RIO
08/12/2006
Reforma em elevado sem data para acabar
Entrega
de obra na Avenida do Contorno, em Niterói, sofre 3 adiamentos e Dnit é
criticado
Depois
de três adiamentos, o Departamento Nacional de InfraEstrutura em Transportes (Dnit) ainda não sabe
quando vai liberar as pistas do Elevado Leopoldina Railway, na Avenida do
Contorno, parcialmente interditado há mais de seis meses para obras de recuperação
estrutural e troca de pavimento.
A reabertura das pistas estava prevista para hoje, mas foi novamente adiada,
provocando protestos, principalmente do setor de turismo e da indústria do
petróleo.
Dnit não se arrisca a
marcar nova data O superintendente do Dnit no Rio, Rodrigo Costa, explicou que os operários
encontraram um imprevisto durante os trabalhos de reforço de um dos dentes que
sustentam as lajes do elevado. O dente teria uma concentração de ferragem e
concreto mais forte que a esperada, exigindo o uso de equipamentos especiais em
sua perfuração.
Ele não quis arriscar um prazo para o fim do trabalho.
— Estamos trabalhando no intuito de ter uma obra com qualidade e segurança.
Infelizmente, tivemos imprevistos com a rigidez do concreto de um dos dentes do
elevado.
Queremos resolver o problema o mais rapidamente possível.
Mas não temos condição hoje de dizer o dia em que as pistas serão liberada e
nem se vamos liberar as duas, ou uma e depois a outra — afirmou.
Ainda de acordo com o superintendente do Dnit, apesar de o prazo contratual com a empreiteira
Geosonda ter se encerrado dia 29 de novembro, o prolongamento das obras não
custará mais caro ao órgão. Os reparos no viaduto, que provocam longos
engarrafamentos nas ruas de Niterói e São Gonçalo, estão orçados em R$ 3,8
milhões.
O prefeito de Rio das Ostras, Carlos Augusto Baltazar, disse que a demora nas
obras da Avenida do Contorno é um desrespeito não só aos motoristas e usuários
de ônibus, como também aos municípios da Costa do Sol, que estão investindo em
infra-estrutura e eventos para atrair turistas e movimentar a economia.
— O comportamento do Dnit é um descaso lamentável. É um caso de irresponsabilidade com a
coisa pública e desrespeito aos usuários da BR-101. A economia das cidades turísticas
está sendo duramente prejudicada pela falta de sensibilidade do Dnit — disse Carlos Augusto
Baltazar
BRASIL
08/12/2006
PP pedirá que Lula tire Fortes de ministério
FÁBIO
ZANINI
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Em reunião que terá com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tratar do
seu espaço no governo na semana que vem, o PP dirá que quer a saída do ministro
das Cidades, Márcio Fortes, do cargo.
O partido deseja manter a pasta e ganhar mais uma, mas não se sente
representado por Fortes, técnico apadrinhado pelo ex-presidente da Câmara
Severino Cavalcanti (PE), que não se reelegeu. Estão na lista de desejos
Transportes, Integração Nacional e Saúde.
Para qualquer uma delas, o PP quer indicar um "desempregado" -um
ex-parlamentar ou um candidato derrotado nas eleições, segundo "Memorando
de Entendimento" assinado pelo presidente da legenda, Nélio Dias, e pelo deputado
Ricardo Barros (PR), que lidera a dissidência na bancada federal.
Na semana passada, deputados federais do partido se reuniram e decidiram que
não se sentem representados por Fortes. O recado que levarão a Lula,
provavelmente na terça, é de que o governo só terá apoio se nomear alguém que
se identifique com a Câmara. Vários parlamentares influentes do PP, que não se
reelegeram, são cotados: Darci Coelho (TO), Leodegar Tiscoski (SC), Júlio Lopes
(RJ) e Feu Rosa (ES).
CIDADE
08/12/2006
O ralo grosso das estradas brasileiras
Áurea
Rangel
O Brasil perde R$ 1,5 bilhão por ano por não conservar suas estradas. A afirmação é do
ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Augusto Nardes. Um dinheiro gordo
que é desperdiçado, em parte, apenas pelo fato de as estradas não contarem, por
exemplo, com serviços eficientes de pesagem de caminhões. Medida simples que
garantiria menos perdas e mais segurança no transporte viário do País. Os recursos
arrecadados pela Contribuição de Intervenção sobre Domínio Econômico (Cide) é
outro triste exemplo de desperdício. Somadas a contribuição recolhida pelas
concessionárias mais os impostos o valor chega a R$ 5,6 bilhões, montante que
deveria ter por destino a conservação das estradas brasileiras. Mas a
verba encalhou no meio do caminho e não chegou a seu destino.
Para tentar contornar o problema e descobrir os gargalos do setor – que incluem
até operações tapa-buraco executadas sem critérios – o Tribunal de Contas
realizou reuniões nos dias 28 e 29 de novembro, em Brasília. Estes encontros
contaram com pesos pesados da gestão federal: a ministra da Casa Civil, Dilma
Rouseff, os ministros dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, e da Cidades, Márcio
Fortes de Almeida, além do presidente da Infraero, José Carlos Pereira, e o
diretor da Agência Nacional de Transportes Terrestres, José Alexandre
Resende
E é mesmo mais do que hora de se pensar no assunto com seriedade. O Brasil
possui cerca de 1,7 milhão de quilômetros de estradas. Malha rodoviária que
só perde, em extensão, para a dos Estados Unidos. Como diria o jornalista
Alexandre Garcia, “quem faz circular riqueza pela buraqueira que são as estradas nacionais é herói”.
Porque estamos falando de um País com 8,5 milhões de quilômetros quadrados que
não pode contar nem com suas estradas e nem com ferroviárias eficientes
porque estas, simplesmente, também não existem.
Não é necessário nenhum artifício técnico mais elaborado para entender que nem
mesmo os investimentos largamente anunciados pelo DNIT com o Pró-sinal – que
visa sinalizar 48 mil quilômetros de rodovias federais, em um total de R$ 278
milhões – darão conta de resolver o problema viário do País, se os
investimentos não forem feitos com critérios. Mas segundo o coordenador-geral
de Operações Rodoviárias do DNIT, Luiz Cláudio dos Santos Varejão, vivemos novos tempos. A
preocupação com a melhoria de materiais e com a tecnologia empregada nestas
soluções hoje são realidade para o órgão, segundo Varejão. O Pró-sinal foi o
primeiro projeto do DNIT que incluiu em edital critérios de qualidade para as empresas
licitantes. Um progresso e tanto para o setor que trabalha ferozmente no
sentido de disciplinar os órgãos públicos e concessionárias sobre as diferenças
técnicas de materiais, durabilidade e segurança que oferecem aos sistema e aos
usuários.
O ministro
dos Transportes, Paulo Passos, e o diretor-geral do DNIT, Mauro Barbosa da
Silva, asseguraram que após as obras deste ano, não serão necessárias novas
operações em 2007: as intervenções de conservação não desencadearão um novo
programa emergencial nas proporções do que está sendo executado este ano. E
isto realmente é necessário para marcharmos adiante. Porque se de tempos em
tempos as estradas precisarem partir do
zero para voltarem a ter condições de tráfego, os investimentos no setor
entrarão por um buraco-negro. Para que a situação não seja recorrente, a idéia
de soluções competentes são pré-requisitos para que estas empreitadas não
tenham uma pífia vida útil, inviabilizando qualquer possibilidade de uma boa
relação custo-benefício e promovendo a desconfiança sobre as verdadeiras
intenções da obra. Se o investimento tem por único objetivo respeitar a vida
dos usuários e das cargas que necessitam destes caminhos, a hora de começar a
fazer bem feito é agora. E já estamos ao menos meio século atrasados.
Áurea Rangel é química, mestre em engenharia de materiais.
EDITORIAL
08/12/2006
O apagão chegou ao trânsito
A
rotina do descalabro a que são submetidos milhões de brasileiros vai além das
zonas conflagradas em que se transformaram os aeroportos. Estende-se adiante do
apagão logístico que, conforme o JB vem radiografando, ameaça ensombrar o
futuro do país pelas deficiências nas rodovias, ferrovias, portos marítimos e hidrovias nacionais. Uma
tragédia igualmente tenebrosa afronta as regiões metropolitanas: É sobretudo
nas grandes cidades que a população enfrenta uma rotina de transtornos,
decorrentes dos constantes engarrafamentos, da péssima oferta de transportes, das vias obstruídas
e da ausência de planejamento urbano adequado.
O Rio de Janeiro tem sido um dos campeões no ranking nacional da desestruturação
da infra-estrutura metropolitana, e o trânsito constitui um dos principais
trunfos para transformar em suplício a vida dos cariocas. Na quarta-feira, um
acidente na Avenida Presidente Vargas exigiu dose extra de paciência dos
motoristas. Uma das pistas ficou interditada durante duas horas.
Quarenta e oito horas antes, a cidade já enfrentara um dos dias mais
desordenados, devido ao incêndio de um ônibus na Ponte Rio-Niterói. Bastou que
a ponte ficasse interditada por 20 minutos para que os reflexos fossem sentidos
pelo Aterro do Flamengo, chegassem a Copacabana, atingissem o viaduto da
Perimetral e atormentassem os acessos às linhas Amarela e Vermelha.
Os abalos não param aí. Diariamente bairros como a Barra da Tijuca e São
Conrado protagonizam longas filas de veículos. Parcela razoável de moradores do
Rio, situada em parte da Zona Sul e da Zona Oeste da cidade, vira refém de um
trecho - uma única via para a qual precisam recorrer para chegar ao destino
final. Chuvas, veículos em conserto ou esgoto aberto são suficientes para
exigir duas horas em trajetos normalmente consumidos em 20 minutos. No Rio,
atraso configura um bem tão democrático quanto os encantos naturais.
Esses problemas são seqüelas deixadas por um sistema de transporte e uma malha
viária que não acompanham o errático crescimento da cidade. A Linha Vermelha
saturou em 15 anos. Na Linha Amarela, um grave erro de planejamento prejudica
quem se destina à Avenida Brasil. Na Zona Sul, a duplicação da Avenida Niemeyer
integra a galeria de promessas eternas. Iniciativas sérias, como a linha do
metrô que ligaria a Gávea à Barra, também ajudariam a desafogar o tráfego na
superfície, mas esbarram na falta de recursos e competência.
O Rio está atrás de outras metrópoles na corrida por um sistema de transporte
eficiente. Os ônibus têm um papel demasiadamente preponderante. Falta maior
integração com as linhas de metrô. São superdimensionados na Zona Sul e
rarefeitos nas Zonas Norte e Oeste. Pior: agora travam disputa com Kombis e
vans. Com poucas exceções, como na Avenida Brasil, inexistem corredores expressos
em funcionamento. A Região Metropolitana padece ainda de anéis concêntricos,
que ajudam a desaguar o fluxo entre as cidades vizinhas.
Eis uma agenda para as promessas de trabalho conjunto feitas pelo governador
eleito, Sérgio Cabral, e o prefeito Cesar Maia. Que ambos contem com a boa
vontade do governo federal, cujo passado recente não tem trazido benefícios aos
projetos locais de transporte. A boa notícia é que as autoridades fluminenses
voltaram a discutir tais problemas. Como outras regiões metropolitanas do país,
o Rio sabe que não dá para viver assim. E que a conciliação de projetos
estruturais de longo prazo com soluções imediatas destinadas a aliviar os
gargalos urgentes é uma exigência para recuperar a qualidade de vida perdida na
rotina dos engarrafamentos.
COISAS DO RIO
08/12/2006
Escolha dificil
Se
o governo retirar do Ministério da Aeronáutica o serviço de controle de vôo,
além da Infraero - que deve ser privatizada neste pacote, por meio da venda dos
70 aeroportos - vai haver um baque financeiro muito forte. A solução passa
também pelo equilíbrio político na área das Forças Armadas. O Exército, por
exemplo, tem hoje contratos com o Ministério dos Transportes no valor de R$ 1 bilhão,
para realizar obras de construção de rodovias.
DINHEIRO
08/12/2006
Transportadora perde R$ 34 a cada 100 km em estrada ruim
Teste
aponta prejuízo com gastos de caminhões com combustível, tempo e manutenção
CÍNTIA
ACAYABA
DA AGÊNCIA FOLHA
As empresas de transporte de carga têm prejuízo de R$ 34 a cada cem quilômetros
rodados em rodovias brasileiras mal conservadas. Os gastos se referem ao
consumo de combustível, tempo de viagem e manutenção dos caminhões.
A conclusão é de pesquisa da Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de
Queiroz), da USP (Universidade de São Paulo) de Piracicaba, que mostra que, se
as rodovias em pior estado de
conservação fossem recuperadas, haveria uma redução de 4,8% no consumo de combustível
e 4,5% na emissão de gás carbônico (CO2).
Com a economia de R$ 34, o frete do transporte de soja a granel em uma viagem
de 1.100 km -uma das situações verificadas na pesquisa- seria reduzido em cerca
de 15%.
"Se reduzíssemos em 4,5% a emissão de CO2, teríamos um benefício econômico
de R$ 9 milhões ao ano", afirmou a economista agroindustrial Daniela
Bartholomeu, autora da tese defendida em novembro.
A quantia se refere à venda de créditos de carbono, títulos previstos no
Protocolo de Kyoto que são dados a quem consegue reduzir a emissão de gases.
Teoria e prática
"Será que compensa fugir do pedágio?" Essa foi a questão levantada
por Bartholomeu para iniciar sua tese de doutorado.
A pesquisadora pretendia provar que caminhoneiros que evitam rodovias pedagiadas para economizar
no frete acabam gastando mais.
Para demonstrar e comprovar sua teoria, Bartholomeu utilizou seis rotas
rodoviárias e três tipos de caminhão de carga movidos a óleo diesel.
A primeira experiência foi feita com três caminhões Volvo FH12, que realizaram
48 viagens nas rotas Cubatão (SP) a Campinas (SP), Ribeirão Preto (SP) a Bauru
(SP), São Paulo a Goiânia (GO) e São Paulo a Feira de Santana (BA).
Com base em dados da CNT (Confederação Nacional do Transporte), a pesquisadora
classificou as duas primeiras rotas como "melhores", por possuírem
todos os trechos em ótimo e bom estado de conservação. As duas últimas rotas
foram consideradas "piores", por possuírem trechos em condições
"deficiente", "ruim" ou "péssima".
O segundo teste foi feito em 40 viagens, com três caminhões Scania R124-420 e
dois Mercedes-Benz 1944S, que trafegaram pelas rotas Campo Grande (MS) a Santos
(SP) e Rondonópolis (MT) a Campo Grande (MS). A primeira rota foi considerada
"melhor", e a segunda, "pior". Todos os caminhões foram
fabricados em 2004 e carregaram a mesma quantidade de carga.
"Eu fui comparando rota com rota. Observei que a tecnologia do caminhão
não influencia no resultado, apenas a conservação das rodovias. Assim, em resumo,
nas estradas em boas condições, houve
redução de 4,8% no consumo de combustível e diminuição de 4,5% na emissão de
CO2."
Para Newton Rodrigues, presidente da ABTC (Associação Brasileira de
Transportadores de Carga), que representa 13 mil empresas de transporte
rodoviário, a pesquisa é mais uma "radiografia do descaso do governo com
as rodovias".
NACIONAL
08/12/2006
Vias pedagiadas também têm muitas mortes
Rio,
7 de Dezembro de 2006 - No Brasil, para cada 10 mil acidentes, o índice de
mortos é 14 vezes maior que o registrado nos Estados Unidos, e a mortalidade
por quilômetro é 32 vezes maior que a dos países desenvolvidos. Os acidentes
com transportes de cargas respondem
por grande parte dos registros. Segundo estudo de Paulo Fleury, do Centro de
Estudos em Logística da UFRJ, 66% são causados por falha humana.
A parte considerada boa da malha rodoviária - nas mãos das concessionárias -
tem praticamente 80% das estradas em estado bom e ótimo, de acordo com estudos
da Confederação Nacional dos Transportes (CNT). São 9.851 quilômetros de rodovias concedidas para a
iniciativa privada - 6% da malha. O que não impede de também registrar números
preocupantes. Em 2005, segundo balanço da Associação Brasileira de Concessionárias
de Rodovias (ABCR), houve 58.957
acidentes, com 30.820 feridos e 1.502 mortes. Em relação a 2004, houve queda de
16% no número de mortes e de 3% no número de feridos em acidentes.
O Brasil tem 36 concessões de rodovias, sendo seis federais, 29 estaduais e
uma municipal (Linha Amarela, no Rio). Atualmente, as concessões abrangem sete
estados: Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná
e Rio Grande do sul. Embora a infra-estrutura seja um ponto a favor dos
motoristas, em relação a outras estradas sob responsabilidade do governo, há
casos que evidenciam a necessidade de maior eficiência numa emergência.
Como na Ponte Rio-Niterói, em que um incêndio em um ônibus, na tarde de
segunda-feira, bloqueou as duas pistas. O tráfego ficou congestionado em mais
de 50 quilômetros na capital e só voltou ao normal depois das 22h.
Independentemente do estado da rodovia, concedida ou não, a maioria dos
acidentes acontece de dia, com tempo bom, em via reta, o que prova que a
imprudência é a maior causa, de acordo com dados da Polícia Rodoviária Federal.
Os dados mais recentes são de 2003. As causas que incrementam os laudos
periciais são alta velocidade e ultrapassagens indevidas, nos acidentes graves.
Mas, as colisões leves, a grande maioria, são causadas pela desatenção.
(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 5)(Leandro Mazzini)
1º CADERNO
08/12/2006
TCU vai pedir saída de gestores do setor
Juliano
Basile
O Tribunal de Contas da União (TCU) deverá recomendar a saída de gestores de
órgãos da aviação civil que, segundo o tribunal, estão demonstrando
incapacidade para contornar a crise vivida pelo setor. O TCU votará, na terça-feira,
um relatório sobre as falhas na aviação que resultaram no "apagão
aéreo". O relator do processo, ministro Augusto Nardes, acusou, ontem, o
governo de fazer um contingenciamento dos recursos destinados aos órgãos do
setor aéreo.
Segundo ele, o governo foi alertado várias vezes quanto à necessidade de
reaparelhar os órgãos da aviação civil, mas manteve o contingenciamento, a
despeito de as taxas aeroportuárias cobradas no país serem muito altas.
"Já comprovamos que havia vários alertas da Aeronáutica", afirmou o
ministro. "Já estamos com esta documentação alertando ao governo de que
poderia ocorrer o apagão aéreo e infelizmente as providências não foram
tomadas", lamentou o relator do processo.
Augusto Nardes relatou processo sobre a Operação Tapa-Buracos, em que o
Tribunal de Contas da União criticou o contingenciamento de verbas para obras
de recuperação das estradas brasileiras.
"Diante da situação caótica que estamos vivendo no setor aéreo, o que fica
claro e evidente é que os contingenciamentos estão sendo feitos e neste
relatório que eu devo apresentar na semana que vem eu estou fazendo uma
avaliação inicial do Tribunal de Contas da União, dos erros que
aconteceram", disse o ministro ontem, na saída de uma reunião com os
integrantes da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
Na sexta-feira passada, Augusto Nardes visitou o Cindacta-1, em Brasília, onde
lhe disseram que havia uma duplicidade de equipamentos. "Por isso eu
fiquei bastante assustado com o apagão aéreo esta semana", afirmou. Hoje,
o ministro pretende ir à Infraero. (Com agências noticiosas)
ECONOMIA
08/12/2006
Para evitar o colapso
Falta
de projetos na área de infra-estrutura pode inviabilizar as metas de
crescimento estipuladas pelo governo. A solução será começar pelo setor de
transporte com a concessão de rodovias, ferrovias e portos
Vicente
Nunes
Da equipe do Correio
O pacote de infra-estrutura, que o governo prometeu lançar ainda este mês para
livrar o país de um colapso e viabilizar taxas de crescimento econômico acima
de 5% ao ano, corre o risco de se tornar mais uma promessa não cumprida. Quem
acompanhou de perto as últimas três semanas de reuniões coordenadas pela
ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, com os ministros da área de
infra-estrutura convenceu-se de que o governo está bem longe de chegar a
projetos concretos — e prioritários, como gosta de falar o presidente Lula —
para tirar o Brasil do atraso. Até agora, quase tudo o que foi apresentado a
Dilma são propostas e intenções artificiais. “Não é a toa que a ministra está
distribuindo uma chicotada atrás da outra para tirar algo de proveitoso dos
ministros com os quais tem conversado”, disse, ao Correio, um assessor muito
próximo de Lula.
Para piorar, Dilma teve que assumir às pressas o comando do “gabinete da
crise”, criado na terça-feira para enfrentar o apagão do setor aéreo, resultado
do descaso com o que o governo tratou a aviação no país. “Desde então, a
ministra não faz outra coisa a não ser tentar livrar o governo do vexame ao
qual foi exposto com o caos dos aeroportos. Como não será um tema fácil de
resolver, dificilmente ela conseguirá fechar o pacote que o presidente Lula
prometeu anunciar ao país antes de iniciar seu segundo mandato”, afirmou um
ministro da área de infra-estrutura, consciente das limitações do governo.
No entender desse ministro, os primeiros sinais do possível fiasco do pacote
poderão se evidenciar na próxima semana, quando Lula se reunirá com
representantes de vários setores da economia para discutir os projetos prioritários
do governo. “Simplesmente, o presidente não terá nada de concreto para
apresentar nessas conversas”, ressaltou. “Honestamente, analisando o quadro
atual, se alguma coisa sair nas próximas duas semanas, será um arremedo de
projetos prioritários.”
Disputas e burocracia
A dificuldade para se fechar o pacote de infra-estrutura é tamanha, que Dilma
já pensa em dividir o anúncio das medidas em duas etapas. Na primeira, o
governo priorizaria o que os especialistas chamam de logística (estradas, rodovias, portos e ferrovias) e energia (geração e
transmissão de energia elétrica, exploração de gás e petróleo, produção de
álcool e biocombustível e construção de gasodutos). “São pontos sobre os quais
é possível se chegar a um consenso se houver vontade e empenho dos envolvidos”,
contou um assessor do Palácio do Planalto. Na etapa seguinte, entraria o
saneamento básico, mais complexo porque não há um marco regulatório para o
setor, afastando os investimentos privados de que o país tanto precisa.
“No caso de estradas, rodovias, portos e ferrovias, já há um modelo em funcionamento.
Isso facilita o processo, desde que se faça os ajustes necessários que tornem
os investimentos atraentes”, disse o assessor do Planalto. “Vamos partir pesado
para o sistema de concessões. O capital privado está interessado em assumir o comando
de rodovias e de portos, desde que os
contratos sejam seguros e rentáveis”, acrescentou. “Há pelo menos sete rodovias com projetos de
concessão prontos e liberados pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Vamos
fazer o mesmo com terminais de portos importantes como Santos, Sepetiba, Paranaguá
e Rio Grande. Nas ferrovias, as prioridades são a expansão da Norte-Sul e a
Transnordestina, além da regulamentação do sistema de passagem, para facilitar
o trânsito de uma linha férrea para outra, o que não ocorre atualmente”,
destacou.
Na questão de energia elétrica, a situação é mais complicada. Apesar da
urgência do país em expandir a capacidade de geração, não há projetos
importantes prontos para ser executados. “Não existe o que os técnicos chamam
de inventário do setor elétrico, estoques de projetos”, explicou o ministro da
área de infra-estrutura ouvido pelo Correio.
O setor elétrico também esbarra nas limitações da legislação ambiental, que
provocam interpretações diversas, atendendo convenientemente a interesses
oportunistas. Esse tema, por sinal, provocou uma fissura na relação entre Dilma
Rousseff e a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. Dilma não se conforma com
os entraves e a burocracia impostos pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente
(Ibama), que bloqueiam a construção de hidrelétrica e de rodovias e impedem a expansão
de portos, todos despreparados
para receber navios de grande porte. “Essa fissura na relação entre Dilma e
Marina é um entrave a mais para se chegar a um consenso que atenda os planos de
Lula”, destacou o ministro.
Missão
Apesar do ceticismo que ronda o governo, sobre a capacidade de se montar um
pacote com projetos prioritários de infra-estrutura para ser anunciado antes do
Natal, a ministra da Casa Civil tem garantindo aos auxiliares mais próximos que
vai cumprir “a missão” que o presidente Lula lhe deu. “Mas um pacote bem
embalado têm que reunir fontes de financiamento viáveis, regras claras e
transparentes e agilidade na execução dos projetos. Infelizmente, ainda não
estamos nessa direção”, reconheceu o assessor de Lula, lembrando que, para
atingir seus objetivos, o governo não terá apenas que atrair o capital privado.
Precisará, também, convencer o Congresso a mudar leis importantes, o que
exigirá forte coalizão entre os partidos aliados.
“O lado positivo é que já mapeamos um interesse grande de investidores
nacionais e estrangeiros em aplicar em projetos de infra-estrutura. Todos
sabem, por exemplo, que produzir e vender energia são negócios rentáveis, com
riscos próximos de zero. Também é possível garantir rentabilidade na
administração de rodovias por meio da cobrança de tarifas realistas de pedágios”,
disse o assessor de Lula
Ele reconheceu, porém, que, a despeito da competência de Dilma para atender os
pleitos do presidente Lula, o governo não deveria concentrar tanta
responsabilidade nas mãos da ministra. “Isso acontece porque não há lideranças
dentro do governo. Vamos ver se, ao compor o próximo ministério, o presidente
opte por pessoas que realmente possam pôr em prática seu projeto de crescimento
mais robusto para o país”, disse o assessor.
R$ 160 bi em investimentos
Edna Simão
Da equipe do Correio
A iniciativa privada tem capacidade de investir R$ 160 bilhões nos próximos
quatro anos para estimular o crescimento econômico. Ontem, o presidente da
Câmara da Indústria da Construção (Cbic), Paulo Safady Simão, apresentou ao
ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, a proposta “Um Brasil Melhor”, da
União Nacional da Construção (UNC), que trabalha com investimentos de R$ 206 bilhões
em quatro anos — sendo que 77% (R$ 160 bilhões) viriam do setor privado e 23%
(R$ 46 bilhões) do setor público.
Os investimentos essenciais para o crescimento econômico seriam distribuídos da
seguinte forma: transportes (R$ 46,8 bilhões), energia (R$ 27,2 bilhões), saneamento
básico (R$ 24 bilhões), interesse social (R$ 40,8 bilhões) e mercado
imobiliário (R$ 67,2 bilhões). A aplicação de recursos pelas empresas privadas
depende, no entanto, de a equipe econômica adotar medidas que estimulem esse
investimento. Para Simão, é preciso fazer as Parcerias Público-Privada (PPPs)
saírem do papel. Além disso, seria necessário fazer um marco regulatório claro
e transparente para o saneamento básico e um projeto ambicioso para a
construção de habitação social. “Será preciso atitudes administrativas e
políticas para permitir o aumento do investimento da iniciativa privada”,
destacou Simão.
Segundo o presidente da Cbic, a proposta da UNC tem objetivo de aumentar em
1,4% a taxa de crescimento da renda per capita do brasileiro, que hoje é de
0,4%, e elevar em 1,6 meses a expectativa de vida. Se os investimentos forem
realizados também haverá um aumento no número dos postos formais de trabalho —
diretos e indiretos — em aproximadamente 877 mil unidades. Também seria
possível construir cerca de 400 mil novas unidades de habitação social. No
longo prazo, esses investimentos devem resultar em aumento anual médio do Produto
Interno Bruto (PIB) do país em 2,4%; elevação da renda, representada por
salários no setor, de aproximadamente R$ 10 bilhões ao ano; e pagamento de R$
40,4 bilhões em impostos.
Maratona
Simão pretende visitar os ministérios da área econômica para emplacar a idéia
que será levada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva quarta-feira. Hoje está
prevista uma reunião do presidente da Cbic com o ministro da Fazenda, Guido
Mantega, em São Paulo, para apresentação da proposta da UNC. Na segunda-feira,
será a vez da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, conhecer as idéias do
setor.
ECONOMIA
08/12/2006
Ministério analisa intervenção em Paranaguá
Redação
Termina hoje o prazo dado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) para que o ministro dos Transportes Paulo Sérgio Passos, informe ao Tribunal
as providências adotadas diante da sugestão da Agência Nacional de
Transportes Aquaviários (Antaq), em decretar intervenção nos portos de Paranaguá e
Antonina. O Ministério dos Transportes informou ontem, através da assessoria
de imprensa, que está “analisando juridicamente” a questão e ainda não tem
decisão a respeito. Segundo a assessoria, o Ministério pode pedir ao TCU para
que o prazo seja prorrogado.
No documento do dia 8 de novembro, o ministro-relator do TCU Valmir Campelo
fixou o prazo de trinta dias para que o ministro informasse as providências
adotadas, “tendo em vista as diversas irregularidades cometidas pela
Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa).” Segundo Campelo, a Antaq “poderia sim, com
base na legislação vigente, abrir procedimentos administrativos específicos
para apurar as diversas irregularidades na execução do convênio de delegação
atribuída à Appa, culminando com a aplicação das sanções de advertência e/ou
multa previstas (...)”.
Segundo a Secretaria de Fiscalização de Desestatização (Sefid), em dois anos de
auditoria, a Antaq produziu sete relatórios de fiscalização, “sem que punisse
administrativamente a Appa pelas irregularidades cometidas nos Portos de Paranaguá e
Antonina.”
Entre as irregularidades cometidas, segundo a Antaq, estariam a recusa da Appa em
movimentar soja geneticamente modificada, deficiência da sinalização náutica e
dos serviços de dragagem e batimetria, ausência de programa de reestruturação
administrativa e organizacional, falta de programa de arrendamento de área e instalações
portuárias, recusa em prestar apoio técnico ao Conselho de Autoridade Portuária
(CAP), entre outros.
EDITORIAL
08/12/2006
O nó das rodovias
Quem
vier a procurar estradas para transportar ou viajar achará, entretanto, buracos.
Quem indague em que ponto estão os trabalhos de recuperação asfáltica das
principais rodovias do país ouvirá que eles, praticamente acham-se na estaca
zero. No começo dos serviços de recuperação anunciados há coisa de um ano, o
estado das estradas que foram agendadas para conserto era calamitoso. Pois,
volte agora o observador para os pontos onde os trabalhos em apreço se
iniciaram, e verão caos de novo ali instalado.
Entretanto, a realidade é esta: faltou dinheiro ao Ministério dos
Transportes. Nos últimos quatro anos, foram-lhe entregues R$ 11,7 bilhões,
dando-se pois a média anual de R$ 2,9 bilhões. A Associação Brasileira de
Infra-estrutura, contudo, opina com a autoridade da experiência que seriam necessários,
não R$ 2,9 bilhões-ano, mas coisa de R$ 13 bilhões, tal a vastidão do problema
a enfrentar.
De sorte que, sabe-se, 75% das estradas ou estão em condições péssimas ou
ruins. Infelizmente, o modal marítimo a ser atendido pela navegação de
cabotagem não é de molde a compensar o estrago rodoviário. Perde o país de
ambos os lados, sem apelo.
Saiba-se, todavia, que transitam pelas estradas - perdão! - pelos buracos brasileiros
59,2% da produção nacional, sobretudo a de exportação, e 96% das pessoas que
viajam a negócio ou lazer. Os dados revelam a predominância estratégica que
ganhou o modal rodoviário na matriz dos transportes nacionais.
Para complicar a situação dos agentes econômicos, o transporte rodoviário não
teve forças, ainda, para retomar o lugar que lhe sempre coube no conjunto de transportes do país. E os portos se acham saturados,
razão pela qual inúmeros produtores e exportadores do extremo sul brasileiro
preferem, às vezes, ir até Montevidéo e Buenos Aires, para ali exportarem as
mercadorias negociadas com o estrangeiro. Este foi um dos absurdos brasileiros
comentado há alguns meses, neste espaço, absurdo para o qual, na época,
contribuiu o elevado custo fiscal que fazemos pender sobre as exportaçõesem
geral.
Diz credenciado periódico carioca que o brasil, "ante a crise aérea, as
péssimas estradas, portos desequipados e ferrovias precárias,
encontra-se em véspera de sofrer um apagão logístico". É a pura verdade,
sem tirar nem pôr. Daqui a pouco, até mesmo a comida deixará de ir à mesa do
brasileiro, graças às dificuldades, aos obstáculos que interferem no livre
curso das riquezas.
Para que se tenha idéia do prejuízo causado pela precariedade dos vários
sistemas de transporte no país, dentro dos quais tem predominância o transporte
rodoviário, os peritos no assunto calculam em bilhões por ano as perdas
nacionais. " Se houver um colapso, e os caminhões pararem por quatro ou
cinco dias, vai certamente faltar comida na mesa dos brasileiros", afirma
o titular do Centro Logístico da Universidade Federal do Rio de Janeiro, o professor
Paulo Fernando Fleury.
O fato de o país vir crescendo pouco nos últimos anos parece entender com uma
dádiva dos céus, porque, se a economia nacional mantivesse o hábito (antigo) de
elevadas taxas de expansão do Produto Interno Bruto,
não teríamos como transportar de um a outro lado - do produtor ao consumidor -
as riquezas produzidas. Esta não é perspectiva que agrade a ninguém sensato
neste país.
CIDADES
08/12/2006
José Narcélio Marques
As
obras de duas BRs do Rio Grande do Norte estão tirando o sono da população
local e daquelas que usam as rodovias para se locomoverem. Trata-se das BRs
226 e 101. A primeira está precisando de melhorias e a outra está em fase de
duplicação. Em entrevista concedida a equipe de reportagem do Diário de Natal,
o diretor do Dnit José Narcélio Marques, tranqüiliza a população e garante que os
reparos da 226 estão em fase de conclusão e a duplicação da BR 101 está dentro
do cronograma.
“Tapamos, se não todos, a maioria dos buracos”
Diário de Natal - Qual é o estado de conservação hoje da BR 226, que liga Natal
ao município de Macaíba?
José Narcélio Marques - Realizamos um trabalho emergencial. Tapamos, se não
todos, mas a maioria dos buracos da rodovia e estamos aguardando o resultado de
uma licitação para reestruturar a ponte que fica sob o rio Guarapes.
E qual a previsão para a realização desta obra?
Já realizamos uma licitação, mas nenhuma empresa se inscreveu. Convidamos
algumas construtoras para fazer a obra e estamos esperando elas se
pronunciarem, caso isso não ocorra até o dia 15 deste mês a obra infelizmente
ficará para o próximo ano.
Porque nenhuma construtora se interessou pela obra?
Os motivos nós não temos certeza, mas acreditamos que tenha sido em função do
orçamento.
E de quanto é esse orçamento?
R$ 3,59 milhões
Os motoristas que trafegam naquela área reivindicam também melhorias na
sinalização, quando elas serão providenciadas?
Assim que for finalizada a obra de tapa buracos daremos início a sinalização
vertical e horizontal. Mas é preciso que a população saiba que a sinalização
vertical é renovada a cada cinco anos. O que ocorre é que colocamos as placas
num dia e no outro os vândalos retiram.
Por que essa melhoria demorou tanto para ser realizada? A população de Felipe
Camarão fez vários protestos fazendo reivindicações. Eles afirmam que os
buracos estavam lá há mais de seis meses.
Demorou porque o contrato com a empresa que trabalhava para o governo acabou, e
para que um novo contrato seja firmado é preciso realizar licitação. Isso
demora cerca de seis meses. Tanto é que assim que a licitação foi concluída a
obra foi iniciada. Se a imprensa for hoje na BR 226 vai constatar que ela está
com quase todos os buracos tapados.
Outra obra de responsabilidade do Dnit que vem sendo alvo de algumas reclamações é a
da BR 101. Recentemente empresários do Parque Industrial de Macaíba realizaram
audiência pública reivindicando a construção de mais dois retornos no trecho
que liga Parnamirim a Macaíba. O que você tem a dizer sobre isso?
Me reuni com os empresários no começo dessa semana e me comprometi a analisar a
reivindicação deles. Daremos um parecer baseado na segurança das pessoas que
transitarem por aquela BR. No entanto, não podemos deixar de observar que
aquele trecho trata-se uma rodovia federal e que muitos retornos podem causar
acidentes e dificultar o tráfego. A nossa decisão será baseada na segurança da
população.
Já que estamos falando da duplicação da BR 101. Qual a situação hoje da obra?
Estamos dentro do cronograma. A duplicação do viaduto de Ponta Negra já está
com toda a estrutura de concreto completa, faltando apenas os acessos. Acredito
que na primeira quinzena de janeiro estará pronto.
Um dos grandes entraves dessa duplicação eram as desapropriações das terras que
ficam no caminho da BR. Como estão as negociações com os proprietários?
Concluímos o levantamento das terras e estamos aguardado apenas a ordem de
pagamento para dar efetuar as indenizações.
O senhor falou que a obra está dentro do cronograma. Qual o prazo para a
conclusão do primeiro trecho da duplicação da BR 101 que vai de Natal até Arez?
Em maio de 2008 estaremos entregando o lote um. A terraplenagem do trecho está
praticamente toda concluída e provavelmente no começo de janeiro daremos início
a segunda pista.
POLÍTICA ECONÔMICA
08/12/2006
Projeto piloto de investimento deve subir para R$ 11 bilhões
Paula
Andrade
Com o sucesso do programa, o governo pretende ampliar o limite de investimento
do Projeto Piloto de Investimento (PPI) de 0,2% para 0,5% do Produto Interno
Bruto (PIB). Com isso, serão investidos mais de R$ 11,1 bilhões por ano em
projetos de infra-estrutura, livres de contingenciamento no orçamento, ao invés
dos atuais R$ 4,6 bilhões anuais. Com a mudança, o governo passará a buscar uma
meta real de superávit primário de 3,75% do PIB, ao invés dos 4,25% oficiais. Mesmo
assim, o discurso dentro do governo é de que o ajuste fiscal continuará o
mesmo. Setores como transporte e saneamento comemoram decisão do governo.
O PPI tem como foco a realização de obras de infra-estrutura, como estradas, ferrovias, portos e metrôs de capitais,
entre outros investimentos. Nos primeiros três anos de implantação, foram selecionados
132 projetos, sendo que a maior parte na área de infra-estrutura rodoviária e
ferroviária, considerados importantes pelo governo porque priorizam a área de
logística e, conseqüentemente, reduzem custos. Como estes recursos não
ingressam no cálculo do superávit primário, ficam apartados da contabilidade do
esforço fiscal do governo e não sofrem contingenciamento. Em média, nos
primeiros três anos do programa foram gastos R$ 3 bilhões por ano.
Ainda prioridade dentro do PPI, o setor de transporte deverá contar com quase
R$ 6 bilhões do orçamento do PPI. Estradas, portos e rodovias serão beneficiados
com recursos para projetos de recuperação, ampliação e construção. “Vai ser o
maior orçamento da história do setor de transporte. Estamos muito contentes com
a decisão do presidente”, destacou um dos técnicos do Ministério dos
Transportes.
Com mais dinheiro em caixa, o governo deverá incluir nas obras beneficiadas de
2007 as BRs 364 (AC), 163 (PA), 158 (MT) e 135 (BA), escolhidas por serem
importantes vias de escoamento da produção agrícola. Cerca de R$ 2,2 bilhões
deverão ser investidos em ferrovias e portos. Outros R$ 2,4 bilhões em recuperação e conservação
de estradas e rodovias. “Com o PPI, temos a
segurança dos recursos e a garantia de término da obra no tempo previsto, o que
nunca acontecia antes”, comemorou o técnico.
Saneamento
Manaus, Recife e a baixada fluminense, no Rio de Janeiro, estão entre as cidades
cujos projetos de saneamento estão na lista de urgências do Ministério das
Cidades e deverão ser beneficiadas com os R$ 2 bilhões destinados a projetos de
saneamento pelo PPI. É a primeira vez que projetos do segmento entram no
programa “Metade da cidade de Manaus está com problema de água e saneamento e
em Recife há racionamento de água em várias épocas do ano. Isso não pode
acontecer. Temos urgência nesses projetos e eles têm chances de entrar na nossa
lista”, diz o secretário Nacional de Saneamento Ambiental, Abelardo de Oliveira
Filho.
Para selecionar os projetos de saneamento que entrarão no PPI, o Ministério das
Cidades avaliará vários critérios socioambientais, como os indicadores do
Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), as taxas de natalidade e mortalidade e
até o perfil da população de baixa renda.
Pouco empenho
Mesmo com a possibilidade de excluir esses gastos do superávit primário e não
passar pelo contingenciamento, nos primeiros anos do projeto o governo teve
dificuldades para utilizar todos os recursos. No primeiro ano do PPI, em 2005,
a execução teve início somente em maio. Naquele ano, o projeto teve apenas 33%
de seu limite orçamentário efetivamente executado. Do limite total de R$ 3,58
bilhões autorizados para despesas no ano passado, somente R$ 1,21 bilhão foram
gastos no período. A diferença entre o autorizado e o gasto, de R$ 2,36
bilhões, ficou para 2006 na forma de restos a pagar. Paralelamente aos restos a
pagar de 2005, o Ministério do Planejamento tem os recursos correntes de 2006.
Porém, no primeiro semestre deste ano, o governo federal empenhou apenas R$ 548
milhões com o PPI. O valor corresponde a pouco mais de um sexto do total a que
tem direito, R$ 3,26 bilhões.
GERAL/INTERNACIONAL
08/12/2006
Dnit liberará indenizações para famílias que estão na BR-101
FERNANDO
IVO
O Departamento
Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit) deve liberar, ainda este mês, parte
dos recursos que serão usados para a relocação das famílias que ficam em terras
da União, às margens da BR-101 na Paraíba. Com os trabalhos realizados pelo 1º
Grupamento de Engenharia no primeiro lote da duplicação da rodovia, a previsão
é de que 137 propriedades sejam relocadas, com o pagamento de indenização no
valor de R$ 1 milhão e 250 mil.
De acordo com o coronel Antônio Bandeira de Almeida, coordenador técnico de
projetos do Centro de Excelência em Engenharia de Transportes (Cetran),
responsável pela relocação e desapropriação da obra, as terras em que estas
famílias estão pertencem à União, portanto, as famílias serão indenizadas
apenas em relação aos bens edificados na área, a exemplo de casas, construções
ou até plantações.
O coronel Bandeira disse que do total, 22 processos já estão prontos para
pagamento, outros 51 em fase final e 64 na fase de avaliação técnica. Ele
explicou que outros recursos também serão usados para a desapropriação de parte
das terras que deverão sofrer perdas devido à passagem da rodovia. Segundo os
cálculos do Cetran, mais R$ 1 milhão e 500 mil deverá ser usado para a
desapropriação de outras 90 propriedades. “A previsão é que este ano, 31
famílias sejam indenizadas e as demais até julho de 2007”, notificou.
Ontem, pela manhã, o secretário executivo do Cetran, coronel Paulo Roberto Dias
Morales, esteve em João Pessoa e falou sobre as obras desenvolvidas pelo órgão
na BR-101, que tem sob a responsabilidade do órgão os lotes um, cinco e seis,
que se referem ao Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco. “Nós tratamos da
parte ambiental e de desapropriação. Até julho de 2007, 800 propriedades
deverão ser indenizadas nesses Estados”, disse.
De acordo com o coronel Márcio Veloso, chefe do Centro de Operação da BR-101, o
processo de duplicação da BR-101, que teve início em dezembro de 2005, está
dentro do cronograma normal das obras.