ISTOÉ - SP

BRASIL CONFIDENCIAL
02/07/2006

 

Tapa-buracos

 

Na manhã de quarta-feira 28, 15 equipes de pesquisadores da Confederação Nacional dos Transportes começaram a percorrer 85 mil quilômetros de estradas federais. Vão conferir se a Operação Tapa-Buracos de Lula deu certo ou virou farofa.

Traição

Petistas de todos os matizes não podem ouvir um nome: Alexandre Silveira. Depois de ocupar o cargo mais disputado do segundo escalão do governo – o de diretor-geral do
DNIT –, o apadrinhado do vice-presidente José Alencar é candidato a deputado federal pelo PPS, apóia a reeleição de Aécio Neves em Minas e virou as costas para Lula.

 

 

O TEMPO - MG

GERAL
02/07/2006

 

Grevistas paralisados há 110 dias não irão receber reajuste

 

BRASÍLIA - Servidores em greve há mais de 110 dias não foram contemplados pelo aumento salarial concedido pelo governo federal, afirma o secretário-geral da Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público (Condsef), Josemilton Costa.

Entre eles estão trabalhadores do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e do Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes (
Dnit). "Ficou aí uma grande massa de fora que, segundo o governo, esses servidores foram contemplados anteriormente", afirma Josemilton Costa.

Segundo ele, a Condsef avalia que o governo buscou recompor perdas salariais, mas houve favorecimento de setores que ele afirma serem priorizados desde a gestão anterior.

"O governo utiliza o mesmo instrumento de governos passados de priorizar com aumentos substâncias alguns setores que já vinham sendo prestigiados como a área da segurança, da diplomacia e do fisco."

O secretário-geral cobra reestruturação das carreiras de forma a ser garantido tratamento igualitário entre os diversos níveis do serviço público. "O governo tem que ter uma política voltada a dar tratamentos iguais para servidores de níveis, de cargos e funções semelhantes."

No próximo dia 8 de julho, a Condsef deve realizar uma plenária para avaliar os reajustes concedidos e o que os servidores não-contemplados consideram ser rompimento de acordo com o negociado anteriormente com o governo.

De acordo com o Ministério do Planejamento, ainda nesta quarta-feira devem ser publicadas em edição extra do Diário Oficial da União medidas provisórias que concedem aumento salarial à cerca de 1,5 milhão de servidores. Os reajustes variam entre 5% e 190%.

Com Agência Brasil

 

 

DIÁRIO DA TARDE – MG

CIDADES
02/07/2006

 

Alívio no caminho

 

Há muito, o Anel Rodoviário de Belo Horizonte vem sendo palco de acidentes, atropelamentos e mortes. Ontem mais um transeunte um homem ainda não identificado, com cerca de 30 anos perdeu a vida, por volta das 13 horas, ao tentar cruzar, correndo, a rodovia no Km 13, próximo à Praça São Vicente, no Bairro Padre Eustáquio, região Noroeste, onde foi atingido por um caminhão. O corpo ficou por cerca de 40 minutos na pista, provocando engarrafamento de dois quilômetros no sentido Vitória.

Em 2005, a Polícia Militar Rodoviária ( PMR) registrou 1.708 acidentes no Anel, sendo 94 atropelamentos, com um total de 32 mortes. Este ano, até maio, foram registrados 739 acidentes, com 32 atropelamentos. Nove pessoas já tinham morrido naquela via até ontem. Nos últimos três anos, a rodovia foi o corredor de trânsito que mais matou em Belo Horizonte (pelo menos 111 pessoas morreram nos 26 quilômetros do Anel, de 2003 a 2005). O número de mortos em acidentes corresponde a um quinto do total registrado na cidade (638). O número de feridos chegou à assustadora marca de 1,4 mil.

RECUPERAÇÃO

De acordo com o subtenente Geraldo Donizette, da 7ª Companhia da PMR, a falta de atenção e o excesso de velocidade são os principais causadores dos acidentes, mas as condições da via também têm tido contribuição fundamental para o triste recorde alcançado pelo Anel.

Mas depois de décadas de angustiante espera, a esperança chega para esta via tão degradada e perigosa. A Prefeitura de Belo Horizonte iniciou ontem obras de recuperação do Anel Rodoviário, que incluem troca de pavimento, instalação de nova sinalização, reforma do sistema de drenagem e construção de oito passarelas (veja o mapa), uma antiga reivindicação de moradores das comunidades vizinhas. Em uma semana, todos os buracos deverão estar tapados e o recapeamento do asfalto terá início nesse mesmo período.

O projeto foi viabilizado por meio de um convênio assinado pela Prefeitura, responsável pelas obras, e o
Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit), órgão que administra o Anel. Os investimentos somam R$ 72 milhões, 79% financiados pelo governo federal e o restante, pela administração municipal. O projeto executivo foi doado pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), ao custo de R$ 212 mil. A reforma estava prevista para começar há alguns meses, mas, devido à demora na aprovação do Orçamento da União, teve que ser adiada. Sua conclusão está prevista para dezembro.

O procurador-geral do Município, Marco Antônio Rezende, explica que, para não haver atraso maior, as obras serão feitas em caráter emergencial. A Prefeitura contratou duas empreiteiras, com licença de licitação, que vão cuidar de dois trechos. O primeiro vai do início da rodovia, na região do Barreiro, até o cruzamento com a Avenida Amazonas, na região Oeste. O outro vai até a saída para Vitória, na interseção com a BR-381. O processo de concorrência pública poderia demorar muito. Por isso, optamos por esse sistema. O Anel não pode esperar mais , justifica.

ASFALTO

Rachado e cheio de ondulações, o asfalto será substituído por um material mais resistente à chuva e ao peso dos caminhões. A previsão é de que o pavimento suporte o tráfego diário de 100 mil veículos (nos horários de pico, o fluxo de motos, carros, ônibus e caminhões chega a 12 mil por hora) por cinco a 10 anos. O secretário municipal de Política Urbana, Murilo Valadares, diz que projetos estruturais, para resolver outros problemas, como os engarrafamentos, já foram discutidos, mas demandariam mais recursos. A obra mais completa incluiria, entre outras intervenções, a construção de trincheiras e viadutos nas principais intercessões. Mas custaria R$ 260 milhões. Diante do bom e do ótimo, optamos pelo bom.

Ele explica que, para melhorar a sinalização, serão instaladas 200 placas de informações de trânsito e turísticas. O sistema de escoamento será refeito em alguns trechos e passará por uma limpeza. As bocas-de-lobo, a maioria sem tampas ou encoberta pelo mato, terão nova cobertura, para evitar tragédias como a que matou, no ano passado, a estudante Andréia da Silva de Oliveira, de 20 anos. Em 19 de fevereiro, ela foi tragada por um bueiro sem tampa durante uma forte chuva.

PASSARELAS

As oito novas passarelas vão se somar às 13 que já existem e são insuficientes para dar segurança aos pedestres. Elas vão ser construídas próximas a pontos com maior índice de atropelamentos, como o Km 19 (Bairro São Francisco) e Km 26 (Favela da Luz), na saída para o Espírito Santo.

Além de ser responsável por boa parte dos 5 mil acidentes registrados nos últimos três anos, a pista ruim causa transtornos como o enfrentado pelo aposentado Raimundo de Oliveira, de 59, no fim da tarde de ontem. Depois de passar sobre buraco, o pneu estourou. A situação do asfalto é terrível. A sorte é que estava a 60 km/h e não perdi o controle do carro. Espero que, desta vez, a população ganhe uma rodovia mais digna , afirma.

 

 

ISTOÉ - SP

BRASIL CONFIDENCIAL
02/07/2006

 

O amigo oculto da Varig

 

Omar Carneiro da Cunha, ex-presidente da Shell e da Varig, assumiu a vice-presidência do Conselho de Administração da Velog, a empresa de logística vendida pela companhia para o grupo do chinês Lap Chan. A missão de Omar, tocada em parceria com o advogado Roberto Teixeira, é viabilizar a compra de toda a Varig. Curioso é que foi Omar que, quando presidente do Grupo Varig, vendeu a Velog para outros chineses, o GeoCapital, de Macau – que a repassou para o conterrâneo Chan.

Guru de Quércia

O deputado Delfim Netto, ex-guru dos presidentes Médici, Figueiredo e Lula, está fazendo o programa de governo do candidato Orestes Quércia ao governo paulista. Serão dois focos: educação e segurança.

Tapa-buracos

Na manhã de quarta-feira 28, 15 equipes de pesquisadores da Confederação Nacional dos Transportes começaram a percorrer 85 mil quilômetros de
estradas federais. Vão conferir se a Operação Tapa-Buracos de Lula deu certo ou virou farofa.

Traição

Petistas de todos os matizes não podem ouvir um nome: Alexandre Silveira. Depois de ocupar o cargo mais disputado do segundo escalão do governo – o de diretor-geral do
DNIT –, o apadrinhado do vice-presidente José Alencar é candidato a deputado federal pelo PPS, apóia a reeleição de Aécio Neves em Minas e virou as costas para Lula.

Segredos do túmulo

O consultor político Ney de Lima Figueiredo está organizando uma pesquisa para verificar qual era a situação patrimonial de políticos importantes no momento de sua morte. Contratou pesquisadores para escavar os segredos de homens como Getúlio Vargas, JK, Carlos Lacerda, Ernesto Geisel e Covas.

Sangue e novelas

Jorge Yunes, dono da Editora Nacional, está montando um jornal gratuito para ser distribuído no Metrô de São Paulo. Serão notícias de polícia, cidades e tevê. No início, serão distribuídos 200 mil exemplares.

Toma-lá-dá-cá com Gilberto Gil, minsitro da cultura

ISTOÉ – O sr. ainda diverge do padrão da TV digital?
Gilberto Gil – Não tive divergência, pois não defendi nenhum modelo.

Qual a sua proposta?
Defendi que era preciso estabelecer um modelo que protegesse os interesses brasileiros.

Não se deveria rediscutir os critérios de distribuição de canais de rádio e tevê?
A novidade na TV digital é que há uma multiplicação considerável de programações. Agora é que se coloca a necessidade de regulamentação.

Bomba no coração tucano

O Instituto do Coração de São Paulo, Incor, está sendo investigado pelo Ministério Público. Há um rombo de
R$ 45 milhões em repasses do SUS não realizados pelo governo de Geraldo Alckmin. O MP descobriu que o Incor recebeu gordas verbas da Câmara dos Deputados na gestão de Aécio Neves, mas sem os necessários empenhos. Adelmar Sabino era o diretor-geral da Câmara quando as verbas foram liberadas. Agora é presidente da Fundação Zerbini, que controla o Incor.

Improbidade administrativa

O jornalista Marcelo Netto, aquele do caso da violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo, acaba de ser condenado pela Justiça Federal. Mas em outro caso. Quando era presidente da Radiobrás, no governo Collor, demitiu 56 pessoas para empregar amigos. Todas as contratações sem concurso. O Tribunal considerou as admissões “ilegais” e mandou demitir os protegidos de Marcelo que restam na estatal.

Disputa na Fiesp

Uma questão reúne os dois concorrentes nas eleições da Fiesp. O atual presidente, Paulo Skaf, pediu uma reunião com o adversário, o ministro Luís Fernando Furlan, para discutir a fuga de indústrias paulistas para outros Estados. Skaf prega retaliações contra os que praticam guerra fiscal, como Goiás. E exige que Furlan se posicione.

Serra Pelada

O garimpo de Serra Pelada está pronto para ser reaberto. Mas, antes, o governo está exigindo um acordo entre a cooperativa e o sindicato dos garimpeiros locais. Uma entidade é controlada pelo prefeito Sebastião Curió; a outra, pelo
PT. Ambas disputam os R$ 300 milhões depositados na Caixa Econômica Federal como royalties pela exploração.

Boa tacada

O ex-ministro do Supremo Maurício Corrêa foi contratado por um grupo de ex-cabos da Aeronáutica para virar uma causa no STF. No processo RMS 25581, um grupo de 495 ex-cabos exige R$ 130 milhões de indenizações como anistiados da ditadura. Corrêa recebeu R$ 50 mil adiantados e pede 20% em caso de êxito.

Retrato falado

Se Geraldo Alckmin for eleito presidente, as festas juninas vão continuar em Brasília. Mas o “arraiá” vai mudar da Granja do Torto para o Palácio do Jaburu, residência do vice. É que o senador José Jorge, candidato a vice de Alckmin, há uma década organiza o mais disputado São João político da corte. Este ano, ele festejou no salão da Catedral Anglicana de Brasília. Lotou. O próprio Alckmin pulou a fogueira.

Rápidas

• A Polícia Federal se prepara para enfrentar nova onda de conflitos na reserva indígena Raposa Serra do Sol. A reserva ainda está ocupada por plantadores de arroz, dispostos a não sair do local. Se necessário, o Exército será chamado.
• O senador Cristovam Buarque, do PDT, convidou Luiz Fernando Emediato, dono da Editora Geração, para ser o marqueteiro da sua campanha presidencial. E tenta se acertar com a agência Layout da Bahia, que deverá produzir sua propaganda na tevê.
• Após um longo descanso, a ex-prefeita Marta Suplicy está de volta ao batente. Fora da disputa eleitoral, ela vai ajudar na campanha de Lula e dos aliados mais próximos. E, meio a contragosto, na de Aloizio Mercadante.

 

 

DIÁRIO DE CUIABÁ - MT

CIDADES
02/07/2006

 

Os guardiões da hidrovia do Paraguai

A cada mês e meio, um grupo de operários percorre 653 quilômetros da importante via navegável, fazendo a manutenção dos sinalizadores

 

Ahipar/DC
Trabalhador remove um dos sinalizadores instalados ao longo da
hidrovia do Rio Paraguai, no Pantanal
Da Reportagem
Durante 25 dias, técnicos e trabalhadores braçais da Ahipar (Administração da Hidrovia do Rio Paraguai) percorrem 653 quilômetros da importante via navegável, considerada corredor natural do Mercosul, para realizar um trabalho essencial para a segurança de comboios, barcos e botes de turistas, pescadores e ribeirinhos. É a manutenção da sinalização náutica padronizada, que indica o canal do rio em mudança constante.

A tarefa, repetida quatro vezes neste semestre, em acordo com a Marinha do Brasil, exige experiência, esforço físico e conhecimento do rio, que altera naturalmente seu curso e exige precisão na substituição da simbologia das placas. Sobretudo nesse período em que o rio está cheio e o barranco assoreado não segura as balizas de aço galvanizado, que acabam submersas, escondidas entre os camalotes.

A Ahipar é responsável pela manutenção da sinalização entre Corumbá e Cáceres (MT), cuja supervisão técnica cabe a Marinha, através do Serviço de Sinalização Náutica do Oeste, do 6º Distrito Naval, sediado em Ladário. A Marinha, por sua vez, realiza monitoramento semelhante no trecho entre Corumbá e a Foz do Apa, em
Porto Murtinho. A hidrovia estende-se por 3.442 quilômetros, de Cáceres a Nueva Palmira, no Uruguai.

A atual sinalização foi homologada pelo Comitê Intergovernamental da Hidrovia Paraguai-Paraná (CIH), integrado pelo Brasil, Argentina, Uruguai, Bolívia e Paraguai. O projeto de implantação, no entanto, está em fase de aprovação pela Marinha, que realiza vistorias constantes no trecho brasileiro. São seis sinais, indicando margens direita e esquerda, em placas em forma de triângulo, quadrado e losango.

Empresa do
Ministério dos Transportes, com sede em Corumbá, a Ahipar desempenha a função de autoridade portuária na hidrovia. Além da sinalização, atua na implantação da gestão ambiental na via, exercendo um controle sobre toda a bacia, e executa projetos fundamentais para garantir a navegabilidade, como dragagem em pontos críticos, que impedem o assoreamento do rio devido ao desmatamento, monocultura e efeitos naturais.

Também está sendo implementado o modelo matemático (que prevê níveis do rio com até 30 dias), instalação de centros de defesa (em Corumbá, Cáceres e
Porto Murtinho), levantamento topobatimétrico (reconhece os depósitos de sedimentos) e análises da água. As embarcações hoje já navegam com base em carta eletrônica, via satélite, cujo sistema será implantado em toda a via.

Foco de polêmicas no passado, por conta de um megaprojeto binacional que previa obras de engenharia com eliminação de curvas e derrocamento, a
hidrovia hoje mantém sua navegabilidade plena graças a esse planejamento estratégico de monitoramento. ““Trabalhamos com clareza e hoje mantemos estreito relacionamento com o Ministério Público, com o Ibama e com as Ongs”, esclareceu o superintendente do órgão, Fermiano Yarzon.

 

 

O LIBERAL - PA

ALYRIO SABBÁ
02/07/2006

 

BEIRA DO CAIS

 

O Banco do Brasil é o mais novo Agente Financeiro do Fundo de Marinha Mercante. Convênio assinado com o Ministério dos Transportes. Muito bom para a Amazônia.

 

 

O LIBERAL - PA

REPÓRTER 70
02/07/2006

 

Ferrovias

 

Está no ar, nas emissoras de rádio, propaganda do Ministério dos Transportes sobre os investimentos do governo federal na malha ferroviária nacional. A peça diz que a Norte/Sul já avançou mais de 150 quilômetros, no Maranhão e Goiás, e anuncia o início das obras de construção da Transnordestina, que vai interligar todo o Nordeste aos portos de Fortaleza e Recife. O empreendimento custará R$ 4,5 bilhões, segundo a propaganda.

Esquecido

A propaganda dessas obras ferroviárias do governo federal não é, evidentemente, uma provocação aos paraenses, que esperam há trinta anos pela conclusão das eclusas de Tucuruí. Mas que parece, parece. Além de excluir qualquer investimento no transporte hidroviário, o mais barato de todos, a propaganda diz que as novas
ferrovias vão impulsionar o escoamento de minérios, de grãos e de carga geral para os portos do Maranhão, do Ceará e de Pernambuco. Do Pará, nem sinal.

 

 

ÉPOCA - RJ

BASTIDORES
02/07/2006

 

Como se divide o poder

 

O PT e o PSDB querem a Presidência. O PMDB quer poder. Nas conversas sobre um eventual segundo governo Lula, o ex-presidente José Sarney e o presidente do Senado, Renan Calheiros, falam muito sobre uma "coalizão do PMDB com o PT com divisão de responsabilidades para garantir a sustentação congressual". O que isso quer dizer? Significa que o PMDB não quer mais ter um ministério aqui, outro acolá. Quer repartir o governo em grandes áreas (social, econômica, produção etc.) com os partidos donos de todos os cargos de um setor, como acontece na coalizão alemã dos democrata-cristãos e dos socialdemocratas. Num exemplo citado em conversa, o PMDB ficaria responsável pela infra-estrutura, incluindo os ministérios dos Transportes, de Minas e Energia, Comunicações, Integração e estatais como o Banco do Brasil e o BNDES.

Com amigos como esses...

Partido estranho o PSDB. Ele não ajuda a campanha de Geraldo Alckmin:
- No Rio Grande do Sul, lançou a deputada Yeda Crucius, perdendo o apoio do governador Germano Rigotto, o favorito no segundo turno;
- No Paraná, vai apoiar a reeleição do governador Roberto Requião (PMDB), dileto amigo de Lula. Na prática, Alckmin ficou sem campanha no Estado;
- No Ceará, por questões locais, o presidente nacional do PSDB, Tasso Jereissati, votará em Cid Gomes, o candidato de Ciro Gomes e Lula. De novo, Alckmin estará de pires na mão;
- No Rio, manteve acesa a verve de Cesar Maia (PFL) ao lançar Eduardo Paes.

Estado forte

O ministro Guido Mantega anuncia nesta semana que cresceram os investimentos do governo, assim como os do setor privado. É uma resposta ao noticiário com a informação de que o governo Lula está gastando mais apenas com salários e pensões.

As bexigas do novo tesoureiro

Tesoureiro da campanha de Lula e sucessor de Delúbio Soares, um dos ícones do mensalão, José Filippi tem uma pendência em seu currículo eleitoral. É acusado de ter usado dinheiro da Prefeitura de Diadema, São Paulo, em sua reeleição, em 2004. De acordo com o processo que corre no TSE, durante o desfile de 7 de Setembro, semanas antes da eleição, a Prefeitura comprou e distribuiu bexigas, camisetas e bandeiras com propaganda eleitoral.
Walter Nunes

O pedágio de US$ 50 mi

Máquina de ganhar dinheiro, o banqueiro Daniel Dantas tem um cálculo difícil a sua frente: diminuir o prejuízo com os efeitos do dossiê que a empresa de investigações Kroll montou contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Até meses atrás, Dantas pretendia vender suas participações nas companhias Brasil Telecom, Telemig e Telemar e ficar com mais de US$ 800 milhões em caixa. Mas sua participação direta na contratação da Kroll deve diminuir essa fortuna em US$ 50 milhões, segundo estimativas conservadoras, pelas dificuldades que um governo com má vontade sempre pode causar à aprovação das negociações.

As estrelas

Com muitos artistas magoados como PT, Heloísa Helena (P-SOL) está virando a candidata dos VIPs. Segundo sua assessoria, entre os que a apóiam estão a atriz Suzana Vieira, os cantores Rita Lee e Guilherme Arantes, a roteirista Fernanda Young e o técnico Wanderley Luxemburgo. Nelito Fernandes

O peso do passado

A venda de quase US$ 1 bilhão em ações do Banco do Brasil revelou como é pesado o carma de quem deixou o país. Nos road-shows com grandes investidores para convencê-los de que o negócio era bom, o BB teve mais dificuldade com os brasileiros que vivem no exterior que com os estrangeiros. O motivo principal é o passado de ingerência política no BB, ainda muito fresco na memória dos brasileiros expatriados. No final, a oferta de ações foi um sucesso, com as vendas divididas em partes iguais entre investidores do Brasil, dos EUA e da Europa.

Devagar com as conclusões

A fusão de Mittal e Arcelor, que formou a maior siderúrgica do mundo, deu corda à idéia de que para sobreviver as empresas brasileiras teriam de ser vendidas ou se juntar. "É uma conclusão precipitada. As empresas brasileiras têm maior produtividade que as estrangeiras. São elas que precisam melhorar seu portfolio. Nós temos de investir", diz Benjamin Steinbruch, presidente da CSN. Ele diz que o tamanho de sua companhia triplicará até 2010.

Brinde a quem?

Um mal-estar foi registrado num almoço recente que reuniu gente graúda do Exército, do governo e da Petrobras para celebrar a auto-suficiência no petróleo. Em determinado momento, a ministra Dilma Rousseff, das Minas e Energia, propôs um brinde ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O comandante do Exército, Francisco de Albuquerque, o da carteirada num vôo, de imediato determinou um brinde diferente: ao Brasil.

O petróleo e o PT

Mais Petrobras: funcionários graduados fizeram uma conta. Quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assumiu, o custo do barril de petróleo produzido pela Petrobras girava em torno de US$ 13. Hoje, bate em US$ 20. Se o preço fosse corrigido pela inflação americana, estaria em US$ 15. A diferença de US$ 5 é atribuída ao estilo do PT de administrar estatais.

Sem escalas

A derrocada da Varig torna mais evidente um nó no sistema viário: nos últimos cinco anos, 51 cidades deixaram de ter vôos comerciais. Até antes da onda de cancelamentos, apenas 130 municípios tinham rotas de avião - número que caiu para menos de cem no mês passado. Saíram cidades do interior, incluindo a própria Rio Grande, que dá nome à Varig.
Isabel Clemente

"Os banqueiros gostam de Lula"
Dono do Moinho Pacífico e membro da Fiesp, Lawrense Pih apóia Lula desde os anos 80

ÉPOCA-Como está a popularidade de Lula entre seus colegas?
Lawrense Pih - Na indústria e no comércio de São Paulo, a maioria vota no Alckmin. Quem gosta mais do Lula é a turma do sistema financeiro.
ÉPOCA - Não é uma ironia os banqueiros gostarem do PT?
Pih - É porque o presidente teve de adotar uma política econômica prudente.
ÉPOCA - E por que o senhor, um industrial, continua a apolã-lo?
Pih - Ah, se eu pensasse só em mim, criticava o governo todo dia, com o que sofro com a concorrência do trigo importado subsidiado. Mas não posso pensar só em meu bem-estar. Eu sei que cresço se o Brasil crescer. E, no segundo mandato, o país vai crescer mais.