BRASIL
19/12/2006
Dinheiro para obras é problema
Fernando
Exman
Brasília. Na iminência de anunciar o conjunto de medidas que, segundo o
presidente Luiz Inácio Lula da Silva, será responsável por "destravar o
Brasil", o governo ainda não sabe de onde tirar o dinheiro necessário para
executar as obras de infra-estrutura que serão incluídas no pacote. Segundo o ministro dos
Transportes, Paulo Sérgio Passos, serão necessários investimentos de aproximadamente
R$ 12 bilhões por ano, até 2010, para tirar do papel tais projetos
prioritários.
Parte dos recursos, disse o ministro, virão do Orçamento da União. O governo
conta também com as Parcerias Público-Privadas (PPPs) e tentará fazer com que
alguns bancos públicos, como a Caixa Econômica Federal (CEF) e o Banco Nacional
de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), aumentem o volume de financiamentos
destinados ao setor. Não foi fechada, entretanto, uma fórmula que garanta o
investimento anual de R$ 12 bilhões durante o segundo mandato de Lula.
Segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega, o conjunto de ações a ser
anunciado na quinta-feira conterá realizações na área de infra-estrutura,
medidas de desoneração tributária, normas para o gasto público e para a gestão
da Previdência. Na sexta-feira passada, Mantega revelou que o governo anunciará
junto com o pacote o impacto das medidas nas contas públicas.
Passos destacou que os projetos do setor de transportes incluídos no pacote
serão responsáveis pelo aumento da capacidade de escoamento da produção do
país. Serão definidos como prioritários o asfaltamento e a recuperação das rodovias federais BR-101
Nordeste, BR-101 Sul, BR-158, BR-163 e a Transamazônica (BR-230).
O governo poderá enfrentar dificuldades para executar os projetos listados no
pacote. Apesar da aposta de Lula nas PPPs desde o início do governo, nenhuma
parceria saiu do papel. A iniciativa privada também acha que as parcerias são
essenciais para o desenvolvimento da infra-estrutura do país. E aguarda ansiosa
a licitação, que ocorrerá apenas no ano que vem.
O Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão ainda prepara o edital da
primeira PPP. Trata-se da recuperação e ampliação dos trechos das rodovias BR-116 e BR-324 que
ligam Salvador à Feira de Santana, na Bahia.
NACIONAL
19/12/2006
Governo ainda não sabe de onde sairá dinheiro para a
infra-estrutura
Brasília,
19 de Dezembro de 2006 - Na iminência de anunciar o conjunto de medidas que,
segundo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, será responsável por
"destravar o Brasil", o governo ainda não sabe de onde tirar o dinheiro
necessário para executar as obras de infra-estrutura que serão incluídas no
pacote. Segundo o ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, serão necessários
investimentos de quase R$ 12 bilhões por ano, até 2010, para tirar do papel
tais projetos prioritários.
Parte dos recursos, disse o ministro, virão do Orçamento da União. O governo
conta também com as Parcerias Público-Privadas (PPP) e tentará fazer com que
alguns bancos públicos, como a Caixa Econômica Federal (CEF) e o Banco Nacional
de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), aumentem o volume de
financiamentos destinados ao setor. Não foi fechada, entretanto, uma fórmula
que garanta o investimento anual de R$ 12 bilhões durante o segundo mandato de
Lula.
Segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega, o plano a ser anunciado na
quinta-feira conterá um conjunto de ações na área de infra-estrutura, medidas
de desoneração tributária, normas para o gasto público e para a gestão da
Previdência. Na sexta-feira passada, Mantega revelou que o governo anunciará
junto com o pacote o impacto das medidas nas contas públicas.
Passos destacou que os projetos do setor de transportes incluídos no pacote
serão responsáveis pelo aumento da capacidade de escoamento da produ-ção do
País. Serão definidos como prioritários o asfaltamento e a recuperação das rodovias federais BR-101
Nordeste, BR-101 Sul, BR-158, BR-163 e a Transamazônica (BR-230).
O governo poderá enfrentar dificuldades para executar os projetos listados no
pacote. Apesar da aposta de Lula nas PPPs desde o início do governo, nenhuma
parceria saiu do papel. A iniciativa privada também acha que as parcerias são
essenciais para o desenvolvimento da infra-estrutura do País. E aguarda ansiosa
a licitação, que ocorrerá apenas no ano que vem. O primeiro edital da primeira
PPP está para ser lançado.
(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 9)(Fernando Exman)
TRANSPORTE E LOGÍSTICA
19/12/2006
Finalmente as eclusas?
19
de Dezembro de 2006 - A Companhia Vale do Rio Doce acaba de adicionar um novo recorde
à sua coleção: produziu 7,8 milhões de toneladas de minério de ferro em
Carajás, no mês passado. Se o desempenho for mantido, a empresa, que neste ano
chegará ao nível de 85 milhões de toneladas, ultrapassará essa façanha no
próximo ano, alcançando 100 milhões de toneladas. O Pará consolidará sua
posição do Estado que mais exporta minério de ferro em todo mundo.
Essa é uma realização da engenharia brasileira, especialmente dos engenheiros
da Vale, que merece ser comemorada. Mas que também exige medidas de política
pública para dar efeito multiplicador a essa conquista, conforme prevê o item 5
do Termo de Referência preparado para a reunião do último dia cinco do Conselho
de Desenvolvimento Econômico e Social. Ele destaca a necessidade de
contrapartidas sociais para o investimento em infra-estrutura. Uma de suas
preocupações é "fortalecer e criar mecanismos em instituições públicas
diversas, para garantir a participação dos trabalhadores, usuários e sociedade
civil no planejamento e gestão da infra-estrutura".
A ferrovia de Carajás foi concebida para suportar 20 milhões de toneladas. Em
2007 dará vazão a um volume de carga cinco vezes maior, tornando-se uma das
três mais importantes vias de escoamento de riquezas do País. É inevitável o
ponto de saturação e estrangulamento. É preciso, encontrar alternativas para
que esse fluxo se mantenha e se possa expandir. A alternativa já existe: é o
rio Tocantins. Para que ele possa adicionar mais 30 milhões de toneladas basta
concluir o sistema de transposição da barragem de Tucuruí, investimento que
pode ficar abaixo de R$ 500 milhões. Como se trata de um modal mais barato e de
maior amplitude, ele se encaixa num dos enunciados estratégicos do novo mandato
do atual governo, elaborado pelo ministro do CDES Tarso Genro: "O desenvolvimento
como processo de concertação".
Chamo, a atenção para o gargalo que se anuncia em Carajás, com o fabuloso
incremento na produção de suas minas, na maior província mineral do planeta,
liberando a poderosa alternativa que se constitui a hidrovia do Tocantins com a
construção das eclusas. Seu efeito social será acentuado através da
constituição de uma empresa popular, de economia mista, formada pela subscrição
da sociedade, em conjunto com a participação decisiva da nova administração do
Estado e da iniciativa privada, especialmente as mineradoras, para a imediata
execução da obra e, mediante concessão federal, fará a exploração comercial da
transposição do rio. Seria a oportunidade dos grandes projetos, mais uma vez,
participarem de maneira efetiva ao desenvolvimento do estado e da região.
Tenho certeza que, no final do próximo ano, quando Carajás chegar à marca de
100 milhões de toneladas de minério de ferro, estaremos começando a abrir a
maior hidrovia do Brasil,
inicialmente com 600 quilômetros, entre o estuário do Pará e Marabá, onde fará
conexão com a ferrovia de Carajás, formando um multimodal de transporte com
esplêndidos efeitos sociais. No futuro, com 2.500 quilômetros, beneficiando 12%
do território nacional e promovendo o desenvolvimento de uma estratégica área
do centro do Brasil, em conexão com o litoral norte no rumo do mercado
internacional. Uma tarefa para já, e para o futuro.
Conselheiro do CDES
kicker: A ferrovia de Carajás foi feita para 20 milhões de toneladas. Em 2007
dará vazão a um volume de carga cinco vezes maior
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 3)(Lutfala Bitar)
BRASIL
19/12/2006
74 mortes só em um fim de semana
PERIGO
NAS ESTRADAS
Com
a chegada do período de férias, aumenta o perigo nas rodovias brasileiras. No primeiro
fim de semana da Operação Verão, foram registrados 1.220 acidentes, com 865
feridos e 74 mortes nas estradas federais. Em relação à semana anterior, houve
crescimento de 32,14% no número de mortes (56), de 2,09% no total de acidentes
(1.195) e ligeira queda de 0,23% no total de feridos (867). Nos dois casos,
foram computadas as ocorrências de sexta, sábado e domingo. Minas Gerais registrou
o maior número de mortes, com 18 vítimas fatais, seguido por São Paulo, Santa
Catarina e Maranhão, com seis, e Rio de Janeiro e Bahia, com cinco cada. A
Operação Verão prossegue até 4 de março de 2007. Na última operação, realizada
entre 16/12/2005 e 5/3/2006, foram registrados 25.135 acidentes, com 1.386
mortes e 15.391 feridos. No mesmo período, foram fiscalizados 1.713.813 veículos,
dos quais 330.092 foram autuados e 23.693 retidos.
EDITORIAL
19/12/2006
Estradas fatais
Férias,
Natal e réveillon sempre acendem a luz amarela no trânsito. Por serem períodos
em que os brasileiros se deslocam mais, a ocorrência de acidentes no asfalto
torna-se mais freqüente. A realidade de 2006 acrescentou um agravante à
dramática situação. Com o risco de atrasos, cancelamentos e os demais
desconfortos que se tornaram rotina, passageiros tradicionais fugiram dos
aeroportos. Pretendem voltar ao passado — quando os aviões eram privilégio de
poucos — e vencer a distância de carro.
É preocupante. Estudo do Ipea revela que desastres automobilísticos matam no
Brasil 30 mil pessoas por ano. A cada óbito corresponde a média de três vítimas
com seqüelas graves. São pessoas que demandam remoção, atendimento hospitalar,
fisioterapia, uso de drogas. Alguns têm queda significativa na produtividade. Outros
ficam definitivamente incapacitados para o trabalho.
O custo da tragédia nas estradas equivale a 1,2% do Produto Interno Bruto
(PIB). Nada menos que R$ 22 bilhões vão pelo ralo em desastres evitáveis.
Apesar de termos uma das legislações mais avançadas do mundo, é o motorista que
responde pela barbárie que tinge de sangue férias e festas. Desobediência ao
limite de velocidade, desrespeito aos sinais de trânsito, falta de manutenção
do veículo, carência de policiamento, álcool, droga — tudo contribui para
tornar as quatro rodas um dos meios de transporte mais arriscados do país.
Intensificar as campanhas educativas constitui imperativo do qual não se pode
descuidar. Mas, embora indispensáveis, os alertas por meio de rádios, tevês e
jornais não se têm mostrado suficientes. A escalada de infortúnios, que coloca
o ir e vir verde-amarelo como um dos mais violentos do mundo, serve de prova.
Algo mais precisa ser feito. Ninguém duvida de que o policiamento ostensivo
ajuda na contenção dos imprudentes. E a ele se deve recorrer para prevenir previsíveis
infortúnios e aliviar o peso da trágica estatística.
Mas o meio mais eficaz é a inteligência. Aparelhos capazes de monitorar as estradas e evitar desastres
constitui receita sem contra-indicações. Claro que aviá-la requer alto
investimento. Considerada, porém, a conta anual paga pelo contribuinte para
enterrar os mortos e assistir os acidentados, a inversão vale a pena.
Sabendo-se fiscalizado, o motorista que abusa do álcool, excede a velocidade ou
acredita ser credor da sorte, pensará duas vezes antes de dar partida no carro
e pisar o acelerador. A certeza da punição fala mais alto que o risco de matar
ou morrer.
CIDADES
19/12/2006
Duplicação da BR 304 fica pronta em janeiro
Em
muitos trechos até Macaíba os veículos já trafegam pelas duas pistas, mas em
frente à Marinha nem a terraplenagem foi concluída
Marco
Polo/DN
A conclusão da obra de duplicação da BR 304, em um trecho de 3,5km da rodovia
que liga Parnamirim a Macaíba, depende apenas de um recuo de poucos metros do
muro da Estação Guarapes Radiogoniométrica da Marinha. Iniciada em dezembro do
ano 2000, a duplicação da rodovia já consumiu R$ 26 milhões dos cofres do
Governo Federal. A nova previsão do Departamento Nacional de Infra-Estrutura dos
Transportes (DNIT) para inauguração da obra é janeiro de 2007.
O coordenador do DNIT no estado, Narcélio Marques, afirmou que nesses seis anos de obra,
uma série de ‘‘percalços’’ atrapalhou o andamento da duplicação. ‘‘Foram vários
problemas, como a falta de recursos da União, depois períodos chuvosos também
impossibilitaram o trabalho. Mas os maiores percalços se deram nas desapropriações,
que precisaram ser resolvidas praticamente todas na justiça, como também a
interferência das concessionárias de serviço público que demoraram para retirar
postes e tubulações’’, explicou Marques.
Resolvidos estes problemas, agora é o recuo do muro da Estação Guarapes da
Marinha, situada em um terreno de 4.925 metros quadrados, que impede a
conclusão da obra de duplicação. ‘‘Para fazer a desafetação do terreno a única
exigência da Marinha é que nós (DNIT) arcássemos com todos os custos do recuo do
muro e do deslocamento de algumas antenas. Acredito que até janeiro do próximo
ano isso será resolvido e a duplicação BR-304 poderá ser inaugurada’’, reforça
o coordenador.
Quando foi iniciada em dezembro do ano 2000, a duplicação de 3,5km da BR-304
entre Parnamirim e Macaíba, deveria ficar pronta em 24 meses. Seis anos se
passaram e cerca de R$ 26 milhões do governo federal foram gastos. Até a
conclusão da obra, o DNIT espera gastar mais R$ 2 milhões. Além do recuo no muro da
Estação Guarapes, o alargamento da ponte do Rio Pitimbu ainda não foi
concluído, como também a sinalização permanente da pista ainda falta ser
instalada.
EDITORIAIS
19/12/2006
O preço da irresponsabilidade
O
Verão começa nesta quinta-feira, mas a temporada de praias em Santa Catarina
foi antecipada pelo calor dos últimos dias, que ofereceram uma antevisão
preocupante dos riscos multiplicados nas estradas durante os próximos três meses de sol
e mar no Estado. Neste período, segundo o Departamento Nacional de
Infra-Estrutura de Transportes (Dnit), o fluxo de veículos nas rodovias federais que cortam o
Estado aumenta de 18 mil veículos para 35 mil por dia. A temporada 2005/2006
deixou um saldo de 137 mortes em acidentes nas BRs de Santa Catarina. Todos os
números que dizem respeito ao trânsito e ao sistema viário no país são
assustadores, e sinalizam, ao mesmo tempo, para dois fatores que são causa de
vergonha nacional, quando se estabelecem comparações com o que ocorre em outras
paragens do planeta. Noventa e quatro por cento dos acidentes de trânsito no
país têm como causa a imprudência e a irresponsabilidade dos motoristas. O
abuso de velocidade e as ultrapassagens em locais proibidos são as
manifestações mais comuns desta "patologia" típica dos que mantêm com
o carro uma relação "jeca", pois nele vêem não um simples meio de
transporte, mas um símbolo de status e poder para compensar sabe-se lá quais
frustrações. Estas duas infrações respondem por cerca de 80% dos desastres com
mortes, segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF). Recentemente, dispararam as
estatísticas referentes a acidentes causados por motoristas bêbados ao volante.
Mas a relação doentia com o carro e o desrespeito geral e irrestrito às leis e
aos procedimentos civilizados no trânsito não se limita a Santa Catarina,
estado que, apesar de ocupar tão-só 1,1% do território nacional, figura em
segundo lugar no ranking dos acidentes com mortes no país.
No Brasil, ainda morrem cerca de 30 mil pessoas (a maioria jovens na faixa
entre os 18 e os 24 anos) por ano em acidentes automobilísticos registrados nas
estradas e nas vias urbanas,
algo comparável ao total de baixas das forças norte-americanas durante os 10
anos da Guerra do Vietnã. Para cada morte no asfalto, quatro vítimas sobrevivem
com seqüelas graves que as atormentarão para o resto de suas vidas. Esta é uma
tragédia humana pungente. Além do custo humano, há também o custo financeiro e
patrimonial decorrente.
Estudo que acaba de ser divulgado pelo Instituto de Pesquisas Econômicas e
Administrativas (Ipea), organismo público federal, calcula em R$ 22 bilhões por
ano o custo com acidentes nas estradas (não incluídos os registrados em vias
urbanas), o que equivale a 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB). O custo médio
de um acidente em rodovia do país é de R$ 59 mil. Se todos saem ilesos, fica em
R$ 17 mil. Quando há mortes, dispara para R$ 418 mil. No dia em que motoristas
irresponsáveis forem parar na cadeia, e obrigados a ressarcir os danos
causados, talvez estes números apavorantes comecem a diminuir. Até lá, reinará
impoluta a ignorância consentida e desejada de que nos falou um dia Santo
Agostinho.