ECONOMIA
06/06/2006
Lula promete
investir na construção de ferrovias
Cristiane
Jungblut
BRASÍLIA. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem, no programa de
rádio “Café com o Presidente”, que dará atenção especial à construção de ferrovias no país. Depois de prometer retomar
esse projeto em vários discursos, Lula lança hoje, oficialmente, o início das
obras da ferrovia Transnordestina, em cerimônia em Missão Velha, no Ceará.
Segundo o presidente, o governo quer dar uma nova dimensão ao transporte
ferroviário no país.
A obra, segundo Lula, custará R$ 4,5 bilhões. A ferrovia terá um total de 1.800
quilômetros, sendo que 646 serão construídos e 1.150, recuperados ou
reconstruídos totalmente.
Como um verdadeiro candidato, o presidente lembrou que o governo já retomou as obras
da ferrovia Norte-Sul. Há duas semanas, em Aguiarnópolis (Tocantins), Lula,
diante do ex-presidente José Sarney, afirmou ter errado na década de 80 ao não
apoiar esse projeto.
— Queremos dar uma dimensão extraordinária ao transporte ferroviário, para que
a gente possa fazer o Nordeste brasileiro se transformar em uma região
altamente produtiva e desenvolvida. O que estamos fazendo é o começo de uma
obra que vai mudar a cara do Nordeste — disse Lula no rádio.
Ministro: investimentos atingiram R$ 3,3 bi em 2005
O presidente explicou que a ferrovia sairá de Eliseu Martins (Piauí), em
direção a Salgueiro (Pernambuco), e depois irá até o Porto de Pecém (Ceará). A idéia é
facilitar o escoamento da produção da região para os portos de Suape (Pernambuco) e Pecém.
— Vamos retomar as ferrovias e não vamos parar mais. Porque
queremos interligar o Brasil de Norte a Sul, de Leste a Oeste, com ferrovias, para que possamos baratear o
escoamento da nossa rica produção — disse Lula.
Ao citar a Norte-Sul, Lula cometeu um ato falho: prometeu inaugurar 150
quilômetros da ferrovia em outubro. Mas, se for candidato, ele estará impedido
pela legislação eleitoral de participar de inaugurações. O presidente lembrou
que, de 1987 a 2003, foram construídos 215 quilômetros da Norte-Sul. Já no
atual governo, foram 150 quilômetros.
Lula também criticou os governos anteriores em relação à infra-estrutura:
— Acho que foi insensatez, em algum momento da história, o Brasil parar de
construir ferrovia.
O ministro dos
Transportes, Paulo Sérgio de Oliveira Passos, fez um balanço dos últimos anos
sobre o setor ferroviário brasileiro, sobretudo após a privatização, ocorrida
em meados da década de 1990. Ele ressaltou que os investimentos saltaram de R$
625,7 milhões em 2002 para R$ 3,378 bilhões no ano passado.
COLABOROU Patrícia Duarte
O PAÍS
06/06/2006
Lula anuncia
retomada das obras da BR-163
Cristiane
Jungblut
BRASÍLIA. Na cerimônia de comemoração do Dia Mundial do Meio Ambiente no
Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou a retomada
das obras da BR-163, que corta a Amazônia, ligando Cuiabá (MT) a Santarém (PA).
O presidente argumentou que as obras serão realizadas depois de toda a
discussão ambiental e as medidas tomadas para preservar a região. Em fevereiro,
o governo criou, por decreto, um distrito florestal sustentável no Oeste do
Pará. O distrito fica ao longo da BR-163, com área de 16 milhões de hectares. E
ontem o governo divulgou algumas ações de implementação real do distrito, que
na prática já fora lançado em fevereiro.
Lula disse que, apesar dos cuidados do governo, sempre haverá os “descontentes”
com avanços como o distrito florestal e a estrada BR-163. Para Lula, essa obra
será um “exemplo para o mundo”.
— Quantas brigas, quantas coisas que pareciam impossíveis? Colhemos hoje uma
obra que será motivo de orgulho para o povo brasileiro. Sempre terá um ou outro
descontente, alguém que vai dizer que perdeu uma oportunidade de investimento,
que a sua madeireira ia crescer mais e não cresceu. Sempre haverá aquele que
poderá dizer: “Não, eu ia fazer uma expansão de mais um milhão de hectares de
soja para lá ou ia criar mais mil cabeças de gado” — disse Lula, acrescentando:
— Nossa futura geração será agradecida pelo exemplo que daremos ao mundo de
como é possível sermos brasileiros e não predadores, como costuma se dizer do
Brasil no exterior.
“A elite é capaz de negociar, de fazer concessões”
Na mesma cerimônia, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, elogiou a elite
brasileira, afirmando que muitos empresários estão fazendo doações a projetos
de preservação do meio ambiente. Para Marina, os empresários fazem parte da
“elite pensante” do país e assim mostram que podem fazer concessões. As
declarações da ministra acontecem num momento em que o presidente Lula tem
feito críticas à elite, mais diretamente à elite política. A elite também foi
alvo de ataques do governador de São Paulo, Cláudio Lembo (PFL), na crise de violência
que atingiu o Estado.
— A desgraça de um país não é a sua elite. É não tê-la. Porque a elite é capaz
de negociar, de fazer concessões. Falo na elite no sentido positivo. Os
empresários do Brasil também pensam estrategicamente e constituem a elite
pensante desse país. Significa novo uso dos recursos naturais — disse Marina,
citando como exemplo de negociação os encontros entre o ambientalista Chico
Mendes, assassinado, e empresários.
A ministra citou doações de grandes empresas a projetos ambientais. Segundo
ela, empresas como Boticário e Natura doaram cada uma US$ 1 milhão para
projetos de unidades de conservação.
Ao ser perguntada sobre as razões de ter elogiado a elite se o presidente
costuma criticar esse grupo da sociedade, Marina disse que falava no sentido
geral do termo:
— Estava falando daquilo que é o sentido real da elite, no sentido de quem
pensa estrategicamente. E isso não significa ter dinheiro nem poder. Significa
ter compromisso com o país, ter idéias, refletir, refutar ou aceitar projetos e
não pessoas.
Marina negou ainda que o governo estivesse ontem, na prática, relançando algo
anunciado em fevereiro, quando pela primeira vez foi anunciada a criação do
distrito ambiental. Apesar de o governo repetir números de fevereiro, a
ministra disse que agora “há um trabalho concreto” de implantação do distrito.
Ela argumentou que ele foi criado em fevereiro, antes da sanção da lei aprovada
pelo Congresso que trata das florestas públicas, embora já levando em conta as
novas regras.
Lula assinou decretos criando unidades de conservação ambiental: Reserva
Extrativista Grande-Pracuúba, com 194,6 mil hectares, no Pará; Reserva
Extrativista Rio Iriri, com 398,9 mil hectares, em Altamira (PA); Parque
Nacional do Juruena, com 1,9 milhão de hectares, no Amazonas e Mato Grosso; e a
Reserva Extrativista de Canavieiras, com 100 mil hectares (BA).
Sentado na primeira fila de convidados e autoridades, o ex-deputado petista
Paulo Rocha, que renunciou ao mandato para escapar de uma possível cassação,
ficou irritado ao ser abordado pela imprensa.
— Sou dirigente do PT do Pará. Isso aqui é uma luta do nosso Estado. Tenho que
estar aqui. Não é constrangedor (para mim), é para a imprensa.
BRASIL
06/06/2006
Câmara corre
contra o para driblar a Copa
Fernando Exman
BRASÍLIA
O Congresso corre contra o tempo para votar as medidas provisórias que trancam
as pautas do Senado e da Câmara e viabilizar a aprovação de projetos que
aguardam a apreciação dos parlamentares. Com esse objetivo, o presidente da
Câmara, deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), quer fazer nesta semana um esforço
para impedir que as convenções partidárias, a Copa do Mundo e as festas
juninas-que mobilizam sobretudo as bancadas do Nordeste - reduzam ainda mais o
tempo útil restante até as eleições.
É consenso entre parlamentares da oposição e do governo, no entanto, que o
esforço não deve ser totalmente eficaz. A falta de acordo pode inviabilizar a
tarefa.
Além disso, as atenções estarão centradas, no Senado, na apresentação do
relatório final da CPI dos Bingos.
O vice-líder do governo na Câmara, deputado Beto Albuquerque (PSB-RS), culpa a
oposição, que estaria obstruindo a pauta para prejudicar o governo. O
parlamentar alerta que, se o Congresso continuar sem votar nada, a imagem do
Legislativo ficará ainda mais manchada perante a opinião pública. Isso porque,
além de não conseguir investigar irregularidades e punir seus integrantes, o
Parlamento demonstra que não consegue cumprir o dever constitucional de
legislar.
- Essa conduta prejudica o país, não o governo - disse Albuquerque.
A oposição afirma que a pauta está trancada por culpa do Executivo, que tem
abusado na publicação de medidas provisórias, argumento rebatido pelos
governistas com a afirmação de que as MPs foram necessárias porque a oposição
atrasou a aprovação do Orçamento deste ano.
- Acho que vai se votar alguma coisa, sim. Mas não tudo. Não há acordo - disse
o líder da minoria na Câmara, deputado José Carlos Aleluia (PFL-BA).
A pauta do Senado está trancada por quatro projetos de lei de conversão e uma
medida provisória. As matérias tratam da renegociação de dívidas rurais
contratadas com recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste
(FNE); do benefício a mini, pequenos e médios produtores rurais e cooperativas
ou associações do Nordeste com débitos de até R$ 50 mil ainda não renegociados;
e da redução do CPMF para determinadas operações.
Há ainda projetos que alteram o regime jurídico de contratação de servidores
públicos e abrem crédito extraordinário em favor do Ministério dos Transportes, no valor de R 57,5 milhões.
Já a pauta da Câmara está trancada pela Medida Provisória que aumenta o salário
mínimo de R$ 300 para R$ 350. Outras MPs concedem créditos extraordinários aos
ministérios do Desenvolvimento Agrário e do Desenvolvimento Social e Combate à
Fome (R$ 738 milhões ), Defesa (R$ 690,7 milhões), Transportes (R$ 230,9 milhões),
Ciência e Tecnologia (R$ 116,3 milhões), Fazenda (R$ 15,8 milhões), Justiça (R$
13,9 milhões) e Trabalho e Emprego (R$ 200 milhões).
NACIONAL
06/06/2006
Presidente lança
plano pela 3ª vez e critica promessas
Projeto da
BR-163 fora anunciado em 2005 e em fevereiro deste ano
Leonêncio Nossa
e Lisandra Paraguassú
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que não mente em campanha e
acusou adversários de fazer falsas promessas. Mas, em solenidade no Palácio do
Planalto, ele anunciou, pela terceira vez em dois anos, o plano de desenvolvimento
sustentável da área cortada pela BR-163, no Pará. E, de manhã, no programa Café
com o Presidente, afirmou que resolveria "definitivamente" o
Ferroanel - um ramal ferroviário nas vizinhanças de São Paulo que faz parte dos
planos de governo de seus adversários tucanos.
"Na campanha de 1989 fui a Santarém, quando companheiros de fé queriam que
eu assumisse o compromisso de construir a rodovia (BR-163)", lembrou.
"Sei que outros foram, governaram, mas não fizeram a rodovia. Eu não
prometi porque era contar uma mentira. E depois de tantos anos estamos aqui
falando da BR-163."
O governo anunciou pela primeira vez o plano da BR-163 em fevereiro do ano
passado, para atenuar críticas por suposta omissão no caso do assassinato da
missionária Dorothy Stang, no Pará, morta a mando de grileiros. Depois, em
fevereiro deste ano, realizou solenidade para anunciar a criação de um distrito
florestal, que iria impedir a destruição da floresta com a pavimentação da
BR-163.
Ontem a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, acabou ficando numa saia-justa
para tentar explicar em entrevista o motivo de o governo anunciar mais uma vez
o projeto. Ela negou que a solenidade fizesse parte do esforço de Lula para se
reeleger e se esquivou com uma frase de efeito: "Quando assumi, o
presidente pediu que pensasse nas próximas gerações, e não nas próximas eleições."
Ainda na solenidade, Lula se elogiou pela conclusão do gasoduto Coari-Manaus,
outra obra que segundo ele foi prometida pelos antecessores. "(O gasoduto)
nunca foi feito, pois nunca se levou a sério a combinação do desenvolvimento
sustentável com a política correta, mesmo que demore um pouco. Nossa futura
geração será eternamente agradecida pelo exemplo que nós vamos dar ao mundo de
como é possível sermos brasileiros e não sermos predadores."
"INSENSATEZ"
No mesmo tom de campanha da cerimônia, Lula usou seu programa semanal de rádio
para classificar de "insensatez" o fato de governos anteriores não
terem investido em ferrovias. "Estamos pensando em resolver
definitivamente a questão do Ferroanel porque queremos que os trens que vêm da
região central, com cargas, não ocupem os trilhos dos trens que transportam
passageiros."
Lula disse que a malha do Ferroanel pode ter dois braços, um com destino ao Porto de Santos e outro, ao Porto de Sepetiba (RJ). "Isso sem
atrapalhar os passageiros de trem, porque em São Paulo muita gente pega
trem." Segundo ele, a obra pode ser construída por meio de parceria público-privada
(PPP) - ao custo de R$ 2 bilhões, de acordo com cálculos do Ministério dos Transportes.
No rádio, o presidente também destacou a retomada das obras da Ferrovia Norte-Sul, iniciada no governo José
Sarney (1985-1990), que liga as Regiões Centro-Oeste e Norte, e a Transnordestina,
que corta o semi-árido e passa por Pernambuco, Piauí, Paraíba, Rio Grande do
Norte e Bahia. Depois de dizer que de 1987 a 2003 seus antecessores construíram
215 quilômetros da Norte-Sul , assegurou que vai inaugurar, em outubro, 150
quilômetros da ferrovia. Já na Transnordestina, prometeu investir R$ 4,5
bilhões na recuperação de 1.150 quilômetros e na construção de um trecho de 646
quilômetros. Hoje, ele estará em Missão Velha, no Ceará, para iniciar as obras
da Transnordestina.
ECONOMIA &
NEGÓCIOS
06/06/2006
Depois que forem
concluídas obras como as das ferrovias
Norte-Sul e Transnordestina, a malha ferroviária brasileira poderá ter capacidade
para transportar até 30% das cargas que circulam pelo País. A previsão foi
feita ontem pelo diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres, José Alexandre Resende. Ele e o ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Oliveira Passos, fizeram um balanço do desempenho
das ferrovias desde o início das privatizações,
em 1996.
NACIONAL
06/06/2006
Presidente é mal
informado, diz tucano
Para Alckmin,
Lula desconhece o convênio entre Estado e União firmado em 2003 para construir
o Ferroanel
Ana Paula
Scinocca
O pré-candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, afirmou que o
presidente Luiz Inácio Lula da Silva desconhece o que acontece em seu governo.
O presidenciável tucano já havia mencionado a falta de conhecimento de Lula em
relação aos problemas de corrupção durante a administração do petista.
Ontem, porém, declarou que seu principal adversário na corrida eleitoral também
não tem informações sobre questões relevantes do País, como seria o convênio
assinado entre a União e o governo de São Paulo para a construção do Ferroanel
no Estado. "Realmente o presidente está mal informado. Em outubro de 2003,
nós assinamos - foi o Anderson Adauto (à época ministro dos Transportes) e o Dario Rais Lopes (secretário
do Estado dos Transportes) - o convênio. Fizemos até algumas reuniões, mas nada
saiu do papel", declarou Alckmin.
O ex-governador paulista ressaltou que, com base no convênio firmado com a
União, o Estado chegou até a fazer o projeto do trecho sul do Ferroanel em
conjunto com o trecho sul do Rodoanel, cujas obras devem ter início ainda neste
mês. "(O que o Lula fala) é extremamente retórico. De novo, o discurso e,
de prático, não acontece nada", criticou o pré-candidato.
Em seguida, ele explicou que a malha ferroviária é federal e, por isso, o
Estado depende da União para tocar o projeto. Ontem, no programa de rádio Café
com o Presidente, Lula classificou de "insensatez" o fato de os governos
anteriores terem deixado de investir em ferrovias. O presidente
prometeu resolver "definitivamente" a questão.
VIDA&
06/06/2006
Sinal verde para
asfaltar BR-163
Governo lança
pacote de medidas de desenvolvimento sustentável e cria três unidades de conservação
Lisandra
Paraguassú
Herton Escobar
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou ontem o início dos trabalhos de
asfaltamento da BR-163, no Pará, uma das obras mais esperadas e, ao mesmo
tempo, mais temidas da Amazônia. O projeto integra um pacote de medidas visando
ao desenvolvimento sustentável da região, incluindo a criação de três unidades
de conservação - um parque nacional e duas reservas extrativistas. Os anúncios
marcaram o Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado ontem.
O asfaltamento da estrada, que liga Cuiabá (MS) a Santarém (PA) já havia sido
autorizado pelo Ibama. Faltava, entretanto, um planejamento de impacto
ambiental do Ministério do Meio Ambiente (Plano BR-163 Sustentável),
apresentado ontem. Também foi anunciado o plano de implementação do Distrito
Florestal da BR-163, um mosaico de 16 milhões de hectares de áreas protegidas
nas encostas da rodovia, com regras específicas para ocupação e prática de
atividades extrativistas (veja texto ao lado).
O trabalho de asfaltamento começa agora com o Exército e custará cerca de R$ 1
bilhão, incluindo recuperação de pontes e de áreas degradadas. Dos 1.765
quilômetros da estrada, só 800 km já são asfaltados. Na época de chuva, muitos
trechos ficam intransponíveis. "Estamos passando a bola agora para o Ministério dos Transportes, para que seja feita a primeira
estrada com um plano de desenvolvimento sustentável do País", disse a
ministra do Meio Ambiente, Marina Silva.
O asfaltamento completo é desejado pelo setor produtivo, principalmente o
agrícola, para reduzir os custos de transporte e permitir o escoamento das
safras do Centro-Oeste pelo Porto de Santarém. Ambientalistas, por
outro lado, temem que o projeto abra caminho para mais desmatamentos, grilagem
e ocupação, em uma área já altamente conflituosa e ameaçada.
Só o primeiro anúncio do asfaltamento da rodovia já resultou em um aumento de
500% no desmatamento da região, segundo a ministra Marina. Daí a necessidade de
um plano de desenvolvimento sustentável, além das autorizações do Ibama. Cerca
de 2 milhões de pessoas vivem na área de influência da rodovia.
Segundo o secretário de Biodiversidade e Florestas do ministério, João Paulo
Capobianco, duas novas portarias do Instituto Nacional de Colonização e Reforma
Agrária (Incra) vão acelerar o processo de titulação de terra para posseiros
com áreas de até 500 hectares. A idéia é fazer com que "a regulamentação
fundiária chegue antes do asfalto" e impedir que os pequenos proprietários
sejam expulsos por especuladores. "Vamos criar uma cidadania que nunca
houve na região", disse.
"Estamos falando de um mutirão, de uma empreitada que combina o asfalto
com o ordenamento fundiário, econômico e ecológico de toda a área de influência
da BR-163", afirmou Lula. A parceria público-privada (PPP) que viabilizará
a obra deve ser publicada ainda neste ano e a obra deve ser concluída num prazo
de dois a três anos.
MURALHA PROTETORA
O presidente também assinou a criação de três unidades de conservação na
Amazônia e uma na mata atlântica, na costa da Bahia. A maior delas é o Parque
Nacional do Juruena, no extremo norte de Mato Grosso e sul do Amazonas, com
quase 2 milhões de hectares.
"Era a peça que faltava no quebra-cabeça para fechar o avanço da fronteira
agrícola na Amazônia", disse Capobianco ao Estado. "Agora, só se
pularem o parque." O norte de Mato Grosso é uma das áreas mais ativas do
chamado "arco do desflorestamento", que marca o avanço da destruição
nas bordas da floresta.
As três reservas extrativistas são áreas onde vivem comunidades tradicionais,
que passam a ter controle sobre práticas de extrativismo dentro da área
protegida - desde que obedeçam a certas regras de sustentabilidade.
NACIONAL
06/06/2006
BR-163 será
pavimentada e ganhará distrito florestal
Brasília, 6 de
Junho de 2006 - O governo oficializou ontem o início das obras de pavimentação
da BR-163, que liga Cuiabá (MT) a Santarém (PA) e a criação de um distrito
florestal ao longo da rodovia, um dos projetos de infra-estrutura mais
polêmicos da região amazônica pelo potencial de impacto ambiental e social. A
obra cortará uma área de 1,23 milhão de metros quadrados onde vivem comunidades
indígenas, quilombolas e ribeirinhas, irrigada por afluentes importantes do rio
Amazonas. É desejada por agricultores e temida por ambientalistas.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou o início da obra ontem, em meio
ao lançamento de um pacote de medidas na área ambiental, em solenidade
comemorativa do Dia Mundial do Meio Ambiente. O pacote incluiu a criação de
quatro novas reservas ambientais e extrativistas, além de projetos de
zoneamento ecológico no percurso da rodovia, que já foram anunciados em outras ocasiões
pelo Ministério do Meio Ambiente.
O projeto de "rodovia sustentável", como foi anunciado pelo governo,
será conduzido de acordo com normas que incluem a implementação de atividades
econômicas compatíveis com a manutenção da floresta ao longo da BR-163. O
Exército se encarregará da primeira fase da pavimentação, nos trechos entre as
cidades paraenses de Santarém e Rurópolis, e entre Guarantã do Norte (MT) até a
divisa com o Pará, além da substituição de 14 pontes de madeira por estruturas
de concreto. Os trechos restantes serão objeto de edital de Parceria Público
Privada (PPP) que deve ser lançado até o fim de agosto.
O distrito florestal da rodovia, uma área de 16 milhões de hectares que terá um
terço desse espaço destinado ao manejo florestal, é o primeiro projeto
implementado sob os moldes da lei de Gestão de Florestas Públicas, idealizada
para diminuir os problemas gerados com a grilagem de terras na Amazônia. O governo
investirá R$ 70 milhões para a regularização de áreas ocupadas por pequenos
agricultores na região.
(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 5)(Karla Correia)
POLÍTICA
06/06/2006
Parlamentares
querem limpar pauta antes da Copa
Brasília, 6 de
Junho de 2006 - A idéia é impedir a redução ainda maior do tempo para votações
até as eleições, em outubro. O Congresso Nacional corre contra o tempo para votar
as cinco medidas provisórias que trancam as pautas do Senado e da Câmara e viabilizar
a aprovação de projetos que aguardam a apreciação dos parlamentares. Com esse
objetivo, o presidente da Câmara, deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), quer fazer
nesta semana um esforço para impedir que as convenções partidárias, a Copa do
Mundo e as festas juninas - que mobilizam sobretudo as bancadas do Nordeste -
reduzam ainda mais o tempo útil restante até as eleições.
É consenso entre parlamentares da oposição e do governo, no entanto, que o
esforço não deve ser totalmente eficaz. A falta de acordo pode inviabilizar a
tarefa. Além disso, as atenções estarão centradas, pelo menos no Senado, na
apresentação do relatório final da CPI dos Bingos.
O vice-líder do governo na Câmara, deputado Beto Albuquerque (PSB-RS), culpa a
oposição, que estaria obstruindo a pauta para prejudicar o governo federal. O
parlamentar alerta que, se o Congresso continuar sem votar nada, a imagem do
Legislativo ficará ainda mais manchada perante a opinião pública. Isso porque,
além de não conseguir investigar irregularidades e punir seus integrantes, o
Parlamento demonstra que não consegue cumprir seu dever constitucional de
legislar. "Essa conduta prejudica o País, não o governo", afirmou Albuquerque.
A oposição afirma que a pauta está trancada por culpa do Executivo, que tem
abusado na publicação de medidas provisórias, argumento rebatido pelos
governistas com a afirmação de que as MPs foram necessárias porque a oposição
atrasou a aprovação do Orçamento deste ano. "Acho que vai se votar alguma
coisa, sim. Mas não tudo. Não há acordo", disse o líder da minoria na
Câmara, deputado José Carlos Aleluia (PFL-BA).
A pauta do Senado está trancada por quatro projetos de lei de conversão e uma
medida provisória. As matérias tratam da renegociação de dívidas rurais
contratadas com recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste
(FNE); do benefício a mini, pequenos e médios produtores rurais e cooperativas
ou associações do Nordeste com débitos de até R$ 50 mil ainda não renegociados;
e da redução do CPMF para determinadas operações. Há ainda projetos que alteram
o regime jurídico de contratação de servidores públicos e abrem crédito
extraordinário em favor do Ministério dos Transportes, no valor de R$ 57,5 milhões.
Já a pauta da Câmara dos Deputados está trancada pela Medida Provisória que
aumenta o salário mínimo de R$ 300 para R$ 350. Além disso, outras MPs concedem
créditos extraordinários aos ministérios do Desenvolvimento Agrário e do Desenvolvimento
Social e Combate à Fome (R$ 738 milhões ), Defesa (R$ 690,7 milhões),
Transportes (R$ 230,9 milhões), Ciência e Tecnologia (R$ 116,3 milhões),
Fazenda (R$ 15,8 milhões), Justiça (R$ 13,9 milhões) e Trabalho e Emprego (R$
200 milhões).
(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 7)(Fernando Exman)
POLÍTICA
06/06/2006
Transporte
ferroviário entra na pauta de Lula e Alckmin
São Paulo, 6 de
Junho de 2006 - O ex-governador Geraldo Alckmin, candidato do PSDB à Presidência
da República terá uma ótima oportunidade, amanhã, para rebater as acusações e
as ironias feitas ontem pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no que diz respeito
ao transporte ferroviário no País.
O candidato tucano foi convidado pela Associação Nacional dos Transportadores
Ferroviários (ANTF) para participar do seminário "Objetivos e planos para
o transporte ferroviário de cargas", em Brasília. O plano é que o
candidato tucano, durante o evento, responda às provocações do presidente Lula.
Ontem, o presidente, em seu programa de rádio semanal "Café com o
Presidente", anunciou uma série de obras e iniciativas no setor de
transporte ferroviário. Entre os anúncios, o presidente disse que "dará um
jeito" no ferroanel, sistema de transporte ferroviário idealizado para
aliviar o trânsito de trens de carga no entorno da capital paulista.
A promessa presidencial foi tomada como uma provocação ao ex-governador Geraldo
Alckmin e aos governos do PSDB que o antecederam, por não terem sequer iniciado
as obras do ferroanel. Quando era governador, Alckmin tentou colocar o
Ferroanel de pé, mas não conseguiu. A construção da ferrovia é uma promessa
feita pelo candidato tucano ao governo de São Paulo, José Serra, em campanha
neste ano.
O transporte ferroviário, aliás foi o tema semanal escolhido pelo virtual
candidato do PT. Hoje, o presidente Lula dá início às obras de construção da Ferrovia Nova Transnordestina, no Ceará. O
evento deverá se transformar em uma espécie de comício em apoio à reeleição de
Lula.
A ferrovia terá cerca de 1.800 quilômetros de extensão e ligará os dois
principais portos do Nordeste, Suape (PE) e Pecém
(CE). O empreendimento será implantado pela Companhia Ferroviária do Nordeste
(CFN), que investirá R$ 4,5 bilhões e contará com o apoio do governo federal no
financiamento da obra.
(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 8)(Marcos Seabra)
TRANSPORTE E
LOGÍSTICA
06/06/2006
Brasília, 6 de
Junho de 2006 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou ontem, em seu
programa de rádio semanal Café com o presidente, que quer interligar o Brasil "de
Norte a Sul, de Leste a Oeste, com ferrovias".
Na véspera de lançar as obras da Transnordestina, no Ceará, Lula centrou sua
fala no tema ferrovias que, segundo ele, estão sendo
recuperadas por seu governo desde maio de 2003. "Vamos inaugurar em outubro
150 quilômetros da Ferrovia Norte-Sul. Vamos fazer concessões
privadas em um investimento que vai facilitar enormemente o transporte de carga
do Centro-Oeste". Lula disse ainda que a Trasnordestina irá "mudar a
cara do nordeste". A previsão é de que a obra tenha 1,8 mil quilômetros
(646 quilômetros de trechos novos e 1,1 mil de ferrovias recuperadas), a um custo de R$ 4,5
bilhões. "O Nordeste precisa se transformar em um centro desenvolvido e
competitivo", ressaltou.
Lula listou ainda obras do Ferroanel, de São Paulo, entre as que serão feitas
no seu governo.
O presidente vai estar hoje em Missão Velha (CE) para o início das obras da
Transnordestina, projeto orçado em R$ 4,5 bilhões. Do global, R$ 1,05 bilhão de
recursos próprios da Companhia Ferrovia do
Nordeste (CFN), responsável pela obra, R$ 400 milhões de empréstimo do banco
Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), R$ 823 milhões do Fundo
de Investimentos do Nordeste (Finor) e R$ 2,227 bilhões do Fundo de Desenvolvimento
do Nordeste.
A ferrovia vai ligar os portos de Suape, em Pernambuco, e Pecém,
no Ceará, às novas fronteiras agrícolas do País - sudeste do Piauí, sul do
Maranhão e oeste da Bahia. A previsão é que as obras sejam concluídas em três
anos.
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 5)(Lorenna Rodrigues)
TRANSPORTE E
LOGÍSTICA
06/06/2006
Trens ganham
participação nas cargas
Brasília, 6 de
Junho de 2006 - A participação do transporte ferroviário na matriz de cargas
brasileira cresceu 9 pontos percentuais desde a privatização da malha, em 1996.
Na época, as ferrovias eram responsáveis pelo transporte
de 16% das cargas brasileiras, contra 25% no ano passado. Segundo números divulgados
ontem pelo Ministério dos
Transportes, a carga
transportada passou de 345,2 milhões de toneladas em 2003 para 388,8 milhões de
toneladas em 2005.
"O Brasil tem uma malha ferroviária insuficiente e incompatível com as
riquezas produzidas aqui. Mas o setor está sendo revitalizado e em crescimento
gradual", afirmou o ministro
dos Transportes, Paulo Sérgio de Oliveira Passos.
O montante de investimentos do setor privado cresceu acima de 70% por ano desde
2003. No ano passado, foram R$ 3,3 bilhões contra 1,8 bilhões do ano anterior.
Neste ano, o governo irá iniciar uma série de obras que podem elevar a
participação das ferrovias para 30% da matriz. A previsão é
que, até agosto, seja lançado o edital para subconcessão da Ferrovia Norte-Sul, que terá 619
quilômetros. Atualmente, a estatal Valec Engenharia é concessionária da
ferrovia. Segundo modelo anunciado pelo ministro, a subconcessionária irá
operar a ferrovia e financiar a construção de novos 350 quilômetros, que serão
feitos pela própria Valec.
"O modelo de licitação para a escolha da concessionária já está pronto e
será enviado para o Tribunal de Contas da União até o fim do mês", avisou
o ministro.
Estão previstas ainda a construção do contorno de Cachoeira a São Félix (SC),
com investimentos de R$ 130 milhões, e de São Francisco do Sul (SC), que
custará R$ 30 milhões ao governo.
MRS Logística
A MRS Logística é a primeira ferrovia no Brasil a obter o licenciamento
ambiental de sua malha, concedido pelo Ibama. A empresa é concessionária da malha
sudeste, ferrovia de 1.700 quilômetros que passa pelos estados de SP, RJ e MG.
Pela legislação brasileira, todo empreendimento precisa de licença ambiental
para operar. Como a ferrovia já estava em operação como estatal muito antes da
existência da própria legislação ambiental, a companhia decidiu,
voluntariamente, se adequar às normas.
Em 2000, a MRS procurou o Ibama para iniciar o processo com o objetivo de obter
a licença. Por ser uma empresa com operações em mais de um estado, a
competência para certificar a empresa é do Ibama.
Em 2005, a empresa transportou 108,3 milhões de toneladas de carga.
kicker: Em 1996, as ferrovias eram responsáveis pelo transporte
de 16% das cargas brasileiras, contra 25% no ano passado
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 5)(Lorenna Rodrigues)
EMPRESAS
06/06/2006
União estuda
expansão da malha ferroviária
Daniel Rittner
Às vésperas da campanha eleitoral, o governo se prepara para iniciar uma nova
rodada de investimentos na malha ferroviária. Além das obras da
Transnordestina, que serão inauguradas hoje, terá início nos próximos dias a
construção do contorno de São Félix-Cachoeira (BA), na malha da Ferrovia Centro-Atlântica.
Com investimento previsto de pelo menos R$ 130 milhões, o anel ferroviário
eliminará um dos principais gargalos na ligação dos trilhos entre Nordeste e
Sudeste. O objetivo é eliminar os transtornos causados pelas manobras dos
trens, que podem levar até dez horas para atravessar as duas cidades, com
reflexos para a produtividade do transporte de cargas e para o bem-estar das
populações locais. O contorno terá 18 quilômetros de extensão e uma ponte de
600 metros. As obras devem durar dois anos.
"Esse é um dos principais gargalos da malha brasileira", disse ontem
o ministro dos
Transportes, Paulo Sérgio Oliveira Passos, ao anunciar o investimento. Ele
afirmou que o governo também começará neste ano as obras do contorno
ferroviário de São Francisco do Sul (SC), avaliadas em mais de R$ 30 milhões,
com duração prevista de 18 meses. Segundo o ministro, o contingenciamento de
recursos orçamentários não afetará o cronograma porque os dois empreendimentos
fazem parte do Programa Piloto de Investimentos (PPI), cujos gastos não são
contabilizados no superávit primário do governo.
Em entrevista para comentar os dez anos de concessões ferroviárias, Passos
disse que o governo avançou em dois pontos vitais para o setor: a
reestruturação da Brasil Ferrovias e a montagem de uma operação
financeira para viabilizar a Nova Transnordestina. Esta última terá a sua pedra
fundamental lançada hoje, em Missão Velha (PI), no ramal que ligará o município
a Salgueiro (PE). Os investimentos totais deverão alcançar R$ 4,5 bilhões.
Passos disse ainda que o governo deverá enviar até o fim de junho, para análise
do Tribunal de Contas da União (TCU), o edital de licitação da Ferrovia Norte-Sul. Se não houver objeções,
a subconcessão da ferrovia, atualmente operada pela estatal Valec, deverá
ocorrer até agosto. "A modelagem está pronta e já foi aprovada pelo
Conselho Nacional de Desestatização", informou.
A Agência Nacional de
Transportes Terrestres (ANTT) aprovou recentemente um aditivo,
que vai assinar com a Valec, à Lei de Concessões. O vencedor da licitação
ficará responsável, como subconcessionário, pela operação de toda a Norte-Sul.
O trecho já construído vai de Açailândia (MA), onde faz um entroncamento com a
Estrada de Ferro Carajás, a Aguiarnópolis (TO). O governo liberou recursos para
levar a ferrovia até Araguaína (TO), perfazendo 361 quilômetros. Ganhará a
licitação aquele que oferecer o maior valor de outorga, suficiente para cobrir
os investimentos necessários para construir mais 359 quilômetros até Palmas.
As obras serão contratadas pela Valec, com recursos provenientes da licitação,
e a operação de toda a ferrovia ficará com o vencedor. "Foi insensatez, em
algum momento histórico, o Brasil parar de construir ferrovia", afirmou
ontem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no programa de rádio "Café
com o Presidente".
Nos dez anos de concessões ferroviários, que estão sendo comemorados nesta
semana, os investimentos privados no setor somaram R$ 9,5 bilhões. O
diretor-geral da ANTT, José Alexandre Resende, frisou que
as concessionárias produziram no ano passado 221,6 bilhões de TKUs (toneladas
transportadas pelo número de quilômetros úteis, medida do setor), empregando
28,1 mil funcionários. Em 1995, a Rede Ferroviária Federal (RFFSA), da qual o
próprio Resende foi o último presidente, produziu 128 bilhões de TKUs com 45
mil empregados na ativa. "Ganhamos eficiência e produtividade",
disse.
1º CADERNO
06/06/2006
Licença ambiental
sai e Exército trabalha na BR-163
Paulo de Tarso
Lyra
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou ontem, durante solenidade em
comemoração ao Dia do Meio Ambiente, que, até o fim do ano, será publicado um
edital da Parceria-Público-Privada (PPP) destinado a asfaltar 865 quilômetros
da BR-163, que liga Cuiabá a Santarém.
Orçada em R$ 1,1 bilhão, a obra estava parada pelas dificuldades do governo em
obter a licença ambiental autorizando o prosseguimento da pavimentação - 800
quilômetros da estrada já têm asfalto. Agora, segundo a ministra do Meio
Ambiente, Marina Silva, a licença já foi concedida. Considerada polêmica pelos
ambientalistas, por cortar o "coração da Amazônia", a obra foi enaltecida
por Lula e pela ministra.
"Estamos corrigindo três décadas de ocupação desordenada e conflituosa ao
longo dos 1.764 quilômetros da Cuiabá/Santarém", afirmou o presidente.
Para ele, a PPP da BR-163 "definirá um novo padrão de financiamento",
permitindo ao governo viabilizar recursos para conclusão da obra num prazo de
dois a três anos. "Estamos falando, portanto, de uma empreitada que
combina o asfalto com o ordenamento fundiário, econômico e ecológico de toda a
área de influência da BR-163."
Lula anunciou ainda que soldados do Batalhão de Engenharia do Exército já
começaram a trabalhar e vão ser responsáveis pela pavimentação de mais dois
trechos da estrada. O primeiro fica entre as cidades paraenses de Santarém e
Rurópolis e o segundo vai de Guarantã do Norte (MT) até a divisa com o Pará.
"Além disso, o Exército também substituirá, na rodovia, 14 antigas pontes,
ainda feitas em madeira, por novas estruturas de concreto, com muito mais
segurança e capacidade de tráfego", acrescentou o presidente.
Lula lembrou que a área cortada pela BR-163 equivale a aproximadamente 14,5% do
território nacional, correspondendo a 1,230 milhão de quilômetros quadrados,
onde vivem 2 milhões de brasileiros em mais de 70 municípios. "É aí que se
encontra um dos mais dinâmicos pólos agrícolas do país, que será beneficiado com
uma redução de custos de aproximadamente 35% com a conclusão desta obra."
Lula afirmou que a pavimentação da BR-163 é uma demanda de 30 anos. "Na
campanha de 1989 eu fui a Santarém, quando os companheiros de fé queriam que eu
fosse no marco zero e assumisse o compromisso de que iria construir a rodovia.
Não fui porque achava que era contar uma mentira para a sociedade brasileira e,
depois de tantos anos, estamos aqui falando da BR-163."
Marina Silva negou que o anúncio das obras da BR-163 tenha caráter eleitoreiro.
"Quando assumimos o ministério, o presidente pediu que pensássemos nas
próximas gerações e não nas próximas eleições", rebateu. Ela elogiou os
empresários que doaram dinheiro para projetos ambientais, como O Boticário (US$
1 milhão), o Instituto Natura (US$ 1 milhão) e um casal do setor financeiro,
que contribuiu com R$ 1 milhão. "Vamos organizar um jantar para dizer que
os empresários do Brasil também pensam estrategicamente e constituem a elite
pensante deste país", elogiou a ministra.
Durante a solenidade de ontem foi anunciado também a criação de quatro novas
Unidades de Conservação -- as reservas extrativistas Terra Grande-Pracuúba,
Iriri, Canavieiras e o Parque Nacional do Juruena.
FINANÇAS
06/06/2006
A Associação
Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF) realiza o seminário "Brasil
nos trilhos - as ferrovias trilhando o século 21", que
debaterá os 10 anos de Concessão Ferroviária e as perspectivas para o setor.
Data: 7 de junho
Horário:
Local: Blue Tree Alvorada Hotel, Brasília
Informações: (061) 3226-5434; www.antf.org.br
POLÍTICA
06/06/2006
Promessas de
campanha
Lula volta a
anunciar o início das obras da ferrovia Transnordestina e aproveita para criticar
Alckmin
Sandro Lima
Da equipe do Correio
No esforço de manter uma agenda positiva e mostrar serviço às vésperas do
anúncio oficial da candidatura à reeleição, no próximo dia 24, o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva participa hoje do lançamento das obras da ferrovia
Transnordestina, no Ceará. O empreendimento, que ligará os portos de Suape e Pecém às novas fronteiras
agrícolas da região Nordeste, traz uma série de suspeitas de irregularidades
(leia abaixo).
É a segunda vez que o presidente Lula participará de uma cerimônia para
anunciar a obra. A primeira ocorreu em 25 de novembro do ano passado, em
Fortaleza. Juntamente com o então ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes,
Lula assinou o protocolo de intenções do projeto da Transnordestina.
A estratégia do presidente em participar de cerimônias para anunciar obras que
ainda nem começaram ou que estão longe de conclusão tem incomodado a oposição
que acusa Lula de criar factóides para promover sua candidatura à reeleição.
Ontem, por exemplo, em solenidade no Palácio do Planalto, Lula anunciou, pela
terceira vez em dois anos, o plano de desenvolvimento sustentável da área
cortada pela BR-163, que terá 1.500km asfaltados nos próximos meses. Na
cerimônia, o presidente Lula disse que, ao contrário dos adversários, cumpre as
promessas de campanha. Em seguida, foi a vez da ministra do Meio Ambiente, Marina
Silva, sair em defesa do governo (leia mais na página 13). Ela negou que a
solenidade fazia parte do esforço de Lula de se reeleger. “Quando assumi, o
presidente pediu que pensasse nas próximas gerações e não nas próximas eleições”,
explicou.
Os investimentos em infra-estrutura, especialmente a reativação da malha
ferroviária, tem sido um dos trunfos da pré-campanha do presidente Lula. Há
duas semanas ele esteve no Tocantins para reiniciar as obras da ferrovia Norte-
Sul. Lá, fez um mea culpa por ter sido um crítico da ferrovia nos anos 80 e
elogiou o ex-presidente José Sarney por ter iniciado a obra.
Criticas a Alckmin
Ontem, no seu programa semanal de rádio Café com o Presidente, Lula aproveitou
a questão das ferrovias para criticar os tucanos e atingir
seu principal opositor, o ex-governador Geraldo Alckmin. Ele disse que o
governo está pensando em resolver definitivamente a questão do Ferroanel em São
Paulo. Quando era governador, Alckmin tentou colocar o Ferroanel em
funcionamento, mas não conseguiu. “Queremos que os trens que venham da região
central do Brasil, com cargas, não ocupem os trilhos dos trens que transportam
passageiros, para que a gente possa fazer esse contorno e chegar ao Porto de Santos e, ao mesmo tempo, chegar
ao Porto de Sepetiba sem atrapalhar os trens
de passageiros, porque em São Paulo tem muita gente que pega trem”, afirmou o
presidente.
O Café com o Presidente foi todo dedicado ao tema da revitalização das ferrovias. Segundo Lula, o governo está
recuperando ferrovias que estavam paralisadas e citou a
Transnordestina como uma “uma obra que vai custar R$ 4,5 bilhões. Num futuro
muito próximo, nós vamos interligar Paraíba, Rio Grande do Norte e a Bahia
porque nós queremos dar uma dimensão extraordinária ao transporte ferroviário
para que a gente possa fazer o Nordeste brasileiro se transformar em uma região
altamente produtiva e altamente desenvolvida”.
Com cerca de 2 mil quilômetros de extensão, a Transnordestina será implantada
pela Companhia Ferroviária do Nordeste (CFN) que investirá nela R$ 4,5 bilhões,
dos quais R$ 1,05 bilhão de recursos próprios da empresa, R$ 400 milhões
oriundos de empréstimo concedido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social (BNDES), R$ 823 milhões do Fundo de Investimentos do Nordeste
(Finor) e R$ 2,227 bilhões de financiamento do Fundo de Desenvolvimento do
Nordeste (FDNE).
O prazo para a conclusão é de três anos. O primeiro trecho a ser construído
ligará Missão Velha, no Ceará, a Salgueiro, em Pernambuco, numa extensão de 110
quilômetros. A construção dos outros três trechos da ferrovia — Elizeu Martins,
no Piauí, a Araripina (PE), com 400 km; Araripina a Salgueiro, com 210 km;
Salgueiro a Suape, com 483 km; e Missão Velha a Pecém, com 622 km — começará
imediatamente depois que for concluída a elaboração dos seus projetos
executivos e concedidas as respectivas licenças ambientais. Os diretores da CFN
esperam que, ainda neste ano, esses trechos estejam em obras. Estima-se que, ao
longo dos 36 meses que durará a construção da Transnordestina, serão criados 70
mil novos empregos diretos e indiretos.
A obra
A Transnordestina terá
646km
de ferrovias novas
1.150km
de ferrovias recuperadas e custará
R$ 4,5 bilhões
memória
Negócio complicado
A Procuradoria Federal no Distrito Federal encaminhou no início do ano
representação ao Ministério Público Federal para embargar as obras da
Transnordestina. A procuradoria apontou irregularidades no processo, a começar
por um decreto presidencial — o de nº 5.592, baixado em 23 de novembro de 2005 —
que permitiu à construção ser bancada simultaneamente pelo Fundo de Desenvolvimento
do Nordeste (FDNE), pelo antigo Finor e pelo BNDES.
Para fazê-lo, o Palácio do Planalto precisou mudar e revogar partes do texto da
lei que criou a Agência de Desenvolvimento do Nordeste (Adene), substituta da
velha Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). Essa lei,
oriunda da MP 2.156-5, de 2001, vedava o financiamento de um único projeto por
mais de uma das várias fontes de recursos direcionados à região.
Outro ponto controverso diz respeito à criação da Transnordestina S/A. Seis
dias depois do decreto que abriu a brecha para o multifinanciamento, a Agência Nacional de Transportes
Terrestres (ANTT) publicou resolução aprovando a
transferência das ações da Transnordestina para a Companhia Siderúrgica
Nacional (CSN) e para a Taquari Participações. Ambas pertencem a Benjamin Steinbruch,
dono Companhia Ferroviária do Nordeste (CFN).
Na mesma leva, a ANTT aprovou um aumento de capital da
Transnordestina, subscrito pela CSN e pela Taquari. Elas não usaram dinheiro
para tal. Integralizaram as ações que tinham da Companhia Ferroviária do
Nordeste. Ou seja, a CFT controlaria a Transnordestina, mas acabou por ela
controlada. E seu próprio capital serviu de moeda na operação.
Três especialistas em direito societário ouvidos pelo Correio, ao serem
apresentados ao caso, explicaram que ele provavelmente foi feito para que o
patrimônio da CFN sirva de garantia aos empréstimos (públicos) que serão
tomados pela Transnordestina. Acontece que o patrimônio da CFN é uma ilusão. É
formado por quilômetros de trilhos obsoletos e locomotivas velhas, cujo funcionamento
só deu prejuízo a Steinbruch. Entre 2000 e 2004, o resultado líquido do balanço
da companhia acumula perdas de R$ 176,48 mil.
ACM: “Grande malandro”
O senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) chamou de “grande malandro” o
presidente Luiz Inácio Lula da Silva por colher votos no Nordeste em cima da
concessão de benefícios sociais, como o Bolsa-Família. O senador afirmou que os
programas sociais são financiados pelo Fundo de Combate à Pobreza, proposta de
sua autoria que hoje seria usada pelo presidente para captar votos entre os
eleitores mais pobres.
As críticas foram uma resposta ao anúncio da retomada a construção da ferrovia
Transnordestina, anunciada por Lula em seu programa semanal de rádio Café com o
Presidente. No programa, Lula disse que a obra vai mudar a cara do Nordeste.
“Ele quer começar essa obra com sentido eleitoral, como era a transposição do
São Francisco que até hoje não teve nada”, afirmou ACM. “O Lula é um inimigo do
Nordeste. E o Nordeste está merecendo porque nas pesquisas dá grande votação
para ele por causa do Bolsa-Família. Coisas que eu fiz e que ele toma como
dele, porque é um grande malandro de cinismo total”, disse o senador.
Geraldo Alckmin, pré-candidato do PSDB à Presidência, afirmou que o
Bolsa-Família era criação do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e de ACM.
Ele disse que toda a rede de proteção social “se originou por um baiano, o
senador Antonio Carlos Magalhães, que criou o fundo de combate à pobreza, e foi
o fundo que criou o recurso para se dar o primeiro passo para a criação de uma
rede de proteção social”. A rede de proteção social de FHC tomou forma em 2001,
com o Projeto Alvorada. O Fundo de Erradicação da Pobreza (nome oficial do
fundo criado por ACM) foi aprovado pelo Congresso em 2000.
CIDADES
06/06/2006
Menos curvas, mais
velocidade
Obras no trecho
da BR–060 que matou pelo menos 154 pessoas nos últimos oito anos encurtam a
rodovia em 400m e devem ficar prontas em agosto. Limite na pista passará de
60km/h para 100km/h
Adriana
Bernardes
Da equipe do Correio
Desvios, trechos interditados, máquinas, homens e muita poeira no meio do
caminho. Dirigir pela BR–060 no trecho conhecido como Sete Curvas está ainda
mais arriscado por causa das obras da nova pista, que deve ser inaugurada no
final de agosto. O Correio percorreu a rodovia e os novos trechos para
descobrir o que mudou no dia-a-dia dos usuários e como será a outra via. Em
dois dias, ouviu motoristas e especialista em segurança no trânsito. Os
engenheiros responsáveis pelo projeto e execução das obras explicaram por que o
novo traçado é mais seguro que o atual, apesar de ter apenas uma curva a menos.
O tráfego de máquinas e caminhões, bastante intenso na pista atual, também não
pára na via que está sendo construída. Pelo menos 90% da terraplenagem estão concluídos
e em alguns locais os trabalhadores já começaram a fazer a pavimentação –
camadas de terra e cascalho da base e sub-base. O asfalto deve ser espalhado no
próximo mês. A obra de duplicação da BR–060 teve início em setembro de 2000.
Segundo a Superintendência Regional GO/DF do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit–GO/DF) a
etapa que vai do km1 ao km18 está orçada em R$ 45 milhões. Só os 4km das Sete
Curvas consumirão cerca de R$ 9 milhões.
À primeira vista o novo traçado não parece ter novidades em relação ao atual. A
pista está sendo aberta na encosta esquerda do morro – para quem segue no
sentido Goiânia –, afastada cerca de 500m do asfalto feito em 1960 e duplicado
no início da década de 70. O novo percurso encurtará a rodovia em 400m e, ao
invés de sete, terá seis curvas. A diferença é que elas serão menos fechadas e
com subidas mais suaves. E é justamente isso que torna a via mais segura,
explicou o coordenador da obra, Eduardo Diniz Costa, um dos responsáveis pelo
projeto.
Faixa de refúgio
A pista nova começa no km 1 da BR–060 e termina no km 5, sobre a ponte do
Ribeirão das Lages (leia arte). A via terá duas faixas de rolamento em cada
sentido, com 3,5m de largura cada uma. A novidade é o acostamento com 2,5m de
largura em todo o trecho e, à esquerda, ao lado do canteiro central – com 6m –,
uma faixa de refúgio com 1,2m de largura. “Caso o motorista tenha problema
mecânico ou precise parar por algum motivo, terá o acostamento. Se durante uma
passagem ele precisar desviar de um obstáculo, terá a faixa de refúgio. E, ao
lado da ribanceira, haverá a proteção de guard rails nas curvas mais acentuadas”,
destacou Eduardo.
A velocidade máxima no trecho vai aumentar. Ao invés dos atuais 60km/h, o
condutor poderá trafegar com segurança a até 110km/h. Com a inauguração da
rodovia, também ficará livre dos radares eletrônicos instalados pelo
Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER) em
2001. Os quatro dispositivos de fiscalização no sentido Brasília–Goiânia e
outros três no caminho inverso reduziram a velocidade máxima nas Sete Curvas de
80km/h para 60km/h. Uma tentativa de diminuir o número de acidentes e,
principalmente, de mortes na região.
Assim que a rodovia nova for inaugurada, a pista atual, assim como os pardais,
serão desativados. Mas se depender do superintendente da Polícia Rodoviária
Federal, inspetor Alex Fonseca, será por pouco tempo. Ele adiantou que pedirá
ao Dnit a instalação de barreiras
eletrônicas na nova rodovia, por acreditar que ela poderá matar mais que a
atual. “Pista boa e com menos curvas propicia velocidade maior e com maior
número de ultrapassagens. Estatísticas demonstram que em pistas boas acontecem
mais acidentes e eles tendem a ser mais graves”, afirmou.
Proteções
Especialista em Segurança no Trânsito, o professor da Universidade de Brasília
David Duarte Lima considera as Sete Curvas a expressão da negligência do Estado
brasileiro com a vida humana. Pelo menos 154 pessoas perderam a vida no trecho,
nos últimos oito anos. Ele afirma que a obra no local é um “remendo bem feito”
e a vê com desconfiança. “Vão aproveitar aquela ponte em curva sobre o Ribeirão
das Lajes. É justamente ali o ponto mais perigoso, e estão construindo outra ponte
em curva ao lado da que já existe só para reduzir os gastos”, criticou.
Duarte concorda que as curvas mais abertas e com subidas mais leves podem
reduzir os riscos de acidentes. “Obviamente vai melhorar, porque ficará mais
reta. Espero que coloquem aquelas proteções laterais (guard rails) para evitar
que os carros despenquem”, disse. O coordenador da obra, Eduardo Costa, rebate
as críticas. Segundo ele, os acidentes são comuns no km 5, na última das sete
curvas. “Ela tem um raio muito pequeno, é uma curva fechada, seguida da ponte.
O usuário perde o controle na curva e bate perto da ponte ou sobre ela.” Essa
curva vai desaparecer. Ao contrário do que acontece hoje, as pontes terão as
mesmas características da via: duas faixas, acostamento e faixa de refúgio. É
um conjunto de modificações que eliminam o risco”, concluiu Costa.
BRASÍLIA - DF
06/06/2006
Assim não dá II
O PSDB está se
mordendo com o fato de que hoje o presidente Lula irá ao Ceará. É que na agenda
de Lula está a solenidade de início das obras da ferrovia Transnordestina. Uma
dessas agências de notícias publicou ontem da seguinte forma: “Lula vai
inaugurar as obras da ferrovia (…)”. Foi justamente onde os tucanos colheram a
informação.
POLÍTICA
06/06/2006
Recesso antecipado
na Câmara
Parlamentares
são convocados para fazer esforço concentrado esta semana por causa da Copa do
Mundo, de feriado e das festas juninas, que esvaziarão plenário no resto do mês
Helayne
Boaventura
Da equipe do Correio
Nos primeiros cinco meses do ano, a Câmara votou poucos projetos. Dedicou-se
principalmente a analisar medidas provisórias editadas pelo governo. Mas a Copa
do Mundo provocou um súbito desejo dos deputados de votar propostas importantes
em uma semana. O presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), marcou um
esforço concentrado, com três sessões do plenário por dia esta semana. A
intenção é tentar limpar a pauta das MPs e votar projetos considerados fundamentais
e de interesse do governo como a Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas.
O presidente da Câmara não admite, mas o esforço concentrado é uma forma de se
antecipar à ausência em massa que deve ocorrer a partir da próxima semana. A
Seleção Brasileira estréia na terça-feira que vem, às 16h, na Copa do Mundo.
Quinta-feira é feriado de Corpus Christi. Os parlamentares, portanto, devem
“enforcar” a quarta-feira, tradicional dia de votações. A previsão é de quorum
baixo no resto do mês, que também terá convenções partidárias e festas juninas
no Nordeste, importantes eventos para os deputados em campanha por mais um
mandato.
Aldo marcou sessão às 9h na terça e quarta-feira da próxima semana. Mas ninguém
acredita que será possível votar projetos importantes nesses dias. “Esta semana
pode até ser positiva. Mas semana que vem estará comprometida”, admite o líder
do PL na Câmara, Luciano Castro (RR). “Este mês é de convenções partidárias,
Copa do Mundo e São João. Em ano eleitoral, os parlamentares estão muito
presentes em suas bases.”
Como a previsão é de que a partir de agora e até a eleição em outubro o quorum
seja baixo, Aldo tenta esta semana votar as quatro medidas provisórias e dois
projetos com urgência constitucional que trancam a pauta (leia quadro) para
permitir a votação da Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas e do projeto que
cria a Timemania, as únicas matérias de interesse do governo que estão na Casa
hoje. O presidente da Câmara conversou com os líderes partidários e conseguiu
apoio para a pauta mínima. E a votação, mesmo assim, está em risco. Por isso,
Aldo enviou telegramas a todos os colegas com uma ameaça: não aceitará
justificativa de faltas, exceto licenças médicas. Ou seja, quem não estiver
doente, terá o salário cortado.
Ontem, o líder do PSDB na Câmara, Jutahy Júnior (BA), avisou que, além da pauta
mínima, faz questão de votar projetos na área de segurança, desengavetados após
a onda de violência em São Paulo há duas semanas. “Não há cabimento de não
votar matérias como essas. As matérias são consensuais”, argumentou ele. Os tucanos
tentam recuperar o desgaste provocado pela crise na segurança em São Paulo, que
atingiu a pré-candidatura à Presidência da República do ex-governador paulista
Geraldo Alckmin (PSDB). As propostas da área de segurança mais adiantadas,
porém, ainda estão no Senado. Até agora, a Câmara votou apenas cinco propostas
de emenda à Constituição (PECs) e 11 projetos de lei.
O que está na pauta
Medida provisória 288-A
# É a MP que reajustou o salário mínimo de R$ 300 para R$ 350. Falta apenas
terminar a votação. Entre os pedidos de mudança está o pagamento de reajuste
integral a aposentados e pensionistas, em vez do repasse apenas do índice de
inflação.
Medida provisória 289
# Concede crédito extraordinário de R$ 738 milhões aos ministérios do
Desenvolvimento Agrário e do Desenvolvimento Social e Combate à Fome para a
aquisição de produtos da agricultura familiar e distribuição de alimentos.
Medida provisória 290
# Concede crédito extraordinário de R$ 1,77 bilhão para os ministérios da
Defesa (R$ 690,7 milhões); Transportes (R$ 230,9 milhões); Ciência e Tecnologia
(R$ 116,3 milhões); Fazenda (R$ 15,8 milhões); Justiça (R$ 13,9 milhões) e do
Trabalho e Emprego (R$ 200 milhões).
Medida provisória 291
# Reajusta em 5%, a partir de 1º de abril de 2006, os benefícios da Previdência
acima de um salário mínimo.
Projeto de lei 5.055-B
# Cria a tarifa social em telefones fixos, com aplicação de 50% de desconto na
assinatura básica residencial para consumidores de baixa renda.
Projeto de lei 1154
# Dá direito à aposentadoria no valor de um salário mínimo, por invalidez ou
por idade, aos trabalhadores rurais sem carteira de trabalho assinada.
Lei geral das micro e pequenas empresas
# O projeto de lei complementar 123/04, que cria o Supersimples, unifica a
cobrança, para as micro e pequenas empresas, de nove impostos e contribuições.
Timemania
# Falta apenas terminar de votar os últimos pedidos de mudança (destaques) do
projeto de lei 5524/05, que cria a Timemania. A proposta cria uma loteria para
arrecadar recursos para pagar as dívidas dos clubes de futebol com o governo
federal.
Reforma tributária
# Os governistas dizem querer votar também esta semana o complexo projeto de reforma
tributária, que unifica em cinco alíquotas as atuais 27 legislações do Imposto
sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Faz parte do texto o
reajuste de 1% do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), uma cobrança dos
prefeitos.
MIRIAM LEITÃO
06/06/2006
Acordo de paz
A BR-163 é a
mais desejada pelos produtores de soja e a mais temida pelos ambientalistas. Ontem,
dia do Meio Ambiente, a ministra Marina Silva anunciou a licença definitiva
para o asfaltamento da estrada que corta a Terra do Meio, onde é ainda mais
rica a diversidade brasileira. O gesto ousado de Marina Silva é para dizer que
é possível a conciliação entre meio ambiente e economia.
Para tornar a BR-163 aceitável, o governo anunciou a criação de novas unidades
de conservação, de parques, demarcou terras indígenas, criou formas de proteção
da floresta. Segundo o secretário de Biodiversidade e Florestas do Ministério
do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, é a primeira vez que se dá uma licença
já com o projeto de desenvolvimento sustentável junto e negociado com todas as
partes em debate.
No discurso no Palácio, a ministra Marina Silva elogiou os empresários
brasileiros que estariam, segundo ela, fazendo concessões exatamente para se
encontrar um terreno comum entre desenvolvimento econômico e preservação do
meio ambiente.
Cedo para comemorar, mas vale a tentativa de encontrar um meio termo, um campo
comum, com concessões recíprocas.
Estamos longe da conciliação. Os empresários querem a flexibilização das
exigências ambientais sem explicar o que isso significa. Alguns ambientalistas
temem qualquer hidrelétrica, qualquer nova estrada em área de fronteira e qualquer
novo projeto agropecuário.
É inegável que o Brasil precisa aumentar o crescimento econômico e a oferta de
emprego, mas certos avanços têm sido, na verdade, insensatos retrocessos porque
podem provocar, ao fim de alguns anos, apenas mais destruição e pobreza.
A Cuiabá-Santarém hoje é uma estrada quase intransitável, que tira
produtividade da soja que vai usar o Porto da
Cargill em Santarém para ser exportada. O governo anunciou ontem que começará a
repará-la com o trabalho do Exército e que assinará, em breve, uma Parceria
Público Privada para asfaltá-la. Quando ela estiver asfaltada, as terras da
margem ficarão muito valorizadas, a grilagem terá mais incentivo para avançar
sobre a preciosa Terra do Meio.
O governo avisa que já aprovou preventivamente as medidas que vão proteger as
terras em torno da estrada.
"Na parte mais vulnerável, 80% das terras são unidades de conservação ou
terras indígenas demarcadas", disse Capobianco.
Pode ser que a região esteja protegida. Há riscos. Não de exploração sustentável
e racional, mas de grilagem de terra pública com desmatamento predatório, como
é feito hoje.
Razão para temer o pior existe. Só em três anos do governo Lula, 70 mil
quilômetros quadrados de floresta foram destruídos. No ano passado, houve uma
queda do ritmo de destruição.
O desprezo do Brasil pelo meio ambiente é tal que hoje deve cair por decurso de
prazo o projeto que transforma o cerrado em patrimônio nacional. Com dois
terços do bioma destruídos em 40 anos, o Cerrado está minguando, como acabei de
ver em recente viagem ao Parque Grande Sertão Veredas.
Uma Comissão Especial foi criada para analisar a Proposta de Emenda à
Constituição (PEC) que reconhece o cerrado como patrimônio nacional. O
presidente da Comissão, deputado Ricarte de Freitas, já avisou que, se hoje não
houver quórum, ele vai arquivar a proposta. Até agora, de 16 reuniões
convocadas, apenas a primeira foi realizada, 4 foram canceladas e, em 11, não
se obteve quórum.
Mesmo a Mata Atlântica, mais valorizada e conhecida, tem apenas 7% da cobertura
original e o projeto que regulamenta a sua proteção está há inexplicáveis 14
anos no Congresso sem ser aprovado.
Se funcionar o projeto de fazer a estrada cercando-a de plano de
sustentabilidade, o País terá, de fato, dado um passo adiante. É uma aposta
ousada num país com tão pouco apreço à lei e numa região com tanta história de
banditismo.
Há outros desafios pela frente na linha dessas conciliações. Projetos
hidrelétricos, como os do Rio Madeira, que são defendidos pelos seus construtores
– Furnas e Odebrecht – pela área energética do governo, mas temidos pelo Meio
Ambiente como ponta de lança de um projeto que pode acelerar a destruição da
maior floresta úmida do planeta.
BRASIL
06/06/2006
Lula retoma
construção de ferrovias
O presidente
Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que a ferrovia "voltou a ser uma realidade
no Brasil". Em seu programa semanal de rádio Café com o Presidente, Lula
destacou os investimentos do governo no setor, principalmente na construção e
recuperação das ferrovias Norte-Sul e Transnordestina.
"Vamos retomar as ferrovias e não vamos parar mais porque
queremos interligar o Brasil de norte a sul, de leste a oeste com ferrovias para que a gente possa baratear o
escoamento da nossa rica produção", afirmou.
Lula considera "insensatez" o País ter paralisado os investimentos no
setor ferroviário nos últimos anos. "Estou extremamente feliz porque
finalmente o Brasil está voltando a construir as ferrovias que nunca deveríamos ter parado de
construir", disse.
"Nossos companheiros ferroviários que imaginavam que tinham acabado as ferrovias podem ficar felizes. Os nossos
produtores podem ficar felizes porque a ferrovia voltou a ser uma realidade no
Brasil. "Lula participou ontem da cerimônia de início das obras da
Transnordestina em Missão Velha, no sul do Ceará. A ferrovia terá cerca de 1,8
mil quilômetros. (Agência Brasil)
NACIONAL
06/06/2006
Lula recebe cúpula
governista do PMDB
Presidente deve
contar com movimento pró-Lula dentro do PMDB que reuniria 19 diretórios
Christiane
Samarco
Agência Estado
Brasília, DF – A cúpula governista do PMDB descartou ontem a parceria oficial
do partido com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na corrida sucessória. Em
meio à ofensiva para ter um peemedebista em sua vice, na chapa da reeleição,
Lula convidou os dirigentes da ala governista para um jantar ontem à noite.
Antes de se dirigir à Granja do Torto, no entanto, o líder no Senado, Ney
Suassuna (PB), antecipou a decisão do grupo. O partido não se coligará
formalmente com o PT nestas eleições, para liberar as alianças em torno de seus
15 candidatos a governador com boas chances de vitória.
Lula faz promessa a eleitor de São Paulo
Leonencio Nossa
Agência Estado
Brasília, DF - De olho no eleitorado paulista, o presidente Luiz Inácio Lula da
Silva prometeu ontem construir definitivamente a Ferroanel, malha ferroviária
de transporte de carga no contorno da cidade de São Paulo. Em entrevista ao
programa de rádio Café com o Presidente, ele disse que foi uma “insensatez” dos
governos anteriores deixaram de investir em ferrovias.
“Estamos pensando em resolver definitivamente a questão da Ferroanel, porque
queremos que os trens que vêm da região central do Brasil, com cargas, não
ocupem os trilhos dos trens que transportam passageiros”, afirmou.
Para Alckmin, Lula desconhece o Brasil
Ana Paula Scinocca
Agência Estado
São Paulo, SP – O pré-candidato a presidente Geraldo Alckmin (PSDB) afirmou
ontem que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pré-candidato à reeleição,
desconhece o que acontece no governo. Alckmin havia mencionado a suposta falta
de conhecimento de Lula em relação às dificuldades de corrupção durante a
gestão petista. Ontem, porém, declarou que ele também não tem informações sobre
questões relevantes do País, como o convênio assinado entre a administração
federal e o governo de São Paulo para a construção do Ferroanel no Estado.
“Realmente, o presidente está mal informado. Em outubro de 2003, nós assinamos
– foi o Anderson Adauto (à época ministro dos Transportes) e o Dario Rais Lopes (secretário dos Transportes do Estado) –
o convênio. Fizemos até algumas reuniões, mas nada saiu do papel”, disse
Alckmin.
NEGÓCIOS
06/06/2006
Transnordestina
começa a sair do papel
Luís Carlos de
Freitas/ Mônica Lucas
A Nova Transnordestina, que integrará sete estados do Nordeste, incluindo o
Ceará, terá trens transportando 11 vezes mais do que as máquinas atuais, o que
elevará a capacidade de escoamento, consumindo 80% menos combustível e
reduzindo em quatro vezes o custo operacional. A ferrovia deve escoar a
produção agrícola do Norte e Nordeste, parte carente de logística de transporte,
para os portos de Pecém e Suape (PE).
As obras, com prazo de conclusão de três a quatro anos, terão início hoje com a
presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Missão Velha, no Ceará, a
522km de Fortaleza. A cidade é o marco zero do projeto em direção a
Salgueiro(PE), num trecho de 110km, dos 1.860 previstos.
A construção dos outros três trechos da ferrovia — Eliseu Martins (PI), a
Araripina (PE), com 400km; Araripina a Salgueiro, com 210km; Salgueiro a Suape,
com 483km; e Missão Velha a Pecém, com 622 km — deve começar também neste ano,
imediatamente após a elaboração dos projetos executivos e concedidas as
licenças ambientais.
O investimento total, incluindo linha férrea, pátios de carregamento e
terminais marítimos, é de R$ 4,5 bilhões — dos quais R$ 1 bilhão serão recursos
próprios da Companhia Ferroviária do Nordeste (CFN), R$ 823 milhões do Fundo de
Investimentos do Nordeste (Finor), R$ 2,27 bilhões do Fundo de Desenvolvimento
do Nordeste (FDNE) e R$ 400 mil do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social (BNDES).
Até agora, conforme o Ministério da Integração Nacional, foram liberados R$ 220
mil para o primeiro trecho, de 110 quilômetros, que irá de Missão Velha a
Salgueiro. A primeira etapa será a implementação de um ramal, ligando Eliseu
Martins (PI), ao Porto de Suape.
Esse ramal será interligado, em Salgueiro (PE), com ramal que será remodelado e
terá como destino o Porto de Pecém. Em seguida, os
investimentos serão direcionados para ramais existentes que cortam os estados
de Alagoas, Paraíba, Rio Grande do Norte e Maranhão.
Segundo o ministro da Integração Nacional, Pedro Brito, uma das preocupações em
relação à Transnordestina é que ela sirva também ao transporte de passageiros.
Por conta disso, serão construídas 36 estações para o atendimento de
passageiros, sendo 23 delas entre Fortaleza e Eliseu Martins e o restante no
trecho que vai de Recife a Araripina.
A expectativa é de que, com a Transnordestina em operação, vários setores da
economia sejam impulsionados, com criação e crescimento de pólos e arranjos
produtivos locais. A CFN espera ainda que sejam gerados mais de 600 mil
empregos em diversas cadeias produtivas. “É uma obra arrojada que trará grandes
transformações econômicas e sociais”, afirma Brito
As exportações e o agronegócio deverão ser potencializados, já que a ferrovia
terá capacidade de movimentar 30 milhões de toneladas de carga por ano. O
projeto vai viabilizar também as indústrias extrativas e de mineração, bem como
a produção do biodiesel e do álcool. A nova ferrovia terá potencial de consumir
150 milhões de litros anuais de combustível, fabricado na região, à base de
mamona e outras oleaginosas.
OPINIÃO
06/06/2006
Logística
ferroviária
A Ferrovia Transnordestina começa a sair da
projeção da prancheta para o canteiro de obras, que abrirá setenta mil postos
de trabalho nos três anos de sua execução. O presidente da República participa,
hoje, em Missão Velha, no Vale do Cariri, do ato solene de início das obras do
primeiro trecho.
A ferrovia, de 110 quilômetros de extensão, ligará o sul do Ceará a Salgueiro,
em Pernambuco, com um ramal até Araripina, nos limites com o sul do Piauí. O
empreendimento integrará o Nordeste e o Centro-Oeste com os portos de Pecém, no Ceará, e Suape, em Pernambuco.
Sua relevância econômica está em viabilizar o escoamento da produção e
exportação da fruticultura irrigada, do Vale do São Francisco, soja e algodão
do sul do Maranhão, sudeste do Piauí e oeste da Bahia, afetadas pela
precariedade e o alto custo do transporte rodoviário. Ampliará a comercialização
das maiores reservas de gesso do País, situadas em Araripina, Pernambuco.
A idéia de construir um sistema ferroviário integrado tem, pelo menos, meio
século e estimulou a criatividade dos técnicos do antigo Departamento Nacional
de Transporte Ferroviário, do Ministério dos Transportes. A prioridade do governo pelo rodoviarismo adiou sua
concretização.
Os traçados pioneiros da Transnordestina previam uma variante entre Piquet
Carneiro e Crateús, interligando regiões interioranas situadas entre a Bahia e
o Maranhão, sem o passeio das mercadorias pelo litoral. Reduziriam os custos
dos transportes e o tempo das viagens.
A logística baseada na ferrovia prioriza o transporte de cargas de longo curso,
com exceção de poucas estradas de ferro como a da Companhia Vale
do Rio Doce interligando Carajás ao Porto de
Itaqui, no Maranhão. O modelo de privatização das ferrovias colocou à margem o transporte de
passageiros, indicado como deficitário.
O projeto da Transnordestina é maior e mais arrojado, com a participação de
investimentos públicos e privados, do qual deverá surgir uma estrada de ferro,
com dois mil quilômetros de extensão, de padrão mundial, ao custo de R$ 4,5
bilhões. Sobre ela deslizarão trens modernos e velozes, com previsão de
restabelecimento do transporte de passageiros.
Por isso, o Ministério dos
Transportes deve
mudar a orientação para desativar os trens mistos responsáveis pela derrocada
econômica de milhares de comunidades sertanejas, surgidas em face da construção
das antigas estradas de ferro. A mudança reflete o compromisso
social do governo.
Encontra-se em gestação o modelo de trens regionais, de carga e passageiros,
com linhas de 200 quilômetros de extensão. Eles poderão ser explorados por
Parcerias Público-Privadas ou por consórcios União-Estados-Municípios. Seu
estudo de viabilidade econômico-financeira, estimado em R$ 1 bilhão, será
financiado pelo Bndes. Enfim, o governo redescobre as vantagens da logística
ferroviária de menor custo e maior capacidade transportável.
GIRO
06/06/2006
PL de Lula
Maguito
testemunha as ordens de serviço que Mauro Barbosa (Dnit) assinará logo mais para obras nas
BRs em Goiás.
EDITORIAL
06/06/2006
A hora das
hidrovias
O presidente da
Associação Brasileira de Terminais Privados (ABTP), Wilen Manteli, reviveu, em
recente seminário em Tocantins (TO), o grande debate que empolgou a nação nos
anos 50 e 60, durante o governo de Juscelino Kubitschek, com a discussão sobre
o binômio energia e transporte. Havia dúvidas quanto a determinado tipo de gastos,
com especialistas insistindo no investimento do sistema hidroviário conjugado
com rodovias e ferrovias, que
começaram a ser desmanteladas e, em especial, no direcionamento do modal de
transporte com os portos de embarque. Venceu o rodoviarismo,
porque o Brasil tinha pressa e abrir rodovias era
muito mais fácil. O petróleo era farto e barato. Especialistas em transporte,
como o professor e engenheiro Murilo Nunes de Azevedo, da Universidade Federal
do Rio de Janeiro (UFRJ), em sua obra Transportes sem rumo, era contrário ao
abandono das hidrovias e ferrovias.
O transporte hidroviário é o mais barato do segmento e, além do mais, é o que
menos compromete o meio ambiente, questão que hoje está causando preocupação e
alarme em todo o mundo. O atual modelo de mercado não leva em conta que só
temos uma terra e é nosso dever preservá-la para as gerações futuras. O Brasil
é o país mais privilegiado do planeta em termos de grandes, médios e pequenos
rios, além de centenas de milhares de médias e pequenas quedas d’água, que podem
ser usadas para a construção de pequenas centrais hidrelétricas (PCH). Tudo
teria em vista facilitar a conjugação da produção em todos os quadrantes –
Norte, Sul, Leste, Oeste –, sempre convergindo caminhões, carretas, barcos, navios
e chatas, estas para trajetos de menor porte, para o mais próximo porto de
embarque.
O Brasil já tem legislação específica (Lei 8.603/1993) que incentiva a
implementação de terminais hidroviários. A inversão do modal de transporte
depende do setor hidroviário, segundo o coordenador de Desenvolvimento de
Projetos de Infra-Estrutura de Transportes, Hugo Sternick. A ABPT recomenda que
o governo federal seja mais ousado e mande elaborar um amplo programa hidroviário
para escoamento da produção. Os estudos provam que o traçado da Ferrovia Norte-Sul não interfere nas áreas
indígenas, de preservação ambiental ou espaços urbanos. Com essas providências,
os produtores brasileiros vão ganhar poder de competição. Um dos motivos: o
custo da movimentação de carga gira hoje entre US$ 100 e US$ 200, contra US$
500, em média, antes da lei citada.
POLÍTICA
06/06/2006
Fagundes destaca
plano para BR-163
Da Assessoria
Brasília
O deputado federal Wellington Fagundes (PL) destacou ontem, Dia Mundial do Meio
Ambiente, a importância do Plano BR-163 Sustentável. O projeto foi lançado em
Brasília como parte de um pacote de medidas para garantir o desenvolvimento
sustentável da Amazônia.
O lançamento contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do
vice-presidente José Alencar, da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, do ministro dos Transportes, Paulo Passos e do Ministro do
Desenvolvimento Agrário, Guilherme Kassel.
O Plano BR-163 Sustentável é resultado do trabalho de 21 ministérios e foi
instituído para garantir o desenvolvimento na área de influência da estrada que
liga Cuiabá a Santarém, no Pará, atravessando uma das regiões de maior
potencial econômico, diversidade cultural e biológica da Amazônia.
Em discurso no plenário da Câmara, Fagundes destacou o trabalho de viabilização
da BR-163, uma obra que é aguardada e anunciada há muitos anos. Ele comentou a
importância de uma emenda coletiva de sua autoria, que prevê mais de R$ 30
milhões para o asfaltamento da cidade de Guarantã no Norte até a divisa com o
Mato Grosso.
"É preciso destacar o empenho de toda a bancada de Mato Grosso e também da
bancada do Pará na concretização desta obra fundamental para as regiões Norte e
Centro-Oeste do Brasil".
A BR-163 tem 1.765 km, sendo cerca de 800 km asfaltados. Para o deputado
Fagundes, o Plano BR-163 Sustentável vem atender duas demandas: a de
possibilitar o escoamento da produção de uma das regiões de maior potencial
agrícola do país e também manter um dos mais importantes patrimônios da
natureza, respeitando o modo de vida da população que vive ao longo da rodovia.
POLÍTICA
06/06/2006
BRASÍLIA - O
presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), encaminhou ontem ao
procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, uma notícia-crime
pedindo que sejam aprofundadas as investigações contra o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva. Apesar da iniciativa da OAB, a expectativa é de que Souza não
tome nenhuma medida contra Lula. Recentemente, o procurador afirmou que não
encontrou nada contra o presidente nas apurações que fez do esquema do
mensalão.
No pedido entregue na Procuradoria, Busato cita três motivos para que o
procurador tome providências: 1) as ligações entre a Telemar e a empresa
Gamecorp, de Fábio Luiz da Silva, um dos filhos de Lula; 2) o decreto presidencial
que facultou ao Banco BMG atuar no crédito a funcionários federais sem que a
instituição integre a rede de pagamentos do sistema previdenciário; 3) a omissão
do presidente Lula nos episódios do mensalão.
De acordo com o documento assinado por Busato, houve ‘um affaire Gamecorp/Telemar‘.
‘A Gamecorp, comandada por Fábio Luiz da Silva, filho do presidente da
República, associou-se com a Telemar, em operação milionária, sequer comunicada
à Comissão de Valores Mobiliários (CVM)‘, observou o presidente da OAB.
Roberto Busato disse que ocorreu uma ‘indesculpável e inexplicável omissão (no
mínimo) do presidente da República, nos episódios do ’mensalão’ e das compras
de votos, na formação de ’caixa dois’ para o financiamento das campanhas
eleitorais do Partido dos Trabalhadores e na prevenção/fiscalização/repressão a
atos de improbidade administrativa cometidos pelos mais chegados auxiliares do
chefe do Executivo‘.
Segundo Busato, o ‘nada sei‘ dito freqüentemente por Lula foi a maneira que ele
encontrou para se proteger. ‘Mas ele tendo se protegido dessa forma deixou a
população brasileira muito insatisfeita com relação ao entendimento exato sobre
o que o presidente da República sabia e o que não sabia, se ele foi alvo de
traição por seus amigos diletos ou se estava consciente do que estava acontecendo‘,
afirmou Busato.
No ofício enviado ao procurador-geral, o presidente da OAB disse que a entidade
analisou em maio e rejeitou uma proposta de impeachment de Lula. Na mesma
sessão, a OAB aprovou o encaminhamento da notícia-crime à Procuradoria. Segundo
Busato, uma das principais peças levadas em conta na ocasião foi a denúncia
formulada recentemente no STF por Souza contra 40 pessoas suspeitas de
envolvimento com o mensalão, dentre as quais o deputado federal cassado José
Dirceu.
Oposição
Os oposicionistas elogiaram a notícia-crime. O senador Antonio Carlos Magalhães
(PFL-BA) disse que a oposição deveria ter adotado a mesma medida no ano
passado, no início da crise gerada pelas denúncias de corrupção e compra de
voto. ‘A notícia crime é completa e bem feita. Houve um erro político nosso,
porque deveríamos ter feito isso no ano passado‘, afirmou ACM.
O líder da Minoria no Senado, Álvaro Dias (PSDB-PR), disse ser ‘indiscutível‘ a
participação do presidente no esquema de corrupção investigado pelas CPIs dos
Correios e do Mensalão.
Íntegra do pedido da OAB
‘Ao Exmº Sr. Dr. Antônio Fernando Barros e Silva de Souza, Procurador-Geral da
República
Excelência,
Em sua sessão plenária de 8 de maio, o Conselho Federal da Ordem dos Advogados
do Brasil examinou, detidamente, proposta de impedimento do Presidente da
República, formulada por um dos integrantes do Colegiado. Uma das peças
principais do processado, então levadas em conta, foi a alentada e fundamentada
Denúncia oferecida por V.Excia. ao Supremo Tribunal federal contra José Dirceu
de Oliveira e Silva e outros (Inquérito 2.245).
Na oportunidade de nossa reunião, o Relator designado apresentou voto, que
concluía pela assunção de medidas deflagradoras do pedido de impeachment e pela
formulação e encaminhamento, a Vossa Excia., de ‘... representação de ordem
penal contra o Presidente da República, em face de seu inequívoco envolvimento
nos eventos e delitos, relatados neste processo‘.
Após algumas horas de discussão, o Conselho Federal, por maioria, rejeitou a
iniciativa de impedimento, mas aprovou a concretização da representação contra
o Presidente da República, por se tratar de envolvimento em crimes comuns de
natureza pública incondicionada. É no cumprimento da deliberação, então
assumida, que venho, em nome da Ordem dos Advogados do Brasil, manifestar a
refletida adesão da instituição aos termos da consistente e subsistente
Denúncia antes referida, apresentada por Vossa Excia. perante a Suprema Corte
contra José Dirceu e outros por gravíssimas infrações penais comuns que
comprometem irremediavelmente o Chefe do Poder Executivo; - oferecer notitia
criminis contra o Presidente da República (art. 102, I, b, da Constituição
Federal), rogando e sugerindo o aprofundamento das investigações que
determinaram a formalização da Denúncia no Inquérito 2245/STF, focalizando
agora, especificamente, mediante o competente inquérito judicial perante o
Supremo Tribunal Federal, o comprometimento do Chefe do Executivo, nas práticas
criminosas (crimes comuns) tão bem levantadas pelo Parquet federal.
Permito-me, nesse afã do desdobramento focado das investigações, sugerir a
Vossa Excia. que leve em conta as seguintes ocorrências, de público e notório
conhecimento: a) o affaire Gamecorp/Telemar; a Gamecorp, comandada por Fábio
Luiz da Silva, filho do Presidente da República, associou-se com a Telemar, em
operação milionária, sequer comunicada à Comissão de Valores Mobiliários
(C.V.M.); b) o decreto presidencial que facultou ao Banco BMG (um dos braços da
atividade do ‘valerioduto‘) atuar no crédito a funcionários federais,
ressarcido mediante consignação em folhas de pagamento de vencimentos, sem que
a referida instituição integre a rede de pagamentos do sistema previdenciário;
c) a indesculpável e inexplicável omissão (no mínimo) do Presidente da República,
nos episódios do ‘mensalão‘ e das compras de votos, na formação de ‘caixa dois‘
para o financiamento da campanhas eleitorais do Partido dos Trabalhadores e na
prevenção/fiscalização/repressão a atos de improbidade administrativa cometidos
pelos mais chegados auxiliares do Chefe do Executivo.
Com a presente iniciativa, a Ordem dos Advogados do Brasil confia em que está
colaborando com V.Excia. em seu magnífico trabalho em prol da recuperação da
moralidade e da decência nas instituições.
Roberto Antonio Busato
Presidente Nacional Ordem dos Advogados do Brasil‘
Teoria do «nada sei» protegeria
SÃO PAULO - O presidente nacional da OAB, Roberto Busato, disse ontem que o
presidente Lula adotou o ‘nada sei‘ - numa referência às respostas dadas pelo
presidente sobre as denúncias do mensalão - para se proteger. ‘Ele tendo se
protegido dessa forma deixou a população brasileira muito insatisfeita com
relação ao entendimento exato sobre o que o presidente da República sabia e o
que não sabia‘, afirmou.
A Ordem decidiu tomar a medida contra Lula no dia 8 de maio, após rejeitar um
parecer que recomendava à entidade apoiar o pedido de impeachment do presidente
Lula. Entre os que se pronunciaram contra o pedido de impeachment, a avaliação
era que não havia um clamor na sociedade pelo afastamento do presidente Lula,
tampouco clima político.
O conselheiro Sérgio Ferraz, que foi o relator do parecer, sustentou que não
havia como desvincular o presidente Lula das denúncias do Ministério Público
Federal de que uma ’organização criminosa’ agia dentro do Governo. Busato negou
que a OAB tenha sido usada como massa de manobra da oposição no exame do
impeachment do presidente. ‘Este é um ato que pode ter alguma implicação
política, mas isso é inevitável‘, afirmou o presidente da entidade. ‘Mas não
queremos, de forma alguma, que a Ordem seja acusada de ser palanque eleitoral
para a oposição ou para o Governo federal.‘
ACM
O senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) chamou de ‘grande malandro‘ o
presidente Lula por colher votos no Nordeste em cima da concessão de benefícios
sociais, como o Bolsa Família. Ele afirmou que os programas sociais são
financiados pelo Fundo de Combate à Pobreza, proposta de sua autoria que hoje
seria usada pelo presidente para captar votos entre os eleitores mais pobres.
As críticas foram uma resposta ao anúncio no programa de rádio do presidente de
que será retomada a construção da ferrovia Transnordestina. No programa, Lula
disse que a obra ‘vai mudar a cara do Nordeste‘.
Presidente afirma que não diz mentiras em campanha
BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pré-candidato à reeleição,
disse ontem que não mente em campanha e acusou os adversários de fazerem falsas
promessas. Lula, que estava ao lado do vice-presidente José Alencar, em
solenidade no Palácio do Planalto, anunciou, pela terceira vez em dois anos, o
plano de desenvolvimento sustentável da área cortada pela Rodovia BR-163, no Pará.
‘Na campanha de 1989, fui a Santarém (PA), quando os companheiros de fé queriam
que eu assumisse o compromisso de construir a rodovia (BR-163)‘, lembrou. ‘Sei
que outros foram, prometeram, governaram, mas não fizeram a rodovia‘,
completou. ‘Eu não prometi porque era contar uma mentira. Depois de tantos
anos, estamos aqui falando da BR-163.‘
Lula também observou ter concluído o Gasoduto Coari-Manaus, outra obra que,
segundo ele, foi prometida pelos antecessores. ‘O gasoduto nunca foi feito,
pois nunca se levou a sério a combinação do desenvolvimento sustentável com a
política correta, mesmo que demore um pouco‘, afirmou. ‘Nossa futura geração
será eternamente agradecida pelo exemplo que nós vamos dar ao mundo, de como é
possível sermos brasileiros e não sermos predadores.‘
Pouco antes, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, elogiou a ‘elite‘, na
contramão de Lula, que sempre critica a camada mais rica da população. ‘A
desgraça de um país não é sua elite, é não tê-la‘, disse. ‘Vamos organizar um
jantar para dizer que os empresários também agem estrategicamente e constituem
a elite pensante deste país.‘
Marina ainda agradeceu a empresários que fazem vultosas doações para projetos
de reservas ecológicas na Amazônia. Ela citou o dono da Natura e um casal do
mercado financeiro, que teriam doado US$ 1 milhão cada para desenvolver
reservas naturais. Depois, Marina afirmou que se referia à elite de uma forma
geral, independentemente de ter dinheiro e poder. A ministra do Meio Ambiente
tentou explicar o motivo pelo qual o Governo anunciou mais uma vez o projeto da
BR-163. Marina negou que a solenidade fazia parte do esforço do presidente de
se reeleger. ‘Quando assumi, o presidente pediu que pensasse nas próximas
gerações e não nas próximas eleições‘, disse.
O asfaltamento da estrada, polêmico, estava parado por falta de um plano de
impacto ambiental, finalizado agora. O asfaltamento, a recuperação de pontes e
de áreas degradadas será feito pelo Exército e custará cerca de R$ 1 bilhão. A
estrada que liga Cuiabá (MS) a Santarém (PA) tem 1.765 quilômetros e cerca de
800 já são asfaltados. O restante será feito agora. ‘Estamos passando a bola
agora para o Ministério
dos Transportes, para
que seja feita a primeira estrada com um plano de desenvolvimento sustentável
do país‘, disse a ministra.
POLÍTICA
06/06/2006
Para Alckmin, o
presidente desconhece atos do governo
SÃO PAULO – O
pré-candidato a presidente Geraldo Alckmin (PSDB) afirmou ontem que o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva, pré-candidato à reeleição, desconhece o que acontece
no governo. Alckmin havia mencionado a suposta falta de conhecimento de Lula em
relação às dificuldades de corrupção durante a gestão petista.
Ontem, porém, declarou que ele também não tem informações sobre questões relevantes
do país, como o convênio assinado entre a administração federal e o governo de
São Paulo para a construção do Ferroanel no Estado.
“Realmente, o presidente está mal informado. Em outubro de 2003, nós assinamos
– foi o Anderson Adauto (à época ministro dos Transportes) e o Dario Rais Lopes (secretário dos Transportes do Estado) –
o convênio. Fizemos até algumas reuniões, mas nada saiu do papel”, disse
Alckmin.
Ele ressaltou que, com base no convênio firmado com o Poder Executivo, o
governo do Estado fez até mesmo o projeto do trecho sul do Ferroanel em
conjunto com o trecho sul do Rodoanel, e cujas obras estão previstas para
começar ainda neste mês.
“(O que o Lula fala) é extremamente retórica. De novo, o discurso e, de
prático, não acontece nada”, criticou. Em seguida, Alckmin lembrou que a malha
ferroviária é federal; por isso, o governo estadual depende do Executivo
federal para tocar a obra.
Ontem, no programa “Café com o Presidente”, o presidente classificou como
“insensatez” o fato de os governos anteriores terem deixado de investir no
sistema de transportes sobre trilhos. Lula prometeu
resolver, “definitivamente”, a questão.
BRASIL HOJE
06/06/2006
Lula lança hoje
Transnordestina
TRANSPORTE
Ferrovia terá um total de 1.800 km, sendo que 646 serão construídos e 1.150 recuperados
por R$ 4,5 bilhões
O presidente
Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem, no programa de rádio “Café com o Presidente”,
que dará atenção especial à construção de ferrovias no país.
Depois de prometer retomar desse projeto em vários discursos, Lula lança hoje,
oficialmente, o início das obras da ferrovia Transnordestina, em cerimônia em
Missão Velha, no Ceará. Segundo o presidente, o governo quer dar uma nova
dimensão ao transporte ferroviário no país.
A obra, segundo Lula, custará R$ 4,5 bilhões. A ferrovia terá um total de 1.800
quilômetros, sendo que 646 serão construídos e 1.150 quilômetros serão
recuperados ou reconstruídos totalmente.
Como um verdadeiro candidato, o presidente lembrou que o governo já retomou as obras
da ferrovia Norte-Sul. Há duas semanas, em Aguiarnópolis (TO), Lula fez um ¨mea
culpa¨ diante do ex-presidente José Sarney, afirmando que na década de 80
errara ao não apoiar esse projeto.
- Queremos dar uma dimensão extraordinária ao transporte ferroviário, para que
a gente possa fazer o Nordeste brasileiro se transformar em uma região
altamente produtiva e desenvolvida. O que estamos fazendo é o começo de uma
obra que vai mudar a cara do Nordeste - disse Lula. Lula explicou que, num
primeiro momento, a ferrovia sairá de Eliseu Martins (PI), em direção a
Salgueiro (PE), e depois irá até o Porto de Pecém
(CE). A idéia é facilitar o escoamento da produção da região para os portos de Suape (PE) e Pecém (PE).
- Vamos retomar as ferrovias e não vamos parar mais. Porque
queremos interligar o Brasil de Norte a Sul, de Leste a Oeste, com ferrovias para que a gente possa baratear o
escoamento da nossa rica produção - disse Lula, acrescentando:
- Os produtores podem ficar felizes, porque a ferrovia voltou a ser uma
realidade no Brasil. Ao citar a ferrovia Norte-Sul, Lula cometeu um ato falho,
ao prometer inaugurar 150 quilômetros da ferrovia em outubro. Se for candidato
à reeleição, Lula ficará impedido pela legislação eleitoral de participar de
inaugurações. Ele lembrou que, de 1987 a 2003, foram construídos 215
quilômetros da Norte - Sul. Já no atual governo, foram 150 quilômetros.
O ministro dos
Transportes, Paulo Sérgio de Oliveira Passos, fez um balanço do setor ferroviário
brasileiro, ressaltando que os investimentos saltaram de R$ 625,7 milhões em
2002 para R$ 3,378 bilhões no ano passado. (Brasília - AG).
Cristiane Jungblut
CIDADES
06/06/2006
Beira-Rio e BR-230
ligadas
Ordem de serviço
foi assinada ontem pelo prefeito Ricardo Coutinho. A obra está orçada em 2,4
milhões, com conclusão prevista para 8 meses
A Prefeitura
Municipal de João Pessoa (PMJP) construirá alças de interligação entre a BR-230
e a avenida Ministro José Américo de Almeida (Beira-Rio). A ordem de serviço
foi assinada ontem no gabinete do prefeito Ricardo Coutinho, no Centro
Administrativo Municipal (CAM).
O projeto desenvolvido pela Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan) está
orçado em aproximadamente R$ 2,6 milhões, recursos do Município e Ministério dos Transportes, e a previsão é que seja concluída
em oito meses.
A obra vai eliminar pontos de congestionamentos em corredores da cidade como a
Pedro II e Epitácio Pessoa. Além disso vai trazer reflexos positivos no
trânsito dos bairros Jardim Luna, Pedro Gondim e Castelo Branco. O resultado
será um tráfego de maior fluidez e menos engarrafamentos. O secretário de
Planejamento, Luciano Agra, explicou que a interligação da Beira-Rio com a
BR-230 vai facilitar o acesso dos usuários proveniente da zona sul, com destino
às praias.
Dos seis principais corredores de transportes
existentes em João Pessoa, apenas a Avenida Beira-Rio não possui ligação com a
BR-230.
Isso faz com que o corredor - apesar de sua função estratégica entre as
avenidas Epitácio Pessoa e Pedro II - seja pouco utilizado, considerando a sua
capacidade para dar vazão às demandas de deslocamentos da população.
O secretário de Planejamento, Luciano Agra, explicou que a interligação da
Beira-Rio com a BR-230 vai facilitar o acesso dos usuários provenientes da zona
sul, com destino às praias. "Hoje, esse percurso é realizado através dos
bairros Jardim Luna e Castelo Branco, contribuindo para a formação de
congestionamentos nessas áreas. O acesso à rodovia BR-230 pela avenida
Beira-Rio vai resolver esse problema".
ECONOMIA
06/06/2006
Transnordestina:
BNB vai gerir fundo de R$ 2,27 bi
Custo total do
empreendimento é de R$ 4,5 bilhões
DA REDAÇÃO
O Banco do Nordeste (BNB) será o gestor dos R$ 2,27 bilhões do Fundo de
Desenvolvimento do Nordeste (FDNE) que serão investidos nas obras da Ferrovia Transnordestina. O custo total do
empreendimento, cujo início oficial será hoje, com a presença do presidente da
República, Luiz Inácio Lula da Silva, é de R$ 4,5 bilhões. Além de recursos do
FDNE também financiarão o projeto o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social (BNDES), o Fundo de Investimentos do Nordeste (Finor) e a Companhia
Ferroviária do Nordeste (CFN), da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN).
Além de gestor dos recursos do FDNE, o BNB está atuando na análise do projeto
de viabilidade econômica da Transnordestina. "A ferrovia é estratégica
para o desenvolvimento do Nordeste e sua integração com a economia brasileira.
Ela é fundamental para aumentar a competitividade das exportações na Região e,
além disso, contribuirá para o dinamismo de vários setores da economia
regional", destaca o presidente do banco, Roberto Smith.
A Ferrovia Transnordestina vai interligar os portos do Pecém, em São Gonçalo do Amarante,
e do Suape, no Recife, às novas fronteiras agrícolas do País localizadas no
Sudeste do Piauí, Sul do Maranhão e Oeste da Bahia. A obra tem preazode
construção de até oito anos e deve gerar 70 mil empregos diretos e indiretos ao
longo dos primeiros meses de obras.
Quando concluído, o projeto terá 1.860 mil quilômetros (Km) de extensão, dos
quais 905 em novas linhas, e capacidade para transportar 30 milhões de
toneladas de carga por ano, entre diversos produtos, principalmente grãos,
minérios e combustíveis. A expectativa é de que, com a Transnordestina, haja
redução dos custos logísticos de exportação, por meio de uma alternativa de
transporte interligando as regiões produtoras aos portos de Pecém e Suape. Outros benefícios
serão a reorgarnização espacial da produção agrícola; a geração de impostos,
emprego e renda; além da alternativa para uma possível integração regional com
o Centro-Oeste.
Construção de dois terminais portuários
Entre os objetivos do projeto estão a construção, remodelação e modernização de
ramais e sub-ramais na área de influência da Malha Nordeste, ligando o
município de Eliseu Martins (PI) aos portos de
Suape, em Pernambuco, e Pecém, no Ceará; a recuperação de trechos da CFN; e
construção de dois terminais portuários, um no Pecém e outro em Suape.
Em uma segunda etapa da construção da Transnordestina, após o término da fase
atual, a ferrovia avançará em Pernambuco e na Bahia. A idéia é interligar, por
via férrea, os pólos de produção agrícola, mineral e industrial da Região desde
o Maranhão até a Bahia.
O trecho inicial, onde será realizada a solenidade de início das obras, hoje, e
que ligará Missão Velha a Salgueiro tem cerca de 100 quilômetros de extensão. A
ferrovia interligará, nessa primeira fase, Piauí, Ceará e Pernambuco. A obra
faz parte do primeiro de quatro contratos a serem firmados ao longo de todo
projeto da Transnordestina. Quando estiver pronto, o trecho Salgueiro - Missão
Velha permitirá a ligação de pólos produtores do interior, como o de Gesso, na
região do Araripe, com o porto de Suape.
Para verificar a viabilidade de construção do trecho, técnicos do BNB visitaram
empresas ligadas à logística de transporte de grãos, clientes da CFN, produtores
rurais, entidades de apoio aos produtores e à pesquisa, empresas de assistência
técnica, entre outros, nos Estados do Maranhão, Piauí e Bahia.
O resultado destas visitas compõe um parecer sobre a viabilidade da
Transnordestina, no qual foram projetados três cenários possíveis de área
plantada e produção de grãos, fibras e cana-de-açúcar até a safra de 2026/2027.
Também estão envolvidos no projeto o Ministério da Integração, a Agência de
Desenvolvimento do Nordeste (Adene), a Caixa Econômica Federal e a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
Lula: "ferrovia voltou a ser realidade"
Da redação, com agências
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem, em seu programa de rádio
Café com o Presidente, que a ferrovia "voltou a ser uma realidade no
Brasil.Vamos retomar as ferrovias e não vamos parar mais porque
queremos interligar o Brasil de norte a sul, de leste a oeste com ferrovias para que a gente possa baratear o
escoamento da nossa rica produção", afirmou.
Lula considera "insensatez" o País ter paralisado os investimentos no
setor ferroviário nos últimos anos. "Estou extremamente feliz porque
finalmente o Brasil está voltando a construir as ferrovias que nunca deveríamos ter parado de
construir", disse. "Os nossos companheiros ferroviários que
imaginavam que tinham acabado as ferrovias podem
ficar felizes. Os nossos produtores podem ficar felizes porque a ferrovia
voltou a ser uma realidade no Brasil."
O presidente destacou a retomada das obras da Ferrovia
Norte-Sul, iniciada no governo José Sarney (1985-1990), que liga as regiões
Centro-Oeste e Norte, e a Transnordestina, que passa pelos Estados de
Pernambuco, Piauí, Paraíba, Rio Grande do Norte e Bahia. "O plano (de
revitalização) era tentar recuperar as ferrovias que
estavam paralisadas, tentar revitalizar algumas ferrovias que estavam sendo construídas muito
devagar ou não estavam funcionando", disse.
Lula ressaltou que, de 1987 a 2003, os governos anteriores construíram 215
quilômetros de trecho da Ferrovia Norte-Sul. E prometeu inaugurar, em
outubro, 150 quilômetros da estrada de ferro. Já a Transnordestina, que cortará
o semi-árido, o presidente disse que o governo gastará R$ 4,5 bilhões na
recuperação de 1.150 quilômetros de estrada de ferro e na construção de um
trecho de 646 quilômetros.
O presidente também prometeu construir definitivamente a Ferroanel, malha
ferroviária de transporte de carga no contorno da cidade de São Paulo. Lula
disse que foi uma "insensatez" dos governos anteriores deixaram de
investir em ferrovias. "Estamos pensando em resolver
definitivamente a questão da Ferroanel, porque queremos que os trens que vêm da
região central do Brasil, com cargas, não ocupem os trilhos dos trens que
transportam passageiros", afirmou.
Lula disse que a malha da Ferroanel poderá ter dois braços, um com destino ao Porto de Santos e outro, ao Porto de Sepetiba, no Rio de Janeiro.
Malha ferroviária ainda é insuficiente, afirma ANTT
Leonardo Goy
Da Agência Estado
Depois que forem concluídas obras como as das ferrovias
Norte-Sul e Transnordestina, a malha ferroviária brasileira poderá ter
capacidade para transportar até 30% das cargas que circulam pelo País. A
previsão foi feita ontem pelo diretor-geral da Agência Nacional de Transportes
Terrestres (ANTT), José Alexandre Resende. Ele e o ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Oliveira Passos, fizeram um balanço do desempenho
das ferrovias no País desde o início das
privatizações do setor, em 1996. Apesar de reconhecer que a malha ferroviária
brasileira ainda é "insuficiente" e que tem "dimensão
incompatível com o tamanho da economia do País", o ministro disse que o setor
vem apresentando crescimento significativo nos últimos anos.
De acordo com o balanço divulgado ontem, em 1995 (antes das privatizações), os
trens tinham participação de 16% a 17% no transporte de cargas do País. Mas, em
2002, esse índice já chegava a 23% e, no ano passado, alcançou 25%. As rodovias continuam sendo o principal meio de
escoamento da produção do País, mas perderam um pouco de sua participação: em
2005, 58% das cargas foram transportadas em estradas, enquanto,
em 2002, essa fatia era de 62%. No ano passado, as ferrovias brasileiras transportaram 388,8
milhões de toneladas de carga, volume 2,6% superior ao que foi transportado em
2004.
Investimentos de R$ 9,58 bilhões
As empresas concessionárias de ferrovias no País
investiram, desde o início das privatizações, cerca de R$ 9,58 bilhões. O ritmo
desses investimentos vem se acelerando nos últimos anos. Em 2005, as
concessionárias investiram R$ 3,37 bilhões, montante cerca de 79% superior ao
R$ 1,8 bilhão investido no ano anterior. O volume mais substancial de
investimentos em 2005 (cerca de R$ 2,06 bilhões) foi destinado à aquisição de
locomotivas e vagões. No ano passado, a frota das concessionárias passou a ser
de 2.394 locomotivas e 90.119 vagões.
Os investimentos da iniciativa privada no setor são muito superiores aos
aportes feitos pelo governo. Do início do governo Lula até o fim de 2005, a
União investiu R$ 384,5 milhões na ampliação e melhora da malha ferroviária,
sendo R$ 309 milhões na construção da ferrovia Norte-Sul e R$ 66,2 milhões em
obras de adequação em contornos ferroviários nos Estados de São Paulo, Rio de
Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul.
BRASIL/MUNDO
06/06/2006
Lula destaca
retomada de obras da Norte-Sul
Ferrovias - Em
entrevista , presidente prometeu inaugurar em outubro 150 quilômetros da ferrovia
Leonencio Nossa
(AE)
Brasília
De olho no eleitorado paulista, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeu
ontem construir definitivamente a Ferroanel, malha ferroviária de transporte de
carga no contorno da cidade de São Paulo. Em entrevista ao programa de rádio
Café com o Presidente, ele disse que foi uma “insensatez” dos governos
anteriores deixaram de investir em ferrovias.
“Estamos pensando em resolver definitivamente a questão da Ferroanel, porque
queremos que os trens que vêm da região central do Brasil, com cargas, não ocupem
os trilhos dos trens que transportam passageiros”, afirmou.
O presidente aproveitou o programa para destacar também a retomada das obras da
Ferrovia Norte-Sul, iniciada no governo José
Sarney (1985-1990), que liga as regiões Centro-Oeste e Norte, e a
Transnordestina, que passa pelos estados de Pernambuco, Piauí, Paraíba, Rio
Grande do Norte e Bahia. “O plano (de revitalização) era tentar recuperar as ferrovias que estavam paralisadas, tentar
revitalizar algumas ferrovias que estavam sendo construídas muito
devagar ou não estavam funcionando”, disse.
Ele ressaltou que, de 1987 a 2003, os governos anteriores construíram 215
quilômetros de trecho da Ferrovia Norte-Sul. Lula prometeu inaugurar,
em outubro, 150 quilômetros da estrada de ferro. Já a Transnordestina, que
cortará o semi-árido, o presidente disse que o governo gastará R$ 4,5 bilhões
na recuperação de 1.150 quilômetros de estrada de ferro e na construção de um
trecho de 646 quilômetros. Hoje, ele estará em Missão Velha, no Ceará, para
iniciar as obras da Transnordestina.
Ferroanel (SP)
Lula disse que a malha da Ferroanel poderá ter dois braços, um com destino ao Porto de Santos e outro, ao Porto de Sepetiba, no Rio de Janeiro.
“Isso sem atrapalhar os passageiros de trem, porque em São Paulo muita gente
pega trem”, afirmou. A obra poderá ser construída por meio de uma Parceria
Público Privada (PPP), e foi calculada em R$ 2 bilhões pelo Ministério dos Transportes
GERAL/INTERNACIONAL
06/06/2006
Lula promete
incluir PB na Transnordestina
KARYNA KAY
O Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, promete incluir a Paraíba
no Projeto da Transnordestina, que tem a sua primeira etapa iniciada hoje. A
intenção foi anunciada ontem, durante entrevista no Programa “Café com o
Presidente”. O primeiro segmento desta ferrovia, cuja totalidade envolve
aproximadamente 1,8 mil quilômetros de trilhos fará a ligação entre as cidades
de Missão Velha (CE) e Salgueiro (PE), num trecho de 100 quilômetros. Serão
investidos R$ 4,5 bilhões na execução da obra.
A iniciativa do presidente se insere no contexto do Plano Nacional de
Revitalização das Ferrovias, aprovado em 2003. “Num futuro
muito próximo, nós vamos interligar a Paraíba, Rio Grande do Norte e a Bahia
porque queremos dar uma dimensão extraordinária ao transporte ferroviário para
fazer o Nordeste se transformar numa região altamente produtiva e desenvolvida”,
garantiu Lula.
A Transnordestina envolve cerca de 1,8 mil km de ferrovias, toda em bitola larga, com trechos
preparados para serem adaptados para bitola mista e vai envolver a construção
de cerca de 650 km em novas ferrovias, reconstrução e remodelação de mais
de 1.000 km. Com a construção da ferrovia, corredores com grande capacidade de
transporte irão partir da região central do País, em direção aos portos com capacidade de operar cargas,
como por exemplo os portos de Suape, em Pernambuco e o porto de
Pecém, no Ceará.
O projeto prevê a interligação entre os pólos de produção agrícola, mineral e
industrial do Nordeste. “Um novo paradigma para o transporte ferroviário do
Nordeste”. Assim o ministro
dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, definiu ontem a retomada da construção
da Ferrovia Nova Transnordestina.
De acordo com informações do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit) a
Transnordestina visa a aumentar a competitividade do Pólo Gesseiro do Araripe,
viabilizar o escoamento de grãos do cerrado brasileiro no Piauí, facilitar a
produção do pólo de fruticultura irrigada de Petrolina e Juazeiro, além de
estabelecer a conexão da malha Nordeste com as regiões Sudeste, Centro-Sul e hidrovia do São Francisco.