O ESTADO DE S. PAULO - SP 

NACIONAL
18/12/2006

 

Bolivianos vêm pedir mais investimentos brasileiros

Encontros em Brasília sinalizam trégua após intervenção nas refinarias

 

Denise Chrispim Marin
Em clara resposta ao pedido de trégua do Brasil, seis ministros do governo Evo Morales vão ocupar hoje a Esplanada dos Ministérios para encontros de trabalho com seus pares brasileiros. Comandada pelos ministros de Relações Exteriores, David Choquehuanca, e de Hidrocarbonetos e Energia, Carlos Villegas, a missão terá o objetivo de esmiuçar a oferta brasileira de fazer novos investimentos e reforçar a cooperação para a solução de mazelas econômicas e sociais da Bolívia.

Para o Palácio do Planalto, será a chance de distender de vez a relação bilateral e a ocasião para dissipar os temores de expulsão de brasileiros estabelecidos no país vizinho. A proposta de cooperação brasileira nas áreas de agropecuária, meio ambiente, microcrédito e de comércio, além da antiga promessa de novos investimentos no setor petroquímico, foi posta sobre a mesa em maio, durante visita do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, a La Paz. Na ocasião, estava no auge a crise provocada pela decisão boliviana de nacionalizar as refinarias de empresas estrangeiras, com direito a ocupação militar das instalações da Petrobrás naquele país.

A visita de Choquehuanca, no entanto, acabou acertada apenas no final de novembro, durante rápida conversa com Amorim em Santiago do Chile. No último dia 8, em Cochabamba, já na Bolívia, o objetivo da missão foi ampliado como resultado das conversas entre os presidentes Morales e Luiz Inácio Lula da Silva - e também foi acertada a visita do boliviano a Brasília em 18 de fevereiro.

GARANTIAS

Em Cochabamba, Lula falou claramente a Morales da sua preocupação com os impactos da reforma agrária boliviana sobre as propriedades de brasileiros que cultivam soja na Bolívia. Na ocasião, recebeu de Morales a garantia de que as fazendas produtivas não seriam afetadas. Lula pediu ainda um tratamento 'humano e civilizado' para os cerca de 20 mil extrativistas, garimpeiros e pequenos agricultores brasileiros que se estabeleceram nas províncias bolivianas de Pando e Beni, na divisa com o Acre. Esses imigrantes estão ameaçados de expulsão pela aplicação da lei local que veta a permanência de estrangeiros numa faixa de 50 quilômetros a partir da fronteira.

Do ponto de vista do Itamaraty, as duas questões poderiam ser transformadas em mais um instrumento do governo Morales para driblar a crise política que abala a sua administração. Há apenas 11 meses no poder, o líder cocalero é acusado pela oposição de interferir no funcionamento da Assembléia Constituinte e do Congresso. Os oposicionistas pedem mais autonomia para quatro departamentos (os Estados bolivianos).

Em princípio, a questão do gás deverá ser abordada de forma genérica, uma vez que oficialmente a Petrobrás não estará representada nos encontros que ocorrem hoje. O governo Lula se recusa a tratar de questões empresariais pendentes, como a indenização pela nacionalização das refinarias da Petrobrás na Bolívia e o eventual reajuste no preço do gás.

A pauta das conversas do ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, com Villegas e o vice-ministro da Eletricidade e Energias Alternativas, Jerjes Mercado, deverá se concentrar nos estudos de desenvolvimento da produção de etanol e biodiesel - o que também consolidaria a presença dos produtores de soja brasileiros na Bolívia.

Choquehuanca, Villegas e Jerjes estarão acompanhados pelos ministros de Assuntos Camponeses e Agropecuários, Hugo Salvatierra, de Desenvolvimento Econômico, Celinda Sosa Lunda, de Planejamento do Desenvolvimento, Hernando Larrazábal, e de Serviços e Obras Públicas, Salvador Ric Riera. A missão boliviana incluirá ainda o assessor especial da Presidência, Pablo Solon, e o vice-ministro das Relações Exteriores, Maurício Drofler.

Além de Amorim e de Rondeau, os ministros Marina Silva (Meio Ambiente), Paulo Bernardo (Planejamento), Guilherme Cassel (Desenvolvimento Agrário), Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) e
Paulo Sérgio Oliveira Passos (Transportes) serão visitados pelos bolivianos.

 

 

GAZETA MERCANTIL - SP 

POLÍTICA
18/12/2006

 

Planalto corta recursos de ministérios

 

Brasília, 18 de Dezembro de 2006 - A Casa Civil determinou um corte de cerca de R$ 400 milhões em rubricas orçamentárias. Orientados pela Casa Civil, os ministros excluíram, este ano, 97 rubricas do Orçamento que representaram despesa média anual de cerca de R$ 400 milhões desde o início do mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Só dos chamados restos a pagar - dinheiro empenhado em 2005 mas não pago - os programas consumiram este ano dos cofres públicos R$ 325 milhões. Os dados foram levantados junto ao Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi) e foram fornecidos a pedido deste jornal pela Associação Contas Abertas.

A medida está em sintonia com o que vem sendo pregado pela ministra Dilma Rousseff como forma de impulsionar o crescimento da economia. Entre os programas não incluídos no exercício orçamentário deste ano estão o Alimentação Saudável, Toda Criança na Escola, Saúde da Família, Nosso Bairro, Morar Melhor e Jovem Empreendedor.

Alguns programas extintos podem ter tido sua atividade fim incorporada por outras rubricas ou apenas retirados do Orçamento em 2006 em razão do excesso de restos a pagar de anos anteriores. Parte significativa dos programas, no entanto, segundo técnicos do governo, foram limados do Orçamento por não terem apresentado o resultado esperado ou tinham uma execução orçamentária pífia, o que representava ao fim e ao cabo desperdício de dinheiro público."O governo tem procurado melhorar a qualidade do gasto público com vários procedimentos", diz o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), relator da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2007. "A ordem é equilíbrio fiscal e racionalidade do gasto". Segundo Jucá, a idéia do governo, para 2007, é criar limites para os gastos de custeio e dar prioridade aos investimentos em infra-estrutura.

"Na LDO 2007 já estabelecemos 10% a menos para gastos com passagens e diárias. Alguns ministérios como Saúde, Transportes e Cidades, inclusive, já estão colocando em prática a nova orientação ao diminuir gastos com combustível, viagens e energia elétrica", acrescentou. A economia prevê, em alguns casos, o racionamento no uso de papel de impressora.

A chefe da Casa Civil é responsável pela coordenação de todos os demais ministros. Cabe a ela tirar obras e projetos do papel. Em resumo, fazer a máquina andar. A ministra Dilma não fala em ajuste. Rechaça que a solução esteja no corte. A receita, segundo a ministra, é a "eficiência do investimento".


Dilma defende a racionalização do gasto público. Para explicar o que significa "eficácia do investimento" costuma, nas reuniões fechadas com os ministros, recorrer a um exemplo prático. Conversando recentemente com produtores rurais, Dilma concluiu que os gastos com política agrícola poderiam ser muito inferiores se o governo concluísse a BR-163 e a BR-158, que escoam a produção do Centro-Oeste. O custo de frete seria bem menor. Com isso, o governo não precisaria gastar os cerca de R$ 2 bilhões anuais de subsídios à comercialização da safra. A BR-163, por exemplo, liga Cuiabá a Santarém, tem 953 quilômetros de estrada de chão. A estrada foi inaugurada no início da década de 70 mas nunca foi asfaltada.
(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 11)(Sérgio Pardellas)

 

 

VALOR ECONÔMICO - SP 

EMPRESAS
18/12/2006

                                                                                                                                                                    

Portos públicos atrasam instalação do ISPS

 

José Rodrigues e Francisco Góes
Mais de dois anos após a entrada em vigor das normas do ISPS Code, o código de segurança da Organização Marítima Internacional (IMO), o setor no Brasil enfrenta dois problemas. De forma geral, o país está atrasado na implementação das normas e a demora abre a possibilidade de aplicação de medidas não-tarifárias sobre as exportações brasileiras. Ao mesmo tempo, o setor público, o mais atrasado, discute formas de financiar a instalação dos sistemas. O ISPS Code foi exigência dos Estados Unidos para reduzir o risco de ataques terroristas após o episódio de 11 de setembro de 2001.

De um total de 209 terminais privativos e
portos públicos que implementaram planos de segurança, 152 cumpriram as normas e foram certificados pela Comissão Nacional de Segurança Pública nos Portos, Terminais e Vias Navegáveis (Conportos), entidade interministerial encarregada em fazer valer as regras do ISPS Code.

Para ajudar os
portos públicos deverá ser criada uma nova tarifa sobre a movimentação de cargas, conforme proposta em elaboração no Ministério dos Transportes. O órgão leva em conta a precariedade das finanças das administrações portuárias e a dificuldade para garantir recursos no orçamento da União. A Codesp, administradora do porto de Santos, por exemplo, estima em R$ 370 mil mensais as despesas de manutenção de seu sistema.

"O ISPS Code tem caráter permanente. Requer mais pessoal, treinamento, reposição de equipamentos, ao mesmo tempo em que a maioria dos
portos tem problemas de caixa. Esse quadro nos levou a estudos de uma proposta a ser encaminhada à Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) para obter recursos", conta Paulo de Tarso Carneiro, diretor do departamento de programas aquaviários do Ministério dos Transportes. Antecipando que não será "elevado", Carneiro acredita que o encargo entre em vigor em 2007 e não seja mantido em 2008.

O setor privado já cobra uma taxa específica para cobrir esses custos. "Todo mundo cobra. No Canal do Panamá, ao que se informa, a taxa é de US$ 200 por contêiner. Em Marselha, na França, o equivalente a ? 12. Em Santos, varia entre US$ 10 e US$ 20 por contêiner", afirma Mauro Salgado, presidente da Libra Terminais e do Sindicato dos Operadores Portuários do Estado de São Paulo (Sopesp).

Enquanto o
Ministério dos Transportes discute a fórmula de ajudar a implantação das normas, a Conportos fecha o cerco. Os principais portos públicos, que respondem por cerca de 65% do comércio exterior, não conseguiram cumprir todas as medidas previstas e operam por meio de um instrumento provisório, o termo de aptidão. Esta condição faz com que grandes portos tenham de aplicar normas adicionais de segurança, chamada declaração de proteção, quando o comandante de um navio solicita. Estão nesta situação os portos públicos de Santos, Rio, Vitória, Rio Grande, Belém, Salvador, Ilhéus e Aratu.

A Conportos não mais prorrogará as licenças provisórias ou termos de aptidão. O órgão colegiado da comissão, formado por cinco ministérios (Justiça, Fazenda, Transportes, Relações Exteriores e Defesa), trabalhava com a hipótese de concluir o processo de certificação dos
portos e terminais em maio de 2006, o que não ocorreu. Agora a meta é maio de 2007.

João Carlos Campos, coordenador em exercício da Conportos, diz que na primeira reunião do colegiado no ano que vem, possivelmente em janeiro, irá se fixar em um calendário de inspeções dos
portos, independente se o gestor solicitou a visita. A inspeção começará pelos grandes portos públicos como é o caso de Santos.

 

 

VALOR ECONÔMICO - SP 

EMPRESAS
18/12/2006

 

Rio e Santos correm para cumprir exigências

 

Do Rio e de São Paulo
Os dois maiores
portos do país estão na mira da Conportos pelo atraso na implantação do ISPS Code. O porto público do Rio de Janeiro foi inspecionado nos dias 12 e 13 dezembro por técnicos da comissão e deve receber a declaração de cumprimento, o documento que atesta que o porto cumpriu o previsto no plano, em meados de janeiro. A implementação do plano de segurança ficou um ano paralisada no Rio porque um dos licitantes que disputava a concorrência para implantação do sistema, aberta pela Companhia Docas, a autoridade portuária carioca, recorreu do resultado na Justiça, embargando o processo.

No total, o porto do Rio deverá investir R$ 21,5 milhões entre 2004 e 2007 para melhorar a segurança do porto, incluindo o controle no acesso ao porto e obras civis, como geração de energia elétrica, construção de muros e pavimentação. "Esperamos que, após a inspeção, a Conportos dê ao porto a certificação plena", diz Antonio Carlos Soares, presidente da Companhia Docas do Rio de Janeiro.

O porto de Santos, que até agora recebeu o maior volume de verbas da União (R$ 29,5 milhões), somados a outros R$ 5 milhões dos cofres da Codesp, acelera as providências para obter a declaração em tempo adequado. O Termo de Aptidão do porto tem 31 de dezembro como data limite. A empresa espera a fiscalização da Conportos para janeiro. "Até o final do mês esperamos estar com 99% das exigências atendidas. O circuito fechado de TV está concluído e estamos fazendo um pregão eletrônico para adquirir mais 106 câmeras, que se somarão às 228 já instaladas, para monitorar a interface porto-navio", assegura Álvaro Luiz Dias de Oliveira, da equipe técnica de fiscalização e implantação do ISPS Code no porto de Santos.

Com 52 terminais aptos a operar em Santos, a estimativa do mercado é de que os investimentos em segurança, até hoje, absorveram aproximadamente R$ 60 milhões, elevando os gastos do porto, incluída a parte estatal, a perto de R$ 100 milhões. Mas a crítica à Codesp é que seu atraso não permitiu a certificação de cerca de 20 terminais privados que poderiam receber a declaração de cumprimento por terem atendido todas as exigências do ISPS.

João Carlos Campos, coordenador em exercício da Conportos diz que isso ocorreu porque a Codesp chamou para si a responsabilidade de monitorar a interface cais-navio, mesmo em terminais concessionados. João Fernando Cavalcanti, responsável pela implantação do ISPS Code no porto paulista disse que a Codesp "nunca proibiu nem normatizou a aquisição dos equipamentos de segurança pelos terminais privados, tanto é que a maioria possui câmeras fixas e móveis próprias". Assegurou, ainda, que a estatal propôs e foi aceito pelos terminais a assinatura de um termo de compartilhamento de imagens, capaz de cobrir as necessidades da interface cais-navio. "Hoje o cais está protegido. A Conportos pode dar a declaração de cumprimento aos terminais", sustenta.

As inspeções a serem realizadas pela Conportos resultarão em relatório técnico, produzido pela entidade, indicando a situação de cada porto. O documento será encaminhado ao Palácio do Planalto para uma avaliação política da situação. A comissão começa a amadurecer proposta para que o governo encaminhe ao Congresso Nacional projeto de lei sobre sanções a serem aplicadas aos
portos e terminais que descumprirem as normas.

Uma idéia é de que, para cada item técnico em que houver falha, seja aplicada multa. Está praticamente descartada a hipótese de descredenciar
portos que não cumpram os planos porque os técnicos consideram que a medida seria prejudicial ao país. A Conportos chegou a analisar a possibilidade de "fatiar" os portos nas operações com passageiros e carga de comércio exterior, isolando as áreas públicas, as mais atrasadas na implementação das regras, mas a medida é de difícil execução.

Paulo de Tarso Carneiro, diretor do departamento de programas aquaviários do
Ministério dos Transportes, diz que em 2004 e 2005 o governo federal repassou para portos administrados pela companhias docas, por estados e municípios R$ 71,25 milhões para implementação das medidas de controle no acesso aos portos previstas no ISPS Code.

Do total distribuído, foram aplicados R$ 55,6 milhões. A diferença foi incorporada, como restos a pagar, no orçamento do ISPS Code para os
portos públicos de 2006, fixado em R$ 29,7 milhões. Deste total, de janeiro a setembro, o governo repassou R$ 23,2 milhões. Mas de fato, em nove meses deste ano, o valor aplicado ficou muito aquém, de apenas R$ 8,1 milhões. Os terminais privados bancam os seus próprios investimentos em segurança. (FG e JR)

 

 

CORREIO BRAZILIENSE - DF 

CIDADES
18/12/2006

 

BR-060

Apesar da duplicação e das boas condições, a rodovia ainda tem trechos que são considerados perigosos

 

Amaro Júnior
Da equipe do Correio
A falta de atenção dos motoristas é o maior gerador de acidentes, segundo pesquisa realizada pela Polícia Rodoviária Federal (PRF). De acordo com as estatísticas, 80,75% dos acidentes ocorrem em trechos considerados bons, apesar de a má conservação das pistas ser um fator agravante. Além da falta de atenção, a imprudência é um dos principais motivos para o aumento das estatísticas nas
rodovias brasileiras.

No último dia 12, a equipe do Correio percorreu o trecho que liga Brasília a Goiânia e verificou que, mesmo com a obra de duplicação quase completa e a ausência de buracos, acidentes ocorrem com freqüência. O número de mortos registrados até o mês de julho deste ano já superou o total de 2005. Em apenas seis meses morreram seis pessoas, contra cinco no ano passado.

O trecho que liga o Distrito Federal à capital goiana tem 95% de vias duplicadas. De acordo com o
Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes, o Dnit, a obra será concluída até o final do primeiro semestre de 2007. Nos 200km que separam as duas cidades, três acidentes foram registrados pela reportagem, sendo que um deles deixou duas pessoas mortas.

Entre as cidades goianas de Alexânia e Abadiânia, por volta das 14h, um caminhão azul placa KCY 6880-de Anápolis (GO) trafegava no sentido Anápolis-Brasília. Cerca de 28km depois de Abadiânia, o veículo bateu de frente com o Palio branco placa NGB5164-GO, que vinha em sentido contrário. O motorista do Palio, Álvaro Gonçalves, idade não revelada, e o passageiro João Rego Bezerra, 36 anos, morreram presos às ferragens.

O caminhoneiro Carlos Moreira da Silva, 34 anos, não ficou ferido. De acordo com Carlos, o Palio invadiu a pista depois de fazer uma ultrapassagem em local proibido. Tentei desviar, joguei o caminhão para o acostamento, mas não deu tempo, lamentou.

Os outros dois acidentes aconteceram quase simultaneamente e no mesmo local. Era início da tarde da última terça-feira, quando o Fiat Uno vermelho placa JJY 8509-DF perdeu o controle em uma descida e derrapou na pista molhada e caiu em uma ribanceira de aproximadamente três metros de altura. O motorista Delcy Rosa Pires, 35 anos, voltou ao acostamento e levou outro susto: o Corolla prata, placa JJB 1789, derrapou no mesmo local, bateu no meio fio e capotou próximo a Delcy. O segundo acidente me assustou mais. O motorista do Corolla, Fernando de Oliveira Pradera, 53 anos, e o passageiro, não identificado pela polícia, ficaram feridos e foram levados pelo Corpo de Bombeiros ao Hospital Regional de Taguatinga e, em seguida, liberados.

Para as pessoas que utilizarão a rodovia nesse fim de ano, a atenção deve ser dobrada pois os feriados de Natal e ano- novo são os que registram os maiores picos de tráfego, em torno de 30%. Para o funcionário público estadual e cientista político, João Paulo Marra Dantas, 24 anos, que faz o percurso Goiânia-Brasília-Goiânia todos os finais de semana para visitar parentes, a imprudência é a maior inimiga dos usuários da rodovia. As pessoas confiam na pista e pisam, adverte.

 

 

EXAME - SP 

BRASIL
18/12/2006

 

Para fugir dessa confusão

Uma nova leva de investimento privado promete criar saídas para aliviar a sobrecarga dos principais portos do país

 

Desde o século 19, o principal negócio da família paranaense Leão é a fabricação de seu tradicional mate. Mas Agostinho Leão, um membro da quarta geração do clã, deixou recentemente a diretoria da empresa familiar para se dedicar a outro tipo de negócio. Há um ano ele passa os dias atento à movimentação de máquinas num terreno situado na margem esquerda do rio Itajaí-Açu, no litoral de Santa Catarina. Seu plano é inaugurar ali, em agosto de 2007, um cais para navios cargueiros. O novo porto, batizado de Navegantes, ficará em frente ao porto de Itajaí, que hoje opera no limite da capacidade. Leão tem três sócios na empreitada, entre eles o fundo suíço especializado em infra-estrutura Backmoon, dono de metade do empreendimento. Quando começou as obras de Navegantes, em outubro de 2005, Leão credenciou-se para ser o primeiro de uma nova leva de investidores em portos privados que devem ajudar a desafogar a infra-estrutura portuária brasileira. Apenas nos últimos quatro meses, 25 projetos de portos e terminais de carga privados foram autorizados pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários, a Antaq. Juntos, exigirão investimento de 4 bilhões de reais e deverão aumentar a capacidade de escoamento de mercadorias do país em pelo menos 60 milhões de toneladas -- o equivalente a um décimo do movimento atual.

Com o crescimento das exportações, que dobraram de volume desde 2002, os principais terminais do país ficaram sobrecarregados.
Portos como Itajaí e Santos operam com até 90% da capacidade. "É uma aberração", diz o professor Paulo Fleury, do centro de estudos de logística da Universidade Federal do Rio de Janeiro. "O ideal seria 50%, para atender às demandas de safra e evitar as filas de ca minhões." A sobrecarga decorre também de falta de investimentos. Em 2004, o governo federal anunciou um pacote de 270 milhões de reais para melhorar os portos. Até agora, porém, aplicou de fato 40 milhões de reais. Já naquela época vários empresários se candidatavam a construir portos. Mas só recentemente a Antaq começou a autorizar os projetos privados.

A trading Coimex esperou seis anos por uma licença para construir um terminal próximo de Santos. O pedido, atendido afinal em junho, passou por uma série de questionamentos do Ministério Público sobre impactos ambientais. Chamado Embraport, o futuro terminal da empresa, que hoje movimenta suas mercadorias via Santos, deve ficar pronto em 2010, para atender a importadores de automóveis e equipamentos, além de exportadores de grãos e etanol. Sua capacidade de estocar o combustível será de 5 milhões de metros cúbicos por ano, quase o dobro do volume permitido pelo porto de Santos. "Já prevíamos o boom do etanol, mas não tivemos condições de nos antecipar à demanda por causa da demora no licenciamento", diz Orlando Machado, vice-presidente da Coimex. "Hoje o Brasil já deixa de exportar por não ter como estocar o etanol." Para evitar atrasos semelhantes, a empresa de logística Wilson, Sons, interessada em investir 200 milhões de reais para ter um porto no Sul ou no Sudeste, cogita associar-se a alguma obra em andamento.

Os novos projetos representam uma segunda fase de investimento privado no sistema portuário brasileiro. Em 1993, muitos terminais de carga em
portos públicos foram concedidos à iniciativa privada por 25 anos. As concessionárias já investiram 1,2 bilhão de reais em modernização e ampliação de instalações. Nos próximos cinco anos, pretendem investir mais 1,7 bilhão de reais, segundo o consultor de logística Vernon Kohl. Os investimentos aumentaram a eficiência operacional e reduziram de 400 para 220 dólares o custo de colocar um contêiner num navio. O número médio de contêineres movimentados por hora nos portos do país cresceu de oito para 40 -- e ainda precisa melhorar, uma vez que a média européia é de 120 contêineres por hora. Mas já não há espaço para mais terminais em portos públicos. Além disso, os navios estão cada vez maiores. "Como a maioria dos portos não tem capacidade para recebê-los, os navios grandes ficam vagando até encontrar um porto adequado", diz Kohl. "Isso faz com que os custos aumentem ainda mais." A demanda por terminais que possam receber os supercargueiros é mais um atrativo para os investidores criarem novos portos.

Diferentemente da maioria dos
portos privados em operação, os novos não serão de uso exclusivo de uma empresa. Atualmente, 120 dos 124 terminais privados servem exclusivamente companhias como Vale do Rio Doce e Petrobras. Os exportadores que não têm estrutura própria costumam enfrentar filas, que chegam a ser gigantescas nos períodos de pico, e pagam bem mais caro para embarcar seus produtos. Com os novos portos, espera-se que os preços baixem e a eficiência aumente.

Mas nem os recursos crescentes dos investidores nem os avanços tecnológicos, como guindastes que agilizam a movimentação de contêineres, anulam o fato de que, para funcionar bem, os novos
portos vão precisar de infra-estrutura de apoio -- e essa é uma questão que continua à espera de soluções urgentes. Para o Embraport, da Coimex, é fundamental a construção da avenida perimetral de Santos, planejada para fazer a ligação direta das rodovias Anchieta e Imigrantes à região portuária. Depois de cinco anos de atraso por falta de recursos federais, a obra está prevista para começar em março de 2007. Em Navegantes, onde a Portonave já escolheu um local de acesso fácil, ao lado da BR-101, foram gastos 16 milhões de reais na ampliação da área de manobra dos navios e mais 22 milhões em linhas de transmissão de energia. Ainda assim, para cumprir a meta de criar, no futuro, um terminal para exportação de etanol, Leão terá de contar com a boa vontade do setor público. "Só vou poder montar um terminal para etanol se o governo construir uma ferrovia para trazê-lo", diz ele. "Senão, nada feito."

Solução particular
Conheça os principais projetos de
portos que estão sendo construídos pela iniciativa privada no Brasil

Embraport (Santos – SP)
O grupo Coimex pretende investir 1 bilhão de reais na construção de um porto na vizinhança de Santos para exportar grãos, açúcar e álcool. A obra começa no primeiro semestre de 2007 e deve ficar pronta em três anos

Porto de Navegantes (Navegantes – SC)
A empresa
Portonave está destinando 500 milhões de reais à construção de um terminal de contêineres para exportação de carga congelada e motores. A obra deve ficar pronta em agosto de 2007

Porto de Itapoá (Itapoá – SC)
Um consórcio formado pelo grupo Batistella e pela Aliança Navegação está construindo um terminal de contêineres para exportação de madeira, alimentos e motores. O término da obra, orçada em 220 milhões de reais, está previsto para março de 2007

Fonte: empresas