O ESTADO DE S. PAULO - SP 

 

NACIONAL
11/03/2007

Nascimento disse que teríamos DNIT

Entrevista
Márcio Junqueira, deputado (PFL-RR)
Expedito Filho
O deputado Márcio Junqueira (PFL-RR) disse que o senador Alfredo Nascimento (PR-AM) o assediou para que trocasse o PFL pelo Partido da República, oferecendo cargos e verbas para emendas no Departamento Nacional de Infra-Estrutura (DNIT) em seu Estado. No pacote de ofertas, Nascimento, que já foi titular do Ministério dos Transportes e deve retornar ao posto em breve, assegurou que Junqueira poderia até indicar as empresas a serem contratadas pelo órgão.

'Ele disse que se eu fosse para o PR haveria divisão de espaço político, seriam divididas as direções regionais e municipais do partido em Roraima. Disse que teríamos os postos do DNIT e que nós iríamos trabalhar juntos na indicação das emendas e das empresas', relatou Junqueira em entrevista ao Estado.

O convite teria a concordância do presidente do partido, deputado Valdemar Costa Neto (SP), que renunciou na legislatura passada para não ser julgado pelo Conselho de Ética e é um dos 40 denunciados pelo Ministério Público no escândalo do mensalão.

Junqueira sugeriu a investigação das empresas contratadas pelo DNIT e deu até o nome de uma delas, a Tescom, de Minas Gerais, que estaria encarregada de tocar as obras da BR-174.

O deputado manteve dois contatos com o Estado. Na primeira conversa, confirmou por telefone ter sido assediado pelo PR para deixar o PFL e ingressar no partido e informou que lhe foi oferecido contato com empresas que trabalham para o DNIT em Roraima. Para a outra conversa, ele abriu as portas de seu apartamento em Brasília ao repórter. Na ocasião, reafirmou a denúncia e sugeriu a investigação da Tescom. A seguir, os principais trechos das duas conversas:

Como o senador Alfredo Nascimento entrou em contato com o senhor?

Nós temos amigos comuns em Roraima e Manaus. Num almoço, um empresário me falou que era bom conversar com Alfredo. Em seguida, recebi um telefonema do irmão do ex-ministro, marcando o encontro numa dessas idas a Manaus. Mas ele não chegou a acontecer. Falei por telefone e ele me disse que tinha interesse de conversar comigo em Brasília.

E como foi a conversa aqui?

Como nós temos interesses na região amazônica, na BR-174, que liga o Amazonas à Venezuela passando por Roraima, nada mais natural do que ir conversar com ele. Quando cheguei lá, ele fez a proposta e disse que tinha falado com Valdemar Costa Neto.

Qual era a proposta?

Ele disse que queria que eu fosse para o PR. Disse que o partido teria de ser oxigenado. O próprio Alfredo reconhece a situação do partido. Ele está errado em operar dessa forma. Mas, entre ele e o Boy (apelido de Valdemar Costa Neto), Alfredo é mil vezes melhor.

Mas qual era proposta?

Ele disse que se eu fosse para o PR haveria divisão de espaço político, seriam divididas as direções regionais e municipais do partido em Roraima. Disse que teríamos os postos do DNIT e que nós iríamos trabalhar juntos na indicação das emendas e das empresas.

Ele falou em posto do DNIT e indicações em empresas?

Tudo. Ele não falou em nome de empresas. Veja bem, especificamente, procure levantar a Tescom, uma empresa de Minas Gerais que está fazendo a BR- 174. Vai que ela não tem condições. Isso tem de acabar. Eu estou investigando, mas tenho medo de que eles, por terem maioria na Câmara e no Senado, acabem me levando para o Conselho de Ética. Olha, o que eles estão fazendo não tem mais limite.

ESTADO DE MINAS - MG 

POLÍTICA
11/03/2007

 

Impasse na definição de nomes

Legendas da base de Lula em Minas não chegam a acordo sobre cargos federais no estado. PMDB culpa o PT pela demora e ameaça enviar uma lista em separado para a ministra Dilma Rousseff

Patrícia Aranha
Os partidos que fazem parte da coalizão de governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não conseguem se entender em Minas sobre as indicações para os cargos federais no estado. Depois de duas rodadas de negociações que chegaram a um esboço de lista única, o impasse em torno de alguns cargos que são cobiçados por mais de uma legenda já dura mais de três semanas. PMDB, PCdoB e PRB aguardam, desde 15 de fevereiro, uma resposta do PT. Cansados de esperar, líderes dos três partidos ameaçam entregar uma lista em separado à ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff,

“Se até o início da semana, o PT não nos der uma resposta, vou convocar os outros partidos, PRB e PCdoB, para uma reunião. Vamos fazer as nossas opções e apresentar as nossas reivindicações, sem a participação do PT”, avisou ontem o vice-presidente do PMDB e coordenador do grupo responsável pelas indicações, Zaire Rezende. Também o presidente regional do PRB, Rogério Colombini, afirmou que não é possível mais ficar na dependência do PT. “Se o PT tem autonomia para caminhar sozinho, vamos por outro lado. Já tentamos avançar várias vezes, mas a direção do PT não nos dá resposta. Não podemos esperar para sempre”, reclama.

No PCdoB, a preocupação é com as primeiras confirmações de nomes para o ministério, como a do deputado Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) para a pasta da Integração Nacional, que teriam atropelado não só as negociações com o PMDB, mas também com outros partidos aliados. “O tempo é político. Se no início da semana avançar a montagem do ministério, não podemos esperar mais. Não desistimos de uma construção de entendimento com o PT, mas, caso não seja possível, vamos fazer um esforço com três partidos apenas”, defendeu a presidente estadual do PCdoB, deputada federal Jô Moraes. Para ela, o PT mineiro deve abolir a prática do primeiro governo Lula, quando não havia uma coalizão tão ampla de governo. “Agregar forças não depende só do discurso, mas de busca de parceria”, diz.

O impasse foi criado porque há mais indicações do que cargos à disposição. Os partidos brigam pelos comandos de, pelo menos, quatro órgãos: Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit), Companhia de Armazéns e Silos do Estado de Minas Gerais (Casemg) e Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM).

BRIGA INTERNA O deputado estadual Weliton Prado (PT), que representou o partido nas primeiras reuniões com PMDB, PRB e PCdoB, não está mais à frente das discussões. “A direção estadual está cuidando disso, porque a equação é complicada. Mas o partido não conseguiu ainda se reunir para tratar do assunto”, desculpou-se. No último sábado, o diretório estadual do PT fez a primeira reunião do ano, mas, segundo ele, o assunto não entrou em pauta. Já o vice-presidente do PT, Chico Simões, mesmo argumentando que o mais importante não são os cargos, avisa: “Com todo o respeito ao PMDB, o partido vencedor foi o PT”. Segundo ele, o problema é que o consenso em torno dos cargos não existe nem dentro do PT. “A chance de um acordo ser 100% é muito pequena. Mesmo dentro do PT, a maioria dos cargos está sendo reivindicada pelo Campo Majoritário, que nem majoritário é mais”, diz Simões, que faz parte da esquerda petista.

ZERO HORA - RS 

EDITORIAL
11/03/2007

 

Carne de primeira

 

A genuína disputa travada em Brasília não se dá simplesmente por um lugar na Esplanada. Mais do que uma briga por ministérios, o que está em jogo é um rol de 30 estatais com bilhões para investimentos. O filé mignon está sendo dividido entre PT e PMDB. Mas até o coxão duro está sendo disputado pelos partidos aliados com menor expressão como PP, PSB, PTB e PR. Embora de importância vital para o país, as estatais são oferecidas como mercadoria na partilha do poder. Em meio à pressão do PT para emplacar Marta Suplicy na pasta das Cidades, um petista graúdo tinha a solução pronta diante da recusa do PP em ceder o ministério.

- É só oferecer uma estatal que eles aceitam - disse.

Indagado sobre qual seria a oferta, o dirigente se saiu com essa:

- Qualquer uma.

É assim, de maneira irresponsável, que a Infraero ou o Dnit estão sendo oferecidos. A primeira cuida de todos os aeroportos no país, mas mesmo assim a discussão aqui não é o caos na aviação. O mesmo se dá com o Dnit e a malha rodoviária. Uma oferta dessas faz os partidos até repensarem suas convicções. Foi o que aconteceu no PSB depois de a legenda receber a promessa de ser agraciada com uma secretaria especial para administrar portos e aeroportos. Dias antes, os socialistas haviam subscrito o pedido de criação da CPI do Apagão Aéreo. Foi só Lula acenar com os cargos que eles apagaram seus nomes rapidinho do documento.

 

 

ZERO HORA - RS 

POLÍTICA
11/03/2007

 

 

 

Barganha facilita corrupção

 

 

 

 

 

O maior apelo de sedução das estatais sobre os partidos está na facilidade de abertura de canais de diálogo com o setor empresarial.

O prestígio do cargo muitas vezes é usado para arrancar polpudas contribuições de fornecedores do governo para campanhas políticas.

Maior escândalo do governo Lula, o mensalão só veio à tona após o ex-chefe do Departamento de Contratação e Administração de Material dos Correios Maurício Marinho ter sido flagrado ao cobrar propina e dizer que repassava o dinheiro ao PTB, partido ao qual devia o cargo.

- O aparelhamento de estatais pelos partidos é uma das maiores fontes de corrupção - afirma o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ).

A indicação de cargos em estatais atrai até mesmo opositores do governo. Ex-governador do Ceará, Lúcio Alcântara saiu do PSDB depois de brigar com o presidente tucano, Tasso Jereissati. Acabou se filiando ao PR - partido que controla o Ministério dos Transportes - e em troca deverá receber cargos no Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes (Dnit).

Especialista sugere fim das nomeações por políticos

Com R$ 5,2 bilhões reservados para investimentos, o Dnit tem sido usado pelo PR como instrumento para aumentar a bancada do partido. Nos últimos meses, a legenda tem oferecido cargos nos Estados para cooptar parlamentares. Já filiou nove deputados, cinco deles ligados à oposição.

Para o cientista político Cristiano Noronha, da empresa de consultoria política Arko Advice, somente uma mudança na legislação poderia coibir esses desvios. De acordo com Noronha, todos os cargos de diretoria deveriam ser ocupados exclusivamente por funcionários de carreira, que executariam a política do governo eleito. (Fábio Schaffner)

 

 

JORNAL DE BRASÍLIA - DF 

CLÁUDIO HUMBERTO
11/03/2007

 

 

 

Polícia prende em Brasília assessor de deputado com R$ 720 mil em dinheiro vivo

 

 

 

 

 

Emílio Ferreira de Paula Castilho, que se identificou como assessor do deputado federal Aracely de Paula (PR-MG), foi preso neste domingo em Brasília transportando, em seu carro, exatos R$ 720 mil em dinheiro vivo. A Dep Aracely de Paula.jpgdinheirama estava acondicionada em caixas de camisas. Emílio de Paula foi parado pela Polícia Rodoviária Federal em uma blitz na BR 040, nas imediações de Santa Maria (DF), e afirmou que o dinheiro pertence ao deputado. A Polícia Civil deu voz de prisão no assessor do parlamentar e apreendeu o dinheiro. Integrante do chamado "baixo clero", o deputado Aracely de Paula (foto) foi reeleito com 92.309 votos e pertence ao mesmo partido do ex e futuro ministro dos Transportes, senador Alfredo Nascimento (PR-AM), considerado o "principal operador político" do governo Lula. A Polícia Civil do DF promete investigar a fundo a origem do dinheiro. Apesar da coincidência de sobrenomes, Emílio afirmou à polícia que é apenas assessor do deputado.

 

VEJA - SP 

BRASIL
11/03/2007

 

 

 

Made in Paraguai

 

A Funai tenta demarcar área de Santa Catarina para índios paraguaios, enquanto os do Brasil morrem de fome

 

 

 

José Edward, da Serra do Tabuleiro (SC)
No período do descobrimento, o litoral de Santa Catarina era habitado por índios carijós, subgrupo do povo guarani. Escravizada pelos colonizadores portugueses, a etnia foi considerada extinta em meados do século XVII, segundo os registros dos historiadores. Essa versão não foi contestada até 1993, quando a Fundação Nacional do Índio (Funai) adotou a tese – controvertida – de que ainda havia remanescentes dos carijós. A fundação se baseou num estudo publicado dois anos antes pela antropóloga Maria Inês Ladeira. Ela defende que alguns dos carijós teriam se refugiado no Paraguai, onde seriam chamados de embiás. Depois que o trabalho foi divulgado, dezenas de embiás paraguaios (e alguns argentinos) sentiram-se legitimados para invadir o parque ecológico da Serra do Tabuleiro, nas imediações de Florianópolis. Os índios se instalaram no Morro dos Cavalos, um dos pontos mais acidentados da região. Invasão consumada, a Funai planeja transformar o local em reserva indígena. Para brasileiro pagar e paraguaio (e argentino) usufruir.

Muito escarpada, a região é considerada imprestável tanto para a agricultura quanto para moradia. Mas ganhou valor econômico porque o Morro dos Cavalos fica à margem da Rodovia BR-101, que atravessa a maior parte do litoral brasileiro e está sendo duplicada. A pista adicional cortará a área que a Funai quer converter em reserva para os embiás. Com base nisso, a fundação determinou que o Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit) construa túneis sob o Morro dos Cavalos para não incomodar os hermanos invasores. A obra foi orçada em 150 milhões de reais. Mais: por exigência da Funai, o Dnit terá de pagar uma indenização aos embiás. Ou seja, os paraguaios (e alguns argentinos) serão compensados já por uma reserva que ainda não foi criada. Como o território que a Funai pretende demarcar está dentro de um parque ecológico estadual, o processo acabou na Justiça. O Ministério Público catarinense tenta impugnar a demarcação. Na opinião de seus integrantes, Maria Inês Ladeira produziu uma fraude e a Funai embarcou nela. "Os carijós tinham características físicas e culturais distintas das dos embiás e estão extintos", afirma o promotor José Eduardo Cardoso.

Segundo o Ministério Público, Maria Inês empenhou-se para convencer a Funai de que os embiás são de origem carijó. Na seqüência, a fundação contratou Maria Inês para elaborar o relatório que instrui o processo de demarcação. O promotor Cardoso aponta falhas metodológicas no estudo que transubstanciou embiás paraguaios (e alguns argentinos) em carijós de ascendência brasileira. Segundo Cardoso, a antropóloga baseou a tese no depoimento de uma única família de paraguaios que chegou a Santa Catarina nos anos 60. Em um trecho do trabalho, ela chega a sugerir que alguns carijós teriam permanecido escondidos no Morro dos Cavalos desde o século XVII. Diz Manoel João de Souza, morador da região: "Acho que eles eram invisíveis. Estou aqui há 87 anos e só vi o primeiro índio nos anos 90".

Ao comentar o assunto, os embiás são de uma objetividade raramente atribuída ao pensamento indígena. "Os antropólogos nos incentivaram a vir para cá, dizendo que a terra era nossa", afirma o paraguaio Augusto Karai Tataendy, que se mudou para o local em 1992. Eles, no entanto, decidiram deixar a Serra do Tabuleiro mesmo que a reserva seja demarcada. Querem usar a indenização do Dnit para recomeçar a vida em um lugar menos inóspito do que o Morro dos Cavalos. "Vamos pegar o dinheiro para comprar terras em outro lugar. Aqui não dá para viver", diz o cacique argentino Artur Benites. Atualmente, os hermanos vivem dos repasses do Bolsa Família. Foi por um triz que não receberam a bolada do Dnit em 2005. O departamento estava prestes a começar a duplicação da estrada e, por conseqüência, a liberar as indenizações, quando o Tribunal de Contas da União (TCU) declarou que a tese de Maria Inês era inconsistente. Procurada por VEJA para explicar seu estudo, a antropóloga enviou uma correspondência na qual esmiúça as leis e os procedimentos burocráticos da Funai, mas deixa de lado as incongruências históricas e antropológicas apontadas pelos promotores e pelo TCU.

Nos últimos vinte anos, a Funai se converteu numa indústria de reservas. O número de áreas demarcadas saltou de 210 para 611. As aberrações na delimitação de terras para índios são corriqueiras. No Espírito Santo, a fundação classificou moradores de Aracruz de tupiniquins, uma etnia extinta há um século. Para tal, desconsiderou um relatório elaborado por funcionários seus em 1982 que apontava sinais de fraude nesse processo. O documento mostrava como os tais tupiniquins foram inventados por um jornalista e por missionários católicos: "Habitantes da região foram pagos para colocar enfeites de pena na cabeça, usar anzóis adornados à moda indígena e afirmar que moravam em aldeias", registra o relatório. Em outro caso grotesco, a Funai tentou decuplicar uma reserva caiabi do Centro-Oeste do país. A Justiça bloqueou a ampliação porque o presidente da Funai, Mércio Gomes, incitou os índios a invadir a região.

Imbuída de um voraz espírito demarcatório, a Funai é leniente com os índios que vivem em reservas antigas. O exemplo mais eloqüente do fracasso da política indigenista está em Mato Grosso do Sul. As reservas dadas aos caiovás e nhandevas do estado são um cenário de horrores. Nelas, 30.000 índios moram confinados em 40.000 hectares. Nas aldeias, imperam a prostituição, o alcoolismo e, sobretudo, a fome. Desde 2005, 47 crianças caiovás morreram de desnutrição. Neste ano, já houve seis casos. A degradação é tamanha que, por ano, registram-se sessenta casos de suicídio nessas comunidades. O último ocorreu na semana passada. O sociólogo Carlos Siqueira, que chefiou o setor de indigenismo da Funai entre 1997 e 1998, não tem dúvida de que a fundação precisa sofrer uma intervenção. "A Funai está sendo regida pelos interesses dos antropólogos e das ONGs, e não pelos dos índios", afirma Siqueira.

 

Clipping 10/03/2007

 

 

 

FOLHA DE S. PAULO - SP

PAINEL
10/03/2007

 

 

 

Dá que é meu 1

 

 

 

 

 

Com o inchaço da seção baiana do PR, os recém-chegados disputam um cargo no Dnit hoje ocupado por aliado do ex-deputado estadual Hugo Mattos. A diretoria-geral no Estado é do deputado José Carlos Araújo, que deve mantê-la.

Dá que é meu 2. Os deputados José Rocha e Tonha Magalhães estão entre os ex-pefelistas que embarcaram no PR com a promessa de se dar bem no loteamento dos cargos federais na Bahia.

 

 

O ESTADO DE S. PAULO - SP

VIDA&
10/03/2007

 

 

 

Projetos do PAC atingem áreas que o governo diz querer conservar

 

Obras de geração de energia e rodovias estão sobre regiões de alta riqueza natural identificadas como prioritárias. Veja especial

 

 

 

Cristina Amorim
Obras de geração de energia e rodovias previstas pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) estão sobre regiões de alta riqueza natural, que o próprio governo identifica como prioritárias para a conservação. Pelo menos dez obras encostam ou estão muito próximas de regiões de importância biológica alta a extremamente alta, e ameaçam o equilíbrio de ecossistemas e a existência de espécies - algumas únicas do Brasil e reconhecidamente ameaçadas de extinção.

São elas: as rodovias BR-364, no Acre; BR-156, no Amapá; e BR-230 e BR-163, no Pará; as hidrelétricas Santo Antônio e Jirau, em Rondônia, e São Salvador e Serra Quebrada, no Tocantins; e as termoelétricas Vale do Açu, no Rio Grande do Norte, e Candiota 3, no Rio Grande do Sul.

A constatação vem da sobreposição de dois mapas: do PAC, divulgado pela ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, no dia 23 de janeiro, e do programa de Áreas Prioritárias para Conservação, Uso Sustentável e Repartição dos Benefícios da Biodiversidade Brasileira, coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) e que funciona parcialmente com doações internacionais.

A maioria das obras sobrepostas a áreas sensíveis fica na Amazônia. Historicamente, todo plano de infra-estrutura na região provoca uma busca desabalada por terras próximas para abrigar operários e “aventureiros” - de fornecedores de serviços a grileiros. Sem ordenação, isso provoca desmatamento muito além do necessário e distúrbio do sistema natural.

No entorno destas obras estão algumas paisagens únicas, como um trecho de campinarana (um tipo de campina) no extremo oeste do País, entre Amazonas e Acre, com areia branca. Ela fica na área de influência da BR-364, cuja construção e pavimentação fortalece planos de integração de Peru, Brasil e Bolívia, dentro da Iniciativa para Integração da Infra-estrutura Regional Sul-Americana (Iirsa).

Outro exemplo acontece onde são planejadas as duas hidrelétricas do Madeira, em Rondônia. O trecho entre o rio e a Estação Ecológica Serra dos Três Irmãos é reconhecido pelos biólogos como a mais rica em primatas da Amazônia. São 16 espécies, todas descritas com ameaçadas de extinção na Convenção Internacional sobre Comércio em Espécies Ameaçadas. O programa de Áreas Prioritárias identifica as hidrelétricas como um perigo aos animais.

Para Adriana Ramos, coordenadora do Programa de Políticas Públicas do Instituto Socioambiental, a sobreposição de interesses demonstra “uma visão unilateral” centrada apenas na elevação do Produto Interno Bruto (PIB). “O impacto ambiental não é levado em consideração. Há tantas alternativas, tantas idéias boas, mas na hora de se fazer um plano de desenvolvimento elas parecem ser mero detalhe”, afirma. “A questão não é discutida antes do licenciamento ambiental. Por isso, depois ela vira conflito.”

Sob a dinâmica regional amazônica, a simples divulgação da intenção de o governo conduzir qualquer obra dá força para grilagem e desmatamento, que destroem ecossistemas antes que o mestre-de-obras chegue.

Foi o que aconteceu no entorno da BR-163 (Cuiabá-Santarém). O anúncio do asfaltamento de mil quilômetros em 1996 levou centenas a se instalarem ao longo da estrada. O movimento provocou um aumento de 500% no desmatamento da região de lá para cá, como já disse a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. O fato deu origem à formação de um projeto sustentável para a rodovia em 2003, pós-fato consumado.

Quanto às obras do PAC, o coordenador de Meio Ambiente do Ministério do Planejamento, Gustavo Lino, afirma que as questões ambientais são analisadas pelos ministérios responsáveis (Minas e Energia e Transportes) antes de indicar as obras. Ele admite algumas sobreposições, mas diz que as questões são discutidas no momento do licenciamento - e que pode haver mudanças no projeto. “Não aconteceu até hoje. Mas poderá ocorrer.”

O secretário de Biodiversidade e Florestas do MMA, João Paulo Capobianco, não vê contradição na sobreposição. “Não existe problema per si. Os elementos identificados precisam ser abordados na análise ambiental dos empreendimentos.”

OBJETIVO

O programa do MMA serve para dar base a ações de conservação que ajudem o País a cumprir as metas da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), como informa em seu site: “O Brasil, como país signatário da CDB, deve apoiar ações que venham a dotar o governo e a sociedade de informações necessárias para o estabelecimento de prioridades que conduzam à conservação, à utilização sustentável e à repartição de benefícios da diversidade biológica brasileira”.

Entre os financiadores está o Fundo Global para o Meio Ambiente, gerido pelo Banco Mundial.

 

 

 

DIÁRIO CATARINENSE - SC

GERAL
10/03/2007

 

 

 

Novo modelo de pedágio é discutido

 

Debate na Capital antecipa polêmica em torno da instalação de praças no trecho Norte da BR-101 e na BR-116

 

 

 

LAURA COUTINHO
Um pedágio mais barato e cujos recursos sejam reaplicados em melhorias nas rodovias. Esta é a proposta do pedágio social, debatido, ontem, no 3º Fórum Nacional de Usuários de Rodovias Concedidas, em Florianópolis.

Elaborado pela Federação das Empresas de Transportes de Cargas de Santa Catarina (Fetrancesc), o pedágio social é uma alternativa ao modelo de concessão das rodovias, e o seu debate adianta uma discussão que promete muita polêmica se praças forem instaladas, de fato, no trecho Norte da BR-101 e na BR-116.

Se colocado em prática, ele seria controlado por uma comissão tripartite formada por governo, investidores e sociedade.

- Nós condenamos o modelo de concessões, onde o processo não é claro e a fiscalização é superficial. Além disso, o pedágio, como é feito, é oneroso demais para a sociedade e não resulta em melhorias diretas - afirmou Pedro Lopes, presidente da Fetrancesc.

- Uma das falhas do pedágio em vigor é o cálculo da tarifa feito independentemente do número de veículos que passa pela rodovia. Não importa se passam 10 mil ou 40 mil, o valor é sempre o mesmo e ainda pode sofrer reajuste de seis em seis meses, o que já não é compatível com a inflação atual - acrescentou.

Proposta sugere cobrança por quilômetro rodado

Além Pedro Lopes, a abertura oficial do fórum contou com o ex-ministro dos Transportes, Cloraldino Severo, parlamentares e participantes dos três estados do Sul.

A proposta sugere a cobrança de pedágio por quilômetro rodado, possível com a tecnologia já utilizada em auto-estradas chilenas, por exemplo, cuja manutenção teria custo mais baixo do que as praças em vigor.

Ainda sem um cálculo preciso, o valor da tarifa do pedágio social seria bastante reduzido em relação ao atual, conforme a comissão.

- O que não pode acontecer é o governo colocar a obra que construiu com o dinheiro que tira da população nas mãos de empresas que vão cobrar para que as mesmas pessoas passem pela rodovia - defendeu o ex-ministro Severo.

Do encontro de ontem resultará a Carta de Florianópolis, que conterá um resumo da proposta. O próximo encontro do grupo será na audiência com a Comissão de Infra-Estrutura do Senado, no próximo dia 22, em Brasília.

 

TRIBUNA DA BAHIA - BA

CIDADE
10/03/2007

 

 

 

Portugueses vão investir mais de R$634 mi

 

 

 

 

 

Os empresários portugueses vão investir mais de R$ 634 milhões este ano na Bahia. A informação foi dada pelo presidente da Câmara Portuguesa de Comércio no Brasil-Bahia, Eduardo Salles, durante o jantar mensal da entidade, que contou com a presença do secretário do Planejamento, Ronald Lobato. “Temos 156 associados e geramos 45,5 mil empregos”, destacou Salles. Entre as ações da Câmara está o desenvolvimento de relações econômicas, estruturação de negócios, realização de acordos de cooperação, intercâmbio tecnológico envolvendo empresas, universidades e instituições de pesquisa.

O principal objetivo dos jantares mensais da Câmara, tendo sempre como convidado um secretário de estado, é conhecer as propostas da política de desenvolvimento do Governo da Bahia. O primeiro encontro foi realizado no Hotel Pestana, com o secretário Ronald Lobato, que fez uma apresentação da estratégia da Bahia na área de planejamento para 100 empresários portugueses e baianos de diversas áreas, como turismo, indústria, comércio, construção e agropecuária.

A abertura do evento foi feita pelo presidente da Câmara, que destacou que o Governo da Bahia, em sua visão de futuro, tem uma grande preocupação com a articulação internacional.

O secretário acrescentou que é preciso promover um desenvolvimento econômico sustentável de pequenos empreendimentos, geração de emprego e distribuição de renda, equilíbrio social, de gênero, étnico e social, fortalecimento das identidades culturais e qualidade de vida.

O secretário ressaltou para os empresários o empenho do Governo do Estado na área de infra-estrutura, com investimentos importantes como a Ferrovia Leste-Oeste, que ligará a região Oeste ao litoral, a plataforma multimodal de Juazeiro, o transporte hidroviário no Rio São Francisco e a Parceria Público-privada (PPP) para recuperação das BR-324 e BR-116.

Lobato explicou que esse novo modelo de desenvolvimento proposto pelo governador Jaques Wagner se dá pela articulação das ações entre as secretarias para que os projetos e programas tenham efetividade, evitando desperdício de recursos e esforços.

 

J. DO COMMERCIO - AM

ECONOMIA
10/03/2007

 

 

 

Porto de Itajaí é modelo para programa de dragagem no país

 

 

 

 

 

Economia
Publicação JC
Um dos principais problemas enfrentados hoje pelos portos brasileiros é a dragagem. Os contratos, geralmente de curto prazo, demandam dinheiro e tempo pela repetição constante dos processos burocráticos de licitação. Todos os portos brasileiros fazem apenas dragagens de manutenção. O Porto de Itajaí é o único porto do Brasil que mantêm uma dragagem de manutenção permanente.
Foi esse diferencial que levou o Ministério dos Transportes a utilizar o Porto de Itajaí como modelo para implantação do novo programa do governo federal.

O diretor executivo do porto, Marcelo Werner Salles, explicou que o Porto de Itajaí utiliza contratos de dragagem de manutenção de cinco anos. “É esse tipo de contrato que nos permite manter o nosso calado e oferecer maior segurança aos navios que atracam aqui”.

“Nós enviamos todos os editais e cópias de contrato
para que o Ministério pudesse usar o material para preparar o novo programa de dragagem para os portos brasileiros”, explicou Salles. O Programa de Dragagem por Resultados visa uma reformulação dos contratos de dragagem sem alteração da legislação vigente. De acordo com Edison Vianna, diretor-substituto do Departamento de Portos do Ministério dos Transportes, os contratos de dragagem vigentes nos portos brasileiros são de curto prazo. “A dragagem é algo constante no canal de acesso de um porto. Com contratos de curto prazo, todo o trâmite do processo de licitação demora muito e acaba onerando a operação”, explicou Vianna.

Ele ainda coloca que “o Programa de Dragagem por Resultados prevê a implantação de contratos de longo prazo para que os trabalhos de dragagem não fiquem pela metade e não se tornem tão dispendiosos”. No Porto de Itaguaí, antigo Porto de Sepetiba, o programa já está em fase de implantação.
O superintendente do Porto de Itajaí, Wilson Francisco Rebelo, ressaltou a importância da escolha de Itajaí como modelo para o novo programa. “O Porto de Itajaí têm sido referência nacional e internacional em movimentação e processos logísticos. Hoje, somos referência também em dragagem. Estas são as determinações do prefeito Volnei Morastoni, que nos exige crescimento de forma organizada como forma de gerar emprego e renda para toda a população”, destacou Rebelo. Em 2006, o Porto de Itajaí foi um dos 11 portos contemplados pela Agenda Portos, programa do governo federal para solucionar os gargalos logísticos em portos brasileiros.

 

HOJE EM DIA - MG

BRASÍLIA
10/03/2007

 

 

 

Centro-Oeste ganha pouca verba

 

 

 

 

 

O Centro-Oeste será a região menos contemplada com as medidas do PAC. Em três anos, receberá R$ 24,1 bilhões em investimentos, o equivalente a 4,78% do que o Governo pretende aplicar. Os governadores da região já reclamaram oficialmente dos baixos percentuais de investimento. O senador Marconi Perillo (PSDB-GO), presidente da Comissão de Infra-estrutura do Senado, reconhece a importância do PAC, mas reclama da falta de atenção ao Centro-Oeste. «Isso é um equívoco, é como punir quem faz o dever de casa bem feito, já que o Centro-Oeste tem os melhores indicadores econômicos e sociais e cresce acima da média nacional», afirmou.

Na área de transportes, estão contempladas no PAC a duplicação de quatro estradas federais, entre as quais a BR-070, entre o DF e Águas Lindas, e a BR-060, entre Anápolis e Brasília. Outras três rodovias serão pavimentadas e uma receberá uma ponte. Por meio de parcerias com o setor privado, devem ser construídos dois trechos ferroviários e feitas melhorias na hidrovia do Paraná-Paraguai.

Três aeroportos da região também receberão melhorias. No Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek, a capacidade de passageiros deve aumentar para 11 milhões por ano. Já no Aeroporto de Goiânia, a expectativa é do aumento para 2,1 milhões de passageiros por ano. O aeroporto de Cuiabá vai receber reforma do terminal de passageiros. Para a melhoria da infra-estrutura hídrica estão previstos R$ 171 milhões para a região, de um total de R$ 8,7 bilhões que devem ser aplicados na infra-estrutura social e urbana.