MERCADO ABERTO
14/11/2006
INVESTIMENTO
A indústria da construção pesada animou-se com
a previsão de investimento em infra-estrutura. Em 2007, o projeto de lei do
Orçamento prevê um volume 16,7% maior no segmento. Ao todo, são R$ 13,7 bilhões
-quase metade estaria destinada ao setor de transportes,
que, com isso, poderá receber, no próximo ano, um volume de recursos 34,1%
maior do que neste ano. Para as rodovias
devem vir R$ 4,6 bilhões. Os transportes
devem receber 90% dos recursos do PPI de 2007, totalizando R$ 4,1 bilhões. O
Sinicon espera que não seja só promessa: até outubro, foi pago cerca de R$ 1,3
bilhão dos R$ 4,5 bilhões empenhados no DNIT.
DINHEIRO
14/11/2006
Agricultura terá 2007 melhor, diz ministro
Aumento recente no preço das commodities
deverá dar alívio para produtores rurais, afirma Luiz Carlos Guedes Pinto
MAURO ZAFALON
DA REDAÇÃO
A recente alta de preços das commodities não só deu novo alívio aos produtores
agrícolas como também pode mandar embora as nuvens negras que rondavam o setor.
As expectativas para o próximo ano, agora, são favoráveis e o país deverá ter
uma safra de grãos razoável em 2007, segundo afirmou o ministro da Agricultura,
Pecuária e Abastecimento, Luiz Carlos Guedes Pinto, em entrevista exclusiva à
Folha ontem. Essa elevação de preços pode até afetar a taxa de inflação no
próximo ano, mas o impacto, se houver, será pequeno devido ao volume de estoques
governamentais, diz o ministro. A seguir, os principais trechos da entrevista.
FOLHA - O cenário agrícola melhorou nas últimas semanas. As nuvens negras sobre
o setor de grãos estão indo embora?
LUIZ CARLOS GUEDES PINTO - Acredito, de fato, usando a sua expressão, que as
nuvens negras estão desanuviando. Nossa expectativa é de um ano [2007] agrícola
bastante satisfatório. Teremos uma safra razoável. Mas a dissipação das nuvens
depende também das políticas de apoio do governo.
FOLHA - Além dos preços, o clima também está favorável...
GUEDES - Por isso, devemos ter safra da ordem de 120 milhões, 122 milhões de
toneladas.
FOLHA - Há uma demanda inclusive por pequenas máquinas, utilizadas no setor de
frutas. A agricultura está tomando um rumo que pode não ser só o de grãos?
GUEDES - Sim, está havendo uma diversificação. E é nesse sentido que estamos
trabalhando, e apoiando vários segmentos.
FOLHA - De que forma?
GUEDES - Com esses vários mecanismos de crédito à disposição do produtor. Com
um volume muito menor de recursos você pode apoiar a comercialização,
interferir no mercado com menos recursos e ter uma influência muito maior.
FOLHA - A comercialização de milho, arroz e soja não atingiu 100% do produto
colocado em leilão. Isso é um sinal de que o produtor está visualizando algo
melhor na frente?
GUEDES - Exatamente. O produtor acredita nessa reação do mercado. Você percebe
claramente que os produtores têm a expectativa de uma melhoria no futuro.
FOLHA - O aumento de preços dos produtos agrícolas pode influenciar a taxa de
inflação no ano que vem?
GUEDES - Não creio que haja impacto significativo na inflação. É claro que essa
reação nos preços pode mexer em algum valor. Temos estoques razoáveis de todos
os produtos básicos e não creio em impactos.
FOLHA - Pelo menos 70% da demanda de trigo será importada. Para o produtor,
isso ocorre por falta de incentivo do governo. Isso não preocupa?
GUEDES - O trigo sempre foi um produto diferenciado. Quer dizer, é um produto
em relação ao qual a nossa vantagem natural não ocorre quando você compara com
soja, milho ou algodão. As nossas condições naturais não são favoráveis.
FOLHA - Pode melhorar em 2007?
GUEDES - Os preços estavam baixos e nós tivemos ainda condições climáticas
altamente desfavoráveis. Então, isso fez com que houvesse, inicialmente, uma
redução na área plantada e depois uma queda substancial na colheita. Mas os
preços estão reagindo, e o plantio deve aumentar em 2007.
FOLHA - Os problemas agrícolas são maiores em grãos e pecuária...
GUEDES - Isso é verdade. Cana, laranja e café vão muito bem. Por isso, acho
favorável o cenário para 2007. Se você pega os dados do BNDES, vai ver que as
linhas de crédito para investimento na agricultura, em 2006, foram inferiores a
2005. Espero que em 2007 haja uma recuperação. Aliás, já está começando essa
recuperação.
FOLHA - E os investimentos externos, como estão?
GUEDES - Há muita sondagem, muitas visitas e aproximações, sobretudo no campo
da agroenergia. Mas estamos na fase de aproximação, de análise.
FOLHA - O setor sucroalcooleiro estima que, ao final de abril de 2007, os
estoques serão de 1 bilhão de litros de álcool. Por que o governo elevou o
percentual da mistura de álcool à gasolina para 23%, e não 25%, como era antes?
GUEDES - Porque havia uma dúvida sobre esses estoques. Mas em janeiro vamos
reavaliar. O governo não tem interesse em ter um estoque de passagem muito
elevado.
FOLHA - Apesar da recuperação dos preços dos grãos, restam dois problemas para
o agricultor ainda: o câmbio e a logística. O que pode ser feito nesses dois
casos?
GUEDES - Quase nada. Com relação ao câmbio, levamos essas preocupações ao
Ministério da Fazenda. Da mesma forma, com relação à logística, levamos essa
preocupação às instâncias de governo, sobretudo ao Ministério
dos Transportes.
FOLHA - Há recursos para resolver os problemas de logística no próximo ano?
GUEDES - Há uma constante preocupação do presidente e dos seus principais
assessores que tratam desse tema para a superação desses gargalos.
FOLHA - Os produtores reclamam que o volume de R$ 41 milhões de subvenção de
seguro foi pouco. Essa não era uma política prioritária do governo?
GUEDES - Estamos complementando com outros R$ 19 milhões que estavam previstos.
Estive com o ministro [Guido] Mantega na semana passada para liberar esses
recursos.
FOLHA - O setor de carnes passa por um período de preços baixos. Não há uma
concentração na ponta compradora?
GUEDES - Há. Por isso estamos pensando em criar um mecanismo para distribuir de
maneira mais equitativa as riquezas geradas no setor. Isso ocorre também em
outros setores, como citricultura e grãos. É preciso um trabalho conjunto e uma
abertura de todas as partes. É um trabalho de longo prazo. Mas há problemas
também do lado dos produtores. Há três anos quebraram contratos de soja porque
os preços dispararam lá fora.
FOLHA - O setor avícola diz que o ministério está lento nos acertos finais no
combate às doenças. Como o sr. vê essa crítica?
GUEDES - Temos dificuldades e limitações na defesa sanitária, mas temos atuado
intensamente. Identificamos três casos de Newcastle em propriedades
não-comerciais. Isso significa que estamos fazendo um forte monitoramento.
FOLHA - As ocupações do MST aumentaram. Isso preocupa?
GUEDES - Preocupa e espero avanços na próxima administração. Mas essa é uma
questão que tem várias dimensões e não pode ser vista apenas por um dos lados.
É um tema delicado, mas precisa haver entendimento entre as partes com uma coordenação
de governo.
FOLHA - A morosidade da CTNBbio continua?
GUEDES - A CTNBio conseguiu despachar um número maior de processos, mas não
avançou nas liberações de pesquisas, sobretudo por parte da Embrapa.
FOLHA - Se convidado, o senhor aceitaria continuar no ministério?
GUEDES - Cabe ao presidente tomar uma atitude sobre isso. Se isso ocorrer [o
convite], eu teria de analisar com ele o que ele espera do Ministério da
Agricultura para saber se estaríamos em condições de atender a essa demanda.
OPINIÃO
14/11/2006
O terminal de contêineres de Sepetiba :
realidade em marcha
Por Eliezer Batista e Raphael A. Magalhães
O terminal de contêineres de Sepetiba não entrou na agenda dos candidatos. Nem
dos candidatos a governador nem dos candidatos à presidência da República.
Passou batido, como se não existisse.
E, não obstante, é estratégico: 1) para o desenvolvimento da economia estadual,
estagnada nos últimos anos; 2) para uma modificação estrutural na pauta de
exportação brasileira, dominada por produtos primários, suscetíveis, como
mostra a história, a variações abruptas em preço e quantidade, introduzindo um
alto grau de incerteza no desempenho de nossas contas externas.
Esta incompreensão do papel estratégico do terminal de contêineres de Sepetiba
vem de longe. Data do governo FHC. Pela resistência combinada de Docas do Rio
de Janeiro (a autoridade portuária do porto) e de Docas de Santos (o maior porto
de contêineres do país), uma das raras alianças entre Rio e São Paulo que funcionaram.
Por isso, o terminal nunca foi configurado como o "Hub port" do
Atlântico-Sul, como era necessário para adequar o sistema portuário brasileiro
à revolução em marcha na tecnologia do transporte marítimo transoceânico.
O terminal foi licitado, em 1998, como se fosse um terminal qualquer. Evitou,
sempre, definir uma política portuária nacional, que articulasse,
sistematicamente, a operação dos diversos portos
nacionais. Diante desta indefinição o leilão do terminal só não gorou porque o
Sr. Benjamin Steinbruch, então controlador da Vale do Rio Doce e da CSN,
arrendou o terminal pelo preço mínimo estabelecido. E, posteriormente, após o
descruzamento das duas empresas, o terminal de contêineres passou ao controle
da CSN, na qual é acionista majoritária, mesmo porque nele está instalado um
cais especial para produtos siderúrgicos de importância estratégica para a
companhia.
Como era de se presumir, a indefinição funcional afetaria o desempenho do
terminal. E o país continuaria sem serviços portuários adequados para facilitar
uma inserção mais competitiva no comércio internacional de produtos
industrializados, uma vez que não estava na rota dos grandes navios transoceânicos.
O desempenho do terminal arrastava-se. Os acessos rodoviários não eram
construídos. As licitações abertas para sanar o problema eram interrompidas. Os
recursos destinados às obras eram, sempre, contingenciados. O terminal
vegetava: não tinha carga porque não tinha navios, e não tinha navio porque não
tinha carga.
O leilão do terminal só não gorou porque o controlador da Vale e da CSN em 1998
arrendou o terminal pelo preço mínimo estabelecido
Afinal, a partir de 2004, com o "boom" do comércio internacional, o
terminal ganhou alento efetivo. Os armadores de navios de contêineres de nova
geração que deslocam, no mínimo, 5.000 TEUs, com muito maior velocidade de
cruzeiro, descobriram o terminal de contêineres de Sepetiba. E, desde então,
ano após ano, cresce, exponencialmente, o número de navios transoceânicos de
grande porte que buscam os seus serviços. E, se o país se converter, como é de
importância estratégica absoluta para o seu futuro, em ator importante na arena
internacional de produtos industrializados, o terminal de contêineres de
Sepetiba, devidamente expandido nos seus berços e respectivas retro-áreas, tem
fôlego para ultrapassar o movimento atual do porto de Santos, que não opera, em
condições fisicamente satisfatórias, navios de contêineres transoceânicos de
nova geração.
Sepetiba é o único terminal de contêineres em condições de operar os navios
modernos que estão saindo do estaleiro e reduzem, por sua densidade de carga e
sua velocidade, os fretes dos produtos industrializados. Estes navios exigem
condições especiais no berço de atracação: calado mínimo de 14,5 metros,
retro-área livre, eficiência operacional na movimentação da carga, além de uma
razoável logística de terra, representada por acesso ferroviário, rodoviário e
marítimo e respectiva intermodalidade, sem os entraves de um centro urbano
congestionado. Pois mais do que nunca, num mundo altamente competitivo, o que
importa na logística - uma noção de custo - é o "door to door
logistic" isto, é, o preço de deslocamento de um produto de um ponto
inicial a outro ponto terminal, como se tudo integrasse uma única operação.
Como prevíramos, dos 300 mil TEUs que o terminal vai processar neste ano de
2006, metade é carga de exportação, metade é carga de importação. Mais
importante: quase 40% do total manipulado é carga do transbordo, isto é,
destinada a outro terminal portuário. Isso, não obstante a omissão das
autoridades e os obstáculos criados. Sepetiba, afinal, se converteu em porto
concentrador de carga, servindo, inclusive, em porto de apoio para os demais
países do Mercosul, Argentina e Uruguai.
Está na hora dos governos, estadual como federal, assumirem o terminal de
contêiner de Sepetiba como um projeto estratégico nacional, sem se deixarem
intimidar por eventuais pressões dos interesses que serão afetados pelo
florescimento do terminal. Sua expansão terá formidável impacto para a economia
nacional e estadual, com efeito positivo sobre as contas externas do país, para
o sucesso de uma política industrial voltada a exportação de bens de maior
valor agregado e para reerguimento da economia fluminense.
Para consolidar o terminal, é fundamental: 1) que a Antac autorize a concessionária
Sepetiba-Tecon a realizar as obras de ampliação do cais de acostamento para
abrigar os novos navios de contêineres que deslocam mais de 5.000 TEU´s, e que
já se acomodam com dificuldade no espaço atualmente disponível; 2) complete as
obras de duplicação da BR-101, inclusive com a construção do viaduto de acesso
ao porto, cuja licitação foi anunciada pelo DNIT;
3) garanta a Companhia Docas do Rio de Janeiro os recursos para duplicação do
canal, de 20 km para acesso ao porto de Sepetiba, fundamental para garantir a
movimentação, conjunta, de navios graneleiros, de minério e de contêineres,
sobretudo para não sacrificar a entrada e saída dos navios de contêineres, em
número muito maior que os navios operadores de grãos e minérios; 4) autorize,
afinal, a MRS a construir o Ferroanel Norte, de São Paulo, a fim de garantir
acesso ferroviário em bitola larga direto da região industrial de São Paulo,
aos terminais de contêineres de Santos ou de Sepetiba, em condições técnicas
que permita aos produtos da indústria brasileira ser competitiva no mercado
internacional; e 5) se articulem, os governos federal, estadual e municipal, inclusive
o do Rio, para a elaboração de um plano diretor básico que: a) defina uma política
racional integrada para suprir a área sob influência do porto de Sepetiba da
infraestrutura de serviços necessários à plena realização do seu potencial; b)
defina política de ocupação do espaço urbano e rural que não degrade a área e
permita o seu desenvolvimento sustentado.
Eliezer Batista é ex-ministro dos Transportes
e ex-presidente da Companhia Vale do Rio Doce
Raphael de Almeida Magalhães é ex-ministro da Previdência Social e
ex-governador da Guanabara.
POLÍTICA
14/11/2006
PT quer de volta liderança do governo no Senado
Raquel Ulhôa
A bancada do PT no Senado decidiu a reagir à perda de espaço político do
partido no governo Luiz Inácio Lula da Silva para o PMDB. O primeiro protesto é
contra a nomeação de um pemedebista - Romero Jucá (PMDB-RR) - para o cargo de
líder do governo no Senado, em substituição a Aloizio Mercadante (PT-SP).
"O PMDB terá espaço, mas não pode deixar muito frouxo, porque senão três
governos não serão suficientes para satisfazer o partido", afirmou a líder
do PT, Ideli Salvatti (SC), que levará a Lula a reivindicação da bancada petista
para voltar a ter o líder do governo no Senado.
Jucá afirmou não sentir constrangimento com a posição do PT. "Acho
legítimo o PT buscar cargos. Mas deve levar o pleito ao presidente. Em cargo de
ministro e de líder de governo, o prazo de validade é diário", afirmou.
Como o PMDB já ocupa a presidência do Senado com Renan Calheiros (AL) - com
grandes chances de ser reeleito para mais dois anos em fevereiro de 2007 -, é
muito poder para o partido na Casa ter o líder do governo. Mercadante deixou a
função para disputar o governo de São Paulo. Depois, ficou desgastado com o
envolvimento do assessor de campanha Hamilton Lacerda no caso do dossiê contra
tucanos.
Ideli considera "demais" o PMDB querer ocupar também a presidência da
Câmara dos Deputados. Segundo ela, como a reeleição de Renan "está mais
consolidada", seria "recomendável" um acordo para que um petista
substituísse Aldo Rebelo (PCdoB-SP). O fato de Aldo ser de uma legenda pequena,
que nem ultrapassou a cláusula de barreira, dificulta sua reeleição, segundo
Ideli. "Mas nada é impossível em uma negociação política", disse.
Na audiência com Lula que solicitou ao chefe de gabinete, Gilberto Carvalho,
Ideli também pedirá um encontro do presidente com a bancada do PT (o último foi
em dezembro de 2004) e mude o tratamento dispensado aos senadores em geral,
para facilitar a convivência. Segundo ela, por ter 81 parlamentares, bem menos
que os 513 da Câmara, com mandato de oito anos em vez de quatro, e ter
ex-governadores, ex-ministros e até ex-presidentes e vice-presidentes da
República, o Senado deve receber de Lula tratamento diferenciado, como no
governo passado. "São pessoas para as quais o trato mais individualizado
faz a diferença... Aqui, às vezes bastaria um telefonema para resolver metade
da crise", disse Ideli.
Ideli expressa sem constrangimentos a preocupação do PT com os cargos do
governo na segunda gestão de Lula. Segundo ela, o PT deve ocupar cargos
"estratégicos", como ministérios da Fazenda, Casa Civil, Cidades e os
da área social. No caso de Cidades, se o cargo ficar com outro partido, o PT
deveria ficar com a Caixa Econômica Federal (CEF), que financia as principais
políticas da pasta. No plano dos palpites, acha que Paulo Bernardo pode deixar
o Planejamento e Alfredo Nascimento (PL), voltar para o Ministério
dos Transportes. Considera Nelson Jobim (PMDB) um nome
forte para as Relações Institucionais e Dilma Rousseff (Casa Civil),
"imexível". Ela defende a permanência de Patrus Ananias (Desenvolvimento
Social).
EDITORIAL
14/11/2006
Investimento perdido
A edição de 2006 da Pesquisa Rodoviária,
elaborada pela Confederação Nacional da Indústria (CNT), mostra que as rodovias
brasileiras continuam ruins, péssimas ou regulares em 75% de sua extensão. Ao
apresentar o resultado da pesquisa de campo, realizada entre os dias 28 de
junho e 5 de agosto, o diretor da CNT, Flávio Benatti, afirmou que a Operação
Tapa-Buracos realizada pelo governo não promoveu melhora da malha rodoviária,
principalmente porque, segundo ele, praticamente não houve investimento recente
na sinalização das rodovias.
Para a CNT, as condições das rodovias
fazem com que o setor enfrente 'baixa rentabilidade' e um 'ambiente de trabalho
hostil'. Ressalte-se que, na pesquisa de 2005, as avaliações "ruins,
péssimas ou regulares" estavam na faixa de 72%. Apesar da Operação
Tapa-Buracos, o avanço em relação ao ano anterior foi apenas uma transferência
de trechos com avaliação péssima para regular.
Por incrível que pareça, o ministro dos
Transportes, Paulo Sérgio
Oliveira Passos, considerou satisfatório o resultado
da pesquisa. Ele disse, em entrevista, que os números mostram uma situação
confortável para o governo."Efetivamente, nós estamos num caminho de
reversão, estamos num caminho de melhoria da condição geral das estradas",
destacou o ministro.
É preciso relembrar que, exatamente dez meses atrás, a chamada Operação
Tapa-Buracos foi anunciada com alarde pelo governo, como uma das primeiras
medidas do "Pacote de Bondades" do Palácio do Planalto, com vistas às
eleições de outubro. Mas as reformas emergenciais não agüentaram nem o fim do
ano eleitoral. Na maior parte dos cerca de 26 mil quilômetros de estradas
federais reformadas, as chuvas e o tráfego pesado fizeram escorrer pelo ralo
investimentos estimados em mais de R$ 400 milhões.
OPINIÃO
14/11/2006
A lição da crise dos aeroportos
14 de Novembro de 2006 - Como sempre no
Brasil, a sociedade paga, mas não recebe na mesma medida. O caos verificado no
transporte de passageiros nos últimos dias é sintomático. Os problemas que
deixaram milhares de passageiros aglomerados em aeroportos por todo o País já
são vividos há anos no escoamento de carga, onde transportadores estão
anormalmente acostumados a conviver com estradas
esburacadas, filas em portos
sem espaço, atrasos e cancelamentos na atracação de navios por falta de dragagem
no cais, falta de recursos e pessoal na fiscalização sanitária.
A doença é a mesma: a baixa capacidade dos governos de atenderem demandas da
sociedade após arrecadarem recursos dela para isso. Faz-se bem, sempre, a
premissa, mas dificilmente o resultado.
De acordo com levantamento realizado pela organização Contas Abertas, que
estuda a execução orçamentária dos poderes públicos, os fundos aeronáuticos já
acumulam um saldo de R$ 1,9 bilhão até outubro de 2006. O Estado cobra dos
usuários tarifas para custear serviços prestados e realizar novos investimentos
em conservação, modernização e ampliação da infra-estrutura aeroportuária, mas
nem tudo é aplicado. Entre as destinações do dinheiro, estão os programas de
segurança do tráfego aéreo. A sociedade paga, mas não recebe na mesma medida.
Em outros modais de transportes,
além do aeroviário, o problema se repete, como mostra o histórico da
Cide-Combustíveis, contribuição incidente sobre tais produtos, criada para
pagar subsídios a preços ou transporte de álcool e gás natural, para financiar
projetos ambientais da indústria de óleo e gás e para manter programas de infra-estrutura
no setor de transportes.
Um acompanhamento da Confederação Nacional dos Transportes (CNT) mostra outro
saldo incrível: de R$ 35,1 bilhões, total arrecadado entre 2002 e setembro
deste ano, somente R$ 11,7 bilhões foram aplicados em projetos de transportes
diversos.
Enquanto o saldo ajuda o Estado a equilibrar as contas públicas, as rodovias
administradas pelo poder público, os portos
e as hidrovias padecem.
Mesmo após os gastos na chamada "Operação Tapa-Buracos", 75% das estradas
continuam em estado deficiente, ruim e péssimo de conservação. São dez anos de estradas
ruins: desde 1997, na média, sete em cada dez quilômetros de rodovias
sempre estiveram sem condições suficientes de rodagem.
Dos onze principais portos
brasileiros, nove estão com calado menor do que o desejado, impedindo que navios
maiores atraquem, causando atrasos e cancelamentos nas atracações.Esses
exemplos evidenciam que há planejamento insuficiente na concepção,
administração e implementação dos programas na área de transportes
e logística no Brasil. Engana-se quem pensar que o obstáculo é o superávit
primário, quantia que o governo economiza para o pagamento dos juros da dívida.
Ele é necessário e deve ser mantido, sem o qual não haverá ajuste nas contas
públicas. Essa economia não impediu o governo de aumentar os gastos públicos em
16,5% em 2005, com relação ao ano imediatamente anterior, e mais 16,0% nos nove
meses de 2006, em comparação ao mesmo período do ano passado, ou que as
despesas com salários subissem 12,0% neste ano, depois de elevação de outros
10,3% em 2005.
A origem das mazelas está na precariedade com que as autoridades competentes
estabelecem prioridades e alocam os recursos arrecadados na sociedade. Os fatos
evidenciam que o Estado precisa modernizar-se para cumprir algumas das
responsabilidades que lhe cabem em tempos de orçamentos públicos curtos e
aportes públicos escassos: planejar, fiscalizar, conceder e induzir ao investimento.
Deficiências como as enfrentadas atualmente no transporte de passageiros e de
cargas insistem em mostrar que mesmo o dinheiro carimbado, arrecadado para
atender exclusivamente determinada demanda dos contribuintes, não é uma medida
consistente para resolver os problemas.
A saída é o Estado assumir o papel que lhe é intransferível, enquanto faculta e
incentiva a participação da iniciativa privada, tanto na gestão quanto nos
investimentos, sejam eles em modernização ou expansão da infra-estrutura. A
receita é longa, mas inclui adotar, definitivamente, conceitos como
planejamento de longo prazo, realismo tarifário, clareza e atratividade em
marcos regulatórios, independência política e autonomia financeira em agências
reguladoras.
Tarifas e contribuições arrecadadas junto à sociedade podem ser úteis para
subsidiar, com transparência, serviços para usuários de baixa renda. O que não
pode persistir é o pagamento de taxas sem a contra-partida do Estado, de
investir em bens e serviços de qualidade para os quais tributou. O brasileiro
precisa tornar-se mais cliente e menos contribuinte. O primeiro sempre exige
retorno pelo que desembolsa; já o segundo, quase nunca.
(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 3)(Paulo Godoy - Presidente da Associação
Brasileira da Infra-Estrutura e da Indústria de Base (Abdib))
IZAEL
14/11/2006
Corte no orçamento
Neste ano, a Setrap foi penalizada com corte
de R$ 9 milhões em seu orçamento.
É que o Ministério dos Transportes
liberou R$ 9 milhões para investimento em obras de rodovias
e alguma mente brilhante que cuida da definição dos investimentos, na Seplan,
achou que era muito dinheiro deixar a Setrap com mais R$ 9 milhões em seu
orçamento.
Resultado: aconselhou o corte de exatos R$ 9 milhões, o que foi feito.
ECONOMIA
14/11/2006
Obra parada afeta circulação de trens
ADILSON FONSÊCA | CACHOEIRA/SÃO FELIX
darocha@atarde.com.br
Mal começaram a ser projetadas, em julho deste ano, as obras do Contorno
Ferroviário entre as cidades de Cachoeira e São Félix, no Recôncavo baiano, a
117 quilômetros de Salvador, foram paralisadas.
Com isso o “gargalo” (ponto de estrangulamento) permanece e a ligação
ferroviária entre as regiões Nordeste e Sul do País fica prejudicada, com
problemas não apenas para a travessia entre as duas cidades, mas, principalmente,
para o transporte de cargas petroquímicas, derivados de petróleo e peças da
montadora Ford, da Bahia para o Centro-Sul do País.
A obra, cuja ordem de serviço foi dada em agosto pelo Ministério
dos Transportes, está orçada em R$ 115 milhões e tem
prazo de conclusão de 540 dias. Vai permitir a ligação ferroviária sobre o Rio
Paraguaçu, sem a necessidade de passar por Cachoeira e São Félix, através da
Ponte D. Pedro II, que já está bastante danificada e não suporta mais a passagem
dos comboios diários com mais de 30 vagões, que passam pelo local.
Os engenheiros da empreiteira Queiroz Galvão, empresa que ganhou a concorrência
para realizar a obra, não sabem dizer quando a obra será retomada, mas admitem
que a paralisação, feita por um embargo solicitado pelo Instituto Brasileiro do
Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama), traz uma série de prejuízos.
“Temos esperança de que elas (as obras) sejam ainda retomadas este mês e
torcemos por isso”, disse um deles, pedindo para não ser identificado.
Atualmente o canteiro de obras da empresa Queiroz Galvão permanece fechado, com
apenas dois vigilantes que cuidam de evitar a entrada de pessoas no local onde
estão máquinas e tratores. Um dos vigilantes, Adriano Augusto Carvalho Batista,
de 31 anos, se diz temeroso de perder o emprego. “Temos grandes esperanças na
obra, pois o emprego aqui no município é difícil.
Mas com essa parada toda, a gente fica temendo por nossos empregos e dos
companheiros”, diz.
O local onde será feito o contorno fica na estrada São Félix/Maragogipe,
próximo ao Rio Capivari, afluente do Rio Paraguaçu. Na área foram feitas
marcações e a abertura de uma estrada por onde deverão ser transportados os
materiais para a construção da ponte, sobre o Paraguaçu e do viaduto sobre a
estrada para Maragogipe.
De julho até agora o único serviço realizado no local foi a colocação da placa
anunciando a obra, indicando o valor de R$ 115.399.830,51, e o seu prazo de
conclusão, de 540 dias. “Tomara que não seja uma obra fantasma”, disse o
vigilante.
O superintendente de Transportes da Secretaria de Infra-Estrutura do Estado
(Seinfra), Oswaldo Campos Magalhães, disse que a obra do contorno de Cachoeira
e São Félix é de vital importância e está entre as prioridades defendidas pelo
governo baiano na contribuição dada pelo Estado para a elaboração do Projeto
Nacional de Logística e Transporte, que será apresentado em todo o País no dia
19 de dezembro pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Conforme explicou Magalhães, a obra já tem tudo assegurado para ser efetivado,
mas esbarra na posição do Ibama, que alega questões ambientais para embargá-la.
Além do contorno em si, a obra prevê a construção de passagens de níveis nas
cidades de Santo Amaro e Candeias.
“Somente a partir dessa obra é que o modal ferroviário passará a desempenhar um
papel na economia do Estado”, disse
Para o presidente da Associação dos Usuários do
Porto de Salvador, Paulo Roberto Villa, a logística
ferroviária baiana está ultrapassada.
“Estamos com atraso de um século”, disse. Hoje, por causa dos atrasos, o
transporte ferroviário na Bahia transporta apenas um por cento das cargas que
circulam pelo Estado, conforme dados da Seinfra.
ECONOMIA
14/11/2006
Em Salvador, rede está sucateada
Há oito anos que Salvador está isolada do
transporte ferroviário com o resto do Estado. A rede ferroviária, que antes
vinha até a Estação da Calçada, foi interrompida dois anos após o processo de
privatização, em 1996, no subúrbio ferroviário de Paripe, numa extensão de
pouco mais de oito quilômetros até a localidade de Mapele.
Atualmente, Salvador só dispõe de 13 quilômetros de ramal ferroviário, entre
Paripe e Calçada, por onde trafegam os trens de passageiros, hoje administrados
pela Prefeitura de Salvador. Em Paripe, de onde começava o transporte
ferroviário para o interior do Estado, o leito da ferrovia foi ocupado por
casas. Os trilhos foram arrancados e as duas estações subseqüentes até Mapele –
Macacos e Aratu – foram destruídas.
Além da interrupção da via férrea em Paripe, o ramal que saía da Estação da
Calçada até o Porto de Salvador, também
foi desativado pela Ferrovia
Centro Atlântica. Conforme explicou o presidente da Associação dos Usuários do
Porto de Salvador (Usuport), Paulo Villa, o ramal
foi desativado porque o principal produto que era transportado de trem até o
porto, a magnesita, agora é embargado através do
Porto de Aratu.
Até o final deste mês, a Usuport, o Ministério dos
Transportes, a Secretaria de Infra-Estrutura da
Prefeitura de Salvador e a Codeba pretendem concluir um estudo de viabilidade
da reativação do ramal ferroviário.
BRASIL
14/11/2006
PT quer ministérios estratégicos
O PT está disposto a reivindicar ao presidente
Lula ministérios considerados "estratégicos" pelo partido para os
próximos quatro anos. Entre as pastas que devem ser formalmente solicitadas
pelo PT, estão os Ministérios da Fazenda, Casa Civil, o comando do BNDES e da
Caixa Econômica Federal e áreas sociais - como o Ministério do Desenvolvimento
Social e Combate à Fome.
Na avaliação de petistas, o partido do presidente deve ficar à frente dos
postos-chave da administração federal para evitar a perda do controle político
de áreas consideradas essenciais.
Apesar da pressão nos bastidores para que o PT mantenha o controle estratégico
do governo, a líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC), disse que o partido não
vai negociar cargos com o presidente Lula. "Eu não acho que a gente tenha
que brigar por cargos na aritmética. É difícil falar de maior ou menor
espaço", afirmou.
Entre os petistas, o único consenso até agora é que a ministra da Casa Civil,
Dilma Rousseff, permanece inabalável no cargo. Parlamentares do PT também
apostam que Lula deve manter ministros como Luiz Fernando Furlan
(Desenvolvimento) e Guido Mantega (Fazenda) - que pode ocupar outro posto na
área econômica - se os dois desejarem permanecer no governo.
A expectativa é que o ministério das Cidades seja realmente cedido a um partido
aliado, especialmente o PMDB. Se não ficar nas mãos do PT, Ideli defende que o
partido tenha o comando da CEF (Caixa Econômica Federal), uma vez que o banco
administra os recursos repassados para o ministério.
Alguns parlamentares acreditam no retorno de nomes como Alfredo Nascimento (PL)
para o Ministério dos Transportes,
que deixou a pasta este ano para disputar uma cadeira no Senado Federal pelo
Estado do Amazonas.
Os petistas também acreditam que o partido vai ficar à frente de ministérios e
secretarias ligadas a movimentos sociais, como o Desenvolvimento Agrário, Meio
Ambiente e a Secretaria de Políticas para as Mulheres.
A articulação política do governo ainda permanece indefinida, segundo o relato
de petistas. A maioria dos parlamentares acredita que o presidente Lula vai
escolher um nome de sua simpatia, com bom trânsito no Congresso Nacional. O
atual ministro de Relações Institucionais, Tarso Genro, pode permanecer no
cargo ou ser remanejado para o Ministério da Justiça.
O nome do ex-ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Nelson Jobim também não
está descartado para substituir Tarso ou mesmo o ministro da Justiça, Márcio
Thomaz Bastos.
Entre os petistas, a avaliação é que o partido deve manter, pelo menos, a atual
participação no governo - com 16 dos 34 ministérios.
CIDADES
14/11/2006
Calvário interminável nas estradas
Rodovias esburacadas provocam prejuízos e
acidentes, como para Mozair Rosa, que bateu a F-4000, e para Francisco Pontes,
que teve danificado o caminhão dirigido por José Maria
Vinicius Jorge Sassine
Buracos por longos trechos, alguns deles intransitáveis. Pavimentação
defeituosa, muito antiga e desgastada. Sinalização deficiente, falta de
acostamento e até mesmo um trecho de rodovia que é estrada de chão, além de canteiros
de obras paralisadas. Essa é a realidade de boa parte das rodovias
estaduais e federais de Goiás, enfrentada pelos motoristas de norte a sul do
Estado. As chuvas são um agravante da situação e colocam em estado de alerta a
Polícia Rodoviária Federal (PRF) e o Batalhão Rodoviário da Polícia Militar.
Conforme a última pesquisa sobre malha rodoviária feita pela Confederação
Nacional do Transporte (CNT), 16 rodovias
estaduais estão regulares, ruins ou péssimas. Catorze BRs que passam por Goiás
foram consideradas regulares ou ruins.
O POPULAR fez um levantamento da situação das rodovias
com as autoridades de fiscalização, órgãos executores de obras, motoristas e
caminhoneiros. Problemas antigos permanecem, outros novos surgiram e estão
longe de uma solução por causa do período chuvoso (veja quadro). As principais
obras, incluindo as operações tapa-buracos, estão previstas para o próximo ano.
A PRF apontou melhorias nas rodovias
federais de 2005 para 2006, situação que já havia sido constatada pela pesquisa
da CNT e por um levantamento do Guia Quatro Rodas. Mas as deficiências
continuam concentradas em trechos específicos, principalmente ao longo da
BR-153. As chuvas estão paralisando algumas obras em outras rodovias,
o que obriga os motoristas a buscar desvios e reduzir a velocidade. O Departamento
Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit)
em Goiás e Tocantins sustenta que os trechos em obras estão devidamente
sinalizados. “Há mais de 20 frentes de trabalho em andamento e aguardamos o fim
das chuvas para dar continuidade”, afirma o superintendente do Dnit,
Riumar dos Santos. Nas rodovias
estaduais, os buracos permanecerão até o fim do período chuvoso. “Durante a
chuva, é impossível tapar buraco”, sustenta o diretor de Operações da Agência
Goiana de Transportes e Obras (Agetop), Rogério Mendonça. Uma auditoria do
Tribunal de Contas do Estado (TCE) apontou que as rodovias
estaduais recém-pavimentadas sofrem um desgaste prematuro.
Estragos
Problemas como buracos, falta de acostamento e trepidação são comuns à BR-153,
principalmente entre Jardim Paulista e Jaraguá. Um trecho mais específico,
entre Jardim Paulista e Ceres, apresenta estado crítico de conservação. Nas
proximidades de Jaraguá, por causa dos buracos, o caminhão guiado por José
Maria quebrou e deixou o caminhoneiro à beira da estrada na última sexta-feira.
Ele transportava cimento de Goiânia para o Pará. “Só o conserto ficou em R$ 3,5
mil. Quebramos eu e o caminhão”, afirma, com bom humor, o proprietário do
veículo, Francisco Pedro de Pontes, que tem uma empresa de transporte e uma
oficina de caminhões em Goianésia. “Caminhões estragados por causa dos buracos
nas estradas chegam todos
os dias à oficina.” Em razão dos estragos, José Maria seguiria para o Pará
somente na manhã de domingo.
Também na BR-153, um acidente pode ter sido provocado por causa dos buracos.
Condutor de uma caminhonete Ford F-4000 que bateu na traseira de um caminhão,
Mozair Caetano Rosa afirma que o veículo ficou sem freio por causa dos inúmeros
buracos na rodovia. Ninguém se feriu no acidente.
Para fugir da BR-153, alguns motoristas optam pela GO-080, a partir de
Goianésia. A iniciativa, porém, tem ficado mais rara, em razão do péssimo
estado de conservação da rodovia estadual, principalmente no trecho
Goianésia-Barro Alto, onde a pista não apresenta desvio e os motoristas têm de
pegar estradas de acesso a
fazendas da região para seguir adiante. Há trechos esburacados e sem pavimento,
em fase de restauração. “Está tão ruim que não dá para andar a mais de 30
quilômetros por hora”, reclama o empresário Aguinaldo Lima, de Goianésia. Ele
tem uma empresa que revende frios e pega a estrada para entregar os produtos no
norte do Estado. Outra via, a BR-080, nas proximidades de Barro Alto, é uma
estrada de chão num trecho de quatro quilômetros. “O caminhão estraga sempre.
Preciso fazer um ziguezague na rodovia”, conta Aguinaldo.
Acidentes
O diretor de Operações da Agetop recomenda que os motoristas tomem mais cuidado
nas rodovias que dão acesso
a cidades turísticas, principalmente na Região Nordeste e no Vale do Araguaia.
Ele afirma que o programa de restauração das rodovias
estaduais prossegue até 2008, com recursos do Banco Mundial. “O motorista deve
estar atento porque, com as chuvas, podem aparecer buracos em qualquer trecho.”
Além da BR-153, os cuidados devem ser redobrados na BR-452, entre Itumbiara e
Rio Verde. O trecho é marcado por um grande movimento de veículos,
principalmente de caminhões que escoam a produção agrícola do Sudoeste goiano.
Segundo estimativa da PRF, 80% dos veículos que trafegam na BR-452 são
caminhões. Buracos e trepidações são comuns até o Rio dos Bois. Além disso, há
operações tapa-buracos na pista.
A PRF identificou uma melhoria em parte das rodovias
federais, o que vem acarretando um maior número de acidentes por excesso de
velocidade. É crescente o número de tombamentos e de saídas de pista de
veículos, principalmente sob chuva. A orientação da PRF é evitar dirigir em rodovias
esburacadas durante a noite.
“As empresas atuam normalmente no tapa-buraco, mesmo sob chuva”, afirma o
superintendente do Dnit em Goiás e
Tocantins. Riumar dos Santos diz que a BR-153 (de Anápolis a Uruaçu) e a BR-452
(de Itumbiara ao Rio dos Bois) precisam de um trabalho de restauração, que
ainda não teve início. Segundo ele, a abertura de licitação deve ocorrer até o
fim do ano. As obras ficariam para 2007, após o período chuvoso. A chuva provocou
a paralisação da duplicação da rodovia entre Goiânia e Goiatuba – “Quatro
frentes de trabalho estão paradas” – e entre Anápolis e Brasília. “O motorista
ainda vai encontrar canteiros de obras neste fim de ano. É preciso estar atento
ao aumento do tráfego de veículos.”
PAULO CESAR DE OLIVEIRA
14/11/2006
Egesa faz passarela
A Egesa Engenharia, uma das empresas
responsáveis pela recuperação do Anel Rodoviário, iniciou a construção da
segunda passarela de pedestres da rodovia, do total de oito que serão
construídas até o fim do ano. A obra será realizada próxima aos bairros São
Gabriel e Eymard. A passarela faz parte das obras de recuperação do Anel, realizada
pela prefeitura em parceria com o Dnit.
A estrutura será erguida num local com grande fluxo de pedestres e vai atender
aos alunos da PUC Minas, no campus São Gabriel, além de funcionários de empresas
de grande porte, como Telemig Celular e Correios. De acordo com a Polícia Rodoviária
Estadual (PRE), até junho deste ano, sete pessoas morreram e 38 ficam feridas
por atropelamentos ao longo da via. Em 2005, foram 19 mortes e 75 feridos.
ECONOMIA
14/11/2006
Duplicação da BR-101 vai gerar 200 empregos
Mão-de-obra será utilizada pela empresa Engesa
Engenharia, apenas em Mamanguape
Haryanne Arruda
Cerca de 200 empregos diretos e indiretos serão criados apenas no município de
Mamanguape com as obras de duplicação da BR 101 Nordeste, que compreende os
lotes três e quatro (até a entrada de Lucena). Segundo Marco Aurélio,
engenheiro responsável da Engesa Engenharia, o processo de seleção para
contratação desses funcionários temporários deve começar após a Secretaria de
Meio Ambiente do Estado liberar os últimos documentos para construção da
duplicação.
“Só depois dessa liberação é que vamos começar o processo de seleção. Os
trabalhadores irão trabalhar especificamente na mão-de-obra braçal, auxiliando
engenheiros, operando placas de ‘pare e siga’, mecânicos e frentistas”, disse
Marco Aurélio.
Além da Engesa – responsável pelo lote quatro –, outras quatro construtoras
também ganharam a licitação do Ministério dos
Transportes para trabalhar na duplicação: Via Engenharia,
SR Almeida e Enza, no lote três e ARG também no lote quatro. Cada uma será
respinsável pela contratação de mão-de-obra para sua área de atuação.
Na Paraíba serão duplicadas cerca de 70 Km de estradas
que custarão ao Tesouro Nacional R$ 429 milhões. Toda a obra no Nordeste está
orçada em R$ 1,5 bilhão. Para as obras desse ano, o Ministério
dos Transportes estará liberando R$ 40 milhões e no
ano que vem R$ 250 milhões para todos os lotes da Paraíba. Ainda segundo
Expedito Leite, as outras verbas são liberadas de acordo com o andamento das
obras. Neste ano já foram liberados R$ 100 milhões para as obras da face sul.
A previsão é de que a obra de duplicação dure dois anos e meio para concluir.
CARTAS
14/11/2006
BR-101 SUL
O canteiro central da BR-101 Sul, entre
Muribeca e Prazeres (em torno do km 81) está uma bagunça total. Criaram
diversos retornos não oficiais, que podem provocar acidentes, e se tornou um
lixão a céu aberto com direito, inclusive, a catadores de lixo. Necessário o DNIT
tomar providências para eliminar esses retornos colocando defensas, assim como
a Prefeitura de Jaboatão na eliminação desse lixão e, de quebra, se quiser embelezar
a área, efetuar seu ajardinamento e iluminação.
Osman Beltrão - Olinda/ PE