CORREIO BRAZILIENSE - DF 

POLÍTICA
02/08/2006

 

TCU cancela licitação suspeita

Tribunal suspende concorrência em órgão ligado à Presidência da República por indícios de direcionamento. Brasília Informática, acusada pela PF de formação de cartel, disputava o contrato

 

Marcelo Rocha
Da equipe do Correio
Mais um órgão da administração pública federal está na mira das autoridades por indícios de irregularidades na contratação de prestadores de serviços. O Tribunal de Contas da União (TCU) suspendeu ontem a concorrência pública do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI), órgão ligado à Presidência da República, para escolher empresa terceirizada para auxiliar em serviços de informática. Os auditores do TCU detectaram indícios de direcionamento no processo.

A suspensão do edital, lançado em maio, ocorre uma semana depois da operação Mão-de-obra, articulada pela Polícia Federal para desbaratar esquema de fraudes em licitações na administração pública. As irregularidades são investigadas em pelo menos cinco órgãos: nos ministérios da Justiça, dos Transportes e da Ciência e Tecnologia, no Departamento Nacional de Produção Mineral, na Agência Brasileira de Inteligência (Abin), também ligada à Presidência da República, e no Senado Federal.

Um dos alvos da operação Mão-de-obra, a Brasília Informática, também participou da concorrência no ITI. Mas foi retirada do processo pela comissão interna do instituto, que detectou inconsistências na proposta apresentada. A Polícia Federal, no entanto, suspeita que a Brasília Informática e as empresas Conservo e Ipanema façam parte de um cartel para ganhar licitações realizadas pelo governo.

Servidor solto
Juntas, as três empresas detêm 25 contratos com órgãos públicos federais para a prestação de serviços em diversas áreas, mas principalmente em vigilância e conservação. Seus donos — Victor João Cugóla (Conservo), José Carvalho Araújo (Ipanema) e Márcio Pontes Veloso (Brasília Informática) continuam presos desde a semana passada, além de dois funcionários a elas ligadas. Um servidor da Abin — Geraldo Luiz Ferreira dos Santos — que foi preso durante a operação Mão-de-obra foi liberado da prisão no último fim de semana. Os demais continuam detidos (leia matéria ao lado).

No caso do edital do ITI, o Tribunal de Contas recebeu denúncia que apontou indícios de restrição à competitividade da licitação para contratação de empresa especializada em tecnologia da informação. Segundo o relatório do TCU, há 16 itens de exigências no edital que comprometem o caráter competitivo da concorrência.

O ministro Marcos Bemquerer, relator do caso no TCU, considerou que os procedimentos adotados no edital de licitação podem, ainda, comprometer a escolha da melhor proposta e causar prejuízos ao erário. O tribunal determinou prazo de 15 dias para que o ITI apresente justificativas sobre as irregularidades. Cópias dos autos foram encaminhadas ao Ministério Público da União.

Inquérito até fim da semana

A Polícia Federal pretende concluir até o fim da semana o inquérito da operação Mão-de-obra. Até lá, cerca de 20 pessoas, entre donos e funcionários de empresas prestadoras de serviços a órgãos públicos federais e servidores, deverão ser indiciadas por crimes de fraude em licitações, formação de cartel, formação de quadrilha e corrupção, entre outros. Depois de relatado, o caso será enviado à Justiça Federal, e analisado pelo Ministério Público Federal.

Para conseguir os contratos milionários, a quadrilha atuava nos órgãos com pagamento de propinas a funcionários públicos, que atendiam aos interesses dos empresários na elaboração dos editais ou mesmo na alteração de dados. Mesmo órgãos de controle como o Tribunal de Contas da União — que fiscaliza a licitude dos contratos firmados pelo governo e faz auditorias — estão sujeitos a fraudes. Em 2004, quatro funcionários do tribunal e seis donos de empresas de segurança e conservação foram presos, acusados de comandar um esquema de cartelização. (MR)

 

 

CORREIO BRAZILIENSE - DF 

BRASIL
02/08/2006

 

Blitz contra facções nas rodovias federais

 

Da Redação
Desencadeada pela Polícia Rodoviária Federal desde segunda-feira, a Operação Aliança resultou na prisão de nove suspeitos ontem nas
rodovias federais que cortam o estado de São Paulo. Segundo o governo, a operação mobiliza o maior contingente de policiais dos últimos anos, vindos de todas as regiões do país. Sem data para acabar, a PRF pretende sufocar a entrada e saída de drogas, armas e munições em São Paulo, graças ao reforço de policiamento nas rodovias federais. Inspetores da polícia apreenderam cerca de meio quilo de pasta base de cocaína na divisa de São Paulo com o Mato Grosso do Sul. As outras prisões foram por crime ambiental.

A operação conta com reforço de contingente nas
rodovias e núcleos de operações especiais de vários estados. E tem ainda o apoio de cães farejadores, de helicópteros e da Coordenação de Inteligência da PRF. Nos próximos dias, a ação será ampliada e estendida para as rodovias do Paraná, Minas Gerais e Rio de Janeiro, com a fiscalização ostensiva e rondas táticas. A ação da PRF já começou no Mato Grosso do Sul.

Segundo o comando da operação no estado do Mato Grosso do Sul, as ações são desenvolvidas sob a orientação do Ministério da Justiça e sem um alvo específico. “Nós armamos as redes e o que cair nelas é o que procuramos”, disse um dos coordenadores da Operação Aliança. As principais barreiras foram montadas nos municípios de Bataguassu e Três Lagoas, na região leste do estado, além de Naviraí, no extremo sul do Mato Grosso do Sul.

Colheita
O desencadeamento das ações de ronda e fiscalização nas
rodovias do Mato Grosso do Sul tem objetivo claro. Este mês foi dado início à colheita de maconha no Paraguai devido ao tamanho das plantas que já passam da altura ideal. Elas são cultivadas em dezenas de clareiras no meio de matas cerradas de fazendas do país vizinho, situadas em Capitán Bado, na divisa com Coronel Sapucaia, em Mato Grosso do Sul, longe da vigilância das autoridades.

Além do tráfico da maconha paraguaia na região, a PRF está de olho no corredor da cocaína colombiana, que chega ao Paraguai e entra no Brasil por meio da cidade de Pedro Juan Caballero, na divisa com Ponta Porã (MS). As rotas do narcotráfico a partir de Capitán Bado e Pedro Juan Caballero se cruzam em Naviraí, justificando a barreira policial. O local é também via de acesso para o estado de São Paulo.

Maconha e cocaína são responsáveis por 90% da receita das facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC), de São Paulo, e do Comando Vermelho (CV), do Rio de Janeiro. Por isso mesmo, a maior parte da droga passa ou tem como destino final os estados de São Paulo e Rio de Janeiro.

Analisando as perdas sofridas pelos grupos criminosos nos últimos dois meses, com grandes apreensões de maconha e cocaína, além da desarticulação de várias quadrilhas, as autoridades chegaram à conclusão de que está na hora de cercar os caminhos que levam aos centros consumidores dessas drogas.

De acordo com o inspetor Odenílson de Souza, relações-públicas da PRF, o tráfego de sacoleiros na região está sendo acompanhado de perto. “Idosos, menores, gestantes, pessoas que não deixam quaisquer suspeita, às vezes, até dignas de dó, são presas transportando cocaína”, relata. “Normalmente são os chamados laranjas que tentam arranjar dinheiro para salvar a situação de presidiários endividados. As ocorrências do gênero somam em média de 15 a 20 por mês, no estado do Mato Grosso do Sul, com carregamentos de 200g até 2kg de cocaína, por pessoa”.

 

 

JORNAL DE BRASÍLIA - DF 

BRASIL
02/08/2006

 

R$ 500 mi para reforma agrária

 

O Diário Oficial da União publicou ontem uma medida provisória que abre crédito extraordinário de R$ 698 milhões para os ministérios dos Transportes, do Desenvolvimento Agrário e da Integração Nacional. Do total, R$ 500 milhões serão destinados exclusivamente para a obtenção de imóveis rurais para a reforma agrária.

Os recursos se somam aos R$ 931 milhões já previstos para este mesmo fim no Orçamento Geral da União. O total, segundo o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), ultrapassa o volume de recursos aplicados em 2005.

"Isso significa que nós podemos acelerar a obtenção de terras e o assentamento de família para o cumprimento da meta do governo Lula, que é de 400 mil famílias em quatro anos", diz o presidente do Incra, Rolf Hackbart.

A meta de assentamento para 2006 é de 155 mil famílias. Indagado se a nova quantidade de recursos seria suficiente para atingir a meta, Hackbart afirmou que não faltarão recursos para o setor. "Vamos trabalhando. Vamos avaliar nos próximos meses. O presidente da República sempre tem dito que na medida do possível não faltarão recursos para reforma agrária", afirma Hackbart. (Agência Brasil)

 

 

FOLHA DE S. PAULO - SP 

MERCADO ABERTO
02/08/2006

 

BNDES aprova financiamento para produção de 400 vagões

 

Dentro de sua política de incentivo da ampliação do uso de ferrovias no país, o BNDES acaba de aprovar um financiamento de R$ 66 milhões para a produção de 400 vagões no país voltados principalmente para o transporte de commodities.

Desde 2004 até agora, o BNDES já financiou a produção de 3.700 vagões, quase a metade do total de 7.500 fabricados no ano passado. Os desembolsos do BNDES já somam R$ 600 milhões nesses últimos três anos para o setor.

O transporte ferroviário deu um salto expressivo nos últimos anos. A produção de vagões é um bom exemplo para mostrar esse crescimento. Em 2002, o Brasil produziu apenas 294; em 2003, o número subiu para 2.000; em 2004, para 4.500; e, em 2005, para 7.500.

De acordo com dados da
ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), o modal ferroviário já responde por 30% do total transportado no país, quando, até bem pouco tempo, não passava de 20%.

Segundo o presidente do BNDES, Demian Fiocca, esses números mostram que está se desenhando um novo formato na malha logística no Brasil. "Em um país que parecia conformado com a rodovia, o que acontece agora é uma mudança no mix do transporte de carga com o aumento do modal ferroviário", diz.

Para aumentar a construção de vagões, o BNDES criou uma operação que permite a contratação de financiamento maior do que normalmente seria apresentado. Trata-se de uma operação amarrada na qual o banco tem a garantia de que haverá demanda para os vagões por pelo menos dez anos.

O financiamento do banco para a construção dos 400 vagões foi adquirido pela MRC, uma sociedade de propósito específico controlada pela Mitsui. Serão contratadas para a fabricação dos vagões a Randon e a Amsted-Maxion. A empresa de
transportes logísticos ALL, que recentemente comprou a Brasil Ferrovias, comprometeu-se a alugar os vagões para usá-las nas suas ferrovias pelo prazo mínimo de dez anos.

E, para completar, o BNDES também recebeu a garantia da Bunge de que usará o vagão para o transporte de seus produtos por pelo menos dez anos. "A operação tem todas as garantias possíveis", diz Fiocca.

 

 

O ESTADO DE S. PAULO - SP 

NACIONAL
02/08/2006

 

Alckmin, Serra e Aécio lançam nova versão da política do café com leite

Tucanos apresentam propostas para segurança pública e desenvolvimento, com integração entre Minas e SP

 

Rodrigo Pereira
Os tucanos firmaram ontem em São Paulo estratégia conjunta de campanha e de governo em encontro entre o presidenciável Geraldo Alckmin e os candidatos aos governos paulista, José Serra, e mineiro, Aécio Neves. "É o café com leite do século 21", definiu Serra, após reunião de apenas 15 minutos entre os três candidatos no comitê do PSDB, no centro de São Paulo.

Alckmin, Serra e Aécio lançaram cinco propostas para enfrentar problemas na segurança pública e de desenvolvimento, duas delas para promover a integração entre os dois Estados e três com exigências ao governo federal. "Nós estamos selando aqui um pacto claro e definitivo de parceria, parceria durante a caminhada eleitoral, mas sobretudo parceria no futuro, se tivermos a ventura de vencer as eleições", discursou Aécio em uma pequena sala do comitê repleta de repórteres e com alguns correligionários.

Os três criticaram o governo Lula pelo contingenciamento dos Fundos de Segurança e Penitenciário para os Estados e propuseram transferências mensais da verba federal - que chamaram de duodécimo. "Para saber quanto de dinheiro (cada Estado) tem, quando vai chegar o dinheiro e poder trabalhar melhor", explicou Alckmin. "Prioridade sem orçamento e sem dinheiro é discurso."

Outro setor bastante atacado pelos tucanos foi o dos
transportes, em especial as estradas federais em Minas e o porto de Santos. "Os Estados têm de assumir a administração para o bem das exportações do País", disse Serra, pedindo a liberação da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) para o investimento e manutenção no setor. "E, finalmente, cerrar fileiras em torno de uma política nacional de desenvolvimento, que o Brasil hoje não tem", continuou o ex-prefeito, que assumiu o papel de porta-voz do encontro. "Uma política descentralizada, com a parceria de Estados e municípios, que senão não funciona."

AFAGOS

Além de palco para o anúncio de propostas conjuntas, o encontro entre os tucanos foi marcado pela constante troca de afagos. Na proposta de integração entre os dois Estados, Serra e Aécio se comprometeram a integrar serviços de inteligência e informação das polícias e promover o intercâmbio de experiências administrativas.

"Dizia ao Geraldo, enquanto ele era governador e agora com o Serra, a mesma coisa. Existem experiências em São Paulo extremamente exitosas. O Poupatempo é uma delas e nós estamos buscando implementar em Minas Gerais", elogiou Aécio.

"Minas teve, sob o comando do Aécio, um interessantíssimo programa de redução de custos e de qualidade da administração", retribuiu Serra.

Após os discursos de unidade, Alckmin foi questionado sobre a boa relação que Aécio tem com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seu principal adversário na campanha. "A civilidade faz parte", disse Alckmin. "É. Eu sou bem educado", emendou o governador mineiro, que na seqüência pediu aos repórteres: "Divulguem aí. Se vocês querem agradar ao Aécio, votem no Geraldo Alckmin para presidente da República."

Alckmin destacou que se há um Estado em que sua campanha "vai de vento em popa" é Minas Gerais. E disse acreditar em um desempenho ainda melhor na região. "Acho que vai crescer muito, até pela nossa afinidade (com Aécio) e nossa origem mineira", argumentou. Antecedentes do pai de Alckmin são de Baependi (MG).

Após a entrevista, os três tucanos deixaram juntos o prédio do comitê e foram a uma padaria a duas quadras dali, com Aécio ao centro. Lá, pediram café com leite para brindar a expressão cunhada por Serra. "A idéia do café com leite foi minha", disse o ex-prefeito. "Porque eu gosto de café com leite, o Geraldo gosta de café com leite e o Aécio gosta de café com leite."

Um pequeno grupo de militantes tentou, em vão, puxar gritos de campanha durante a curta caminhada. O tumulto dos jornalistas acabou chamando muito mais a atenção de quem via a comitiva passar.

 

 

O ESTADO DE S. PAULO - SP 

METRÓPOLE
02/08/2006

 

Federais fazem megaoperação e miniapreensões em estradas

Blitze em rodovias de SP levaram a 18 prisões; foram recolhidos drogas, contrabando, palmito e carros

 

CAMILLA RIGI, PAULO BARALDI E JOSÉ DACAUAZILIQUÁ
Logo após o governo de São Paulo fazer publicamente duras criticas à falta de apoio do governo federal no combate à criminalidade, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) colocou 500 policiais e 100 viaturas nas
estradas. Seis helicópteros foram postos à disposição. A megaoperação, batizada de Aliança, bloqueou as rodovias federais na entrada da capital paulista e nas divisas de São Paulo com Minas, Mato Grosso do Sul, Rio e Paraná. O resultado foi pífio, principalmente se for levado em conta que essa foi a maior operação da PRF em segurança pública num único Estado.

O balanço do primeiro dia - serão pelo menos 15 dias de atividades - registrou 18 prisões, entre elas as de dois assaltantes considerados perigosos. Também foram apreendidos carreta com 30 metros cúbicos de madeira, 500 quilos de palmito, 15 toneladas de cobre, 100 frascos de perfumes falsificados e 6,5 quilos de cocaína, e recuperados quatro veículos, sendo dois com placas da Argentina.

O objetivo da operação é combater a entrada de munições que alimentem facções do crime organizado, como o Primeiro Comando da Capital (PCC). Foram feitas barreiras e rondas. A inteligência da PRF agiu para bloquear entrada e saída de drogas, armas, veículos furtados e roubados e movimentação de quadrilhas.

Com as vias federais vigiadas - metralhadoras e cães farejadores também foram usados -, o único receio é que o tráfico e o contrabando tenham como rota de fuga vias estaduais. Para evitar a hipótese, inspetores da PRF se reuniram ontem com o secretário de Segurança Pública do Estado, Saulo Abreu, e as cúpulas das Polícias Militar e Rodoviária Estadual para firmar acordo de trabalho conjunto. Sempre que houver blitze nas
estradas federais, serão fechadas as estaduais.

O governo federal investiu na Operação Aliança entre R$ 2,5 milhões e R$ 3 milhões. A tropa se dividiu em 17 bases operacionais, que atuaram em três frentes.A primeira foram as entradas da capital paulista. A segunda, as regiões dos municípios de Ourinhos, São José dos Campos e Registro, no interior. A terceira, nas divisas com quatro Estados.

O trânsito chegou a parar ou ficou lento onde havia revista de veículos. Na
Rodovia Régis Bittencourt, próximo de Itapecerica da Serra, houve congestionamento de dez quilômetros. Na Rodovia Presidente Dutra, em Guarulhos, o pouso de um helicóptero ao meio-dia parou o trânsito por dez minutos, o que gerou lentidão de quatro quilômetros. Na Fernão Dias, que liga São Paulo a Minas Gerais houve dois quilômetros de congestionamento.

Apenas nas
rodovias de acesso à entrada da capital, cerca de 60 policiais trabalharam. Muitos eram de fora. Dos 500 em atividade, 300 vieram de 18 Estados, além do interior paulista.

 

 

VALOR ECONÔMICO - SP 

POLÍTICA
02/08/2006

 

Alckmin, Aécio e Serra defendem orçamento impositivo na Segurança

 

Cristiane Agostine
Calcanhar-de-aquiles durante gestão de Geraldo Alckmin frente ao governo do Estado, a segurança é o grande tema a ser defendido pelos tucanos para tentar reverter as críticas ao candidato do partido à Presidência. Ontem, Alckmin, José Serra, candidato ao governo paulista, e Aécio Neves, postulante à reeleição em Minas Gerais, propuseram atenção especial aos Fundo Nacional de Segurança e Penitenciário e defenderam que os fundos não sejam contingenciáveis, ou seja, que os recursos previstos no Orçamento sejam totalmente executados.

Na explicação feita por Serra para que o montante destinado aos dois fundos de segurança não seja contingenciado, o tucano usou como exemplo os recursos que são aprovados pelo Fundo Monetário. São as despesas do Projeto Piloto (PPI, conjunto de investimentos prioritários), de uso social, em áreas como saneamento. Pela Lei de Diretrizes Orçamentárias os gastos com PPI não causam impacto no resultado fiscal primário. "Queremos que o Fundo de Segurança e de manutenção penitenciária possam pertencer à mesma categoria, sem contingenciamento, dada a gravidade e a urgência do problema", disse Serra.

A principal justificativa usada por Alckmin para explicar a crise na segurança enfrentada por São Paulo, com duas ondas de ataques do crime organizado em dois meses, é de que faltaram recursos do governo federal para investir na pasta da Segurança. "No ano passado, São Paulo só assinou o repasse dos fundos em 28 de setembro. Não é que o Estado recebeu nessa data, foi só a assinatura", reclamou Alckmin, depois de reunião de quinze minutos ontem, em São Paulo, com Aécio Neves e José Serra. "Prioridade sem orçamento de governo é discurso", atacou Alckmin.

"Minas não recebeu nada", afirmou Aécio, referindo-se aos repasses dos fundos. "Não é mais possível termos um planejamento que envolva o governo federal no início de cada ano e, a cada mês, os recursos do Fundo Penitenciário, do Fundo Nacional de Segurança não são repassados aos estados. Praticamente nada do Fundo Penitenciário foi executado até agora", questionou o governador mineiro.

O Ministério da Justiça, por meio de sua assessoria de imprensa, explicou que houve atraso, sim, no repasse de recursos aos Estados, mas que deveu-se ao atraso na votação do Orçamento, realizada só no fim de maio deste ano.

Na proposta divulgada pelos tucanos foi feita a previsão de uma cota mensal dos fundos para os Estados. Para a pasta de Segurança, os tucanos apresentaram também a integração entre os serviços de inteligência e informação das polícias paulista e mineira. "É a política café com leite do século XXI", brincou Serra.

Os três caciques tucanos defenderam, para a proposta nacional do PSDB, o aumento dos investimentos em infra-estrutura, com a descentralização dos investimentos, em especial na área de transporte, a atração do capital privado, por meio de PPPs e de convênios e a estadualização de
rodovias federais., utilizando os recursos da Cide. "De forma que os estados possam com estes recursos, assumindo as malhas rodoviárias estaduais, definir os casos que serão passíveis de concessões, Parcerias Públicos-Privadas ou outras parcerias", explicou Aécio.

 

 

A TARDE - BA 

ESPECIAL
02/08/2006

 

Acesso difícil para o interior (01/08)

 

ADILSON FONSÊCA E SUCURSAIS
darocha@grupoatarde.com.br
Dificuldade em trafegar nos trechos esburacados e críticas à qualidade das obras que já foram realizadas.

Nas principais
rodovias federais que cortam a Bahia, incluídas tanto na Operação Tapa-Buracos como nas obras de restauração emergencial, o governo federal anuncia que vai investir um total de R$ 21.770.000.

As obras, segundo o
Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit), em último boletim divulgado no mês passado, estão bem adiantadas e serão concluídas dentro do prazo de seis meses, fixado pelo governo. Na viagem que A TARDE promoveu, no entanto, percebe-se que grande parte das obras ainda não foi realizada.

Os motoristas reclamam da morosidade dos trabalhos e também da qualidade do serviço já realizado em alguns trechos.

O Programa Emergencial de Trafegabilidade e Segurança (Petse) nas
Rodovias Federais na Bahia foi anunciado em 9 de janeiro, com prazo de conclusão de seis meses. Os trabalhos foram iniciados com atraso, por causa dos processos de licitação e adequação das empresas contratadas.

A equipe de A TARDE viajou por diversas
rodovias federais com o intuito de traçar um panorama sobre as condições de tráfego das pistas.

Na maioria dos casos, foi constatado que as obras ainda caminham a passos lentos. Os motoristas também reclamam muito de parte das pistas já recapeadas, que apresentam desníveis e estão perigosas.

Confira o que a reportagem apurou nessas
rodovias.

Acostamento é problema na BR-407
CRISTINA LAURA | SUCURSAL JUAZEIRO
claura@grupoatarde.com.br

Das obras de restauração das
estradas federais na Bahia, a melhor situação está na BR-407, que liga Capim Grosso, na BR-324, a Juazeiro, na divisa da Bahia com Pernambuco. A obra teve orçamento inicial de R$ 1,3 milhão, mas, posteriormente, com o programa emergencial, teve valor reajustado para R$ 2.827.815,90. O projeto irá restaurar 232,9 quilômetros.

O
Dnit garante que pelo menos 50% da obra está concluída.“As obras estão acontecendo. Mas existem pontos a serem melhorados, como o desnível da pista e a falta de acostamento”, afirma o caminhoneiro Givaldo Barbosa, que faz o trajeto Feira de Santana-Imperatriz (MA).

O que os motoristas mais temem são os acidentes por causa da falta de acostamento no trajeto até Juazeiro. ”A estrada não está ruim, mas não existe onde parar com segurança“, diz José Muniz Freitas, motorista da empresa São Luiz. Na semana passada, um ônibus da empresa Ipapemirim, que seguia do Ceará para São Paulo com 50 passageiros, foi para o acostamento ao desviar de um animal. O desnível da pista não permitiu que o veículo retornasse. O ônibus tombou, causando a morte de duas crianças e deixando várias pessoas feridas.

Longos trechos destruídos por todo o Estado
EDSON BORGES, MIRIAM HERMES, MARIA EDUARDA TORALLES
SUCURSAIS FEIRA DE SANTANA, BARREIRAS E EUNÁPOLIS
eborges@grupoatarde.com.br;hmiriam@grupoatarde.com.br;toralles@grupoatarde.com.br

O período chuvoso tem prejudicado as obras na rodovia BR-116 Sul, onde a recuperação da pista não chegou ainda nem na metade dos 86 quilômetros previstos. Na BR-116 Norte, trecho Feira de Santana-Tucano, com cerca de 160 quilômetros a serem recuperados, as obras estão bem adiantadas nos 40 km que separam os municípios de Araci e Tucano. Ainda há longos pedaços esburacados, por exemplo, entre Serrinha e Araci.

A BR-116 é a segunda rodovia federal na Bahia em volume de tráfego, com uma média de 20 mil veículos por dia, a maioria deles caminhões e carretas. É o principal corredor entre o Nordeste e o Centro-Sul do País.

BARREIRAS – Embora a maioria dos motoristas já elogie as melhoras ao longo da BR-242, muitos entendem que o trecho da Serra da Piragiba está cada dia mais perigoso.

Na opinião do empresário Edson Pinto Mariano Júnior, proprietário de posto de combustível na margem da BR, as condições da Serra da Piragiba também representam prejuízos econômicos para a região “porque só passa aqui quem precisa. Quem pode desvia por outros lugares. Isso reduz em até 40% o movimento nesta estrada”, avalia.

EUNÁPOLIS – “Passo há 30 anos por essa estrada. Há cinco, ela não passa por nenhum tipo de recuperação. Quem tem tapado os buracos com terra é o pessoal da usina”, afirmou o caminhoneiro Altamiro da Silva, 60 anos, que percorre toda a semana a BR-418, no trecho que liga a BR-101 (na Bahia) ao município de Nanuque (ES).

O trecho de 41 km, entre a BR e o município de Nanuque apresenta cerca de 20 km em péssimo estado de conservação, com muitos buracos sobre a pista. O trecho entre os quilômetros 23 e o 33 está em pior estado ainda.

 

 

A TARDE - BA 

ESPECIAL
02/08/2006

 

Rodovias da Bahia à espera de obras do governo federal (01/8)

 

ADILSON FONSËCA darocha@atarde.com.brbr
No último relatório do Departamento Nacional de Infra-Estrutura e Transportes (
Dnit), datado de 10 de julho, consta que 15% das obras emergenciais da BR-110, no trecho de 75 quilômetros entre a divisa da Bahia com Alagoas, estão concluídas. Contudo, não há reparos sendo feitos nessa área, que passa pelos municípios de Paulo Afonso e Jeremoabo. Em diversos trechos, o asfalto desapareceu e os buracos provocam acidentes e atrasos nas viagens.

Numa outra rodovia, a BR-324, entre o entroncamento com a BR-116, em Tanquinho, até Capim Grosso, um trecho de 20 quilômetros foi totalmente abandonado. Sobre essa área, há um contrato de obras, datado de dezembro de 2005, com o 4° Batalhão de Engenharia de Construção do Exército (4° BEC), sediado em Barreiras, a 855 quilômetros de Salvador, no valor de R$ 18. 137.126, 85.

O contrato com o 4° BEC expira em dezembro deste ano e prevê a restauração completa dos 137 quilômetros existentes entre o entroncarnento com a BR-116 até o entroncamento com a BR-407.

ABANDONO - Nos 20 primeiros quilômetros da BR-324, não há obras e em vários trechos o asfalto desapareceu. Quem realiza o tapa-buracos são as crianças da região, a exemplo dos irmãos Regi: saldo e Edson da Silva Lima, de 12 é 16 anos, respectivamente. Com pás cheias de terra retirada do acostamento, eles aproveitam o turno da manhã, quando não estão na escola, para tapar os buracos da estrada. De moeda em moeda dadas pelos motoristas que trafegam pela região, os dois irmãos chegam a somar um ganho de li$ 6 por dia.

Na semana passada, o Exército estava trabalhando em apenas um trecho de pouco mais de 200 metros, que atravessa a cidade de Tasquinho. Nas demais áreas onde a rodovia foi restaurada, os buracos já reapareceram. Há pouco mais de 15 dias, moradores de Tasquinho fizeram um protesto contra a lentidão das obras na rodovia. "Estão anui há sete meses e não fizeram quase nada", disse o caminhoneiro Jumar de Aguiar Diorio, 40 anos, que uma vez por semana faz o trajeto entre Pedra Russa (CE) e Cachoeiro do Itapemirim (ES). O caminhoneiro se queixa dos prejuízos que tem a cada viagem que realiza pela região.

Apesar das críticas à forma como a Operação Tapa-Buracos vem sendo feita nas
rodovias federais da Bahia, o Dnit diz que vai concluir os trabalhos dentro do prazo previsto, que é de seis meses.

O superintendente do órgão na Bahia, Saulo Pontes, chegou a afirmar que, na BR-110 (Salvador/Paulo Afonso), nó subtrecho entre Itamira e Jeremoabo, 83% das obras já estavam concluídas e que todo o subtrecho, com 209 quilômetros de extensão, seria entregue até o último dia 20 de julho. Contudo, num trecho de 85 quilômetros pertencente a essa área, entre os municípios de Jeremoabo e Cícero Dantas, simplesmente não existem obras sendo feitas.

ENTRE AS PIORES - A BR-110 foi considerada, no ano passado, a terceira pior rodovia federal do Brasil, em pesquisa feita pela Confederação Nacional dos Transportes. Com 408 quilômetros de extensão, ela liga Salvador, a partir da BR-324, a Paulo Afonso, já na divisa dá Bahia com Alagoas.

A BR-110 tem dois subtrechos (entre itamira e Jeremoabo, com 209 quilômetros; e entre Jeremoabo e Paulo Afonso; com 75,1 quilômetros) incluídos na operação tapa-buracos. O valor do contrato com a empreiteira Paviservice é de R$ 9.524.972. ,

"O que a gente vê por aqui é o abandono ou então obra mal feita, com os buracos reaparecendo" disse o motorista Sílvio Senna, 39 anos, da empresa Regional, que faz a linha Jeremoabo/Salvador. O carro numero de ordem 2245 quebrou depois de rodar por 10 quilômetros em meio a buracos.

O veículo acabou parado próximo ao povoado de Boa Hora, a menos de 10 quilômetros da cidade de Ribeira do Pombal.
Exatamente neste, trecho, as obras dá Tapa-Buracos foram dadas como concluídas pelo
Dnit, mas em diversos locais o asfalto já está destruído. "Deixei de viajar de carro próprio para vir de ônibus, mas os veículos quebram, e ficamos expostos aos riscos de assaltos, por causa dos buracos" disse o técnico em eletrônica Paulo Jorge Mesquita, 45 anos, ao lado dos demais passageiros, enquanto aguardava o conserto do veículo.

VERBAS - Toda A ineficácia da Operação Tapa-Buracos contrasta com os investimentos anunciados pela União para seu Programa de Manutenção da Malha Federal. Segundo dados das Contas Abertas, ONG que elabora análises de jornalistas e economistas sobre investimentos do governo, foi nas
rodovias onde o presidente Lula mais investiu durante sua gestão à frente da Presidência.

Do começo de seu governo até o dia 27 de julho, segundo o sita mantido pela Contas Abertas, Lula investiu R$ 3,5 bilhões malha rodoviária federal, incluindo aqui restos a pagar de exercícios anterioies que foram quitados.

A ONG também revela que, no ano passado, a União gastou cerca de R$ 740 milhões na contestada Operação Tapa-Buracos. Já este ano; o Programa de Manutenção da Malha Rodoviária Federal já recebeu investimentos na casa dos R$ 587 milhões.

 

 

A TARDE - BA 

LOCAL
02/08/2006

 

Barro em vez de asfalto e atrasos em obras da BR-110 (01/08)

 

Na saída de Cícero Dantas, uma, placa do Dnit anuncia obras em 32 dos 85 quilômetros que separam essa cidade do município de Jeremoabo. As obras existem apenas no papel, pois nesse trecho o asfalto praticamente não existe e a BR-110 vira uma rodovia de carroças. Nos locais mais acidentados, quem trabalha são crianças, que tapam os buracos com barro e disputam o dinheiro dado pelos motoristas.

"É uma vergonha termos de s passar por isso, numa rodovia que existe há 50 anos, que está sempre com obras malfeitas e que já poderia ter sido completamente restaurada", diz o deputado estadual pelo PSDB Marcelo Nilo, que também é engenheiro civil e costuma viajar para a região.

Tomando por base o que diz o
Dnit, 83% das obras no subtrecho da BR-110, entre Itamira e Jeremoabo, com 209 km, já foram concluídos. Contudo, é entre as cidades de Jeremoabo e Cícero Dantas, numa extensão de 85 km, que os problemas são maiores.

"Não há obras sequer. Os "operários" são agricultores, como João de Souza Barbosa, 24 anos, e crianças, como Maurício Souza Carneiro, 9 anos, e Fagner Matos Florença, de 12 anos. "Aqui, o tapa-buracos é feito por nós", diz o mais velho, que está na 3a série e aproveita o turno de folga para colocar terra nos buracos da pista, na tentativa de conseguir algum dinheiro com os motoristas.

Uma placa do
Dnit, colocada logo na saída de Paulo Afonso, a 438 quilômetros de Salvador, anuncia a realização de obras na BR-110, num trecho de 75 quilômetros, até Jeremoabo. A obra, no valor de R$ 2.999.998,80, teria sido iniciada em maio deste ano e deverá ser concluída em novembro.

DESTRUIÇÃO - O que se vê, contudo, é uma rodovia destruída, sem máquinas ou operários. Num dos trechos, no povoado de Itapicuru d'Água, percorrem-se oito quilômetros em leito natural. Num outro trecho, próximo ao povoado de Rangel, a 36 quilômetros de Jeremoabo, o Gol placa JPL-4212, dirigido pbr José Belo, caiu numa ribanceira ao tentar desviar dos buracos. "Foi Deus que salvou ele", disse José Márcio da Silva, motorista que passava pelo local no momento do acidente.

No povoado de Riacho da Guia, próximo à cidade de Inhambupe, outro anúncio do
Dnit indica obra de recuperação da ponte sobre o Rio Subaúma. Os trabalhos foram iniciados em 17 de novembro do ano passado é tinham previsão de conclusão para 14 de fevereiro, data que depois foi revista e adiada para 15 de agosto. Detalhe interessante é que a obra teve o seu valor reajustado, passando de R$ 845.501,99 para R$ 913.638,75. (A.F.)

 

 

O ESTADO DO PARANÁ - PR 

POLÍTICA
02/08/2006

 

MP vai liberar R$ 500 mi para reforma agrária

 

Redação/O Estado do Paraná
Brasília (ABr) - O Diário Oficial da União publicou ontem a Medida Provisória 314, que abre crédito extraordinário de R$ 698 milhões para os ministérios dos Transportes, do Desenvolvimento Agrário e da Integração Nacional. Do total, R$ 500 milhões serão destinados, exclusivamente, para a obtenção de imóveis rurais para a reforma agrária.

Os recursos se somam aos R$ 931 milhões já previstos para este mesmo fim no Orçamento Geral da União. O total, segundo o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), quase iguala o volume de recursos aplicados em 2005. “Isso significa que nós podemos acelerar a obtenção de terras e o assentamento de família para o cumprimento da meta do governo Lula, que é de 400 mil famílias em quatro anos”, diz o presidente do Incra, Rolf Hackbart.

A meta de assentamento para 2006 é de 155 mil famílias. Indagado se a nova quantidade de recursos seria suficiente para atingir a meta, Hackbart não deu detalhes, mas afirmou que não faltarão recursos para o setor. “Vamos trabalhando. Vamos avaliar nos próximos meses. O presidente da República sempre tem dito que na medida do possível não faltarão recursos para reforma agrária. Esses recursos orçamentário é fundamental para que a gente acelere o pagamento dos Títulos da Dívida Agrária (TDAs), as benfeitorias e os imóveis que nós já avaliamos, já vistoriamos e que estão em processo de pagamento”, explicou.

Segundo a medida provisória, os recursos decorrem do superávit nas contas da União, da anulação parcial de dotações orçamentárias e operações de crédito decorrentes do lançamento de títulos da dívida agrária.

A Medida Provisória repete a complementação orçamentária realizada pelo governo federal em 2005. Agora, com a MP, os recursos se somam aos R$ 931 milhões já previstos para este mesmo fim no orçamento deste ano.

 

 

A NOTÍCIA - SC 

GERAL
02/08/2006

 

Morador pede lombada na BR-470

 

Indaial
A instalação de uma lombada eletrônica no quilômetro 72 da BR-470 é o pedido de moradores de Indaial, no Médio Vale do Itajaí. Representantes de quatro bairros se reuniram com o prefeito Olímpio Tomio e representantes do Departamento Nacional de Infra-Estrutura Terrestre (
DNIT).

O órgão federal já se comprometeu a realizar um estudo de viabilidade para implantação do redutor de velocidade. A proposta é que a prefeitura compre o equipamento e o órgão federal se responsabilize pela instalação. "Há uma demanda muito grande de pedidos de implantação de lombadas na rodovia, temos de eleger os pontos mais críticos", afirma o engenheiro do
DNIT, Edemar Martins.

 

 

DIÁRIO CATARINENSE - SC 

GERAL
02/08/2006

 

SC é o segundo Estado em mortes nas BRs

PRF mostra que só Minas tem dados mais alarmantes de janeiro a junho

 

FELIPE PEREIRA
Santa Catarina foi o segundo Estado do país em número de acidentes, feridos e mortos em
rodovias federais durante o primeiro semestre deste ano. Apesar do Estado possuir apenas 3,3% da malha viária do Brasil, corresponde por 13,1% dos acidentes, 11,7% do feridos e 8,7% dos mortos. Somente Minas Gerais, com uma malha viária quase três vezes maior, apresenta índices piores.

Em julho, 54 pessoas morreram nas
rodovias federais que passam pelo território catarinense. Nem todos os estados fecharam os dados do mês, mas, na comparação até 20 de julho, Santa Catarina repetia o desempenho. Era o segundo lugar em acidentes, feridos e mortos na Operação Férias de Julho.

O chefe de Comunicação da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Inspetor Luiz Graziano, disse ontem que existem diversos motivos que explicam o número desproporcional de acidentes. Mas destacou a imprudência como o principal deles. Em quase todos os acidentes um dos envolvidos é o causador.

Outro fator é que a infra-estrutura das
rodovias não acompanhou o aumento do fluxo de carros e caminhões. As estradas federais que passam por Santa Catarina foram pavimentadas na década de 1970 para suportar um tráfego diário de 6 mil veículos. A extensão da malha viária é pequena, mas usada por até 30 mil veículos a cada dia. Somente nos últimos anos a média de crescimento da frota foi de 8% ao ano.

O problema se agrava no Verão, quando ocorre uma concentração muito grande de turistas no Litoral. Nos dias de maior movimento, 60 mil motoristas chegam a utilizar a BR-101. No primeiro semestre deste ano, 44% dos acidentes aconteceram nessa rodovia. Além da maioria dos visitantes não conhecerem as
estradas, há a combinação férias, praia, bebida alcooólica e volante.

O relevo do Estado também não ajuda. Existem serras, curvas, declives e aclives. O resultado são acidentes graves em todos os finais de semana.

Maiores problemas surgem nos perímetros urbanos

O superintendente de Santa Catarina do
Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes, João José dos Santos, destacou que a maioria dos acidentes ocorrem quando as rodovias federais passam por perímetros urbanos.

Os locais mais perigosos seriam nas proximidades de Criciúma, Balneário Camboriú, Blumenau e Grande Florianópolis. Segundo Santos, R$ 6 milhões serão investidos na sinalização das
estradas. No entanto, garantiu que para haver uma redução do número de mortes é preciso que os motoristas dirijam com mais cuidado.

- Não adianta pintar, duplicar, sinalizar se os motoristas não respeitam as leis.

Graziano disse ainda que a PRF não possui um efetivo suficiente para fazer o trabalho de fiscalização. O efetivo, de cerca de 520 policiais, precisaria, no mínimo, dobrar. Ele afirmou que o problema não é exclusivo de Santa Catarina, e se repete em todo o Brasil.