CORREIO BRAZILIENSE - DF

POLÍTICA
05/08/2006

 

Campanha escancarada

Em visita à Caixa Econômica, presidente atua como candidato, faz “corpo-a-corpo” com funcionários e discursa contra privatização

 

Sandro Lima
Da equipe do Correio
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez ontem mais uma visita de trabalho, desta vez à sede da Caixa Econômica Federal. A ida a órgãos públicos faz parte da estratégia traçada pelo comando de campanha do PT para dar visibilidade ao presidente e às ações de governo durante a semana — na quinta-feira, Lula já havia ido a Angra dos Reis (RJ) conferir as obras nas plataformas P-51 e P-52. O objetivo é colocar o candidato à reeleição em pé de igualdade com os adversários, que estão em plena atividade eleitoral todos os dias, enquanto Lula dispõe apenas dos fins de semana. E assim como na visita às plataformas da Petrobras, a presença de Lula na Caixa teve eminentemente caráter eleitoral.

O presidente abraçou, beijou e tirou fotos com funcionários. Recebido com gritos de “olé, olé, olá, Lula” pelos funcionários, o presidente enalteceu a atual gestão da Caixa, citando a inclusão bancária de 4,5 milhões de novos clientes provenientes das classes mais pobres e a administração dos pagamentos do programa Bolsa Família. Também criticou governos anteriores ao dizer que a Caixa operava no vermelho e hoje tem uma gestão lucrativa. Para o petista, diante de tais dados positivos, ninguém mais vai falar em privatização da Caixa.

“Esta Caixa esteve para quebrar muitas vezes e as pessoas não contavam. Eu vejo como os privatistas publicavam manchetes e mais manchetes dizendo: ‘A Caixa teve um déficit de 1 bilhão; o Banco do Brasil teve um déficit de 800 milhões; o Tesouro vai ter que colocar dinheiro’”, disse. “Agora é importante que vocês se orgulhem e digam que a Caixa está fazendo muito mais do que já fez em qualquer outro momento da sua história, está cuidando do povo pobre, também, e não está tendo déficit, está tendo um superávit no final do ano, não fecha mais em vermelho, fecha em verde, azul ou outra coisa qualquer”, completou.

Animado pelo resultado da pesquisa CNI/Ibope, que aponta sua vitória no primeiro turno (leia matéria na página 3), Lula confirmou a declaração feita na semana passada de que é difícil separar o presidente do candidato: circulou pelos corredores do banco, sempre abraçando, cumprimentando e dando autógrafos para os funcionários.

Durante a visita, foi apresentado ao presidente o novo sistema de monitoramento de loterias e jogos, que substituirá a partir do próximo dia 12 o antigo, fornecido pela GTech. A empresa foi investigada por suspeita de favorecimento na renovação de um contrato de R$ 650 milhões. “Eu tive a oportunidade de ver a nova máquina que vai coordenar os jogos da Caixa e o mais prazeroso é saber que é tecnologia brasileira, feita por brasileiros e, portanto, a gente não tem que ficar dependente de empresas, que às vezes não são brasileiras, ou às vezes de empresas que não têm a mesma responsabilidade, a mesma seriedade, que um funcionário de carreira da Caixa”, afirmou o presidente, em referência indireta à GTech.

Na visita, Lula evitou tocar em temas polêmicos, como a quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Santos Costa, que possuía conta na Caixa. Francenildo era caseiro em uma casa no Lago Sul freqüentada pelo ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci e antigos assessores envolvidos em casos de corrupção. Segundo o caseiro, o local seria utilizado para encontros com garotas de programa. O episódio levou à demissão de Palocci e de Jorge Mattoso da presidência da Caixa.

Lula anunciou que pretende nas próximas semanas fazer visitas de trabalho ao Banco do Brasil, ao Banco Central, ao Banco da Amazônia e ao Banco do Nordeste. A série de visitas teve início no
Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (DNIT), há três semanas.

Promessas ao poder econômico

Gustavo Krieger e Gilberto Nascimento
Da equipe do Correio
Os salões do Jockey Club de São Paulo foram o cenário escolhido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para lançar seu programa econômico para a reeleição. Diante de uma platéia endinheirada, que desembolsou R$ 2 mil por convite, Lula equilibrou-se numa linha fina entre a promessa de crescimento econômico e a garantia de que manterá a austeridade fiscal. O discurso foi comparado pela coordenação de campanha à “Carta ao Povo Brasileiro”, na qual Lula anunciou sua política econômica durante a campanha de 2002.

“O nome de meu possível segundo mandato será desenvolvimento”, prometeu Lula. Mas ele manteve o discurso cuidadoso. “Não fiz todo o sacrifício do ajuste, neste meu primeiro governo, para, na hipótese de ser reeleito, começar um segundo mandato jogando fora as conquistas do Brasil. Eu sei que, a partir de agora, temos tudo para crescer e nos desenvolver mais rápido. Mas sei, também, que não podemos nos descuidar. Muita coisa na economia está arrumada. Mas sei que, pela nossa dívida alta e pela nossa história de fragilidade econômica e de muitas crises, nós teremos ainda que continuar fazendo determinados esforços.”

Carga tributária
Depois de comparar números de seu governo com a administração de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), o presidente fez promessas para seu segundo mandato. No mesmo tom cuidadoso, foi vago. Falou dos pontos que pretende mudar, mas não detalhou as mudanças. Acenou até com queda na carga tributária. “A redução dos impostos não é uma missão impossível. Não aumentei um único imposto sequer em meu governo. Ao contrário, reduzi. A tabela do Imposto de Renda foi reajustada duas vezes. Os impostos sobre computadores foram eliminados. O IPI sobre bens de capital foi extinto. Impostos sobre a cesta básica foram reduzidos.”

“Eu quero e vou fazer mudanças na área tributária”, disse Lula. “A reforma do imposto estadual, com a subseqüente unificação de todos os impostos de valor adicionado num único imposto, está no Congresso Nacional. Basta vontade e entendimento entre as forças políticas para que venhamos a dar o grande salto que precisamos nesta área.”

Lula disse que vai “promover um grau de abertura maior da economia em setores indutores de avanços tecnológicos e continuar reduzindo nosso déficit em infra-estrutura, avançando nas melhorias de nossas
rodovias, ferrovias, hidrovias e portos”. Como também garantiu que o aperto nas contas públicas vai continuar, disse que esses investimentos virão de parcerias e prometeu “definir com clareza o modo e o alcance da participação privada no setor, através de marcos regulatórios, PPPs e concessões”.

 

 

FOLHA DE PERNAMBUCO - PE

ECONOMIA
05/08/2006

 

União libera R$ 57 mi para Estado

São R$ 20 mi para recuperar trecho da BR-232 e R$ 37 mi para obras em Suape

 

PASSOS vem assinar ordem de serviço na segunda-feira
KELE GUALBERTO

O
ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, anuncia a liberação de R$ 57 milhões, nesta segunda-feira, para Pernambuco. O ministro vai ao município de Serra Talhada assinar a ordem de serviço de recuperação e sinalização da BR-232 entre o trecho de São Caetano a Serra Talhada. Ao total, serão recuperados 262 quilômetros da rodovia. A obra está orçada em R$ 20 milhões, provindo do Governo Federal, através da Medida Provisória nº 371.

A previsão do Governo Federal é de que, até dezembro, o trecho esteja concluído.

“Esta é uma obra antiga, mas o Governo Federal não possuía recursos. Foi então que editaram a medida provisória para liberar a verba. Esse trecho entre São Caetano e Serra Talhada é a pior parte da BR-232. Existem muitos buracos e depois da chuva piorou muito”, afirmou o superintendente, em Pernambuco, do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transporte (
Dnit), Marcos Crispim. O consórcio Torce Via Dragados já tinha vencido a licitação, apenas aguardava a verba.

Seguindo a agenda, o ministro Passos vai ao Complexo de Suape, no Cabo de Santo Agostinho, liberar mais R$ 37 milhões, sendo R$ 7 milhões para a recuperação da BR-101, que dá acesso ao
Porto de Suape, e outros R$ 30 milhões para a infra-estrutura do Cais 4. Em seguida, o ministro do Transporte visitará as obras da BR-232 no trecho entre os municípios de Caruaru e São Caetano, que já está em andamento, no valor de R$ 25 milhões, sendo R$ 22,5 milhões do Governo Federal e R$ 2,5 milhões do Estado.

 

 

FOLHA DE PERNAMBUCO - PE

ECONOMIA
05/08/2006

 

Dnit deve abrir concurso para mais de 600 vagas

 

O Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transporte (Dnit) deve abrir concurso público entre os meses de abril e maio do próximo ano para mais de 600 vagas. O objetivo do departamento é substituir cerca de 2.000 terceirizados por servidores até 2009. A justificativa para a ampliação do quadro funcional é porque além de apresentar uma estrutura com maior abrangência, muitos funcionários, que vieram do extinto Departamento Nacional de Estrada de Rodagem (DNER), se aposentaram. Os cargos de maior carência são os de agente de trânsito, engenheiro civil e administrador. No total, o Dnit possui 2,3 mil funcionários.
No dia 17 deste mês, 630 concursados distribuídos em 25 estados tomarão posse no órgão. Em Pernambuco, apenas 13 pessoas serão contempladas: dois engenheiros, três administradores, um contador e sete agentes de trânsito. No final do ano passado, foi aprovado o Plano Especial de Cargos e a criação de Carreiras do
DNIT - PLC n° 88, que além de possibilitar o reajuste no salário dos servidores, criou carreiras de infra-estrutura de transportes.

Outra mudança do órgão foi a criação das diretorias Executiva e de Infra-Estrututura Ferroviária. O Senado Federal aprovou, nesta última quarta-feira, os nomes dos engenheiros José Henrique Coelho Sadok de Sá e Luiz Fernando de Pádua para assumir os cargos, respectivamente. A indicação foi realizada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Sadok de Sá exerceu cargos de chefia em diversos setores do extinto
DNER. Pádua foi chefe de Divisão do Departamento de Transportes Ferroviários do Ministério dos Transportes.

 

 

DIÁRIO DA AMAZÔNIA - RO

PORTO VELHO
05/08/2006

 

Candeias recebe muito mais obras na BR, garante o Dnit

 

- Estamos trabalhando para viabilizar recursos para a construção de passarelas de pedestres em todos os municípios nos quais foram realizadas obras de duplicação na BR-364. Ao mesmo tempo já estão sendo desenvolvidos no estado os trabalhos do Programa de Sinalização das Rodovias Federais – Pro Sinal, que vão privilegiar na primeira etapa as estradas federais nas zonas urbanas das cidades rondonienses. Apesar do excepcional ganho da BR em termos de segurança é claro que as mudanças que a duplicação exige acabam por interferir na rotina das comunidades. A realidade rondoniense não difere das demais cidades brasileiras nas quais os trabalhos foram e estão sendo executados. Em Porto Velho e Candeias nós estamos trabalhando no projeto alternativo capaz de pelo menos reduzir as dificuldades sem prejudicar a segurança. A Prefeitura de Porto Velho entendeu isso e já manifestou seu apoio ao projeto. Mas o mesmo, lamentavelmente, não parece estar acontecendo em Candeias. É possível que as autoridades e população em geral não tenham sido convenientemente informadas sobre o que será ali realizado.

O comentário é do superintendente do
Dnit, José Ribamar da Cruz Oliveira, que ontem lamentou a tragédia ocorrida na estrada, a 70 quilômetros de Candeias, aonde sete pessoas perderam a vida num violento acidente. Ele disse que os choques frontais são justamente os causadores do maior número de vítimas, conforme comprovam as estatísticas da Polícia Rodoviária Federal. E esclareceu que graças à proteção central das rodovias duplicadas com as barreiras, chamadas “New Jersey” pelos técnicos, isso não aconteceria em Porto Velho ou Candeias. “Felizmente a proteção existe, já que nas zonas urbanas as possibilidades de agravamento com uma colisão como aquela seriam muito maiores. Não se pode esquecer que nas cidades a BR é utilizada pelo tráfego rodoviário e pelo tráfego urbano – situações absolutamente distintas – além de motocicletas, coletivos, bicicletas e pedestres. Não custa lembrar que a própria duplicação começou a ser viabilizada pelo deputado Miguel de Souza, através de emendas parlamentares, depois de outra tragédia, ocorrida há quatro anos em frente ao acesso à Faro, quando quatro estudantes foram vitimados”.

Ribamar Oliveira disse que o município de Candeias irá ganhar não somente um retorno, previsto para a região central, em frente ao posto. Será construído um segundo retorno, no início da duplicação, na chamada “estaca 9”. Sem ele, toda aquela região de acesso a bairros densamente povoados ficaria prejudicada, o que acabaria por intensificar o tráfego de veículos no centro comercial do município. Os representantes de Candeias na reunião em que foi apresentado o projeto alternativo - o secretário de Administração Wilson Filho e o presidente da Câmara, vereador Djalma da Silva - entenderam perfeitamente a situação. Eles pediam a localização do retorno em frente à rua Ayrton Senna. Mas ficou esclarecida a impossibilidade legal da mudança, já que a legislação determina um espaçamento mínimo entre os retornos. Ademais, os veículos – inclusive caminhões pesados – continuariam a fazer o balão no final da duplicação, com péssimas condições de segurança.

Candeias vai ganhar também uma passarela para pedestres, uma nova ponte e dois grandes bueiros para escoamento das águas que normalmente alagavam a região central a cada chuva. “É evidente que num primeiro momento a rotina do município será alterada, problema que somente poderá ser solucionado com a construção de vias marginais ao leito da BR. O
Dnit está aberto inclusive ao financiamento de projetos nesse sentido. O prefeito Roberto Sobrinho já está trabalhando em busca desses recursos para Porto Velho. É preciso que as autoridades de Candeias município comecem a trabalhar para viabilizar a obra também lá. Mas estamos certos que, em relação ao projeto original da duplicação, Candeias será incomparavelmente melhor atendido.” – concluiu o superintendente do Dnit.

 

 

FOLHA DE RONDÔNIA - RO

GERAL
05/08/2006

 

Carretas destroem estrada, disse secretário

 

Temendo que sejam punidos na balança de fiscalização da BR-364, no quilômetro 31, carreteiros que transportam gêneros alimentícios utilizam um desvio alguns quilômetros antes, por linhas rurais do município de Ouro Preto do Oeste, e estão prejudicando a estrutura das vias, bueiros e pontes.

Uma carreta contendo carga de 42 toneladas de alimentos acabou afundando em um bueiro na Linha 4 da Vicinal 37, segundo o secretário de Infra-estrutura e Obras, Augusto Lobo, a estrutura não suportou o peso causando o afundamento do aterro e destruição das manilhas.

O chefe da Seminfra reclamou ainda que uma ponte da Linha entortou com a passagem de uma carreta carregada. “Eu recebi a reclamação e fui conferir os veículos usando o desvio. Creio que eles pensam que na fiscalização de pesagem na balança da BR estão aplicando multa por excesso de carga e por isso usam os desvios para não passarem no posto”, sustenta o secretário.

Após a efetivação das equipes de fiscalização na balança da BR e determinados motoristas, que viajam (no sentido Ji-Paraná Ouro Preto) pelo trecho e estão com veículo pesado, excedendo o limite permitido pela legislação, evitam a pesagem, provavelmente para impedir uma provável multa.

Os carreteiros entram pela Linha 22, cruzam a rodovia 473 (Linha 31), saem pela Linha 4 e usam a Linha 37 para sair em Ouro Preto, pelo bairro Aeroporto II. Quem não utiliza essa rota desvia por outras vicinais, usando
estradas do município de Teixeirópolis. O tráfego dessas carretas está comprometendo a estrutura das estradas no trajeto do desvio.

O secretário Augusto Lobo disse que procurou os responsáveis pela operação na balança e obteve como resposta a orientação para procurar a Polícia Rodoviária Federal (PRF) para reclamar.

Blitz educativa
A balança em atividade na BR- 364 por enquanto fiscaliza de maneira educativa o excesso de peso das cargas transportadas, que acima das leis estabelecidas pela legislação, prejudica a rodovia danificando-a em vários trechos.

O posto de pesagem da balança de Ouro Preto já tem dados suficientes que identificam as irregularidades, conforme afirmou o superintendente do
Dnit em Rondônia, José Ribamar da Cruz Oliveira, em reportagem recente.

Segundo Ribamar, as blitze tiveram inicio no último dia 20 e por enquanto são em caráter educativo. Tão logo sejam concluídas as blitze educativas, os operadores da balança começam aplicar as multas em quem estiver transportando cargas irregulares.

 

 

ZERO HORA - RS

POLÍTICA
05/08/2006

 

Visita de Lula à Caixa vira ato de campanha

 

Em atividade prevista na agenda de presidente, o candidato do PT fez discurso contra a privatização do banco
Brasília

Orientado a produzir fatos eleitorais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi ontem à sede da Caixa Econômica Federal, em Brasília, acompanhado da primeira-dama, Marisa Letícia, para uma visita ao prédio da instituição.

Apesar de ser um evento previsto na agenda de presidente, a visita à Caixa teve contornos de campanha. Nenhum anúncio foi feito no ato. Lula foi recebido por funcionários com gritos e aplausos. Ao passar por algumas salas, cumprimentou funcionários e tirou fotos.

O presidente comemorou o fato de o banco assumir no dia 12 a tecnologia de administração de jogos e casas lotéricas. Lula lembrou que a Caixa vai fechar o ano com lucro e afirmou que isso é um argumento para rebater os que defendem a privatização dos bancos públicos.

As visitas a instituições do governo - o presidente já esteve no
Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit)- se intensificaram depois que o conselho político da campanha o orientou a criar mais fatos para a campanha. A avaliação é de que Lula estava em desvantagem com relação aos demais candidatos, a todo momento em campanha, pelo fato de enfrentar as amarras da legislação eleitoral.

 

 

CORREIO DO POVO - RS

GERAL
05/08/2006

 

Garantidas obras da BR 101

 

Foram indeferidos os pedidos de suspensão da licença de instalação e de paralisação das obras da duplicação da BR 101, no trecho entre Osório e Maquiné. A ação civil pública foi ajuizada pelo Ministério Público Federal contra o Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit) e o Ibama, em razão da existência de uma comunidade quilombola na área. O juiz da Vara Federal Ambiental, Agrária e Residual de Porto Alegre, Cândido Alfredo da Silva Leal Júnior, determinou que os órgãos observem as regras pertinentes ao licenciamento ambiental, seguindo os prazos e adotando as providências cabíveis para cumprimento da licença de instalação referente ao trecho.

Além disso, devem ser realizados estudos dos impactos globais da duplicação sobre os quilombolas e elaborado um programa de apoio à comunidade. O juiz não considerou conveniente o deferimento da solicitação neste momento porque o Ibama adotou providências administrativas para exigir o cumprimento da licença de instalação em relação ao
Dnit, e também pela fase avançada em que a obra se encontra.

O magistrado ressaltou que pode reexaminar os pedidos caso surjam novos fatos que evidenciem a inércia ou descumprimento dos prazos pelas autarquias. 'Apenas aguardei a resolução, que foi dentro daquilo que já imaginava', disse o superintendente regional do
Dnit, Marcos Ledermann. Segundo ele, já foram executados 30% da obra no trecho.

 

 

O ESTADO DO MARANHÃO - MA

OPINIÃO
05/08/2006

 

Privatizar é preciso

 

Áurea Rangel
No Brasil temos a segunda maior malha rodoviária do mundo. São cerca de 1,7 milhão de quilômetros, perdendo apenas para os Estados Unidos. A má notícia é que menos de 10% deste total encontra-se pavimentado e devidamente sinalizado. Por este motivo, quando o
DNIT (Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes) anunciou, no final de junho, o investimento de R$ 275,3 milhões para sinalização de rodovias federais, as empresas que trabalham para este segmento se animaram. Mas não muito.

Temos consciência que R$ 275,3 milhões é uma quantia alta. Mas não se pensarmos nos milhares de quilômetros de
rodovias que, a bem da verdade, nem poderiam carregar este nome. São caminhos completamente desprovidos de qualquer tipo de infra-estrutura, que deixam à mercê da própria sorte cerca de 1,3 bilhão de pessoas, número estimado de passageiros rodoviários do país anualmente. Além disso, a degradação da malha rodoviária acarreta aumentos de custos operacionais de até 40%, gastos adicionais com combustíveis de até 60% e tempos de viagem maiores em até 100%. A pesquisa CNT (Confederação Nacional dos Transportes) 2005, realizada em 81.944 mil quilômetros de rodovias em todo o Brasil, apontou que 72% da extensão avaliada apresentava algum tipo de imperfeição. Nos Estados Unidos, em uma malha de 6.406.296 quilômetros, este mesmo índice não chega a 5%.

No último mês, um congresso em São Paulo reuniu tanto profissionais que atuam desenvolvendo soluções para sinalização viária como autoridades de trânsito e administradores de concessionárias de
rodovias. Este primeiro evento do gênero no país obteve resultado extremamente satisfatório. Isso porque houve a oportunidade de dar luz ao segmento frente à opinião pública de maneira geral, deixando claro que se trata de um mercado que se desenvolveu muito nos últimos anos e hoje esbanja tecnologia de ponta para sinalizar estradas e vias públicas com competência. Além disso, uniu os dois elos da corrente: a procura e a demanda. Empresários e especialistas do setor deixaram claro que um país que quer tratar questões de segurança com prioridade não pode confundir “sinalizar” com “maquiar”. Os números provam que uma sinalização bem feita pode reduzir em até 30% os acidentes. E este sim é um número expressivo.

Incompetência ou sistema engessado pela falta de recursos. Não importa. O fato é que o Governo - seja na administração que for - não conseguirá, nem em médio prazo, solucionar a questão viária no país. A saída para o dilema pode estar nas concessões. Repassar o controle de
rodovias à iniciativa privada é a forma encontrada pelos governos federal e estaduais para oferecer melhores serviços aos usuários. Para o cidadão os pontos positivos estão no fato de que, sob a administração privada, os buracos desaparecem, com mais qualidade para o pavimento, e a sinalização passa a existir - o que se traduz em mais segurança.

Uma lição já aprendida pelas concessionárias diz respeito à busca por produtos de qualidade na hora de investir nos trechos sob concessão. A vida útil de um pavimento deve durar, no mínimo, uma década e a sinalização sobre este piso precisa ter sua durabilidade maximizada. Os administradores de concessionárias estão fazendo escola neste quesito e as razões são óbvias: não lhes interessa reinvestimentos constantes. Por isso estas empresas que por questões contratuais devem revitalizar os trechos sob jurisdição estão buscando opções demarcatórias que, literalmente, funcionem e não gerem constante manutenção. É uma boa lição a se aprender.

Química, mestre em engenharia de materiais e
diretora-executiva da Hot Line