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OPINIÃO
02/12/2006
Omissão e ineficiência
João
Luiz Mauad
No Brasil, o governo assume uma série de encargos e tarefas que não lhe dizem
respeito. Ele é banqueiro, petroleiro, administrador de portos, aeroportos, produtor
de televisão, dono de restaurantes, farmácias, empresas de ônibus e de seguros.
Também é grande proprietário de imóveis, mecenas e produtor cultural.
O fato é que esse polvo gigante estende seus tentáculos sobre inúmeras
atividades que deveriam estar entregues à iniciativa privada.
Enquanto isso, no exercício das suas funções substantivas, naquilo que é a
própria razão de ser de qualquer governo, ele é omisso ou ineficiente.
Não consegue dar à população um mínimo de segurança. A justiça é lenta, cara e
imprevisível. As Forças Armadas se encontram virtualmente sucateadas. Nossas
fronteiras são um perfeito queijo suíço, por onde entram armas, drogas e todo
tipo de contrabando. Sistema viário, infra-estrutura e logística são
caquéticos.
Educação básica e saúde, então, é melhor nem falar. Uma lástima! Apesar disso
tudo, da comprovada incompetência, dos desmandos e dos ultrajantes níveis de
corrupção em todas as esferas da administração pública, boa parte da população
brasileira, tal qual as vítimas do famoso seqüestro de Estocolmo, encontra-se
enfeitiçada pelo seu algoz e acredita que ele tem a solução para todas as suas
incontáveis mazelas. Vivemos em meio a uma gente incapaz de enxergar que o
governo, longe de ser a solução, é o principal problema.
De modo inverso, o recente debate eleitoral em torno das privatizações mostrou
que o sentimento da maioria em relação à iniciativa privada é o pior possível.
O sucesso empresarial por aqui é visto, exclusivamente, como resultado da
voracidade capitalista, quando não do roubo. Essa percepção deriva da falta de
conhecimentos básicos, como a de que o lucro de hoje é o investimento de
amanhã; que esse investimento é a garantia da geração de empregos e do aumento
da produtividade no futuro; que a produtividade, por sua vez, resultará em
aumento da renda dos trabalhadores.
A paixão cega pelo Estado provedor não deixa que suas vítimas enxerguem coisas
simples e corriqueiras, como a infinita superioridade dos produtos e serviços
oferecidos pela iniciativa privada, quando comparados aos seus congêneres
públicos — por exemplo, hospitais, escolas, estradas. Além disso, não
percebem que, diferentemente do preço que pagamos às empresas, quase sempre
vinculado a transações voluntárias e vantajosas para ambas as partes, os
governos nos cobram tributos independentemente da nossa vontade e, muito pior,
na maioria das vezes, sem que nos dêem qualquer contrapartida.
Pagamos ao Estado perto de 40% da renda nacional, e o que ele nos dá em troca?
Segurança? Saúde? Aposentadoria decente? Educação para os nossos filhos? Boas estradas? Nada! No máximo,
algumas belas promessas. A maior parte do dinheiro que transferimos para o
erário é utilizada para financiar os gastos de uma burocracia parasitária e
repleta de privilégios, o custeio de uma máquina onde impera o desperdício e o
pagamento de juros sobre dívidas que as gerações passadas de políticos legaram
aos contribuintes do presente. Resumindo: estamos diante do mais perverso e
pavoroso dos monstros que qualquer autor de ficção poderia imaginar.
No entanto, malgrado essas verdades, um tanto óbvias até, os adeptos do
dirigismo e da obesidade estatal sugerem que alimentar e engordar o leviatã
ainda é o melhor que temos a fazer, já que os seus excrementos (também chamados
de gastos públicos), se bem planejados por meia-dúzia de políticos “altruístas”
e seus sábios acólitos, poderiam ser positivos para a economia.
(Infelizmente, sempre haverá homens prepotentes e presunçosos o bastante para
arrogar a si o privilégio de saber qual o melhor emprego para o dinheiro dos
outros.) E assim, os brasileiros seguem depositando nesse autêntico carrasco
todas as esperanças e anseios, enquanto menosprezam e afrontam aqueles que
arriscam o próprio capital para satisfazer as suas necessidades de trabalho e
consumo — ainda que o façam, como dizia Adam Smith, pensando somente nas
respectivas conveniências.
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RIO
02/12/2006
Chuvas matam três na serra
Barreira
cai sobre casa em Teresópolis, soterra família e leva à interdição de rodovia
As
chuvas que há cinco dias não dão trégua a Teresópolis causaram a morte de três
pessoas ontem. Um barranco de cerca de 50 metros de altura desmoronou,
soterrando uma casa no Vale da Revolta, às margens da Rodovia Rio-Teresópolis
(BR-116), no quilômetro 83, no caminho para Além Paraíba.
Uma área de mil metros quadrados, segundo os bombeiros, ficou destruída.
A quantidade de lama era tão grande que mudou o curso do Córrego do Meudon: a
água invadiu casas e levou à interdição da principal via da região. Para
facilitar o trabalho dos bombeiros, que passaram o dia à procura dos corpos, um
trecho de seis quilômetros da rodovia foi fechado.
O aposentado Manuel Pedro Oliveira, de 60 anos, a mulher dele, Teresa Dias da
Rosa, de 58, e seu enteado, Fabiano Dias da Rosa, de 22, estavam dormindo
quando a barreira desmoronou, por volta das 3h. Vizinhos contaram que ouviram o
barulho, mas, quando saíram de casa, já era tarde: — Parecia um barulho de
telha quebrada. Quando saí de casa, a lama tinha tomado conta de tudo. Estava
muito escuro e senti um forte cheiro de gás. Só deu tempo de sair correndo com
meu marido e minha neta — disse Maria Sueli da Conceição Silva, de 44 anos, que
era vizinha do casal.
Ela contou que, antes de dormir, chegou a ouvir a família conversando.
A casa de dois cômodos ficava a poucos metros da residência de Maria Sueli.
Ontem, ela conseguiu levar móveis e objetos pessoais para a casa de amigos.
Dezesseis famílias deixam suas casas
Além de Maria Sueli, outras 15 famílias tiveram de deixar suas casas, por
orientação da Defesa Civil. Moradores improvisaram barreiras para desviar a
água do córrego. Bombeiros passaram o dia debaixo de chuva e em meio à neblina
tentando encontrar as vítimas, soterradas sob a laje da casa. A maior
dificuldade para o resgate foi a retirada do concreto que fazia a sustentação
do barranco.
Por volta das 13h, eles conseguiram retirar o corpo de Fabiano, mas o casal só
foi resgatado, com a ajuda de uma escavadeira, no início da noite.
Segundo a prefeitura de Teresópolis, 53 pessoas estão desalojadas e dez,
desabrigadas, em diversos bairros da cidade, onde ocorreram 56 quedas de
barreiras. Nos últimos cinco dias, choveu mais do que a média do mês de
novembro.
No Rio, a estação pluviométrica que registrou o índice mais alto da cidade foi
a do Sumaré. Foram 200 milímetros ontem, quase a metade do acumulado nos
últimos 30 dias.
As estações da Rocinha e da Tijuca também tiveram índices elevados: foram
registrados 78 milímetros e 75, respectivamente.
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RIO
02/12/2006
Lavrador cai em córrego e morre em Campos
Por
causa de uma tromba d'água, 600 famílias ficaram desabrigadas; metade da pista
da BR-101 foi arrastada
Um
homem morreu e 600 famílias ficaram desabrigadas em conseqüência de uma tromba
d’água que caiu, no fim da noite de quinta-feira, em Campos. A vítima foi o
lavrador Fernando Gomes Ferreira, de 34 anos. Ele estava na beira de um córrego
cujo nível da água subia. De repente, um deslizamento de terra o jogou dentro
do córrego. As chuvas fortes também atingiram duas estradas no município. Metade
da pista na altura do quilômetro 7 da BR-101, na localidade de Morro do Coco,
foi arrastada pelas águas, deixando o trânsito com apenas uma faixa e provocando
um grande congestionamento.
Além disso, no distrito de Conselheiro Josino, próximo à divisa com o Espírito
Santo, uma via secundária ficou interditada devido a uma cratera que rachou a
pista.
Só moradores com casas de mais um andar ficaram Pelo menos 300 famílias estão
alojadas em escolas municipais e outras, em casas de parentes. Segundo o
subsecretário de Defesa Civil de Campos, Henrique de Oliveira, a enxurrada
comprometeu a estrutura das residências. Foi criada uma força-tarefa de órgãos
municipais para assistir os desabrigados. Além de receberem alimentos, todos estão
sendo vacinados.
Todo o núcleo urbano de Santo Eduardo, onde a situação é mais grave, ficou
alagado e apenas os moradores de casas com mais de um andar não precisaram se
mudar.
Quase todos perderam móveis por causa da inundação.
Morro do Coco, próximo a Santo Eduardo, também foi atingido pela tromba d’água.
A Defesa Civil disse que somente hoje divulgará um relatório com o número
preciso de desabrigados e desalojados.
Equipes do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit) avaliaram a situação
no Morro do Coco, onde a enxurrada abriu uma cratera na BR-101, e concluíram
que primeiro é preciso que a chuva pare, para recompor a pista dentro dos
padrões de segurança.
Ontem, a intensidade das chuvas naquela região foi fraca, mas suficiente para
impedir o trabalho dos técnicos.
O trânsito no trecho atingido da BR-101 ficou lento durante todo o dia de
ontem.
Uma viagem entre Campos e Macaé, que normalmente dura uma hora 20 minutos, era
feita em quase duas horas.
Na quarta-feira, as chuvas fizeram cair duas barreiras na BR-356, que liga
Campos a Itaperuna, no Noroeste Fluminense.
A maior delas foi no quilômetro 49 da rodovia, que ficou completamente
interditada, o que obrigou a Polícia Rodoviária Federal a desviar o tráfego
para estradas secundárias, como a
que liga Itaperuna a Santo Antônio de Pádua. Ontem, técnicos do Dnit conseguiram desobstruir
a estrada, mas existem pontos críticos e novos deslizamentos podem acontecer se
as chuvas continuarem.
Na área urbana de Campos, o Rio Paraíba do Sul subiu e pode, nas próximas
horas, desalojar famílias que insistem em morar numa área conhecida como Ilha
do Cunha.
Na lavoura, os prejuízos são incalculáveis. O Sindicato dos Produtores Rurais
informou que, com os canais de irrigação da Baixada Campista obstruídos, várias
lavouras de cana-de-açúcar foram alagadas, o que compromete a próxima safra. A
quebra poderá ser de mais de 50%.
Córregos em Cambuci estão com nível acima do normal Embora máquinas estejam
tentando desobstruir alguns desses canais, os produtores estão pessimistas,
pois seria necessário uma força de trabalho cinco vezes maior para solucionar o
problema.
Em Cambuci, no Noroeste Fluminense, os córregos alimentados pelo Rio Pomba
estão acima do nível normal.
Em Angra dos Reis, a Defesa Civil do município interditou, na madrugada de
ontem, sete casas em vários pontos. Os moradores foram levados para as casas de
parentes. Na Vila do Abraão, na Ilha Grande, duas casas atingidas por uma queda
de muro foram parcialmente interditadas.
No Perequê, dez pessoas estão desalojadas por causa da cheia do Rio Perequê. A
SP168, que liga Rancho Grande, em Rio Claro, no Sul Fluminense, a Bananal,
deverá ser reaberta ao tráfego até quinta-feira.
Parte da pista foi arrastada pelas águas, devido à enxurrada de anteontem.
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COTIDIANO
02/12/2006
Procuradoria aciona a União por queda de ponte na BR-116
MARI
TORTATO
DA AGÊNCIA FOLHA, EM CURITIBA
O Ministério Público Federal quer que a União, o ex-ministro dos
Transportes Alfredo Nascimento, o ex-diretor do Dnit (Departamento Nacional
de Infra-Estrutura de Transportes) Alexandre Silveira de Oliveira e diretores
atuais do órgão sejam processados por improbidade administrativa em razão da
queda de uma ponte na rodovia Régis Bittencourt, em 2005.
Uma ação civil pública protocolada na Justiça Federal anteontem atribui a queda
de uma das cabeceiras da ponte sobre a represa do rio Capivari-Cachoeira, na
BR-116, entre Curitiba e São Paulo, a negligência, omissão e imperícia dos
agentes públicos responsáveis por conservar a rodovia.
Os procuradores levam em conta relatório da Polícia Rodoviária Federal, de um
professor da UFPR (Universidade Federal do Paraná) e alertas de parlamentares
ao ex-ministro
dos Transportes sobre os riscos de acidentes que as condições da ponte e da via
ofereciam.
A queda da ponte completa dois anos no próximo dia 25 de janeiro. O conserto
demorou 15 meses. Seu desabamento causou a morte do motorista de caminhão
Zonardi José do Nascimento.
A Procuradoria da União no Paraná, a regional do Dnit e os engenheiros
relacionados não comentaram o assunto ontem, por falta de notificação oficial.
A Folha não conseguiu localizar o ex-ministro Nascimento e o ex-diretor do Dnit.
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OPINIÃO
02/12/2006
Quem trava o quê?
Roberto
Smeraldi
Jornalista, diretor da Oscip Amigos da Terra — Amazônia Brasileira
Lula diz que vai se dedicar a descobrir quem trava o desenvolvimento e as
grandes obras de infra-estrutura. Alega, também, já possuir indícios dos
principais culpados: índios, quilombolas, ambientalistas, Ministério Público e
Tribunal de Contas. É fundamental para o país que ele possa cumprir tal
investigação de maneira efetiva, mas começando por entender que são duas
tarefas distintas: as obras às quais ele se refere guardam modesta relação com
o desenvolvimento.
1 — Desenvolvimento travado. É preciso que alguém ajude o presidente a
entender, com poucas palavras, o que significa desenvolvimento. Alguns o fazem
acreditar que seria alguma mágica com as taxas do PIB. Vamos adotar uma
definição inquestionável, de um dos principais economistas vivos, o prêmio
Nobel Amartya Sen: “Desenvolvimento é a eliminação das privações de liberdade
que limitam a escolha e as oportunidades das pessoas de exercer ponderadamente
sua condição de cidadão”. Lula poderá assim perceber que o Brasil está fazendo
de tudo para se afastar do rumo do desenvolvimento e, quem sabe, tomar medidas
corretivas, como estas seguir.
Economia: realizar uma reforma tributária que desonere o capital humano — o
trabalho é hoje objeto de hipertributação — e onere o uso insustentável do capital
natural e dos recursos limitados. Trata-se de taxar uso maciço de água,
combustíveis não-renováveis, geração de resíduos não aproveitados, emissões de
poluentes, uso de recursos minerais, desmatamento, etc. Ao mesmo tempo, criar empregos
e estimular o avanço tecnológico.
Infra-estrutura: investir cerca de R$ 40 bilhões necessários para que os
brasileiros tenham acesso a saneamento básico, tendo assim uma população em
condição de viver, trabalhar e produzir. Isso também reduz custos de atendimento
médico e gera milhões de empregos difusos no território.
Saúde e educação: investimento maciço nas duas principais privações que limitam
as oportunidades das pessoas, de acordo com a definição acima. Hoje a despesa
nas duas juntas não passa de 3,5% do PIB, gerando a maior iniqüidade estrutural
do país. E o governo cogita ainda fazer a despesa em saúde crescer menos que o
PIB.
Energia: investir em repotenciamento das usinas existentes e eficiência,
limitando os subsídios para eletrointensivos: assim se geram emprego, inovação
tecnológica e preço mais barato para o consumidor. Mas é necessário eliminar
distorções, como a tarifa que incentiva a gastar mais energia, em vez que
investir na eficiência.
2 — Obras travadas. Sugeriram ao presidente uma lei sobre a relação entre
esferas do poder público, algo que leva anos e ainda foca uma questão que não
está entre os principais fatores de travamento. O que deixaram de explicar é
que as obras estão travadas por incompetência na formulação dos projetos, de
regra baseados na lógica de avestruz: para simplificar o licenciamento e
aprovação, omite-se grande parte dos custos e passivos reais, com o resultado
de sua inviabilização econômica e judicial.
Exemplos abundam: na semana passada, o Ministério dos Transportes admitiu o que minha
entidade havia apontado em 2004: a BR-163 (Cuiabá-Santarém) não custará — como
o governo teimava afirmar — R$ 600 milhões investidos pela iniciativa privada,
mas R$ 1,5 bilhão, ambos do Orçamento da União. Além disso, há mais R$ 1 bilhão
em externalidades socioambientais não ainda incorporadas. Mesma coisa para o
conjunto hidroeletro-viário do Rio Madeira, mas em dimensão 10 vezes maior: só
a transmissão, não calculada, sairia por R$ 9 ou 10 bilhões.
Deve se informar ao presidente que, país afora, obras que obtiveram
licenciamento ambiental na marra não saem do papel: usina Foz do Chapecó, no
Sul, Serra do Facão, no Centro-Oeste, gasoduto Urucu-Porto Velho, no Norte,
entre outras. Na semana passada ficou claro quanto o presidente está informado
sobre sua tarefa prioritária ao receber num palanque o pleito do governador
Maggi para destravar o licenciamento das eclusas do Rio Madeira.
Lula respondeu logo que vai resolver. Tarefa árdua, pois nunca foi iniciado o
licenciamento das eclusas. Ele não sabia que seu governo mandara retirar as
eclusas do projeto, para facilitar, com burla pouco astuciosa, o licenciamento
das hidrelétricas. Ou que, naquele momento, algum “aloprado” o fizera inaugurar
com toda pompa uma rodovia ilegal, sem licenciamento. Em vez de buscar os responsáveis
por suas angústias na sociedade, na Justiça ou até mesmo na maloca, Lula pode
encontrá-los nos gabinetes do palácio.
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ECONOMIA & NEGÓCIOS
02/12/2006
Infra-estrutura para o crescimento
Moacyr
Servilha Duarte*
O presidente Lula após a eleição tem enfatizado a meta de crescimento do PIB
acima de 5% ao ano. Além do aumento do consumo - decorrente dos programas de
redistribuição de renda e de aumento do crédito -, a expansão exige
investimentos, e a infra-estrutura rodoviária é prioridade. O País transporta
mais de 60% da carga e cerca de 90% das pessoas por via rodoviária, usando uma
rede bastante deteriorada e, em muitos pontos, congestionada, e, sem novos
investimentos, qualquer crescimento superior a 3,5% ao ano levará a um 'apagão
logístico'.
A necessária recuperação, a melhoria e a ampliação das rodovias podem ser feitas com
recursos públicos de tributos ou por Parcerias Público-Privadas (PPPs) em suas
diversas modalidades, desde a concessão comum por período determinado até as
diferentes formas de concessão patrocinada, em que o Estado aporta recursos
para viabilizar uma tarifa de pedágio menor. O único caminho viável é somar as
duas alternativas, com a iniciativa privada e cobrança de pedágio nos
principais eixos, e investimento público nas estradas secundárias ou de
menor trânsito, solução que vem sendo adotada na Europa, na China, no Canadá,
na África do Sul, em outros países da América Latina e, agora, nos EUA. Duas
razões vêm universalizando com velocidade a presença da iniciativa privada e a
cobrança de pedágio: a crescente competição por recursos públicos dos serviços
sociais prioritários, como saúde, seguridade social, educação, segurança
pública; e a questão gerencial. Não basta construir estradas, é preciso otimizar
seu uso, manter e aprimorar a qualidade em todos os aspectos: segurança,
sinalização, pavimentação, geometria e serviços ao usuário. Falta ao poder público
agilidade gerencial e operacional para acompanhar o desenvolvimento tecnológico
e da gestão do setor.
O Programa Brasileiro de Concessão de Rodovias completou dez anos da atual fase de atuação
da iniciativa privada e os resultados mostram um caminho seguro. A pesquisa da
Confederação Nacional dos Transportes (CNT), divulgada em outubro, analisou
84.382 km no Brasil (metade da malha) e concluiu que apenas 10,8% estão em
estado ótimo e 75% apresentam pelo menos algum tipo de deficiência no
pavimento, sinalização, geometria, segurança ou serviços ao usuário. Das rodovias avaliadas, as 23
melhores são pedagiadas, mostrando a adequação dessa forma de gestão, em que os
recursos da tarifa são aplicados na própria estrada. Das rodovias pedagiadas, 79,8%
receberam a classificação ótima ou boa. Segundo a CNT: 'Sob o ponto de vista
operacional (a rodovia) é bastante favorável ao transportador. Rodovias com adequado estado
de conservação propiciam a redução de custos operacionais e possibilitam a
diminuição de tempo de viagem, além de garantir maior eficiência no transporte.'
Já no caso das rodovias sob gestão estatal, apenas 16,9% foram classificadas como
ótimas ou boas.
O presidente tem, portanto, uma sólida e bem-sucedida experiência para tomar
como base do necessário impulso para a renovação da infra-estrutura rodoviária
nos próximos quatro anos. Já está pronta a proposta do governo para licitar
sete novos lotes para serem concedidos à iniciativa privada, envolvendo algumas
das rodovias mais importantes para
a integração do País e mesmo do Mercosul, como a Fernão Dias e a Régis
Bittencourt. É importante que neste e em outros projetos se busque ampliar a
base de pagantes, para que todos paguem menos, e compatibilizar o cronograma
dos investimentos à real evolução do tráfego.
Ao mesmo tempo, é necessário reforçar a estrutura e garantir a independência
das agências reguladoras, tanto na esfera federal quanto dos Estados, para que
possam controlar de fato o processo de concessão e servir de garantia e
segurança aos investidores. Os investimentos privados na infra-estrutura
rodoviária, seja na forma de concessões comuns ou de outras PPPs, trazem
retorno a longo prazo e não podem depender dos humores e preferências de um
governo, devendo ser controlados por órgãos do Estado, com visão de 20, 30 ou
mais anos.
Abrindo espaço e criando garantias para investimentos nos grandes eixos
rodoviários, o País poderá ter uma infra-estrutura capaz de dar suporte ao
ritmo de crescimento que o governo e a sociedade desejam. E, desonerando-se
dessa obrigação, o poder público pode concentrar seu investimento nas estradas secundárias,
fundamentais para a descentralização econômica e a redução das disparidades
regionais, outra prioridade definida pelo presidente.
* Moacyr Servilha Duarte é presidente da Associação Brasileira de
Concessionárias de Rodovias-ABCR
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COTIDIANO
02/12/2006
Empresa acusa fraude em licitação do lixo
Perdedora
da disputa alega na Justiça que 2 propostas vencedoras foram arquitetadas e
construídas por uma mesma pessoa
ALENCAR
IZIDORO
DA REPORTAGEM LOCAL
Uma empresa de lixo tenta na Justiça anular a contratação dos serviços de
varrição nas zonas leste e central pela Prefeitura de São Paulo sob a acusação
de que houve fraude e conluio na concorrência pública.
Os contratos começaram a vigorar no dia 4 de novembro, quando as reclamações de
moradores ao serviço 156 em toda a capital paulista cobrando a limpeza de vias aumentaram.
A liminar requerida no processo judicial foi negada na primeira instância sob a
justificativa de que os contratos já tinham sido iniciados e que, se constatada
a ilegalidade, as partes ainda poderão ser responsabilizadas no futuro. O caso
deverá ser julgado no Tribunal de Justiça na semana que vem.
A Delta Construções, que perdeu a disputa pelos serviços, acusa ter havido
burla, combinação de resultados e quebra de sigilo das propostas da Construfert
e da Unileste, que abocanharam dois dos cinco lotes, nos valores de R$ 44,4
milhões e R$ 88,2 milhões, respectivamente, pelo prazo de um ano.
Ela alega que "até uma criança" perceberia que as propostas das duas
foram "arquitetadas e construídas por uma mesma pessoa", ferindo a
moralidade e a isonomia da concorrência.
Construfert e Unileste disputavam áreas diferentes na licitação -que não
permitia que um mesmo grupo fosse vencedor em mais de um lote.
As duas empresas apresentaram planilhas de propostas com diversos preços
unitários idênticos -por exemplo, R$ 541,87 para cada equipe diária de lavagem
de feiras livres e R$ 0,00617 para cada metro quadrado de calçadão varrido.
Ambas também apresentaram, dentre as exigências para prestar os serviços,
equipamentos repetidos, inclusive caminhões de placas iguais, além de exibir os
mesmos contratos de locação de veículos, firmados na mesma data e assinados
pelas mesmas testemunhas. Formalmente, Construfert e Unileste têm donos
diferentes.
A Delta alega que elas não poderiam ter sido habilitadas porque, ao relacionar
os mesmos equipamentos, não teriam como assegurar a sua disponibilização se
ambas vencessem.
A administração Gilberto Kassab (PFL) afirma que as duas assumiram os serviços
com equipamentos diferentes, porque a substituição em relação ao que fora
apresentado na concorrência era permitida.
A Delta foi alvo de polêmica quando uma auditoria do Dnit (órgão federal que
cuida de rodovias) avaliou que ela
havia entregue atestado irregular numa licitação em Minas Gerais.
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GRITA GERAL
02/12/2006
Passarela para pedestres
Em
20 de novembro, o funcionário público Carlos Alberto Fernandes de Alencar, 42
anos, morador de Sobradinho, foi visitar um amigo no Park Way e demorou mais de
40 minutos para atravessar a pista da BR-040, sentido Park Way/Gama, por não
ter uma passarela para pedestres entre o posto policial do Park Way e o entroncamento
que vai para o Gama. “É preciso colocar mais passagens de pedestres nesta pista
ou instalar um redutor de velocidade. São muitos carros que circulam em alta
velocidade”, explica.
# O Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes (Dnit) informa, por meio da
assessoria de Comunicação do Dnit GO/DF, que será implantado um projeto que
prevê melhorias na BR-040, tanto em Goiás quanto no Distrito Federal, que
tratara de questões relativas a segurança viária, a travessia de pedestres,
vias marginais, passarelas e iluminação. E acrescenta que projetos de viabilidade
técnica e econômica estão sendo desenvolvidos para que a execução seja feita
ainda no primeiro semestre de 2007.
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REPÓRTER JC
02/12/2006
Pista restaurada
Antiga
reivindicação da população há mais de cinco anos, a restauração da BR-104 será
concluída até o final do ano, informa o superintendente estadual do DNIT, Marcos César
Crispim. Liga Alagoas a Pernambuco e termina na divisa com a Paraiba.
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NACIONAL
02/12/2006
Barreira soterra casa e mata mais três no Rio
Deslizamento
de terra na BR-116, em Teresópolis, provoca morte de casal e filho mais novo,
elevando para cinco o número de vítimas dos temporais que atingiram o estado
Rio
de Janeiro – A queda de uma barreira na BR-116 (Rio-Bahia), no trecho entre
Teresópolis e Além Paraíba, na Região Serrana do Rio de Janeiro, provocou, na
madrugada de ontem, o soterramento de uma casa e a morte de três pessoas. As
vítimas, que dormiam, foram Manuel Pedro de Oliveira, de 58 anos, sua mulher,
Teresa Maria Dias da Rosa, de 58, e o filho mais novo dela, Fabiano Dias da
Rosa, de 22. Três dias de chuvas intensas no estado já deixaram cinco mortos.
Os três mortos dormiam na casa 156 da Rua Aymoré, no Bairro Meudon, em
Teresópolis. A residência da família ficava abaixo da margem direita da
rodovia, no sentido Além Paraíba, na altura do Km 83,5. Quando o barranco
cedeu, a terra empurrou a casa para dentro do riacho que passava entre a porta
de entrada e a rua Aymoré. O corpo de Fabiano foi encontrado pela manhã pelo
Corpo de Bombeiros. No início da noite foram localizados os corpos de Manuel e
Teresa. As buscas foram feitas com o auxílio de uma escavadeira.
Segundo o genro de Teresa, Francisco Martins Filho, pedreiro de 43 anos, a
família morava na casa há mais de 13 anos e nunca teve problemas por causa das
chuvas. “Para mim, a culpa é do sinalizador colocado no asfalto da Rio-Bahia,
que faz toda a terra tremer quando os caminhões passam”, afirmou. Embora a
queda do barranco não tenha danificado a estrada, todo o trecho da Rio-Bahia
entre o bairro de Soberbo, na entrada de Teresópolis, e o viaduto do Meudon
ficou interditado para o trabalho dos bombeiros. Outras casas na região foram
interditadas. A Defesa Civil registrou outros pontos de desmoronamento na
BR-116, mas sem gravidade. Já na região de Campos, no Norte do estado, as
fortes chuvas abriram uma cratera na BR-101.
EXÉRCITO Em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, onde duas pessoas morreram na
quarta-feira, a população contou ontem com a ajuda do Exército. Cerca de 180
homens da Companhia do 57º Batalhão de Infantaria Motorizado foram enviados
pelo Comando Militar do Leste (CML) a Nova Iguaçu, atendendo a pedido do
prefeito Lindberg Farias (PT), que decretou estado de emergência no município.
Os militares distribuíram alimentos, fizeram o cadastramento de desabrigados e
organizaram o recolhimento e separação do material de doações. O CML informou
ainda que dois pelotões de Engenharia, com 60 homens, trabalharão com máquinas
na desobstrução de vias e drenagem de rios e canais. O 25º Batalhão Logístico
montará um contêiner com profissionais de saúde para o atendimento público. A
Defesa Civil do Estado do Rio manteve o estado de alerta e já registrou quase
300 desabrigados em seis municípios.
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CIDADES
02/12/2006
Bancada prioriza infra-estrutura
Carvílio
Pires
As 18 emendas apresentadas pela bancada federal de Roraima ao Orçamento da
União/2007 perfazem o total de R$ 878.429.253,00. Pedir muito para ganhar o
razoável é uma estratégia usada pelos parlamentares porque os cortes são
inevitáveis. Tanto é assim que os parlamentares esperam que do montante sejam
assegurados aproximadamente R$ 200 milhões para investimentos no Estado no
próximo ano.
As discussões em torno da votação avançam no Congresso gerando a expectativa de
que a aprovação aconteça este mês. A maioria das emendas aloca recursos a
projetos de infra-estrutura, incluindo transportes, turismo, habitação e saneamento
básico. Para o senador Romero Jucá (PMDB), líder do governo Lula no Senado, o
posicionamento da bancada segue a tendência do Planalto em focar ações voltadas
ao desenvolvimento econômico.
As articulações junto ao Governo Federal, segundo Jucá, buscarão minimizar o
efeito histórico de corte de gastos no primeiro ano de mandato. “Atuando na
liderança, eu estarei empenhado em ajudar na liberação dos recursos de todas as
emendas da bancada que gerem benefícios sócio-econômicos a Roraima”, enfatizou.
APLICAÇÃO – Houve novamente divisão quanto à aplicação dos recursos. Do total, sete
emendas receberam o código de aplicação 99. Isso significa que podem ser
destinadas a municípios ou ao Estado. Outras seis (40) foram destinadas
diretamente para os municípios e cinco (30) para o Estado. Em maioria estas
últimas foram alocadas por parlamentares não reeleitos.
DIVISÃO DAS EMENDAS PROPOSTAS PELA BANCADA
INDICAÇÃO
OBJETO
MINISTÉRIO
APLIC.
VALOR
Luciano Castro e Almir Sá
Restauração de rodovias federais
DNIT
99
91.000.000,00
Mozarildo Cavalcanti
Construção de trechos rodoviários
DNIT
99
168.000.000,00
Romero Jucá
Construção de contornos viários em Boa Vista
DNIT
40
61.429.253,00
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CIDADES
02/12/2006
PMBV terá R$60 mi para grandes obras
Da
Redação
Mais de R$ 60 milhões é o valor do investimento que a Prefeitura de Boa Vista
fará em parceria com o Governo Federal na conclusão do Anel Viário, construção
de dois viadutos e duplicação de trecho da BR–174. As obras irão começar no
início de 2007.
O convênio com o Ministério dos Transportes, através do Departamento Nacional
de Infra-Estrutura de Transportes (DNIT), para a implementação do projeto será
assinado pelo prefeito Iradilson Sampaio às 16 horas deste sábado, dia 02, no
auditório do Palácio 9 de Julho.
O valor total do convênio ultrapassa R$ 64 milhões, dos quais R$ 61 milhões são
de recursos federais e o restante de contrapartida do município. “São obras que
vão melhorar o acesso a Boa Vista e contribuir com o planejamento de crescimento
da cidade”, ressaltou.
Segundo o prefeito, os trabalhos irão gerar dezenas de empregos e dar mais
segurança ao tráfego de veículos. Serão pavimentados os 29 quilômetros do Anel
Viário, ligando o trecho sul da BR-174 (Amazonas) com o trecho da mesma
rodovia. Com isso, a rodovia será retirada do perímetro urbano.
A prefeitura também vai duplicar e reestruturar o asfalto da rotatória do Trevo
até a entrada do Anel Viário. Este trecho passará a compor a avenida Brasil.
Uma pista será construída na margem esquerda da rodovia, a partir do posto da
Polícia Rodoviária, somando 7 quilômetros de duplicação.
O primeiro viaduto será construído na interseção da BR-174 com o Anel Viário,
totalizando 33 metros de extensão. O outro será erguido na entrada da avenida
Estrela D’Alva, no bairro Raiar do Sol, com a extensão de 15 metros. Uma nova
ponte será construída sobre o igarapé Grande.
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CIDADES
02/12/2006
Motoristas recebem atendimento na BR-174 durante Comando Médico
Da
Redação
A 4ª etapa do projeto Comando Médico, que tem a finalidade de prestar
atendimento médico aos motoristas que trafegam pela estrada, foi realizada
ontem no Posto Fiscal 1 do 5º Distrito da Polícia Rodoviária Federal, na
BR-174, na saída para Mucajaí.
O Comando Médico é uma parceria entre o Sest/Senat (Serviço Social do
Transporte/Serviço Nacional do Transporte), Polícia Rodoviária Federal,
Secretaria Municipal de Saúde e Exército. O evento ocorre quatro vezes ao ano
simultaneamente em todo o País.
Das 7h às 11h30, cerca de 20 voluntários prestaram vários serviços médicos como
aplicação de flúor, medição de massa corpórea, aferição de pressão arterial e
glicemia e vacinação. A participação não era obrigatória. Os motoristas, tanto
profissionais quanto cidadãos comuns que transitavam pelo local eram parados
pelos policiais rodoviários e convidados a participar do evento. Até as 11h,
mais de 70 pessoas haviam sido atendidas.
A diretora do Sest/Senat, Marília de Carvalho Nunes, informou que esse projeto
já está consolidado no Estado. A principal finalidade é dar cobertura e apoio
aos profissionais do transporte e, conseqüentemente, prevenir acidentes,
identificar doenças nos motoristas e encaminhá-los ao tratamento.
O projeto é destinado aos motoristas, mas isso não impediu que a comunidade que
reside nas proximidades recebesse atendimentos. Quanto às datas escolhidas para
a realização do evento, a diretora do Sest/Senat disse que são datas quando
aumenta substancialmente o fluxo de veículos nas estradas. Véspera de feriado,
Carnaval e início de férias escolares são as datas mais prováveis para
acontecer a ação.
O médico da PRF, José Luiz Costa Filho, que participou das quatro etapas do
projeto, falou da importância do evento. “O público alvo são os motoristas que
trafegam pelas estradas e não têm tempo de cuidar da saúde adequadamente.
Detectamos em um motorista um nível alto de glicemia e já o orientamos a
iniciar um tratamento. O cidadão tinha diabetes e nem sabia”, disse.
Segundo ele, os motoristas das estradas do Brasil não recebem o retorno dos
impostos que pagam. “O profissional do transporte paga IPVA, pedágio, várias
taxas e não tem nas estradas o atendimento que estamos dando aqui. As rodovias privatizadas oferecem
postos médicos com corpo clínico, resgate, enfim, uma infra-estrutura que dá
segurança ao motorista. Infelizmente, esta é uma realidade distante da grande
maioria das estradas brasileiras”, disse.
A aluna de Enfermagem Gleucila Sousa disse que cerca de 50 pessoas que tiveram
a massa corpórea medida, apenas duas estavam em condições normais. As outras 48
estavam acima ou abaixo do peso ideal. “O motorista passa muito tempo sentado,
sem fazer exercícios físicos, isso aliado a uma alimentação inadequada compromete
a saúde”, afirmou.
O motorista Helton Cavalcante, que trafega diariamente no trecho Boa Vista/
Mucajaí, disse que faz check-up de vez em quando, mas aproveitou para dar mais
uma avaliada na saúde. “Acho que não tenho nenhum problema. O que me faz mal
são os buracos da estrada.”
Já o caminhoneiro Raimundo Nonato Paiva, que faz a rota Boa Vista/ Manaus uma
vez por semana, comentou que o grande risco da estrada é o cansaço do trabalho.
“Não temos um lugar onde parar na hora do sono. Isso é muito arriscado”.
O chefe do Núcleo de Policiamento e Fiscalização da Polícia Rodoviária Federal,
Tarcísio Melo, lamentou que o Comando Médico não seja uma atividade permanente
porque, assim, prestaria um grande serviço para os motoristas.
“Aqui comprovamos as carências deste profissional importante para a nossa
sociedade. Eles não têm uma alimentação adequada, muitos estão acima do peso,
têm problemas de visão e até dentários. O projeto dá a oportunidade de o
motorista fazer uma consulta rápida, sem as dificuldades que ele encontra em
postos de saúde. Estamos aqui na beira da estrada, é só ele atender ao nosso convite
para receber uma avaliação médica que pode salvar sua vida”, frisou.
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INFORME POLÍTICO
02/12/2006
Contrato
Na
quinta-feira, a senadora Ideli Salvatti (PT) acompanhou a assinatura - pelo
diretor-geral do DNIT, Mauro Barbosa da Silva - do contrato com a prefeitura de São
Francisco do Sul para construção do contorno ferroviário. As obras iniciam já
na próxima semana. O ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, já assinou o
contrato com a empresa que fará o contorno de oito quilômetros de extensão. À
direita de Ideli, na foto, o prefeito do município catarinense, Odilon Ferreira
de Oliveira (PMDB).
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ECONOMIA
02/12/2006
Governo pede verba para obras
KELE
GUALBERTO
O secretário de Infra-Estrutura, Fernando Dueire, e o presidente do Complexo
Industrial Portuário de Suape, Matheus Antunes, irão à Brasília, nesta
segunda-feira, pedir ao ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, a liberação de R$ 63,5
milhões com destino a obras no estado. “Temos uma reunião com Passos para
tentar a liberação de R$ 14 milhões para a BR-232 e recursos para as obras de
Suape”, disse o secretário. Esse montante é do Orçamento Geral da União (OGU)
de 2006.
Os investimentos contemplam a recuperação e a sinalização da BR-232, entre o
trecho entre Serra Talhada e São Caetano. Ao todo, serão recuperados 262
quilômetros da rodovia. A obra está orçada em R$ 20 milhões, provindo do
governo federal, através da Medida Provisória n° 371.
Sobre Suape, Matheus Antunes afirmou que irão atrás da liberação da última
parcela da ordem de R$ 13 milhões para as obras do Cais 4 do Porto de Suape. “O governo
federal disse que iria liberar R$ 17,7 milhões, mas acho que os R$ 4,3 milhões
vão ‘morrer’”, disse Antunes. Eles também tentarão a liberação dos recursos
destinados às obras de acesso à ilha de Tatuoca (que abrigará o estaleiro), no
valor de R$ 35,5 milhões.
O presidente de Suape disse estar confiante de que sairão do gabinete do ministro
com uma sinalização positiva. “Pelo histórico das liberações, a maioria
acontece no fim do ano. Acho que temos boas chances”, disse Antunes. O Cais 4
será o primeiro destinado a granéis sólidos no Porto de Suape. Já as obras
da ilha de Tatuoca incluem a dragagem do acesso e a construção de uma via rodoferroviária
de 4,5 quilômetros, que beneficiarão a construção do estaleiro.
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POLÍTICA
02/12/2006
PMDB confirma indicação de nomes
MARCIA
RAQUEL
Da Reportagem
O PMDB vai indicar os nomes para todos os órgãos ligados ao Ministério da Saúde
e ao de Minas e Energia no Estado. Entre eles estão a Funasa e a Eletronorte.
Caso o partido fique com o Ministério dos Transportes, a indicação para o DNIT também será do PMDB.
A garantia da verticalização dos ministérios foi uma das exigências para a
adesão do partido ao governo federal.
“O PMDB vai receber o Ministério verticalizado, o que significa que teremos
cargos federais aqui em Mato Grosso”, revelou Silval Barbosa. A verticalização
é o que, na linguagem política, significa “porteira fechada”, ou seja, com
direito a indicar nomes para todos os órgãos ligados ao referido ministério.
Em Mato Grosso, a Funasa já está sendo coordenada pelo peemedebista Evandro
Vitório. Para a Eletronorte o partido ainda vai discutir as alternativas. “Não
temos nada definido, até porque foi definido agora”, disse o presidente da
Executiva Estadual e deputado federal eleito Carlos Bezerra.
Conforme Bezerra, o presidente Lula (PT) já garantiu ao partido, além dos
ministérios da Saúde e de Minas e Energia, o das Comunicações. “Mas deverão ser
cinco ministérios, poderemos ficar também com Transportes e Integração
Nacional”, disse Bezerra.
Nesse caso, o PMDB ainda teria o direito de indicar os nomes para o DNIT e os cargos ligados
ao Ministério da Integração Nacional, a exemplo da Sudeco (Superintedência de
Desenvolvimento do Centro-Oeste), cujo projeto deverá ser aprovado em breve pelo
Senado Federal e em seguida sancionado pelo presidente Lula.
Já em relação à composição do staff estadual, o partido ainda aguarda o
posicionamento do governador Blairo Maggi e o convite para discutir o assunto.
“Até agora todos os partidos estão falando pelos jornais”, disse o
vice-governador Silval Barbosa, que foi convidado para assumir a chefia da Casa
Civil e recusou.
Em Mato Grosso o apoio ao presidente Lula não deverá encontrar dificuldades
pela frente. Segundo Bezerra, o caminho será mais propenso porque o PMDB no
Estado tem um bom entendimento com o PT de Mato Grosso. “O apoio ao governo do
presidente Lula será fácil no Estado porque temos um amplo e bom entendimento
com o PT. Isso facilita com certeza as ações”, avaliou. (Colaborou Sonia Fiori)
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POLÍTICA
02/12/2006
Cargos federais foram discutidos
Da
Reportagem
As discussões entre o PR, o PP e o governador Blairo Maggi (MD), em que pese
terem acontecido em audiências em separado, tiveram assuntos em comum, como o
preenchimento de cargos federais em níveis estadual ou nacional. “O governador
Blairo Maggi tem o apoio da bancada federal, seja de deputados ou de
senadores”, explicou Wellington Fagundes (PL), defendendo a participação ou a
indicação de nomes no Ministério da Agricultura, Eletronorte, Basa, Conab,
Incra e Ministério dos Transportes, entre outros.
“Fora esses cargos, ainda temos a questão da Sudam e da Sudeco, Superintendências
de Desenvolvimento da Amazônia e do Centro-Oeste, que foram recriadas, terão
suporte financeiro e são importantes para o desenvolvimento de Mato Grosso”,
disse o parlamentar do PR.
Em que pese não ter saído pela frente, o deputado Pedro Henry (PP) também
discutiu a questão dos cargos federais com o governador e teria sinalizado que
o chefe do poder Executivo detém hoje o apoio de quase a totalidade das
bancadas federais de Mato Grosso em Brasília, composta por oito deputados e
três senadores.
Os cargos federais em comum acordo com o PT poderiam contemplar aliados dos
mais diversos partidos que caminharam junto com Maggi nas eleições de outubro.
(ML)
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ARTIGOS
02/12/2006
O ralo grosso das estradas
O
Brasil perde R$ 1,5 bilhão por ano por não conservar suas estradas. A afirmação é do
ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Augusto Nardes. Um dinheiro gordo
que é desperdiçado, em parte, apenas pelo fato de as estradas não contarem, por
exemplo, com serviços eficientes de pesagem de caminhões. Medida simples que
garantiria menos perdas e mais segurança no transporte viário do País. Os
recursos arrecadados pela Contribuição de Intervenção sobre Domínio Econômico
(Cide) é outro triste exemplo de desperdício. Somadas a contribuição recolhida
pelas concessionárias mais os impostos o valor chega a R$ 5,6 bilhões, montante
que deveria ter por destino a conservação das estradas brasileiras. Mas a verba
encalhou no meio do caminho e não chegou a seu destino.
Para tentar contornar o problema e descobrir os gargalos do setor - que incluem
até operações tapa-buraco executadas sem critérios - o Tribunal de Contas
realizou reuniões nos dias 28 e 29 de novembro, em Brasília. Estes encontros
contaram com pesos-pesados da gestão federal: a ministra da Casa Civil, Dilma
Rouseff, os ministros dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, e da Cidades, Márcio
Fortes de Almeida, além do presidente da Infraero, José Carlos Pereira, e o
diretor da Agência Nacional de Transportes Terrestres, José Alexandre
Resende.
E é mesmo mais do que hora de se pensar no assunto com seriedade. O Brasil
possui cerca de 1,7 milhão de quilômetros de estradas. Malha rodoviária que
só perde, em extensão, para a dos Estados Unidos. Como diria o jornalista
Alexandre Garcia, "quem faz circular riqueza pela buraqueira que são as estradas nacionais é herói".
Porque estamos falando de um País com 8,5 milhões de quilômetros quadrados que
não pode contar nem com suas estradas e nem com ferroviárias eficientes
porque estas, simplesmente, também não existem.
Não é necessário nenhum artifício técnico mais elaborado para entender que nem
mesmo os investimentos largamente anunciados pelo DNIT com o Pró-sinal - que
visa sinalizar 48 mil quilômetros de rodovias federais, em um total de R$ 278
milhões - darão conta de resolver o problema viário do País, se os
investimentos não forem feitos com critérios. Mas segundo o coordenador geral
de operações rodoviárias do DNIT, Luiz Cláudio dos Santos Varejão, vivemos novos tempos. A
preocupação com a melhoria de materiais e com a tecnologia empregada nestas
soluções hoje são realidade para o órgão, segundo Varejão. O Pró-sinal foi o
primeiro projeto do DNIT que incluiu em edital critérios de qualidade para as empresas
licitantes. Um progresso e tanto para o setor que trabalha ferozmente no
sentido de disciplinar os órgãos públicos e concessionárias sobre as diferenças
técnicas de materiais, durabilidade e segurança que oferecem ao sistema e aos
usuários.
O ministro
dos Transportes, Paulo Passos, e o diretor-geral do DNIT, Mauro Barbosa da
Silva, asseguraram que após as obras deste ano, não serão necessárias novas
operações em 2007: as intervenções de conservação não desencadearão um novo
programa emergencial nas proporções do que está sendo executado este ano. E
isto realmente é necessário para marcharmos adiante. Porque se de tempos em
tempos as estradas precisarem partir do
zero para voltarem a ter condições de tráfego, os investimentos no setor
entrarão por um buraco-negro. Para que a situação não seja recorrente, a idéia
de soluções competentes são pré-requisitos para que estas empreitadas não
tenham uma pífia vida útil, inviabilizando qualquer possibilidade de uma boa
relação custo-benefício e promovendo a desconfiança sobre as verdadeiras
intenções da obra. Se o investimento tem por único objetivo respeitar a vida
dos usuários e das cargas que necessitam destes caminhos, a hora de começar a
fazer bem feito é agora. E já estamos ao menos meio século atrasados.
* ÁUREA RANGEL é química, mestre em engenharia de materiais e
diretora-executiva da Hot Line
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GERAL
02/12/2006
Juiz manda Dnit aumentar indenização paga à família
Curitiba-
Uma sentença da Justiça Federal determinou, na quinta-feira, que o Departamento Nacional
de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit) pague indenização por danos morais, no valor
de 300 salários mínimos (R$ 131.100,00), para Ione Alves do Nascimento e
Giovani do Nascimento, viúva e filho do caminhoneiro Zonardi José do
Nascimento. Ele morreu em janeiro de 2005, aos 63 anos, vítima do desabamento
da ponte Capivari, no trecho da BR-116 entre Curitiba e São Paulo. Devido a uma
liminar da Justiça Federal, o Dnit já vinha pagando uma pensão mensal de R$
2.333,00 para a viúva, desde outubro do ano passado. A nova sentença também
determina aumento desse valor para cerca de R$ 3 mil, que deverá ser pago até a
data em que o caminhoneiro completaria 70 anos. A decisão é em primeira
instância.
De acordo com o juiz federal Marcos Roberto Araújo Santos, responsável pela
decisão, a postura do Dnit em relação à conservação das pontes foi ''omissa''. A sentença
diz que ''o total abandono das pontes no trecho em que aconteceu o acidente
era, à época, fato notório e, embora alertado sobre a necessidade de reparos, o
Dnit nada fez para evitar
a tragédia''.
Também na quinta-feira, o Ministério Público Federal (MPF) no Paraná propôs uma
Ação Civil Pública por improbidade administrativa contra os coordenadores do Dnit no Paraná,
engenheiros do órgão, uma empresa de construção civil e o ex-diretor do Dnit Alexandre Silveira de
Oliveira, além do ex-ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento.
Segundo a assessoria de imprensa, eles são acusados de omissão, negligência e
imperícia, causas apontadas pelo MPF para a ruptura da ponte. A ação também
pede ressarcimento ao erário público e a condenação do Dnit e da União a pagarem
os danos provocados pela queda da ponte, além da perda de função pública e dos
direitos políticos dos envolvidos, por cinco anos.
Procurado pela reportagem, o Dnit alegou que só irá se manifestar depois de ser
notificado oficialmente.
Marcos Martins
Equipe da Folha
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MINAS
02/12/2006
DNIT anuncia obras emergenciais
Nos
canteiros da Linha Verde, a lama e as poças de água deram trabalho aos operários
Jáder
Rezende
Repórter
O diretor-geral do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit), Mauro Barbosa da Silva,
anunciou ontem, em Belo Horizonte, que até o final da primeira quinzena de
dezembro vai ser iniciado o programa de conservação da malha federal para o
período chuvoso. As licitações, segundo ele, estarão definidas até a próxima
terça-feira, e os serviços, executados no prazo de 120 dias. Para as ações
emergenciais serão gastos R$ 80 milhões.
‘Com as chuvas, temos a obrigação de manter as máquinas na pistas para serviços
de limpeza de dreno, reparos, pois nesse período a vida útil do pavimento
encurta, o entupimento de dreno alaga a pista aumentando número de buracos‘,
disse. Segundo ele, serão licitados 56 lotes em Minas, que abrangem toda a
malha federal no estado. Para todo o país, o Governo federal deverá liberar R$
300 milhões para o mesmo fim.
Mauro Barbosa esteve em BH para avaliar contratos com empreiteiras, fazer um
balanço da primeira etapa do Programa de Sinalização nas Rodovias Federais (Pro Sinal)
e cobrar dos gerentes dos 17 escritórios do órgão empenho na fiscalização das
obras em andamento. Só em Minas, segundo ele, o órgão investiu neste ano mais
de R$ 1 bilhão. ‘A ordem é priorizar obras que garantam escoamento de produtos
e mercadorias‘, disse.
Ainda o ano que vem, assegurou Mauro Barbosa, o Dnit deverá definir a
construção do novo Anel Rodoviário da Região Metropolitana de Belo Horizonte.
Orçado em R$ 420 milhões e projetado para ter 64,34 km, do novo Anel Viário de
Contorno Norte teria início na BR-381, em Betim, próximo à Estação Aduaneira do
Interior, cruzaria as rodovias MG-808 (Contagem/Esmeraldas), BR-040 (Brasília/BH),
MG-806 (Venda Nova/Justinópolis/Ribeirão das Neves), MG 424 (BH/Pedro Leopoldo),
MG-10 (BH/Vespasiano/Confins), MG-20 (Santa Luzia/Jaboticatubas), e, por fim,
retornando à BR-381, após o acesso a Ravena. O novo anel desviaria 40% do
tráfego pesado do atual, o que corresponde a 15 mil veículos por dia.
De acordo com o projeto, cada pista do novo anel terá duas faixas de tráfego de
3,5 metros cada, com faixa de segurança interna de um metro e acostamento
externo de três metros e o canteiro central 21 metros de largura.
Linha Verde
O mau tempo não atrapalhou o andamento das obras de ampliação da Avenida
Antônio Carlos e nem a Linha Verde, entre Belo Horizonte e o Aeroporto
Internacional de Confins. Nos diversos canteiros de obras localizados ao longo
das duas vias, o único inconveniente eram os lamaçais e as poças de água. A
assessoria de imprensa da Linha Verde informou que o único setor de obras que
chegou a ser prejudicado pela forte chuva foi o serviço de terraplenagem em
alguns pontos, sofrendo pequenas interrupções que não chegaram a paralisar os
trabalhos de muitos operários.
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CIDADES
02/12/2006
Minas terá R$ 80 milhões para manutenção de BRs
MURILO
ROCHA
O Departamento
Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit) deve anunciar na próxima semana a liberação
de R$ 80 milhões para as estradas federais em Minas Gerais. O dinheiro faz
parte de um pacote de R$ 300 milhões dividido entre os Estados e, em Minas,
será utilizado para a limpeza, conservação e drenagem das rodovias.
A liberação ainda depende da assinatura de uma medida provisória, prevista para
ocorrer nos próximos dias. De acordo com o superintendente do Dnit em Minas Gerais,
Sebastião de Abreu Ferreira, a verba se refere a um crédito suplementar do
orçamento para as estradas neste ano e é destinada exclusivamente para contratos de
conservação rodoviária.
“Em Minas, com o dinheiro em caixa, vamos licitar 60 novos lotes para essas
obras no Estado. A idéia é atingir um total de cerca de 9.000 km”, disse
Ferreira. Entre as obras previstas, conforme o superintendente, estão o corte
da vegetação à beira das rodovias, limpeza de sarjetas, operação tapa-buracos e
a manutenção da sinalização de trânsito.
“Essa intervenção deve iniciar ainda este ano e dar prosseguimento com recursos
do orçamento para 2007”, adiantou.
Anel
Este mês, a Prefeitura de Belo Horizonte também deve concluir a obra de
recuperação do Anel Rodoviário, orçada em R$ 72 milhões, sendo R$ 57,5 milhões
repassados pela União e R$ 14,5 milhões de contrapartida do município.
Na rodovia, estão sendo executados serviços de reconstrução do pavimento com
espuma de asfalto, reciclagem e reforço das camadas da pista.
Também estão sendo pintadas novas faixas na pista e instaladas 2.000 placas de
trânsito e de informações turísticas, além da construção de oito passarelas nas
regiões do Barreiro, Nordeste, Noroeste e Pampulha.
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ATUALIDADES
02/12/2006
Guajajaras exigem R$ 6,1 mi da Funasa e ameaçam fechar estradas
Rio
de janeiro
Agência Estado
Depois de invadir o prédio da Fundação Nacional de saúde (Funasa) no Maranhão,
os índios Guajajara ameaçam agora bloquear rodovias federais, derrubar
uma torre da Eletrobrás e interromper a Ferrovia Carajás se o órgão não liberar R$ 6,1
milhões para o tratamento de saúde da etnia. Em carta encaminhada à Funasa, os
índios informaram que os recursos são necessários para custear medicamentos,
alimentação e transporte de doentes.
'A saúde da população indígena do Estado do Maranhão encontra-se com
incidências altíssimas de agravos, com necessidade urgente de intervenção e de
ações permanentes, sem sofrer soluções de descontinuidade', reclamam os
Guajajaras em carta enviada ao órgão federal.
A Funasa informou que não aceita negociar com os índios enquanto houver ameaças
de invasões. 'Interdição de rodovias e ferrovias é improcedente, irresponsável e
contraria toda a legislação brasileira', diz a Funasa. O órgão informa ainda
que novos repasses de recursos só poderão ser feitos após a aprovação de um
projeto de lei pelo Congresso Nacional. A expectativa é que o tema seja votado
na próxima semana. A Funasa destaca que existem limites orçamentários que
precisam ser considerados nas negociações com os índios.
Em fevereiro, os Guajajara bloquearam a ferrovia da Companhia Vale do Rio Doce
que liga Carajás (PA) a São Luís (MA) e também fizeram quatro funcionários da
empresa reféns. A exigência era de melhora no atendimento à saúde. Os reféns
foram libertados após dois dias. Pela ferrovia é feito o escoamento da produção
da mina de Carajás até o porto de Itaqui, no Maranhão.
Os índios também bloquearam temporariamente uma ferrovia de exportação de
minério de ferro da Vale em Minas Gerais, em dezembro de 2005.