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BRASIL
CONFIDENCIAL
02/07/2006
Tapa-buracos
Na manhã de
quarta-feira 28, 15 equipes de pesquisadores da Confederação Nacional dos Transportes
começaram a percorrer 85 mil quilômetros de estradas
federais. Vão conferir se a Operação Tapa-Buracos de Lula deu certo ou virou
farofa.
Traição
Petistas de todos os matizes não podem ouvir um nome: Alexandre Silveira.
Depois de ocupar o cargo mais disputado do segundo escalão do governo – o de
diretor-geral do DNIT –, o apadrinhado do vice-presidente
José Alencar é candidato a deputado federal pelo PPS, apóia a reeleição de
Aécio Neves em Minas e virou as costas para Lula.
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GERAL
02/07/2006
Grevistas
paralisados há 110 dias não irão receber reajuste
BRASÍLIA -
Servidores em greve há mais de 110 dias não foram contemplados pelo aumento salarial
concedido pelo governo federal, afirma o secretário-geral da Confederação dos
Trabalhadores no Serviço Público (Condsef), Josemilton Costa.
Entre eles estão trabalhadores do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente
(Ibama), Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e do
Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes (Dnit). "Ficou aí uma grande massa
de fora que, segundo o governo, esses servidores foram contemplados
anteriormente", afirma Josemilton Costa.
Segundo ele, a Condsef avalia que o governo buscou recompor perdas salariais,
mas houve favorecimento de setores que ele afirma serem priorizados desde a
gestão anterior.
"O governo utiliza o mesmo instrumento de governos passados de priorizar
com aumentos substâncias alguns setores que já vinham sendo prestigiados como a
área da segurança, da diplomacia e do fisco."
O secretário-geral cobra reestruturação das carreiras de forma a ser garantido
tratamento igualitário entre os diversos níveis do serviço público. "O
governo tem que ter uma política voltada a dar tratamentos iguais para
servidores de níveis, de cargos e funções semelhantes."
No próximo dia 8 de julho, a Condsef deve realizar uma plenária para avaliar os
reajustes concedidos e o que os servidores não-contemplados consideram ser
rompimento de acordo com o negociado anteriormente com o governo.
De acordo com o Ministério do Planejamento, ainda nesta quarta-feira devem ser
publicadas em edição extra do Diário Oficial da União medidas provisórias que
concedem aumento salarial à cerca de 1,5 milhão de servidores. Os reajustes
variam entre 5% e 190%.
Com Agência Brasil
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CIDADES
02/07/2006
Alívio no caminho
Há muito, o Anel
Rodoviário de Belo Horizonte vem sendo palco de acidentes, atropelamentos e
mortes. Ontem mais um transeunte um homem ainda não identificado, com cerca de
30 anos perdeu a vida, por volta das 13 horas, ao tentar cruzar, correndo, a
rodovia no Km 13, próximo à Praça São Vicente, no Bairro Padre Eustáquio,
região Noroeste, onde foi atingido por um caminhão. O corpo ficou por cerca de
40 minutos na pista, provocando engarrafamento de dois quilômetros no sentido
Vitória.
Em 2005, a Polícia Militar Rodoviária ( PMR) registrou 1.708 acidentes no Anel,
sendo 94 atropelamentos, com um total de 32 mortes. Este ano, até maio, foram
registrados 739 acidentes, com 32 atropelamentos. Nove pessoas já tinham
morrido naquela via até ontem. Nos últimos três anos, a rodovia foi o corredor
de trânsito que mais matou em Belo Horizonte (pelo menos 111 pessoas morreram
nos 26 quilômetros do Anel, de 2003 a 2005). O número de mortos em acidentes corresponde
a um quinto do total registrado na cidade (638). O número de feridos chegou à assustadora
marca de 1,4 mil.
RECUPERAÇÃO
De acordo com o subtenente Geraldo Donizette, da 7ª Companhia da PMR, a falta
de atenção e o excesso de velocidade são os principais causadores dos
acidentes, mas as condições da via também têm tido contribuição fundamental
para o triste recorde alcançado pelo Anel.
Mas depois de décadas de angustiante espera, a esperança chega para esta via
tão degradada e perigosa. A Prefeitura de Belo Horizonte iniciou ontem obras de
recuperação do Anel Rodoviário, que incluem troca de pavimento, instalação de
nova sinalização, reforma do sistema de drenagem e construção de oito
passarelas (veja o mapa), uma antiga reivindicação de moradores das comunidades
vizinhas. Em uma semana, todos os buracos deverão estar tapados e o recapeamento
do asfalto terá início nesse mesmo período.
O projeto foi viabilizado por meio de um convênio assinado pela Prefeitura,
responsável pelas obras, e o Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit), órgão
que administra o Anel. Os investimentos somam R$ 72 milhões, 79% financiados
pelo governo federal e o restante, pela administração municipal. O projeto
executivo foi doado pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais
(Fiemg), ao custo de R$ 212 mil. A reforma estava prevista para começar há
alguns meses, mas, devido à demora na aprovação do Orçamento da União, teve que
ser adiada. Sua conclusão está prevista para dezembro.
O procurador-geral do Município, Marco Antônio Rezende, explica que, para não
haver atraso maior, as obras serão feitas em caráter emergencial. A Prefeitura
contratou duas empreiteiras, com licença de licitação, que vão cuidar de dois
trechos. O primeiro vai do início da rodovia, na região do Barreiro, até o
cruzamento com a Avenida Amazonas, na região Oeste. O outro vai até a saída
para Vitória, na interseção com a BR-381. O processo de concorrência pública
poderia demorar muito. Por isso, optamos por esse sistema. O Anel não pode
esperar mais , justifica.
ASFALTO
Rachado e cheio de ondulações, o asfalto será substituído por um material mais
resistente à chuva e ao peso dos caminhões. A previsão é de que o pavimento
suporte o tráfego diário de 100 mil veículos (nos horários de pico, o fluxo de
motos, carros, ônibus e caminhões chega a 12 mil por hora) por cinco a 10 anos.
O secretário municipal de Política Urbana, Murilo Valadares, diz que projetos
estruturais, para resolver outros problemas, como os engarrafamentos, já foram
discutidos, mas demandariam mais recursos. A obra mais completa incluiria,
entre outras intervenções, a construção de trincheiras e viadutos nas
principais intercessões. Mas custaria R$ 260 milhões. Diante do bom e do ótimo,
optamos pelo bom.
Ele explica que, para melhorar a sinalização, serão instaladas 200 placas de
informações de trânsito e turísticas. O sistema de escoamento será refeito em
alguns trechos e passará por uma limpeza. As bocas-de-lobo, a maioria sem
tampas ou encoberta pelo mato, terão nova cobertura, para evitar tragédias como
a que matou, no ano passado, a estudante Andréia da Silva de Oliveira, de 20
anos. Em 19 de fevereiro, ela foi tragada por um bueiro sem tampa durante uma
forte chuva.
PASSARELAS
As oito novas passarelas vão se somar às 13 que já existem e são insuficientes
para dar segurança aos pedestres. Elas vão ser construídas próximas a pontos
com maior índice de atropelamentos, como o Km 19 (Bairro São Francisco) e Km 26
(Favela da Luz), na saída para o Espírito Santo.
Além de ser responsável por boa parte dos 5 mil acidentes registrados nos
últimos três anos, a pista ruim causa transtornos como o enfrentado pelo
aposentado Raimundo de Oliveira, de 59, no fim da tarde de ontem. Depois de
passar sobre buraco, o pneu estourou. A situação do asfalto é terrível. A sorte
é que estava a 60 km/h e não perdi o controle do carro. Espero que, desta vez,
a população ganhe uma rodovia mais digna , afirma.
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BRASIL
CONFIDENCIAL
02/07/2006
O amigo oculto da
Varig
Omar Carneiro da
Cunha, ex-presidente da Shell e da Varig, assumiu a vice-presidência do
Conselho de Administração da Velog, a empresa de logística vendida pela
companhia para o grupo do chinês Lap Chan. A missão de Omar, tocada em parceria
com o advogado Roberto Teixeira, é viabilizar a compra de toda a Varig. Curioso
é que foi Omar que, quando presidente do Grupo Varig, vendeu a Velog para
outros chineses, o GeoCapital, de Macau – que a repassou para o conterrâneo
Chan.
Guru de Quércia
O deputado Delfim Netto, ex-guru dos presidentes Médici, Figueiredo e Lula,
está fazendo o programa de governo do candidato Orestes Quércia ao governo
paulista. Serão dois focos: educação e segurança.
Tapa-buracos
Na manhã de quarta-feira 28, 15 equipes de pesquisadores da Confederação
Nacional dos Transportes começaram a percorrer 85 mil quilômetros de estradas federais. Vão conferir se a Operação
Tapa-Buracos de Lula deu certo ou virou farofa.
Traição
Petistas de todos os matizes não podem ouvir um nome: Alexandre Silveira.
Depois de ocupar o cargo mais disputado do segundo escalão do governo – o de
diretor-geral do DNIT –, o apadrinhado do vice-presidente
José Alencar é candidato a deputado federal pelo PPS, apóia a reeleição de
Aécio Neves em Minas e virou as costas para Lula.
Segredos do túmulo
O consultor político Ney de Lima Figueiredo está organizando uma pesquisa para
verificar qual era a situação patrimonial de políticos importantes no momento
de sua morte. Contratou pesquisadores para escavar os segredos de homens como
Getúlio Vargas, JK, Carlos Lacerda, Ernesto Geisel e Covas.
Sangue e novelas
Jorge Yunes, dono da Editora Nacional, está montando um jornal gratuito para
ser distribuído no Metrô de São Paulo. Serão notícias de polícia, cidades e
tevê. No início, serão distribuídos 200 mil exemplares.
Toma-lá-dá-cá com Gilberto Gil, minsitro da cultura
ISTOÉ – O sr. ainda diverge do padrão da TV digital?
Gilberto Gil – Não tive divergência, pois não defendi nenhum modelo.
Qual a sua proposta?
Defendi que era preciso estabelecer um modelo que protegesse os interesses
brasileiros.
Não se deveria rediscutir os critérios de distribuição de canais de rádio e
tevê?
A novidade na TV digital é que há uma multiplicação considerável de
programações. Agora é que se coloca a necessidade de regulamentação.
Bomba no coração tucano
O Instituto do Coração de São Paulo, Incor, está sendo investigado pelo
Ministério Público. Há um rombo de
R$ 45 milhões em repasses do SUS não realizados pelo governo de Geraldo
Alckmin. O MP descobriu que o Incor recebeu gordas verbas da Câmara dos
Deputados na gestão de Aécio Neves, mas sem os necessários empenhos. Adelmar
Sabino era o diretor-geral da Câmara quando as verbas foram liberadas. Agora é
presidente da Fundação Zerbini, que controla o Incor.
Improbidade administrativa
O jornalista Marcelo Netto, aquele do caso da violação do sigilo bancário do
caseiro Francenildo, acaba de ser condenado pela Justiça Federal. Mas em outro
caso. Quando era presidente da Radiobrás, no governo Collor, demitiu 56 pessoas
para empregar amigos. Todas as contratações sem concurso. O Tribunal considerou
as admissões “ilegais” e mandou demitir os protegidos de Marcelo que restam na
estatal.
Disputa na Fiesp
Uma questão reúne os dois concorrentes nas eleições da Fiesp. O atual
presidente, Paulo Skaf, pediu uma reunião com o adversário, o ministro Luís
Fernando Furlan, para discutir a fuga de indústrias paulistas para outros
Estados. Skaf prega retaliações contra os que praticam guerra fiscal, como Goiás.
E exige que Furlan se posicione.
Serra Pelada
O garimpo de Serra Pelada está pronto para ser reaberto. Mas, antes, o governo
está exigindo um acordo entre a cooperativa e o sindicato dos garimpeiros
locais. Uma entidade é controlada pelo prefeito Sebastião Curió; a outra, pelo
PT. Ambas disputam os R$ 300 milhões depositados na Caixa Econômica Federal
como royalties pela exploração.
Boa tacada
O ex-ministro do Supremo Maurício Corrêa foi contratado por um grupo de
ex-cabos da Aeronáutica para virar uma causa no STF. No processo RMS 25581, um
grupo de 495 ex-cabos exige R$ 130 milhões de indenizações como anistiados da
ditadura. Corrêa recebeu R$ 50 mil adiantados e pede 20% em caso de êxito.
Retrato falado
Se Geraldo Alckmin for eleito presidente, as festas juninas vão continuar em
Brasília. Mas o “arraiá” vai mudar da Granja do Torto para o Palácio do Jaburu,
residência do vice. É que o senador José Jorge, candidato a vice de Alckmin, há
uma década organiza o mais disputado São João político da corte. Este ano, ele
festejou no salão da Catedral Anglicana de Brasília. Lotou. O próprio Alckmin
pulou a fogueira.
Rápidas
• A Polícia Federal se prepara para enfrentar nova onda de conflitos na reserva
indígena Raposa Serra do Sol. A reserva ainda está ocupada por plantadores de
arroz, dispostos a não sair do local. Se necessário, o Exército será chamado.
• O senador Cristovam Buarque, do PDT, convidou Luiz Fernando Emediato, dono da
Editora Geração, para ser o marqueteiro da sua campanha presidencial. E tenta
se acertar com a agência Layout da Bahia, que deverá produzir sua propaganda na
tevê.
• Após um longo descanso, a ex-prefeita Marta Suplicy está de volta ao batente.
Fora da disputa eleitoral, ela vai ajudar na campanha de Lula e dos aliados mais
próximos. E, meio a contragosto, na de Aloizio Mercadante.
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CIDADES
02/07/2006
Os guardiões da
hidrovia do Paraguai
A cada mês e
meio, um grupo de operários percorre 653 quilômetros da importante via navegável,
fazendo a manutenção dos sinalizadores
Ahipar/DC
Trabalhador remove um dos sinalizadores instalados ao longo da hidrovia do Rio Paraguai, no Pantanal
Da Reportagem
Durante 25 dias, técnicos e trabalhadores braçais da Ahipar (Administração da
Hidrovia do Rio Paraguai) percorrem 653 quilômetros da importante via
navegável, considerada corredor natural do Mercosul, para realizar um trabalho
essencial para a segurança de comboios, barcos e botes de turistas, pescadores
e ribeirinhos. É a manutenção da sinalização náutica padronizada, que indica o
canal do rio em mudança constante.
A tarefa, repetida quatro vezes neste semestre, em acordo com a Marinha do
Brasil, exige experiência, esforço físico e conhecimento do rio, que altera
naturalmente seu curso e exige precisão na substituição da simbologia das
placas. Sobretudo nesse período em que o rio está cheio e o barranco assoreado
não segura as balizas de aço galvanizado, que acabam submersas, escondidas
entre os camalotes.
A Ahipar é responsável pela manutenção da sinalização entre Corumbá e Cáceres
(MT), cuja supervisão técnica cabe a Marinha, através do Serviço de Sinalização
Náutica do Oeste, do 6º Distrito Naval, sediado em Ladário. A Marinha, por sua
vez, realiza monitoramento semelhante no trecho entre Corumbá e a Foz do Apa,
em Porto Murtinho. A hidrovia estende-se por 3.442 quilômetros,
de Cáceres a Nueva Palmira, no Uruguai.
A atual sinalização foi homologada pelo Comitê Intergovernamental da Hidrovia
Paraguai-Paraná (CIH), integrado pelo Brasil, Argentina, Uruguai, Bolívia e
Paraguai. O projeto de implantação, no entanto, está em fase de aprovação pela
Marinha, que realiza vistorias constantes no trecho brasileiro. São seis
sinais, indicando margens direita e esquerda, em placas em forma de triângulo,
quadrado e losango.
Empresa do Ministério dos Transportes, com sede em Corumbá, a Ahipar
desempenha a função de autoridade portuária na hidrovia. Além da sinalização, atua na implantação
da gestão ambiental na via, exercendo um controle sobre toda a bacia, e executa
projetos fundamentais para garantir a navegabilidade, como dragagem em pontos
críticos, que impedem o assoreamento do rio devido ao desmatamento, monocultura
e efeitos naturais.
Também está sendo implementado o modelo matemático (que prevê níveis do rio com
até 30 dias), instalação de centros de defesa (em Corumbá, Cáceres e Porto Murtinho), levantamento topobatimétrico
(reconhece os depósitos de sedimentos) e análises da água. As embarcações hoje
já navegam com base em carta eletrônica, via satélite, cujo sistema será
implantado em toda a via.
Foco de polêmicas no passado, por conta de um megaprojeto binacional que previa
obras de engenharia com eliminação de curvas e derrocamento, a hidrovia hoje mantém sua navegabilidade plena
graças a esse planejamento estratégico de monitoramento. ““Trabalhamos com
clareza e hoje mantemos estreito relacionamento com o Ministério Público, com o Ibama e com as
Ongs”, esclareceu o superintendente do órgão, Fermiano Yarzon.
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ALYRIO SABBÁ
02/07/2006
BEIRA DO CAIS
O Banco do
Brasil é o mais novo Agente Financeiro do Fundo de Marinha Mercante. Convênio assinado
com o Ministério dos
Transportes. Muito
bom para a Amazônia.
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REPÓRTER 70
02/07/2006
Ferrovias
Está no ar, nas
emissoras de rádio, propaganda do Ministério dos Transportes sobre os investimentos do governo federal na malha ferroviária
nacional. A peça diz que a Norte/Sul já avançou mais de 150 quilômetros, no
Maranhão e Goiás, e anuncia o início das obras de construção da Transnordestina,
que vai interligar todo o Nordeste aos portos de
Fortaleza e Recife. O empreendimento custará R$ 4,5 bilhões, segundo a
propaganda.
Esquecido
A propaganda dessas obras ferroviárias do governo federal não é, evidentemente,
uma provocação aos paraenses, que esperam há trinta anos pela conclusão das
eclusas de Tucuruí. Mas que parece, parece. Além de excluir qualquer
investimento no transporte hidroviário, o mais barato de todos, a propaganda
diz que as novas ferrovias vão impulsionar o escoamento de minérios,
de grãos e de carga geral para os portos do Maranhão,
do Ceará e de Pernambuco. Do Pará, nem sinal.
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BASTIDORES
02/07/2006
Como se divide o
poder
O PT e o PSDB
querem a Presidência. O PMDB quer poder. Nas conversas sobre um eventual segundo
governo Lula, o ex-presidente José Sarney e o presidente do Senado, Renan
Calheiros, falam muito sobre uma "coalizão do PMDB com o PT com divisão de
responsabilidades para garantir a sustentação congressual". O que isso
quer dizer? Significa que o PMDB não quer mais ter um ministério aqui, outro acolá. Quer repartir o
governo em grandes áreas (social, econômica, produção etc.) com os partidos
donos de todos os cargos de um setor, como acontece na coalizão alemã dos
democrata-cristãos e dos socialdemocratas. Num exemplo citado em conversa, o
PMDB ficaria responsável pela infra-estrutura, incluindo os ministérios dos Transportes, de Minas e
Energia, Comunicações, Integração e estatais como o Banco do Brasil e o BNDES.
Com amigos como esses...
Partido estranho o PSDB. Ele não ajuda a campanha de Geraldo Alckmin:
- No Rio Grande do Sul, lançou a deputada Yeda Crucius, perdendo o apoio do
governador Germano Rigotto, o favorito no segundo turno;
- No Paraná, vai apoiar a reeleição do governador Roberto Requião (PMDB),
dileto amigo de Lula. Na prática, Alckmin ficou sem campanha no Estado;
- No Ceará, por questões locais, o presidente nacional do PSDB, Tasso
Jereissati, votará em Cid Gomes, o candidato de Ciro Gomes e Lula. De novo,
Alckmin estará de pires na mão;
- No Rio, manteve acesa a verve de Cesar Maia (PFL) ao lançar Eduardo Paes.
Estado forte
O ministro Guido Mantega anuncia nesta semana que cresceram os investimentos do
governo, assim como os do setor privado. É uma resposta ao noticiário com a
informação de que o governo Lula está gastando mais apenas com salários e
pensões.
As bexigas do novo tesoureiro
Tesoureiro da campanha de Lula e sucessor de Delúbio Soares, um dos ícones do
mensalão, José Filippi tem uma pendência em seu currículo eleitoral. É acusado
de ter usado dinheiro da Prefeitura de Diadema, São Paulo, em sua reeleição, em
2004. De acordo com o processo que corre no TSE, durante o desfile de 7 de Setembro,
semanas antes da eleição, a Prefeitura comprou e distribuiu bexigas, camisetas
e bandeiras com propaganda eleitoral.
Walter Nunes
O pedágio de US$ 50 mi
Máquina de ganhar dinheiro, o banqueiro Daniel Dantas tem um cálculo difícil a
sua frente: diminuir o prejuízo com os efeitos do dossiê que a empresa de
investigações Kroll montou contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Até
meses atrás, Dantas pretendia vender suas participações nas companhias Brasil
Telecom, Telemig e Telemar e ficar com mais de US$ 800 milhões em caixa. Mas
sua participação direta na contratação da Kroll deve diminuir essa fortuna em
US$ 50 milhões, segundo estimativas conservadoras, pelas dificuldades que um
governo com má vontade sempre pode causar à aprovação das negociações.
As estrelas
Com muitos artistas magoados como PT, Heloísa Helena (P-SOL) está virando a
candidata dos VIPs. Segundo sua assessoria, entre os que a apóiam estão a atriz
Suzana Vieira, os cantores Rita Lee e Guilherme Arantes, a roteirista Fernanda
Young e o técnico Wanderley Luxemburgo. Nelito Fernandes
O peso do passado
A venda de quase US$ 1 bilhão em ações do Banco do Brasil revelou como é pesado
o carma de quem deixou o país. Nos road-shows com grandes investidores para
convencê-los de que o negócio era bom, o BB teve mais dificuldade com os
brasileiros que vivem no exterior que com os estrangeiros. O motivo principal é
o passado de ingerência política no BB, ainda muito fresco na memória dos
brasileiros expatriados. No final, a oferta de ações foi um sucesso, com as
vendas divididas em partes iguais entre investidores do Brasil, dos EUA e da Europa.
Devagar com as conclusões
A fusão de Mittal e Arcelor, que formou a maior siderúrgica do mundo, deu corda
à idéia de que para sobreviver as empresas brasileiras teriam de ser vendidas
ou se juntar. "É uma conclusão precipitada. As empresas brasileiras têm
maior produtividade que as estrangeiras. São elas que precisam melhorar seu
portfolio. Nós temos de investir", diz Benjamin Steinbruch, presidente da
CSN. Ele diz que o tamanho de sua companhia triplicará até 2010.
Brinde a quem?
Um mal-estar foi registrado num almoço recente que reuniu gente graúda do
Exército, do governo e da Petrobras para celebrar a auto-suficiência no
petróleo. Em determinado momento, a ministra Dilma Rousseff, das Minas e
Energia, propôs um brinde ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O comandante
do Exército, Francisco de Albuquerque, o da carteirada num vôo, de imediato
determinou um brinde diferente: ao Brasil.
O petróleo e o PT
Mais Petrobras: funcionários graduados fizeram uma conta. Quando o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva assumiu, o custo do barril de petróleo produzido pela
Petrobras girava em torno de US$ 13. Hoje, bate em US$ 20. Se o preço fosse corrigido
pela inflação americana, estaria em US$ 15. A diferença de US$ 5 é atribuída ao
estilo do PT de administrar estatais.
Sem escalas
A derrocada da Varig torna mais evidente um nó no sistema viário: nos últimos
cinco anos, 51 cidades deixaram de ter vôos comerciais. Até antes da onda de
cancelamentos, apenas 130 municípios tinham rotas de avião - número que caiu
para menos de cem no mês passado. Saíram cidades do interior, incluindo a
própria Rio Grande, que dá nome à Varig.
Isabel Clemente
"Os banqueiros gostam de Lula"
Dono do Moinho Pacífico e membro da Fiesp, Lawrense Pih apóia Lula desde os
anos 80
ÉPOCA-Como está a popularidade de Lula entre seus colegas?
Lawrense Pih - Na indústria e no comércio de São Paulo, a maioria vota no
Alckmin. Quem gosta mais do Lula é a turma do sistema financeiro.
ÉPOCA - Não é uma ironia os banqueiros gostarem do PT?
Pih - É porque o presidente teve de adotar uma política econômica prudente.
ÉPOCA - E por que o senhor, um industrial, continua a apolã-lo?
Pih - Ah, se eu pensasse só em mim, criticava o governo todo dia, com o que
sofro com a concorrência do trigo importado subsidiado. Mas não posso pensar só
em meu bem-estar. Eu sei que cresço se o Brasil crescer. E, no segundo mandato,
o país vai crescer mais.