RIO
21/09/2006
Avenida do Contorno: engarrafamentos aumentam
Fechamento de outra faixa complica ainda mais
o trânsito; retenção na Ponte chegou ao vão central
Eduardo Maia
Como era esperado, o fechamento de mais uma pista na Avenida do Contorno, em
Niterói, aumentou ainda mais os problemas de trânsito na região.
A interdição da faixa lateral no sentido Niterói deixou apenas uma faixa em
cada pista do viaduto, por onde passam 50 mil veículos por dia. No início da
noite, os motoristas que seguiam do Rio para São Gonçalo precisaram de paciência,
pois o engarrafamento na Ponte RioNiterói chegou ao vão central.
As obras no trecho inicial da BR-101 vão até novembro.
A interdição, que estava marcada para as 9h, só aconteceu uma hora e meia
depois, quando o fluxo de veículos de São Gonçalo para Niterói já havia
diminuído. Mesmo assim, à tarde, segundo a Polícia Rodoviária Federal, o engarrafamento
ia do local das obras até a Ilha das Flores, na Niterói-Manilha, em São
Gonçalo. De acordo a prefeitura de Niterói, o tráfego no corredor viário das
ruas Benjamin Constant e General Castrioto, no Barreto, criado para desafogar o
trânsito na Contorno, esteve intenso durante todo o dia e piorou no início da
noite.
Segundo o engenheiro residente do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de
Transporte (Dnit) em Niterói,
Marcelo Cotrim, a obra, orçada em R$ 3,8 milhões, está sendo feita em caráter
emergencial, porque o desgaste da estrutura do viaduto foi descoberto em
estágio avançado.
O grupo dos descontentes com as obras é amplo. De acordo com o Sindicato das
Empresas de Transportes Rodoviários do Estado (Setrerj), os prejuízos serão
enormes.
— Ainda não há previsão de números, mas certamente as empresas de ônibus terão
custo operacional maior, por causa do tempo de viagem. Não há alternativa, e
quem sai perdendo é o trabalhador, que terá que sair uma hora mais cedo de casa
e chegará uma hora mais tarde pelo menos — disse Mário Mesquita, assessor da
presidência.
Para o secretário de InfraEstrutura de São Gonçalo, Aécio Nery, as obras na
Contorno representam um problema para o município: — Muitos motoristas,
inclusive de caminhão, já estão passando por dentro de São Gonçalo para fugir
do engarrafamento.
Tenho certeza de que a situação vai ficar ainda mais complicada. O município
não tem estrutura para suportar tal aumento de trânsito. No final, quem vai
pagar a conta é o município — reclamou.
A ampliação das obras irritou também pessoas que passam diariamente pela via.
Como o assistente de operações Sérgio Ruy, que lamentou as horas perdidas no
engarrafamento.
— É preciso ter muita paciência, porque o tempo de viagem está o dobro do
normal.
O PAÍS
21/09/2006
TCU flagra 89 obras do governo com problemas
Lista que constatou irregularidade em 35% dos
projetos em andamento será enviada ao Congresso
Evandro Éboli
BRASÍLIA. O Tribunal de Contas da União (TCU) fiscalizou contratos de 259 obras
que estão sendo executadas com recursos do governo federal e concluiu que 89
delas, 35% do total, têm indícios de irregularidades graves. A lista com essas
obras com problemas será enviada ao Congresso Nacional, que poderá bloquear as
verbas do Orçamento da União destinadas a elas em 2007.
O TCU recomendará a paralisação dessas 89 obras, cuja soma dos contratos
totaliza R$ 4,3 bilhões. O tribunal encontrou problemas em diversos tipos de
obras, como construção de hospitais, recuperação de estradas
e pontes, de terminais de passageiro e melhoramento de aeroportos, obras de barragem,
de ferrovias e
portos, construção de adutoras e de quadras
poliesportivas.
Se governo seguir tribunal, economizará R$ 1 bilhão O ministro Valmir Campelo,
que relatou o processo, informou que, se as orientações feitas pelo tribunal
forem cumpridas, o governo irá fazer uma economia de R$ 1 bilhão,
principalmente com a revisão dos contratos que estão com os preços bem acima
dos praticados pelo mercado. Do total de obras fiscalizadas pelo TCU, foram
registradas outras irregularidades em 141 delas.
Em apenas 29 não foram detectadas problemas.
As informações do tribunal servem para subsidiar o Congresso na votação da Lei
Orçamentária.
Com base nas conclusões, deputados e senadores avaliam se bloqueiam os recursos
e suspendem as obras. Se os órgãos envolvidos resolverem os problemas
apresentados, o próprio TCU pede ao Congresso a liberação dos recursos, que
serão desbloqueados.
Os problemas encontrados pelo TCU são vários, como superfaturamento,
irregularidade na execução do convênio e na licitação, desrespeito à legislação
ambiental, execução orçamentária irregular e pagamento de serviço não
realizado.
O Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes
(Dnit) é o que tem maior número de problemas.
Das 89 obras com problemas graves, 55 são dele. Em seguida aparecem o
Ministério da Integração Nacional, com 11 obras irregulares, seguido do Departamento
Nacional de Obras Contra as Secas, com cinco e Infraero, com 4.
Dono da maior malha rodoviária do país, Minas Gerais é o estado que lidera o
ranking, com 15 das 89 obras. Apenas uma obra no Rio consta nessa lista. O TCU
detectou problema de “administração irregular de contratos” numa obra de
conservação de manutenção de um trecho da BR-101.
O PAÍS
21/09/2006
Alckmin: 'Enfrentamos organização criminosa'
Ataques ao PT e ao governo pelo dossiê dominam
cerimônia de lançamento de programa de governo do tucano
A cerimônia de lançamento do programa de
governo do candidato tucano à Presidência, Geraldo Alckmin, virou ato do PSDB
contra o novo escândalo que atingiu o governo Lula. O próprio Alckmin, ao falar
em linhas gerais sobre as 216 páginas do programa, deixou em segundo plano o
lançamento e afirmou que o fato mais importante do momento é o escândalo do
dossiê contra tucanos.
— Quero dizer que o assunto é outro, não é programa de governo. O Brasil vive
um momento muito grave, muito mais grave do que a questão eleitoral. Não
estamos enfrentando uma candidatura, mas sofisticada organização criminosa,
incrustada no Estado brasileiro — disse Alckmin, para uma platéia que reuniu a
cúpula do tucanato, entre eles José Serra e o governador de Minas Gerais, Aécio
Neves.
Alckmin, seguindo o tom inaugurado no palco pelo prefeito Cesar Maia, mestre de
cerimônia do evento, foi irônico ao comentar a participação de Jorge
Lorenzetti, funcionário da campanha de Lula, no caso: — Só no governo Lula que
um churrasqueiro vira diretor de banco estatal. O país está envergonhado, mas
eles não têm vergonha. Não se pode ter uma ética quando se é oposição, sendo
intransigente, e outra quando se é governo, sendo cínico — disse Alckmin, no
discurso em que pediu um “mutirão cívico” para chegar ao segundo turno: —
Passando para o segundo turno, aí não tem fujão, porque terá o contraditório.
Para prender ladrão tem que esperar eleição, diz Alckmin Em entrevista, em
seguida, Alckmin pediu agilidade nas investigações.
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Marco Aurélio de
Mello, já anunciou que o resultado da investigação não acontecerá antes das
eleições.
— Tudo agora no Brasil é para depois da eleição. Para pôr ladrão na cadeia tem
que esperar passar a eleição — afirmou.
O ex-prefeito José Serra afirmou ainda que é tradição da Polícia Federal deixar
fotografar dinheiro apreendido em suas operações — diferentemente do que
aconteceu com o R$ 1,7 milhão apreendido com os petistas presos na compra do
dossiê.
— Dessa vez se quebrou a tradição — afirmou Serra.
O presidente nacional do PSDB, Tasso Jereissati, afirmou, para ele, não há mais
qualquer distinção entre o Lula e o PT: — De uma vez por todas, se acaba com
essa idéia de que o governo era uma coisa e o PT era outra. Com a idéia de que
o Lula não sabia. Lula, PT e o governo viraram uma coisa só. É família e
dinheiro público. Isso está apodrecendo a república por dentro — afirmou Tasso,
que defende o recrudescimento das acusações contra Lula no horário eleitoral
gratuito: — O programa eleitoral tem que ser extremamente claro, colocando isso
com todas as letras.
Espero que o Brasil acorde e não faça a opção pelo apodrecimento total das suas
instituições.
É preciso saber de onde vem o suborno e o dinheiro.
A preocupação de tucanos e pefelistas agora é com a maneira de capitalizar
votos com o novo escândalo. Uma reunião entre Tasso, Alckmin, coordenador da campanha
tucana à Presidência, senador Sérgio Guerra, o presidente nacional do PFL,
Jorge Bornhausen, e José Serra decidiu suspender um ato público, marcado para
segunda-feira, em São Paulo, cujo tema principal seria a indignação do tucanato
com o caso.
— É uma novidade atrás da outra. Preferimos cancelar, para esperar os
acontecimentos — disse Tasso.
Bornhausen, durante o evento na Marina da Glória, afirmou que o presidente Lula
terá que provar que não sabia da compra do dossiê: — Os fatos estão demonstrando
que a armação foi toda do PT e que a ação foi de integrantes do PT.
Dificilmente um candidato a um cargo tão importante como o de presidente da
República não sabe o que seu partido está fazendo — afirmou Bornhausen, que foi
irônico ao comentar o envolvimento do petista Oswaldo Bargas no caso: — O mais
incrível é que essa nova figura que apareceu, o Bargas, é responsável pelo
capítulo de Emprego e Renda do programa de governo do presidente Lula. O que é
lamentável, porque ele está fazendo um capítulo a mais no programa: o crime
eleitoral organizado .
Cesar: Lula pisa em mar de lama e pensa que é chocolate O prefeito Cesar Maia
(PFL), que organizou o encontro junto com Sérgio Guerra, afirmou que o
presidente tem orgulho de “encobrir delinqüentes”.
— O mar de lama escorre debaixo da porta do presidente Lula, ele pisa e pensa
que é chocolate — atacou o prefeito, dizendo que o programa Bolsa Família é
“compra de votos sofisticada”.
Propostas para até 2015
Fazer a reforma política no país, com fidelidade partidária e voto distrital na
eleição parlamentar.
Fazer o país crescer de 5% a 6% ao ano sem comprometer a estabilidade.
Implantar até 2008 o Ensino Fundamental de 9 anos para crianças a partir dos 6
anos de idade.
Universalizar a jornada escolar de 4 horas até 2008 e a de 5 horas até 2010.
Assegurar que até 2017 95% dos alunos concluam o Ensino Fundamental.
Ampliar e melhorar o programa Bolsa-Família.
Apoiar a realização da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016.
Criar um plano de investimentos emergenciais para o Pan 2007.
Empregar milhões de pessoas realizando obras de infraestrutura.
Fazer a reforma da Previdência.
Fazer a reforma tributária para micro, pequenas e médias empresas.
Levar água tratada para 100% da população urbana até 2015.
Estender a rede de coleta de esgoto para 75% da população urbana até 2015.
Tratar 50% do esgoto sanitário urbano até 2015.
Recuperar 22 mil quilômetros de rodovias
federais.
Reduzir em 5% até 2010 os custos do transporte de cargas.
Reduzir em 15% até 2010 as tarifas de transporte de pessoas.
Reduzir em até 20% o número de vítimas de acidentes de trânsito até 2014.
Aumentar a produção de petróleo de 1,88 milhões de barris/ dia para 2,37
milhões de barris/dia em 2011.
Aumentar a produção de gás natural de 15,8 milhões de metros cúbicos/dia para
70 milhões em 2011.
Acrescentar 16 mil mW de energia elétrica até 2010.
Construir o gasoduto UrucuCoari-Manaus até 2010.
Construir o gasoduto UrucuPorto Velho até 2012.
Implantar a nova Sudam e Sudene.
Criar o Ministério da Segurança Pública.
Reduzir o número de ministérios.
Criar um setor especializado na AGU para recuperar dinheiro público desviado.
NACIONAL
21/09/2006
TCU vê indícios de desvios em 91 obras federais
Relator pede sua paralisação e que governo
suspenda liberação de verba
Luciana Nunes Leal
Das 259 obras públicas federais vistoriadas este ano pelo Tribunal de Contas da
União (TCU), 91 (35%) têm indícios de irregularidades graves, de acordo com
relatório do ministro Valmir Campelo que foi aprovado ontem pelo TCU. O relator
Campelo recomenda a suspensão das verbas a serem liberadas pela União para
contratos que somam R$ 4,3 bilhões e a paralisação das obras até que os
problemas sejam resolvidos.
No total, foram vistoriadas obras que custarão aos cofres federais R$ 20
bilhões. Em 139 delas foram detectados indícios de irregularidades, sem
recomendação de paralisação. Não há ressalvas para apenas 29 obras fiscalizadas.
A fiscalização aponta para indícios de cinco irregularidades principais:
superfaturamento, descompasso entre pagamentos feitos e serviços executados,
alteração indevida no projeto original, licitações suspeitas e ausência de licença
ambiental. O TCU negou ontem qualquer conotação política na escolha da data da
votação do relatório desfavorável ao governo, a 11 dias da eleição. Segundo sua
assessoria, o tribunal segue determinação da Lei de Diretrizes Orçamentárias
(LDO), que exige a apresentação do relatório até o dia 30 de setembro.
MAIS FISCALIZADO
A maioria das obras em que o TCU encontrou indícios de graves irregularidades
está nas estradas federais: a
paralisação foi recomendada em 56 delas. O Departamento
Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (DNIT),
responsável por estas obras, foi também o mais fiscalizado: 63% das vistorias
foram feitas em projetos sob sua responsabilidade. Das 16 obras do Ministério
da Integração Nacional vistoriadas, 12 tinham problemas graves.
O TCU recomendou ainda a suspensão da liberação de recursos para os cinco
empreendimentos do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS)que
foram fiscalizados e para os dois do Ministério do Meio Ambiente. O relator
negou que a paralisação seja um recurso extremo: 'O objetivo é garantir que o
contrato será ajustado sob os aspectos técnicos e econômicos de forma a
permitir o correto andamento das obras. Se não houver correções, as obras com
irregularidades graves não serão concluídas de qualquer forma, porque os
aditivos necessários extrapolarão os 25% permitidos.'
O relatório do TCU serve de base para a elaboração do orçamento de 2007 pelo
Congresso. Depois de votado o relatório, o tribunal abre prazo para as defesas,
em geral apresentadas pelos ministérios. As investigações continuam e, nos
casos em que forem comprovadas irregularidades graves, a suspensão dos recursos
deve ser incluída pelos parlamentares na lei orçamentária do ano seguinte.
A liberação de verbas, nestes casos, só é autorizada quando a União comprovar a
solução das irregularidades. Pelas contas do ministro Valmir Campelo, a
retenção dos recursos vai levar a um benefício potencial de pelo menos R$ 1
bilhão.
BRASIL
21/09/2006
Prejuízo bilionário
TCU identifica graves irregularidades em 89
obras federais e recomenda paralisação
Jairo Viana
O Tribunal de Contas da União (TCU) constatou irregularidades graves em 89
obras públicas custeadas com recursos federais, que somam R$ 4,3 bilhões. Por
unanimidade, os ministros recomendaram a sua paralisação. A suspensão das obras
poderá causar uma economia de R$ 1 bilhão aos cofres públicos, com redução dos
preços superfaturados.
Quatro grandes obras irregulares são executadas no território do Distrito
Federal. São a expansão do Aeroporto Internacional de Brasília, executada pela
Infraero; o sistema de irrigação da bacia do Rio Preto, promovido pelo Ministério
da Integração; a recuperação da rodovia BR-020 (Brasília-Formosa); e a
adequação da Estrada-Parque Indústria e Abastecimento (Epia), que coincide com
a BR-450, ambas sob a responsabilidade do Departamento
Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (DNIT).
Com base no relatório e voto do ministro Valmir Campelo, os ministros do TCU
determinaram o envio da lista das obras ao Congresso Nacional. Com isso, os
recursos previstos no Orçamento de 2007 para tocá-las deverão ser suspensos.
Somente para expansão do aeroporto de Brasília estavam orçados em 2007 cerca de
R$ 38 milhões. O dinheiro seria aplicado na construção do espaço satélite, uma
nova sala de embarque e desembarque. Ela proporcionaria o aumento de nove
milhões para 16 milhões de passageiros por ano.
Projeto deficiente
Nas duas rodovias os auditores
do TCU encontraram projeto básico deficiente ou inexistente com dano ao erário
público. Os auditores constataram alterações indevidas no projeto de irrigação
do Rio Preto e aumento no preço da execução das empreitadas. O secretário de
Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Mário Hissashi Ikeziri, acredita que a
suspensão do sistema de irrigação do Rio Preto, não trará prejuízos imediatos
para os produtores rurais.
"A construção de 28 barragens destinadas à irrigação, na bacia do Rio Preto,
ainda estão na fase de projetos", afirma.
Segundo Hissashi, o grande projeto de barramento visa melhorar o aproveitamento
das águas do Rio Preto e a produção agrícola na região, que vai de Planaltina
ao Programa de Assentamento Dirigido do DF (PAD-DF), à margem da rodovia BR-25l
(Brasília-Unaí). A partir da decisão do TCU, o Congresso Nacional poderá
bloquear as verbas orçamentárias e incluir na Lei Orçamentária Anual (LOA) de
2007 um quadro com as obras que não poderão receber recursos.
Como parte das informações se referem a indícios, os responsáveis poderão
apresentar justificativas, e corrigir irregularidades constatadas, e as obras
serem retomadas depois de sanadas as irregularidades. No primeiro semestre do
ano, o TCU fez auditorias em 259 obras com dotação orçamentária de R$ 20,7 bi.
Delas, em 89, ou 35%, foram constatadas irregularidades graves, com indicativo
de paralisação. Outras 139 têm indícios de irregularidades e apenas em 29 não
foram apontadas ressalvas.
CARTAS
21/09/2006
Embraer e Anac
"A matéria publicada na edição de 20/09
no Valor sinaliza que a Embraer está com foco na aviação executiva, esquecendo
da necessidade de fabricar aeronaves comerciais de pequeno porte para atender à
demanda do interior do país. Até a década de 80, tivemos mais de 300 aeroportos
de baixa densidade de tráfego operados pelos Emb-110 (16 passageiros) e Emb-120
(30 passageiros). Com a descontinuidade da fabricação do primeiro e obsolescência
do segundo, hoje são operados menos de 130 aeroportos do interior do Brasil.
Agrava-se o problema com a falta de estradas
e a falta de conservação das existentes, deixando grande parte desse país de
dimensões continentais sem ligações aéreas e terrestres. Não se deve,
entretanto, reclamar só da Embraer. Esta, provavelmente, está à espera de um
marco regulatório para a aviação civil e comercial, que a Anac, agência responsável,
ainda não definiu."
Percy Rodrigues - percyrodrigues@openlink.com.br
1º CADERNO
21/09/2006
Plano de governo prevê corte de gastos e Copa
Do Rio
O candidato do PSDB à Presidência da República, Geraldo Alckmin, estabeleceu
como uma das metas de seu programa de governo a retomada do crescimento
econômico a taxas de 5% a 6% ao ano. No documento, de 216 páginas, o tucano
afirma que o resgate da capacidade de investimento do país é "perfeitamente
possível", mas dependerá de um forte ajuste das contas públicas.
"O Brasil é o último da fila na questão do crescimento. Não se diminui
pobreza e desigualdade crescendo 2,5% (ao ano). O Brasil não é condenado a ser
o último da fila, tem que ser o primeiro, o líder do crescimento, para gerar
emprego, renda", disse Alckmin durante o lançamento do programa.
A regra básica que norteará a política fiscal do governo Geraldo Alckmin é
bastante simples, de acordo com o documento: "O governo não pode gastar
mais do que arrecada", diz o texto do programa, que também prevê um corte
de despesas correntes da ordem de 4,4% do PIB ao longo dos próximos quatro anos
de governo.
Não há consenso entre os principais economistas tucanos sobre um dos principais
diagnósticos apresentados por Alckmin para a economia: "A alta taxa de
juros mantém dívida elevada, a qual acaba por drenar recursos da sociedade".
Para os que divergem do diagnóstico, ocorre justamente o oposto: é a dívida
elevada que mantém a taxa de juros nas alturas. Não está explícito no
documento, mas Alckmin, se for eleito, não deve patrocinar mudanças bruscas na
política cambial.
O programa de Alckmin tem metas inusitadas, como a de apoiar "fortemente a
realização no Brasil da Copa do Mundo de Futebol de 2014 e das Olimpíadas de
2016". Em contraste com o programa de Lula, que toca de passagem no
assunto, a plataforma do tucano dedica um capítulo à parte para o agronegócio.
Nele promete "garantir a paz e segurança institucional e jurídica para o
campo poder trabalhar (...), não haverá invasões. Se invadir, vai ter de
'desinvadir' de imediato".
Mas a exemplo do programa de Lula, o de Geraldo Alckmin não se compromete com a
reforma da Previdência. Pelo menos para os que já estão no sistema - uma das
propostas é "preservação de direitos adquiridos". O que Alckmin fala
é em "adoção de regras novas, justas, equilibradas, aplicáveis a todos os
que ainda não ingressaram no mercado de trabalho". Não está no texto, mas
Alckmin diz que não vai mudar os atuais limites de idade para a aposentadoria,
por entender que a expectativa de vida nas diversas regiões do país é diversa.
No capítulo sobre "Trabalho e Emprego", promete "modernizar a
legislação trabalhista, visando simplificar a contratação de profissionais, em
especial nas pequenas e micro empresas".
Na área em que é considerado mais vulnerável, a resposta de Alckmin é a criação
do Ministério da Segurança Pública, que cooperaria com o Ministério da Defesa.
Além disso, o tucano tem como meta liberar, sem contingenciamento, os recursos
do Fundo Nacional de Segurança Pública e do Fundo Penitenciário Nacional, além
de implementar programas de prevenção, "combate implacável" à lavagem
de dinheiro e crimes transfronteiriços. "Na segurança pública, nem os
recursos dos fundos constitucionais foram liberados. Foram todos
contingenciados. O governo se omitiu totalmente na questão da segurança".
No conjunto das propostas a serem apresentadas, um dos destaques é o plano de
obras. Alckmin pretende investir R$ 37 bilhões, de 2007 a 2010, na recuperação
de 22 mil quilômetros de rodovias.
Entre as obras consideradas prioritárias, destacam-se a duplicação da BR-101 e
da BR-116. Caso seja eleito, Alckmin também pretende reduzir até 2010, as
tarifas dos transportes de passageiros,
em até 15%.
Logo nas primeiras páginas do programa, o candidato se compromete a implementar
a reforma política, com a instituição da fidelidade partidária e do voto
distrital no país. "A crise ética e política do PT e do governo atual - evidenciada
nos episódios do 'mensalão' e dos 'sanguessugas', do 'cuecão', entre tantos
outros - obriga-nos a retomar a questão da reforma política por um novo ângulo,
e com um redobrado senso de urgência". (RC, JV e APG)
BRASIL
21/09/2006
Rodovia bloqueada
Num protesto que já dura quatro dias, cerca de
300 trabalhadores rurais do município de Anapu, no Pará, mantêm bloqueada a Rodovia
Transamazônica. Eles ocuparam dois trechos da rodovia desde o último dia 15,
reivindicando melhorias estruturais nos assentamentos da região, como
construção de escolas, liberação de crédito e abertura de estradas.
Ontem de manhã, a manifestação dos agricultores quase resulta em confronto com
caminhoneiros, que estão revoltados com a impossibilidade de poder seguir
viagem. Os caminhoneiros reclamam que estão perdendo as cargas perecíveis, por
conta dos dias em que estão parados na rodovia, sem poder prosseguir.
ECONOMIA
21/09/2006
Verbas da União para metrô de Salvador devem ser
bloqueadas
Recomendação foi feita ao Congresso pelo
Tribunal de Contas
Toni Vasconcelos
O Tribunal de Contas da União (TCU) está recomendando ao Congresso Nacional o
bloqueio das verbas no Orçamento da União de 2007 para as obras do metrô de
Salvador, devido a irregularidades graves constatadas. Além do metrô da
capital, obras em trechos da BR-330, BR-116, BR-030, BR-101, BR-324 e BR-367,
executadas pelo Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes (Dnit),
e a construção de uma adutora pelo Ministério da Irrigação Nacional na Bahia
devem ter as verbas bloqueadas, a pedido do tribunal, também por apresentarem
irregularidades graves. A corte federal de Contas recomenda ao Legislativo a
paralisação dessas obras. Tais empreendimentos no estado fazem parte de uma
relação de 89 obras públicas no país para as quais o TCU está recomendando o
bloqueio de verbas.
Na lista do tribunal endereçada ao Congresso Nacional constam quatro contratos
pertencentes à Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), todos sob a
legenda “Apoio à implantação do trecho Lapa-Pirajá do Sistema de Trens Urbanos
de Salvador”.
No contrato 01/04, para gerenciamento e assesssoria ao planejamento do metrô, a
corte federal de Contas detectou “irregularidades graves no processo
licitatório”. No contrato 10/04, para fornecimento e implantação dos sistemas
de sinalização, controle, telecomunicações e de material rodante do metrô, as
graves irregularidades estão na ausência de planilhas orçamentárias referentes
ao projeto e falta, no edital, de critério de “aceitabilidade de preços
máximos”.
Já no contrato da CBTU SA-01, concernente a obras civis de implantação do metrô
de Salvador, o TCU constatou irregularidades graves na execução e pagamento de
serviços não previstos no contrato, como também na ausência de planilhas
orçamentárias e “demais irregularidades graves no processo licitatório”. Por
último, o tribunal cita o contrato SA-05, para assistência técnica no desenvolvimento
de atividades de supervisão do fornecimento e implantação dos sistemas de
sinalização, controle, telecomunicações e de material rodante do metrô, no qual
foram verificadas irregularidades na medição e pagamento de serviços não
realizados, além de “demais irregularidades graves na administração do
contrato”.
No final do mês passado, o Tribunal de Contas da União, através da Secretaria
de Controle Externo da Bahia (Secex-BA), já havia notificado as empresas
públicas e privadas envolvidas na construção do metrô de Salvador. A Secex-BA
tinha encontrado dez irregularidades graves na obra, inclusive indícios de
superfaturamento e sobrepreço, além do desperdício de dinheiro público com a
redução da linha metroviária – transformando-o em “metrô calça-curta” –, uma
decisão imposta pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em
setembro de 2005, aos governos estadual e municipal.
Outra obra na Bahia para a qual o TCU recomenda o bloqueio de verbas no
Orçamento da União de 2007 é relativa à construção da Adutora Serra da
Batateira, gerenciada pelo Ministério da Irrigação Nacional. Irregularidades
apontadas: desvio de finalidade e superfaturamento. A corte de contas elenca,
ainda, no relatório ao Legislativo obras rodoviárias emergenciais executadas
pelo Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes, associadas à
Operação Estrada em trechos da BR-330, BR-116, BR-030, BR-101, BR-324 e BR-367,
que abrangem os municípios de Ubaitaba, Feira de Santana, Santa Cruz Cabrália,
Eunápolis e a até a capital do estado _ as irregularidades vão do desvio de
finalidade do projeto, execução orçamentária irregular, até “projeto deficiente
ou inexistente com risco de dano ao erário”.
Em todo o país, o TCU já fiscalizou 259 obras este ano, que somam investimentos
de mais de R$20 bilhões, representando 90% dos recursos previstos para o setor.
As 89 obras com indícios de irregularidades graves _ cujos contratos superam
R$4 bilhões _ devem ser paralisadas, conforme recomendação do tribunal. Outras
141 obras apresentaram indícios de irregularidades, mas não precisam ser
paralisadas. Em somente 29 obras federais o TCU não constatou problemas.
POLÍTICA
21/09/2006
Ministro visita e inaugura obras de pavimentação
em MT
FRANCIS AMORIM
Da Reportagem /Barra do Garças
O ministro dos Transportes,
Paulo Sérgio Passos,
inaugura nesta sexta-feira, às 10 horas, em Ribeirão Cascalheira (897 km de
Cuiabá, na região Leste do Estado), o primeiro trecho de 18 quilômetros de
pavimentação asfáltica da BR-158. A comitiva do ministro desembarca em Barra do
Garças às 8 horas e segue em aeronave de pequeno porte até o local da
inauguração.
Os 18 quilômetros de rodovia correspondem à primeira de um total de cinco
etapas que serão inauguradas nos próximos três anos. Este primeiro trecho liga
os municípios de Água Boa e Ribeirão Cascalheira, interrompidos na gestão do
ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e reiniciados no início deste ano, numa
parceria governos federal e do Estado.
O ministro Paulo Sérgio Passos
deverá permanecer em Ribeirão Cascalheira por cerca de duas horas e meia. Após
inaugurar os 18 quilômetros de asfalto, retorna em seguida para Água Boa, onde
almoça com secretários de Estado, prefeitos, vereadores e autoridades regionais.
À tarde, o ministro se desloca a Barra do Garças, de onde segue para Sapezal e
Rondonópolis.
Com a inauguração da obra, a BR-158 passa a contar com 440 km de pavimentação a
partir de Barra do Garças.
ECONOMIA
21/09/2006
Trecho da BR-040 será duplicado
Dnit anuncia obras na rodovia, entre o trevo
de Sete Lagoas e Curvelo. Quebra-molas na pista causa prejuízos
Elian Guimarães
A BR-040, sentido Belo Horizonte Brasília, terá um trecho de 40 quilômetros
duplicado, entre o segundo trevo de entrada para Sete Lagoas até o
entroncamento com a BR-135, em direção a Curvelo. Para a execução das obras
faltam apenas a liberação do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e do Relatório
de Impacto Ambiental (RIMA). Depois dessa liberação, terão início as desapropriações
necessárias, conforme explicou a engenheira do Departamento Nacional de
Infra-estrutura de Transportes (Dnit),
Mônica Las Casas.
O outro trecho, entre Belo Horizonte e Sete Lagoas, já passa por recuperação e
em breve será licitada a recuperação de pontes, viadutos, pistas da rodovia e
revitalização da sinalização local. Em alguns pontos, o departamento de
trânsito do governo federal já iniciou a recolocação de placas e está pintando
faixas de sinalização horizontal (na pista).
Os motoristas reclamam que dos muitos buracos nas pistas e da falta de
sinalização. Um quebra-molas, instalado em frente ao posto da Polícia
Rodoviária Federal (PRF), na altura do Km 481, é alvo de críticas dos condutores,
por ser muito alto e estar justamente no local onde a duplicação termina. A
região tem tráfego intenso, principalmente em direção às regiões Norte e Oeste
do estado , para Goiás e Distrito Federal. Há também um grande volume de
tráfego de caminhões com sobrecarga de carvão, que abastece as indústrias de
gusa da região de Sete Lagoas.
O quebra-molas provoca engarrafamentos e até acidentes, conforme relato da
servidora pública Josy Vitória Meirelles Farinha, que, no feriado de 15 de
agosto, presenciou grave acidente perto do local, quando voltava do município de
Cordisburgo: Não há sinalização indicando a existência do quebra-molas ,
explicou, e, no retorno do feriado de Sete de Setembro, um domingo, deparei com
quase cinco quilômetros de engarrafamento até o posto da polícia. Acho um
absurdo que tenha redutores eletrônicos em vários pontos da rodovia, e
justamente em frente à PRF tem um quebra-molas, totalmente fora dos padrões.
Ele é tão alto que está todo arranhado, de tantos carros que arrastam sobre ele
.
O inspetor Darlan, chefe da Inspetoria e delegacia da PRF, explicou que foi
pedido ao Dnit a instalação de um
redutor eletrônico, mas o processo é demorado, e, enquanto ele não chega, foi
colocado no local um quebra-molas, como forma de obrigar a redução de
velocidade. No local, já foram registrados três atropelamentos e vários acidentes
devido à desatenção de motoristas que não respeitam as placas de redução de
velocidade. Esse ponto é muito utilizado pela população local (do Bairro
Barreiro) e de outros municípios próximos a Sete Lagoas. Há dois pontos de ônibus,
nos dois sentidos, muito freqüentados por quem se dirige a outros municípios ou
se utiliza de ônibus urbanos de Sete Lagoas. A travessia de pedestres é
constante e essa foi a solução encontrada temporariamente para não colocar em
risco os transeuntes.
ECONOMIA
21/09/2006
Cronograma inclui construção de passarelas
Segundo a engenheira Mônica Las Casas, do Dnit,
nas obras de duplicação está prevista a construção de passarelas e passagens
subterrâneas, o que deverá resolver o problema no local.
A Polícia Rodoviária Federal realizou, há mais de um ano, um minucioso
diagnóstico sobre os principais problemas da BR-040, entre os quilômetros 532,
em Belo Horizonte, e 320, depois de Felixlândia. Eles foram repassados ao Dnit,
que já está providenciando as reparações sugeridas, entre elas a recuperação de
canaletas, de pistas, de placas de sinalização, capina e sinalização noturna.
Junto ao posto, há uma balança desativada. Segundo o inspetor da PRF, ela é de
pesagem apenas do eixo. Quando há pesagem do conjunto é utilizada a balança da
Receita Estadual, logo à frente. No posto da PRF as cargas são medidas. Ontem,
um caminhão de carvão foi detido devido ao excesso de carga. De acordo com o
inspetor Darlan, as normas exigem altura máxima de 4,5 metros do solo até o
topo. Esse excesso é comum na rodovia. Geralmente, o veículo fica apreendido
até providenciar a remoção da carga. As notas fiscais e as condições dos
veículos também são averiguadas.
Sobre os engarrafamentos nos feriados prolongados, o inspetor disse que os
patrulheiros estão instruídos a liberar as passagens laterais para dar fluidez
ao trânsito.
O funcionário da Associação de Transportadores de Sete Lagoas, Milçton
Feliciano revelou que as principais reclamações dos motoristas são em relação à
sinalização noturna. Para o motorista Jorge Gomes, de 23 anos, de Rondonóplis,
Mato Grosso, disse que passou ontem pela primeira vez no trecho entre Contagem
Sete Lagoas e encontrou muitos buracos. A rodovia está até bem sinalizada, mas
com muitos buracos, o que achei muito perigoso. (EG)
GERAIS
21/09/2006
Dnit vê obras inacabadas
Pedro Ferreira
A BR-365, no Triângulo Mineiro, será totalmente recuperada, informou o
diretor-geral do Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes (Dnit),
Mauro Barbosa da Silva, que libera hoje R$ 28 milhões para as obras. Ele
vistoriou ontem um trecho da BR-381, entre Belo Horizonte e Ipatinga, no Vale
do Aço, que recebe uma camada porosa de atrito, tecnologia usada em pista de
Fórmula 1, e deu prazo de 15 dias para que as empreiteiras instalem sinalização
de segurança em sete pontes que estão sendo alargadas, para evitar novos
acidentes. Em algumas pontes, como a sobre o Rio do Peixe, em Caeté, na região
metropolitana, muitos motoristas não conseguem desviar o veículo, quando a
pista é afunilada repentinamente, e batem na mureta central que separa o
viaduto em construção do antigo.
O Dnit está revisando o projeto da BR-381 e
deve refazer o trevo de Itabira, no Vale do Aço, o que não estava previsto.
“Até o fim de 2007 será concluído um processo de licitação para duplicação da
BR-381, de BH a Governador Valadares”. Na rodovia, da capital a Ipatinga, 90
dos 126 quilômetros a serem recuperados já estão com pista nova, até João Monlevade.
“Estamos fazendo uma revisão do projeto para atender os municípios de Taquaraçu
de Minas, Bom Jesus do Amparo e São Gonçalo do Rio Abaixo, com construção de
trevos”, disse. Segundo ele, até abril de 2007 toda a obra será concluída, um
investimento de R$ 130 milhões, dos quais R$ 74 milhões já foram gastos. Em
Minas, informou, são mais de R$ 1 bilhão destinados a obras nas estradas
federais.
Em algumas pontes não há qualquer sinalização alertando os motoristas do
perigo. “Havia uma sinalização, mas ela foi destruída. Vamos colocar uma nova,
imediatamente, e garantir a permanência de uma equipe de fiscalização”,
garantiu. O diretor do Dnit mandou um recado
às empreiteiras: “Estamos com 4,5 mil obras em andamento no país. Quem fizer
serviço malfeito não vai receber. Estamos com uma auditoria na pista. Já foram
feitas 112 auditorias pelo Tribunal de Contas da União este ano e 180 pela
Controladoria Geral da União. O Exército foi convocado para fiscalizar as obras
e o Instituto de Pesquisas Rodoviárias também”, disse.
Em Minas, segundo ele, foram 10 auditorias. “Determinei, na terça-feira, a
abertura de um processo de sindicância para avaliar se existe alguma disfunção
na gestão de contrato de recuperação da BR-381. A empresa vai prestar
esclarecimentos sobre qualquer possibilidade de alguma impropriedade cometida
aqui.. É só um compromisso de transparência”, justificou. O diretor-presidente
do Consórcio Egesa Fidens, Elmo Teodoro, contratado para recuperação da BR-381,
garantiu que não há qualquer irregularidade nas obras. “Vamos fazer uma nova
sinalização nas pontes e manter uma fiscalização constante.”
Banco Mundial pode financiar reformas
O diretor do Dnit disse que o órgão
está buscando recursos junto ao Banco Mundial (Bird) para financiamento de
reformas e adequações de pontes em todo país. Em Minas, 20 travessias com mais de
50 anos serão vistoriadas. Para a construção de um novo Viaduto Vila Rica, mais
conhecido como “Viaduto das Almas”, na BR-040, sentido Rio de Janeiro, ele
disse que foram liberados R$ 10 milhões, de um total de R$ 27 milhões. “A
licitação está pronta e a empresa, contratada. Até dezembro de 2007 o novo
viaduto fica pronto”.
A BR-040 terá um trecho de 40 quilômetros duplicado, entre o segundo trevo de
entrada para Sete Lagoas até o entroncamento com a BR-135 (em direção a
Curvelo). O início das obras depende apenas da liberação do Estudo e Relatório
de Impacto Ambiental (EIA-Rima), para que sejam feitas as desapropriações
necessárias, informou a engenheira do Dnit,
Mônica Las Casas. Segundo ela, o trecho entre BH e Sete Lagoas passa por
recuperação e, em breve, será licitada a recuperação de pontes, viadutos, do
leito da rodovia e revitalização da sinalização.
Motoristas reclamam de buracos nas pistas e da falta de sinalização nas rodovias.O
engenheiro Ronan Lasmar, de 43 anos, que viaja com freqüência pela BR-381 já
passou vários sustos com as pontes inacabadas. “A gente está dirigindo e de
repente a pista some e aparece uma ponte inacabada na nossa frente. É um
perigo”, disse. “Viajar a noite é um perigo. No lusco-fusco é mais perigoso
ainda”, alerta o comerciário Antônio Mendes, de 40. (Com Elian Guimarães, do
Diário da Tarde)
POLÍTICA
21/09/2006
Doze obras estão irregulares em MG
A auditoria anual do Tribunal de Contas da
União (TCU) na aplicação de recursos orçamentários do governo federal
identificou irregularidades graves em 12 obras executadas em Minas, com recomendação
ao Congresso de retirá-las da lista de projetos contemplados pelo Orçamento da
União para 2007 caso não sejam corrigidas as falhas. Na lista está a construção
das barragens de Berizal e Congonhas, ambas no Norte, em que foram detectados
problemas ambientais com risco de danos aos cofres públicos. Nas obras de
modernização da Usina de Furnas, foram encontradas falhas no projeto básico que
levariam a um gasto R$ 18 milhões superior ao necessário. A grande maioria das
obras, no entanto, é da Operação Tapa-Buraco, de responsabilidade do
Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes (DNIT),
que fez reparos emergenciais em rodovias
federais, no início do ano. Nessa situação estão as BRs 116, 050, 259, 267, 265
e 381 – nessa última, no trecho entre Antônio Dias e Nova Era, foi detectado
sobrepreço de R$ 25,3 milhões. A fiscalização do TCU abrange todos os programas
com verba prevista igual ou superior a R$ 20 bilhões.
MINAS
21/09/2006
Dnit reage e intima empreiteiras
Jáder Rezende
Repórter
O diretor-geral do Departamento Nacional de
Infra-Estrutura de Transportes (Dnit),
Mauro Barbosa da Silva, determinou ontem a abertura de sindicância à
Corregedoria do órgão e pediu ao Tribunal de Contas da União que apure a
denúncia do HOJE EM DIA - publicada em sua edição de terça-feira -, sobre o
atraso nas obras de sete pontes ao longo da BR-381, sentido BH-Vitória (ES). A
reportagem alertou para o risco iminente de acidente nos locais. A publicidade
do fato trouxe Mauro Barbosa a Belo Horizonte. Ele veio inspecionar as obras e
constatou a negligência do consórcio Egesa/Fidens, cujos donos, que foram intimados
a acompanhar a vistoria, fizeram o mea culpa. Além de admitir a falha gritante,
eles se comprometeram a promover a devida sinalização dos trechos críticos a
toque de caixa.
“Não tem a menor condição”, desabafou o dirigente do Dnit,
ao verificar in loco as condições da primeira ponte inspecionada, no KM 427,60,
logo após o trevo de Caeté. Além de marcas de freadas na pista, há indícios de
que vários acidentes graves já ocorreram no local, como pára-brisas estilhaçados
e peças de veículos espalhadas. Além disso, as poucas placas de sinalização que
haviam sido instaladas continuavam retorcidas nas margens da pista. As obras de
execução de seis das sete pontes foram interrompidas há cerca de três meses em
função de entraves burocráticos.
A impressão de abandono chegou a tal ponto que a estrutura sobre a ponte do Rio
do Peixe serviu de apoio para a construção de um barraco de madeira. Além de
determinar a execução imediata de sinalização de segurança para eliminar pontos
críticos durante a execução da obra, a inspeção de ontem teve ainda por
objetivo implantar novos trevos em Taquaraçu de Minas, Bom Jesus do Amparo e
São Gonçalo do Rio Abaixo. O final das obras está previsto para abril de 2007.
O diretor do órgão acionou a Procuradoria Geral Federal para que a readequação
do processo de construção das pontes seja agilizada. A obra foi iniciada em
julho de 2005. Orçada em R$ 130 milhões, ela inclui ainda a revitalização de
pista num trecho de cerca de 130 quilômetros, entre Belo Horizonte e João
Monlevade, na Região Central do Estado. Cerca de 90 quilômetros do percurso já
foram recapeados e a obra tem vida útil de apenas sete anos. O Dnit
reconhece que aquele é um dos trechos mais perigosos do país, localizado em região
montanhosa e com uma média de três a quatro curvas fechadas por quilômetro.
Como ocorrem muitos acidentes em períodos chuvosos, o projeto de reforma da
pista contemplou a utilização de asfalto especial, mais poroso e que garante
maior aderência dos pneus ao solo, similar ao utilizado em pistas de Fórmula 1.
½A denúncia do HOJE EM DIA nos levou a deixar claro que nossa obrigação é
garantir condição de trafegabilidade e segurança para os usuários da rodovia”,
disse Mauro Barbosa. Segundo ele, caso haja qualquer outro indício de
irregularidade, o consórcio responsável pela obra poderá ser multado e até
mesmo ter o contrato rescindido. ½A ordem é avaliar se há disfunção no
contrato. O processo de sindicância vai apurar o grau de responsabilidade dos
empreiteiros”, disse. Após a inspeção de ontem, os empreiteiros Elmo Teodoro,
da Engesa, e Carlos Frauches, da Fidens, se comprometeram a promover ainda
nesta semana as sinalizações adequadas, vertical e horizontal, além de instalar
nas cabeceiras das pontes redutores de velocidade.
Buraco joga carros para contramão
O trecho da pista da BR-381 localizado cerca de 1,5 quilômetro após a ponte
sobre o Rio do Peixe, no município de Caeté, está desmoronando, obrigando
motoristas que trafegam no sentido BH a entrarem na contramão. O carreteiro
Luiz Domingos, 37 anos, diz evitar trafegar durante a noite na rodovia Fernão
Dias. ½Além dos riscos rotineiros, como ultrapassagens forçadas nas pontes
estreitas, não há acostamento e a sinalização é deplorável”, disse ontem. De
acordo com o Dnit, assim que as obras
de alargamento forem concluídas, os trechos velhos das sete pontes serão
interditados, mantendo por mais tempo ainda o afunilamento do tráfego.
A Polícia Rodoviária Federal informou que trafegam diariamente pelo trecho em
reforma da 381 cerca de 20 mil veículos. De janeiro a julho deste ano, a
corporação registrou 521 acidentes naquela rodovia, entre Sabará, na Região
Metropolitana de Belo Horizonte, e Bom Jesus do Amparo, na Região Central. O
saldo de mortos chegou a 56 e o de feridos a 464. No ano passado, no mesmo trecho,
foram contabilizados 796 acidentes, com 630 feridos e 65 mortos.
A sinalização precária nas rodovias
federais que cortam Minas, reclamação freqüente dos motoristas que trafegam
pela BR-381, vai ser um dos principais assuntos a serem debatidos na manhã de
hoje entre o diretor-geral do Departamento
Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit),
Mauro Barbosa da Silva, e representantes das nove empresas contratadas pelo
órgão para debater o desempenho na execução do serviço básico. A reunião será
realizada no Bairro Olhos d’Água, em BH.
MINAS GERAIS
21/09/2006
Trecho de 40 Kms da BR-040 será duplicado
Elian Guimarães
DO ESTADO DE MINAS
A BR-040 terá um trecho de 40 quilômetros duplicado, entre o segundo trevo de
entrada para Sete Lagoas até o entroncamento com a BR-135 (em direção a
Curvelo). O início das obras depende apenas da liberação do Estudo de Impacto
Ambiental (EIA-Rima), para que sejam feitas as desapropriações necessárias,
conforme explicou a engenheira do Departamento
Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit)
Mônica Las Casas.
A rodovia, que liga Belo Horizonte a Brasília, tem tráfego intenso,
principalmente de quem se dirige às regiões Norte e Oeste do Estado e para
Goiás. Há também um grande movimento de caminhões com sobrecarga de carvão que
abastece as indústrias de gusa da região de Sete Lagoas.
Segundo a engenheira, o trecho entre Belo Horizonte e Sete Lagoas passa por
recuperação e, em breve, será licitada a recuperação de pontes, viadutos, do
leito da rodovia e revitalização da sinalização. Em alguns pontos, o Dnit
já iniciou a recolocação de placas e está pintando faixas de sinalização
horizontal (na pista). Motoristas reclamam de buracos nas pistas e da falta de
sinalização.
Um quebra-molas, instalado em frente ao posto da Polícia Rodoviária Federal, na
altura do Km 481 é alvo constante de críticas, por ser muito alto e justamente
no local onde a duplicação termina. A servidora pública Josy Vitória Meirelles
Farinha conta que já presenciou grave acidente próximo ao quebra-molas, quando
voltava do município de Cordisburgo.
"Não há sinalização indicando a existência do quebra-molas. No feriado da
Independência, num domingo (9/9) deparei com quase cinco quilômetros de
engarrafamento até o posto da polícia. Acho um absurdo que tenha redutores
eletrônicos em vários pontos e justo em frente à PRF tem um quebra-mola,
totalmente fora dos padrões. Ele é tão alto que está todo arranhado de tantos
carros que arrastam sobre ele", afirmou Josy.
Segundo o inspetor Darlan, chefe da inspetoria e delegacia 4/03 da Polícia
Rodoviária Federal, foi pedido ao Dnit
a instalação de um redutor eletrônico, mas o processo é demorado. "Foi
colocado no local um quebra-molas, como forma de obrigar a redução de
velocidade. Essa foi a solução temporária", disse.
No local já foram registrados três atropelamentos e vários acidentes devido à
desatenção de motoristas que não respeitam as placas de redução de velocidade.
Há dois pontos de ônibus, nos dois sentidos, muito freqüentados por quem se
dirige a outros municípios ou se utiliza de ônibus urbanos de Sete Lagoas.
PAÍS/CIDADES
21/09/2006
TCU encontra indícios de desvios em 91 obras
federais
BRASÍLIA - Das 259 obras públicas federais
vistoriadas em 2006 pelo Tribunal de Contas da União (TCU), 91 (35%) têm
indícios de irregularidades graves, aponta relatório do ministro Valmir Campelo
que foi aprovado ontem pelo TCU. O relator recomenda a suspensão das verbas
liberadas pela União para contratos que somam R$ 4,3 bilhões e a paralisação
dos empreendimentos até que os problemas sejam resolvidos.
No total, foram vistoriadas obras que custarão aos cofres federais R$ 20
bilhões. Em 139 delas foram detectados indícios de irregularidades, sem
recomendação de paralisação. Não há ressalvas para apenas 29 obras fiscalizadas.
A fiscalização aponta para indícios de cinco irregularidades principais:
superfaturamento; descompasso entre pagamentos feitos e serviços executados;
alteração indevida no projeto original; licitações suspeitas e ausência de
licença ambiental.
O TCU negou ontem qualquer conotação política na escolha da data da votação do
relatório desfavorável ao governo, a 11 dias da eleição. Segundo sua
assessoria, o TCU segue determinação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO),
que exige a apresentação do relatório até o dia 30 de setembro.
A maior parte das obras com indícios de graves irregularidades apontados pelo
TCU está nas estradas federais,
com 56 empreendimentos sujeitos a paralisação. O Departamento
Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (DNIT),
responsável por estas obras, foi também o mais fiscalizado: 63% das vistorias
foram realizadas em projetos sob a responsabilidade do departamento.
Das 16 obras do Ministério da Integração Nacional vistoriadas, 12 tinham
problemas graves. O TCU recomenda ainda a suspensão da liberação de recursos
para os cinco empreendimentos do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas
(DNOCS)que foram fiscalizadas e para as duas do Ministério do Meio Ambiente. O
relator nega que a paralisação seja um recurso extremo: "O objetivo é
garantir que o contrato será ajustado sob os aspectos técnicos e econômicos de
forma a permitir o correto andamento das obras. Se não houver correções, as
obras com irregularidades graves não serão concluídas de qualquer forma, porque
os aditivos necessários extrapolarão os 25% permitidos."
O relatório do TCU serve de base para a elaboração do Orçamento 2007 pelo
Congresso. Depois de votado o relatório, o tribunal abre prazo para as defesas,
em geral feitas pelos ministérios. As investigações continuam e, nos casos em
que forem comprovadas irregularidades graves, a suspensão dos recursos deve ser
incluída pelos parlamentares na lei orçamentária do ano que vem.
As liberações, nestes casos, só são autorizadas quando a União comprovar a
solução das irregularidades. Pelas contas do ministro Valmir Campelo, a
retenção dos recursos vai levar a um benefício potencial de pelo menos R$ 1
bilhão.
NATAL
21/09/2006
Serviço na BR-101 depende de desapropriação
A construção das marginais da BR-101 num
trecho de 4 km, em Parnamirim, ficou para uma etapa posterior da obra de
duplicação da estrada, mas ela vai acontecer. O serviço está dependendo da
conclusão do processo de desapropriação de cerca de 186 imóveis que estão no
caminho.
Como o procedimento é complicado e bastante lento, o Departamento Nacional de
Infra-Estrutura de Transporte (Dnit)
resolveu “pular” a área urbana do município e adiantar os trabalhos de
duplicação da BR na zona rural, já perto de São José de Mipibu.
O diretor do Dnit no Rio Grande do
Norte, José Narcélio Marques, informou que os imóveis, a grande maioria comercial,
vão ser mesmo desapropriados. O processo, segundo ele, passou pelas primeiras
etapas — cadastro, levantamento da planta baixa e pesquisa de mercado. O
momento atual é de avaliação dos imóveis para começarem os contatos com os proprietários
e negociar a indenização.
De acordo com Narcélio, as desapropriações acontecerão ou com a permissão do
dono, ou por meio de negociação ou com autorização judicial, em caso de não
haver acordo. “O progresso, às vezes, exige sacrifício, infelizmente. Mas o
interesse público deve prevalecer sobre o particular”, disse o diretor regional
do Dnit, ressaltando que as
dificuldades encontradas nesse estágio não vão atrapalhar o cronograma da obra
de duplicação. “Foi preciso pular Parnamirim para não atrasar. A obra não está
sendo linear, mas vem sendo feita”.
As duas marginais, uma em cada sentido da BR-101, terão 12,5 metros cada. Elas
servirão para o tráfego local, enquanto a rodovia federal ficará para os transportes
de cargas, ônibus de viagem e carros pequenos que trafegam entre os municípios.
Além das pistas laterais, o projeto de duplicação da BR ainda prevê, na área
urbana, a construção de uma passarela.
Retirar os inúmeros imóveis às margens dos 4 km de estrada é, segundo Narcélio,
a parte mais “penosa” da obra de duplicação da BR-101, mas não é o único
empecilho. De acordo com ele, três das cinco concessionárias que têm
autorização a título precário para manter suas estruturas no local estão
colocando obstáculos para transferir as tubulações, canos, postes e demais
materiais para outro lugar.
“A Telemar e Embratel concordaram, mas as outras, Cosern, Potigás e Caern,
estão dificultando. Elas alegam falta de recursos, mas vão ter que tirar. O Dnit
não deve e não vai arcar com os custos, porque por lei as concessionárias são
obrigadas a fazer a transferência no caso de haver uma obra pública geradora de
benefícios”, disse.
Obra começou em dezembro de 2005
As obras de duplicação da BR-101 em território potiguar vão do viaduto de Ponta
Negra, em Natal, ao entroncamento com a RN-061, próximo ao município de Arês. O
serviço abrange 46,2 km e possui valor estimado em R$ 108 milhões.
O 1º Batalhão de Engenharia de Construção do Exército, responsável pelo
serviço, começou a trabalhar em dezembro de 2005. A previsão de conclusão é de
dois anos e meio. Segundo o capitão Gregor, 14% da terraplenagem foram
concluídos; o reforço de pavimentação foi executado em 63% da pista. O serviço
mais avançado é a duplicação do viaduto de Ponta Negra. De acordo com o
capitão, faltam 8% para o trabalho ser concluído.
O projeto prevê o recapeamento de todo o trecho, a duplicação — em concreto —
de 36 km de pista e também do viaduto de Ponta Negra, além da construção de
três pontes e cinco passarelas — em Natal, Parnamirim e São José do Mipibu.
Proprietários falam sobre a desapropriação
A maior parte dos imóveis que terão que ser desapropriados é comercial. Alguns
estão no local há mais de 20 anos. Há lojas de médio porte e prédios com até
três andares, formando um comércio bastante diversificado.
Enquanto o Exército toca a obra de duplicação na parte rural, longe dali, a
rotina de trabalho segue normalmente na área urbana. Aliás, os comentários e
rumores entre as pessoas que trabalham nos comércios que estão no caminho do Dnit
são de que “a desapropriação não vai acontecer”.
Um funcionário de uma loja de material de construção disse que há tempos
ninguém lá ouve falar da construção das marginais. O proprietário de uma loja
de varejo, o comerciante Francisco de Assis Souza, confirma que o comentário é
de “que não vai sair nada”.
Francisco lembra que no início da duplicação, a notícia da desapropriação fez
os proprietários dos imóveis se unirem num movimento para discutir o problema,
mas hoje muita gente está descrente em relação à desapropriação.
BRASIL/MUNDO
21/09/2006
Divulgada relação de 89 obras irregulares
TCU - Órgão recomenda ao Congresso que
suspenda recursos para as construções apontadas; duas delas estão no Tocantins
Agência Brasil
Brasília
O Tribunal de Contas da União (TCU) vai encaminhar ao Congresso Nacional
relatório recomendando a suspensão dos recursos no Orçamento da União de 2007 e
a paralisação de 89 obras públicas com indícios de irregularidades graves. O
relatório foi aprovado por unanimidade ontem pelo plenário do TCU. Em duas das
obras no Tocantins - na BR-230 e na BR-235 - foram apontados superfaturamento,
sobrepreço e reajustamento irregular.
A medida pode significar economia de R$ 1 bilhão aos cofres públicos. Do total
de 259 obras fiscalizadas pelo tribunal em 2006, em 89 (35%) foram detectadas
irregularidades graves, que podem provocar a paralisação. Outras 141 têm
irregularidades que no entanto, não comprometem a continuidade, e apenas 29 não
têm nenhum tipo de restrição.
As obras com irregularidades graves correspondem a R$ 4,3 bilhões do total de
R$ 20 bilhões que as obras fiscalizadas pelo tribunal movimentam. As
irregularidades mais comuns detectadas são superfaturamento, falta de projeto
de licença ambiental e licitação dirigida, de acordo com o ministro do TCU e
relator do processo, Valmir Campelo. Eleexplicou que as irregularidades apontadas
são apenas indícios e que os gestores públicos podem encaminhar ao TCU
esclarecimentos que expliquem os problemas detectados. Uma vez sanadas essas
irregularidades, o Congresso Nacional tem poder para, por decreto legislativo,
alocar recursos para a continuidade daquela obra, afirmou.
Os órgãos que têm o maior número de empreendimentos com problemas são o
Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes (Dnit)
e o Ministério da Integração Nacional. De acordo com Campelo as paralisações
das obras não trazem transtornos e prejuízos para a sociedade. “Se liberarmos
recursos estamos alimentando o possível corrupto. A sociedade perde porque o
preço de uma obra é dobrado pelo superfaturamento”, afirmou.
Obras com indícios de irregulares no Tocantins
Contrato 200/96
- Serviço: Execução dos serviços de terraplenagem, pavimentação asfáltica e
obras de artes especiais na rodovia BR-230, trecho: Macaúba/Estreito (divisa
TO/MA).
- Problema: Superfaturamento
Contrato 86/2000
- Serviço: Execução de serviços de terraplenagem, pavimentação asfáltica e
obras de artes especiais na BR-230, subtrecho km 20 (a partir do
Estreito)/Luzinópolis
- Problema: Sobrepreço
Contrato 184/2000
- Serviço: Execução dos serviços de terraplenagem, pavimentação asfáltica e
obras de arte correntes e especiais na rodovia BR-235, Lote 1 (Estaca 4.520 a
00)
- Problema: Sobrepreço e reajustamento irregular
Contrato 185/2000
- Serviço: Execução dos serviços de terraplenagem, pavimentação asfáltica e
obras de arte correntes e especiais na rodovia BR-235, Lote 2 (Estaca 7.742 a
4.520)
- Problema: Reajustamento irregular e sobrepreço