TRANSPORTE E
LOGÍSTICA
21/08/2006
Entidades levam
proposta a candidatos
São Paulo, 21 de
Agosto de 2006 - Dez associações do setor de transporte e logística mostram
diagnóstico do setor aos presidenciáveis. Os candidatos a presidente da República
vão receber, nesta quinta-feira, na 1° Conferência Nacional de Infra-estrutura
Logística, um conjunto de propostas para o setor de transportes e logística elaborado por dez
entidades do ramo.São Paulo, 21 de Agosto de 2006 - Dez associações do setor de
transporte e logística mostram diagnóstico do setor aos presidenciáveis. Por
questões de agenda, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não vai
comparecer, segundo a assessoria do evento.
São Paulo, 21 de Agosto de 2006 - Dez associações do setor de transporte e
logística mostram diagnóstico do setor aos presidenciáveis. Os candidatos a
presidente da República vão receber, nesta quinta-feira, na 1° Conferência
Nacional de Infra-estrutura Logística, um conjunto de propostas para o setor de
transportes e logística elaborado por dez
entidades do ramo.
Por enquanto, apenas o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) confirmou presença.
Por questões de agenda, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não vai
comparecer, segundo a assessoria do evento. Heloísa Helena (PSOL) e Cristovam
Buarque (PDT) também foram convidados, mas ainda não responderam.
O documento, que será entregue a todos os presidenciáveis, sugere a
substituição do Ministério
dos Transportes por um
Ministério de Infra-Estrutura Logística, que seria comandado por um técnico da
"cota pessoal do presidente" e mantido longe da politicagem. (Gazeta
Mercantil/Caderno C - Pág. 4)(Paulo de Araujo)
CIDADES
21/08/2006
Flagrantes de
irresponsabilidade
Duplicação da BR
060 será concluída até o final de setembro. Nos trechos em que a estrada já
está duplicada, motoristas continuam imprudentes. Já a BR-070 segue caótica
perto de Águas Lindas
Adriana
Bernardes
Da equipe do Correio
A duplicação da BR-060, entre o viaduto de Santo Antônio do Descoberto e o KM
18, já em Goiás, será concluída em 40 dias. A garantia é de Riumar dos Santos,
superintendente regional do Departamento
Nacional de Infra-Estrutura de Transportes em Goiás e no Distrito Federal.
Do viaduto até a divisa com Goiás — um dos trechos com alto índice de
desastres—, a previsão é de que a pista recém-construída seja liberada nos
próximos 10 dias. “O trânsito será transferido para a parte nova e começaremos
imediatamente a restauração da antiga. Acreditamos que até 30 de setembro a
rodovia estará totalmente liberada”, afirmou Riumar.
A equipe do Correio Braziliense percorreu a BR-060 até Anápolis e constatou que
a duplicação está praticamente terminada. O trecho que ficou conhecido como
Sete Curvas está desativado e, desde o início deste mês os motoristas trafegam
pelo novo traçado. Além da duplicação, tem acostamento de um lado e uma faixa
de recuo do outro—para o caso e algum imprevisto durante a passagem — e guard
rail, aquela proteção de aço nas curvas.
Nesta região o único ponto perigoso é no primeiro quilômetro, bem na divisa com
Goiás, onde o asfalto está ruim e mal sinalizado. Logo após a ponte sobre o
Ribeirão das Lages, sentido Anápolis, a viagem pode ficar um pouco tensa devido
à grande quantidade de desvios, alguns a poucos metros de distância entre um e
outro.
Apesar da sinalização com cones, tambores e placas refletivas, quem trafega
pela região reclama. “Eles colocam o aviso em cima do desvio. É preciso ter
cuidado para não errar”, alertou o caminhoneiro José de Oliveira, 36 anos. “A
BR-060 já foi pior. Graças a Deus nunca me acidentei aqui, mas já vi muita
coisa feia. Com a duplicação os riscos serão menores. Mas ainda está complicado”,
completou Helder Costa Veloso, 42.
Duplicada ou não, a velocidade e a imprudência andam juntas pela 060.
Ultrapassagem em local proibido acontecem a todo momento. Entre os flagrantes
da reportagem, um caminhão e um carro de passeio ultrapassaram outro caminhão
em faixa contínua. O veículo que vinha em sentido contrário deu sinal de luz,
mas teve de jogar para o acostamento para evitar a batida. Chegando em
Anapólis, é preciso paciência. Apesar de a maior parte da rodovia ser
duplicada, nos pontos de pista simples o trânsito é lento devido ao grande
número de caminhões e carretas. “Até o fim deste ano concluiremos a duplicação
da 060 de Brasília a Goiânia”, assegurou o diretor do Dnit.
Caos na BR 070
Se os problemas de engenharia da 060 estão praticamente resolvidos, na BR-070
os planos de melhoria só existem no papel. “Aquilo é um Deus nos acuda. Ali
acontece todo tipo de acidente: colisões frontais, laterais, atropelamentos e
saídas de pista. Nem nós temos segurança para trabalhar direito”. O desabafo é
do inspetor Luciano Moreira Rodrigues, responsável pela área operacional do
posto da Polícia Rodoviária Federal na BR-060 e BR-070.
A pista é simples, o tráfego de caminhões, carros, motos e bicicletas, intenso.
A rodovia divide Águas Lindas ao meio. A única opção dos pedestres é disputar
um lugar entre os carros para atravessar de um lado para o outro. A via não tem
faixa de recuo e nem acesso para a cidade. É comum flagrar carros e caminhões
em manobras arriscadas. Para piorar, a sinalização é antiga e está apagada.
Apesar dos riscos, os motoristas trafegam em alta velocidade. Só tiram o pé do
acelerador próximo às barreiras eletrônicas. Mas, logo depois, aceleram
novamente.
Comerciante de peixe à beira da rodovia, Raimundo Nonato da Silva, 62 anos,
lamenta cada morte que viu. “Dia desses morreu uma senhora de 60 e poucos anos.
O carro passou por cima quando ela atravessava a pista. Restou ‘um bolo’ de
gente jogado no asfalto”, relembra. Raimundo acredita que a duplicação e a
construção de passarelas poderá salvar vidas. “Se bem que o povo às vezes morre
embaixo da passarela, porque fica com preguiça de dar a volta. Mas vai ter
gente que vai usar”, ressalta.
O superintendente regional do Dnit, Riumar
dos Santos informou que a obra de duplicação até o Córrego dos Macacos já foi
licitada e deve custar R$ 38 milhões. “Estamos aguardando a liberação dos
recursos, o que deve acontecer ainda este semestre”.
Relatos de dor
Antes e depois de um acidente de trânsito. É assim que parentes de vítimas
fatais passam a encarar a vida. A morte repentina desperta em quem fica um
turbilhão de sentimentos. A saudade, a revolta, a culpa e o “se”, repetido no
início de cada frase como se tivesse o poder de voltar o tempo e apagar a
tragédia. Esses são sentimentos que ligam duas famílias, uma de Brasília e
outra de Abadiânia (GO). Eles nunca se viram, mas sem saber, compartilham a
mesma dor.
Maria de Lourdes Gomes Dias, 34 anos, costureira. Moradora de Abadiânia (GO),
distante 120 km de Brasília, viúva, mãe de três filhas. O marido dela,
Francisco Pereira Dias, o Chico Barbeiro, morreu em 16 de dezembro de 1999.
Bateu de frente com uma carreta no km 91 da BR-060.
“Era 16 de dezembro de 1999. Chovia uma chuva fina. Ele (o marido, Francisco
Pereira Dias) parou num bar. Queria que eu levasse o carro, um Fusca, mas eu
não quis porque apagava no meio da rua. Fui para casa a pé com a minha caçula.
Foi ficando tarde e ele não voltava. Saímos (ela e a filha) para procurar e não
o encontramos. Quando deu 22h, um homem bateu à minha porta e disse: ‘O seu
marido acaba de morrer’. Gritei que era mentira, perguntei se ele não tinha
vergonha de ir à minha casa dizer uma história dessas. Ele repetiu: ‘Não é
mentira, o seu marido acaba de morrer’”. Maria de Lourdes aperta fortemente uma
mão contra a outra. Os olhos enchem-se de lágrimas, o queixo treme segurando o
choro. Ela respira e continua. “Ele estava alcoolizado. O laudo da polícia
apontou que ele fazia ziguezague na rodovia e bateu de frente com uma carreta,
em frente ao restaurante Sabor Goiano (km 91). Morreram ele e um amigo. Minha
vida virou de cabeça para baixo. Não tive estrutura para cuidar das minhas
filhas. As duas mais novas foram morar com a família do meu marido. Entrei em
depressão. Passava mais tempo no hospital do que em casa. Foi assim durante um
ano. Depois comecei a costurar e a fazer crochê para vender. Consegui reunir
novamente minha família. Já se passaram sete anos e ainda não consegui me
levantar completamente. Este ano, no meu aniversário, visitei o túmulo dele.
Senti um grande vazio. Parece que estou sozinha, desamparada. Senti culpa por
não ter tido estrutura para cuidar das meninas como ele cuidaria. A morte não
põe fim ao sentimento da gente. Ele permanece, mesmo que a pessoa não exista
mais.”
Maria Salete, 62, anos, dona-de-casa e Itagiba Agostinho Soares, 64,
aposentado. O casal mora em Águas Claras. Há três anos sofreram um acidente no
Km 7,9 da BR-060, no trecho conhecido como Sete Curvas. A filha do casal,
Adriana Moraes Viana, então com 33 anos, morreu minutos depois. A família que
morava no Guará, mudou-se de endereço para tentar fugir das lembranças.
“Estávamos vindo de Goiânia onde fizemos compras. Ela (Adriana) sempre foi
muito falante…e como ela falou naquele dia...99Ela estava numa dúvida muito
grande porque havia ganhado uma bolsa para fazer doutorado nos Estados Unidos.
Não sabia se iria e deixaria a filhinha e o marido no Brasil. Nessa viagem, ela
olhou para mim e disse: ‘Mãe, eu já tomei a minha decisão. Não vou deixar minha
família sozinha aqui. Farei esse doutorado no Brasil mesmo’. Mas aconteceu o
pior e ela nos deixou para sempre”, diz Maria Salete com o olhar fixo no chão.
Quem rompe o silêncio é o pai de Adriana. “A pista estava molhada e eu dirigia
devagar. Estávamos nas Sete Curvas. Só se fosse um louco para correr num lugar
daqueles. De repente o carro começou a puxar para a esquerda. Eu procurei
esterçar, esterçar, mas … o carro atravessou a pista e, como não tinha a barra
de proteção (guard rail), caímos de uma altura de quatro metros”. O silêncio
invade a sala. “Acordei presa às ferragens com a Adriana gritando ‘mãe eu vou
morrer, mãe eu vou morrer’. Olhei para ela e não vi nenhum machucado. Eu
repetia ‘filha, pelo amor de Deus, não fala isso’. Os médicos fizeram tudo. Mas
os órgãos internos foram esmagados… eu fico pensando: porque Deus não me levou?
Sempre quem está na frente se machuca mais, porque minha filha”. Enquanto Maria
Salete enxuga as lágrimas, Itagiba desabafa. “Se tivesse uma proteção de aço, minha
filha estaria viva. Se, se, se…tudo é se. Se governo não tem competência para
administrar uma rodovia, que entregue para terceiros”, indigna-se Itagiba. “Os
políticos não tomam providência porque só andam de avião. Mas se Deus os livre
e guarde, não é que eu deseje nada de mal, no dia em eles passarem pelo que nós
estamos passando, talvez tomem providência”.
Palavra de especialista
“Acidente zero é algo que não vemos em lugar nenhum do mundo. Melhorar a
infra-estrutura viária é um caminho para reduzir os índices das tragédias. O
novo traçado das Sete Curvas vai contribuir para isso. As curvas são mais
abertas e o motorista tem mais visibilidade. A pista é uma beleza, um tapete e
quem dirige tende a correr mais. Com a velocidade maior, o tempo de reação
diante de um imprevisto é mais baixo. Por isso as Sete Curvas vão continuar
matando se o motorista for imprudente.
Portanto, fica claro que é necessário investir também no ser humano. Como?
Educação para o trânsito na escola e cidadania no dia-a-dia. Precisamos pensar
sobre como o artista de novela se mostra na TV ou nos filmes de hollywood. Como
os galãs estão aparecendo? Correndo, sem cinto de segurança?
A conscientização da população é demorada e depende de uma série de ações do
governo. Melhorar a infra-estrutura viária é ótimo. No entanto, pista boa pode
levar ao abuso da velocidade. Não quero dizer com isso que devemos cavar
buracos nas rodovias. Mas não podemos esquecer da
fiscalização permanente, inclusive com multa. Quando o motorista sabe que é
fiscalizado, comporta-se de maneira diferente.”
Paulo César Marques da Silva, professor de engenharia de tráfego da
Universidade de Brasília
CIDADES
21/08/2006
Caminhos de sangue
Levantamento
exclusivo do Correio revela mapa da morte nas estradas que cortam o DF e mostra
que o total de acidentes com vítimas fatais quase dobrou em menos de um ano
Adriana
Bernardes
Da equipe do Correio
As rodovias do Distrito Federal estão mais
violentas. Apesar de ligeira queda na quantidade de acidentes nos primeiros
sete meses do ano, de 1.441 para 1.377, o número de desastres com mortes
praticamente dobrou em relação ao mesmo período do ano passado. Foram 31 em
2005 e 57 esse ano. As vilãs são a BR-060, caminho para Goiânia, e a BR-070,
que passa por Águas Lindas (GO). Elas estão entre as que mais matam no DF.
Os agentes de polícia não costumam fazer o levantamento da quantidade de
tragédias por estradas ou por áreas consideradas críticas.
Mas a pedido do Correio Braziliense, os responsáveis pelo policiamento da
BR-060 no DF e em Goiás pesquisaram os boletins de ocorrências. De janeiro a
julho, foram 317 acidentes e 20 mortes apenas no trecho que liga Brasília e
Anápolis (GO). Na maioria dos casos a polícia aponta a imprudência e a falta de
atenção dos motoristas como principais causas das tragédias.
Com base nas informações da Polícia Rodoviária Federal, o Correio mapeou os
pontos considerados críticos. O resultado é revelador. A morte tem novos
endereços. O trecho conhecido como Sete Curvas, por exemplo, já não mata tanto.
Agora, a maioria dos acidentes no Distrito Federal é registrada próximo à
comunidade de Engenho das Lages, no KM 28. Já em Goiás, eles são registrados em
maior quantidade perto da ponte sobre o Rio Corumbá, na altura do KM 14. Outro
trecho considerado crítico fica perto de Anápolis.
Os números dos desastres refletem o dia-a-dia dos motoristas. Foi justamente
perto do rio Corumbá que Daniel Santiago Brandão, 30 anos, quase encontrou a
morte. A carreta dirigida por ele tombou por volta das 23h de terça-feira. Ele
não se feriu, mas o veículo ficou completamente destruído. Por sorte, a carga
de 1,5 mil caixas de óleo não se espalhou pela pista. “O asfalto está irregular.
A carreta balançou e eu não consegui segurar”, relatou.
Mas nem sempre os acidentes estão relacionados com as condições das estradas. Apesar de a duplicação não estar
concluída no KM 28 (DF) e no KM 14 (em Goiás), o asfalto não tem buraco e a
sinalização é boa. Perto do povoado Engenho das Lages, do lado goiano da divisa
com o Distrito Federal, existe uma curva no traçado e o condutor, impaciente,
ultrapassa em faixa contínua. “Por este motivo há muitas colisões frontais. É
comum registrarmos acidente grave nesta região, especialmente nos fins de
semana, quando aumenta o fluxo de veículos”, explicou o inspetor Luciano
Moreira Rodrigues, responsável pela área operacional do posto da Polícia Rodoviária
Federal da BR-060, no trecho entre Brasília e Alexânia (GO).
No último domingo três pessoas morreram, entre elas uma menina de 11 anos, numa
batida entre um Fiat Uno e uma Picape Montana. Investigação preliminar da
Polícia Rodoviária Federal aponta que o motorista do Fiat fazia uma
ultrapassagem quando bateu de frente na Picape. O laudo com as causas do
acidente deve ficar pronto esta semana.
Nas proximidades do Rio Corumbá, uma descida acentuada é o perigoso convite à
alta velocidade. Lá o limite varia entre 60KM/h e 80KM/h. Mas freqüentemente os
motoristas são flagrados pela PRF a até 150km/h. “Eles aproveitam a reta para
correr. Por isso são comuns as saídas de pista seguidas ou não de capotagem”,
destacou o inspetor Luciano. Para ele a duplicação da pista é a solução para os
problemas de engenharia de tráfego, mas não para a redução de acidentes e
mortes.
“A experiência mostra que após a duplicação temos uma redução de até 80% das
colisões frontais. Em compensação o número de capotagens aumenta em até 200% em
alguns trechos”, revela. “É preciso educar o motorista. Ele não está acostumado
a dirigir em rodovias de boa qualidade e, por isso,
quando entra em uma, ele corre além do permitido colocando a própria segurança
e a dos outros em risco”.
O motorista não está acostumado a dirigir em rodovias de boa
qualidade e, por isso, quando entra em uma, ele corre além do permitido
colocando a própria segurança e a dos outros em risco
INFORME JB
21/08/2006
De carona 1
O ministro das
Telecomunicações, Hélio Costa, estará hoje em Minas Gerais vistoriando obras.
Com um detalhe: as visitas não tem nada a ver com a área de atuação do ministro.
De carona 2
A o lado do ministro dos
Transportes, Paulo Sérgio Passos, Costa vai participar de vistoria
de estradas em Ipatinga e de sonelidade de
entrega de obras na BR-040.
OPINIÃO
21/08/2006
Hidrovias,
potencial inexplorado
João Caramez
São Paulo e o Brasil têm imensos recursos hídricos para o transporte de cargas
e de passageiros, com potencial econômico pouco explorado. A cada estado, com a
contribuição de técnicos, universidades e instituições voltadas para o setor,
além do apoio da Agência Nacional dos Transportes Aquaviários (Antaq), caberá a iniciativa de propor soluções
práticas. Com essa finalidade, foi lançada no dia 9 de maio passado, na
Assembléia Legislativa de São Paulo, a Frente Parlamentar das Hidrovias.
As primeiras iniciativas de incentivo às hidrovias em São
Paulo foram tomadas na década de 80, durante o governo Franco Montoro, que deu
início às obras que tornariam realidade o sonho de fazer do Tietê um rio
navegável. Em 1981, havia apenas 300 quilômetros de rotas navegáveis, destinadas
ao transporte de cana-de-açúcar, material de construção e calcário. Hoje, o
trecho paulista da hidrovia Tietê-Paraná já atinge mais de 800
quilômetros do total de 2.400 quilômetros.
É um avanço, mas é muito pouco diante do potencial a ser explorado. E as
propostas da Frente são uma alternativa para desafogar os demais sistemas de
transporte, evitando aumento de índices de congestionamentos, acidentes, custos
operacionais e impactos ambientais. A diversificação das matrizes de
transporte, com alternativas para reduzir custos e aumentar a competitividade,
foi adotada com enorme sucesso em países da União Européia, China e, em
especial, nos Estados Unidos.
No Brasil, que têm 50 mil quilômetros de estradas federais
e 1,2 milhão de caminhões, as hidrovias parecem
não fazer parte das prioridades. A própria Antaq
(http://www.antaq.gov.br) não faz menção explícita ao assunto na primeira
página do seu site na Internet. De acordo com o Dnit (Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes), operam no país cerca de 391 empresas
de transporte nos aproximadamente 10 mil quilômetros de hidrovias em operação, transportando 45 milhões
de toneladas de cargas por ano. O potencial hidroviário é de 28 mil quilômetros
e permitiria, se explorado, o transporte de 120 milhões de toneladas por ano.
Para o governo federal, as prioridades do momento parecem estar concentradas
nos rios da Amazônia, na construção de 27 novos terminais hidroviários, na
melhoria dos que estão operando e na construção de eclusas em Tucuruí (PA) e
Lajeado (TO).
A hidrovia Tietê-Paraná transporta atualmente
4 milhões de toneladas por ano, o que corresponde a apenas 20% de sua
capacidade, de 20 milhões de toneladas. Neste ano, os investimentos na hidrovia somam R$ 7,6 milhões, em obras de
infra-estrutura como proteção de pilares, ampliação de vãos das pontes das rodovias que passam sobre a hidrovia e aumento do calado (profundidade),
de 2,9 metros para 3 metros.
A Frente Parlamentar inicia seus trabalhos com algumas bandeiras, como
estimular a conclusão das obras de ampliação da calha do Tietê e o programa de
obras de controle da poluição na capital paulista, abrindo a perspectiva da
utilização do trecho metropolitano da hidrovia
Tietê-Paraná para o transporte de cargas e passageiros. Você já pensou que um
dia poderá ir de barco de São Paulo ao Rio Paraná? Outra frente é o uso, como
vias navegáveis, dos reservatórios Billings e Guarapiranga, dos rios Ribeira de
Iguape, Paranapanema, Paraíba do Sul e Rio Grande.
Os trabalhos da Frente, que já marcou um encontro para o dia 6 de junho, se
baseiam em quatro diretrizes: incentivo à atividade hidroviária (em especial
por meio de revisão da legislação, racionalização tributária, criação de fundos
e linhas de financiamento); apoio à organização institucional (reestruturação
do órgão gestor e adoção de mecanismos de resolução de conflitos); apoio ao
fortalecimento orçamentário (eliminação de restrições operacionais, aumento da
segurança e calado); e incentivo ao aproveitamento múltiplo (exploração do
turismo).
O desafio está lançado e a Frente Parlamentar das Hidrovias espera o apoio de
todos os paulistas para este novo esforço de desenvolvimento do estado.
João Caramez é deputado estadual pelo PSDB paulista.
POLÍTICA
21/08/2006
Inaugurações em
BRs mineiras
A recomendação
do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que, em tempos de campanha eleitoral
seus ministros mantenham a agenda de viagens e destaquem, nos estados, as realizações
do governo federal, continua sendo seguida à risca. Hoje, os titulares de duas
pastas estarão em Minas para uma série de inaugurações. Os ministros Paulo Sérgio Passos, dos Transportes, e Hélio Costa
(foto), das Comunicações entregam, às 10h, na BR-381, entre Contagem e Betim, o
viaduto sobre o Trevo da Krupp, que ligará a rodovia à Via Expressa. Às 12h30,
vistoriarão as obras de restauração das BRs 458 e 351, na travessia de Ipatinga
e no contorno de Coronel Fabriciano. O último compromisso é a entrega da recuperação
da BR-040 entre Barbacena e Oliveira Fortes.
ECONOMIA
21/08/2006
Investidor sem
estímulo
Quando o assunto
é infra-estrutura, o Brasil está atrasado mesmo em relação a outros países emergentes.
Segundo dados da Confederação Nacional de Transportes (CNT), a malha
ferroviária nacional abriga só 28 mil quilômetros. A China, potência mundial emergente,
tem 70 mil quilômetros de ferrovias. Nos Estados Unidos, esse número é
de 307 mil.
Outro exemplo: a rede de distribuição de gás natural no Brasil é formada por 8
mil quilômetros de gasodutos. Na vizinha Argentina, são 100 mil quilômetros.
Mais: ainda segundo a CNT, cerca de 75% das rodovias
brasileiras são deficientes e provocam redução média de 40% na velocidade dos
caminhões. Os 10 melhores trechos rodoviários do país estão em São Paulo, sob
controle privado.
Essa, por sinal, é uma questão que intriga especialistas. No governo Lula, a
privatização da infra-estrutura foi “ideologizada” sob a ótica da esquerda – ou
seja, privatizar não é bom para o país. “A questão da infra-estrutura não pode
ser ideologizada. O governo Lula atacou as agências reguladoras e destruiu os
marcos regulatórios, afastando a iniciativa privada”, diz Adriano Pires, do
Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE). “Para investir em infra-estrutura,
o dono do dinheiro tem que acreditar no país”, completa.
A questão energética é um exemplo. O governo nega de pés juntos que exista a
possibilidade de novos apagões no país. Os especialistas, contudo, garantem que
o apagão pode mostrar a cara novamente até 2008. A “ideologização” da visão
sobre infra-estrutura estaria fazendo com que, nos leilões de energia, o preço
das tarifas, considerado baixo, afastasse a iniciativa privada. “Hoje, o preço
não é atrativo”, diz Luiz Fernando Rolla, superintendente de Relações com
Investidores da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig). (PP)
BRASÍLIA
21/08/2006
Rodovias estão
cada vez mais perigosas
Adriana
Bernardes
Do Correio Braziliense
As rodovias do Distrito Federal estão mais
perigosas. Apesar de ligeira queda na quantidade de acidentes nos primeiros
sete meses do ano, de 1.441 para 1.377, o número de desastres com mortes
praticamente dobrou em relação ao mesmo período do ano passado. Foram 31 em
2005 e 57 esse ano. As vilãs são a BR-060, caminho para Goiânia, e a BR-070,
que passa por Águas Lindas (GO). Elas estão entre as que mais matam no DF.
Os agentes de polícia não costumam fazer o levantamento da quantidade de
tragédias por estradas ou por áreas consideradas críticas.
Mas a pedido do Correio, os responsáveis pelo policiamento da BR-060 no DF e em
Goiás pesquisaram os boletins de ocorrências. De janeiro a julho, foram 317
acidentes e 20 mortes apenas no trecho que liga Brasília e Anápolis (GO). Na
maioria dos casos a polícia aponta a imprudência e falta de atenção dos
motoristas como principais causas das tragédias.
Com base nas informações da Polícia Rodoviária Federal o Correio mapeou os
pontos considerados críticos. O resultado é revelador. A morte tem novos
endereços. O trecho conhecido como Sete Curvas, por exemplo, já não mata tanto.
Agora, a maioria dos acidentes no Distrito Federal é registrada próximo à
comunidade de Engenho das Lages, no KM 28. Já em Goiás, eles são registrados em
maior quantidade perto da ponte sobre o Rio Corumbá, na altura do KM 14. Outro
trecho considerado crítico pelos policiais rodoviários fica perto de Anápolis.
Os números dos desastres refletem o dia-a-dia dos motoristas. Foi justamente
perto do rio Corumbá que Daniel Santiago Brandão, 30 anos, quase encontrou a
morte. A carreta dirigida por ele tombou por volta das 23h de terça-feira. Ele
não se feriu, mas o veículo ficou completamente destruído. Por sorte a carga de
1,5 mil caixas de óleo não se espalhou pela pista. "O asfalto está irregular.
A carreta balançou e eu não consegui segurar", relatou.
Acidentes
Mas nem sempre os acidentes estão relacionados com as condições das estradas. Apesar de a duplicação não estar
concluída no KM 28 (DF) e KM 14 (em Goiás), o asfalto não tem buraco e a
sinalização é boa. Perto de Engenho das Lages existe uma curva no traçado e o
condutor, impaciente, ultrapassa em faixa contínua. "Por este motivo há
muitas colisões frontais. É comum registrarmos acidente grave nesta região,
especialmente nos fins de semana, quando aumenta o fluxo de veículos",
explicou o inspetor Luciano Moreira Rodrigues, responsável pela área operacional
do posto da Polícia Rodoviária Federal da BR-060, no trecho entre Brasília e
Alexânia (GO).
No último domingo três pessoas morreram, entre elas uma menina de 11 anos, numa
batida entre um Fiat Uno e uma Picape Montana. Investigação preliminar da Polícia
Rodoviária Federal aponta que o motorista do Fiat fazia uma ultrapassagem
quando bateu de frente na Picape. O laudo com as causas do acidente deve ficar
pronto esta semana.
Nas proximidades do rio Corumbá, uma descida acentuada é o perigoso convite a
alta velocidade. Lá o limite varia entre 60KM/h e 80KM/h. Mas freqüentemente os
motoristas são flagrados pela PRF a até 150km/h. "Eles aproveitam a reta
para correr. Por isso são comuns as saídas de pista seguidas ou não de
capotagem", destacou o inspetor Luciano.