qualquer falha pode custar o encarecimento do produto ou prejuízo para o bolso do homem do campo. O suinocultor Abel Vieira nem sabe quanto deixou de ganhar nos últimos 15 dias com o isolamento de sua propriedade rural no bairro Fogueteiro, região do Aeroporto Internacional de Viracopos.

“O prejuízo é incalculável. Não consigo tirar os porcos que estão prontos para o abate e não recebo a ração necessária para alimentar o plantel. Não tenho mais alimento para dar aos animais. E ninguém resolve nada. Não há o mínimo de preocupação com o agricultor”, criticou. Por semana, ele transporta entre 60 e 70 porcos para abate em um frigorífico da região. A carne é vendida em Campinas. Ele já comprou 100 toneladas de ração para os animais, só que não há como as carretas com a carga chegarem até o sítio.

“Um veículo de passeio consegue, com dificuldade, andar nessas
estradas destruídas. Uma carreta com mais de 40 toneladas de produtos fica atolada. Não adianta tentar porque o caminhão não chega até o sítio”, lamentou o produtor rural. Vieira tem quase dois mil animais na propriedade e eles consomem entre 10 e 12 toneladas de ração por dia. Para ele, a situação das estradas rurais piorou durante a atual administração municipal. “Não há respeito pelo produtor”, disse.

Os turistas e os tradicionais clientes reduziram o fluxo de visitas ao sítio do agricultor José Xavier Abacherly, de 53 anos. As péssimas condições da estrada do Fogueteiro, que passa na porta da propriedade, impedem o acesso ao local. O carro-chefe dos produtos é o milho verde. “Com a dificuldade que os clientes encontram para chegar até aqui, o produto acaba envelhecendo e sou obrigado a vendê-lo por metade do preço”, afirmou. Segundo ele, o milho verde tem o período certo após a colheita para uso no cozimento ou preparo de doces como curau.

“O preço normal é de R$ 2,00 pela dúzia de milho verde. Só que há casos em que sou obrigado a vendê-la por R$ 1,00 para girar o produto”, contou. Outra forma de rendimentos da propriedade é o turismo rural. Entretanto, com as chuvas e as
estradas precárias, os turistas não vão ao sítio. “Está difícil. Essas atividades são o ganha-pão de muitas pessoas na região”, afirmou Abacherly.

Governo promete medidas emergenciais para o setor

Os produtores rurais se mobilizaram e bateram na porta da Secretaria de Comércio, Indústria, Serviços e Turismo, comandada pelo empresário Sinval Dorigon. Em reunião realizada ontem, eles saíram com a afirmação de que medidas emergenciais já estão em curso. “O secretário Sinval Dorigon mostrou interesse em auxiliar os agricultores. Mas essas medidas não podem ser paliativas. É necessário que no período intermediário entre chuva e seca seja realizado um trabalho para solucionar o problema nas
estradas rurais”, afirmou o presidente do Sindicato Rural de Campinas, Antônio Crestana. (AL/AAN)

 

 

 

A TARDE - BA

ESPECIAL
23/01/2007

Nordeste terá prioridade nos investimentos

Agência Estado, Brasília
A ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, disse, durante apresentação do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que o governo pretende dar prioridade à alocação para os investimentos em infra-estrutura nas regiões Norte e Nordeste do País no período entre 2007 e 2010.

A idéia é aplicar na região Norte, nesse período, R$ 50,9 bilhões e mais R$ 80,4 bilhões nos Estados da região Nordeste. A região Sudeste, de acordo com Dilma, ficará com R$ 130,5 bilhões dos recursos que serão aplicados em projetos de infra-estrutura. A região Sul ficará com R$ 37,5 bilhões e o CentroOeste, com R$ 24,1 bilhões.

A ministra também disse que serão investidos cerca de R$ 6,2 bilhões em projetos na área de transporte na região Norte. Ela destacou que deste total, cerca de R$ 5 bilhões serão direcionados para o projeto de pavimentação da rodovia BR-163. A idéia, de acordo com Rousseff, é aproximar o Estado do Mato Grosso dos
portos por onde são escoados os produtos produzidos no Estado. Os investimentos também deverão contemplar a construção de um trecho da ferrovia Norte-Sul, em especial o trecho que liga a cidade de Araguarina a Palmas, no Tocantins.

PACOTE SOCIAL –Depois do PAC, vem aí um pacote social. Ao anunciar ontem as ações do PAC, o presidente Lula prometeu proposta nas políticas sociais, de educação e na segurança pública. Essas medidas, no entanto, só devem ser anunciadas em fevereiro, depois de definido o ministério para o novo mandato.

"Esse esforço de crescimento do PAC precisará ser completado por um incremento na qualidade da educação, na implantação da política social e de uma nova política de segurança pública”, discursou Lula. “Por isso, dentro de curto prazo será lançado um conjunto de medidas na área de educação e ações importantes no setor de segurança, a serem compartilhadas pela União e pelos Estados”, acrescentou o presidente.

Lula já chamou as medidas de “pacote de cidadania”, embora elas devam ser apresentadas separadamente, por áreas específicas. “Não se trata de um programa de desenvolvimento, como foi o PAC, mas de um incremento de um programa de educação e segurança que já está em andamento”, explicou o ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro.

Na educação, as questões centrais são aumentar o acesso da população de baixa renda ao ensino superior, melhorar a qualidade da educação básica e reduzir o analfabetismo.

O acesso ao ensino superior deve passar pela ampliação do Programa Universidade para Todos (ProUni).

Na área da qualidade, o governo pretende investir mais na formação de professores. Outro objetivo é ter um laboratório de informática em cada escola do País, com ênfase nas rurais. O ProInfo rural pretende colocar, ainda este ano, computadores em 12 mil escolas rurais de 5ª a 8ª série, incluindo 225 indígenas.

Na segurança, o governo planeja ações na área de inteligência e investir mais na Polícia Federal, na Força Nacional de Segurança e no sistema penitenciário. Entram também no “pacote de cidadania” alterações no Bolsa-Família.

 

O POVO - CE

POLÍTICA
23/01/2007

Dinheiro para o Ceará

O PAC prevê recursos para as obras do Canal da Integração, transposição do rio São Francisco, duplicação da BR-222, reforma do aeroporto Pinto Martins, conclusão do Metrofor, Transnordestina, dentre outros. O setor de transportes e recursos hídricos serão os que receberão mais investimentos

da Redação
O Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), anunciado ontem pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), prevê benefícios diretos o Ceará. Parte dos R$ 504 bilhões anunciados para investimentos em infra-estrutura, serão destinados para obras como a do Canal da Integração, do Metrofor e da transposição do rio São Francisco.

Os próximos quatro anos prometem transformar o Ceará em um verdadeiro canteiro de obras. Isso é o que esperam os governos federal e estadual com o Programa de Aceleração do Crescimento, que injetará verbas diretamente nas obras de infra-estrutura mais importantes para o Estado, além de uma promessa de desburocratizar os processos para a realização das mesmas.

"O PAC representa para o Brasil um embrião importante de desenvolvimento para os próximos anos. Ao contrário do que foi feito nos últimos 20 anos, este programa tem consistência, pois trabalha ao lado de metas, prazos e com recursos ponderados", destacou o deputado federal Ciro Gomes (PSB), que disse ter sido chamado diversas vezes por Lula para fazer parte do grupo de discussão do Programa. "O principal foco é a infra-estrutura e, nisso, o Ceará irá se beneficiar bastante", destacou.

Entre as obras que serão priorizadas, estão as de infra-estrutura hídrica. O Canal da Integração, que ligará o Castanhão ao
Porto do Pecém, passando pela região Metropolitana de Fortaleza e a transposição do rio São Francisco, que prevê trazer água até o Castanhão além dos estados de Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte , foram lembradas. Já os projetos de irrigação de Tabuleiro de Russas, Baixo Acaraú e Araras Norte receberão ao todo R$ 200 milhões, nos próximos quatro anos.

O setor de
transportes, entretanto, será o mais valorizado. A BR-222, que dá acesso ao Porto do Pecém, será duplicada, o aeroporto Pinto Martins terá verbas para a construção do Terminal de Cargas e da Torre de Controle, e o Metrofor receberá R$ 523 milhões para serem aplicados em sua execução. A Transnordestina também receberá recursos extras para agilizar sua concretização.

A Petrobrás também tem investimentos previstos para o Ceará dentro do PAC. A Lubrificantes e Derivados de Petróleo do Nordeste (Lubnor), refinaria de petróleo localizada em Fortaleza, será ampliada. "São obras muito importantes não só para o Ceará, mas para todo o Nordeste", afirmou Ciro.

Segundo o ex-ministro, entretanto, para que todos estes projetos sejam efetivamente colocados em prática, será necessária a colaboração do Congresso Nacional. "O governo germinou o programa internamente com a própria base e, depois, chamou os governadores para que eles também se interessassem. Agora, um conjunto de providencias irão ao Congresso, como a desoneração tributária, e precisam ser aprovadas para dar continuidade ao plano", ressaltou.

O deputado federal Eunício Oliveira (PMDB), se disse preocupado com a disputa pela presidência da Câmara dos Deputados, que poderia interferir na coalizão proposta por Lula. "É preciso destravar alguns assuntos delicados, como a Reforma Tributária, que precisa ser votada com urgência para que o nordeste não continue pagando conta do resto do país", afirmou. Eunício ainda disse esperar que dos R$ 80,4 bilhões destinados ao Nordeste, de R$ 16 a R$ 20 bilhões sejam somente para o Ceará.

Para o senador Inácio Arruda (PCdoB), a apresentação do PAC dá uma segurança a todos os brasileiros uma vez que no seu interior abriga todas as obras de infra-estrutura apresentada nas últimas eleições. "É uma garantia de que tudo o que foi prometido tenha o seu valor reconhecido e seja transformado em realidade. Agora a população tem que cobrar do Congresso que aprove todas as medidas, para dar andamento ao PAC", explicou.

 

 

DIÁRIO DA MANHÃ - GO

ECONOMIA
23/01/2007

Conclusão do Aeroporto de Goiânia

Dos R$ 24,1 bilhões previstos pelo Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) para alavancar o crescimento na Região Centro-Oeste, Goiás vai receber recursos principalmente para as obras de infra-estrutura de transportes. Os principais focos, além da Ferrovia Norte-Sul, são as rodovias federais que cortam o Estado, que terão as obras concluídas ou serão recuperadas, além do Aeroporto de Goiânia, em obras desde 2005. O fluxo de passageiros no novo terminal aéreo deve triplicar ao final da obra, prevista para 2008. A estimativa em relação à reforma do Aeroporto Santa Genoveva é do secretário estadual de Infra-Estrutura, René Pompeu de Pina.

No final do ano passado, a Empresa Brasileira de Infra-Estrutura havia liberado recursos na ordem de R$ 50 milhões para a continuação da obra. A verba faz parte do aporte de R$ 243,2 milhões que a empresa utilizaria para a expansão de mais 4 terminais aéreos do País. Segundo o titular da Secretaria Estadual de Infra-estrutura (Seinfra), 50% da obra goiana já está concluído. Pompeu de Pina acredita que com os recursos do PAC, pelo menos os R$ 200 milhões que ainda faltam para a conclusão da obra sejam assegurados para cumprir o calendário. A entrega do terminal está prevista para março de 2008.

Rodovias – A malha rodoviária federal que corta o Estado também será incrementada. Para o setor rodo-ferroviário, o governo federal destinou R$ 3,5 bilhões para o Centro-Oeste. Segundo o superintendente regional do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes em Goiás e no Distrito Federal (Dnit/GO-DF), Riomar dos Santos, os principais focos para Goiás são a conclusão das obras na BR-060, que liga Goiânia a Brasília, a continuidade da duplicação do trecho da BR-070, entre Águas Lindas e o DF, e a duplicação do trecho da BR-060, entre Goiânia e Itumbiara.

O cronograma compreende também projetos de construção de trecho da BR-070, entre Montes Claros e Aragarças. O trecho da BR-153, entre Anápolis e Porangatu, também deve ser duplicado.

Para todas as obras na malha rodoviária, o superintendente estima que o governo destine R$ 300 milhões para Goiás e DF. Riomar adiantou que vai a Brasília hoje, onde se reúne com o
ministro dos Transportes, para definir sobre os projetos que serão implementados e sobre os recursos a serem enviados para o Estado.

 

 

 

 

 

DIÁRIO DA MANHÃ - GO

ECONOMIA
23/01/2007

Norte-Sul é prioridade

Programa contempla trecho goiano da ferrovia, entre Anápolis e Uruaçu, orçado em R$ 432 milhões

O efeito prático da previsão de investimentos da ordem de R$ 1,666 bilhão neste ano para melhora das condições logísticas do País deve demorar a chegar em Goiás. Apesar da possibilidade de injeção de R$ 432 milhões provenientes do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para a construção do trecho goiano da Ferrovia Norte-Sul, a obra ainda esbarra no problema da angariação de dinheiro.

Isso porque a execução do percurso entre Anápolis e Uruaçu depende de recursos da subconcessão à iniciativa privada, mas a abertura de licitação não tem sequer data estimada para acontecer. E a obra no Estado – 40 quilômetros de Anápolis até Ouro Verde –, que está parada exatamente por falta de dinheiro, não tem data para recomeçar. Mas o presidente Lula garante que toda a ferrovia estará concluída em 2010.

De acordo com o presidente da Valec Engenharia e Construção de
Ferrovias – empresa pública ligada ao Ministério dos Transportes –, Juquinha das Neves, a aplicação dos R$ 432 milhões no trecho goiano da Norte-Sul depende de injunção de bastidores. “Vamos tabular uma estratégia junto ao governador Alcides Rodrigues para injeção de recursos também em Goiás, para acelerar a subconcessão, como aconteceu no Tocantins”, afirma.

O percurso que corta o Estado tem 570 quilômetros de extensão, partindo do
Porto Seco de Anápolis até a divisa com o Estado do Tocantins. Segundo Juquinha, durante o anúncio do PAC, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, citou erroneamente que o trecho goiano da ferrovia incluía um percurso entre Aparecida a Itumbiara. “Não houve alteração no trajeto. O que aconteceu foi que a ministra confundiu ferrovia com rodovia”, afirma o presidente da Valec. A assessoria de imprensa da ministra não se pronunciou sobre o possível equívoco.

A expectativa é que a conclusão dos trilhos goianos traga para o Estado os mesmos benefícios socioeconômicos já gerados no Maranhão, como empregos e estímulo ao desenvolvimento sustentável.

150 KM – Enquanto Goiás não participa diretamente do salto de investimentos no setor ferroviário, a Valec prepara para o mês de abril a entrega dos 150 quilômetros de ferrovia até Araguaína, no Tocantins. O trecho tocantinense de 50 quilômetros e o pátio ferroviário entre Babaçulândia-Araguaína possibilitará a integração da ferrovia com a BR-153 para facilitar o escoamento da produção agrícola por meio do porto de Itaqui, no Maranhão. “Já fizemos mais que todos os outros governos anteriores. Juntos, eles construíram só 215 km”, diz sobre o percurso de 150 quilômetros construído em 2003.

Mais de R$ 100 milhões foram liberados para que a Norte-Sul avance até Colinas, no Tocantins, até o final deste ano. Outros mais de R$ 30 milhões estão previstos para fazer com que as vias de ferro alcancem a tocantinense Guaraí. Em 2005, o percurso deve chegar até Palmas. A chegada da ferrovia até Araguaína, e, em seguida, até a Capital do Tocantins, deve desafogar os
portos do Sudeste.

A Norte-Sul permitirá que os produtores transportem cargas até a Estrada de Ferro Carajás, da Companhia Vale do Rio Doce, e leve-as a São Luís. A ferrovia transportará 11,6 milhões de toneladas em 2011, número que pode saltar para 17 milhões de toneladas em apenas cinco anos. “Para Goiás, é uma obra estratégica, porque só em frete gerará economia de 30% em relação à modal utilizada hoje. Os produtos goianos, como açúcar e álcool, que agora estão na moda, vão ser exportados para outros países com o custo de transporte bem mais baixo”, completa.

 

 

O IMPARCIAL - MA

GERAL
23/01/2007

Exposições de ministros cansam os convidados

BRASÍLIA - Cinquenta e cinco minutos de apresentação de Guido Mantega (Fazenda) e mais uma hora e vinte minutos de Dilma Rousseff (Casa Civil) foram suficientes para fazer muitos dos presentes no Palácio do Planalto ontem cochilarem, engatarem conversas paralelas e até saírem de fininho.

Quando já falava por quase uma hora, Dilma avisou que estava perto do fim. Ainda durou mais meia hora. Ao final de sua apresentação, o burburinho era tão intenso que obrigou a ministra a elevar o tom de voz.

Muitas das cadeiras no final do Salão Nobre do Palácio do Planalto já estavam vazias.

As exposições foram longas porque o governo temia uma acusação de que as medidas eram genéricas demais. Por isso, Dilma fez uma exposição área por área, região por região. Mantega também falou detalhadamente das medidas. No fundo do salão, um grupo de empresários repetia que “estavam exagerando no detalhamento, coisa para jornalista”.

No início, o salão estava completamente lotado. Foi a maior reunião de políticos desde o início do primeiro governo Lula, com quase todos os 34 ministros, 23 governadores (entre eles os principais de oposição, como os tucanos Aécio Neves e José Serra), dois vices e presidentes e líderes dos 11 partidos que dão apoio ao presidente no segundo governo.

O deputado federal Miro Teixeira (PDT) foi um dos que fugiram no meio da apresentação. Outro que deu uma saída do salão foi o comandante da Aeronáutica, Luiz Carlos Bueno. O assessor internacional da Presidência, Marco Aurélio Garcia, também seguiu o mesmo caminho e voltou somente mais perto do fim.

Até o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se cansou: esticou a perna, quis saber que horas eram com ajuda da primeira-dama Marisa Letícia, puxou conversa com o vice-presidente José Alencar (PRB) e quebrou a ansiedade com um chiclete “doado” pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. A fala de Lula, por sinal, foi curta — cerca de 15 minutos lendo um discurso.

Mas se a maior parte da platéia se entediou, a primeira fila teve de buscar manter um comportamento “exemplar”, apesar de as longas explanações levarem a conversas paralelas.

Quando Dilma falava de investimentos no Pará, a governadora Ana Júlia Carepa (PT) se animou tanto que mereceu uma menção da ministra. “A Ana Júlia está muito alegre”, disse, num misto de constatação e repreensão à petista, que falava com colegas.

Nordeste na frente

A Região Nordeste é a maior contemplada com recursos do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) previstos para o setor de
transportes: R$ 7,3 bilhões planejados para o horizonte 2007-2010. Segundo o ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, o volume se justifica pela preocupação do Governo com o desenvolvimento regional e pelo Nordeste “ser uma região carente”. “Os investimentos reduzem as desigualdades em áreas deprimidas, é um fator forte de reorganização do crescimento econômico”, explicou.

 

 

O IMPARCIAL - MA

POLÍTICA
23/01/2007

Jackson prioriza estradas no lançamento do PAC

O governador do Maranhão, Jackson Lago (PDT) participou ontem, em Brasília, de um encontro com o presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT), onde foram discutidas as estratégias de execução do Plano de Aceleração do Crescimento – PAC.
DA REDAÇÃO COM AGÊNCIAS

O governador do Maranhão, Jackson Lago (PDT) participou ontem, em Brasília, junto com outros governadores da federação de um encontro com o presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva(PT), onde foram discutidas as estratégias de execução do Plano de Aceleração do Crescimento – PAC.

O Plano traz medidas de estímulo ao crédito e ao financiamento, de redução da arrecadação de impostos e procura melhorar o ambiente para investimentos. O governo federal espera que sejam investidos R$ 503,9 bilhões até 2010, visando atingir a meta de 5% ao ano de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).

Após o encontro, o governador Jackson Lago disse que o PAC é "a possibilidade real de contemplação" da maior parte das reivindicações feitas pelo Estado e pelos municípios. “O investimento na infra-estrutura é sem duvida uma prioridade para o Maranhão, onde as
estradas federais e estaduais estão completamente deterioradas”, destacou o governador .

Jackson Lago considera como um “problema grave” a falta de atenção ao setor ferroviário, hidroviário e rodoviário, onde
portos, rodoviárias e aeroportos encontram-se sem investimentos, o que impossibilita o crescimento desejado para o setor e para o país.

Nas contas do Ministro dos Transportes,
Paulo Sérgio de Oliveira Passos, a iniciativa privada vai injetar R$ 16,7 bilhões nas rodovias até 2010, seja em manutenção ou em investimentos exigidos nas concessões. Para o ministro, a diferença do PAC está nas novas formas de financiamento. A maioria delas composta por fundos e investimentos públicos. O Nordeste será a região que receberá o maior montante de investimentos em transportes - R$ 7,3 bilhões. Em seguida, vem as regiões Norte (R$ 6,2 bilhões), Sudeste (R$ 6,1 bilhões), Sul (R$ 3,9 bilhões) e Centro-Oeste (R$ 3,5 bilhões).

Ainda sobre o crescimento dos estados e do país, Jackson Lago criticou a pesada carga tributária e defendeu a desoneração fiscal como uma alternativa para que os estados enfrentem os empecilhos para o crescimento desejado.

O PAC - O Programa de Aceleração do Crescimento será divido em cinco partes: medidas de infra-estrutura (inclusive infra-estrutura social, como habitação, saneamento e
transportes de massa), estímulo ao crédito, desenvolvimento institucional, desoneração e medidas fiscais de longo prazo. De acordo com o presidente Lula, as do Plano medidas serão implementadas gradativamente. Jackson Lago deve retornar a Brasília no dia 6 de março, quando os governadores vão tratar das reformas tributária e política.

As principais medidas do PAC

* Ampliação em R$ 1 bilhão, em 2007, do limite de crédito para habitação popular;
n Trabalhadores poderão adquirir cotas do fundo com recursos do FGTS até o limite de 10% da conta individual;

* Redução para zero das alíquotas do IPI, PIS, Cofins e Cide nas vendas de equipamentos de transmissão de sinais de TV digital, na aquisição de bens de capital e na transferência para aquisição de tecnologia e software; a medida se aplica às empresas que aderirem ao Programa de Incentivos ao Setor da TV Digital (PATVD), mas não se aplica aos conversores (Set Top Box) que terão incentivos da zona franca de Manaus;

* Ampliação para até R$ 4.000 o valor de venda no varejo de microcomputadores e notebooks que terão isenção de PIS e Cofins; os limites atuais são de R$ 2,5 mil e R$ 3 mil, respectivamente. A medida representa renúncia fiscal de R$ 200 milhões;

* Regulamentar o artigo 23 da Constituição para definir, “claramente”, a competência de Estados, municípios e União sobre proteção ao meio-ambiente;

* Recriação da Sudam e da Sudene (medida já implementada);

* Reajuste do salário mínimo, entre 2008 e 2011, com base na variação anual do INPC mais a taxa de crescimento real do PIB de dois anos imediatamente anteriores. Manutenção da política de valorização do mínimo até 2023, com definição de novas regras até 2011;

* Extinção da Rede Ferroviária Federal (RFFSA) e da Companhia de Navegação do São Francisco (FRANAVE), que estavam em processo de liquidação;

 

 

 

DIÁRIO DE CUIABÁ - MT

CUIABÁ URGENTE
23/01/2007

Abacaxi

 

 

Se vier assumir o Dnit, Pagot terá um desafio logo de cara: explicar o “buraco” da operação tapa-buracos de Lula, lançado no começo de 2006. Foram gastos mais de R$ 76 milhões, mas as crateras aumentaram nas estradas.

Atraso
A operação beneficiaria 23 estados, totalizando 23.149 km de
rodovias federais. O TCU descobriu 48 contratos sem licitação analisados. O Dnit em Mato Grosso está com dados defasados sobre a tal operação. Uma balbúrdia!

Superação
Tem muita gente contra o asfaltamento da BR-163 (Cuiabá-Santarém), mas a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, se supera. Aos jornais, ela revelou que uma das principais conquistas de seu ministério, no primeiro mandato de Lula, foi conseguir barrar o asfaltamento da rodovia. E fez afirmação se fosse a coisa mais natural do mundo.

 

 

 

 

 

GAZETA DO POVO – PR

PARANÁ
23/01/2007

Dnit inicia obras para recuperar a Estrada da Ribeira

O Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes (Dnit) deve começar hoje as obras de contenção do barranco e de recuperação do quilômetro 20 da Estrada da Ribeira. Na manhã da última sexta-feira, a queda do barranco abriu um buraco na rodovia, interditando uma das pistas. Por enquanto, os motoristas de caminhão estão sendo orientados a procurar uma rota alternativa.

Segundo o engenheiro-supervisor do
Dnit, Ronaldo Soares, o movimento na região diminuiu, o que vai facilitar os trabalhos. “Mesmos com as chuvas intensas do fim de semana, o buraco se manteve nas mesmas proporções”, disse Soares. A estimativa é de que a pista interditada seja liberada até sexta-feira.

De acordo com o
Dnit, o desmoronamento foi causado pelo rompimento de uma tubulação no local. “O trecho é uma área de reflorestamento, corte e retirada de vegetação. O material proveniente acaba se alojando nos bueiros, causando muita pressão”, afirmou Soares.

No sábado, uma equipe do
Dnit recuperou um afundamento no quilômetro 96 da rodovia. O problema foi constatado no dia do acidente, quando os engenheiros fizeram uma varredura pela estrada para a identificação de outros danos estruturais. “Os problemas enfrentados, em sua grande maioria, são de ordem de falta de limpeza e conservação”, lembra Soares. Há cerca de 20 dias ele fez um alerta para a situação emergencial da estrada, pois a licitação da empresa que iria fazer a manutenção tinha sido suspensa.

 

 

 

TRIBUNA DO NORTE - RN

ECONOMIA
23/01/2007

NE terá verbas para transportes

Brasília - A Região Nordeste receberá a maior parte dos investimentos em transportes do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Até 2010, serão R$ 7,3 bilhões, distribuídos na recuperação, duplicação e construção de rodovias federais como as BRs 101, 230, 135, 116 e 324, e na construção de uma ponte sobre o rio São Francisco, na divisa entre Pernambuco e Bahia.

Também estão previstas a construção de uma variante ferroviária em Aratu (BA) e de berços e dragagem no
Porto de Itaqui (MA); a duplicação das estradas que dão acesso aos portos de Itaqui e Pecém (CE) e a construção de novo acesso rodoferroviário ao Porto de Suape (PE) e da Via Expressa Portuária que leva ao Porto de Salvador (BA).

As regiões Norte e Sudeste ficarão com a segunda e a terceira maiores parcelas de investimentos em
transportes. O Norte terá R$ 6,2 bilhões nos próximos quatro anos - a maioria das obras será nas rodovias federais BR-364, BR-319, BR-163, BR-230 e BR-156. Além disso, está prevista a Ferrovia Norte-Sul, que vai de Araguaína a Palmas (TO), e, no Pará, serão construídas as eclusas da Usina de Tucuruí e ampliado o Porto de Vila do Conde. Pelo menos quatro terminais hidroviários serão construídos na região amazônica, nos estados de Manaus e Pará.

Na Região Sudeste, que terá R$ 6,1 bilhões para investimento em transporte, as obras previstas para os próximos quatro anos são: o arco rodoviário do Rio de Janeiro, adequação, duplicação e pavimentação de
estradas (BRs 101, 381, 153, 040, 050, 262 e 265), adequação da linha férrea de Barra Mansa (RJ), construção do contorno ferroviário de Araraquara (SP) e de avenidas perimetrais do Porto de Santos e também dragagem, e contenção do Cais do Porto de Vitória (ES).

Os investimentos de R$ 3,9 bilhões, até 2010, em transporte, na Região Sul, incluem duplicação, pavimentação, adequação de contornos em diversas
estradas federais (BRs 101, 116, 386, 392, 158, 470, 280, 282, 153 e 116), construção da segunda ponte internacional sobre o Rio Paraná (em Foz do Iguaçu), ampliação da capacidade do corredor ferroviário do oeste do Paraná.

 

 

CORREIO DO POVO - RS

GERAL
23/01/2007

PAC traz recursos para transporte

O superintendente do Dnit/RS cita investimentos em rodovias, portos e no Aeroporto Salgado Filho

O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), lançado ontem pelo presidente Lula, beneficiará o Rio Grande do Sul com investimentos em rodovias federais, portos e aeroporto da Capital. Um dos projetos contemplados é a aplicação de mais recursos na duplicação do trecho Sul da BR 101 (Palhoça/SC'Osório/RS). Estão previstos ainda recursos para o Programa Via Expressa, na BR 116, que visa desafogar o trânsito na região Metropolitana de Porto Alegre, duplicação da BR 386, entre Canoas e Estrela, e da BR 392, trecho Pelotas'Rio Grande, pavimentação da BR 158, entre Santa Maria e Rosário do Sul, ampliação dos molhes e dragagem de aprofundamento do Porto de Rio Grande e ampliação da pista do Aeroporto Internacional Salgado Filho.

De acordo com o superintendente regional do
Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit/RS), Marcos Ledermann, o projeto de construção da BR 448 também está previsto no PAC. Com 22 km de extensão, a rodovia federal passará por trás do Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, estendendo-se até a BR 386, no trecho Tabaí'Canoas. Lederman aguarda para hoje a liberação dos recursos da União para a restauração das estradas federais gaúchas em 2007. 'Vamos priorizar os trechos em pior estado. Com os investimentos, o RS terá rodovias de primeiro mundo', frisou.

O MT anunciou que o investimento total nos estados da região Sul alcança R$ 3,9 bilhões. Em todo o país, estão programadas realizações em 45.337 quilômetros de
rodovias. Destes, 42.090 receberão melhorias por meio do governo, com obras de recuperação, duplicação e construção, enquanto o setor privado fará melhorias em 3.247 quilômetros. Os recursos do Orçamento Geral da União a serem investidos entre 2007 e 2010 em rodovias, ferrovias, portos marítimos e fluviais e hidrovias somam R$ 30,9 bilhões. A estimativa de investimento privado é de R$ 24,3 bilhões.

 

 

 

DCI - SP

SERVIÇOS
23/01/2007

Transporte de cargas vê benefício em programa

O setor brasileiro de logística se mostrou otimista em relação às medidas anunciadas ontem pelo presidente Lula na divulgação do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), em especial as referentes à malha ferroviária, mas lamentou a ausência da desoneração nas tarifas de pedágio.

“O governo se compromete em investir R$ 33,437 bilhões até 2010. A maior parte será para realizar obras em 45.337 quilômetros, sendo que 42.090 quilômetros deverão receber investimentos públicos, para recuperação, adequação, duplicação e construção. Outros 3.247 quilômetros deverão receber investimentos privados”, diz Geraldo Vianna, presidente da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC & Logística).

O segmento lamenta, porém, que a desoneração de tarifas de pedágio não tenha sido contemplada. “A NTC propôs reduzir entre 15% e 22% as tarifas de pedágio. Vamos pleitear junto ao executivo talvez uma emenda para que isso seja colocado em prática junto com o programa”, diz.