![]()
JANELA INDISCRETA
17/12/2006
INVESTIMENTOS - Os juros e o nó do crescimento
E
se os juros continuarem caindo? A pergunta é o eixo das discussões de médio prazo
dos fundos de pensão, os maiores investidores do país. Por lei, eles devem
garantir rendimento mínimode 6% reais por ano a seus beneficiários. Com o ritmo
de queda atual, as taxas de juro devem girar em 7,5% reais ao fim de 2007.
"Começa então o paradoxo no qual o título público não é mais suficiente
para os fundos", diz Wagner Pinheiro de Oliveira, presidente da Petros
(dos funcionários da Petrobras). A alternativa? Investimento para desatar os
nós da infra-estrutura. Só a Petros está colocando R$ 1 bilhão em fundos para
financiar projetos que vão de usinas a estradas e portos.
![]()
BRASIL
17/12/2006
O pacote de Lula fará o país crescer?
O
plano de crescimento que o governo deverá anunciar tenta combinar contenção de
gastos com a liberação de dinheiro para obras. Será que vai dar certo?
Matheus
Leitão e Murilo Ramos
Economistas do banco de investimento Goldman Sachs cunharam em 2004 um apelido
para descrever o que acreditavam ser as economias emergentes mais promissoras
do mundo: Bric, a sigla que reúne Brasil, Rússia, Índia e China. O conjunto
está sendo agora chamado de Ric - o B de Brasil caiu fora. A anedota resume o desapontamento
com o crescimento da economia brasileira nos últimos anos, que ficou para trás
na comparação com os Rics.
Na semana passada, a mediocridade do desempenho brasileiro foi confirmada por
mais uma pancada estatística. A Comissão Econômica para a América Latina e o
Caribe (Cepal) divulgou sua previsão de crescimentro para 2006. Dos países que
a Cepal acompanha, só o Haiti não vai crescer mais que o Brasil neste ano.
Desde que foi confirmada sua reeleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva
colocou seu ministério para discutir medidas para inverter essa tendência e
recolocar o Brasil na rota do crescimento. Na tarde de sexta-feira 15, o
governo considerava anunciar as seguintes medidas:
- A meta de superávit fiscal seria mantida em 4,25%. O governo abandonou a
idéia de reduzi-la para tentar aumentar os investimentos públicos. Com essa
economia, destinada ao pagamento dos juros da dívida interna, o governo procura
manter sua credibilidade junto aos mercados. Convencidos de que haverá dinheiro
para pagá-los, os investidores aceitariam juros menores pelos papéis do governo.
- Seria criado um teto para os gastos correntes do governo. Sem esse limite, a
despesa com a folha de funcionários, viagens e manutenção da máquina federal
cresceu 65% nos últimos quatro anos. Para inverter a tendência, havia três
alternativas em estudo. A predileta de Lula é também a mais rígida. Ela
determina que o crescimento dos gastos não poderia superar a variação da
inflação anual. A mais frouxa estabelece que os gastos poderiam aumentar tanto
quanto o crescimento do PIB, mais o valor da inflação. E a proposta
intermediária propõe que o índice de crescimento dos gastos poderia incorporar
o reajuste da inflação mais uma fração do crescimento do PIB ainda indefinida.
- Haveria isenção de impostos para setores considerados estratégicos, que
ajudem na geração de empregos e na exportação, como construção civil e
indústria eletrônica. A idéia, lançada pelo ministro do Desenvolvimento, Luiz
Fernando Furlan, provocou uma polêmica em torno da extensão de benefícios hoje
concedidos apenas à Zona Franca de Manaus para indústrias instaladas em outras
regiões.
- Seria anunciado um pacote de obras na área de infra-estrutura, entre elas
projetos emperrados há algum tempo. A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff,
selecionou cerca de 50 empreendimentos prioritários, orçados em mais de R$ 60
bilhões. São projetos de construção de ferrovias, anéis rodoviários, usinas hidrelétricas
- como a de Santo Antônio e Jirau, no Estado de Rondônia - e a recuperação de rodovias essenciais para o
escoamento da safra agrícola - como a BR-163, no Centro-Oeste, e a BR-101
Nordeste. Para desengavetar esses projetos, o governo pretende tomar algumas
providências, como acelerar o licenciamento ambiental de algumas obras (leia o
quadro).
O pacote ainda não está completo. Mesmo assim, já é possível perceber nas
medidas descritas um fato positivo. Sim, o governo quer assumir um papel mais
ativo para alavancar as taxas de crescimento econômico. Mas não pretende
recorrer à solução fácil de tentar promovê-lo à custa de um aumento desordenado
nos gastos públicos nem de uma redução artificial na taxa de juros do Banco
Central, caminho quase certo para um desastre logo adiante. A criação de um
teto para conter as despesas correntes do governo pode ser saudada como uma
idéia inovadora, na direção correta.
O crescimento nos gastos do dia-a-dia do governo - coisas como a manutenção da
máquina e o pagamento da folha de salários - atingiu um ponto de quase
descontrole nos últimos anos, por causa de medidas como a contratação de
funcionários públicos ou a concessão de aumentos salariais generosos acima da
inflação. "Estabelecer um teto para as despesas vai trazer mais
previsibilidade", diz o economista-chefe do HSBC, Alexandre Bassolli.
"É um avanço."
Outro sinal de que o governo não vai se enveredar por aventuras: o presidente
Lula não fala mais em crescer, de qualquer forma, 5% do PIB em 2007. Seus
principais assessores reduziram as expectativas de crescimento para o próximo
ano para algo entre 4% e 4,25% - o que já poderia ser considerado um bom
desempenho. Nos últimos anos, o Brasil só ultrapassou esse índice em 2004. O
Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), órgão ligado ao Ministério do
Planejamento, prevê expansão de apenas 3,6% em 2007. A atitude de reduzir metas
para o próximo ano é mais prudente e realista, porque ao país não interessa
mais um "vôo de galinha", aquele crescimento s alto em um ano,
seguido por desempenhos decepcionantes. A meta deve ser alcançar uma rota de
crescimento econômico sustentável durante vários anos, para alçar o país a
outro patamar de desenvolvimento.
O pacote de Lula será capaz de colocar o Brasil nesse caminho? Na avaliação de
Paulo Leme, diretor de pesquisas de mercados emergentes do Goldman Sachs, as
propostas do governo ainda são tímidas diante das necessidades do país. Elas
não atacam, no entender de Leme, nós estruturais que atravancam o crescimento
econômico, como o déficit previdenciário, que deverá chegar neste ano a R$ 42
bilhões. De acordo com o economista do Goldman Sachs, uma reforma da
Previdência - com o aumento da idade mínima de aposentadoria e a desvinculação
do salário mínimo dos benefícios previdenciários - é indispensável para vôos
mais altos. O governo gasta quase 12% do PIB com aposentadorias e pensões, num
país cuja população é majoritariamente jovem. Para cada R$ 1 de aumento no
salário mínimo, o impacto sobre a Previdência é de R$ 170 milhões. "O país
precisa passar pela sala da cirurgia fiscal", afirma Leme. "E não
pela sala dos cosméticos."
A defesa de uma nova reforma da Previdência significaria desgastes políticos
para o presidente Lula. Ele teria de assumir um conflito com antigos aliados,
como lideranças do movimento sindical e do Movimento dos Trabalhadores Rurais
Sem Terra (MST). Além de rejeitar tal reforma, na semana passada sindicalistas
e dirigentes do MST estiveram no Palácio do Planalto para defender a inclusão
de seus representantes nas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) do
Banco Central. Segundo Ilan Goldfajn, ex-diretor do Banco Central e sócio da
Ciano Investimentos, apesar das resistências políticas, o presidente Lula não
deveria se furtar de assuntos embaraçosos como a reforma da Previdência.
"O presidente foi eleito por ampla maioria", afirma Goldfajn.
"Tem totais condições e obrigação de liderar as mudanças
necessárias."
Embora sejam necessárias medidas ousadas, cujo resultado vem apenas no médio e
no longo prazo, o presidente Lula parece ter adotado uma posição de cautela.
Com as medidas econômicas, ele deverá anunciar nesta semana também os primeiros
nomes da equipe ministerial para o segundo mandato. As primeiras indicações
confirmam o temperamento conciliador, característico do presidente. Na
composição de sua equipe, Lula procurou reunir no governo as duas posições
divergentes em relação aos rumos da política econômica que afloraram na
transição entre a reeleição e o início do segundo mandato. No anúncio do pacote
e do ministério, o presidente deverá mostrar apoio tanto aos "desenvolvimentistas",
que queriam mudanças na política de juros e câmbio do Banco Central, quanto aos
defensores da atual política econômica.
Para agradar à ala desenvolvimentista, o presidente pretende dar força à
ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, na disputa contra a ministra do
Meio Ambiente, Marina Silva, em torno do licenciamento ambiental de obras de
infra-estrutura consideradas prioritárias. Para acabar com o conflito de
atribuições entre União, Estados e municípios, uma medida prevista é enviar ao Congresso
um projeto para regulamentar o artigo 23 da Constituição, cuja interpretação
abre brechas para inúmeras controvérsias judiciais. "Está sobrando
dinheiro por aí", diz um integrante da equipe econômica. "Só falta ao
governo dar garantias ao empresariado de que não haverá surpresas desagradáveis
durante o investimento."
Lula pretende integrar à equipe ministerial o ex-ministro Delfim Netto. Na
semana passada, Delfim afirmou a amigos que aceitou o convite de Lula para
fazer parte do ministério. Ainda resta saber se Delfim - que não se reelegeu
para a Câmara dos Deputados - seguirá para a Agricultura ou para o
Planejamento, pastas que comandou durante a ditadura militar. Caso a última
hipótese seja confirmada, o atual ministro, Paulo Bernardo, terá destino certo.
Deverá assumir a presidência da Itaipu Binacional, no Paraná. Seria uma forma
de o presidente recompensar Bernardo, herdeiro na área econômica das posições
do ex-ministro Antônio Palocci, aproximando-o de seu colégio eleitoral e
dando-lhe o comando de uma máquina com orçamento de mais de R$ 5 bilhões por
ano.
No eixo dos ministérios com possibilidade de aumentar os investimentos, o
presidente deverá colocar Marta Suplicy, a ex-prefeita de São Paulo. Ela deverá
assumir o Ministério das Cidades, em substituição a Márcio Fortes. Com esse
gesto, o presidente quer retribuir o empenho de Marta na campanha presidencial
e agradar ao PT de São Paulo, enfraquecido pelo escândalo da compra do dossiê
contra os tucanos na reta final do primeiro turno da eleição, mas ainda
fundamental nas composições políticas dentro do petismo. A aprovação da Lei de
Saneamento Básico pela Câmara dos Deputados, na semana passada, é considerada
um trunfo para Marta. Depois de mais de 20 anos parada no Congresso Nacional, a
nova lei deverá estimular investimentos de R$ 10 bilhões por ano.
Nenhuma providência é tão sintomática do sistema de peso e contrapesos que o
presidente quer manter na área econômica quanto a decisão de manter o
"desenvolvimentista" Guido Mantega no Ministério da Fazenda, mas também
deixar intocada a presidência do Banco Central com Henrique Meirelles. Na
semana passada, um episódio reforçou a convicção em Lula de que é preciso
manter na presidência do BC um freio aos ímpetos de Mantega. Há três semanas, o
ministro da Fazenda tinha sugerido ao ex-presidente do Banco do Brasil Rossano
Maranhão forte redução das taxas de juro cobradas pelo banco. Mantega
acreditava que essa decisão seria imitada por outros bancos e, por tabela,
pressionaria o BC a acentuar a trajetória de queda dos juros. Constrangido com
o pedido inusitado, Maranhão esperou alguns dias e se afastou do cargo. A
manobra de Mantega não deu certo.
Quem entra, quem sai, quem fica
Delfim Netto e Marta Suplicy são algumas das novidades previstas na equipe do
segundo governo de Lula
O curinga
Mais de duas décadas depois, Delfim Netto, o mais novo amigo de Lula, deverá
voltar a ser ministro. Pode ser na agricultura ou no planejamento
O defensor da moeda
Henrique Meirelles deverá ser mantido na presidência do banco central.sua
permanência é vista como freio ao ímpeto dos desenvolvimentistas
Superprefeita
A ex-prefeita Marta Suplicy, ao assumir um cargo federal, continuará a cuidar
de questões urbanas. Seu nome é considerado certo para o ministério das cidades
A herança de Palocci
Paulo Bernardo é o mais paloccista dos ministros da área econômica. Pode ceder
a vaga para Delfim e ser compensado com a presidência de Itaipu
A voz de Lula
Guido Mantega deverá continuar no ministério da fazenda, mas terá vôo limitado
na condução da política econômica. Sua permanência é sinal de que lula pretende
interferir
AS OBRAS DE LULA
O governo tem 50 projetos de infra-estrutura considerados prioritários. Abaixo,
dois deles
BR-101
Reforma necessária: duplicação entre os Estados do Rio Grande do Norte,
Pernambuco e Paraíba, o "Corredor Nordeste" Problema: empreiteiras
descartadas pelo processo de licitação questionaram o edital na Justiça e pararam
a reforma. Com medo de que a demora judicial atrasasse a conclusão da obra, o
governo decidiu repassá-la ao Exército
BR-163
Reforma necessária: asfaltamento. O trecho entre Cuiabá, Mato Grosso, e
Santarém, no Pará, é de terra e fica intransitável em período de chuva
Problema: como a estrada corta uma área de floresta, é preciso seguir
requisitos do programa de desenvolvimento sustentável celebrado entre o Ibama e
o Ministério
dos Transportes
![]()
OPINIÃO
17/12/2006
Insensatez
Alvaro
Dias
"O erro que começou há mil anos é tão errado como o que começa hoje,
e o certo que surge hoje é tão certo como se tivesse a sanção de séculos"
Thomas Paine (1737-1809)
A divulgação do relatório da lavra do competente ministro do Tribunal de Contas
da União (TCU) Augusto Nardes - aprovado por unanimidade por aquela Corte -
revelou em preto e branco as várias facetas do caos no ar e nas áreas de
embarque.
Numa exposição isenta, elaborada sob o rigor de dados eminentemente técnicos, o
referido ministro do TCU concluiu: "a crise não foi obra do acaso, mas da
má gestão, da sucessão de equívocos, da indolência, da incapacidade de expandir
o setor e do contingenciamento de recursos". O diagnóstico é gravíssimo,
considerando que existem "dúvidas" sobre a "eficiência
operacional" do sistema de controle aéreo.
A política de corte de verbas do governo federal, aplicada de forma linear e
sem qualquer critério de relevância, impediu que fossem repassados R$ 522,6
milhões para o setor, no período compreendido entre os anos de 2004 e 2006. Um
tresloucado contingenciamento de recursos, somado a tantos outros ingredientes
fatais, capitaneados pelo desleixo gerencial, culminou na grande confusão instalada.
O menosprezo da administração do presidente Lula pela infra-estrutura pode ser
dimensionado no epicentro da crise do transporte aéreo doméstico. Nesse
contexto, temos a exata noção de estarmos diante apenas de episódio setorial e,
como tão bem qualificou o economista Gustavo Loyola, "manifestação de uma
crise muito mais profunda que ameaça toda a infra-estrutura econômica do
País".
Pelo andar da carruagem - lembrando que poderemos retornar à tração animal para
trafegar nas estradas pós-operação tapa-buracos - caminhamos a passos largos
para um apagão logístico. A propósito, dos R$ 2,364 milhões autorizados para a
manutenção das rodovias federais no ano corrente, apenas 34,7% foram pagos (R$
820,7 milhões).
O garrote oficial não poupa nenhuma artéria vital. Segundo a Associação
Brasileira da Infra-Estrutura e Indústrias de Base (ABDIB), no ano passado as
seis principais agências do setor de infra-estrutura foram contingenciadas em
mais de R$ 4,4 bilhões, dos R$ 5,2 bilhões previstos, ou seja, 84% do total.
Na seqüência cortante verificamos que a proposta de Lei orçamentária para 2007,
elaborada pela pasta do Planejamento, já prevê expressivo contingenciamento dos
recursos destinados às três principais agências reguladoras do País. A proposta
do governo prevê R$ 2,2 bilhões para a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel),
mas a reserva de contingência atinge R$ 1,3 bilhão (59%). Na Agência Nacional
de Energia Elétrica (Aneel), dos R$ 413 milhões destinados R$ 256 milhões estão
sujeitos a contingenciamento. O corte mais extremo ocorre no âmbito da Agência
Nacional de Petróleo (ANP), cuja reserva de contingência supera 90% dos R$ 3,4
bilhões previstos.
Sabemos o quão imperiosa é a necessidade de sustentabilidade imposta aos
investimentos com recursos públicos. A manutenção do fluxo de desembolsos é
fundamental. Vejamos um exemplo turvo nas águas que deveriam abastecer os lares
dos menos favorecidos. De acordo com dados do ministério das Cidades, o governo
empenhou R$ 12,8 bilhões nos quatro últimos anos. Deste valor empenhado apenas
R$ 5,12 bilhões foram efetivamente pagos. São 19 milhões de pessoas sem água
tratada e 47 milhões sem rede de esgoto.
Não hesitei em ocupar a tribuna do Senado Federal, na última quarta-feira, para
mais uma vez clamar ao governo que não limite investimentos em infra-estrutura.
A insensatez não pode continuar sendo a bossa da gestão do presidente Lula.
Alvaro Dias (PSDB-PR) é senador.
![]()
NACIONAL
17/12/2006
Setor prevê colapso se exportações crescerem
Faltam
recursos para modernização dos portos
Wilen
Mantelli, presidente da Associação Brasileira de Terminais Portuários (ABTP),
observa que falta vontade política para impor gestões profissionalizadas no Porto de Santos e instalar
conselhos integrados por todos os agentes da comunidade portuária (inclusive do
meio ambiente), o que permitiria processos sumários para os entraves
ambientais. Esses nós não foram desatados no governo Lula, que não desestimulou
o loteamento de cargos na Autoridade Portuária de Santos (APS).
O governo também pecou quando não conseguiu concluir as necessárias obras de
dragagem de muitos portos: elas só foram terminadas em 2 (Vitória e Paranaguá) dos
6
portos
listados para recebê-las. Santos continuou a conviver com os problemas de
depósito de material nos canais de navegação e nos locais de atracação.
Em Santos, muitos navios têm de esperar a maré subir para poder entrar no
porto, denuncia um empresário do setor. Segundo ele, a APS arrecada R$ 180
milhões por ano com cobrança de tarifas; se fizesse dragagens permanentes,
gastaria entre R$ 5 milhões ou R$ 6 milhões por ano. Mas todo dinheiro que
entra nas contas da APS é seqüestrado pela Justiça para lastrear 4 mil
reclamatórias trabalhistas já julgadas e perdidas, diz o mesmo empresário. Em
novembro, houve 84 acidentes na linha férrea interna do porto - a média mundial
é de 12.
'O governo Lula não fez uma só licitação de áreas portuárias em quatro anos',
reclama Mantelli. Além da falta de vontade política denunciada pelo presidente
da ABTP, há dois inimigos conspirando contra a modernização dos portos - a falta de recursos
para investimentos e o contínuo entrave causado por intermináveis questões
ambientais ou judiciais.
As obras de dragagem em Santos foram interrompidas porque autoridades
ambientais pediram monitoramento contínuo, alegando que a remoção do material
depositado no leito do mar poderia liberar resíduos tóxicos.
A licitação para construir uma perimetral e melhorar o acesso aos terminais do
porto de Santos foi parar na Justiça e está suspensa. Além de tudo, os recursos
disponibilizados pelo governo federal para os portos são sempre escassos.
Em 2003, foram R$ 64 milhões para todos os portos; em 2005, a dotação
orçamentária subiu para R$ 670 milhões, mas o governo federal só liberou 33,4%.
Os especialistas não têm dúvidas: se as exportações, uma das bandeiras das
quais Lula mais se gaba, continuarem subindo, os portos vão entrar em
colapso.
![]()
NACIONAL
17/12/2006
Serra pretende controlar porto de Santos
Aposta
é que governo federal se interesse em repassar gestão, atento a benefícios que
eficiência pode trazer
Carlos
Marchi
O governador eleito José Serra (PSDB) tem pronto um projeto de desenvolvimento
regional para ajudar a 'destravar' a economia, como sonha o presidente Luiz
Inácio Lula da Silva. Pelo projeto, obras de infra-estrutura vão integrar o
parque produtivo nacional com os portos de Santos e São Sebastião. Serra já pediu
informalmente ao governo federal a regionalização do porto de Santos, o maior
do Brasil. Os serristas acham que Lula vai topar, porque os louros de um
provável êxito do empreendimento se refletem no aumento das exportações e em
melhorias no PIB, que entram a crédito do governo federal.
O projeto de Serra prevê o fim dos gargalos e a melhoria da logística do Porto de Santos. O primeiro
passo é concluir o trecho sul do Rodoanel, vencendo o primeiro gargalo - a travessia
da cidade de São Paulo. Os outros - a atracação, a retroárea e a navegação nos
canais, todos dentro do porto - seriam superados com uma gestão profissionalizada.
A direção da Autoridade Portuária de Santos (APS) fica com o Estado e as
operações do porto são privatizadas. A fórmula dá fim ao tradicional rateio
político da APS.
Exportadores ouvidos pelo Estado dizem que os atuais diretores da APS não têm
metas comuns e remam para lados diversos, seguindo orientações de seus
padrinhos políticos. O diretor-presidente da APS, José Carlos Melo Rego, é
apadrinhado do ex-deputado Valdemar Costa Neto (PL), que renunciou no mensalão
e foi reeleito em outubro; Fabrizio Pierdomenico, diretor comercial e de desenvolvimento,
foi indicado pela deputada Thelma de Souza (PT-SP) e o diretor de
infra-estrutura e serviços, Arnaldo Barreto, é afilhado do deputado Vicente
Cascione (PTB-SP).
Thelma recusa uma estadualização do porto, mas defende a regionalização, desde
que dentro de um modelo discutido entre as partes envolvidas. Ela diz esperar
que o assunto 'não sirva à luta política', mas confirma que indicou
Pierdomenico e que Costa Neto e Cascione escolheram os outros dois diretores.
'O indicado tem de ter afinidade política e conhecimento técnico', justificou.
A assessoria de Costa Neto negou que ele tenha indicado Melo Rego.
O presidente da Associação Brasileira de Terminais Portuários (ABTP), Wilen
Mantelli, diz que a melhor solução para reduzir a influência política é
fortalecer o conselho da APS, do qual participam o poder público, os operadores
portuários, as empresas usuárias e os trabalhadores. Ele opina que a
regionalização só resolverá se o governo de São Paulo optar por uma estrita
profissionalização da gestão do porto.
Um porto é uma atividade tão dinâmica, diz o estudo, que exige uma gestão
regionalizada, que favorece o entrosamento com os vetores que atuam no seu
entorno. Bons exemplos disso, lembra o estudo, são os modelos dos portos de Rio Grande, São
Francisco do Sul, Itaqui e Itajaí (municipalizado). As avaliações feitas
mostram que no balanço de 2005 o Porto de Santos teve um passivo de quase R$ 700
milhões, que caminha para ser impagável.
SÍMBOLO
Acima de tudo, Santos é o maior símbolo das crescentes exportações brasileiras:
por lá passa um terço do comércio exterior nacional. Nessa área portuária, o
governo Lula mostrou pouco, desde que lançou, em meados de 2004, a Agenda dos Portos, um conjunto de 64
projetos para revolucionar os 11 maiores portos do País. Apenas 18 das 64 ações foram
concluídas, 10 não saíram do papel e o restante segue em marcha lenta. Santos
se tornou mau exemplo de influência política na gestão, além de outros
problemas.
A idéia de Serra prevê um projeto integrado de desenvolvimento do Estado, com a
conclusão do trecho sul do Rodoanel e a duplicação da Rodovia dos Tamoios. A
primeira facilitaria o acesso a Santos; a segunda, ao Porto de São Sebastião.
Para convencer o governo Lula, o argumento é que todos os louros eventualmente
obtidos reverterão em favor do próprio governo federal. Para vencer as
resistências dos agentes do meio ambiente, a solução prevista é criar na APS
uma área de meio ambiente que converse com os ambientalistas e assim contorne
os problemas.
Segundo o estudo de Serra, os grandes 'travamentos' do Porto de Santos são o
gargalo no acesso à área portuária e a urgente necessidade de dragagem nas
águas. Os exportadores se queixam de muitos problemas: para eles, falta
planejamento (que se torna impossível com a multifacetada influência política
na atual gestão), há uma enorme burocracia, além da indefinição dos marcos
regulatórios e um descompasso de atribuições, principalmente na área de meio
ambiente. Um empresário disse ao Estado que gasta mais tempo em discussões
sobre entraves legais do que vendendo seus produtos.
![]()
ECONOMIA & NEGÓCIOS
17/12/2006
Salário mínimo, desinformação máxima
Mailson
da Nóbrega
O senador Valdir Raupp (PMDB-RO) afirmou que o aumento do salário mínimo para
R$ 420,00 'quebraria o País, a Previdência, os Estados mais pobres e os
municípios'. Os líderes das centrais sindicais, autores da proposta, responderam
que os atuais R$ 350,000 não quebraram ninguém e a inflação não subiu. Quanta
desinformação! O efeito desse tipo de medida se dá ao longo de anos.
O senador é a voz sensata nessa discussão, ainda que tenha lutado por um mínimo
de R$ 375,00. Pelas regras em vigor, deveria ser de R$ 367,00. A diferença
entre essa quantia e os R$ 420,00 provocaria R$ 8,4 bilhões de gastos
adicionais na Previdência em 2007.
Acreditemos que é de boa-fé a proposta dos líderes sindicais. Segue-se, então,
que não teriam recebido educação para poder avaliar as conseqüências
desastrosas da idéia.
Convenhamos, a desinformação em assuntos econômicos e financeiros não é uma
exclusividade dos sindicalistas. O mesmo se vê entre políticos, militantes da
esquerda, gente do governo e juízes. A causa é uma só: deficiências da
educação.
Nossos juízes são aprovados em concursos rigorosos que testam seu conhecimento
do Direito, mas eles não são treinados nesses outros temas. Por exemplo, cinco
séculos depois que se tornou pacífica a lógica dos juros compostos e da
capitalização, a maioria condena a cobrança de juros sobre juros.
Nenhum país enriqueceu sem investir adequadamente em educação, ainda que no
início o objetivo fosse outro. Foi o caso dos EUA, que em 1800 já eram a nação
mais alfabetizada do mundo. Os colonizadores protestantes acreditavam que a
educação libertava os indivíduos para servir a Deus, pois podiam entender a
Bíblia sem intermediários.
As escolas primárias públicas da Revolução Francesa não visavam ao
desenvolvimento, mas quebrar o poder da Igreja sobre a educação. Na Coréia do
Sul, a motivação para investir em educação era, no princípio, eliminar influências
legadas pelo domínio japonês.
Hoje se diz que a educação provê a mão-de-obra qualificada para gerar ganhos de
produtividade, os quais, ao lado dos investimentos, constituem os principais
motores do desenvolvimento.
Ocorre que a educação transcende essa função. Dela depende, acima de tudo, a
formação de líderes com visão correta dos rumos e detentores de coragem,
persistência, paciência e capacidade para mobilizar a sociedade em prol de
mudanças necessárias.
O desenvolvimento depende tanto dos fatores que o geram quanto da minimização
dos erros que o inibem. Sociedades mais educadas tendem a errar menos, pois a
educação aumenta a percepção dos desafios e a racionalidade no debate. Os
equívocos da Constituição de 1988 constituem exemplo do despreparo de seus líderes
para entender a realidade brasileira e mundial.
O mesmo pode ser dito dos aumentos reais do salário mínimo. Ricardo Paes de
Barros e Marcelo Néri mostram que essa não é a forma mais eficaz para reduzir a
pobreza e as desigualdades, mas o governo, os políticos e os sindicalistas
continuam a entender que é.
Os efeitos dessa marcha da insensatez foram assinalados por Fabio Giambiagi no
seu excelente livro Reforma da Previdência - O encontro marcado. Enquanto a
renda real média do trabalhador em 2005 era menor que em 1994, quem ganha a
aposentadoria básica teve seu poder aquisitivo elevado em mais de 90% no
período. 'Isso é justo?', pergunta ele. A resposta é óbvia.
No governo Lula, os aumentos reais do mínimo acarretaram gastos adicionais de
R$ 15 bilhões. Como era imperioso gerar superávits primários para reduzir a
relação dívida/PIB, a carga tributária teve de ser elevada e os investimentos,
diminuídos. O Ministério dos Transportes investiu só R$ 8,3 bilhões. O serviço
de controle de tráfego aéreo e os usuários dos aeroportos são as vítimas
recentes desse processo suicida.
Não é preciso que os nossos líderes sejam economistas, mas o ensino de noções
essenciais de Economia, como ocorre em outros países, deveria integrar cursos
como os de Direito. Por certo, isso permitiria tanto a compreensão adequada dos
fenômenos econômicos quanto o aumento da racionalidade no debate. Se entenderia
por que os juros são altos, a carga tributária é excessiva e o crescimento é
medíocre. Dificilmente se defenderia um salário mínimo de R$ 420,00.
![]()
O PAÍS
17/12/2006
Aliados minam poder de petistas no governo
Cresce
pressão para que Lula aumente a participação de outros partidos no Ministério,
tirando espaço do PT
Ilimar
Franco
BRASÍLIA. Os partidos da base do governo Lula, agora com maior poder de
pressão, não querem repetir a experiência que viveram no primeiro mandato do
presidente. O PT, com uma bancada de deputados e senadores que representava 25%
dos votos da base no Congresso (91 deputados 14 senadores), ficou com 64% dos
cargos federais e de segundo escalão nos estados. A correção desse desequilíbrio
foi a principal reivindicação que os partidos aliados levaram ao presidente e
ao ministro de Relações Institucionais, Tarso Genro, nas sucessivas reuniões
para tratar do governo de coalizão.
Para se garantir contra o apetite dos petistas, os aliados propõem que a adoção
de uma regra da verticalização, pela qual o partido que tem o ministro ocupe
também os cargos de confiança da pasta, no segundo escalão e nos estados.
— A intenção do presidente é verticalizar, se ele fizer isso a situação melhora
bastante e dá para acomodar a base do governo — diz o líder do PR ex-PL),
deputado Luciano Castro (RR).
Coordenação de governo analisa nomes indicados O ex-líder do PCdoB Renildo
Calheiros (PE) diz que, se não houver mudanças, a base continuará sujeita a
crises, submetendo o governo a barganhas, cada vez que for preciso aprovar um
projeto no Congresso.
— Se as coisas se mantiverem como no primeiro mandato, os problemas políticos
vão recrudescer.
A maior falha do primeiro mandato foi na relação com a Casa. O PT não pode
querer um parceiro só na hora de votar.
Tem que abrir o governo — diz o líder do PTB, José Múcio (PE).
O petebista lembra que o presidente Lula afirmou que iria cuidar pessoalmente
da questão dos cargos. Os aliados avisaram que não vão repetir a experiência de
quatro anos atrás, quando suas indicações foram rejeitadas, sob a alegação de
que os nomes propostos não eram qualificados.
No entanto, petistas foram nomeados sem uma avaliação rigorosa.
— Tem que mudar. Quem tem o Ministério dos Transportes indica os
representantes do Dnit nos estados. Essa é a tendência e isso nos agrada — diz o líder
do PP, Mário Negromonte (BA).
A coordenação do governo — ministros Tarso Genro (Relações Institucionais),
Dilma Rousseff (Casa Civil) e Luiz Dulci (Secretaria Geral) — está levantando
as indicações políticas feitas para os cargos federais e de segundo escalão. O
complicado será afastar petistas para abrir espaço aos aliados.
A coordenação do governo concluiu que no primeiro mandato o presidente errou ao
deixar essa tarefa nas mãos apenas de petistas, como José Genoino
(ex-presidente do PT), José Dirceu (ex-chefe da Casa Civil), Silvio Pereira
(ex-secretário-geral do partido), Delúbio Soares (extesoureiro) e Marcelo
Sereno (ex-secretário de Comunicação e assessor da Casa Civil).
Petistas querem que Marta e Viana sejam ministros A direção petista priorizou
na ocasião o atendimento às reivindicações das tendências petistas.
Hoje, a coordenação de governo dá razão à oposição numa de suas principais
críticas: o governo Lula, em muitas áreas, foi transformado num aparelho
político, tal era a desqualificação técnica dos nomeados.
— Vamos mudar no segundo mandato. Os partidos aliados terão maior participação
no governo.
O segundo mandato deixará de ser um governo do PT.
Não só os espaços, mas também as decisões serão compartilhadas — diz o
secretário-geral da Presidência, Luiz Dulci.
Apesar da nova disposição do governo, o PT trabalha para emplacar dois novos
ministros: o ex-governador do Acre Jorge Viana e a ex-prefeita de São Paulo
Marta Suplicy. O nome de Marta é citado para as pastas da Educação e das
Cidades. Viana é citado para as Relações Institucionais, caso Tarso Genro seja
nomeado ministro da Justiça.
Por isso, os petistas ficam exasperados com os aliados, sobretudo com o PMDB.
— Você acha adequado o PMDB pedir seis ministérios e as presidências do Senado
e da Câmara? — pergunta indignada a líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC).
DULCI: “O segundo mandato deixará de ser um governo do PT” MÚCIO: “O PT não
pode querer um parceiro só na hora de votar” “A intenção do presidente é
verticalizar. Se ele fizer isso, a situação melhora bastante e dá para acomodar
a base do governo” LUCIANO CASTRO Líder do PR (ex-PL) na Câmara “Tem que mudar.
Quem tem o Ministério dos Transportes indica os representantes do Dnit nos estados. Essa é a
tendência e isso nos agrada” MÁRIO NEGROMONTE Líder do PP na Câmara
![]()
BRASIL
17/12/2006
O perigo na boléia
Leandro
Mazzini
Um pequeno caminhão tombado, em qualquer rodovia federal do país - esteja em
boas ou más condições - significa um prejuízo médio de R$ 228.500. São custos
de materiais, produto transportado, seguro e encargos de saúde para o governo.
Tão assustador quanto um cenário de tragédia são as perdas para a economia: os
danos com acidentes desse tipo somam R$ 7 bilhões por ano, comprovou um estudo
da UFRJ. É como se cada caminhão acidentado desperdiçasse 1.202 cestas básicas
de R$ 190. Só os prejuízos com roubos de carga, segundo a Confederação Nacional
do Transporte, chegam a R$ 1 bilhão por ano.
Os números traduzem uma realidade estável há anos no país, desde que as estradas foram abertas: os
acidentes são causados por uma conjunção de fatores, humanos e estruturais, e
as soluções dependem de uma convergência nas ações, do governo e dos
motoristas. A razão pela qual, no entanto, esse tipo de problema não é solucionado
pode ser resumida em um diagnóstico: descaso com a segurança. Culpa tanto do
governo quanto dos condutores.
A tragédia brasileira forma um ciclo interminável. Para ter ganhos maiores, os
motoristas sobrecarregam o veículo. A fim de não cometerem atrasos, aumentam a
velocidade, mas deparam-se com estradas ruins e mal sinalizadas. Por conta
própria, redobram o risco de perigo: dirigem dia e noite, sem parar, para
entregar a carga e não perder o pagamento do frete.
Atento a esse cenário - alto índice de acidentes e prejuízos para a economia -
o professor Paulo Fernando Fleury, do Centro de Estudos em Logística da
Coordenação dos Programas de Pós-Graduação de Engenharia e Administração
(Coppead), da Universidade Federal do Rio, elaborou um estudo sobre o setor. O
relatório Acidentes no transporte rodoviário de cargas no Brasil, concluído
este ano e prestes a ser publicado, esboça um futuro pessimista se não forem
tomadas medidas a médio prazo.
- Os acidentes são causados pela união de dois fatores: má condição das estradas e imprudência -
analisa Paulo Fleury, engenheiro e doutor em administração. - Os acidentes mais
comuns são os tombamentos, causados pelo excesso de carga alta e velocidade
incompatível com a permitida na rodovia.
A Polícia Rodoviária Federal registrou no ano passado 30.628 acidentes com
caminhões e carretas. O país tem mais de 1,5 milhão de veículos transportadores
de carga - mais da metade, ou 56,7%, de propriedade de autônomos, com idade
média de 19,7 anos - segundo dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres. No ano passado,
ocorrências com esses veículos responderam por 36% dos acidentes nas estradas, com maior concentração
nas rodovias das regiões Sudeste e
Sul.
- A primeira solução é melhorar a sinalização - propõe Fleury. - Porque
acontecem mais acidentes em estradas de boa qualidade. Deve haver também mais
capacidade de fiscalização para evitar isso.
Opinião do repórter: A tragédia vista de perto
Vivi 22 anos em frente ao Km 709 da BR-116, em Minas. E, se havia um ponto
perigoso a ser mapeado, era aquela curva fechada no perímetro urbano em Muriaé,
onde vi centenas de caminhões de carga tombarem. A Polícia Rodoviária Federal
teve de construir um quebra-molas no local. Uma solução necessária, mas que contraria
a lei. Cresci assistindo a desastres tão próximos. Pelo barulho do motor,
aprendi a descobrir quando caminhões tombariam. O socorro, quando não da
polícia, vinha dos mecânicos, que tiravam as vítimas com um guincho de erguer
motor, içadas pela calça, umas vivas, outras mortas. Houve também casos
hilários. Como da vez em que um caminhão tombou em pleno dia, e da cabine
saíram marido e mulher seminus. Em outro caso, um caminhão que transportava
touros virou. Um dos animais se vingou. Correu furioso atrás do motorista, que
se salvou atrás de uma cerca.
![]()
ECONOMIA
17/12/2006
Air Madrid deixa milhares sem voar
Empresa,
que operava na América Latina, perde licença
PASSAGEIROS
SOFREM com espera no Aeroporto de Barajas, em Madri
MADRI e RIO. O governo espanhol suspendeu ontem a licença da companhia aérea de
baixo custo Air Madrid, que na sexta-feira havia interrompido suas operações. A
empresa alega que vinha sendo pressionada pelo governo.
Autoridades do setor aéreo do país fizeram várias inspeções na Air Madrid e
exigiam melhores condições de segurança. O ministro dos Transportes, Fernando Palao,
disse ontem a uma TV estatal que a companhia não oferecia adequadas condições
técnicas e de segurança.
A empresa mantinha rotas regulares para nove países latino-americanos (Brasil,
Equador, Colômbia, Argentina, Chile, Panamá, Costa Rica, México e Peru), além
de oferecer vôos char ter (fretados) para destinos turísticos, especialmente
para o Nordeste brasileiro.
O governo espanhol anunciou um plano para acomodar os cerca de 50 mil
passageiros lesados em aviões alugados de outras companhias.
De acordo com a empresa, porém, são cerca de 120 mil pessoas com bilhetes
comprados para as próximas semanas só na América Latina. Nos aeroportos
espanhóis e latinoamericanos, centenas de pessoas passaram a noite em claro,
sem informações, diante de guichês fechados da Air Madrid. Na maioria dos
casos, eram migrantes que pouparam durante meses para a viagem até a terra
natal para as festas de fim de ano. A maioria busca agora endosso para as
passagens.
A operação de emergência custará ao governo espanhol cerca de C6,5 milhões
(quase R$ 20 milhões), que serão cobrados da Air Madrid na Justiça. Fundada em
dezembro de 2003, a empresa pertencia há dois anos ao empresário José Luis
Carrillo, da Optursa Management, e começou a operar no Brasil em 18 de janeiro,
com vôo para Fortaleza (CE). Até fechar as portas, mantinha no país quatro
freqüências semanais para Madri e Buenos Aires e uma para Barcelona. Dois vôos
estavam previstos para aterrissar hoje em Fortaleza: um vindo de Madri e outro
de Buenos Aires.
![]()
BRASIL
17/12/2006
Estrada ruim e velocidade, os vilões
As
rodovias mais perigosas do
país, segundo levantamento da Polícia Rodoviária Federal (PRF), são a BR-101 -
que atravessa 12 Estados de Norte a Sul - e a BR-116, que cruza 10 Estados. A
BR-040 (DF-GO-MG-RJ), a BR-381 (ES-MG-SP) e uma das mais problemáticas, a
BR-153, que passa por oito Estados, completam a lista com maior número de
acidentes. Os dados mais recentes da PRF para acidentes com veículos de carga
são de 2004, quando 2.613 pessoas morreram - 41,1% do total de mortes nas rodovias federais naquele ano.
A maioria das causas de acidente é tombamento, em curvas acentuadas, devido à
alta velocidade e má estrutura das rodovias. Segundo o Centro de Estudos em
Logística da Coordenação dos Programas de Pós-Graduação de Engenharia e
Administração (Coppead), 66% dos acidentes são causados por falha humana e 11%
por defeito mecânico. Problemas de estrutura nas estradas respondem por 47% dos
registros - associados também a falha humana.
- A pavimentação tem muito mais relação com a eficiência dos transportes, como quebra de motor
e de peças, além de desgaste de pneus - explica Paulo Fleury, do Coppead.
De acordo com estudo do Coppead, os acidentes com veículos de carga apresentam
quadros diferentes no Brasil e em países desenvolvidos. Os custos são maiores
nos países ricos, onde há menos mortes. Nos países pobres, com custos menores,
o número de mortes é maior.
Paulo Fleury esclarece, no entanto, que não é só a má conservação das estradas que contribui para
esse quadro. Dados da PRF e de uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada, divulgada quinta-feira, endossam Fleury. A maioria dos acidentes
acontece de dia, com tempo bom. A imprudência impera nas estradas.
- Quando um motorista pega uma carga, quer colocar o máximo possível na
carroceria, porque cobra por tonelada - lembra o professor.
Para o especialista, além de mais obras e melhor sinalização, a solução
passaria também por uma regulamentação da carga horária para motoristas, tanto
autônomos como empregados. Isso reduziria o número de acidentes,
independentemente das condições das vias.
- É preciso criar uma regulamentação do tempo de viagem, controlado pelo
tacógrafo (aparelho que registra velocidade, existente nos veículos) - sugere
Fleury. - O ideal é que o motorista dirija, no máximo, 10 horas, com intervalo
de duas horas, como acontece nos Estados Unidos e na Europa.
Nélio Botelho, dirigente do Movimento União Brasil Caminhoneiro, com mais de
386 mil sócios, faz pressão sobre o assunto. Tem representantes no Ministério dos
Transportes para tratar do tema.
- O ideal seria o tempo de direção com seis horas, com intervalo de 20 minutos
a cada duas horas - volta a sugerir.
O Ministério
dos Transportes informou que investiu R$ 407 milhões na Operação Tapa-Buracos,
em 23 Estados.
![]()
ECONOMIA
17/12/2006
Fôlego de R$ 206 bi para infra-estrutura
O
setor da construção civil vive sua melhor fase desde o Plano Real, em 1994.
Neste ano, deve crescer cerca de 5%. Se o desempenho se confirmar, será o
terceiro ano consecutivo de expansão, algo só visto nos anos de 1996, 97 e 98,
quando a estabilização econômica deu fôlego a construtores e clientes.
Os números dos próximos anos devem ser ainda melhores, caso o governo federal
aprove proposta feita no último dia 13 pelos dirigentes da União Nacional da
Construção (UNC). A entidade apresentou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva
e ao ministro das Cidades, Márcio Fortes, proposta de investimentos de R$ 206
bilhões no setor, até 2010. Estão previstos recursos anuais de R$ 52,5 bilhões
em saneamento, energia, transporte e habitação de interesse social.
Cerca de 70% do total viriam da iniciativa privada. O restante, diz a UNC,
seria facilmente financiado pelo governo com a regulamentação da transferência
integral dos recursos da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico
(Cide) para infra-estrutura de transportes. Só em 2005 a Cide arrecadou cerca de
R$ 7 bilhões, dos quais R$ 4 bilhões investidos em transportes. Os empresários
também defendem autonomia financeira e independência política das agências
reguladoras e cobram a aprovação de um modelo jurídico para as agências, a fim
de ampliar a estabilidade legal sobre os setores regulados.
![]()
ECONOMIA
17/12/2006
Conab sugere mudar exportação de grãos
Redação
O Estado do Paraná [17/12/2006]
Brasília (AE) - A depender do Ministério dos Transportes, o escoamento da
safra 2006/07 de grãos será mais tranqüilo. No próximo dia 19, o governo
federal detalha, em Brasília, o Plano Nacional de Logística e Transportes
(PNLT), que reúne propostas para reduzir os gargalos logísticos durante o
período de comercialização da produção agrícola, a partir de fevereiro de 2007.
O “pico” da comercialização ocorre entre março e abril, quando são freqüentes
as filas de caminhões que aguardam para descarregar nos principais portos do País.
O Ministério da Defesa também participa das discussões. No mês passado, o
diretor de Planejamento e Avaliação de Política de Transporte do ministério,
Francisco Luiz, garantiu, durante apresentação da proposta preliminar, que a
infra-estrutura para o escoamento da safra teria prioridade no plano, que
inclui sugestões de órgãos públicos e da iniciativa privada para o transporte
rodoviário, ferroviário, hidroviário e aéreo.
Responsável pela execução da política definida pelo Ministério da Agricultura
para deslocamento de grãos de regiões produtoras para estados consumidores, a
Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) foi chamada pelo ministério para
apresentar suas sugestões.
Portos não devem escoar commodities
A Conab defendeu que os ministérios não incentivem, no caso do escoamento da
safra agrícola, o uso das saídas tradicionais como os portos de Santos, Paranaguá
e Sepetiba. “Esses portos têm que se especializar em exportar e escoar produtos com
alto valor agregado. Não tem sentido exportar milho, soja ou algodão por ali”,
comentou o assessor da diretoria de gestão de estoques da estatal, Francisco
Olavo Batista de Souza.
Para ele, os produtos agrícolas têm que ser levados para outros portos, onde a pressão é
menor e onde os carregamentos podem fluir melhor. Só assim haveria um
barateamento dos custos. “Os portos do Sul e do Sudeste devem escoar produtos em
contêineres, produtos acabados e de maior valor agregado”, resumiu.
Batista de Souza classificou como “inviável” o carregamento da safra de regiões
distantes até os portos tradicionais e lembrou que a fronteira agrícola se
expande em direção ao norte do País. “Não tem sentido nós termos uma produção
de grãos no norte do Mato Grosso e essa produção descer de caminhão para os portos de Paranaguá e Santos,
provocando aquelas tradicionais filas em março e abril”, afirmou.
De Sorriso (MT), maior produtor de soja do País, até o porto paranaense de
Paranaguá são 2.400 quilômetros, deslocamento que, segundo ele, “parece um
filme de terror”. No caso da produção de Sorriso, disse ele, o ideal é carregar
as cargas pela BR-163 e o incrementar as ferrovias para que elas sejam escoadas na
direção de Santarém ou da Ferrovia Norte-Sul.
Nos debates internos no governo, a Conab defendeu melhorias nos portos de Manaus Itaquatiara
Santarém; de Belém de Santana, no Macapá; Pecém, no Ceará; Suape, em Pernambuco;
e Itaqui, no Maranhão. “É para lá que o governo tem que focar o escoamento da
safra brasileira de grãos”, disse, referindo-se ao porto maranhense.
Batista de Souza lembrou que a falta de logística freia o desenvolvimento,
principalmente do agronegócio. “Os produtores sabem que não vale a pena
aumentar a produção porque a logística inviabiliza os investimentos em tecnologia
feitos nas fazendas.” Para ele, “toda margem que o produtor consegue com o uso
de tecnologia de ponta ele perde quando a carga chega nas estradas”.
Durante a apresentação preliminar, o diretor de Planejamento e Avaliação de
Política de Transporte do Ministério dos Transportes, Francisco Luiz,
contou que os estados reforçaram a necessidade de escoamento pela Hidrovia do
São Francisco, hidrovia Araguaia-Tocantins, pela Ferrovia Norte-Sul e a Ferrovia Trans-Nordestina. Ele
adiantou que, entre os projetos do Plano de Logística; estão a pavimentação da
rodovia que liga Sena Madureira a Cruzeiro do Sul, no Acre, na divisa com a
Colômbia; a rodovia que liga Macapá ao Oiapoque, na divisa com a Guiana
Francesa, e a pavimentação da Rodovia Manaus-Porto Velho.
![]()
ESTADO
17/12/2006
Pista da Rodovia BR 101 está liberada em São Mateus
Sandra
Pacheco
São Mateus. A BR 101 Norte foi liberada para o tráfego, ontem pela manhã, por
volta das 9 horas, em São Mateus. A água baixou cerca de 20 centímetros na área
da rodovia, deixando a pista livre. O Departamento Nacional de Infra-estrutura
de Transportes (DNIT) considerou que não havia risco dos veículos passarem, mesmo
com as margens ainda inundadas.
A liberação da BR 101 foi feita, inicialmente, apenas para carros pequenos e
caminhões sem cargas pesadas. Logo após a retirada dos blocos de concreto que
fechavam a ponte sobre o Rio Cricaré, caiu uma forte chuva. Os primeiros carros
a passar ficaram em dúvida e alguns pararam na cabeceira da ponte. Minutos
depois, técnicos do DNIT fizeram uma nova avaliação e consideraram seguro o tráfego de
carretas também.
Eucalipto. Contudo, segundo o supervisor estadual da Polícia Rodoviária
Federal, Sain't Clair dos Santos Oliveira, as empresas de transporte de
eucalipto estavam sendo contactadas. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) solicitou
que os veículos não trafegassem com o sistema de terceiro reboque, conhecido
como treminhão. "Mas apenas por questão de segurança. A avaliação do DNIT, é a de que a pista
está segura", disse o inspetor da PRF.
A BR 101 Norte, na altura do município de São Mateus, foi interditada na
madrugada da última quinta-feira. O Rio Cricaré, que corta a cidade,
transbordou por causa das fortes chuvas registradas na cabeceira do manancial,
no Estado de Minas Gerais. Além de inundar a pista, vários bairros ribeirinhos
ficaram alagados.
"Não sabia que a pista estava fechada. Cheguei aqui ontem (anteontem) à
noite e tive que dormir em um hotel. Ainda bem que foi liberado logo"
João Bosco Filgueiras
Militar
"Estou esperando desde quinta-feira. Se eu tivesse sido avisado lá atrás,
no trevo de Colatina, que aqui não passava, eu tinha contornado"
José Ermegildo dos Santos
Caminhoneiro
"Não adianta os caminhoneiros pressionarem. A pista só vai ser liberada
para os carros pesados após a inspeção do DNIT"
Inspetor Silva
Da delegacia da PRF, sobre a atitude de caminhoneiros, antes da pista ser
liberada para o tráfego de caminhões pesados
![]()
ECONOMIA
17/12/2006
Porto de Natal busca competitividade
O Porto de Natal tem
competitividade limitada, mas busca alternativas e parcerias para não ser “dragado”
pelos grandes terminais da região Nordeste. A localização geográfica
privilegiada e a diversidade dos produtos que compõem a pauta de exportações,
sozinhos, não fazem do Porto de Natal um terminal de grande potencial competitivo frente
àqueles localizados nos estados vizinhos — Pecém (Ceará) e Suape
(Pernambuco).
A diretoria da Companhia Docas do Rio Grande do Norte (Codern) assegura que o
terminal natalense é competitivo, mas reconhece a necessidade de grandes
investimentos para ampliar a capacidade de receber embarcações e atrair mais
cargas, fator imprescindível à implantação de uma linha de cabotagem.
Renato Fernandes, presidente da Codern, defende que o Porto de Natal é
competitivo. Mas reconhece que o terminal localizado em Natal só é forte na
exportação de frutas e produtos com necessidade de transporte refrigerado, como
o camarão. Os desafios, segundo ele, são muitos. Entre eles, a infra-estrutura
rodoviária e ferroviária, além da questão cultural dos exportadores e
importadores norte-rio-grandenses que mantêm boa parte da produção e demanda do
Estado circulando sobre rodas ao invés de ocupar os porões de navios e contêineres
rumo ao mercado consumidor.
Quase metade do valor exportado pelos produtores potiguares, no ano passado,
entrou na contabilidade dos portos e aeroportos localizados em outros estados da
região Nordeste. O presidente da Codern explica que parte dessa “preferência” é
uma questão muito mais cultural, que mesmo de vantagem financeira para o exportador,
ao preterir o Porto de Natal. “Claro, não podemos dizer que a logística às vezes
contribui”, disse.
“Durante anos, assistimos os exportadores dizerem que não despacham pelo Porto de Natal porque não
tem armador... e o armador, por sua vez, alegava que não opera em nosso
terminal porque não há carga em quantidade suficiente”, lembrou o presidente da
Codern. Renato Fernandes vem, aos poucos, aproximando esses dois segmentos e a
estratégia já oferece resultados positivos. Um exemplo é a presença de mais um
armador, a empresa francesa CMA-CGM, que entrou no mercado potiguar este ano. A
presença dessa empresa começa a mobilizar produtores de outras atividades
produtivas.
Segundo dados da Companhia Docas do RN, 63% de tudo que o Estado produz é
escoado por meio rodoviário. A Codern negocia uma linha de cabotagem — que
interliga os portos brasileiros — com três empresas: a Navegação Vale do Rio
Doce S/A – Docenave (nacional), Aliança Navegação e Logística (multinacional) e
Mercosul Line —um armador brasileiro especializado em cargas conteinerizadas.
As negociações estão mais avanças com os dois primeiros e, segundo o
presidente da Codern, a CMA-CGM também não esconde o interesse pela linha de
cabotagem. A Codern deve concluir este mês um estudo sobre volume de cargas no
Rio Grande do Norte (exportação e importação). A informação, com base em
estimativas, é imprescindível às empresas com interesse em incluir o Rio Grande
do Norte nesse tipo de linha. Somente a indústria salineira norte-rio-grandense
movimenta 1.300 contêineres somente em carga de exportação. Outros 400 contêineres,
no mínimo, é quanto o Estado importa em feijão e arroz da região Sul.
A implantação de uma linha de cabotagem põe fim à sazonalidade do terminal
localizado no bairro da Ribeira, em Natal, que hoje tem o ápice das operações
entre os meses de setembro e novembro (exportações de frutas). Nesse período, o
terminal gera cerca de 350 empregos diretos e outros dois mil indiretos.
Mas para o Rio Grande do Norte ser interligado aos demais portos do Brasil, a Codern
precisa implementar outro projeto audacioso, também almejado para 2007: a
ampliação da retroárea portuária.
Moradores de Maruim serão remanejados
A Codern tem um projeto em parceria com o Governo do Estado, Prefeitura de
Natal e ministérios dos Transportes e das Cidades para retirar os 626 moradores
da comunidade Maruim (área adjacente ao Porto de Natal) para transformar os 17 mil metros
quadrados em retroárea destinada à armazenagem de contêineres.
O projeto, incluindo a indenização às famílias, está orçado em R$ 4,5 milhões.
Mas encontra resistência por parte de alguns moradores da comunidade, que só
aceitam deixar o local na condição de o Governo construir novas casas em local
que ainda não foi definido. Parte das famílias considera que o caminho é
aceitar a indenização e cada um buscar um novo local para viver. Além da expansão
da retroárea, a Codern pretende ampliar o cais do porto, com a construção de
mais um berço (226 metros de comprimento) . Com isso, o ponto final do cais
seria nas imediações do Canto do Mangue, englobando a área hoje utilizada como
pier da Petrobras. A proposta de construção do novo berço foi apresentada ao Ministério dos
Transportes e custará cerca de R$ 20 milhões.
O cais maior permite que o porto receba até quatro embarcações de uma só vez,
incluindo um espaço para o terminal de passageiros, cujo convênio para o
projeto foi assinado na última quarta-feira no valor de R$ 2 milhões. O diretor
presidente do Comitê Executivo de Fitossanidade do Rio Grande do Norte (Coex),
Francisco Cipriano de Paula Segundo, afirma que o Porto de Natal não é
competitivo em relação a outros portos. Mas ressalta que é excelente para a
fruticultura, em especial. “Houve avanços nos últimos meses. As parcerias,
hoje, fazem parte do trabalho para melhorar e dar competitividade ao porto”,
disse.
Terminal precisa de investimento de R$ 1 bi
A competitividade do Porto de Natal passa, necessariamente, por um investimento da ordem
de R$ 1 bilhão que contempla não apenas a construção de um terminal graneleiro
na costa do município de Areia Branca, mas sobretudo a construção de um ramal
ferroviário interligando as principais regiões onde são produzidas as riquezas
do Estado.
O presidente da Companhia Docas do Rio Grande do Norte, Renato Fernandes, diz
que o elevado investimento só é possível a partir de uma Parceria
Público-privada. Para especialistas, o mega-projeto é de difícil execução. Depender
da recuperação e construção de uma nova infra-estrutura de escoamento da
produção significa que a viabilidade em relação aos demais portos do Nordeste é algo
distante.
O estudo desenvolvido pela Petcom - Planejamento em Transporte e Consultoria
Ltda, contratado pela Associação Comercial e Industrial de Mossoró (Acim)
mostra que toda a infra-estrutura custaria cerca de R$ 830 milhões (no primeiro
semestre deste ano). “Hoje deve custar cerca de R$ 1 bilhão”, disse Renato
Fernandes.
O estudo contempla três opções de investimento na malha férrea. A mais aceita e
amplamente discutida ontem é a que prevê a recuperação do trecho de ferrovia
entre Ceará-Mirim e Macau (203,1 km); recuperação do trecho norte da CBTU (38,9
km) e construção das seguintes ligações ferroviárias: Mossoró/Açu (73,8 km),
Mossoró/Areia Branca (36,1 km), Açu/Afonso Bezerra (45 km), Guamaré à linha
Afonso Bezerra/Macau (28,2 km, intervenção em Macauzinho), Natal/São Gonçalo do
Amarante (9,3 km) e Jucurutu a Açu (35,8 km). Todas essas linhas somam 470,2 km
de extensão.
A opção interliga as regiões onde estão os principais produtos comercializados
pelo Rio Grande do Norte à malha ferroviária existente, até os terminais já
existentes. O estudo contempla, inclusive, as mercadorias com possibilidade de
transporte a partir dessa malha ferroviária até o Porto de Natal e terminal
graneleiro.
![]()
ECONOMIA
17/12/2006
Dilma anuncia obras de infra-estrutura do Governo
A
ministra falou ontem para militares salientando investimentos em energia que
irão somar R$ 234 bi
Da
Redação
A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, apresentou ontem, a
oficiais-generais das Forças Armadas, projetos para a área de infra-estrutura
nos próximos anos.
Segundo a ministra, algumas das metas para o setor energético são:
universalizar o acesso energia elétrica, aumentar a produção de combustíveis
renováveis e ampliar normas legais do setor. De acordo com a ministra, a
estimativa é investir R$ 234,8 bilhões no setor, no período de 2007 a 2015.
Outra meta é a de produzir 3,34 bilhões de litros de biodiesel por ano até
2010.
No setor de transportes, Dilma apresentou aos militares projetos estruturantes
para as cinco regiões do País. Para a região Norte, estão previstas obras na
BR-156 e na ferrovia Norte-Sul e a construção das eclusas de Tucuruí. Fizemos
mais investimentos em ferrovias nos últimos quatro anos do que o realizado em 20 anos,
afirmou a ministra.
Para a região Nordeste, o conjunto de projetos prevê obras na BR-101 Nordeste,
na ferrovia Transnordestina, ampliação do Porto de Itaqui (MA) e revitalização do Rio São
Francisco. Para o Sudeste, as metas são a construção do Rodoanel de São Paulo e
do Arco Rodoviário do Rio de Janeiro. Para o Sul, a construção de uma segunda
ponte de acesso a Foz do Iguaçu e da via expressa ao Porto de Itajaí (SC).
Para o Centro-Oeste, a idéia é realizar obras que permitam penetração nas
fronteiras agrícolas.
Sobre a estrutura dos aeroportos, a ministra informou que a meta é reforçar os
aeroportos de cargas. Segundo Dilma, os investimentos no setor chegaram a R$ 3
bilhões no período entre 2003 e 2006. Em 2003, os investimentos eram de cerca
de R$ 570,1 milhões. Em 2006, passaram para R$ 1,123 bilhão, crescimento de
97%.
Na área de saneamento, a projeção, conforme apresentação da ministra, é
investir R$ 220 bilhões em 20 anos.
![]()
NACIONAL
17/12/2006
Pequeno trecho de 300 metros é o problema
Sebastião
Gonçalves Maciel / Belo Horizonte
“As obras de restauração e composição do Anel Rodoviário de Belo Horizonte têm
beneficiado belo-horizontinos e brasileiros que por ali trafegam. No entanto,
existe um pequeno trecho, no entroncamento dos bairros Nazaré e Jardim Vitória,
sentido Belo Horizonte-Vitória, que não foi restaurado e as crateras surgiram
no meio da pista, provocando engarrafamentos e acidentes. Por que o pequeno
trecho de 300 metros foi abandonado? O Departamento Nacional de Infra-Estrutura de
Transportes (Dnit) e a Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, parceiros na obra
nos 27 quilômetros do Anel, devem uma explicação aos usuários da rodovia e aos
moradores dos bairros cortados pelo trecho precário.”
![]()
CIDADES
17/12/2006
Copam concede licença para Confins
Região
Metropolitana de Belo Horizonte poderá agora construir o primeiro aeroporto
industrial do país
Cristiana
Andrade
O Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, Região Metropolitana de
Belo Horizonte (RMBH), terá investimentos de no mínimo R$ 8 milhões em 2007 R$
1 milhão para remanejamento do posto de gasolina externo e R$ 7 milhões para a
construção do entreposto aduaneiro, que será a materialização do aeroporto
industrial, o primeiro deste tipo no país, segundo informou o superintendente
do aeroporto, José Wilson Massa. Os investimentos só serão possíveis graças à
licença de operação corretiva concedida ontem pela Câmara de Infra-estrutura do
Conselho Estadual de Política Ambiental (CIF/Copam), órgão deliberativo da
Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável. Desde o
início de sua operação, em 1984, o aeroporto funcionava sem licenciamento
ambiental.
Segundo Massa, quando começou a operar, não existia no Brasil legislação
ambiental que exigisse o licenciamento. Sem a licença não podíamos fazer nada,
nenhum investimento. Depois de quatro longos anos conseguimos a licença, pois o
número de condicionantes nos permitiu isso. Estamos mais tranqüilos e a
responsabilidade agora é maior. Tudo que for construído ou quiser funcionar
aqui, terá que ser licenciado na Fundação Estadual de Meio Ambiente (Feam) ,
comentou Massa.
A licença foi concedida com condicionantes propostas pelo Instituto Estadual de
Florestas (IEF), Ibama, e pelo Conselho Consultivo da Área de Proteção
Ambiental Carste de Lagoa Santa, além das colocadas pela Feam. Entre elas, que
deverão ser cumpridas pela Infraero integralmente, estão a apresentação de
laudo técnico das condições atuais da operação do sistema de drenagem do sítio
aeroportuário de Confins (que tem 15 quilômetros quadrados de extensão); estudo
técnico de verificação da contaminação do solo e das águas subterrâneas nas
áreas da Estação de Tratamento de Esgotos (ETE) e de disposição final dos resíduos
sólidos, assim como programa de monitoramento do lençol freático nessas áreas;
implantação de plano definitivo de gerenciamento de resíduos sólidos do
aeroporto; ampliação de brigadas de incêndio na região, em conjunto com Ibama,
IEF e aeronáutica; estudo sobre fauna e flora, patrimônio arqueológico e
espeleológico na região, entre outras.
RODOANEL
A licença prévia para início dos estudos para construção do anel viário
contorno norte da RMBH, mais conhecido como Rodoanel, não foi concedida ontem
durante reunião da CIF/Copam. Alguns conselheiros pediram vistas ao processo,
que deverá ter nova votação no início de 2007. Segundo informou o Departamento
Nacional de Infra-estrutura de Transportes (DNIT), a licença é necessária para
contratação, por meio de licitação, do projeto executivo de engenharia, que faz
os cálculos e traçados da obra. O rodoanel prevê um novo acesso ligando trecho
da BR-381 em Betim a Ravena. São cerca de 64 quilômetros de extensão.
Do Estado de Minas
![]()
PODER
17/12/2006
Eletronorte aumenta apetite do PMDB
COFRE
CHEIO Com orçamento de quase R$ 1 bi, estatal faz brilhar os olhos de peemedebistas
BRASÍLIA
RAQUEL ELTERMANN
Da Sucursal
Com a garantia de recursos da União que superam os R$ 925 milhões, a
Eletronorte (Centrais Elétricas do Norte do Brasil S.A.) detém um orçamento que
está entre os cinco maiores das empresas estatais em todo o País. Pela ordem de
aplicação de recursos, a empresa está atrás apenas da Petrobrás, do
Departamento Nacional de Infra-Estrutura em Transportes (DNIT), do Banco do Brasil
e de Furnas. Em todo o País, o orçamento destinado às empresas controladas pelo
governo federal soma mais de R$ 40 bilhões. E o controle desse dinheiro deverá
ser dividido entre a eclética base aliada que apoiará o governo do presidente
Luiz Inácio Lula da Silva.
Reportagem publicada no 'Correio Brazieliense' informa que estão nas mãos do
PMDB as principais indicações do que a matéria denomina de 'as jóias da coroa
do governo federal', quando refere-se aos poderes diluídos dentre as estatais
cujas diretorias são ocupadas via apadrinhamento político. Essas estatais
agrupam cargos estratégicos na administração pública e detêm orçamentos superiores
aos do primeiro escalão, que são os ministérios.
Na área de energia, somente a Eletronorte tem um orçamento 20 vezes superior ao
do ministério ao qual está vinculada, que é o de Minas e Energia. A pasta
ministerial, atualmente controlada pelo PMDB, é ocupada pelo maranhense Silas
Rondeau, apadrinhado do senador José Sarney (PMDB-AP). A Eletronorte também
deverá continuar sob o comando do PMDB paraense. O atual presidente, Carlos
Nascimento, faz parte da cota de indicações políticas do deputado federal Jader
Barbalho, que nas eleições passadas foi um dos 'conselheiros' político-eleitorais
do presidente-candidato Lula.
Com a Eletronorte sob sua alçada, o PMDB no Pará deverá manter o privilégio de
indicar o presidente e outros quatro diretores, que irão gerenciar quase R$ 1
bilhão previstos no Orçamento Geral da União para a subsidiária de energia da
região Norte. Na Eletrobrás, a indicação do presidente Aloísio Vasconcelos
coube ao seu 'padrinho' Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado
Federal. Correios, Funasa e Furnas também têm seus cargos disputados pelo PMDB.
Recursos previstos no Orçamento não são sinônimo de dinheiro para aplicação em
obras. A maior parte do dinheiro vai para custeio. Nem todos esses bilhões
previstos no orçamento para as estatais serão destinados a investimentos nos
Estados. Dos mais de R$ 925 milhões da Eletronorte, por exemplo, apenas pouco
mais de R$ 150 milhões são para obras de infra-estrutura ou ampliação dos
serviços de geração e distribuição de energia elétrica. O restante, assim como
em todas as empresas, são recursos para outros custeios como folha de pagamento
e manutenção das atividades, dentre outras despesas de naturezas diversas.
O orçamento para 2007 detalha as grandes obras a serem contempladas via
Eletronorte: o acréscimo de 1.582 megawatts no sistema de transmissão de
Tucuruí, o estudo de viabilidade da hidrelétrica de Belo Monte, a ampliação da
capacidade de geração de energia das usinas de Curuá-Una e Tucuruí. Tanto a
geração de energia quanto a distribuição a partir de Tucuruí consomem mais de
96% dos R$ 151 milhões que podem ser aplicados em obras pela Eletronorte. No
ano passado, não foi diferente. Dos R$ 419,6 milhões que estavam destinados a
investimentos da Eletronorte, apenas R$ 5 milhões foram para Belo Monte.
Tucucurí consumiu os outros R$ 414 milhões previstos na dotação orçamentária de
2006. Aliás, é a hidrelétrica de Tucuruí a responsável pela queda de quase 60%
dos recursos investidos no Estado, entre 2006 e 2007. É que, no orçamento deste
ano, haviam sido contemplados R$ 340 milhões apenas na ampliação da capacidade
de geração da hidrelétrica paraense.
carro-chefe
Das cinco empresas controladas pelo governo federal e que recebem recursos para
aplicação exclusiva no Estado do Pará, a Eletronorte é o carro-chefe. A empresa
de energia elétrica concentra mais de 78% do total de investimentos previstos
para o ano que vem. São 2.570 funcionários distribuídos pelas capitais
nortistas e Brasília. A indicação política para gerenciamento da Eletronorte
vai além da presidência. Outras quatro diretorias entram na disputa.
Das cinco estatais, três são instituições bancárias (Banco do Brasil, Caixa
Econômica Federal e Banco da Amazônia).
Além da Eletronorte, na área de energia, o governo federal também é o
responsável pela injeção de investimentos na Companhia Docas do Pará (CDP), a
segunda maior estatal que pode injetar recursos diretamente no Estado. Dos
cerca de R$ 30 milhões no ano passado, teve seu recurso orçamentário subtraído
em quase R$ 10 milhões. Ainda assim, o gerenciamento dos recursos para o ano
que vem contempla praticamente as mesmas obras do Orçamento Geral da União
deste ano, como a construção do armazém de cargas do porto de Vila do Conde e a
instalação de defensas portuárias no porto de Belém.
Mas, dentre as vedetes nacionais, o Basa ganha destaque. No ranking paraense, o
banco ocupa o terceiro lugar em volume de recursos exclusivos para
investimentos em estatais, logo atrás das Docas. Mas, em nível nacional, os R$
138,5 milhões que lhe estão destinados no Orçamento 2007 colocam o Banco da
Amazônia dentre as estatais mais cobiçadas. O orçamento geral do Basa está à
frente até mesmo do da Eletrobrás e da Embrapa. O PMDB indicará os nomes para a
presidência e cinco diretorias do Basa.
Dos R$ 138,5 milhões, o banco poderá investir apenas R$ 10,9 milhões na
construção de novas agências e na modernização de seu sistema bancário. No
ranking nacional das 29 estatais federais, o Basa ocupa a décima oitava
colocação, em função da sua dotação orçamentária de quase R$ 140 milhões.
(R.E.)
![]()
SONIA RACY
17/12/2006
Setúbal: para crescer, Brasil precisa reestruturar perfil
Direto
da fonte
Roberto
Setúbal, presidente do Banco do Itaú
'Governadores que assumiram seus Estados com problemas e, por meio de uma
gestão eficiente, focada, e não
populista, foram reeleitos. Isto é um reforço para que o setor público comece a
focar na gestão. A melhor medida
é a urna.'
SONIA RACY, sonia.racy@grupoestado.com.br
Acreditando que o Brasil está se tornando um país mais institucionalizado, com
políticas econômicas mais estáveis, Roberto Setúbal, do Itaú, não acredita em
grandes mudanças no segundo mandato do presidente Lula. 'Mesmo que a gente
venha a ter novas pessoas ocupando os cargos principais da área econômica, não
acredito em mudanças nos fundamentos da política econômica', contou a esta
coluna, em entrevista na semana passada. E o crédito imobiliário vai ser o hit
de 2007? Para Setúbal, não. Mas é certo que ele será um produto muito
importante ao longo dos próximos anos.
Aqui, os principais trechos:
Há anos se ouve que o Brasil precisa crescer. Afinal, o que emperra esse
crescimento? Há uma expectativa muito grande no Brasil de que uma taxa de juros
mais reduzida poderia levar o País a um crescimento de 6% ou 7%. Não acredito
nisso. O mais provável é que a taxa de juros continue caindo e o País continue
com esse crescimento em torno de 4%, um pouco mais um pouco menos, dependendo
das condições internacionais. Precisamos encarar a realidade de que o
crescimento não virá sem mais investimentos e sem reformas, sobretudo na área
da Previdência, mas também a reforma política. É preciso primeiro reestruturar
o perfil da nossa economia, dando-lhe mais agilidade.
O problema é que há anos também vem se falando sobre a necessidade de reformas.
Pelo menos desde o primeiro mandato de FHC. Você acredita que alguma coisa vai
sair do papel? Infelizmente tenho dúvidas, muitas dúvidas. Para que uma reforma
saia, seja ela tributária, política ou previdenciária, é preciso uma real
percepção da maioria da população, dos agentes econômicos, dos formadores de
opinião e, principalmente, do Congresso, de que elas são essenciais para um
ritmo de crescimento mais rápido, para que saiamos de um nível de 3% ou 4% de
crescimento, para 6% ou 7%. Hoje, não há essa convicção. A percepção é que
basta uma queda de juros e algumas medidas paliativas para se obter o tão
desejado crescimento. Ou que seria suficiente apenas mais vontade do governo.
A gestão do governo precisa melhorar? Acho que sim, mas é um processo de longo
prazo. Veja só o Estado de São Paulo. Tivemos 12 anos de gestão muito boa e
acho que continuaremos a ter isso com o José Serra. Quando Mário Covas assumiu,
o Estado estava falido, a folha de pagamento atrasada, não havia condição de
investimentos. Com uma gestão eficiente, coordenada, séria, comprometida em
mudar as coisas, o Estado melhorou suas condições. Hoje tem, inclusive,
capacidade de investimentos bastante razoável.
O eleitor está se conscientizando que a gestão é um fator que pesa? Alguns
governadores assumiram os seus Estados com problemas e, com uma gestão
eficiente, focada, e não populista, foram reeleitos. Isto é um reforço para que
o setor público comece a focar na questão da gestão. A melhor medida é a urna.
No início do Plano Real, o PT criticou, mas depois viu que o povo quer é
inflação baixa, tanto assim que FHC foi reeleito. Quando Lula assumiu um
discurso de que ia tratar a economia de uma forma tal que não voltasse a
inflação, se comprometeu com uma série de políticas que, no passado, eram
consideradas ortodoxas, liberais. E ele cumpriu seus compromissos porque o que
ele quer é que a inflação continue baixa e para ter inflação baixa não há milagre:
é uma combinação de política fiscal, cambial e monetária.
O Estado tem condições de recuperar sua capacidade de investimento? Só se
reduzir os gastos correntes. O gasto corrente social tem todos os méritos. Se
você aumenta a aposentadoria, você está beneficiando os aposentados hoje. Se
aumenta as despesas com saúde, você está beneficiando as pessoas hoje. Agora,
quando você gasta com estradas, o benefício virá no futuro.
A cultura inflacionária nos deixou com uma visão curto-prazista? Esse não é o
problema. A tendência do setor público é ser sensível às demandas da sociedade,
que no Brasil são enormes. O problema é que não se está fazendo isso de uma
forma coordenada, eficiente. Acho que se poderia fazer gastos sociais de forma
mais eficiente, com prioridades melhor definidas. A questão da corrupção torna
o processo mais ineficiente ainda. Então, no fim, a gente acaba alocando muitos
recursos para educação, saúde, mas não se consegue o retorno adequado e não
sobra nada para investir.
O Itaú apareceu em primeiro lugar no ranking do BC. O primeiro é
necessariamente o melhor? Quero fazer um reparo técnico. O BC publica no seu
site uma série de estatísticas do sistema financeiro e ele olha apenas a parte
dos bancos, não incluindo nos seus balanços empresas não bancárias. Nosso
objetivo nunca foi tamanho. Isso é decorrência de nosso trabalho, muito focado
no crescimento do banco, que leva ao crescimento de resultados. O Itaú tem tido
crescimento importante e assumiu uma liderança muito clara em muitas áreas. Somos
líderes em cartão de crédito no Brasil, na área de asset management, no
leasing, no private bank, na alta renda. No setor de seguros, temos um trabalho
grande a ser feito para poder tirar as diferenças em relação às principais
seguradoras no Brasil.
![]()
CIDADES
17/12/2006
Velozes e perigosos
O
excesso de velocidade, infração mais cometida pelo brasiliense, correspondeu a
67% das multas aplicadas pelo Detran entre janeiro e outubro. Em média, o órgão
registra um flagrante por minuto
Guilherme
Goulart
Da equipe do Correio
A cada minuto pelo menos um motorista recebe multa por excesso de velocidade no
Distrito Federal. O desrespeito nas vias brasilienses avança mesmo com centenas
de pardais e barreiras eletrônicas espalhados por avenidas e rodovias. A infração mais
comum na capital concentrou 67% do total de 821.475 multas aplicadas entre
janeiro e outubro (veja quadro na página 28). Foram 553.262 flagrantes de alta
velocidade, o que representa uma média de 75 por hora ou 1,26 por minuto. Os
registros de 10 meses quase alcançaram o total de 2005, quando o Departamento
de Trânsito (Detran/DF) reuniu 554.184 registros por abuso de velocidade.
Parte do excesso dos condutores resulta em acidentes com mortes — 267 pessoas
não resistiram à violência no trânsito do DF até setembro. Para o diretor geral
do Detran/DF, Antônio Bonfim, a circulação acima dos limites impostos pela
sinalização indica a “irresponsabilidade” dos motoristas. Tanto que as
infrações desse tipo são classificadas como grave ou gravíssima. “Trafegar
rápido coloca em risco a vida de todos que participam do trânsito. A solução,
então, é o controle eletrônico. É impossível colocar um agente de trânsito em
todos os lugares”, avaliou Bonfim.
A falta de respeito à velocidade predeterminada também se percebe em uma cena
que, de tão comum, parece normal. O motorista acelera mais que o limite da via,
arrisca ultrapassagens perigosas e só freia nas proximidades do pardal ou da
barreira eletrônica. De longe, a luz de alerta na traseira do carro indica aos
demais condutores que há um equipamento de fiscalização mais à frente.
A prática, freqüente nas avenidas e rodovias locais, levou o Detran a adotar
estratégias para flagrar o desrespeito. Uma delas foi munir os agentes de
trânsito com radares móveis e posicioná-los entre os equipamentos de fiscalização
eletrônica fixa. A idéia de forçar os motoristas a manter a velocidade
permitida ao longo de todo o percurso ganhou as ruas após a divulgação de uma
pesquisa, realizada por uma aluna do Instituto de Pesquisa da Universidade de
Brasília (UnB). Após ouvir 504 condutores no Parque da Cidade, shoppings,
postos de gasolina e feiras populares, a psicóloga Ludmila Fernandes da Cunha
descobriu que 42% deles (208) só tiram o pé do acelerador por causa dos
pardais.
A mestre em psicologia de trânsito e ambiental concluiu que a pressa aparece
como a principal causa de abusos. A especialista defende mais investimentos em
campanhas educativas e melhor planejamento para diminuir os índices de
violência nas vias. “Os motoristas devem criar alternativas para evitar a
pressa, como tentar novos caminhos. Eles devem entender que fazem parte de um
sistema”, explicou. Durante a pesquisa, divulgada em 2003, Ludmila se
surpreendeu com a posição de alguns condutores, que defenderam o aumento dos
limites de velocidade nas pistas do DF.
De olho no pardal
A presença dos pardais faz com que os motoristas brasilienses dirijam
preocupados com os equipamentos de fiscalização eletrônica. O eletricista José
Leomar da Silva, 45 anos, por exemplo, usa o carro para trabalhar. Ele mora em
Valparaíso (GO) e com freqüência atende clientes no Plano Piloto. Só neste ano,
José Leomar recebeu quatro multas por excesso de velocidade. “O jeito é dirigir
de olho nos pardais. Se eles não existissem, com certeza aceleraria um pouco
mais. A gente tá sempre atrasado”, admitiu.
O administrador César Augusto Nazaré, 61, garante que só corre em situações de
emergência. O comportamento defensivo no trânsito lhe valeu o apelido de
Tartaruga entre a família. “Prefiro sempre andar no limite exigido, principalmente
à noite e nos fins de semana, quando é mais perigoso”, revelou. Ainda assim, o
motorista, morador da Asa Sul, foi flagrado duas vezes por pardais instalados
em vias com velocidade máxima de 60km/h. Segundo ele, irregularidades cometidas
por pura distração.