JORNAL DO BRASIL - RJ 

VILLAS-BOAS CÔRREA
08/11/2006

 

Solavancos da aterragem

 

Villas-Bôas Corrêa, repórter político do JB
Dissipadas as nuvens rosa-choque que tingiram o céu durante a campanha - graças, em grande parte, à competência do marqueteiro-revelação de Lula, João Santana, e com a involuntária ajuda dos irresponsáveis pela chocha e medíocre propaganda do oposicionista, o sumido Geraldo Alckmin - os solavancos da aterrissagem do Aerolula despertam a turma dos reeleitos para a realidade que invade a mídia com a exposição das suas mazelas e das omissões da desconjuntada máquina administrativa do governo vitorioso.

Antes de sair da estrada, convém deter o olhar no estado da rede rodoviária, que assustou o candidato com a denúncia da calamidade da buraqueira de três anos de abandono. De olho no voto, o governo deflagrou a operação tapa-buraco. Como o apelido indica, manobra de emergência sem compromisso com a seriedade. Pois, ao voltar da temporada de descanso com a família e agregados, no total de 28 felizardos, na praia privativa da Marinha no litoral baiano, Lula - não se sabe o que viu nas asas do Aerolula - manifestou o terror por novo apagão nas
rodovias no período de férias escolares e convocou o ministro dos Transportes, Paulo Sérgio de Oliveira Passos, para recomendar urgência no mutirão para a recuperação da malha rodoviária, antes que novo vexame acabe de estragar a festa.

Sou padecente de fim de semana nos cento e poucos quilômetros do Rio a Muri, distrito de Nova Friburgo, onde, há mais de 30 anos, procuro retardar os estragos da velhice. Deponho: a viagem de duas horas e alguns minutos, apesar das melhorias na RJ-116, graças à privatização, transformou-se numa provação com as incongruências do Detran. A sinalização dos limites de velocidade e a profusão caótica dos seus controles obrigam o motorista a uma tensa vigilância para não cair nas malhas espertas das multas, muitas de impropriedade absurda. E os buracos dão o ar de sua presença.

Com as baterias recarregadas pelos 58 milhões de votos e pelo sol baiano, o presidente Lula aproveitou a conversa com os novos assessores de fé para manifestar as suas preocupações com os entraves burocráticos e as exigências dos fiscais que atravancam as obras de infra-estrutura, especialmente da construção de barragens das novas hidrelétricas, indispensáveis para evitar o risco de novo apagão. Dos 39 projetos de usinas hidrelétricas em execução, 39 estão paralisados por divergências com os Ministérios Públicos estaduais e com o Instituto Brasileiro o Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, o Ibama.

Ora, nem de propósito, à noite de sábado último peguei, já iniciado, um surpreendente documentário na TV Educativa, patrocinado pelos governos do Amazonas, do Pará e do Acre e pelo Ministério do Meio Ambiente, de Marina Silva, exatamente sobre as encrencas com as empreiteiras que constroem barragens nos rios Tocantins e Solimões, espalham terror e miséria pela população ribeirinha e deixam um rastro de destruição de dimensões espantosas.

A TVE está no dever de repetir a lição de jornalismo, de oportunidade única. As imagens são de uma beleza de arrepiar da floresta intocada, no jogo cambiante das cores e luzes. Mas o fundamental é que a produção deixou o povo falar. E a série de depoimentos é estarrecedora. Na linguagem simples, com a objetividade dos que vivem na carne o drama da violência e do desprezo das empresas estrangeiras que emplacaram as concorrências para a construção de dezenas de barragens, flui a denúncia que não tem desculpa e que junta a indignação contra os que derrubam áreas imensas e pela indiferença da omissão oficial. Mais de um milhão de ribeirinhos foram expulsos das terras ocupadas pelos ancestrais, em troca de indenizações miseráveis ou de nada, não sabem de que vão sobreviver. De médios e pequenos fazendeiros e sitiantes baixaram para a humilhação de ociosos, mendigos que enganam a fome com o Bolsa Família.

 

 

O GLOBO - RJ 

O PAÍS
08/11/2006

 

Lula negocia com o PTB

Outros partidos da base envolvidos no escândalo do mensalão reivindicam cargos

 

Opresidente Lula passou a comandar pessoalmente as negociações para a montagem do Ministério em seu segundo mandato e os partidos da base aliada — inclusive os protagonistas do escândalo do mensalão — assumiram ontem, publicamente, a cobrança por cargos. Enquanto Lula recebia, em audiência no Planalto, o líder do PTB na Câmara, José Múcio Monteiro (PE), para discutir a governabilidade neste segundo mandato, o líder do PP, deputado Mário Negromonte (BA), avisava que o partido reivindicará a ampliação de seu espaço no Ministério, principalmente se o PMDB for agraciado com seis pastas. Reivindicará não, gritará por cargos, disse o líder.

— O próprio presidente já disse que vai rever (o Ministério) e que vai fazer uma coisa justa. É lógico que ele não vai querer nenhum partido da base insatisfeito. Todo mundo vai gritar, nós iremos gritar — avisou Negromonte.

O líder do PP defende o que chamou de princípio da proporcionalidade: se um partido com 80 deputados (PMDB) tem direito a seis ministérios, o PP, que elegeu 41, deve ficar com três.

Hoje o PP comanda o Ministério das Cidades e tem três cargos no segundo escalão, mas chegou a ter cinco. Negromonte afirmou que o desejo é ampliar tanto os cargos no primeiro como no segundo escalões. E pleiteia os ministérios da Integração Nacional e dos Transportes: — Vamos reivindicar espaços, atentos à proporcionalidade.

Queremos ampliar este espaço.

Disposto a se aproximar dos partidos aliados para consolidar uma maioria no Congresso, Lula começou as negociações políticas para a composição do novo governo justamente com o líder do PTB, partido do ex-deputado Roberto Jefferson, que denunciou o escândalo do mensalão. O encontro se deu uma semana depois de Jefferson ter reassumido a presidência do partido, pondo na direção pessoas de sua confiança.

Jefferson reassumiu comando do PTB
O líder José Múcio, no entanto, disse a Lula que, independentemente de Jefferson, que é contra o governo, o Planalto terá o apoio integral da bancada do partido no Congresso: — O presidente do meu partido tem uma posição política, mas ele respeita a da bancada. Pelo menos 95% dos deputados eleitos colaboraram com ele (o presidente Lula). Queremos ser parceiros na governabilidade.

O líder negou que ele e Lula tenham conversado sobre ministérios e disse que o acordo com Jefferson é de não pleitear cargos. Ele afirmou que o PTB não entrará na disputa para ter mais ministérios, como PP e PMDB: — Vou ficar assistindo, para ver quem grita mais alto.

Não descartou, no entanto, a possibilidade de negociação nesse sentido: — Tem chão pela frente. Toda grande caminhada começa pelo primeiro passo. Hoje foi só o primeiro passo. O presidente não acenou com nada. A pessoa só acena quando a gente pede.

Não estamos pedindo nada.

Sobre a permanência do ministro do Turismo, Walfrido dos Mares Guia, José Múcio disse: — Quem sustenta o Walfrido são os números recordes do turismo. O presidente Lula não o vê como um ministro do PTB, e sim como grande ministro.

Na próxima semana José Múcio deverá retornar ao Palácio do Planalto, desta vez acompanhado pelos deputados e senadores do PTB, que irão em peso manifestar apoio ao governo.

Rechaçando a tese da proporcionalidade e certo da cobiça sobre a pasta dos Transportes, o líder do novo Partido Republicano (fusão do PL com o Prona), Luciano Castro, disse que o desejo da bancada é de se manter à frente do ministério: — Não nos incomoda ficar somente com o
Ministério dos Transportes. Não chegaríamos ao grau de exigência de pedir mais ministérios — ironizou o líder.

Segundo Castro, o PR tem hoje 25 deputados e deverá chegar a 40 até o início da legislatura. Ele destaca que, assim como o PL, o novo PR será um partido leal e defenderá Lula. E a gestão à frente dos Transportes será a razão para manter a pasta sob seu comando: — O presidente tem essa avaliação. O Alfredo Nascimento (ex-ministro, que elegeu-se senador pelo Amazonas) limpou o ministério. Em time que está ganhando, não se mexe.

O PSB diz que é Lula quem avaliará o espaço do partido, mas o líder da bancada, Alexandre Cardoso (RJ), e o vice-líder do governo na Casa, Beto Albuquerque (RS), ressaltam o crescimento do partido nesta eleição: — Temos que aumentar nosso protagonismo, nossa presença no governo. Somos um partido leal, diferente de outros que prometem apoio e voto e não têm — disse Beto Albuquerque.

 

 

O GLOBO - RJ 

O PAÍS
08/11/2006

 

Lula traça mapa de obras prioritárias

Presidente vai tratar pessoalmente da área de infra-estrutura

 

BRASÍLIA. Emreunião com ministros da área de infra-estrutura, além da chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, e do presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, o presidente Lula começou ontem a traçar um mapa de obras que devem ser aceleradas, para possibilitar um maior crescimento em 2007. Lula quer saber a situação de cada ministério e se as metas até o fim deste ano serão cumpridas. Ele decidiu estender a todas as pastas o mapeamento iniciado pela área de infra-estrutura. Na reunião de ontem também estavam os ministros de Minas Energia, Silas Rondeau, e o dos Transportes, Paulo Sérgio Oliveira Passos.

Lula pediu que todos entrem em contato com as autoridades ambientais, como a ministra Marina Silva e dirigentes do Ibama, para se inteirar da situação dos estudos ambientais e da possibilidade de acelerar essas análises. Há obras paradas ou que sequer começaram.

Foram discutidas obras como em vários trechos da BR-101 e a construção de gasodutos.

Há projetos parados, como a da construção da hidrelétrica do Rio Madeira, a hidrelétrica de Belo Monte e até o projeto de transposição do Rio São Francisco. Lula ainda se reuniu com o ministro da Previdência, Nelson Machado, para tratar de outro grave problema de gestão: o déficit previdenciário.

O presidente está preocupado com a paralisia de obras que pode afetar o desenvolvimento, caso o país cresça 5% em 2007, como deseja o governo. Um dos setores avaliados foi o das
rodovias.

Lula tem hoje uma maratona de encontros com ministros e com aliados, como o deputado federal Jader Barbalho (PMDB), a governadora eleita do Pará, Ana Júlia Carepa (PT), e os governadores de Mato Grosso do Sul, José Orcírio, o Zeca do PT, e do Mato Grosso, Blairo Maggi.

Também se encontrará com o governador de São Paulo, Cláudio Lembo (PFL).

 

 

O GLOBO - RJ 

O PAÍS
08/11/2006

 

PMDB e PL brigam para comandar Transportes

Líder cobra promessa do presidente Lula de devolver a pasta ao ex-ministro Alfredo Nascimento (PL-AM)

 

BRASÍLIA
O
Ministério dos Transportes se transformou no alvo principal da disputa entre PL e PMDB na partilha de poder na Esplanada dos Ministérios.

Os dois partidos estão de olho no gordo orçamento de quase R$ 8,3 bilhões previsto para o ano que vem e nas centenas de cargos de segundo e terceiro escalões espalhados por todo o país.

O PL já manifestou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva o desejo de se manter à frente da pasta e cobrou a promessa de que o ex-ministro e senador eleito Alfredo Nascimento (PLAM) voltaria ao cargo. Enquanto isso, o PMDB avisa que vai incluir o ministério como uma das prioridades do partido na mesa de negociação.

Os principais líderes do PMDB avaliam que o partido ganhou legitimidade nas urnas para aumentar sua participação no governo. Além do Transportes, o PMDB quer também a Integração Nacional, que hoje está com o PSB do ex-ministro Ciro Gomes.

Os peemedebistas ainda querem manter os ministérios das Minas e Energia e o das Comunicações.

E, se possível, o das Cidades.

— O partido saiu fortalecido das urnas e vai ser fundamental para a governabilidade. Mais do que nunca, é preciso ter uma boa representação no governo.

Temos que crescer de três para seis ministérios. E isso inclui o
Ministério dos Transportes — disse o líder do PMDB na Câmara, Wilson Santiago (PB).

PMDB alega ligação histórica com a área O PMDB alega que o setor de
transportes é uma área historicamente vinculada ao partido: no governo Fernando Henrique Cardoso, o partido ocupou a pasta por muito tempo.

O deputado Anibal Gomes (PMDB-CE) reforçou a tese, ao lembrar que durante os dois mandatos do tucano passaram por lá os peemedebistas Odacir Klein, Eliseu Padilha e João Henrique.

— O PMDB sempre teve uma afinidade histórica com o
Ministério dos Transportes. Nada mais natural do que o partido retomar o comando da pasta.

Até porque ganhamos legitimidade depois da eleição. O partido está indo unido para o governo — disse Gomes.

Ao perceber a movimentação do PMDB, o líder do PL, deputado Luciano Castro (RR), cobrou publicamente o acordo assumido pelo presidente Lula de reconduzir Nascimento ao comando do ministério. Segundo Castro, o atual ministro,
Paulo Sérgio Passos, assumiu interinamente até a volta de Nascimento.

O líder do PL lembrou ainda que o Amazonas foi o estado onde Lula teve a maior vitória proporcional no país: — O presidente Lula disse para a bancada que o
Ministério dos Transportes seria do PL e que depois da eleição o Alfredo Nascimento voltaria para lá. Lula fez o convite para o PL. O acordo está mantido, ainda mais depois que Lula teve uma grande votação no Amazonas. Não vejo nenhum motivo para o presidente mudar de idéia.

O partido ameaça tirar o apoio a uma candidatura peemedebista à presidência da Câmara, se o PMDB insistir em ficar com o ministério.

— É verdade que o PMDB cresceu nas urnas. Mas o partido deseja a presidência da Câmara e não será dessa forma que vai ter o apoio do PL. Apesar de ser um partido pequeno, o PL sempre votou com o governo — disse Castro.

PT quer ampliar influência no Transportes Há outro complicador: o PT gostaria de ampliar sua fatia de poder ou, na pior das hipóteses, manter o modelo atual no
Ministério dos Transportes.

Com a eventual volta de Nascimento, o atual ministro seria reconduzido ao cargo de secretárioexecutivo. Mas o PT quer assegurar alguns postos.

A jóia da coroa do
Ministério dos Transportes é o Departamento Nacional de Infra-estrutura em Transportes (Dnit), que em 2006 ficou com R$ 6,9 bilhões do orçamento total da pasta. O PL tem o comando do Dnit e o controle do Porto de Santos, entre outros cargos estratégicos.

Desde o início do governo Lula, há uma convivência entre integrantes do PT e do PL no ministério. Um dos primeiros escândalos no governo Lula envolveu o ex-
ministro dos Transportes Anderson Adauto (PL), flagrado despachando no Palácio do Planalto com empreiteiros e com o ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares.

— O
Ministério dos Transportes é uma pasta que todo mundo adora. Não por acaso: é o que firma contrato com as maiores empreiteiras do país — disse o fundador da ONG Contas Abertas, Gil Castelo Branco.

 

 

O ESTADO DE S. PAULO - SP 

NACIONAL
08/11/2006

 

Aliados fazem altos pedidos ao presidente

Lula administra reivindicações para obter maioria no Congresso

 

João Domingos, Denise Madueño
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assumiu pessoalmente ontem as negociações para a montagem do novo ministério, na tentativa de garantir maioria no Congresso para seu segundo mandato. De manhã, Lula recebeu no Planalto o governador reeleito do Paraná, Roberto Requião (PMDB), o senador José Maranhão (PMDB-PB) e o líder do PTB na Câmara, José Múcio Monteiro (PE).

Ficou claro que os prováveis aliados têm fome de cargos e já iniciaram uma disputa para ver quem fica com a maior fatia do governo. Sem nenhuma cerimônia, PP e PSB seguiram os passos do PMDB e reivindicaram ampliar seu espaço do primeiro para o segundo mandato.

O PTB, que ao contrário dos outros encolheu na eleição de outubro, insinuou para Lula que quer manter sua cota. Múcio levou ontem ao presidente 'apoio à governabilidade', promessa de fidelidade próxima de 97% dos 23 deputados eleitos e a afirmação de que a permanência de Mares Guia será muito bem recebida pela bancada. 'Ninguém desconhece que o ministro Mares Guia mudou o turismo no Brasil', afirmou Múcio. 'O Mares Guia nem é mais um ministro do PTB, mas do próprio presidente Lula.'

Já o líder do PP na Câmara, Mário Negromonte (BA), foi transparente ao dizer o que o partido deseja. 'Vamos reivindicar o nosso espaço. Vamos querer ampliar.' Hoje o PP tem o Ministério das Cidades. Quer manter a indicação e obter a Integração Nacional e os Transportes. 'O próprio presidente disse que fará uma coisa justa. É óbvio que ele não vai querer a base insatisfeita.'

Cidades, Integração e Transportes, mais o da Saúde, são os ministérios que se transformaram em objeto do desejo de todos os aliados. O das Cidades, por exemplo, que foi criado por Lula e inicialmente ocupado pelo petista Olívio Dutra, é disputado por PMDB, PP e PT - este último o quer de volta e já tem até candidata ao cargo, a ex-prefeita Marta Suplicy.

O PMDB elegeu 89 deputados, a maior bancada na Câmara, e deverá manter o maior número de senadores. Considera-se candidato natural a ocupar os grandes ministérios. Mas o PP, que tem 42 deputados e nenhum senador, considera-se no mesmo direito. Negromonte disse que vai reclamar se o PMDB tiver muito mais espaço do que os outros partidos aliados. 'É claro que todo mundo vai gritar.'

O PSB tem o Ministério da Ciência e Tecnologia. Quer mais. E apresenta como contrapartida sua fidelidade. 'Merecemos espaço maior porque sempre fomos fiéis, elegemos 27 deputados e 3 governadores', disse o vice-líder Beto Albuquerque (RS). 'Sempre fomos fiéis, ao contrário desses outros partidos, que vivem prometendo votos, mas não os têm.'

MORTOS E FERIDOS

Nelson Jobim, ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, disse ontem que o novo ministério 'não deve ser formado por mortos e feridos', ao fazer análise de conjuntura para uma consultoria de mercado. Ele se referia aos derrotados na última eleição.

Uma das derrotadas em outubro, a deputada Ângela Guadagnin (PT-SP), que não se reelegeu, visitou ontem o Planalto, mas não esteve com Lula, segundo a assessoria do palácio. Ela ficou famosa pela dança da pizza - a petista dançou no plenário da Câmara para festejar a absolvição de um mensaleiro.

 

 

GAZETA MERCANTIL - SP 

TRANSPORTE E LOGÍSTICA
08/11/2006

 

Ferroanel deve sair do papel neste ano

 

São Paulo, 8 de Novembro de 2006 - Ministro garante que BNDES está finalizando estudo da obra que vai desafogar São Paulo. Uma das obras elencadas como fundamentais pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, o ferroanel de São Paulo pode sair do papel ainda este ano. O ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passo, afirmou que o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) está finalizando o estudo econômico do projeto.

"Acredito que no decorrer do próximo ano já possamos iniciar as obras do ferroanel. O que está pendente é a forma para financiar a obra. Há várias possibilidades, como PPP (Parceria Público-Privada), subconcessão ou até mesmo a fórmula que foi utilizada para a Transnordestina", disse o ministro Passos.

Serão construídos 63 quilômetros de ferrovia ligando Itaquaquecetuba a Campo Limpo Paulista. A obra está orçada em R$ 900 milhões e segundo o presidente da MRS Logística, empresa que tem o direito de concessão do trecho, Júlio Fontana, terá capacidade de transporte de 10 milhões de toneladas por ano. "Este é o grande gargalo da ferrovia no País. Isso porque atualmente trafegamos em um trecho operado também pelo trem de passageiros", disse Fontana.

Segundo ele, o transporte de carga é feito somente de meia-noite às quatro horas da manhã. "Isso com limite de capacidade e tamanho das composições", acrescentou o executivo.

Fontana acrescenta que a companhia já realizou todos os estudos e aguarda somente a definição do modelo de investimento para iniciar as obras do ferroanel.

Investimento sem retorno

"A MRS tem crédito, mas é um tipo de investimento que não tem retorno para o acionista. Então, sozinho, sem um tipo de acerto será difícil", disse o executivo. "PPP ou outro tipo de investimento que desonere a concessão, são alternativas viáveis", ressaltou Fontana. Pela fórmula de investimento utilizada na Transnordestina, sugerida pela
ministro dos Transportes, os recursos são aportados pela Companhia Ferroviária do Nordeste (CFN), pelo BNDES, Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação (FNDE) e do Fundo de Investimentos do Nordeste.

"Como o ferroanel é prioridade para o segundo mandato, a definição sairá logo", afirmou o
ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos.

(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 5)(Ana Paula Machado)

 

 

GAZETA MERCANTIL - SP 

TRANSPORTE E LOGÍSTICA
08/11/2006

 

TCU vota aval para concessões rodoviárias

 

São Paulo, 8 de Novembro de 2006 - O projeto de concessão dos sete lotes de rodovias federais que inclui, a Fernão Dias, que liga Belo Horizonte a São Paulo, será votado hoje pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Ontem, uma reunião no órgão a Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT) apresentou o projeto com todas as modificações propostas pelo TCU. O problema estava na definição do nível de risco regulatório do investimento, do volume de recursos privados necessários para obras e na taxa de retorno. Estes três fatores influenciam diretamente a tarifa de pedágio que será cobrada dos usuários.

Nos estudos colocados em consulta pública pela
ANTT, que atenderam em parte às determinações do TCU, o valor teto do pedágio oscilou de R$ 3,12 a R$ 4,61, dependendo do trecho. Para ganhar a concessão, os investidores teriam que oferecer tarifas menores. Estes valores foram considerados insuficientes por potenciais investidores privados. Pelo projeto do governo federal serão concedidos 2,6 mil quilômetros de rodovias.

O
ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, disse ontem, durante um seminário sobre ferrovias, acreditar que o TCU se pronuncie ainda este ano para que no primeiro semestre de 2007 o edital seja publicado. "A partir do momento que o TCU se pronunciar sobre o projeto, der o aval, poderemos iniciar o processo de concessão", disse.

O governo pretende transferir à empresas as BR-153/ (da divisa de MG/SP até a divisa SP/PR), BR-116 (de Curitiba até a divisa de SC/RS), BR-393 (da divisa MG/RJ até a BR-116), BR-101 (da divisa RJ/ES até a ponte Presidente Costa e Silva), a
Rodovia Fernão Dias, que liga Belo Horizonte a São Paulo, a BR-116 São Paulo a Curitiba) e BR-116 (Curitiba a Florianópolis). Os concessionários deverão investir cerca de R$ 19 bilhões e poderão operar a rodovia por 25 anos.

(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 5)(Ana Paula Machado)

 

 

VALOR ECONÔMICO - SP 

1º CADERNO
08/11/2006

 

Lula estréia reuniões com aliados pelo PTB

 

Paulo de Tarso Lyra
O PTB foi o primeiro partido aliado chamado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para conversar sobre o segundo mandato. O partido teve o cuidado de não falar em cargos, mas Lula pediu apoio a votações no Congresso. Ouviu do líder na Câmara, José Múcio Monteiro (PE), que a bancada está fechada em apoio ao presidente, apesar das resistências do presidente da legenda, Roberto Jefferson (RJ). Ao ser comunicado pelo próprio Múcio de que iria encontrar-se com Lula, Jefferson afirmou: "Eu sei irmão. Vai em paz".

Múcio afirmou que seria deselegante, neste momento, pleitear novos ministérios, além do Turismo, ocupado por Walfrido Mares Guia. Internamente, a legenda espera o primeiro painel de votações para medir exatamente o tamanho do apoio ao governo. Aos petebistas, Jefferson deixa clara sua postura de oposição, mas deu carta branca a Múcio para deliberar alianças com o Planalto. Prudente, o petebista esconde qual a real influência do presidente da legenda sobre a bancada.

O líder do PTB ouviu de Lula a promessa de que, a partir de janeiro, fará reuniões mensais com os líderes aliados. "Ele nos disse que deseja nos ouvir melhor. É bom afinar aqui os projetos que vão acabar desaguando no plenário", disse Múcio.

Se o PTB mantém a cautela, o PP anuncia para todos que pretende ser valorizado na mesma proporção do tamanho de sua bancada. Com 41 deputados eleitos, o PP comanda atualmente o Ministério das Cidades, com Márcio Fortes. "Queremos pelo menos mais uma ou duas pastas. Pode ser Minas e Energia, Transportes ou Integração Nacional", afirmou o líder da legenda na Câmara, Mário Negromonte (PP-BA). O líder baiano espera um convite para conversar com Lula. "Quando formos chamados, teremos a nossa lista de ministeriáveis pronta", assegurou.

O líder do Partido da República (PR), fruto da fusão entre o PL, o PTdoB e o Prona, Luciano Castro (RR), confirma que seu partido ainda não foi chamado para conversar. Mas brinca com uma citação bíblica. "Os últimos serão os primeiros, serão os escolhidos". Castro disse que a legenda não vai apresentar uma lista de cargos, mas aposta na avaliação de Lula em relação aos últimos quatro anos. "O PL foi a legenda que mais votou com o governo. O Alfredo Nascimento foi
ministro dos Transportes e fez um excelente trabalho. É isso que será levado em conta", afirmou o líder partidário.

Enquanto os aliados se preparam para pleitear vaga no futuro ministério, Lula cobra projetos dos atuais integrantes do primeiro escalão. Ontem, o presidente reuniu-se com os ministros de Minas e Energia, Silas Rondeau, dos Transportes,
Paulo Sérgio de Oliveira Passos, da Casa Civil, Dilma Rousseff e o presidente da Petrobrás, Sérgio Gabrielli. Conversou também com o ministro da Previdência, Nelson Machado. Segundo o porta-voz da Presidência, André Singer, Lula "pretende fixar metas de trabalho até o fim do ano".

Singer afirmou ainda que "não se surpreenderia se o presidente chamasse, ainda esta semana, representantes da oposição para um diálogo". Mas não confirmou um possível encontro de Lula com o governador reeleito de Minas, Aécio Neves. Ontem, o presidente encontrou-se com o pemedebista reeleito para o governo do Paraná, Roberto Requião e com o candidato derrotado ao governo da Paraíba, José Maranhão. Também foram ao Planalto o presidente do Sebrae, Paulo Okamotto e a deputada Ângela Guadagnin (PT-SP), conhecida pela "dança da pizza" depois da absolvição do mensaleiro João Magno (PT-MG).

Durante a reunião entre os ministros e Lula, foram discutidos o andamento de obras de infra-estrutura do país: a BR 101 nos seus trechos Sul e Nordeste, vários gasodutos, além da Transnordestina e Norte-Sul. Não foram discutidas aquelas que ainda estão na fase de projeto, como as usinas hidrelétricas de Belo Monte, no rio Xingu e do Complexo do Madeira, no Rio Madeira. O presidente pediu que cada ministro consulte as pendências ambientais e jurídicas que impedem as obras.

 

 

VALOR ECONÔMICO - SP 

1º CADERNO
08/11/2006

 

Maggi lista cargos federais que pedirá a Lula

 

Mauro Zanatta e Arnaldo Galvão
O governador reeleito de Mato Grosso, Blairo Maggi, apresenta hoje ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a conta de seu apoio ao segundo mandato do petista. E a conta será bem salgada.

Com apoio dos 13 partidos da aliança que o reelegeu em primeiro turno no Estado, Maggi pedirá a Lula o direito de comandar 12 postos-chave federais em Mato Grosso e de indicar outros 12 nomes para diretorias e superintendências nacionais em Brasília. Para isso, Maggi também conta com o aval do deputado Carlos Abicalil (PT-MT), mais votado no Estado nas eleições de outubro, com 128 mil votos.

Única liderança ruralista de peso a declarar apoio a Lula, Maggi quer acomodar seu braço direito, o suplente de senador eleito Luiz Antonio Pagot, em um desses cargos, de preferência na área de infra-estrutura, especificamente de
transportes. Em Brasília, Maggi quer postos de expressão no Banco do Brasil, Caixa Econômica, Funasa, Incra, Ibama, Eletronorte, DNIT, Agência de Desenvolvimento da Amazônia (ADA) e nos ministérios da Integração Nacional, Meio Ambiente, Cidades e Turismo. No Estado, também quer o comando do INSS e da Receita Federal. "Podemos ajudar. Mas queremos cargos operacionais", resumiu Pagot ao Valor.

Apesar de negar publicamente, o governador também será ouvido na escolha do novo ministro da Agricultura. Ontem, reafirmou não ter sido consultado. Sobre um eventual convite a Delfim Netto (PMDB-SP), Maggi afirmou que ele foi um "grande ministro", mas que tem quase 80 anos. "O Brasil precisa de gente que tenha capacidade para correr o país inteiro. Se ele tiver essa disposição, ok", disse.

Em visita a vários ministérios, Maggi negociou ontem pedidos no governo. Obteve a promessa de receber R$ 66 milhões da Conab por um ajuste na tributação da venda de alimentos e de ter liberados R$ 41 milhões em emendas parlamentares para habitação e saneamento. Maggi também pediu recursos para a recuperação de quatro prédios do patrimônio histórico de Cuiabá.

Em companhia do colega de Mato Grosso do Sul, Zeca do PT, o governador reuniu-se com o secretário do Tesouro, Carlos Kawall, para pedir a liberação de garantias das dívidas renegociadas desses Estados, no valor total de US$ 60 milhões. A proposta é pagar a União em 36 parcelas. Kawall disse a Maggi que aguarda um parecer do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, Luís Inácio Lucena Adams, para avaliar o pedido dos Estados.

Ao fim do encontro, Maggi explicou que dez estados têm interesse nessa liberação de suas respectivas cauções à disposição da União. A garantia foi exigida em 1996, quando os passivos dos Estados foram refinanciados e títulos foram comprados no mercado internacional. "Como o Brasil resgatou essa dívida, na nossa ótica essa caução não é mais válida e pode ser devolvida", justificou Maggi. Segundo ele, à época em que a dívida foi contraída, Mato Grosso pagava R$ 200 milhões por ano à União. O volume financeiro quitado neste ano chegou a R$ 670 milhões. Por essa interpretação, o governador acredita que seu Estado quitará sua dívida muito antes do prazo final previsto para 2027.

Maggi afirmou que todos os Estados têm problemas com suas dívidas refinanciadas com a União. Isso porque, em 1996, os governadores não tiveram possibilidade de discutir nada, segundo ele. "Estava todo mundo enforcado e assinaram. Olhando para esses dez anos, percebemos que aquela negociação não foi boa para os Estados", lamentou.

Na sua análise, Maggi diz que "está sendo sacrificada" toda uma geração - "e será sacrificada outra" - se os Estados não tiverem dinheiro para fazer investimentos. "Enxugamos tudo o que podíamos e estamos em cima dos outros Poderes. Um relaxamento nesse endividamento ou uma prorrogação, uma carência de dois anos, qualquer coisa que venha a aliviar significa ter mais dinheiro para investir em infra-estrutura ou na área social, e não em pessoal", avaliou.

 

 

VALOR ECONÔMICO - SP 

1º CADERNO
08/11/2006

 

Aécio acerta com bancada mineira prioridades de votação no Congresso

 

Ivana Moreira
O governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), começou ontem a traçar com deputados federais a estratégia de atuação da bancada mineira em relação ao Orçamento de 2007 e também às reformas que deverão entrar na pauta do Congresso no próximo ano. "As reformas tributária e política e o novo pacto federativo são assuntos que o governador acha que o PSDB tem de ter uma atitude muito pró-ativa, colocando uma pauta para que o país possa discutir e avançar de forma a atender às demandas que a sociedade hoje está cobrando", comentou depois do encontro o deputado Nárcio Rodrigues, que é presidente do diretório mineiro do PSDB.

Da reunião no Palácio das Mangabeiras participaram também o deputado Custódio Mattos, de Minas, e Eduardo Gomes, do Tocantins. Uma das bandeiras que Aécio quer ver a bancada mineira defendendo e a do ressarcimento aos Estados da desoneração das exportações. Para isso, quer que os mineiros atuem articulados com as bancadas dos outros Estados exportadores.

"É muito importante estabelecer regras e fazer valer o interesse dos Estados exportadores", declarou o presidente do PSDB de Minas. "Nós só conseguimos votar o Orçamento de 2006 em abril deste ano e o atraso decorreu exatamente da falta de entendimento sobre a Lei Kandir". Para o tucano, se faltar sensibilidade ao governo federal, é grande a chance de que o mesmo ocorra com a votação do Orçamento de 2007.

Outra batalha que a bancada mineira deverá travar é pela estadualização das
rodovias federais, uma proposta que Aécio já levou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O que o mineiro propõe é a transferência da Cide, imposto que incide sobre os combustíveis, para os Estados, de forma proporcional à malha viária federal de cada um. "O DNIT (Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes) não tem a menor condição de atender as demandas nacionais e a experiência de Minas mostra que, com a estadualização, teríamos uma possibilidade de tratar melhor a malha viária do país", comentou Nárcio Rodrigues.

O parlamentar mineiro negou ontem que já exista um acordo firmado entre São Paulo e Minas para definir as lideranças do PSDB no Congresso. Rodrigues, que esteve pessoalmente discutindo o assunto com o governador eleito de São Paulo, José Serra, afirmou que não é uma "tese consagrada" a de que os paulistas ficarão com a liderança da bancada e os mineiros com a vice-presidência da mesa. "Este é um assunto que tem até fevereiro para ser discutido", desconversou ontem.

Ontem, a governadora eleita do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), procurou o presidente Lula, por meio de seus assessores, para tentar uma aproximação. Nos próximos dias, a tucana espera se reunir com o presidente, para um primeiro contato depois das eleições. Com dificuldades de caixa, o Estado tem uma dívida de R$ 30,2 bilhões com a União. (Com agências noticiosas)

 

 

CORREIO BRAZILIENSE - DF 

POLÍTICA
08/11/2006

 

A conta do PMDB

Partido joga pesado para ocupar o maior número de ministérios na Esplanada. O PT resiste à pressão

 

Leonel Rocha
Depois de garantir o apoio de suas principais lideranças à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o sonho do PMDB agora é conseguir o melhor pedaço da Esplanada dos Ministérios e das principais estatais. Para isso, os caciques do partido já estabeleceram alguns critérios — que mais parecem uma fórmula matemática — para apresentar a fatura do apoio eleitoral nas reuniões que vão fazer com o presidente Lula até dezembro para definir cargos.

A fórmula da adesão completa do PMDB ao governo petista tem duas versões: na primeira, o partido pleiteia seis ministérios e mais o apoio do PT para eleger seus parlamentares nas presidências do Senado e da Câmara. Na segunda, levariam oito ministérios e a presidência do Senado, com a reeleição de Renan Calheiros (AL), e em troca apoiariam o deputado petista Arlindo Chinaglia (SP) para a presidência da Câmara.

Como toda negociação em política, os números estão jogados para cima. O PMDB se contentaria com cinco ministérios, desde que sejam pastas estratégicas. O partido quer os ministérios de maior orçamento e com poder para repassar dinheiro a obras e projetos nos estados e municípios. A estratégia da legenda é usar essas pastas para ser o grande vencedor nas eleições municipais de 2008 e assim credenciar-se para a disputa presidencial de 2010. Dentro desse critério, os ministérios almejados são Saúde, Educação, Integração Nacional, Transportes e Cidades. É o filé da Esplanada em poder e dinheiro. Chegam a R$ 80,4 bilhões em orçamento e são as pastas que importam para a assinatura de convênios para a execução de obras pelos prefeitos e governadores.

Além de escolher os ministérios que deseja, o PMDB também já definiu o que não quer. Os líderes do partido mandaram recado a Lula que não aceitam ocupar pastas problemáticas e sem força política. Entre elas estão os ministérios do Turismo e da Defesa. Os peemedebistas também e não desejam manter o das Comunicações, principalmente se o ocupante for o atual ministro Hélio Costa, senador mineiro, mas sem prestígio interno.

O partido não aceita ainda incluir em sua conta nomes indicados por Lula, como os ex-ministros Delfim Netto e Nelson Jobim. Eles terão de entrar na cota pessoal do presidente. Jobim é nome praticamente certo. Delfim é um caso mais complicado, pela imagem que evoca do regime militar.

Conversa
Lula está disposto a ceder muito nas negociações com o PMDB, mas quer a garantia de que terá o apoio real do partido no Congresso. Em uma conversa reservada na noite de segunda-feira, queixou-se da dificuldade de negociar com o PMDB. “Você conversa com um senador e ele representa mais três ou quatro. Fala com um deputado e ele tem apoio de meia dúzia. É preciso que eles se unam.” Até aqui, Lula tem falado apenas como os governistas do PMDB, como José Sarney, Renan Calheiros e Jobim. Agora, quer todo o partido.

“O presidente gostaria de ter um interlocutor que interpretasse todos os segmentos do partido”, avisou o senador José Maranhão (PMDB-PB), que esteve ontem com o presidente no Palácio do Planalto. Na conversa com Maranhão, Lula chegou a lembrar da candidatura de Ulysses Guimarães, um dos nomes mais importantes da história do PMDB, que se candidatou à Presidência da República em 1989, mas teve desempenho pífio diante da falta de empenho do partido. Lula avisou que não pretende incentivar esse tipo de divisão na legenda.

Na conversa, solicitada por Maranhão — que fez questão de declarar apoio do PMDB paraibano após a derrota na eleição para o governador reeleito Cássio Cunha Lima (PSDB), o presidente também disse que pretende fazer “uma grande aliança” com o PMDB, mas não falou em números de ministérios.

AS PASTAS MAIS COBIÇADAS
Ministério dos Tranportes
# Ocupante atual:
Paulo Sérgio Passos (indicação do PL)
# O PMDB disputa o cargo de ministro com o PL
# Orçamento/2007: R$ 8,3 bilhões, sendo R$ 5,5 bilhões para investimentos

Ministério das Cidades
# Ocupante atual: Marcio Fortes de Almeida (PP)
# O PMDB disputa o cargo de ministro com o PP e o PT
# Orçamento/2007: R$ 1,7 bilhão; R$ 1 bilhão em investimentos

Ministério da Integração Nacional
# Ocupante atual: Pedro Brito, indicação de Ciro Gomes (PSB)
# O PMDB disputa o cargo de ministro com o PSB
# Orçamento/2007: R$ 1,4 bilhão; R$ 631 milhões investimento

Ministério da Saúde
# Ocupante atual: Agenor Silva (técnico, indicado pelo PMDB)
# O PMDB disputa o cargo de ministro com o PSB, o PT
# Orçamento/2007: R$ 45 bilhões

Ministério da Educação
# Ocupante atual: Fernando Haddad (PT, cota pessoal de Lula)
# O PMDB disputa com todos os partidos da base aliada
# Orçamento/2007: R$ 24 bilhões

O número
O orçamento
R$ 80,4 bilhões é quanto o partido deseja controlar na Esplanada
PT não quer perder espaço

Para ganhar o espaço que cobiça na Esplanada dos Ministérios, o PMDB terá de passar por cima da resistência do PT. O partido não quer perder para os peemedebistas o controle de setores estratégicos do governo e muito menos o comando político da coalizão de apoio a Lula. Um dos principais focos de resistência está dentro do Palácio do Planalto.

A poderosa ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, não quer ceder aos peemedebistas a presidência da Petrobras. Ex-ministra de Minas e Energia, Dilma foi um obstáculo às pretensões dos aliados sobre a estatal ao longo do primeiro mandato de Lula. Também no Planalto, o ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, trabalha para manter Fernando Haddad na Educação, outra pasta cobiçada pelos peemedebistas. Haddad foi secretário-executivo de Tarso e tem muito prestígio com Lula.

Os petistas se mobilizam para ocupar o Ministério das Cidades, que também faz parte da fatura do PMDB. A idéia do partido é instalar na pasta da ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy. Enquanto luta contra a voracidade dos aliados, o PT administra a disputa interna entre suas correntes por espaços no governo. A Democracia Socialista, uma das correntes de esquerda do partido, fará uma reunião nacional, coordenada pela governadora eleita do Pará, Ana Júlia Carepa. O objetivo é manter sob controle da corrente o Ministério do Desenvolvimento Agrário. (GK)

 

 

CORREIO BRAZILIENSE - DF 

POLÍTICA
08/11/2006

 

PP pede três para levar uma pasta

Partido, que ocupa o Ministério das Cidades, negocia os da Integração Nacional e dos Transportes. A justificativa é que o número de sua bancada na próxima legislatura poderá chegar a 50 deputados

 

Ugo Braga, Helayne Boaventura e Gustavo Krieger
Da equipe do Correio
Preocupados com a disputa na base aliada para indicar ministros no segundo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a bancada do PP na Câmara iniciou ontem a estratégia para tentar manter o Ministério das Cidades sob o comando do partido. Logo depois de sair de uma reunião no gabinete da Liderança do Governo na Câmara, o líder do PP, Mário Negromonte (BA), avisou que a legenda quer aumentar sua cota de um para três ministérios, a partir de janeiro. A tática é pedir muito para garantir pelo menos o espaço atual no governo.

Negromonte usou um argumento matemático para justificar tal ambição. Se o PMDB, disse, elegeu 80 deputados e quer seis pastas, nada mais natural que seja entregue ao PP metade disso, a julgar pelos 41 deputados eleitos pela sigla para a próxima legislatura. “Reivindicamos o critério da proporcionalidade”, resumiu. Ele chegou a listar quais nacos de governo interessam ao partido. Segundo o deputado, os pepistas ficarão felizes se mantiverem o controle sobre o Ministério das Cidades e ganharem a Integração Nacional e os Transportes. Um está atualmente nas mãos do grupo controlado pelo deputado eleito Ciro Gomes (PSB-CE). O outro pertence ao PL. A partir de janeiro, esses dois partidos juntos terão 50 deputados, pouco maiores que o PP sozinho.

O discurso do líder do PP foi milimetricamente ensaiado durante a reunião da bancada do partido. Os integrantes da legenda sabem que dificilmente terão força suficiente para obter três importantes ministérios, como aqueles citados por Negromonte. Os escândalos do mensalão e sanguessugas afetaram a eleição de deputados do partido. A direção da sigla teme perder o comando do Ministério das Cidades, que é alvo da cobiça do PT.

Petistas tentam emplacar a ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy na pasta. Com a intensa disputa interna, os integrantes da legenda querem garantir pelo menos o ministério que já comandam e expandir seus tentáculos por empresas estatais de destaque. Eles desejam recuperar a direção da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e obter postos em estatais importantes como Petrobras, Furnas e Eletronorte.

O apetite do PP se justifica pela intensa disputa interna. Negromonte pertence a ala chamada de lulistas de primeira hora, que apóia o governo desde 2003. Essta ala é a mesma do atual presidente da sigla, Nélio Dias (RN). No outro extremo, estão os neolulistas, liderados pelo senador eleito Francisco Dornelles (RJ). Os lulistas de primeira hora andam incomodados com a articulação entabulada pela senadora Ideli Salvatti (PT-SC) para fazer do neolulista Espiridião Amin integrante do primeiro escalão a partir de janeiro, o que fortalece a posição de Dornelles. Salvatti tem um acordo local para ser candidata a prefeita de Florianópolis com apoio dos Amin, em 2008.

Gerdau
A bancada do PP na Câmara vai pleitear o cargo de ministro das Cidades para um deputado, à escolha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os integrantes do partido deixam claro que não querem um técnico, como o atual ministro Márcio Fortes, nem aceitam que um nome da sociedade civil, como o empresário Jorge Gerdau, ocupe o ministério em nome do PP. Entre os nomes possíveis está o segundo-vice-presidente da Câmara, Ciro Nogueira (PP-PI). Apesar de ser afilhado político do ex-presidente Severino Calvalcanti, que não conseguiu reeleger-se deputado, Ciro ainda é considerado um nome importante pois ocupa posto de destaque na Câmara.

O argumento que o PP utilizará para convencer o presidente a manter sob a batuta da legenda a pasta das Cidades é o de que o partido terá uma bancada forte e fiel. Com 44 deputados hoje, o partido acredita que chegará a ter cerca de 50 parlamentares na Câmara, após as migrações partidárias até a posse. A direção do partido planeja fechar posição da bancada em cada votação — quem descumprir a decisão partidária corre o risco de ser expulso. A idéia é forçar a saída da ala oposicionista do partido, que se concentra no Rio Grande do Sul. São considerados oposicionistas irremediáveis também os deputados Ricardo Barros (PR) e Jair Bolsonaro (RJ). A idéia é oferecer ao presidente uma bancada unida e fechada com a posição do Palácio do Planalto.

PTB vai a Lula e garante apoio ao presidente
Helayne Boaventura
Da equipe do Correio
Atingidos pelos escândalos do mensalão e dos sanguessugas, PTB e o novo PR, fruto da fusão do PL e do Prona, começaram a batalha para garantir o espaço conquistado no governo. Os petebistas vivem uma situação delicada em um momento crucial do relacionamento com o governo. São comandados pelo oposicionista de carteirinha Roberto Jefferson. Por isso, sonham em pelo menos manter sob a batuta de Walfrido Mares Guia o Ministério do Turismo.

Diante da cobiça do PMDB sobre o
Ministério dos Transportes, o PR também movimenta-se para garantir a vaga em uma dos mais importantes pastas da Esplanada. Os petebistas sabem que estão em posição frágil e correm o risco de cair do primeiro para o segundo escalão do governo. O partido tem hoje 44 deputados, dos quais apenas 15 se reelegeram. O partido saiu das urnas com apenas 23 deputados. Além disso, a posição de Jefferson à frente da presidência do PTB dificulta o entendimento institucional que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretendia manter com os partidos aliados.

Sem conversa com Jefferson, que deflagrou o escândalo do mensalão, o líder do PTB na Câmara, José Múcio Monteiro (PE), é que foi designado para comandar as negociações. “O presidente conhece a posição de Jefferson, que foi dito pelos jornais, dito pela televisão, ele tem uma posição pessoal. Mas os deputados do meu partido vão apoiar a governabilidade”, justifica José Múcio, que ontem se reuniu com o presidente no Palácio do Planalto (leia mais na página 4). Para manter a pasta do Turismo sob seu comando, os integrantes do PTB lançam mão do argumento de que o PMDB também é um partido rachado ao meio.

“Um grande partido brasileiro tem um pedaço de um lado, um pedaço do outro. Vai caber ao líder do PTB fazer com que a maioria siga uma só orientação, mas sem querer afrontar ninguém”, justifica o líder petebista. Mas a principal esperança está mesmo no prestígio obtido pelo ministro Walfrido Mares Guia junto ao presidente. O petebista é apontado como um dos auxiliares preferidos de Lula. “O ministro Walfrido dobrou o tamanho do ministério. A maior referência do ministro são os números do ministério, que na gestão dele foi uma coisa fantástica, admirado por todo mundo”, argumenta José Múcio.

Campanha
O recém-criado PR tem idêntica esperança. Aposta na influência no governo do ex-ministro Alfredo Nascimento, que elegeu-se senador e coordenou a campanha de Lula no Amazonas, para reconduzi-lo ao cargo nos Transportes. O partido, porém, também está em situação difícil. Já não conta em seus quadros com o vice-presidente José Alencar, que se transferiu para o PRB.

Depois da eleição, a bancada também encolheu. O partido tem hoje 35 deputados, mas somente 23 foram eleitos em outubro. Não é à toa que o líder do PL na Câmara, Luciano Castro (RR), fala que o desejo do partido é “apenas” manter na cota do partido o
Ministério dos Transportes, um dos maiores orçamentos da Esplanada. “Não nos incomoda ficar só com o Ministério dos Transportes. Não vamos pleitear outro. Não queremos ter egoísmo exagerado”, diz, sem esconder o tom irônico, o líder da nova legenda.

Luciano Castro diz que é natural que os demais aliados trabalhem para tirar o PL a soberania sobre o ministério. O PMDB já cobiça a pasta, que comandou no governo Fernando Henrique Cardoso. “Todos querem ir para o céu, mas poucos serão escolhidos”, ironiza o parlamentar. Como argumento para convencer o presidente, a direção do PR argumenta que os deputados do partido, ainda no PL, foram os mais fiéis da Câmara.

PSB ESPERA SUA VEZ
O vice-líder do governo na Câmara, Beto Albuquerque (PSB-RS), disse ontem que seu partido tem consciência de que merece ganhar mais espaço no governo, principalmente depois do resultado desta eleição, mas garantiu que o partido vai deixar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva livre para fazer suas escolhas na composição do novo governo. “Deixamos o Lula à vontade para que ele diga o que pensa do PSB. Não vamos colocar uma espada na garganta do presidente. Entendemos que o PSB cresceu, ultrapassado a cláusula de barreira, elegendo 27 deputados, três governadores (Ceará, Rio Grande do Norte e Pernambuco). Temos que aumentar nossa presença no governo”, disse. Sem citar nomes, o vice-líder do governo aproveitou para cutucar outros partidos da base aliada, que, segundo ele, não garantem o apoio prometido ao presidente Lula nas votações de matérias importantes no Congresso. “Somos um partido leal, diferente de outros que ficam pipocando”, disse.
análise da notícia

Maratona na mídia
A bancada do PMDB na Câmara luta contra os senadores do partido para ver quem indicará mais ministros. No PP, diante da perspectiva de receber apenas uma pasta, os deputados tentam tirar de cena o senador eleito Francisco Dornelles. No PT, cada corrente interna tenta garantir seu lugar no governo. Tanto acotovelamento tem uma explicação simples. Não há espaço para todo mundo no governo. Usando uma das metáforas futebolísticas tão ao gosto do presidente Lula, nesta hora “quem se desloca recebe, quem pede a bola tem preferência”. É preciso ocupar espaços e apresentar reivindicações. Na melhor hipótese, o grupo ganha a disputa e indica um ministro. Na pior, negocia uma compensação política, que pode estar na diretoria de uma estatal ou em cargo de destaque no Congresso.

Lula fala pouco durante os processos de reforma ministerial. Ouve muito, faz cara de interessado, conversa com alguns interlocutores mais próximos e no final costuma decidir sozinho. Este modelo de escolha favorece as especulações e as plantações entre os aliados. Como o presidente não se movimenta, os partidos apresentam sua pauta de reivindicações, politicamente inflacionada. É hora de pedir três ministérios para ganhar um, ou de falar em oito para ficar com cinco. A tática é de ocupar o máximo de espaço possível na mídia, na esperança de que estes revertam em espaços no ministério. (Gustavo Krieger)

 

 

CORREIO BRAZILIENSE - DF 

POLÍTICA
08/11/2006

 

Renúncia coletiva é descartada

Apesar da sugestão de Dilma Rousseff, o presidente acha desnecessária a saída de todos. Para tentar acomodar os aliados, Lula recebeu no Planalto o governador reeleito Roberto Requião e parlamentares da base

 

Sandro Lima Helayne, Boaventura e Gustavo Krieger
Da equipe do Correio
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu a largada para a montagem do novo ministério ao receber ontem lideranças do PMDB e do PTB. Como sinal de boa vontade, garantiu que no próximo mandato terá um contato estreito com o Congresso. Nos encontros políticos, Lula sinalizou que pretende utilizar as próximas duas semanas para conversas e manter contatos com a base aliada.

Depois disso, definirá quais nomes terão assento na Esplanada dos Ministérios em 2007. O presidente não quer ter pressa na definição dos nomes. Por isso, descartou ontem a idéia de uma renúncia coletiva dos ministros.

Lula não quer ser pressionado de nenhuma forma. O presidente acredita que tal movimento o pressionaria a acelerar a composição do novo ministério. Foi por isso que ele descartou a idéia de renúncia, que chegou a ser articulada pela ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff.

O assunto foi objetivo de discussão no governo. Dilma é entusiasta da idéia, mas outros ministros crêem não ser necessária a renúncia coletiva. Ela ligou ontem para vários ministros para propor a renúncia, mas foi posteriormente desautorizada por Lula. Como há muitos ministros técnicos no governo, não haveria empecilho ou constrangimento político para o presidente Lula efetuar as trocas.

Turbulências
Pastas importantes como a dos Transportes e da Saúde têm no comando secretários-executivos sem força partidária que tornaram-se ministros a partir de abril devido a legislação eleitoral que impedia os titulares de disputarem as eleições no cargo. Uma renúncia coletiva também poderia causar turbulências no mercado financeiro, pois geraria dúvidas sobre o comando da economia.

O tema da renúncia coletiva não foi tratado, garantiram assessores do presidente, durante os encontros de Lula ontem com o governador reeleito do PMDB, Roberto Requião, e com o senador José Maranhão (PMDB-PB). O assunto principal do encontro foi a disputa interna no PMDB e a forma de relacionamento do partido com o governo. O presidente também chamou ontem ao Palácio do Planalto o líder do PTB na Câmara, José Múcio (PE), para discutir a inusitada situação do partido, que tem na presidência o deputado cassado Roberto Jefferson, que denunciou o mensalão e faz oposição dura ao governo.

Articulação
No encontro, Lula reconheceu que errou na articulação com o Congresso e que pretende melhorá-la. “O presidente mostrou-se interessado em fazer reuniões mensais com os líderes partidários, para que nós possamos nos aproximar mais, diminuir essa distância, a largura dessa avenida entre o Palácio e o Congresso”, avisou Negromonte.

Em meio à articulação política, Lula reservou o final do dia para uma longa reunião sobre infra-estrutura com o Dilma Rousseff, o presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, e os ministros dos Transportes,
Paulo Sérgio de Oliveira Passos, e das Minas e Energia, Silas Rondeau. Lula ouviu um relato a respeito do andamento das principais obras, como por exemplo a BR-101 e a Transnordestina, e pediu um trabalho integrado com o Ministério do Meio Ambiente para destravar obras paradas por pendências ambientais.

O presidente prossegue hoje com os contatos com governadores, parlamentares da base aliada e com integrantes da oposição. Ele recebe o governador do Mato Grosso do Sul, Zeca do PT, e o governador reeleito do Mato Grosso, Blairo Maggi. Depois, se encontra com o deputado Jader Barbalho (PMDB-PA). À tarde, Lula se encontra com o governador de São Paulo, Cláudio Lembo (PFL), e com os ministros da Fazenda, Guido Mantega; do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan; e do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel.

NO PALÁCIO
Audiências com governadores hoje:
Zeca do PT (MS)
Brairo Maggi (MT)
Cláudio Lembo (SP)

Viagem à Venezuela no domingo
Sandro Lima
Da equipe do Correio
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva escolheu a Venezuela como seu primeiro destino internacional após reeleger-se no segundo turno. No próximo domingo, Lula viaja para a Venezuela e no dia seguinte participa de uma série de eventos com o presidente Hugo Chávez. Em Ciudad Guayana, local do encontro, um dos principais temas será a construção de uma refinaria de petróleo em Pernambuco, a partir de uma parceria firmada entre a PDVSA, estatal petroleira venezuelana, e a Petrobras. Prevista para entrar em funcionamento, o empreendimento terá investimentos de US$ 2,5 bilhões.

Lula levará na comitiva o governador eleito de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), para tratar do cronograma de obras da construção da refinaria José Inácio de Abreu e Lima, que processará até 200 mil barris diários de petróleo pesado. O nome da refinaria é uma homenagem ao militar brasileiro que lutou junto com Simón Bolívar, herói da independência da América Espanhola no século 19 e ídolo e modelo de Hugo Chávez.

Na Venezuela, Lula também participará da inauguração da segunda ponte sobre o Rio Orinoco, construída pela empreiteira brasileira Odebrecht. A obra integra o corredor de
transportes, que contará com a construção de 166 quilômetros de rodovias e será uma das principais rotas de exportação, que levará Boa Vista e Manaus ao Mar do Caribe. Além dessa obra, a construtora toca mais quatro empreendimentos na Venezuela: duas linhas do Metrô de Caracas, o Metrô de Los Teques, na região metropolitana de Caracas, e o projeto de irrigação El Dilúvio, nas proximidades de Maracaibo.

Ainda este ano, Lula participará, no final de novembro, de uma cúpula entre América do Sul e países africanos, na Nigéria, e nos dias 8 e 9 de dezembro, da 2ª Cúpula da Comunidade Sul-Americana de Nações, em Cochabamba, na Bolívia.

NO EXTERIOR
12 e 13 de novembro
Ciudad Guayana, Venezuela

29 e 30 de novembro
Abuja, Nigéria

8 e 9 de dezembro
Cochabamba, Bolívia
Dinheiro para estados

Bertha Maakaroun
Do Estado de Minas

O relatório preliminar do projeto da Lei Orçamentária Anual, que será apresentado hoje pelo senador Valdir Raupp (PMDB-RO) à Comissão Mista de Orçamento, prevê apenas R$ 3,9 bilhões para a compensação no ano que vem dos estados exportadores, prejudicados pela Lei Kandir, que desonera as exportações. Os governadores reivindicam R$ 10 bilhões. No Orçamento deste ano, foram previstos R$ 5,2 bilhões, considerados insuficientes pelos estados exportadores.

Minas Gerais tem direito a 8,25% do volume total desses recursos. “Ainda não temos previsão para essa compensação”, admitiu ontem, em Belo Horizonte, Valdir Raupp, durante audiência pública da regional Sudeste, que debate com a sociedade a elaboração do Orçamento da União.

Raupp salientou que, a partir de uma reestimativa de receitas, é realista projetar para essa rubrica não muito além dos R$ 5,2 bilhões já definidos no Orçamento de 2006. “Esse volume que estamos trabalhando para alcançar talvez seja insuficiente para a expectativa e a demanda dos estados e municípios exportadores. Mas não temos mais”, disse o peemedebista.

Exportadores
Segundo ele, há um déficit de R$ 7 bilhões a R$ 8 bilhões no Orçamento. Além da complementação da compensação de estados exportadores, não foram previstos recursos para as emendas de bancadas nem para o anunciado redutor de 0,1% dos gastos públicos pelo governo federal, o que corresponderia a cerca de R$ 5 bilhões. “Não temos dinheiro para aumentar as compensações da Lei Kandir”, reiterou Raupp, salientando que após minuciosa análise de custeio e despesas supérfluas, conseguiria cortar no máximo R$ 1 bilhão.

Depois de considerar um “exagero” a reivindicação dos governadores, o presidente da Comissão Mista de Orçamento, deputado federal Gilmar Machado (PT-MG), destacou: “Evidente que os R$ 3,9 bilhões previstos para a compensação está aquém e teremos que melhorar. É razoável uma compensação que fique entre R$ 5 bilhões e R$ 6 bilhões”.
Alckmin avisa que fiscalizará governo

Da Redação
Paulo Liebert/AE - 4/11/06
Alckmin acompanhará com lupa o segundo mandato de Lula


O candidato derrotado do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, pôs fim ontem a uma reclusão de oito dias, após o segundo turno da eleição, e avisou que pretende ter papel de destaque na oposição no segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Durante os dias de recolhimento — parte deles em Pindamonhangaba (SP), sua cidade natal —, o tucano começou a organizar por tema todas as promessas feitas pelos candidatos durante a campanha.

A idéia de Alckmin é acompanhar com lupa o segundo mandato de Lula e exercer uma espécie de governo paralelo — para cada ação do presidente, apresentar uma alternativa e mostrar o caminho que seria adotado caso o ocupante do Palácio do Planalto fosse ele próprio, Heloísa Helena (PSol) ou Cristovam Buarque (PDT). “Será uma forma de fiscalização, mas de caráter propositivo”, adiantou o tucano. Outra missão que se impôs é manter-se próximo dos correligionários, a fim de ajudar a reorganizar o PSDB no estado e trabalhar para consolidar o partido como grande força política do país.

Fusão
Os partidos PPS, PMN e PHS marcaram para o próximo dia 19 o congresso extraordinário para oficializar a fusão das três legendas no novo partido Mobilização Democrática (MD). Segundo informou o site do PPS, serão aprovados no encontro o estatuto, o manifesto e o programa do novo partido, que deverá ser legalizado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até o fim deste mês.

O partido nascerá com 27 deputados federais, a sexta bancada da Câmara. Após a oficialização da fusão, a legenda terá o mesmo tempo de televisão dos outros partidos, segundo a legislação eleitoral. Serão 20 minutos semestrais de veiculação partidária e mais 40 minutos de inserções nos intervalos comerciais das redes de televisão. Nos estados também estará garantido o mesmo tempo para a propaganda partidária estadual.

“Nós estamos construindo um projeto para o país; ele está sendo discutido e será apresentado no próximo dia 19. Venho dizendo há muito tempo que há espaço no Brasil para o surgimento de uma nova alternativa política. É com essa perspectiva que nasce a Mobilização Democrática”, afirmou o presidente do PPS, deputado Roberto Freire.

 

 

JORNAL DE BRASÍLIA - DF 

POLÍTICA
08/11/2006

 

Demissão coletiva

Próximo governo de Lula renovará lista de ministros. Atuais ocupantes da pasta já começaram a brigar por um espaço

 

A elaboração do ministério do próximo governo Lula começará em dezembro, com a demissão coletiva dos atuais ocupantes da pasta. Segundo o portal da TV Globo, o presidente vai delegar à ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, a tarefa de conduzir o pedido de demissão coletiva de todos os ministros, nos primeiros dias de dezembro. Logo após esse ato, ele quer anunciar novos nomes até meados do próximo mês.

Ontem, Lula decidiu fazer um apelo aos representantes dos partidos aliados com os quais tem conversado nos últimos dias: que segurem a ansiedade a respeito do espaço que cada um ocupará no governo. A ação do presidente foi motivada pela crescente pressão dos aliados por fatias maiores no novo governo. Depois do PMDB, ontem o PP e o PSB, até então mais comedidos, deram mostras de que também querem um naco maior do poder.

Até o PTB, que ao contrário dos outros, encolheu na eleição do dia 1º, também quer manter a parte da legenda no segundo mandato do presidente. O líder da sigla na Câmara, José Múcio Monteiro (PE), levou, ontem, a Lula "apoio à governabilidade", garantia de fidelidade de cerca de 97% dos 23 deputados eleitos e a insinuação de que a permanência do ministro do Turismo, Walfrido dos Mares Guia, será muito bem-recebida pela nova bancada. Já o líder do PP na Câmara, Mário Negromonte (BA), foi transparente ao dizer o que o partido deseja. "Vamos reivindicar o nosso espaço e estamos analisando isso com a bancada. Vamos querer ampliar", afirmou. Atualmente, a legenda tem o Ministério das Cidades, que conta com orçamento próprio de cerca de R$ 2 bilhões e administra outros R$ 5 bilhões da Caixa Econômica Federal (CEF) destinados ao saneamento.

Indicação será mantida
Negromonte disse que a sigla tem interesse em manter a indicação para o ministério e ainda obter os da Integração Nacional e dos Transportes, gigantes da Infra-Estrutura desejados por todos. "O próprio presidente disse que fará uma coisa justa. É óbvio que ele não vai querer a base insatisfeita" afirmou Negromonte.

O PMDB elegeu 89 deputados – a maior bancada na Câmara – e deverá manter o maior número de senadores. Considera-se candidato natural a ocupar os grandes ministérios, como o da Saúde, Cidades, Integração e Transportes. Mas o PP, que tem menos da metade do que o PMDB (42 deputados e nenhum senador), considera-se no mesmo direito. A agremiação mostra ciúmes. Negromonte disse que reclamará se o PMDB tiver muito mais espaço no Poder Executivo do que os outros partidos da base "É claro que todo mundo vai gritar. Nós vamos gritar." De acordo com Negromonte, o PP perdeu espaço no governo e quer recuperá-lo. Ele contou que o partido tem uma diretoria da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), uma do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) e outra da Petrobras, além do Ministério das Cidades, mas perdeu uma diretoria do IRB-Brasil Re e uma secretaria nacional do Ministério da Saúde.

O PSB tem hoje o Ministério da Ciência e Tecnologia. Quer mais. A legenda apresenta como contrapartida a fidelidade. "Nós achamos que merecemos espaço maior porque sempre fomos fiéis, elegemos 27 deputados e três governadores no Nordeste (de Pernambuco, Eduardo Campos, do Rio Grande do Norte, Vilma Faria, e do Ceará, Cid Gomes)", disse o vice-líder Beto Albuquerque (RS), que acumula também a função de vice-líder do governo. "Nós sempre fomos fiéis, ao contrário desses outros partidos, que vivem pipocando, prometendo votos que não têm."

PT perderá espaço em 2007

Assessores do presidente reafirmaram que o PT perderá espaço na gestão. Essa redução da cota de petistas na administração federal, no entanto, não será do tamanho que os aliados querem. A redução é aceita por parlamentares petistas. Diante do aceno de Lula de ceder até mesmo o Ministério da Saúde para algum peemedebista, os deputados consideram mais importante apoiar as decisões dele e ampliar a base de apoio do governo do que manter cargos nas mãos de membros da legenda.

Para o líder do governo na Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia (PT-SP), a escolha dos ministros é exclusividade de Lula. "Não tenho qualquer opinião sobre isso. O presidente Lula vai montar o ministério que achar apropriado para fazer o melhor governo, independentemente da quantidade de ministros, que serão do PMDB ou de outro partido", afirmou.

"Como o presidente já disse que vai conversar com outros partidos, dependerá dele abrir essa conversa com os partidos ou não. Aí, caberá ao PT dar sua opinião. Mas isso, por enquanto, é apenas uma hipótese. É presumível que ele faça, mas isso, que eu saiba, ainda não aconteceu", acrescentou.

 

 

ESTADO DE MINAS - MG 

POLÍTICA
08/11/2006

 

Renúncia coletiva é descartada

Apesar da sugestão de Dilma Rousseff, presidente acha desnecessária a saída de todos os ministros. Com parlamentares, Lula sinaliza maior aproximação com Congresso Nacional

 

Sandro Lima
Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu a largada para a montagem do novo ministério ao receber ontem líderes do PMDB e do PTB. Como sinal de boa vontade, garantiu que no próximo mandato terá um contato estreito com o Congresso. Nos encontros políticos, sinalizou que pretende usar as próximas duas semanas para conversas e contatos com a base aliada. Depois, escolherá os nomes terão assento na Esplanada dos Ministérios em 2007. O presidente disse que não tem pressa. Por isso, descartou ontem a idéia de uma renúncia coletiva dos ministros.

Segundo relato de um assessor, Lula quer primeiro aguardar a acomodação dos partidos aliados, especialmente o PMDB. Espera que isso ocorra até a primeira quinzena de dezembro. Mas não quer ser pressionado de nenhuma forma. O presidente acredita que tal movimento o levaria a acelerar a composição do novo ministério. Foi por isso que descartou a idéia de renúncia, que chegou a ser articulada pela ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. O assunto foi objetivo de discussão no governo. Dilma é entusiasta da idéia, mas outros ministros crêem não ser necessária a renúncia coletiva. Dilma ligou ontem para vários ministros para propor a renúncia, mas foi posteriormente desautorizada por Lula.

Como há muitos ministros técnicos no governo, não haveria empecilho ou constrangimento político para o presidente fazer as trocas. Pastas importantes como as dos Transportes e da Saúde têm no comando secretários-executivos sem força partidária e que setornaram ministros a partir de abril, devido a legislação eleitoral que impedia os titulares de disputarem as eleições no cargo. Uma renúncia coletiva também poderia causar turbulências no mercado financeiro, pois geraria dúvidas sobre o comando da economia.

O tema da renúncia coletiva não foi tratado, garantiram assessores do presidente, durante os encontros de Lula com o governador reeleito Roberto Requião (PMDB), e com o senador José Maranhão (PMDB-PB). O assunto principal do encontro foi a disputa interna no partido e a forma de relacionamento do partido com o governo. O presidente também chamou ontem ao Palácio do Planalto o líder do PTB na Câmara, José Múcio (PE), para discutir a inusitada situação do partido, que tem na presidência o deputado cassado Roberto Jefferson, que denunciou o mensalão e faz oposição dura ao governo.

No encontro, Lula reconheceu que errou na articulação com o Congresso e que pretende melhorá-la. “O presidente mostrou-se interessado em fazer reuniões mensais com os líderes partidários, para que nós possamos nos aproximar mais, diminuir essa distância, a largura dessa avenida entre o Palácio e o Congresso”, disse José Múcio, que garantiu apoio do partido à governabilidade.

DISPUTA Além de tratar do apoio do partido ao governo, o líder do PTB defendeu a manutenção do Ministério do Turismo com o partido. “O ministro Walfrido Mares Guia dobrou o tamanho do ministério. A maior referência do ministro são os números do ministério, que na gestão dele foi uma coisa fantástica, admirado por todo mundo”, argumenta José Múcio. Os petebistas vivem uma situação delicada em um momento crucial do relacionamento com o governo. São comandados pelo oposicionista de carteirinha Roberto Jefferson. Por isso, sonham em pelo menos manter sob a batuta de Walfrido a pasta do Turismo. O novo PR, fruto da fusão do PL e do Prona, também se movimenta para garantir pelo menos o
Ministério dos Transportes, alvo de cobiça do PMDB. O PR sposta na influência no governo do ex-ministro Alfredo Nascimento, que se elegeu senador e coordenou a campanha de Lula no Amazonas, para reconduzi-lo ao cargo nos Transportes. O partido, porém, também está em situação difícil. Já não conta em seus quadros com o vice-presidente José Alencar, que se transferiu para o PRB. (Com Helayne Boaventura e Gustavo Krieger)

 

 

DIÁRIO DO PARÁ - PA 

BRASIL HOJE
08/11/2006

 

Lula recebe hoje Jader e Ana Júlia

Governo Federal traça mapa de obras que devem ser aceleradas, entre as quais, a hidrelétrica de Belo Monte

 

Em reunião com ministros da área de infra-estrutura, além da chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, e do presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, o presidente Lula começou ontem a traçar um mapa de obras que devem ser aceleradas, para possibilitar um maior crescimento em 2007. Lula quer saber a situação de cada ministério e se as metas até o fim deste ano serão cumpridas. Ele decidiu estender a todas as pastas o mapeamento iniciado pela área de infra-estrutura. Na reunião de ontem também estavam os ministros de Minas Energia, Silas Rondeau, e o dos Transportes, Paulo Sérgio Oliveira Passos.

Lula pediu que todos entrem em contato com as autoridades ambientais, como a ministra Marina Silva e dirigentes do Ibama, para se inteirar da situação dos estudos ambientais e da possibilidade de acelerar essas análises. Há obras paradas ou que sequer começaram.

Foram discutidas obras como em vários trechos da BR-101 e a construção de gasodutos. Há projetos parados, como a da construção da hidrelétrica do Rio Madeira, a hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, e até o projeto de transposição do Rio São Francisco. Lula ainda se reuniu com o ministro da Previdência, Nelson Machado, para tratar de outro grave problema de gestão: o déficit previdenciário. O presidente está preocupado com a paralisia de obras que pode afetar o desenvolvimento, caso o país cresça 5% em 2007, como deseja o governo. Um dos setores avaliados foi o das
rodovias.

ALIADOS - Lula tem hoje uma maratona de encontros com ministros e com aliados, como o deputado federal Jader Barbalho (PMDB), a governadora eleita do Pará, Ana Júlia Carepa (PT), e os governadores de Mato Grosso do Sul, José Orcírio, o Zeca do PT, e do Mato Grosso, Blairo Maggi. Também se encontrará com o governador de São Paulo, Cláudio Lembo (PFL). (BRASÍLIA-DF - AG)
Cristiane Jungblut

 

 

DIÁRIO DO PARÁ - PA 

BRASIL HOJE
08/11/2006

 

Governo não consegue acordo

 

BRASÍLIA-DF (Folhapress) - Após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governo sofreu a primeira derrota na tentativa de destrancar a pauta de votação da Câmara dos Deputados. A pauta estava trancada por dez medidas provisórias. A intenção dos parlamentares da base aliada era votar todas as dez MPs que trancam a pauta da Câmara.

Mas só uma foi aprovada ontem: a MP que abre um crédito extraordinário de R$ 698,79 milhões para os Ministérios dos Transportes, do Desenvolvimento Agrário e da Integração Nacional. A votação da segunda MP -chamada de pacote cambial- foi adiada porque o relator original Carlito Merss (PT-SC) está em viagem ao exterior. O sub-relator, deputado Vignatti (PT-SC), pediu um prazo maior para apresentar o seu parecer. Com isso, a pauta voltou a ser trancada.

A expectativa da base aliada é que a votação seja retomada hoje. Mas o governo deve enfrentar dificuldade para votar a terceira MP da pauta: a que trata do reajuste dos aposentados que ganham acima de um salário mínimo. A oposição insiste em elevar o reajuste proposto para 16,6%. O governo só aceita conceder 5,01%. Nos bastidores, os parlamentares dizem que a votação da segunda MP -pacote cambial- foi adiada porque o governo quer ganhar tempo para construir maioria e conseguir votar a MP do reajuste dos aposentados. Para o presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP), o resultado de ontem não foi um “fracasso”. “Avançamos com a votação de uma MP. Para mim, é impossível é uma palavra estúpida.”

 

 

CORREIO POPULAR – SP 

BRASIL
08/11/2006

 

Reunião define ações na área de infra-estrutura

Lula despachou ontem com os ministros do setor, mas ninguém falou sobre o encontro

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu ontem com os ministros da área de infra-estrutura Silas Rondeau (Minas e Energia) e Paulo Sérgio Oliveira Passos (Transportes), além da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, e o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli. Após o encontro, nenhum dos participantes deu declarações sobre os temas discutidos no encontro, durante o qual fizeram um balanço das ações do governo no setor.

A reunião deu início a uma série de conversas para estabelecer prioridades em obras de infra-estrutura no País. Essa preocupação foi tema, anteontem, da reunião de coordenação política, no Palácio do Planalto. Ainda nesta semana, o presidente deve se encontrar com os ministros do Meio Ambiente, Marina Silva, e dos Transportes,
Paulo Sérgio Oliveira Passos, para tratar do mesmo assunto.

Lula também recebeu ontem as credenciais de novos embaixadores e o Comandante da Aeronáutica, Luiz Carlos da Silva Bueno, que deverá ser mantido no cargo, depois da crise nos aeroportos. (AE)

 

 

DIÁRIO DO POVO - PI 

NACIONAL
08/11/2006

 

Lula perde outra na Câmara

 

Brasília - Após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governo sofreu a primeira derrota na tentativa de destrancar a pauta de votação da Câmara dos Deputados. A pauta estava trancada por dez medidas provisórias. A intenção dos parlamentares da base aliada era votar todas as dez MPs.

Mas só uma foi aprovada ontem: a MP que abre um crédito extraordinário de R$ 698,79 milhões para os Ministérios dos Transportes, do Desenvolvimento Agrário e da Integração Nacional. A votação da segunda MP —chamada de pacote cambial— foi adiada porque o relator original Carlito Merss (PT-SC) está em viagem ao exterior. O sub-relator, deputado Vignatti (PT-SC), pediu um prazo maior para apresentar o seu parecer. Com isso, a pauta voltou a ser trancada.

A expectativa da base aliada é que a votação seja retomada hoje (08). Mas o governo deve enfrentar dificuldade para votar a terceira MP da pauta: a que trata do reajuste dos aposentados que ganham acima de um salário mínimo. A oposição insiste em elevar o reajuste proposto para 16,6%. O governo só aceita conceder 5,01%.

 

 

CORREIO DA BAHIA - BA 

PODER
08/11/2006

 

PP briga por mais espaço

 

BRASÍLIA - O líder do PP na Câmara, Mário Negromonte (BA), afirmou ontem que o partido reivindicará mais espaço no segundo mandato do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva. Atualmente, a legenda ocupa o Ministério das Cidades, mas tem a ambição de aumentar a cota. “Vamos reivindicar o nosso espaço e estamos analisando isso com a bancada. Vamos querer ampliar”, afirmou. Negromonte disse que a sigla tem interesse em manter a indicação para o ministério e ainda obter os da Integração Nacional e dos Transportes.

“O próprio presidente disse que fará uma coisa justa. É óbvio que ele não vai querer a base insatisfeita”, disse. Segundo o líder do PP na Câmara, a agremiação não pensa em deixar a base de apoio. “Não se cogita isso. Não passa pela nossa cabeça sair da base”. Negromonte afirmou, no entanto, que os partidos aliados reclamarão, se o PMDB tiver muito mais espaço no governo do que as outras legendas da base. “É claro que todo mundo vai gritar. Nós vamos gritar”, afirmou.

 

 

DIÁRIO DO NORDESTE - CE 

NACIONAL
08/11/2006

 

PP luta por mais espaço e cobra 3 pastas no governo

 

Brasília - Para contentar o PP, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terá que ampliar o espaço do partido no governo. O líder da legenda na Câmara, deputado Mário Negromonte (BA), disse ontem que o PP espera triplicar sua participação na Esplanada dos Ministérios no próximo governo do petista. Atualmente, o partido responde pela pasta das Cidades.

Além de manter o ministério que já comanda, o PP também vai pedir outras duas pastas: a Integração Nacional e os Transportes. Esta última também é cobiçada pelo PMDB.

Negromonte, representante do PP nas negociações com o Planalto, disse que Lula terá que levar em conta o tamanho da legenda na distribuição dos cargos. ‘‘Vamos pedir a ampliação (dos cargos). Somos o terceiro maior partido da base aliada. Queremos nosso espaço de acordo com nosso tamanho. A divisão tem que ser per capita’’, afirmou.

Conforme o líder, o interesse do partido é ‘‘permanecer no Ministério das Cidades e ocupar os da Integração Nacional e dos Transportes’’. O PP deve sugerir ao presidente o nome do ex-governador de Santa Catarina Esperidião Amim para ocupar um destes cargos. Amim tem o apoio do senador eleito Francisco Dornelles (PP-RJ) e também da líder do PT no Senado, Ideli Salvati (SC). Os dois teriam um acordo de troca de apoio nas eleições municipais de Santa Catarina em 2008.

 

 

TRIBUNA DO BRASIL - DF 

BRASIL
08/11/2006

 

Governo de coalizão e loteamento

 

Autor: Washington Sidney
Algo está errado na política brasileira. O presidente Lula ainda comemora a reeleição e os partidos aliados já apresentam a fatura. O PMDB, que emergiu das urnas como o grande vencedor - emplacou sete governadores, a maior bancada na Câmara e possivelmente a maior também no Senado, caso Roseana Sarney e Edison Lobão venham a se filiar à sigla –, não faz por menos: exige no mínimo seis ministérios para garantir a governabilidade.

O PP também não esconde o apetite por cargos. O deputado Mário Negromonte (BA) disse ontem que, para contentar a sigla, Lula terá de triplicar o espaço da agremiação no governo. O partido responde hoje pela Pasta das Cidades, mas quer também, além do ministério que já comanda, o dos Transportes e o da Integração Nacional. O PTB é mais modesto: contenta-se com a permanência do ministro do Turismo, Walfrido dos Mares Guia.

O fato é que Lula terá muito o que negociar para acomodar tanta gente e não há cargos suficientes para o elevado nível de exigências dos aliados. Corre o risco, portanto, de acabar loteando seu próximo governo e desagradando seu próprio partido, o PT, que terá de ceder espaço para a acomodação dos parceiros de Lula no governo de coalizão.

No meio do quebra-cabeça em que a mudança ministerial acabará se transformando, o grande perdedor será a sociedade. Isso porque o ideal seria um ministério de notáveis, de técnicos especializados em cada setor da máquina, especialmente para aqueles mais críticos, como a Previdência Social, que precisa de mudanças profundas para reverter os seguidos déficits e garantir a aposentadoria de trabalhadores em idade de obter o benefício.

Infelizmente, a exemplo do que vem ocorrendo desde que o País se redemocratizou, o que vai prevalecer na montagem do novo ministério são os interesses de caciques que dominam a cena política. Caso, por exemplo, do senador José Sarney, que se empenha para emplacar a filha Roseana, derrotada na disputa do governo do Maranhão, em uma das Pastas importantes no novo mandato do presidente Lula.

Com isso, por um lado, o presidente garantirá a governabilidade. No entanto, por outro lado, deverá apresentar, no final de seu mandato, resultados pífios do ponto de vista das grandes demandas da sociedade. Porque a função do Estado é servir à sociedade e não a grupos que tratam da coisa pública de uma forma patrimonialista, usando a máquina administrativa para contemplar interesses pessoais e políticos de grupos.

Fonte : Tribuna do Brasil

 

 

DIÁRIO DA MANHÃ - GO 

POLÍTICA
08/11/2006

 

Partidos cobram espaço

Líderes assumem publicamente briga por cargos

 

Da Agência O Globo, de Brasília
Os partidos da base aliada – inclusive os protagonistas do escândalo do mensalão – assumiram ontem, publicamente, a cobrança por cargos no segundo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Enquanto Lula recebia, em audiência no Planalto, o líder do PTB na Câmara, José Múcio Monteiro (PE), para discutir a governabilidade neste segundo mandato, o líder do PP, deputado Mário Negromonte (BA), avisava que o partido reivindicará a ampliação de seu espaço na Esplanada dos Ministérios, principalmente se o PMDB for agraciado com 6 ministérios.

Reivindicará não, gritará por cargos, disse o líder. “O próprio presidente já disse que vai rever (o Ministério) e que vai fazer uma coisa justa. É lógico que ele não vai querer nenhum partido da base insatisfeito. Todo mundo vai gritar, nós iremos gritar”, avisou Negromonte, afirmando ter a chancela do partido para a interlocução com o presidente Lula e que já recebeu sinais de que o encontro acontecerá em breve.

Neste encontro, ainda não marcado, o líder do PP defenderá o que chamou de princípio da proporcionalidade: se um partido com 80 (PMDB) deputados tem direito a 6 ministérios, o PP que elegeu 41 deve ficar com três. Hoje o PP comanda o Ministério das Cidades – um dos mais cobiçados – e tem três cargos no segundo escalão, mas chegou a ter cinco. Negromonte afirmou que o desejo é ampliar tanto os cargos no primeiro como no segundo escalão.

E pleiteia os Ministérios da Integração Nacional e dos Transportes. “Vamos reivindicar nossos espaços, atentos à proporcionalidade”, acrescentou. Disposto a se aproximar dos partidos aliados para consolidar uma maioria consistente no Congresso, Lula começou as negociações para a composição do novo governo justamente com o líder do PTB, partido do ex-deputado Roberto Jefferson, que denunciou no primeiro semestre de 2005 o escândalo do mensalão.

O encontro se deu uma semana depois de Jefferson ter reassumido a presidência do partido, formando uma Executiva com pessoas de sua confiança. O líder José Múcio, no entanto, disse a Lula que independentemente de Jefferson, que é contra o governo, ele terá o apoio integral da bancada petebista no Congresso.

“O presidente do meu partido é uma posição política, mas ele respeita a posição da bancada. Pelo menos 95% dos deputados eleitos colaboraram com ele (Lula). Nosso espírito é de cooperação. Queremos ser parceiros na governabilidade.”

 

 

O ESTADO DO MARANHÃO - MA 

POLÍTICA
08/11/2006

 

Partidos da base aliada cobram cargos no segundo governo Lula

Líderes dizem que apoio no Congresso deve ter reflexos no novo ministério

 

BRASÍLIA - Os partidos da base aliada - inclusive os protagonistas do escândalo do mensalão - assumiram ontem, publicamente, a cobrança por cargos no segundo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Enquanto Lula recebia, em audiência no Planalto, o líder do PTB na Câmara, José Múcio Monteiro (PE), para discutir a governabilidade neste segundo mandato, o líder do PP, deputado Mário Negromonte (BA), avisava que o partido reivindicará a ampliação de seu espaço na Esplanada dos Ministérios, principalmente se o PMDB for agraciado com seis ministérios. Reivindicará não, gritará por cargos, disse o líder.

“O próprio presidente já disse que vai rever (o Ministério) e que vai fazer uma coisa justa. É lógico que ele não vai querer nenhum partido da base insatisfeito. Todo mundo vai gritar, nós iremos gritar”, avisou Negromonte, afirmando ter a chancela do partido para a interlocução com o presidente Lula e que já recebeu sinais de que o encontro acontecerá em breve.

Neste encontro, ainda não marcado, o líder do PP defenderá o que chamou de princípio da proporcionalidade: se um partido com 80 deputados (PMDB) tem direito a seis ministérios, o PP, que elegeu 41 deve ficar com três. Hoje, o PP comanda o Ministério das Cidades — um dos mais cobiçados — e tem três cargos no segundo escalão, mas chegou a ter cinco. Negromonte afirmou que o desejo é ampliar tanto os cargos no primeiro e no segundo escalões. E pleiteia os ministérios da Integração Nacional e dos Transportes.

Negociações

Disposto a se aproximar dos partidos aliados para consolidar uma maioria consistente no Congresso, Lula começou as negociações políticas para a composição do novo governo justamente com o líder do PTB, partido do ex-deputado Roberto Jefferson, que denunciou no primeiro semestre de 2005 o escândalo do mensalão.

O encontro se deu uma semana depois de Jefferson ter reassumido a presidência do partido, formando uma Executiva com pessoas de sua confiança. O líder José Múcio, no entanto, disse a Lula que, independentemente de Jefferson, que é contra o governo, ele terá o apoio integral da bancada do partido no Congresso. “O presidente do meu partido é uma posição política, mas ele respeita a posição da bancada. Pelo menos 95% dos deputados eleitos colaboraram com ele (o presidente Lula). O nosso espírito é de cooperação. Queremos ser parceiros na governabilidade”, disse Múcio.

O líder negou que ele e Lula tenham conversado sobre ministérios e disse que o acordo com Jefferson é de não pleitear cargos. Sobre a permanência do ministro do Turismo, Walfrido dos Mares Guia, que se licenciou para fazer campanha para Lula em Minas Gerais, José Múcio disse que ele por si só se referenda para ficar: “Quem sustenta o Walfrido são os números recordes do Turismo. O presidente Lula não o vê como um ministro do PTB, e sim como grande ministro”. Na próxima semana, José Múcio deverá retornar ao Palácio do Planalto, desta vez acompanhado pelos deputados e senadores do PTB, que irão em peso manifestar apoio ao governo.

Rechançando a tese da proporcionalidade e certo da cobiça sobre a pasta dos Transportes, o líder do novo Partido Republicano (fusão do PL com o Prona), Luciano Castro (RR) avisa que o desejo da bancada é de manter-se à frente dela: “Não nos incomoda ficar somente com o
Ministério dos Transportes. Não chegaríamos ao grau de exigência de pedir mais ministérios”, ironizou o líder. Segundo Castro, o PR tem hoje 25 deputados e deverá chegar a 40 até o início da legislatura. Ele destaca que assim como o PL, o novo PR será um partido leal e defenderá Lula. E a gestão à frente dos Transportes será a razão para manter a pasta sob seu comando.

O PSB diz que é Lula quem avaliará o espaço do partido, mas o líder da bancada, Alexandre Cardoso (RJ), e o vice-líder do governo na Casa, Beto Albuquerque (RS), ressaltam o crescimento do partido nesta eleição: ultrapassou a cláusula de barreira, elegeu 27 deputados e três governadores nordestinos. “Temos que aumentar nosso protagonismo, nossa presença no governo. Somos um partido leal, diferente de outros, que ficam pipocando, prometem apoio e voto e não têm”, afirmou Beto Albuquerque.

Os ministérios mais cobiçados

Ministério dos Tranportes – O atual titular é
Paulo Sérgio Passos (indicação do PL). Pode voltar o senador eleito Alfredo Nascimento (PL), ex-titular da pasta. O cargo é disputado pelo PL e pelo PMDB. O orçamento do ministério para 2007 é de R$ 8,3 bilhões, sendo R$ 5,5 bilhões para investimentos. Principal atividade: obras em rodovias, portos e ferrovias

Ministério das Cidades - O ocupante atual é Marcio Fortes de Almeida (PP). O cargo é disputado pelo PP, PMDB e PT. A pasta tem um orçamento para 2007 de R$ 1,7 bilhão e R$ 1 bilhão em investimentos. Principal atividade: obras em habitação e saneamento, principalmente na administração de recursos do FGTS em parceria (convênios) com estados e municípios.

Ministério da Integração Nacional – O atual ministro é Pedro Brito, indicação de Ciro Gomes (PSB). Disputam o cargo o PSB e o PMDB. Tem para 2007 um orçamento de R$ 1,4 bilhão e R$ 631 milhões para investimento. Principal atividade: transposição do rio São Francisco, projetos de irrigação e convênios com prefeituras principalmente no Nordeste.

Ministério do Desenvolvimento Agrário – O ministro é Guilherme Cassel (PT gaúcho) e são candidatos ao cargo Miguel Rosseto (PT-RS), ex-titular da pasta, e Walter Pinheiro (PT-BA). O orçamento da pasta para 2007 é de R$ 2,9 bilhões, R$ 1,6 bilhão para investimento. Principais atividades: assentamento de sem-terra e Programa de Agricultura Familiar.

Ministério da Saúde - Ocupante atual: Agenor Silva (técnico, indicado pelo PMDB). O orçamento para 2007 é de R$ 45 bilhões. O novo titular deverá ser escolha pessoal de Lula, que tem como nome preferido Ciro Gomes (PSB). Os partidos que disputam o cargo são todos os aliados, do PT ao PL, mas PT, PMDB e PSB têm maiores chances.

Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome – Hoje, é comandado por Patrus Ananias (PT-MG) e terá em 2007 um orçamento de R$ 24 bilhões. O carro-chefe da pasta é o Bolsa-Família.

Ministério da Educação – O ministro atual é Fernanda Haddad (PT, cota pessoal do Lula). A pasta terá em 2007 um orçamento de R$ 24 bilhões. Todos os partidos da base aliada se interessam por essa pasta, que deve continuar com o PT.

 

 

O IMPARCIAL - MA 

POLÍTICA
08/11/2006

 

Morosidade marca retomada de votações na Câmara dos Deputados

 

BRASÍLIA - O plenário da Câmara retomou em ritmo lento a votação das dez medidas provisórias que estão trancando a pauta, impedindo assim que sejam votados outros projetos na Casa. Apenas uma MP foi votada ontem: a Medida Provisória que abriu crédito extraordinário de R$ 698,797 milhões para os ministérios do Transporte, Desenvolvimento Agrário e da Integração Nacional. As votações foram encerradas durante a discussão da MP 315, que trata do pacote cambial. A intenção é votar todas as medidas até esta quarta.

Como o relator da MP 315, deputado Carlito Merss (PT-SC), está em missão oficial fora de Brasília, o novo relator, deputado Vignatti (PT-SC) foi designado e pediu prazo até quarta para elaborar seu parecer. Das MPs que trancam a pauta, a mais polêmica é a que trata do reajuste de 5,01% para as aposentadorias acima de um salário mínimo pagas pela Previdência Social. Na votação desta MP deverá haver embate, já que a oposição quer aprovar um índice de 16,67% para o reajuste das aposentadorias.

Os líderes aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva esperam reverter a derrota do governo na votação em junho na qual foi aprovado o índice de 16,67%, o que obrigou que Lula vetasse o aumento. O presidente poderá testar assim a eficácia de sua base de apoio pós-reeleição na Câmara com a votação desta medida.

 

 

A GAZETA - MT 

POLÍTICA
08/11/2006

 

Fórum debate perspetivas sobre infra-estrutura logística em MT

 

Da Assessoria
Secom/AE

O presidente da Câmara Setorial Temática (CST) da Assembléia Legislativa, José Lacerda questionou ontem representantes do governo federal sobre a morosidade para a manutenção e conclusão de projetos que permitem melhorias na malha viária no Estado. As declarações de Lacerda ocorreram durante o Fórum sobre Infra-Estrutura de Transportes na Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt), promovido pela entidade para discutir as perspectivas ao setor considerando a balança de equilíbrio do governo estadual com saldo positivo nas áreas de alimentos, bebidas e madeira.

O Fórum contou com a participação do coordenador operacional do Plano Nacional de Logística de Transportes, Marcelo Perrupato e Silva, que apresentou o Plano Nacional de Logística para o país em 2007, e representantes da Administração Hidroviária do Tocantins e Araguaia, José Roberto da Infraero/MT e Orlando Fanaia Machado, superintende adjunto do
DNIT.

Lacerda também apresentou sugestões do Grupo de Trabalho da CST para agilizar a retomada de algumas obras nas principais
rodovias do Estado. De acordo com ele, o objetivo da CST foi o de acompanhar as palestras, sugerir e questionar pontos negativos. O presidente da Fiemt, Nereu Pasini, disse que o Fórum significa um alerta às autoridades de Mato Grosso, Congresso Nacional, Senado e Ministérios dos Transportes, para os futuros colapsos no setor com o crescimento de 5% da economia brasileira, prevista para ocorrer dentro do plano de metas do governo federal, em 2007.

 

 

DIÁRIO DE CUIABÁ - MT 

ECONOMIA
08/11/2006

 

Ferrovia e BR-163 retomadas

Garantia foi dada ontem, em Cuiabá, pelo coordenador operacional do Ministério dos Transportes, Marcelo Perrupato

 

MARCONDES MACIEL
Da Reportagem
Dois importantes gargalos da economia mato-grossense, a rodovia BR-163 (Cuiabá-Santarém) e a
Ferrovia Senador Vicente Vuolo (antiga Ferronorte), que estão com suas obras paralisadas há vários anos por falta de recursos, serão retomadas a partir do próximo ano. O anúncio foi feito ontem em Cuiabá pelo coordenador operacional do Plano Nacional de Logística de Transporte do Ministério dos Transportes, Marcelo Perrupato e Silva.

Segundo Perrupato, que apresentou o Plano Nacional de Logística no auditório da Federação das Indústrias do Estado (Fiemt), a confirmação da retomada das obras da ferrovia, que está parada em Alto Araguaia (462 quilômetros ao Sudeste de Cuiabá), será feita hoje durante encontro do governador Blairo Maggi com o vice-presidente da América Latina Logística (ALL) -- multinacional que controla a
Ferrovia Senador Vuolo -- Paulo Basílio.

O representante da ALL deverá apresentar também o nome da empresa contratada para executar o EIA/Rima (Estudo e Relatório de Impacto Ambiental) do traçado dos trilhos até à Capital do Estado.

A construção da
Ferrovia Senador Vuolo tem um custo estimado em cerca de R$ 500 milhões apenas no trecho entre Rondonópolis e Cuiabá. Só para a realização do EIA/Rima são necessários mais R$ 2 milhões. Os trilhos estão parados desde 2002 e podem chegar a Cuiabá num período de cinco a 10 anos, se não faltarem recursos para tocar a obra.

BR-163 -- Considerada uma das obras prioritárias do governo do Estado, já que permitirá a saída da produção estadual via porto de Santarém (PA), a rodovia deverá ter suas obras retomadas pelo
Ministério dos Transportes em 2007.

Até agora, de acordo com Perrupato, já está acertada a pavimentação de um trecho de 380 quilômetros, dos quais 80 quilômetros em território mato-grossense e o restante no estado do Pará. O projeto de asfaltamento será dividido em quatro trechos. O primeiro será de 80 quilômetros e os demais de 100 quilômetros cada um.

Para a implantação desses quatro trechos já estão alocados R$ 350 milhões, aplicados unicamente pelo governo federal.

Perrupato informou que o governo não definiu ainda qual o sistema a ser adotado para o asfaltamento do restante da rodovia, em território paraense. “Os estudos mostram que serão necessários mais R$ 810 milhões para a retomada e conclusão do restante das obras”, revela o representante do
Ministério dos Transportes.

Ele disse que enquanto não se define se a obra será ‘tocada’ pelo governo, pelo sistema de parceria com a iniciativa privada ou mesmo por meio de licitação pública, o
Ministério dos Transportes deu largada à construção das pontes, que estão sendo implantadas pelo Exército, por meio de batalhões de engenharia de construção. No total são 70 pontes contratadas pelo Exército, sendo que 17 delas já estão com obras em andamento.

Estudos realizados pelo Instituto Militar de Engenharia apontam que as obras da BR-163 deverão estar concluídas num período de três anos, ou seja, se retomadas no próximo ano, em 2010.

OUTROS PROJETOS -- O coordenador operacional do Plano Nacional de Logística de Transporte revelou que o
Ministério dos Transportes tem outros projetos estratégicos para Mato Grosso, como o apoio à pavimentação das MTs 242 e 235 e das BRs 158 e 364, esta última ligando Cuiabá a Porto Velho.

“Vamos ter uma participação decisiva na implantação de muitos trechos dessas
rodovias. Já existe um planejamento que prevê ações em rodovias estratégicas para o desenvolvimento de Mato Grosso”, reforça Perrupato. (Veja mais na página C2)

 

 

DIÁRIO DE CUIABÁ - MT 

ECONOMIA
08/11/2006

 

Sinfra anuncia rodovia Leste-Oeste para MT

Obra terá mais de mil quilômetros e ligará Noroeste de MT à BR-158

 

MARCONDES MACIEL
Da Reportagem
O secretário de Infra-estrutura do Estado (Sinfra), Vilceu Marchetti, anunciou ontem que uma das prioridades do governo para o setor de transporte, em 2007, será a pavimentação da rodovia Leste-Oeste, numa extensão de 1,05 mil quilômetros, ligando a MT-242 à BR-158. A rodovia sai de Comodoro, na região Noroeste do Estado, e passa por Campos de Júlio, Sapezal, Campo Novo, São José do Rio Claro, Nova Mutum, Trivelato, Gaúcha do Norte e Querência, até o entroncamento da BR-158.

Segundo Marchetti, vários trechos já estão pavimentados, totalizando 250 quilômetros. Ele acredita que serão necessários R$ 300 milhões para a conclusão do projeto.

“Estamos em entendimento com o
Ministério dos Transportes, a fim de corrigir alguns traçados da rodovia, de modo a torná-la mais eficiente”, explica.

O secretário informou que a Leste-Oeste é a obra rodoviária mais importante do governo nos próximos anos, destacando sua função de interligar as principais regiões produtores do Norte de Mato Grosso às BRs 163 e 158. “[A rodovia] será a principal alternativa para a saída dos nossos produtos”, acredita Marchetti.

OUTRAS OBRAS -- Além da rodovia Leste-Oeste, o governo do Estado pretende priorizar também os consórcios rodoviários, em parceria com os produtores. Ele informou que os 36 consórcios em andamento, totalizando cerca de mil quilômetros de asfalto, deverão ser concluídos no atual governo.

Marchetti anunciou ainda a pavimentação de um trecho de 50 quilômetros entre Guarantã do Norte e a divisa com o Pará, num total de R$ 32 milhões, asfaltamento de 220 quilômetros no trecho Ribeirão Cascalheira-entroncamento de São Félix e ainda 262 quilômetros da rodovia MT-242 com a divisa do Pará. Este último será licitado no próximo ano. Já a duplicação do trecho da Serra de São Vicente, no valor de R$ 16 milhões deverá estar concluída em 2007.

 

 

DIÁRIO DE CUIABÁ - MT 

ARTIGOS
08/11/2006

 

BOA

 

O anúncio, por parte do coordenador operacional do Plano Nacional de Logística de Transporte do Ministério dos Transportes, Marcelo Perrupato e Silva, de que no ano que vem serão retomadas as obras da BR-163 e da Ferrovia Senador Vicente Vuolo (antiga Ferronorte).

 

 

CORREIO DO ESTADO - MS 

POLÍTICA
08/11/2006

 

Sem consenso, bancada adia decisão sobre emendas

 

Dois pedidos de emendas parlamentares fizeram com que a bancada federal sul-mato-grossense adiasse para o dia 28 de novembro a decisão sobre as emendas de bancada que serão apresentadas ao Orçamento Geral da União de 2007. Uma, de autoria do DNIT/MS (Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transporte), pede R$ 23 milhões para a BR-163. A outra, da Procuradoria-Geral da República (PGR), solicita R$ 12 milhões para compra de sua sede em Campo Grande. Os pedidos foram feitos diretamente ao coordenador da bancada, senador Juvêncio César da Fonseca (PSDB).

Outras definições da reunião – que teve a presença dos oito deputados federais, um senador (Fonseca), o governador eleito André Puccinelli e o deputado eleito Waldir Neves (PSDB) – foram sobre os critérios a serem adotados para cada emenda e que o senador continuará na coordenação da bancada até 31 de janeiro do próximo ano, quando termina o seu mandato e tomam posse os eleitos este ano.

Em relação aos critérios, ficou acertado que cada parlamentar e o Governo do Estado ficarão responsáveis por uma emenda e meia, totalizando 18 emendas de bancada, como determina o regimento do Congresso Nacional. Entretanto, os detalhes sobre áreas de investimentos, obras a serem realizadas e valores ficaram para o dia 28. "Nós marcamos a próxima reunião para que a gente possa definir em consenso as emendas de bancada que possam ser oferecidas. Isso em consonância também com os interesses de Mato Grosso do Sul, através do governador eleito André Puccinelli. Não chegamos ainda a valores e sobre que obras incidem essas emendas. Na próxima reunião será tudo definido", enfatizou Juvêncio da Fonseca.

A indefinição ocorreu quando a bancada discutiu dois pedidos de emenda. O do
DNIT refere-se R$ 23 milhões para a conclusão das obras do anel viário em Dourados (da Embrapa até Vila Vargas). O outro é para atender a PGR, no valor de R$ 12 milhões. O coordenador da bancada perguntou a Puccinelli se o Governo teria interesse em ser o autor destas emendas. Puccinelli solicitou prazo até hoje para dar uma resposta, uma vez que não conhecia em detalhes os pedidos, mas destacou: "Não quero decidir nada sozinho. Fico aqui até quinta-feira para conversarmos", enfatizou o governador eleito. Após este pedido de prazo, a bancada resolveu agendar a próxima reunião para o dia 28 deste mês. "Fiquei satisfeito com a reunião da bancada. Todos foram, por si só, magnânimos para com o Estado, com o Governo estadual que, sem sombra de dúvidas, compatibiliza suas idéias com as idéias da bancada federal", disse Puccinelli após a reunião. (CS)

 

 

HOJE EM DIA - MG 

NAIRO ALMÉRI
08/11/2006

 

Requião disputa infra-estrutura

 

O governador reeleito do Paraná, Roberto Requião (PMDB), levou para audiência, ontem, com Lula pedido de uma pasta que seu partido conhece bem: Ministério do Transporte. Como cartão de visita, o governador oferece o testemunho de uma malha rodoviária estadual remodelada em seu estado, sem precisar privatizar a concessão nem abrir PPPs (Participação Público-Privada).

Sem fazer defesa ao pleito de Requião, a verdade é que ele deu às principais
rodovias do Paraná qualidade de Primeiro Mundo, para a média do que existe no Brasil.

A reforma da rodovia que liga São José dos Pinhais (Grande Curitiba) a São Bento do Sul, em Santa Catarina, por exemplo, recebeu aglomerados de pneus na massa asfáltica, melhorando a sua durabilidade e a aderência dos pneus. Além disso, nessa mesma rodovia, à noite, a sinalização (vertical e horizontal) dá aos motoristas visibilidade segura.

 

 

GAZETA DO POVO – PR 

PARANÁ
08/11/2006

 

Lula pede a partidos que controlem a ansiedade

 

Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu fazer um apelo aos representantes dos partidos aliados com os quais tem conversado nos últimos dias: que segurem a ansiedade a respeito do espaço que cada um vai ocupar no governo Lula tem repetido que não escolherá o Ministério neste mês e que não deverá anunciar a equipe de uma vez só, mas por conta-gotas, porque sabe que as escolhas vazarão mesmo.

Ao receber ontem o governador reeleito do Paraná, Roberto Requião (PMDB), o senador José Maranhão (PMDB-PB) e o líder do PTB na Câmara, José Múcio Monteiro (PE), em audiências separadas, Lula repetiu que todo mundo terá espaço no seu governo. Mas não quer ver ninguém ansioso. Até informou que a partir de agora pretende fazer uma reunião mensal com os partidos aliados para ouvi-los sobre o que ocorre no Congresso e suas reivindicações. “Isso é muito bom para aproximar o governo da base. Sempre defendemos isso”, disse José Múcio.

De acordo com informação de auxiliares do presidente Lula, ele não pretende fazer com que sua equipe renuncie coletivamente, para abrir espaço aos novos aliados que chegarem. Aos poucos, Lula dirá a cada um deles que pretende mantê-lo no cargo ou dispensá-lo. Neste último caso, agradecerá pela dedicação. Também ontem auxiliares de Lula reafirmaram que o PT perderá espaço no governo.

Essa redução da cota de petistas no governo, no entanto, não será do tamanho que os aliados querem. Um outro assessor do presidente da República chegou a brincar com o assunto. Disse que se o governo decidir atender aos partidos aliados da forma como estão reivindicando espaço, Lula terá de criar pelo menos mais 30 ministérios.

Pelo menos da boca para fora, parlamentares petistas dizem que a decisão está nas mãos do presidente e se mostraram conformados em perder espaço, em nome da governabilidade. Para o deputado Arlindo Chinaglia, a escolha dos ministros é exclusividade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Não tenho qualquer opinião sobre isso. O presidente Lula vai montar o ministério que achar apropriado para fazer o melhor governo, independente da quantidade de ministros que será do PMDB ou de outro partido”, afirmou. “Como o presidente já disse que vai conversar com outros partidos, dependerá dele abrir essa conversa com os partidos ou não. Aí caberá ao PT dar sua opinião Mas isso, por enquanto, é apenas uma hipótese. É presumível que ele faça, mas isso, que eu saiba, ainda não aconteceu,” acrescentou.

O deputado José Eduardo Cardozo seguiu na mesma linha. “Acho que o presidente Lula tem total liberdade para compor sua equipe partindo das premissas da competência e da sustentação política do governo”, afirmou.

Os mais cobiçados

Ministério dos Transportes

Ocupante atual:
Paulo Sérgio Passos (indicação do PL)
Pode voltar: senador eleito Alfredo Nascimento (PL), ex-titular da pasta.
Disputam o cargo de ministro: PL e PMDB.
Orçamento/2007: R$ 8,3 bilhões, sendo R$ 5,5 bilhões para investimentos
Principal atividade: obras em
rodovias, portos e ferrovias

Ministério das Cidades

Ocupante atual: Marcio Fortes de Almeida (PP)
Candidatos ao posto: Marta Suplicy (PT) e Roseana Sarney (PMDB)
Partidos que disputam o cargo: PP, PMDB e PT.
Orçamento/2007: R$ 1,7 bilhão; R$ 1 bilhão em investimentos
Principal atividade: obras em habitação e saneamento, principalmente na administração de recursos do FGTS em parceria (convênios) com estados e municípios.

Ministério da Integração Nacional
Ocupante atual: Pedro Brito, indicação de Ciro Gomes (PSB)
Candidatos ao cargo: indicações políticas de Ciro ou do PMDB.
Disputam o cargo: PSB e PMDB
Orçamento/2007: R$ 1,4 bilhão; R$ 631 milhões investimento.
Principal atividade: Transposição do S. Francisco, projetos de irrigação e convênios com prefeituras principalmente no Nordeste.

Ministério do Desenvolvimento Agrário

Ocupante atual: Guilherme Cassel (PT gaúcho)
Candidatos ao cargo: Miguel Rosseto (PT-RS), ex-titular da pasta; e Walter Pinheiro (PT-BA)
Partido que disputa o cargo: tendências do PT.
Orçamento/2007: R$ 2,9 bilhões; R$ 1,6 bilhão para investimento.
Principal atividade: Assentamento de sem-terra e Programa de agricultura Familiar.

Fora do jogo político

Ministério da Saúde

Ocupante atual: Agenor Silva (técnico, indicado pelo PMDB)
Orçamento/2007: R$ 45 bilhões
Novo titular deverá ser escolha pessoal de Lula, que tem como nome preferido Ciro Gomes (PSB);
Partidos que disputam o cargo: todos os aliados, do PT ao PL, mas PT, PMDB e PSB têm maiores chances.

Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome

Ocupante atual: Patrus Ananias (PT-MG)
Orçamento/2007: R$ 24 bilhões
Carro-chefe: Bolsa Família
Sem candidatos declarados ao posto.

Ministério da Educação

Ocupante atual: Fernanda Haddad (PT, cota pessoal do Lula)
Orçamento/2007: R$ 24 bilhões
Interessados: todos da base aliada, mas deve ficar com o PT.

 

 

DIÁRIO DE PERNAMBUCO - PE 

POLÍTICA
08/11/2006

 

Primeira derrota na Câmara

 

Brasília - Após a reeleição do presidente Lula, o governo sofreu a primeira derrota na tentativa de destrancar a pauta de votação da Câmara. A pauta estava trancada por dez medidas provisórias. A intenção dos parlamentares da base aliada era votar todas as dez MPs que trancam a pauta da Câmara. Mas só uma foi aprovada ontem: a MP que abre um crédito extraordinário de R$ 698,79 milhões para os Ministérios dos Transportes, do Desenvolvimento Agrário e da Integração Nacional. A votação da segunda MP - chamada de pacote cambial - foi adiada porque o relator original Carlito Merss (PT-SC) está em viagem ao exterior.

Mas o governo deve enfrentar dificuldade para votar a terceira MP da pauta: a que trata do reajuste dos aposentados que ganham acima de um salário mínimo. A oposição insiste em elevar o reajuste proposto para 16,6%. O governo só aceita conceder 5,01%. Nos bastidores, os parlamentares dizem que a votação da segunda MP - pacote cambial - foi adiada porque o governo quer ganhar tempo para construir maioria e conseguir votar a MP do reajuste dos aposentados. Para o presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), o resultado de ontem não foi um "fracasso".

O vice-líder do governo da Câmara, Beto Albuquerque (PSB-RS), diz que saiu frustrado da sessão, pois esperava que as votações avançassem. Segundo ele, este é um teste para saber quem está do lado do governo Lula. "A semana é boa para ver quem é governo e quem é oposição." De manhã, os parlamentares da base aliada diziam que tentariam votar todas as MPs mesmo sem acordo com a oposição. O líder do PSB na Câmara, deputado Alexandre Cardoso (RJ), chegou a dizer que apostava no bom senso da oposição. "Nós vamos enfrentar, podemos perder ou ganhar."

Senado - A exemplo da Câmara dos Deputados, o Senado retomou os trabalhos ontem de forma tímida depois de mais de três meses em recesso branco. Os senadores não conseguiram colocar em votação a lei geral das micro e pequenas empresas - primeiro item da pauta de votações do Senado. Os senadores votaram, apenas, mensagens presidenciais indicando diplomatas para exercerem cargos de embaixadores do Brasil na Noruega, Islândia, Cingapura, Bahamas e Zâmbia.

Na tentativa de colocar em votação a lei geral, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), marcou reunião de líderes hoje com a presença do ministro da Fazenda, Guido Mantega. O objetivo de Renan é garantir que a matéria seja votada hoje.

 

 

 

CORREIO DO POVO - RS 

POLÍTICA
08/11/2006

 

PP briga por mais cargos na administração federal

 

O líder do PP na Câmara, deputado Mário Negromonte, disse ontem que o partido reivindicará espaços no governo. O PP, que elegeu 41 parlamentares, deu sinais de que irá reclamar se o PMDB ganhar mais cargos na gestão. 'Queremos ampliar as bancadas que temos e estamos atentos à proporcionalidade dos partidos no governo', afirmou. O PP pretende manter o Ministério das Cidades e conquistar o da Integração Nacional e o dos Transportes.

 

 

JORNAL DO COMÉRCIO - RS 

ADÃO OLIVEIRA
08/11/2006

 

Transportes

 

Em reunião com a coordenação política do governo Lula deixou claro que pretende reduzir o espaço que deu ao PT no primeiro escalão do governo em seu primeiro mandato. O presidente deseja ampliar a participação do PMDB, partido que já tem três pastas (Minas e Energia, Comunicações e Saúde). O presidente deve oferecer o ministério dos Transportes para o deputado Geddel Vieira.

 

 

ZERO HORA - RS 

POLÍTICA
08/11/2006

 

Ex-ministros devem ficar de fora do governo

Partidos aliados tornam pública exigência por cargos

 

Brasília
Em um dia de intensas articulações políticas no Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu que errou em sua relação com o Congresso nos últimos quatro anos e afirmou que ex-ministros que deixaram o governo para se candidatar não terão vaga no primeiro escalão do segundo mandato petista.

Nas conversas reservadas que manteve com integrantes do PMDB e PTB, o presidente mostrou-se decidido em não trazer de volta à Esplanada aqueles que deixaram o cargo, no final de março passado, para disputar as eleições em seus Estados, como José Fritsch (PT-SC), Miguel Rossetto (PT), Saraiva Felipe (PMDB-MG) e Agnelo Queiroz (PC do B-DF). Lula teria dito que quem deixou o governo para disputar as eleições não volta mais.

A única exceção deve ser Ciro Gomes (PSB), deputado federal eleito no Ceará e ex-ministro da Integração Nacional, cotado para ocupar a pasta da Saúde. Lula disse que montará uma equipe que tenha capacidade administrativa, deixando em segundo plano petistas e candidatos derrotados nos Estados.

Lula pede que aliados contenham ansiedade

Assumindo diretamente as negociações, Lula deu início ontem oficialmente a conversas com representantes de outros partidos para a montagem da base aliada no Congresso e às costuras para a formação da equipe do segundo mandato. Lula decidiu fazer um apelo aos representantes dos partidos aliados com os quais tem conversado: que segurem a ansiedade a respeito do espaço que cada um vai ocupar no governo. Lula tem repetido que não escolherá o Ministério neste mês e que não deverá anunciar a equipe de uma vez só, mas por conta-gotas, porque sabe que as escolhas vazarão mesmo.

Os partidos da base aliada assumiram publicamente a cobrança por cargos. Enquanto Lula recebia no Planalto o líder do PTB na Câmara, José Múcio Monteiro (PE), o líder do PP, deputado Mário Negromonte (BA), avisava que o partido reivindicará a ampliação de seu espaço, principalmente se o PMDB ganhar seis ministérios:

– É lógico que ele (Lula) não vai querer nenhum partido da base insatisfeito. Todo mundo vai gritar, nós iremos gritar.

As jóias da coroa

Ministério dos Transportes

Disputam o cargo: PL, PP, PMDB e PSB

Orçamento de 2007: R$ 8,3 bilhões, R$ 5,5 bilhões para investimentos

Ministério das Cidades

Disputam o cargo: PP, PMDB e PT

Orçamento de 2007: R$ 1,7 bilhão, R$ 1 bilhão em investimentos

Ministério da Integração Nacional

Disputam o cargo: PSB e PMDB

Orçamento de 2007: R$ 1,4 bilhão, R$ 631 milhões investimento

Ministério do Desenvolvimento Agrário

Disputam o cargo: tendências do PT

Orçamento de 2007: R$ 2,9 bilhões, R$ 1,6 bilhão para investimento

 

 

A NOTÍCIA - SC 

GERAL
08/11/2006

 

Duplicação vai ser retomada no lote 29

 

Araranguá
Deve ser retomado ainda este mês o trabalho de duplicação no lote 29 da BR-101, no Sul do Estado. A informação foi repassada ontem pela assessoria do Departamento Nacional de Infra-estrutura e Transportes (
DNIT) em Santa Catarina. A expectativa é de que a empreiteira Triunfo, escolhida para a obra e que já executa um lote na região de Tubarão, consiga recuperar o tempo perdido.

"A empresa já foi comunicada e já aceitou de forma extraoficial. Restam, ainda, alguns trâmites burocráticos que precisam ser acertados, mas o processo está em vias de ser concluído", destaca o diretor do
DNIT em Santa Catarina, João José dos Santos.

Localizado entre os municípios de Araranguá e Sombrio, o lote 29 está com as obras paralisadas há cinco meses. Em junho, a DM construtora, até então responsável pela duplicação, anunciou a desistência da obra. A empresa alegou dificuldades para obtenção de aterro necessário na preparação da nova pista e retirou máquinas e funcionários da região. De acordo com o
DNIT, o trecho possuiu apenas 1% da obra concluída. Mas, apesar desse atraso, o cronograma da duplicação está mantido e a expectativa é inaugurar a obra em 2008.

Além de agilizar os trabalhos no lote 29, o
DNIT também está preparando uma campanha para conscientizar os motoristas que irão trafegar pela rodovia durante o verão. Além de evitar acidentes, a campanha também pretende alertar motoristas sobre o risco de congestionamentos.

 

 

A NOTÍCIA - SC 

ECONOMIA
08/11/2006

 

Nove MPs emperram a pauta de votações

 

BRASÍLIA
Apesar do esforço do governo, a pauta de votações na Câmara dos Deputados continua trancada. Fracassou ontem a intenção dos deputados da base aliada de liberar a pauta com a votação de dez medidas provisórias. Apenas uma foi aprovada, a que abre um crédito extraordinário de R$ 698,79 milhões para os ministérios dos Transportes, do Desenvolvimento Agrário e da Integração Nacional.

A sessão foi encerrada na segunda MP que trata do pacote cambial, porque o novo relator, Cláudio Vignatti (PT-SC), pediu prazo para elaborar o parecer.

A expectativa da base aliada é de que a votação seja retomada hoje. Mas o governo deve enfrentar dificuldade para votar a terceira MP da pauta: a que trata do reajuste dos aposentados que ganham acima de um salário mínimo.

Os líderes da base ainda não têm segurança de vitória, mas vão tentar reverter hoje a derrota do governo na votação em junho na qual foi aprovado o índice de 16,67% para as aposentadorias da Previdência Social, o que obrigou que Lula vetasse o aumento.

 

 

A NOTÍCIA - SC 

LIVRE MERCADO
08/11/2006

 

Pressão

 

O ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos recebeu em audiência o presidente do porto de São Francisco do Sul, Fernando José Camacho. Em pauta, a liberação dos recursos programados para reforço estrutural do berço 101, que opera com granéis. As obras estão orçadas em R$ 10,382 milhões. Também foram pedidos R$ 22 milhões para viabilizar as obras de realinhamento do berço 201 (carga geral) ampliando-o para 230 metros, calado de 13 metros para ter 6 mil metros quadrados de retroárea.

 

 

DIÁRIO CATARINENSE - SC 

GERAL
08/11/2006

 

Recomeçam obras no lote 29 da 101

Serviços no trecho de 26 quilômetros entre Sombrio e Araranguá devem reiniciar até fim do mês

 

CRISTIANO RIGO DALCIN/ Sombrio
As obras de duplicação da BR-101 no lote 29, que compreende 26 quilômetros entre os municípios de Sombrio e Araranguá, no Sul do Estado, devem recomeçar antes do final do ano. A empreiteira Triunfo, segunda colocada na licitação pública, assina o contrato para reiniciar os serviços no final deste mês.

A previsão é do gerente regional do
Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (DNIT), Avani Aguiar de Sá, já que a construtora Triunfo está presente na região com as obras em andamento no Lote 26, em Tubarão.

- Acho que há condições de mobilizar muito rapidamente as máquinas e o pessoal para aquele local.

A rescisão de contrato com a construtora DM, vencedora da licitação, foi concluída apenas em outubro, um mês após o previsto, pois o processo dependia de análise na procuradoria do
DNIT, em Brasília.

Além de estudar as penalidades impostas à empresa DM, o órgão jurídico examinou os requisitos apresentados pelas outras empresas concorrentes.

A DM havia solicitado a rescisão do contrato em julho.

Até então, apenas 1,5% dos trabalhos previstos havia sido concluído, com 4,7 quilômetros de terraplenagem e 16 quilômetros de obras de drenagem.

Orçado em R$ 103 milhões, o lote 29 prevê a construção de pista dupla entre os quilômetros 411 (Rio Araranguá) e 437 (Rio da Laje), 10 passarelas, oito passagens inferiores, uma ponte, dois viadutos e 42 quilômetros de vias laterais.

 

 

DIÁRIO CATARINENSE - SC 

INFORME ECONÔMICO
08/11/2006

 

Nome de Furlan

 

O catarinense Luiz Furlan disse que não participaria de um segundo mandato de Lula. Mas, depois do excelente trabalho na pasta do Desenvolvimento e de Jorge Gerdau ter declinado de convite, Furlan vem sendo cotado para assumir o Ministério dos Transportes.

É que Lula vê na infra-estrutura um dos principais pilares para o crescimento da economia.

 

 

DCI - SP 

POLÍTICA ECONÔMICA
08/11/2006

 

Ferroanel deve sair do papel no próximo ano

 

PanoramaBrasil
São Paulo - O Ferroanel de São Paulo, sistema ferroviário que deverá ser construído em torno da capital paulista, deve sair do papel no próximo ano, disse o
ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos. Segundo ele, o Ferroanel está incluído nos projetos de destaque do governo federal, que espera a finalização de um estudo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para definir que modelo de investimento será aplicado no projeto.

 

 

DCI - SP 

POLÍTICA
08/11/2006

 

PP anuncia que vai reivindicar mais espaço no governo Lula

 

Letícia Casadoagência estado
O líder do PP na Câmara, deputado Mário Negromonte (BA), disse ontem que seu partido vai reivindicar mais espaço no governo no segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Atualmente, o partido ocupa o Ministério das Cidades. “Estamos analisando isso com a bancada. Vamos querer ampliar”, afirmou.

Ele disse que seu partido tem interesse em manter a indicação para o Ministério das Cidades e ainda obter o Ministério da Integração Nacional e o dos Transportes. “O próprio presidente disse que fará uma coisa justa. É óbvio que ele não vai querer a base insatisfeita”.

Segundo o líder, o partido não pensa em deixar a base de apoio. Ele disse, no entanto, que os partidos aliados vão reclamar se o PMDB tiver muito mais espaço no governo do que os outros partidos da base. O líder disse que seu partido usará o argumento da proporcionalidade. Segundo ele, se um partido tem uma bancada de 80 deputados e ocupa seis ministérios, o PP com uma bancada de 40 poderá ficar com três.

Henrique Meirelles
O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, participou de evento na noite de segunda-feira em um clube paulista e disse que ainda é cedo para falar sobre a sua permanência no cargo. “Não sei o que o presidente decidir”.

 

 

JORNAL PEQUENO - MA 

NACIONAL
08/11/2006

 

Governo sofre derrota e não consegue acordo para votar medidas provisórias

Pauta trancada

 

Brasília – Após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governo sofreu a primeira derrota na tentativa de destrancar a pauta de votação da Câmara dos Deputados. A pauta estava trancada por dez medidas provisórias. A intenção dos parlamentares da base aliada era votar todas as dez MPs.

Mas só uma foi aprovada ontem: a MP que abre um crédito extraordinário de R$ 698,79 milhões para os Ministérios dos Transportes, do Desenvolvimento Agrário e da Integração Nacional. A votação da segunda MP —chamada de pacote cambial— foi adiada porque o relator original Carlito Merss (PT-SC) está em viagem ao exterior. O sub-relator, deputado Vignatti (PT-SC), pediu um prazo maior para apresentar o seu parecer. Com isso, a pauta voltou a ser trancada.

A expectativa da base aliada é que a votação seja retomada hoje. Mas o governo deve enfrentar dificuldade para votar a terceira MP da pauta: a que trata do reajuste dos aposentados que ganham acima de um salário mínimo. A oposição insiste em elevar o reajuste proposto para 16,6%. O governo só aceita conceder 5,01%. Nos bastidores, os parlamentares dizem que a votação da segunda MP —pacote cambial— foi adiada porque o governo quer ganhar tempo para construir maioria e conseguir votar a MP do reajuste dos aposentados.

Para o presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP), o resultado de ontem não foi um “fracasso”. “Avançamos com a votação de uma MP. Para mim, é impossível é uma palavra estúpida.”

O vice-líder do governo da Câmara, Beto Albuquerque (PSB-RS), diz que sai frustrado da sessão, pois esperava que as votações avançassem. “Acho que tinha que avançar para limpar a pauta. O Parlamento não foi feito para construir consenso, mas para ganhar a maioria”.

Diálogo – O presidente Lula sinalizou que está disposto a melhorar o diálogo com o Congresso Nacional em seu segundo mandato, depois de reconhecer que a interlocução com os parlamentares nos primeiros quatro anos de governo não teve a prioridade necessária.

Durante encontro na manhã desta terça-feira com o líder do PTB na Câmara, deputado José Múcio (PE), Lula disse estar disposto a se reunir mensalmente com os líderes aliados em busca de apoio do Congresso aos projetos do Executivo.