CORREIO BRAZILIENSE - DF

ECONOMIA
15/11/2006

 

Ipea tem fórmula para crescer

Instituto apresenta propostas de curto e longo prazos para incentivar a economia, como quer o governo. Principal ponto é o corte de gastos, mas também há sugestões de mudanças no Banco Central e no Conselho Monetário

 

Luís Osvaldo Grossmann
Da equipe do Correio
Enquanto a equipe econômica se debruça sobre soluções de curto prazo para aquecer a economia, e garantir um avanço de 5% do PIB ainda em 2007, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), propôs uma série de medidas que deveriam ser aplicadas já para garantir que o país tenha condições, em quatro ou cinco anos, de alcançar um crescimento sustentado, ou seja, constante. Para isso, insiste em teto para os gastos públicos, déficit zero nas contas do Tesouro, inflação de 3% ao ano e mudanças no Banco Central e no Conselho Monetário Nacional.

O “pacote do Ipea”, elaborado pelo diretor de estudos macroeconômicos da entidade, Paulo Mansur Levy, e o economista Fabio Giambiagi, é declaradamente de longo prazo — de 12 anos. Afinal, tem como premissa que crescimentos na casa dos 5% ao ano ainda não são sustentáveis no Brasil.

“É possível atingir o crescimento de 5% em um ano específico, basta que sejam dadas certas condições. Mas o importante é conseguirmos fazer isso de maneira continuada e sustentável. O investimento precisa ser maior”, explica o gerente da Unidade de Política Econômica da Confederação Nacional da Indústria, Flávio Castelo Branco.

É justamente aí que está o nó, como explicam Levy e Giambiagi. De um lado, carências de infra-estrutura tornam até temerosas taxas de crescimento elevadas — os velhos problemas nos
portos, estradas e, especialmente, de energia elétrica. De outro, o endividamento do país é tão grande que sufoca o investimento, inclusive nesses setores, e mantém as taxas de juros nas alturas.

O ponto principal do “pacote do Ipea” (veja quadro) é o controle dos gastos e a conseqüente redução deles em relação ao Produto Interno Bruto. Nesse sentido, defende uma economia para zerar o déficit público: a poupança de recursos suficientes para tapar o buraco anual nas contas do governo, que no ano passado foi de R$ 63 bilhões (e até setembro estava em R$ 41 bilhões).

A idéia é transformar o superávit primário (sem contar os juros) em superávit nominal (inclui os juros), para que até o final da década a dívida líquida do setor público seja de 40% do PIB. Hoje, em cerca de R$ 1 trilhão, ela representa pouco mais de 50% do PIB. A redução do endividamento é importante para maiores cortes nos juros, o que daria fôlego ao país para diminuições na carga tributária.

“Desse modo, o setor privado brasileiro, que há muitos anos convive com um quadro de taxas de juros extremamente elevadas, pesada dívida pública, baixo investimento e carga tributária crescente, passaria a atuar num contexto de juros menores, dívida declinante, investimento ascendente e menor carga de impostos. O efeito disso sobre a economia permitiria transitar rumo a um quadro de expansão do PIB em torno de 5% ao ano em meados da próxima década”, acredita o Ipea.

CMN Político
Também há mudanças na política monetária, como uma meta de inflação de 3% ao ano. Mas as alterações seriam mais profundas, como a substituição do presidente do Banco Central pelo ministro-chefe da Casa Civil na composição do Conselho Monetário Nacional. É o CMN que define, por exemplo, as metas de inflação.

“Isso revelaria o inequívoco caráter político e emanado da autoridade do presidente da República da decisão acerca da meta de inflação, tornando o BC um executor claro dessa política”, defendem Levy e Giambiagi. Eles também sugerem que um representante do Ministério da Fazenda participe do Copom.

O pacote proposto

As medidas imediatas

# Adoção, em 2007, de um conjunto de medidas fiscais, ligadas à contenção do gasto público;
# Anúncio do objetivo de atingir o “déficit zero” (ou próximo disso) até o final da gestão de governo 2007-2010, pavimentando o terreno para reduções dos juros;
# Declaração da intenção oficial de reduzir a dívida líquida do setor público em aproximadamente 40% do PIB até o final da próxima gestão de governo, em 2010;
# Viabilização de um superávit nominal das contas públicas durante 2011-2018;
# Prorrogação da CPMF, mas com redução da carga tributária, mediante a vigência de alíquotas gradualmente declinantes até um limite inferior de 0,01%, mantido apenas com fins de fiscalização;
# Prorrogação da DRU, mas com percentuais gradualmente crescentes, até 35%, para permitir uma maior liberdade;
# Definição de um teto para o crescimento real das despesas com pessoal de cada um dos três poderes;
# Eliminar vinculação dos gastos de saúde ao PIB, substituindo-a pela obrigatoriedade de aumento real, porém em níveis inferiores aos de crescimento do PIB;
# Adoção de um teto gradualmente declinante como proporção do PIB para as despesas correntes do Governo Central.

Mudanças no Banco Central

# Estabelecer a meta de inflação em algum ponto entre 3% e 4%;
# Encaminhar ao Congresso a proposta que concede autonomia operacional ao BC;
# Anunciar ainda no seu mandato metas menores de inflação, de 3% a partir de 2010;
# Definir que o objetivo de médio prazo da política monetária deverá ser o de alcançar, em bases permanentes, uma inflação nesses níveis;
# Definir uma “banda larga” de inflação no intervalo de 1% a 5%, caracterizando o compromisso com a estabilidade como uma política de Estado;
# Estabelecer uma “banda estreita” para a atuação diária, com intervalo entre piso e teto de 200 pontos básicos, em lugar dos 400 atuais;
# Modificar a composição do Conselho Monetário Nacional (CMN), apenas por ministros, incorporando o ministro-chefe da Casa Civil em substituição ao presidente do BC;
# Ampliação do horizonte de referência para as decisões do Comitê de Política Monetária (Copom), para que tais decisões se pautem pelo objetivo de cumprir a meta de inflação do ano seguinte ao de referência, e não do ano em curso;
# Permitir a um representante do ministro da Fazenda participar, ainda que sem direito a voto, das reuniões do Copom.

 

 

JORNAL DO BRASIL - RJ

RIO
15/11/2006

 

Rio tem data de validade vencida

 

Renato Grandelle
O Rio tem 450 obras - entre viadutos, pontes, túneis e passarelas - com problemas de manutenção. A conta é do Sindicato Nacional de Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva (Sinaenco), que apresentou estudo sobre os 13 pontos mais críticos do Rio. Referências ilustres da geografia carioca, como a Avenida Niemeyer, o Elevado do Joá e o Canal do Leblon, figuram na lista. A tendência é que o perigo cresça. Segundo o presidente regional do sindicato, Rodrigo Meirelles, o orçamento da prefeitura para a manutenção destas estruturas é "irrisório".

- O município destina apenas R$ 3,5 milhões por ano a reparos destas obras - lamenta. - Por enquanto, não há risco iminente em nenhuma delas, mas prevenir é sempre mais barato do que remediar.

O ditado é o favorito entre engenheiros de todo o mundo. Calcula-se que uma obra fica cinco vezes mais cara a cada etapa ignorada da conservação. Não raro, o custo para reformar é maior do que partir do zero.

Meirelles calcula que o investimento ideal em conservação equivaleria a 2% do valor do patrimônio arquitetônico da cidade. A quantia, em números absolutos, é uma incógnita.

- Não existe transparência nos gastos com reformas - ataca Reynaldo Barros, presidente do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Rio. - Falta fiscalização e entrosamento entre os órgãos públicos; A prefeitura contenta-se em notificar. Como nada mais é feito, as marquises continuam desabando.

O engenheiro Sérgio Marques, consultor do
Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit), estudou a conservação de 2.800 estruturas em todo o país. O Rio, em seu ranking, é um dos Estados mais mal representados.

- A salinidade do mar e a poluição deixam qualquer obra em estado precário - explica. - A cidade também conta com muitas obras antigas que não visam à durabilidade.

O abandono das vias cariocas tem muitas caras. As plantas que nascem entre os vãos do Elevado Paulo de Frontin, as ferragens expostas do Hotel Nacional e os buracos do Canal do Leblon são sinais de que a corrosão é de longa data. Mas, para o arquiteto Mauro Almada, secretário-executivo da ONG ViverCidades, os motivos para reclamar aumentaram nos últimos meses.

- A prefeitura, falida, desviou todos os recursos para completar as obras do Pan - denuncia. - O que não interessa aos Jogos foi condenado a cair aos pedaços.

O arquiteto critica os programas Rio Cidade e Favela Bairro, duas das maiores vitrines da prefeitura.

- Nenhuma obra destes projetos passou por manutenção - garante Almada. - Os projetos têm obras não terminadas e até postes no meio da rua.

Procurada pelo JB, a Secretaria Municipal de Obras ressaltou que é necessário um extenso levantamento para descobrir o valor da estrutura urbanística administrada pela prefeitura. O prefeito Cesar Maia não respondeu às perguntas enviadas até o fechamento da edição.

 

 

FOLHA DE S. PAULO - SP

COTIDIANO
15/11/2006

 

Lembo autoriza pedágios no Rodoanel

Cobrança deve ser iniciada em 2008; modelo de concessão segue indefinido

 

JOSÉ ERNESTO CREDENDIO
DA REPORTAGEM LOCAL
O governador de São Paulo, Cláudio Lembo (PFL), autorizou ontem a privatização e a cobrança de pedágio no Rodoanel, principal obra de interligação rodoviária do Estado. Segundo o secretário do Planejamento, Fernando Braga, caso não haja percalços durante a licitação, a cobrança deve começar em janeiro de 2008.

Lembo deu o aval à privatização da operação do Rodoanel ao referendar uma decisão tomada pela manhã pelo grupo diretor do PED (Programa Estadual de Desestatização).

O grupo também sugeriu uma tarifa básica de R$ 5 em duas praças ao longo dos trechos oeste, já concluído, e do sul, ainda em fase inicial. Também está prevista a instalação de nove minipraças nas saídas do Rodoanel, com pedágio a R$ 2,50, para evitar que os motoristas usem a via sem pagar.

No entanto, caso a Secretaria dos Transportes, que vai delinear o modelo final da concessão, siga a mesma proporção da tarifa cobrada nas demais
rodovias, a tarifa no trecho oeste ficaria em cerca de R$ 3,70 para os 32 km. Já o trecho sul, com 61 km, teria pedágio no valor aproximado de R$ 7,20.

A forma como será feita a concessão ainda depende de uma audiência pública que a pasta dos Transportes vai realizar em duas semanas.

Quando estiver concluído, o Rodoanel absorverá 30% dos veículos que usam São Paulo como passagem de uma estrada para outra. Hoje, trafegam pelo trecho oeste cerca de 200 mil veículos por dia. Para o trecho sul, a expectativa é que o volume diário seja de 100 mil.

Para evitar que os motoristas de caminhões desviem do Rodoanel para não pagar pedágio, Lembo determinou que seja estudada uma tarifa diferenciada para veículos de carga.

Em setembro, a Folha revelou que o secretário dos Transportes, Dario Rais Lopes, defendia a cobrança de pedágio para garantir o financiamento do trecho sul, estimado em R$ 3,5 bilhões, já com as desapropriações e projetos executivos.

Com o valor recebido da concessionária que assumir o trecho oeste, o Estado pretende financiar o trecho sul. Segundo Lembo, assim, será possível reduzir de quatro para dois anos o prazo de conclusão do trecho sul. ""É uma obra extremamente importante para o Estado. Se demorar, o "custo São Paulo" subirá muito."

O pedagiamento chegou a ser discutido na década passada, mas foi descartado pelas gestões Mário Covas e Geraldo Alckmin -que nomeou Lopes-, ambos do PSDB. Já o governador eleito, José Serra, do mesmo partido, já se manifestou favoravelmente ao projeto.

Alckmin, em 2002, então candidato ao governo, negava a possibilidade de pedágio, alegando que a obra seria paga pelo Estado e o governo federal.

Porém a União não vem repassando recursos -neste ano, nada foi liberado e, em 2007, o Orçamento da União prevê só R$ 50 milhões, enquanto o Estado deve gastar R$ 350 milhões.

 

 

J. DO COMMERCIO - PE

ECONOMIA
15/11/2006

 

Suape faz licitação para abrigar moinho da Bunge

 

A administração do Porto de Suape já iniciou a licitação para arrendar uma área de 15 hectares para o moinho que a multinacional Bunge vai implantar no local. O empreendimento vai demandar um investimento de cerca de R$ 126 milhões e gerar 220 empregos diretos. A abertura das propostas da licitação ocorrerá no próximo dia 15 de dezembro.

A estatal tem que fazer uma concorrência porque a Lei de Modernização dos
Portos estabelece que o arrendamento de qualquer espaço dentro da área portuária só pode ser feita por licitação. O terreno que está sendo licitado fica dentro da zona industrial portuária e ao lado do terminal de veículos, na Avenida Portuária. Depois que ficar legalizado o terreno, a empresa pode começar as obras físicas.

O presidente do
Porto de Suape, Matheus Antunes, afirmou que é necessário um prazo de 12 a 16 meses para a implantação do empreendimento. O moinho vai fabricar farinha de trigo e misturas prontas. A pedra fundamental do empreendimento foi lançada em junho deste ano.

“A nossa expectativa é que o moinho da Bunge movimente cerca de um milhão de toneladas de trigo por ano. Isso vai representar um acréscimo entre 20% e 25% de toda a carga que passa por Suape atualmente”, comentou Antunes. Ele acrescentou também que essa movimentação poderá ser maior, caso a Bunge comece a movimentar o milho também pela estatal.

INFRA-ESTRUTURA - A movimentação de grãos no
Porto de Suape deverá ser feita no cais 4, que está em construção desde 2001. A obra foi interrompida várias vezes devido à suspensão do envio de recursos do governo federal. A expectativa da administração de Suape é que a conclusão do cais 4 ocorra em março de 2007.

O governo do Estado planejava fazer uma licitação para escolher uma empresa para construir e operar o terminal de grãos de Suape por concessão, como já ocorre com o terminal de contêineres da estatal. No entanto, a preparação da licitação desacelerou antes das eleições. Agora, a concorrência deverá ser feita pela próxima administração estadual.

Já existem pelo menos dois interessados na operação de um terminal de grãos em Suape: a própria Bunge e a Companhia Ferroviária do Nordeste (CFN), que está construindo a
Ferrovia Transnordestina, que prevê a implantação de um terminal de grãos em Suape. A previsão é que o moinho da Bunge entre em funcionamento em 2009.

 

 

ESTADO DE MINAS - MG

GERAIS
15/11/2006

 

Chuva derruba casas

 

Luiz Ribeiro
As chuvas dos últimos dias deixaram dezenas de pessoas desabrigadas nos pequenos municípios dos vales do Mucuri e do Jequitinhonha. Ontem, foi decretado estado de emergência em Machacalis e Águas Formosas, que estão entre as cidades mais castigadas pelos temporais. Chove intensamente nas duas regiões desde sexta-feira. No início da noite de ontem, a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec) enviou uma equipe para avaliar os danos.

Uma das situações mais críticas é enfrentada em Águas Formosas, a 610 quilômetros de Belo Horizonte, no Vale do Mucuri, onde 65 famílias estão desabrigadas e 40 casas foram destruídas. O Departamento de Assistência Social da prefeitura informou que os desabrigados foram levados para abrigos em creches e igrejas.

O Rio Pampam, que atravessa a cidade, transbordou, inundando casas nos bairros Nossa Senhora das Graças, Novo Cruzeiro e Bela Vista. Houve também o desabamento de imóveis na zona rural. Ontem, os desabrigados receberam donativos fornecidos pela população local.

Em Machacalis, a 645 quilômetros de Belo Horizonte, no Vale do Mucuri, 30 famílias ficaram desabrigadas e o mesmo número de casas foi destruído. Os rios Água Branca e Norte, que se encontram dentro do perímetro urbano, subiram cerca de três metros.

Várias
estradas de acesso à zona rural estão intransitáveis e 80% das lavouras foram destruídas. “Ainda estamos fazendo o levantamento dos estragos, esperando a ajuda da Defesa Civil do Estado”, disse, ontem à tarde, o assessor da prefeitura, Carlos André Degaulle.

Também foram registrados prejuízos em diversos outros municípios da região. Em Catuji, cerca de 100 famílias estão desabrigadas. Em Ladainha, mais de 40 famílias ficaram desabrigadas e 36 casas foram destruídas. Cachoeira de Pajeú ficou ilhada, no final de semana, depois que a correnteza arrastou a ponte sobre o Rio Piripipi. O trânsito só foi liberado ontem.

A Coordenadoria Estadual de Defesa Civil informou que desde ontem à tarde, uma equipe, chefiada pelo capitão Giovane Medeiros, chegou em Teófilo Otoni, a fim de levantar os estragos provocados pelas chuvas. Por outro lado, a Cedec esclareceu que, antes do recebimento do relatório da equipe, está recebendo os pedidos de ajuda emergencial dos municípios e orientando às prefeituras para retirarem cestas básicas, lonas, cobertores e outros materiais no depósito de donativos do órgão em Teófilo Otoni.

O trânsito na BR-251, perto de Salinas, no Norte do estado, está em meia-pista. A erosão "engoliu" parte do asfalto. O
Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit) informou que a erosão no asfalto foi provocada por uma obra da Telemar. O serviço de vedação teria sido mal feito, o que causou infiltração e a queda do barranco. Já a assessoria de imprensa da empresa explicou que a fibra ótica está instalada no local desde 2001 e não acredita que essa seja a causa do problema.

 

 

HOJE EM DIA - MG

PAULO CESAR DE OLIVEIRA
15/11/2006

 

Compensação

 

Embora não estivesse nos planos originais de Lula, o ex-governador Newton Cardoso quer entrar na conta que o PMDB está apresentando ao Governo, em troca de apoio total no Congresso. Newton alega que foi para o sacrifício, quando aceitou disputar o governo de Minas contra Aécio Neves. Agora, quer uma compensação, para se manter vivo na política mineira. Para ele, a direção do Dnit não seria má idéia.

 

 

CORREIO DO ESTADO - MS

GERAL
15/11/2006

 

Londres quer manter PL no comando do DNIT

 

Ico Victório e Lívia Ferreira
O presidente da Assembléia Legislativa, Londres Machado (PL), disse ontem que, na partilha dos cargos federais entre os aliados do governador eleito André Puccinelli (PMDB), quer manter o ex-governador Marcelo Miranda no comando do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transporte (
DNIT). O cargo, que está nas mãos do PL, é um dos mais cobiçados da administração federal no Estado por conta do Orçamento – em média, são R$ 300 milhões anuais para Mato Grosso do Sul. Atualmente, as obras em andamento ou em fase de licitação somam mais de R$ 500 milhões.

Ontem, em entrevista coletiva no plenário da Assembléia, Londres disse que Miranda reúne todas as atribuições para continuar na pasta. "O Marcelo Miranda tem tudo para continuar. Eu gostaria que ele permanecesse no
DNIT", informou o parlamentar.

O deputado afirmou que não conversou ainda com o governador eleito André Puccinelli sobre a divisão dos cargos e secretarias de Estado.

Entre parlamentares da bancada federal, a avaliação é de que o
DNIT de Mato Grosso do Sul está conseguindo obter resultados positivos na recuperação de rodovias federais que cortam o Estado. Comunicado da Associação Nacional das Empreiteiras enviado ao Ministério dos Transportes destaca o DNIT de Mato Grosso como uma das unidades que apresentaram melhor qualidade de serviços e projetos.

Para o deputado federal Vander Loubet (PT) esta disposição mostra que o órgão está caminhando muito bem e não precisa de nova administração. "Se temos bom resultado, então precisamos avaliar que este time é o melhor para Mato Grosso do Sul, independente de cores partidárias", avaliou.

Porém, disse que o assunto deverá passar por avaliação do Governo do Estado e do PL. "Estou apenas colocando ponto de vista, mas é preciso ressaltar que estamos observando resultados positivos em um órgão de extrema importância para o desenvolvimento do Estado", explicou.

 

 

FOLHA DE LONDRINA - PR

POLÍTICA
15/11/2006

 

TRF mantém cobrança de pedágio em Jacarezinho

 

Desembargador do Tribunal Regional Federal entende que investimentos feitos por concessionária legitimam cobrança
O desembargador do Tribunal Regional Federal de
Porto Alegre (TRF-4), Carlos Eduardo Lenz, concedeu efeito suspensivo em recurso apresentado pela Econorte e revogou liminar concedida pela Justiça Federal de Jacarezinho que determinava a desativação das duas praças de pedágio na BR-369, na divisa com o estado de São Paulo. Com o despacho, o desembargador empurrou a decisão sobre a desativação das praças para o julgamento de mérito da ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal (MPF) contra a Econorte, DER, Governo do Paraná e a União.

A ação alega ilegalidade na substituição da praça única operada pela Econorte na BR-369 pelas praças de Jacarezinho - que permite a cobrança de pedágio de mais duas
rodovias: BR-153 e PR-090. A mudança, sem realização de nova concorrência pública, foi introduzida por aditivo contratual em março de 2000.

Na decisão publicada no final da tarde desta terça-feira - preenchida com quase três páginas de citações em latim, espanhol e italiano -, o desembargador Carlos Lenz entendeu que os investimentos realizados pela concessionária no novo trecho legitimam a cobrança de pedágio. ''A Econorte presumira legal o contrato, procedendo as obras e despesas nas
rodovias para, em momento posterior, ressarcir-se mediante cobrança de pedágio. (...) Os pedágios atualmente cobrados servem para compensar o que fora previamente gasto''. Além disso, o desembargador alegou que a liminar é uma medida excepcional que só pode ser concedida quando seus pré-requisitos estiverem presentes: verossimilhança e risco de dano irreparável. ''Se ainda há provas a produzir, ao longo da instrução, inexiste a prova inequívoca autorizadora da antecipação da tutela'', afirmou.

A Econorte, que pela primeira fez um pronunciamento sobre o processo, manifestou, em nota à imprensa, ''seu respeito e consideração para com o Poder Judiciário, usuários de
rodovias e demais poderes públicos, e também sua intenção de cumprir a risca (sic) a Lei e o Contrato de Concessão''.

A professora Ana Lúcia Pereira Baccon, presidente da APP-Sindicato de Jacarezinho e líder do Movimento Fim do Pedágio, lamentou a decisão do TRF. ''Se eles (Econorte) dizem que investiram recursos próprios, mas foi em lugar ilegal, por que a população é que deve pagar por isso? Por que sempre a corda arrebenta para o lado mais fraco?'', questionou. ''Se alguém permitiu isso, deve arcar com as consequências. Ou será que o prejuízo da população tem menos valor que o prejuízo da empresa?''.

Ana Lúcia afirmou ainda que a revogação da medida não vai desmobilizar o movimento. ''Vamos continuar unidos e lutando para chegar a uma vitória definitiva.'' O movimento pretende levar ao TRF um abaixo-assinado que já conta com seis mil nomes antes do julgamento de mérito do agravo de instrumento. A FOLHA não conseguiu contato com o MPF até o fechamento da edição.

 

 

A TARDE - BA

ECONOMIA
15/11/2006

 

TRAVESSIA DE RISCO

 

ADILSON FONSÊCA
INHAMBUPE/EUCLIDES DA CUNHA/IBÓ
darocha@atarde.com.br

O carreteiro Valdir José Braga, 48 anos, natural de São Paulo (SP), teve que desembolsar a mais R$ 50 para fazer a travessia por balsa sobre o Rio São Francisco, na localidade de Ibó, município de Abaré, região norte da Bahia. O motivo: a construção da ponte na BR-116 Norte, na divisa dos Estados da Bahia com Pernambuco, ainda não foi concluída e a obra está parada há mais de quatro anos.
Com uma carga de 27 toneladas de aço, trazida de Timóteo, no Estado de Minas Gerais, para Fortaleza, no Ceará, o carreteiro, com a família a bordo do caminhão, lamentava o contratempo e a demora na travessia. Além dos riscos com a travessia por balsa, ele teria que enfrentar outro risco, que era o de percorrer os oito quilômetros da BR-116, no lado pernambucano, que estão esburacados e é considerado um dos locais de maior incidência de assaltos nas
estradas na região conhecida como “Polígono da Maconha”.

A BR-116, que começa em Uruguaiana, no Rio Grande do Sul, e vai até Fortaleza, no Ceará, corta a Bahia de sul a norte, numa distância de 970 quilômetros. Em toda sua extensão, possui o único trecho não-concluído, que é justamente na Bahia, onde ela termina do lado direito do Rio São Francisco.
O Departamento Nacional de Infra-Estrutura e Transporte (
Dnit) promete que em 2007 a licitação para a conclusão das obras ainda seja feita, mas o superintendente do órgão na Bahia, Saulo Ramos, não sabe precisar quando efetivamente as obras começarão.

A BR-116 Norte é a principal via de tráfego, ao lado da BR-407 (Juazeiro/ Capim Grosso) para os veículos que vêm do interior do Nordeste em direção ao Centro-Sul do Brasil. Atualmente encontra-se asfaltada até a localidade de Ibó, na divisa com Pernambuco, mas por causa das obras paralisadas, os caminhoneiros têm que fazer um percurso adicional de 192 quilômetros até Petrolina e de lá, por Juazeiro, alcançar a BR-407 e seguir até Feira de Santana, para retomar à BR-116 em direção ao CentroSul. “É uma viagem cansativa, cheia de riscos, que há muito tempo poderia ter sido resolvido. Basta vontade de querer fazer”, disse outro carreteiro, Luís Mário Nascimento Costa, 37, do lado pernambucano,pernambucano, aguardando o momento da travessia para a Bahia.

OBRA INACABADA – Por causa da má conservação ou das obras inacabadas, os acidentes e prejuízos a quem trafega por boa parte das
rodovias na Bahia são constantes. Na BR-110 (Salvador/Paulo Afonso), na localidade de Riacho da Guia, município de Inhambupe, as obras de recuperação de uma ponte ponte destruída pelas enchentes do Rio Subaúma, em janeiro de 2005, estão com 11 meses de atraso.
Pelo cronograma do
Dnit, as obras foram contratadas em 17 de novembro de 2005, devendo ter sido concluída em 14 de fevereiro deste ano, ao valor de R$ 848.501,99. Conforme informações dos funcionários da empreiteira ETP Construções e Planejamento, a ponte deverá somente ser entregue em dezembro deste ano.
Por causa da interrupção do tráfego de veículos na localidade, os motoristas são obrigados a fazer um desvio de 3,5 quilômetros em estrada de barro.
Um pouco mais adiante, na mesma BR-110, próximo à entrada para a cidade de Sátiro Dias, o contrato da Operação Tapa-Buracos, indica que a obra, numa extensão de 209 entre Itamira a Jeremoabo, foi iniciado em janeiro de 2006 e concluído no último mês de julho, ao valor de R$ 6.524.472,88. Contudo, numa extensão de quase 70 quilômetros, até Ribeira do Pombal, os buracos causam acidentes e prejuízos aos motoristas.
Em um deles, o caminhoneiro José Nilson da Costa, 43 anos, com um carregamento de pedras do município de Olindina, para a Ferpasa, em Pojuca, teve que interromper a viagem por causa de estouro de um dos pneus. “Dizem que a obra (tapa-buracos) já foi concluída, mas o que se vê são buracos por todo o trecho”, disse o caminhoneiro, revoltado.

LICITAÇÃO – Ontem, o superintendente do
Dnit na Bahia, Saulo Ramos, anunciou a abertura de um novo processo de licitação, para o próximo dia 14 de dezembro, envolvendo 11 rodovias federais na Bahia. Conforme explicou, os contratos serão para restauração e envolvem algumas rodovias que foram incluídas na Operação Tapa-Buracos, como a BR-110 (Salvador/Paulo Afonso) iniciada no mês de janeiro deste ano, com prazo de seis meses para ser concluída.
A licitação envolve as
rodovias BR-324, 110, 410, 122, 235, 330, 367, 407, 418 e a BR-101 Norte. As obras fazem parte do Programa de Integração Rodoviária (PIR) e deverão ter os recursos assegurados no Orçamento da União de 2006. O valor do contrato é de aproximadamente R$ 130 milhões e as obras deverão ter conclusão em 730 dias.

 

 

A TARDE - BA

ECONOMIA
15/11/2006

                                                                                                                                                                    

Caminhoneiro reclama da falta de segurança

 

Considerado um dos mais complicados “gargalos” rodoviários na Bahia, a travessia por balsa sobre o Rio São Francisco é feita diariamente por centenas de caminhoneiros, que reclamam da segurança nas estradas baianas e da paralisação das obras da ponte na BR-116, na localidade de Ibó, na divisa entre a Bahia e Pernambuco.

Este ano, conforme informaram os próprios operadores de balsas, duas carretas caíram no rio. Em um dos acidentes, um caminhoneiro morreu afogado. “Isso aqui é muito perigoso e só fazemos isso porque temos que economizar tempo e distância para cumprir os prazos da viagem”, disse um dos carreteiros, que não quis se identificar.

O seu colega, contudo, César Albertino, com uma carga de lingüiça e frango que ia de Chapecó (SC) para Fortaleza (CE), se queixava dos riscos. “O pior é que não temos alternativa, pois ir por Juazeiro (BR-407) significa um percurso a mais de quase 200 km”, disse. Na região de Ibó estão atuando nove balsas e a travessia é feita sem qualquer norma de segurança. Um dos balseiros, Daniel Barbosa Silva, 33 anos, diz que todos trabalham sem equipamentos de segurança.

 

 

O POPULAR - GO

CIDADES
15/11/2006

 

Um mapa tortuoso de irregularidades em obras

Auditorias de órgãos fiscalizadores, como Tribunais de contas da união e do estado, apontam uma série de falhas graves em obras de conservação e restauração de estradas em Goiás

 

Vinicius Jorge Sassine
As obras de conservação e restauração das
rodovias do Estado são marcadas por irregularidades encabeçadas pelo poder público e pelas empresas privadas contratadas, como apontam auditorias do Tribunal de Contas da União (TCU) – que fiscaliza as rodovias federais – e do Tribunal de Contas do Estado (TCE) – responsável pela análise do programa Goiás Pavimentado, do governo estadual. O TCU identificou superfaturamento de preços, dispensa ilegal de licitação e má qualidade das obras tapa-buracos em trechos das BRs em Goiás. Nas GOs, conforme uma auditoria realizada pelo TCE, os projetos de recuperação são desatualizados e, além disso, faltam iniciativas de conservação das estradas, que sofrem um desgaste prematuro em razão dessas deficiências.

As irregularidades apontadas tornam ainda mais distante a melhoria das
rodovias no Estado. O POPULAR mostrou na edição de ontem a situação precária de BRs e GOs. São comuns buracos por longos trechos, alguns deles intransitáveis. Sinalização deficiente, falta de acostamento, pavimentação defeituosa e canteiros de obras paralisadas são outros problemas enfrentados por motoristas de norte a sul do Estado, agravados pelo período chuvoso. Conforme pesquisa da Confederação Nacional do Transporte (CNT), 16 rodovias estaduais estão regulares, ruins ou péssimas, e 14 BRs foram consideradas regulares ou ruins.

De março a outubro, o TCU identificou sete trechos de
rodovias federais em obras com algum tipo de irregularidade na execução dos serviços. As principais se referem ao Programa Emergencial de Trafegabilidade e Segurança nas Estradas (PETSE), lançado no início do ano pelo governo federal. Com a alegação de que os serviços eram emergenciais, houve dispensa de licitação para a contratação das empreiteiras. O resultado, conforme o TCU, foram a má prestação dos serviços e preços acima dos valores de mercado em alguns casos. Já a fiscalização das obras nas rodovias estaduais não detalhou a situação em cada GO. A auditoria do TCE, apresentada em plenário no último dia 8, faz conclusões gerais quanto às rodovias administradas pelo governo estadual. A paralisação de obras, segundo o levantamento, vem provocando prejuízos ao erário, uma vez que as chuvas e o tráfego intenso fazem com que diversas obras – inclusive tapa-buracos – voltem à estaca zero.

A pesquisa da malha rodoviária realizada pela CNT este ano considerou duas
rodovias estaduais – GOs 164 e 302 – como péssimas. Nenhuma BR teve essa classificação, ao contrário de levantamentos de anos anteriores. A falta de conservação das GOs, apontada pela auditoria do TCE, tem uma explicação: desde julho, a Agência Goiana de Transportes e Obras (Agetop) vem executando diretamente as operações tapa-buracos. O Programa Terceira Via, que permitia a contratação de empresas para executar esses serviços, está suspenso desde então. “As rodovias estaduais estão ruins. Não conseguimos fazer a prevenção na época da seca, pois o programa estava no fim”, reconhece o diretor de Planejamento e Projetos da Agetop, Delano Cavalcanti. A expectativa é de que, até o fim deste mês, as primeiras empresas sejam contratadas por meio de licitação.

 

 

O POPULAR - GO

CIDADES
15/11/2006

 

Má qualidade de programa questionado pelo TCU

 

Nos seis meses em que funcionou, de janeiro a julho, o Programa Emergencial de Trafegabilidade e Segurança nas Estradas (PETSE), do governo federal, foi questionado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e pelo Ministério Público Federal (MPF). O objetivo do programa era recuperar 26,4 mil quilômetros de rodovias em 25 Estados, dos quais 2,3 mil quilômetros em Goiás, com investimentos de R$ 24,7 milhões.

O último parecer de uma auditoria do TCU é de 26 de outubro, em que o órgão lista diversas BRs de diferentes Estados. De Goiás, foram fiscalizadas as BRs 020 e 040. “A execução de serviços de má qualidade já foi diversas vezes apontada por este tribunal”, citam os auditores no acórdão. Na BR-020, num trecho de 252 quilômetros, foram identificados serviços de má qualidade e a volta de defeitos antes existentes. Para a recuperação do trecho, estavam orçados R$ 2,6 milhões. O TCU não identificou irregularidades na BR-040, mas cobrou do
Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit) em Goiás e Tocantins um aprimoramento dos procedimentos de fiscalização e supervisão das obras. “O problema já foi reparado pela empresa contratada. Era apenas a confecção de uma capa asfáltica”, afirma o superintendente do Dnit, Riumar dos Santos.

Uma outra auditoria do TCU, referente a obras na BR-060, constatou que os preços dos serviços contratados não estavam em conformidade com os preços de mercado. “Há indícios de sobrepreço na prorrogação do contrato.” Além disso, os técnicos do TCU discordaram da alegação de que a prestação dos serviços era emergencial, o que justificaria a dispensa de licitação. Conforme uma resolução de 28 de julho, o preço de mercado do metro cúbico da mistura betuminosa – base para o recapeamento asfáltico – é R$ 96,25, enquanto a empreiteira cobrou R$ 131,31. “Configura-se a prática de ato antieconômico, com injustificado dano ao erário”, diz o documento da auditoria. O TCU cobra a revisão do contrato e dos aditivos. Para o superintendente do
Dnit, cabe à empresa rever os preços, e não ao órgão do governo federal, uma vez que a resolução do TCU direcionou-se ao empreendimento da iniciativa privada.

Ilegalidade na dispensa de licitação e má prestação do serviço de tapa-buracos foram identificados também nos reparos feitos na BR-158, próximo a Jataí. “As intervenções recentemente realizadas (maio) são de pouca eficácia, uma vez que há infiltrações em todo o trecho.” Riumar dos Santos afirma que o TCU errou e que as alegações já foram apresentadas ao órgão. “Não houve programa emergencial de Jataí a Caiapônia.”

Na BR-452, entre Rio Verde e Itumbiara, o TCU identificou uma projeção de lucros e despesas indiretas (LDI) maior do que o permitido, o que resultou em um aumento de R$ 100 mil no orçamento da obra. Riumar dos Santos recebeu uma multa de R$ 5 mil por causa da irregularidade apontada. Já o pagamento dos serviços de duplicação da BR-153, entre Aparecida de Goiânia e Itumbiara, começou a ser feito sem o empenho anterior das despesas, segundo o TCU, o que foi considerado ilegal. “Acatamos a orientação do TCU. O cancelamento dos empenhos, na verdade, começou a ser feito no fim do governo FHC (Fernando Henrique Cardoso)”, justifica Riumar dos Santos. Em outra obra de duplicação, na BR-060, foram constatados preços excessivos e deficiências nos projetos básicos.

Em resposta às informações publicadas pelo POPULAR ontem, que detalhou a situação de
rodovias federais e estaduais em Goiás, o Dnit sustenta que o trecho da BR-153 entre Uruaçu e Porangatu não está esburacado. “Ele foi totalmente restaurado e sinalizado, estando em perfeitas condições de tráfego.” Outro trecho recuperado, segundo o Dnit, é o da BR-158 entre Aragarças e Caiapônia. Obras de tapa-buracos estariam sendo executadas de Caiapônia a Jataí. O órgão informa ainda que não existem mais contratos emergenciais, com dispensa de licitação, para a recuperação das rodovias federais.

 

 

O POPULAR - GO

CIDADES
15/11/2006

 

TCE quer novos critérios de avaliação

 

Diante dos problemas verificados nas obras de recuperação e conservação das rodovias estaduais, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) recomenda a adoção de novos critérios pela Agência Goiana de Transportes e Obras (Agetop). Conforme o relatório da auditoria, falta rigor na escolha dos trechos a serem restaurados e planejamento da execução dos serviços. “É preciso destinar e aplicar os recursos independentemente da sua origem, levando em consideração a melhor qualidade das obras rodoviárias”, concluem os auditores do TCE. A auditoria apontou que os recursos do Banco Mundial (Bird) – parceiro do governo estadual no programa Goiás Pavimentado – são mais bem aplicados do que os recursos exclusivos do Tesouro Estadual.

O diretor de Planejamento e Projetos da Agetop, Delano Cavalcanti, aponta o maior tráfego nas
estradas, principalmente na Região Sudoeste do Estado, centro da produção de grãos, e a baixa qualidade do material asfáltico adquirido como responsáveis pelos problemas apontados na auditoria do TCE. “Não há ausência de conservação, mas problemas de uma etapa para outra do Programa Terceira Via.” Desde julho, quando chegou ao fim o contrato com as empresas privadas do programa, a Agetop executa diretamente a recuperação e conservação.

Pelo Terceira Via, o Estado mantinha parceria com 26 empresas de engenharia, responsáveis por ações como a de tapa-buracos. “O custo correspondia a 30% do que a União paga nas
rodovias federais”, sustenta o diretor de Planejamento da Agetop. Delano afirma que o atraso da licitação prejudicou o trabalho de conservação das rodovias estaduais. “Recebemos as propostas das empresas somente em setembro.” Na segunda etapa do programa, o Estado seria dividido em 20 regiões, cada uma com um cronograma de obras.

 

 

Goiânia, 15 de novembro de 2006

 

Um mapa tortuoso de irregularidades em obras

Auditorias de órgãos fiscalizadores, como Tribunais de contas da união
e do estado, apontam uma série de  falhas graves em obras de conservação
e restauração de estradas em Goiás

Buracos localizados na BR-153, no trevo de Anápolis: tribunais questionam qualidade

 

 

As obras de conservação e restauração das rodovias do Estado são marcadas por irregularidades encabeçadas pelo poder público e pelas empresas privadas contratadas, como apontam auditorias do Tribunal de Contas da União (TCU) – que fiscaliza as rodovias federais – e do Tribunal de Contas do Estado (TCE) – responsável pela análise do programa Goiás Pavimentado, do governo estadual. O TCU identificou superfaturamento de preços, dispensa ilegal de licitação e má qualidade das obras tapa-buracos em trechos das BRs em Goiás. Nas GOs, conforme uma auditoria realizada pelo TCE, os projetos de recuperação são desatualizados e, além disso, faltam iniciativas de conservação das estradas, que sofrem um desgaste prematuro em razão dessas deficiências.

As irregularidades apontadas tornam ainda mais distante a melhoria das rodovias no Estado. O POPULAR mostrou na edição de ontem a situação precária de BRs e GOs. São comuns buracos por longos trechos, alguns deles intransitáveis. Sinalização deficiente, falta de acostamento, pavimentação defeituosa e canteiros de obras paralisadas são outros problemas enfrentados por motoristas de norte a sul do Estado, agravados pelo período chuvoso. Conforme pesquisa da Confederação Nacional do Transporte (CNT), 16 rodovias estaduais estão regulares, ruins ou péssimas, e 14 BRs foram consideradas regulares ou ruins.

De março a outubro, o TCU identificou sete trechos de rodovias federais em obras com algum tipo de irregularidade na execução dos serviços. As principais se referem ao Programa Emergencial de Trafegabilidade e Segurança nas Estradas (PETSE), lançado no início do ano pelo governo federal. Com a alegação de que os serviços eram emergenciais, houve dispensa de licitação para a contratação das empreiteiras. O resultado, conforme o TCU, foram a má prestação dos serviços e preços acima dos valores de mercado em alguns casos. Já a fiscalização das obras nas rodovias estaduais não detalhou a situação em cada GO. A auditoria do TCE, apresentada em plenário no último dia 8, faz conclusões gerais quanto às rodovias administradas pelo governo estadual. A paralisação de obras, segundo o levantamento, vem provocando prejuízos ao erário, uma vez que as chuvas e o tráfego intenso fazem com que diversas obras – inclusive tapa-buracos – voltem à estaca zero.

A pesquisa da malha rodoviária realizada pela CNT este ano considerou duas rodovias estaduais – GOs 164 e 302 – como péssimas. Nenhuma BR teve essa classificação, ao contrário de levantamentos de anos anteriores. A falta de conservação das GOs, apontada pela auditoria do TCE, tem uma explicação: desde julho, a Agência Goiana de Transportes e Obras (Agetop) vem executando diretamente as operações tapa-buracos. O Programa Terceira Via, que permitia a contratação de empresas para executar esses serviços, está suspenso desde então. “As rodovias estaduais estão ruins. Não conseguimos fazer a prevenção na época da seca, pois o programa estava no fim”, reconhece o diretor de Planejamento e Projetos da Agetop, Delano Cavalcanti. A expectativa é de que, até o fim deste mês, as primeiras empresas sejam contratadas por meio de licitação.

Má qualidade de programa questionado pelo TCU

Nos seis meses em que funcionou, de janeiro a julho, o Programa Emergencial de Trafegabilidade e Segurança nas Estradas (PETSE), do governo federal, foi questionado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e pelo Ministério Público Federal (MPF). O objetivo do programa era recuperar 26,4 mil quilômetros de rodovias em 25 Estados, dos quais 2,3 mil quilômetros em Goiás, com investimentos de R$ 24,7 milhões.

O último parecer de uma auditoria do TCU é de 26 de outubro, em que o órgão lista diversas BRs de diferentes Estados. De Goiás, foram fiscalizadas as BRs 020 e 040. “A execução de serviços de má qualidade já foi diversas vezes apontada por este tribunal”, citam os auditores no acórdão. Na BR-020, num trecho de 252 quilômetros, foram identificados serviços de má qualidade e a volta de defeitos antes existentes. Para a recuperação do trecho, estavam orçados R$ 2,6 milhões. O TCU não identificou irregularidades na BR-040, mas cobrou do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit) em Goiás e Tocantins um aprimoramento dos procedimentos de fiscalização e supervisão das obras. “O problema já foi reparado pela empresa contratada. Era apenas a confecção de uma capa asfáltica”, afirma o superintendente do Dnit, Riumar dos Santos.

Uma outra auditoria do TCU, referente a obras na BR-060, constatou que os preços dos serviços contratados não estavam em conformidade com os preços de mercado. “Há indícios de sobrepreço na prorrogação do contrato.” Além disso, os técnicos do TCU discordaram da alegação de que a prestação dos serviços era emergencial, o que justificaria a dispensa de licitação. Conforme uma resolução de 28 de julho, o preço de mercado do metro cúbico da mistura betuminosa – base para o recapeamento asfáltico – é R$ 96,25, enquanto a empreiteira cobrou R$ 131,31. “Configura-se a prática de ato antieconômico, com injustificado dano ao erário”, diz o documento da auditoria. O TCU cobra a revisão do contrato e dos aditivos. Para o superintendente do Dnit, cabe à empresa rever os preços, e não ao órgão do governo federal, uma vez que a resolução do TCU direcionou-se ao empreendimento da iniciativa privada.

Ilegalidade na dispensa de licitação e má prestação do serviço de tapa-buracos foram identificados também nos reparos feitos na BR-158, próximo a Jataí. “As intervenções recentemente realizadas (maio) são de pouca eficácia, uma vez que há infiltrações em todo o trecho.” Riumar dos Santos afirma que o TCU errou e que as alegações já foram apresentadas ao órgão. “Não houve programa emergencial de Jataí a Caiapônia.”

Na BR-452, entre Rio Verde e Itumbiara, o TCU identificou uma projeção de lucros e despesas indiretas (LDI) maior do que o permitido, o que resultou em um aumento de R$ 100 mil no orçamento da obra. Riumar dos Santos recebeu uma multa de R$ 5 mil por causa da irregularidade apontada. Já o pagamento dos serviços de duplicação da BR-153, entre Aparecida de Goiânia e Itumbiara, começou a ser feito sem o empenho anterior das despesas, segundo o TCU, o que foi considerado ilegal. “Acatamos a orientação do TCU. O cancelamento dos empenhos, na verdade, começou a ser feito no fim do governo FHC (Fernando Henrique Cardoso)”, justifica Riumar dos Santos. Em outra obra de duplicação, na BR-060, foram constatados preços excessivos e deficiências nos projetos básicos.

Em resposta às informações publicadas pelo POPULAR ontem, que detalhou a situação de rodovias federais e estaduais em Goiás, o Dnit sustenta que o trecho da BR-153 entre Uruaçu e Porangatu não está esburacado. “Ele foi totalmente restaurado e sinalizado, estando em perfeitas condições de tráfego.” Outro trecho recuperado, segundo o Dnit, é o da BR-158 entre Aragarças e Caiapônia. Obras de tapa-buracos estariam sendo executadas de Caiapônia a Jataí. O órgão informa ainda que não existem mais contratos emergenciais, com dispensa de licitação, para a recuperação das rodovias federais.

 

TCE quer novos critérios de avaliação

Diante dos problemas verificados nas obras de recuperação e conservação das rodovias estaduais, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) recomenda a adoção de novos critérios pela Agência Goiana de Transportes e Obras (Agetop). Conforme o relatório da auditoria, falta rigor na escolha dos trechos a serem restaurados e planejamento da execução dos serviços. “É preciso destinar e aplicar os recursos independentemente da sua origem, levando em consideração a melhor qualidade das obras rodoviárias”, concluem os auditores do TCE. A auditoria apontou que os recursos do Banco Mundial (Bird) – parceiro do governo estadual no programa Goiás Pavimentado – são mais bem aplicados do que os recursos exclusivos do Tesouro Estadual.

O diretor de Planejamento e Projetos da Agetop, Delano Cavalcanti, aponta o maior tráfego nas estradas, principalmente na Região Sudoeste do Estado, centro da produção de grãos, e a baixa qualidade do material asfáltico adquirido como responsáveis pelos problemas apontados na auditoria do TCE. “Não há ausência de conservação, mas problemas de uma etapa para outra do Programa Terceira Via.” Desde julho, quando chegou ao fim o contrato com as empresas privadas do programa, a Agetop executa diretamente a recuperação e conservação.

Pelo Terceira Via, o Estado mantinha parceria com 26 empresas de engenharia, responsáveis por ações como a de tapa-buracos. “O custo correspondia a 30% do que a União paga nas rodovias federais”, sustenta o diretor de Planejamento da Agetop. Delano afirma que o atraso da licitação prejudicou o trabalho de conservação das rodovias estaduais. “Recebemos as propostas das empresas somente em setembro.” Na segunda etapa do programa, o Estado seria dividido em 20 regiões, cada uma com um cronograma de obras