ESTADO DE MINAS - MG

POLÍTICA
13/08/2006

 

Herança eleitoral cobiçada

Candidatos a deputado tentam herdar votação de caciques políticos que não vão disputar eleições. ‘Espólio’ mais desejado é o de Patrus, o mais votado em 2002

 

Juliana Cipriani *
Alguns dos parlamentares mineiros mais votados para a Câmara dos Deputados não vão concorrer à reeleição este ano, deixando os candidatos que participam do pleito de olho nos cerca de um milhão de eleitores que, juntando as votações, eles chegaram a conquistar em 2002. Mas o espólio eleitoral, na maioria dos casos, deve ser direcionado a um ou mais nomes que os deputados indicaram às suas bases para continuar seus trabalhos no Legislativo.

Quem se deu bem com a desistência de Patrus Ananias (PT), que preferiu continuar no Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome a concorrer ao segundo mandato de deputado federal, foi o vereador Carlão (PT). O candidato a deputado federal tem o apoio preferencial e o voto declarado do ministro, que teve a maior votação do estado de 2002. Foram 520 mil votos, sendo que quase 90% dos eleitores se concentram em Belo Horizonte e na Região Metropolitana de BH. Carlão, que já atua na capital, onde Patrus teve 304 mil eleitores, não sabe quantos votos pode conseguir por transferência. “Quem quantifica votos é dono de curral eleitoral e somos contra isso. Mas quando ele (Patrus) declara o voto, sinaliza para uma parcela do eleitorado dele que temos as mesmas visões de País, cidade, política e ética”.

Ciente da capacidade de interlocução com os mineiros, o ministro vai procurar potencializar também outras candidaturas regionais do campo democrático popular. Patrus vota em Carlão (federal) e no deputado André Quintão (para estadual), mas também declarou apoio a candidaturas à Câmara como as de Maria do Carmo Lara e Virgílio Guimarães. O deputado estadual Rogério Correia (PT) também usa texto de apoio de Patrus em seu material de campanha e busca uma parcela de votos do ministro. “Antes de resolver a candidatura perguntei ao Patrus se ele disputaria como deputado federal, como ele não ia eu resolvi concorrer”.

IDENTIFICAÇÃO O deputado Eliseu Resende (PFL), que tenta agora uma vaga no Senado, está distribuindo seus potenciais 212 mil votos (número obtido no último pleito) entre os companheiros da coligação ‘Minas não pode parar’. De acordo com ele, é preciso que o candidato já tenha identificação com a região e que haja aceitação entre as lideranças locais. “Não posso chegar em meus redutos e dar uma ordem de cima para baixo para passarem a votar em alguém, tem que ter receptividade”. Majoritário em cerca de 70 municípios espalhados pelo estado, principalmente na região metropolitana, Oeste e Alto do Paraopeba, Eliseu Resende indicou novatos e veteranos para a Câmara.

Os votos de Eliseu em Sabará estão sendo direcionados para o ex-prefeito de Nova Lima, Vitor Penido, os de Santa Luzia para o ex-prefeito de Uberaba, Marcos Montes, e os de São João del-Rei para o ex-prefeito de Lavras Carlos Alberto, todos do PFL. Em Vespasiano o deputado indicou Paulo Abi-Ackel (PP), filho do atual secretário de Defesa de Minas, Ibrahim Abi-Ackel, que este ano também deixa de concorrer passando votos para o filho. Na cidade de Curvelo, Eliseu indicou seus votos para o ex-diretor do Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes (
DNIT), Alexandre Silveira (PPS). No caso dos deputados federais que concorrem à reeleição, a parcela da cidade de Oliveira vai para Carlos Melles (PFL). E em Santos Dumont, o parlamentar passa votos para o deputado estadual Luiz Fernando (PP), que tenta uma vaga na Câmara.

Patrus teve 520 mil votos em 2002. Como ele não disputa as eleições este ano, candidatos tentam herdar a preferência dos seus eleitores

 

 

ISTOÉ - SP

BRASIL
13/08/2006

 

As milionárias crateras de nossas estradas

PF faz perícia nas rodovias e descobre que metade do dinheiro pago pelo governo é desviada

 

Por Joceline Gomes e Hugo Marques
Há uma novidade relevante sob o asfalto das
rodovias brasileiras. Neste momento, 40 peritos do Instituto Nacional de Criminalística (INC), da Polícia Federal, fazem prospecções em estradas de cinco Estados, colhendo amostras de piche e pedras, para descobrir qual a razão de tantos buracos. Já foram produzidos 20 laudos e, desses, quatro foram anexados a inquéritos policiais – aos quais ISTOÉ teve acesso com exclusividade. A constatação é que os buracos financeiros são maiores que as crateras encontradas no asfalto. Os peritos concluíram que, em média, 50% do dinheiro de cada uma das 20 obras, sem exceção, foi desviado para bolsos privados. As construtoras aplicam materiais de terceira qualidade, registram desmatamentos em local sem árvores e diminuem a espessura do asfalto. A espessura mínima de 2,5 centímetros chega a cair para um centímetro. Os quatro laudos anexados a inquéritos, todos relativos a trechos de asfalto no Tocantins, comprovam desvio total de R$ 230 milhões. “Estes laudos constituem um avanço importante na identificação da corrupção”, comemora Lucas da Rocha Furtado, procurador-chefe do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União. “É um marco no combate ao crime organizado.”

O INC já faz laudos de qualidade de asfalto no Tocantins, Acre, Piauí, Roraima e Rio Grande do Sul. Os laudos dos peritos começam a ser anexados a inquéritos que apuram superfaturamento, desvios, fraude e outros tipos de crimes. Há milhares de trechos para serem analisados em todo o País, em obras federais ou estaduais que levam dinheiro da União. O caso mais acintoso, até o momento, é o da construção de 89 quilômetros de rodovia entre os municípios de Wanderlândia e Xambioá, no Tocantins. São dois contratos firmados entre a Secretaria dos
Transportes do Estado e as empreiteiras Egesa Empreendimentos, de Minas Gerais, e Via Engenharia, de Brasília. O laudo aponta irregularidades em obras de desmatamento e no movimento de terra. Segundo os peritos, teriam sido desviados R$ 85 milhões, em valores atualizados. Significa um desvio de R$ 1 milhão por quilômetro. “Não tem superfaturamento”, garante Eduardo Martins, diretor comercial da Egesa. “Hoje, fazer obra não está fácil.” Em sua defesa, Martins apresenta relatório da Secretaria de Controle Externo do TCU. No despacho, o auditor do Tribunal atesta que a obra foi realizada “a contento”. A direção da Via, por sua vez, informa que vai se inteirar do processo antes de se pronunciar.

Nessa primeira amostragem da PF, a Egesa também foi apanhada no contrato da construção de trecho de 68,5 quilômetros entre Aguiarnópolis e Luzinópolis, no Tocantins. O prejuízo corrigido seria de R$ 66,9 milhões. Também para esse caso, a Egesa utiliza relatórios do Tribunal de Contas em sua defesa. Mas é exatamente essa a novidade. Até agora, todas as obras públicas vinham passando por auditorias do TCU, por amostragem. Os auditores fazem uma análise dos documentos da licitação e visitam algumas obras para checar se elas realmente existem. Geralmente as
estradas estão lá. O que a PF começou a fazer é analisar com profundidade a qualidade da obra – e seu custo real. Ou seja, saber se a camada de asfalto empregado, a quantidade de brita e compostos químicos confere com os valores contratados no papel. É uma mudança na realidade brasileira. “Hoje, estão só passando farofa por cima de um asfalto já desgastado e jogando o dinheiro público fora”, acusa o presidente da Associação Brasileira de Transporte de Cargas, Nilton Gibson. “Com a primeira chuva, tudo vira pó.”

No momento, o governo federal realiza obras de recapeamento no valor de R$ 440 milhões dentro da Operação Tapa-Buracos, anunciada pelo presidente Lula em janeiro último. O TCU checou as licitações e constatou irregularidades que justificam a paralisação de 47,5% dessas obras. Elas agora devem entrar na longa fila das perícias da PF. O problema é que perícia custa muito dinheiro. A PF gasta em média R$ 15 mil por cada laudo de análise de asfalto. Sem alguns equipamentos, os peritos recorrem aos laboratórios das universidades e institutos. O INC em Brasília tem excelentes equipamentos para análise de drogas e substâncias químicas, por exemplo, mas a área de análise de qualidade de asfalto é novidade técnica. Com menos de R$ 100 mil, dizem os peritos, será possível comprar as máquinas para montar um mini-laboratório de análise de asfalto. “O Congresso também pode ajudar criando leis mais rígidas para punir superfaturamento”, diz o analista político Márcio Coimbra. “A dificuldade é que muitos políticos tiram o dinheiro das campanhas justamente dessas obras.”

 

 

ISTOÉ - SP

BRASIL CONFIDENCIAL
13/08/2006

 

Meu nome é Clifford

 

O empresário Clifford Sobel, novo embaixador dos EUA no Brasil, chegou com fama de falcão, mas disposto a fazer amigos – e a apresentar resultados rápidos. Foi conhecer a mansão campestre que lhe reservaram em Brasília, mas preferiu morar numa casa na Península dos Ministros. Assim que entrou, chamou as faxineiras e jardineiros e quis conhecer cada um. Na embaixada, fez o mesmo, passando pelo primeiro teste de simpatia.

Socorro

Eike Batista pediu ajuda ao Itamaraty para retirar da Bolívia os equipamentos da siderúrgica que tentou montar no país. Investiu US$ 60 milhões, mas foi expulso por Evo Morales. O plano é convencer o vice Álvaro Garcia a liberar a carga. É ele quem manda de fato no governo.

Impacto profundo

Uma força-tarefa do
Ministério Público, Receita e da Polícia Federal planeja executar esta semana uma grande operação. Com prisão de grandes empresários e de funcionários públicos.

O som da ruas

Não está fácil para o ex-ministro da Saúde Humberto Costa sair pelas ruas de Recife. Em campanha pelo governo do Estado, ele vem sendo perseguido por militantes do PSOL, que se divertem em imitar o som de ambulâncias pelos
lugares em que ele passa.

Direto da ilha

O cubano Manoel Garcia, braço direito de Fidel Castro na estatal Habanos Tabacos, procura novos parceiros para distribuir seus charutos no Brasil. Garcia tenta se acertar com a indústria América Virgínia. O problema é que a empresa deve mais de R$ 1 bilhão ao Fisco.

Cidadão brasileiro

Francisco Antônio Soares, fazendeiro em Pedro Avelino, sertão do Rio Grande do Norte, procurou a Controladoria Geral da União, em Brasília, exigindo uma fiscalização nos políticos locais. “Se fizerem uma auditoria na cidade, vão lotar um ônibus de ladrões”, diz. “Se eu não estiver certo, podem me prender”, desafia.

Toma-lá-dá-cá: Ivo Cassol, governador de Rondônia

ISTOÉ – Rondônia virou terra sem lei?
Cassol – Não concordo. Brasília não está diferente daqui. Só que foi por aqui que começou a moralização.

As prisões da Operação Dominó ajudam a moralizar o Estado?
Com certeza absoluta. Eu fiz as denúncias.

Mas há noticias que chegam do Estado apontando ligações do sr. com a máfia.
O quê? Eu coloquei minha vida em risco. Se tudo que eu fiz cair na mesma vala,
não vale a pena ser honesto no Brasil.

Negócios carnais no Mercosul

O presidente Lula foi informado de uma história cabeluda envolvendo a emissão de US$ 6 bilhões dos chamados “Bonos del Sur”, títulos públicos bilaterais recém-criados pelos presidentes Hugo Chávez, da Venezuela, e Néstor Kirchner, da Argentina. Eis a jogada: o governo Chávez compra os títulos emitidos pela Argentina e os revende a 33 bancos privados, que os negociam em Wall Street. A operação tem rendido 20% em média – 8,5% para os governos e 11,5% para os bancos. Por isso, Lula protela a criação do Banco.

Os sapatos do pescador

Geraldo Alckmin foi à Fiesp cabalar apoio. Em conversa com Paulo Skaf, o presidente da entidade, e o vice, Benjamin Steinbruch, o candidato falava sobre os cuidados que deve ter com a imagem. O três então conferiram a origem dos elegantes sapatos que calçavam.
Todos Made in Brazil. Ufa!

Efeito PCC

Uma gigante americana do petróleo está reavaliando seus planos de investimento no Brasil por causa do PCC. Havia separado US$ 2 bilhões para explorar petróleo e gás na Baixada Santista. Mas os executivos estão assustados com as notícias sobre a insegurança em São Paulo.

Bunker lotérico

Na noite de sábado 12, a Caixa Econômica Federal desliga as máquinas da GTech e assume as operações das loterias no Brasil. A multinacional reage. Em Minas Gerais, a GTech promoveu uma grande feijoada no sindicato dos lotéricos para propor uma parceria na distribuição das Raspadinhas.

Conta salgada

Os senadores José Sarney e Renan Calheiros já apresentaram ao presidente Lula a conta pelo apoio num segundo mandato. Querem quatro ministérios – Saúde, Educação,
Transportes e Desenvolvimento. Além do BNDES. Avaliam que o PMDB emergirá das urnas com 150 deputados– e o PT com 50.

Linha da morte

O comando da campanha de Lula temia que Geraldo Alckmin ultrapassasse a barreira dos 35% dos votos antes do programa eleitoral. Poderia haver uma arrancada irreversível do adversário. Já os tucanos se apavoravam com a idéia
de o candidato cair abaixo dos 20%. Poderia despencar.

Retrato falado

O presidente do Banco UBS Pactual, André Esteves, fez sua estréia como palestrante diante de 121 executivos reunidos em São Paulo pelo Lide – Grupo de Líderes Empresariais. Ele apresentou a opinião da banca em relação ao momento econômico do País. No mês passado, Esteves comandou a operação de venda do Pactual para o suíço UBS, fechando um negócio de US$ 3,1 bilhões. Confira ao lado se ele se mostrou otimista: “O Brasil vive hoje seu melhor momento dos últimos 500 anos”.

Rápidas

• O professor Carlos Lessa está trabalhando duro no programa de governo da candidatura Heloísa Helena. Foi cooptado pelo candidato a vice da chapa, César Benjamin, antigo discípulo de Lessa e de Maria da Conceição Tavares.

• O Tribunal de Contas da União detectou estranhos repasses a entidades ligadas à reforma agrária. Apenas uma delas, ligada ao MST, recebeu do governo R$ 2,2 milhões.

• 40 mil pessoas já se inscreveram para participar do Programa de Voluntariado do Pan do Rio, em 2007. Há apenas 20 mil vagas.

• Lembram-se dos papéis da ditadura queimados na Base Aérea de Salvador? Mais um laudo da PF atesta que os documentos foram destruídos em outro lugar.

 

 

JORNAL DO BRASIL - RJ

BRASIL
13/08/2006

 

Trem bala longe dos trilhos

 

Rodrigo Camarão
Anunciado com pompa e circunstância pelo governo há seis meses, o projeto de construção de um trem bala entre Rio e São Paulo ainda não entrou nos trilhos. O megaprojeto de US$ 9 bilhões (R$ 19,8 bilhões) está estacionado na mesa do
ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos. A empolgação com o plano da italiana Italplan, que prometia executar a obra em sete anos com recursos exclusivamente privados, deu lugar ao ceticismo. Pouco depois de o governo divulgar a intenção de embarcar na idéia de ligar as duas principais cidades do país a 280 km/h e em 88 minutos, os estrangeiros recorreram ao BNDES com pedido de empréstimo de US$ 3 bilhões - um terço da obra. A oferta não era tão sedutora assim.

Um grupo de trabalho foi criado, sob a coordenação de José Francisco das Neves, presidente da Valec, estatal responsável pela construção de
ferrovias. Durante um ano, a equipe analisou três propostas: da Italplan, da Transcorr, um consórcio de 16 empresas alemãs e brasileiras, e da Siemens. A Italplan encheu os olhos dos técnicos ao prometer o trem de alta velocidade sem que o governo precisasse gastar um tostão.

A empresa apresentava ainda a menor tarifa por passageiro: US$ 39 (R$ 85). Para efeito de comparação, uma passagem na ponte aérea chega a R$ 199. Os italianos queriam contrapartidas, como o prazo de concessão de 42 anos - sete só para construção. Mais decreto para desapropriações, licenças ambientais, fornecimento de energia de Angra 2 a preço competitivo e isenção de taxas de importação.

Em ano eleitoral, o governo estava disposto a dar a partida a todo vapor no projeto que envolveria 20% da população do país e geraria algo em torno de 140 mil empregos. Até o pedido de financiamento. O edital deveria ser lançado em maio. Nada foi feito. O
ministério informa que ainda avalia a proposta.

A megalomania do projeto fez com que a oposição visse o caráter eleitoreiro da idéia. O senador Álvaro Dias (PFL-PR) cobrou explicações. Recebeu respostas evasivas. Em tempos de busca de votos, o candidato ao governo de São Paulo, Aloizio Mercadante (PT), voltou a tocar no assunto dia 25. Se comprometeu a se empenhar na criação do trem bala, que por enquanto, é apenas um sonho.

 

CORREIO BRAZILIENSE - DF

CIDADES
13/08/2006

 

Quatro pessoas morrem na BR-070

O primeiro acidente envolveu um caminhão com um trator na caçamba: motorista deixa cinco filhos

 

Paulo de Araújo/CB
A falta de segurança na BR-
070, estrada que liga Brasília a Pirenópolis, provocou mais uma tragédia nas rodovias. Quatro pessoas morreram e pelo menos cinco ficaram feridas em duas colisões sucessivas ocorridas entre as localidades goianas de Cocalzinho e Edilândia. No total, cinco veículos acabaram destruídos – entre eles, um carro da Polícia Rodoviária Federal (PRF) – em batidas registradas em um intervalo de nove horas.

O primeiro acidente ocorreu por volta das 14h de sexta-feira. Um caminhão pequeno, com um trator de esteira na carroceria, capotou depois de sair da pista logo após uma curva. O motorista, identificado como Valdivino Cardoso de Almeida, 39 anos, morreu no local. Ele era seguido pelo patrão, que viu a estrutura do caminhão não resistir ao peso da carga. Depois de se desprender, o trator esmagou parte da cabine e prensou o condutor contra o painel do veículo.

A sogra da vítima, Luzia Almeida Madureira, 44, disse que o genro mudou-se para Edilândia há um mês para trabalhar como mecânico. Ele vivia com a mulher e os cinco filhos em Girassol, povoado ao lado de Águas Lindas. “Aquela parte é muito perigosa. Muita gente já morreu ali”, disse a mulher. Além de asfalto precário, o trecho da rodovia é irregular. O desnível pode ter feito o trator deslizar. O km49, onde ocorreu o acidente, tem ainda matagal que toma conta das margens e atrapalha a visão dos motoristas.

A insegurança provocada pelo acidente obrigou policiais rodoviários federais a isolar a área. Ainda assim, a operação de retirada dos veículos acidentados só começou após 20h de sexta-feira. O trecho sem iluminação pública recebeu cones de proteção e pelo menos três carros de conhecidos da vítima permaneceram na região protegida com os piscas-alertas ligados — inclusive o rotolight da caminhonete da PRF. Todos acompanhavam com tranqüilidade o trabalho de um caminhão-guincho.

Por volta das 23h, no entanto, um caminhão carregado de melancias aumentou a tragédia. O veículo em alta velocidade invadiu a área isolada e atingiu os carros parados. “O motorista seguia a mais de 100km/h, com certeza. Foi horrível, saiu batendo em todo mundo”, descreveu Valdomir Egídio da Costa, 52. O Toyota Hilux do produtor rural foi jogado para fora da pista. Ele foi um dos únicos que nada sofreu.

Valdomir levou três pessoas feridas ao Hospital Bom Jesus, em Águas Lindas. Os casos mais graves foram atendidos pelo Corpo de Bombeiros, que chegou ao local em cerca de 20 minutos. Outras três pessoas não resistiram aos ferimentos. Sérgio Marques Medeiros, 44 anos, e um homem não identificado morreram no Hospital de Base. Um adolescente de 14 anos, funcionário do guincho, perdeu a vida no asfalto.

Atendimento
Os feridos receberam atendimento emergencial nos hospitais de Base, Bom Jesus e Regional de Ceilândia. Até o fechamento da edição, apenas dois deles haviam sido identificados. Um deles é o vereador de Cocalzinho Raulino Pereira de Farias, 37, amigo do mecânico Valdivino. Ele quebrou as duas pernas, a bacia e costelas. Também teve um edema pulmonar.

Segundo o irmão Rivanildo Pereira de Farias, 29, Raulino chegou de helicóptero às 2h, mas só foi atendido às 7h. “Ele ainda precisa de UTI e o que dizem é que falta leito. É um absurdo”, denunciou.O caso nem começou a ser investigado pela polícia. A ocorrência será registrada na delegacia de Cocalzinho apenas amanhã — não há plantões nos finais de semana. O condutor do caminhão de melancias está desaparecido.
(Guilherme Goulart e Pablo Rebello)