CIDADE
24/08/2006
Freio para os mais
apressados
Dnit faz estudo
para instalar mais barreiras eletrônicas na rodovia. Medida é para conter o
excesso de velocidade e o número de acidentes
Luciene Cruz
A entrega das obras de duplicação da BR-060, que liga Brasília a Goiânia (GO),
está marcada para o dia 10 de outubro. Entretanto, com a finalização dos
serviços, vem uma outra preocupação para os responsáveis pelo Departamento Nacional de
Infra-Estrutura de Transportes (Dnit): o excesso de velocidade.
"Sabemos que com as pistas melhores, os motoristas costumam pisar forte no
acelerador", observou o diretor-geral do órgão, Mauro Barbosa. Para coibir
os condutores mais apressados, o Dnit vai
instalar mais barreiras eletrônicas na rodovia.
Para detectar esses locais mais críticos do trecho, o diretor-geral do Dnit, com engenheiros e agentes da
Polícia Rodoviária Federal, percorreu a malha ontem. Entre o início dos estudos
e a instalação dos redutores de velocidade, o órgão deve levar 120 dias.
Segundo o engenheiro José Maia Neto, supervisor regional do Dnit em Anápolis, um dos fatores
determinantes para a instalação de barreiras eletrônicas é a mudança brusca de velocidade.
"Em alguns pontos o motorista atinge facilmente 120km/h, mas tem que
reduzir a 80km/h, por conta de uma curva, por exemplo. Assim ocorrem os
acidentes", disse.
Como o excesso de velocidade e a imprudência correm juntos nesse trecho, as
obras de duplicação deveriam reduzir o número de acidentes no trecho. Segundo
dados da PRF, entre janeiro e julho deste ano, ocorreram 200 acidentes, com
seis mortos e 67 feridos. Destes, 42 ocorreram no último trimestre. As cinco
mortes ocorridas do último final de semana para cá ainda não entraram nas
estatísticas. Durante todo o ano passado, foram 220 colisões, com cinco vítimas
fatais e 119 feridos leves. Os acidentes ainda ocorrem com mais freqüência
entre o quilômetro zero e cinco, mais conhecido como Sete Curvas.
Assim que acabarem os serviços de duplicação na rodovia, começam as obras de
recapeamento do trecho antigo. A previsão de conclusão desses serviços é até o
fim de novembro. "Estamos com as máquinas nas pistas para garantir as
condições de trafegabilidade, mas ainda precisamos conscientizar os
condutores", disse Barbosa.
Sete curvas
O trecho do quilômetro zero ao cinco, mas conhecido como sete curvas, ainda é o
que registra mais acidentes na BR-060, que liga Brasília a Goiânia. Do total
dos 200 acidentes ocorridos em toda a rodovia no primeiro semestre de 2006, 104
colisões ocorreram no trecho acima, somente nos primeiros três meses deste ano.
Os números quase atingem o total de 121 acidentes ocorridos em 2005. Cerca de
15 pessoas trafegam na BR-060 diariamente.
Para tentar amenizar esse problema, os quilômetros que fazem parte do trecho da
sete curvas foram reprojetados. A idéia é que a malha fique com menos curvas e
declives. As pistas antigas serão desativadas para recapeamento, assim que as
obras forem entregues. O investimento total feito na BR-060 é de R$ 160
milhões, com toda a duplicação da rodovia que vai de Brasília a Goiânia, que
somam 200 quilômetros.
Para melhorar a trafegabilidade do motorista pelas rodovias federais o Departamento Nacional de
Infra-Estrutura Terrestre (Dnit) investiu 14 bilhões em obras. Ao
todo, 4.500 obras estão em andamento em todo o país, e 48 mil quilômetros da
malha rodoviária serão recuperadas. Destes, 24 mil serão entregues até dezembro
de 2006. A outra parte deve ser entregue toda em 2007.
R$ 20 milhões gastos em obras
A quantidade de barreiras eletrônicas que serão instaladas na BR-060 só será
definida com o fim dos estudos iniciados ontem. Entretanto, cinco redutores de
velocidades já inibem os condutores apressados. Ao todo, R$ 20 milhões foram
gastos nas obras de duplicação da Sete Curvas. Com a melhoria das vias, o tempo
de viagem foi reduzido. "Fazer o percurso de carro está mais rápido que de
avião. A média é duas horas de carro. De avião, você leva 30 minutos, mas gasta
muito mais tempo no aeroporto", comparou Mário Barbosa, diretor-geral do Dnit.
O PAÍS
24/08/2006
Alckmin muda
estratégia: 'Lula é desastre na ética'
Tucano tentará
desconstruir imagem do presidente mostrando supostos erros do petista na campanha
Gerson Camarotti
e Adriana Vasconcelos
BRASÍLIA.
Pressionado pelos aliados, o comando de campanha do candidato tucano à
Presidência, Geraldo Alckmin, busca uma nova estratégia para tentar
desconstruir a imagem do presidente Lula. Os tucanos estão produzindo material
para responder ao que é apresentado como positivo pelo PT no programa eleitoral
do presidente no rádio e na TV. Alckmin também adotou tom mais duro em entrevista
ontem em Brasília, quando disse que a corrupção no governo não é fato isolado e
que o governo Lula “é um desastre do ponto de vista ético”.
Mas, contrariando o que pensa o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso — que considera
haver condições de ser pedido o impeachment do presidente Lula — Alckmin disse
que quer tirar o tucano da Presidência pelas urnas.
— Queremos tirar o Lula através da eleição. Entendo que o Brasil é um desastre
do ponto de vista ético. A corrupção não é um fato isolado, mensalão é uma
coisa que atenta contra a democracia porque é um poder comprando outro — disse
o tucano.
Tucano filmará locais e obras citados por Lula Após a análise detalhada do
programa de TV do presidente Lula, uma equipe foi acionada para gravar em obras
e locais apresentados pelo petista como ações positivas de governo.
O PSDB quer mostrar ao eleitor que muito do que é apresentado não existe ou
funciona precariamente.
A equipe de Alckmin vai fazer imagens de obras de duplicação da BR-101 no
Nordeste, da operação tapa-buraco em estradas sem
condições de tráfego, e dos locais onde seriam a refinaria de Pernambuco e a
siderurgia no Ceará, ainda vazios. O PSDB vai dizer que isso é apenas publicidade
e que nada saiu do papel.
Alckmin disse que Lula vive num mundo virtual e que exagera na propaganda: — O
que existe no governo é propaganda. A máquina publicitária é muito grande e
descolada da realidade.
Ele atacou a decisão de Lula de antecipar para setembro o pagamento do 13osalário
dos aposentados e pensionistas do INSS, afirmando que é uma medida eleitoreira:
— Antecipar o 13oé muito bom. No governo de São Paulo pagamos há oito anos
metade do 13ono aniversário do funcionário.
O errado é essa política atrasada, é fazer as coisas em razão da eleição. De
quanto foi o reajuste de salário-mínimo este ano? Foi de 16,6%.
De quando foi no primeiro ano de Lula? De 1%. Se amanhã não tiver eleição,
volta tudo para 1%. Essas medidas só têm uma lógica: o poder.
Aliados entendem que Alckmin vai começar a mudar o tom a partir de sua
dificuldade de subir nas pesquisas. Ele esforçouse para passar otimismo e
afirmou que estará no segundo turno. Disse que tem percebido nas ruas uma
mudança de percepção do eleitor e mostrou-se seguro de que estará no segundo
turno: — Pode escrever aí, hoje, dia 23 de agosto: eu vou estar no segundo
turno. Crescemos um pouquinho e o adversário cresceu um pouquinho. A diferença
entre a soma dos candidatos e o adversário é de dez pontos. É só virar cinco
pontos que temos segundo turno. Médico tem sensibilidade, percebo na rua essa mudança
em três programas de TV. Vamos para o segundo turno. E no segundo turno Lula
não tem como fugir do contraditório.
O tucano continua com dificuldades em estados importantes como no Rio. O jantar
com o prefeito do Rio, Cesar Maia, na terça-feira à noite, não conseguiu
solucionar um dos principais problemas da campanha no estado: garantir o apoio
de aliados do senador Sérgio Cabral (PMDB), candidato a governador, sem criar
atritos com o PFL local.
Alckmin, segundo interlocutores, sequer teria tido coragem de abordar o assunto
com Cesar. Ponderou apenas que seus dois palanques no estado — o da candidata
do PPS, Denise Frossard, e o do PSDB, deputado Eduardo Paes — não estariam lhe
dando o retorno esperado e, assim, não poderia recusar o apoio de alas
estratégicas do PMDB.
— É um grande equívoco.
Nas pesquisas com voto espontâneo, Alckmin tem mais voto sozinho do que Denise
e Eduardo juntos. Sem uma ação firme do candidato, o problema no estado
continua sem solução e trazendo prejuízos para a campanha — lamentava um
estrategista da campanha de Alckmin que defende a aproximação com Cabral.
Assessores de Cabral garantem que ele não pretende rever sua decisão de se
manter neutro em relação à eleição presidencial. Favorito na disputa estadual,
Cabral estaria sendo assediado não só por aliados de Alckmin, como por
emissários de Lula.
NO GLOBO ONLINE: Que pergunta você faria aos candidatos a presidente?
POLÍTICA
24/08/2006
Lula lança as
pontes para 2º mandato
Raymundo Costa e
Cristiano Romero
Com a reeleição praticamente assegurada no primeiro turno, segundo as pesquisas
de intenção de voto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já começou a
discutir o eventual segundo mandato com aliados e auxiliares mais próximos. Num
governo renovado, Lula pretende melhorar as relações com o Congresso e com a
imprensa, áreas onde reconhece que errou muito ao longo do primeiro mandato. No
primeiro caso, a idéia, segundo um colaborador próximo, é "trabalhar rapidamente
uma pauta congressual" com a oposição. O modelo de governo de coalizão com
o PMDB também está em fase de acabamento.
O presidente vai tentar distender o relacionamento com a oposição,
especialmente com o PSDB de Aécio Neves, governador de Minas Gerais candidato à
reeleição, e José Serra, que concorre em São Paulo. Ele pretende procurar Serra
para uma conversa, caso o tucano confirme o favoritismo apontado pelas
pesquisas e se eleja governador. "Na hora em que ganhar a eleição, ele não
será mais candidato a nada", observa um ministro.
Lula já tomou algumas decisões quanto aos rumos de seu governo num segundo mandato.
A política econômica, por exemplo, não muda. O presidente atribui a sua elevada
popularidade, às vésperas da eleição, aos resultados dessa política, que
derrubou a inflação e permitiu a retomada, mesmo que tímida, do crescimento
econômico. "O presidente é extremamente conservador em matéria
macroeconômica", testemunha um ministro.
O segundo governo Lula, na realidade, começaria no dia seguinte às eleições,
com o desencadeamento de ações conjuntas para combater a crise de segurança em
São Paulo. O governador Cláudio Lembo já concordou com a estreita cooperação
entre os governos federal e estadual. O veto hoje é do secretário de Segurança
Pública, Saulo de Castro Abreu Filho.
A questão eleitoral é que emperra a discussão. Saulo, a quem Lembo de vez em
quando se refere como "o Requião sem mandato" (referência ao
governador do Paraná, Roberto Requião) foi nomeado pelo candidato tucano a
presidente, Geraldo Alckmin, que chegou a cogitá-lo para a própria sucessão em
São Paulo.
Apesar da crise de segurança, o governo de São Paulo, por exemplo, não se
dispôs até agora a transferir líderes do crime organizado para o presídio
federal de Segurança Máxima de Catanduvas (PR). O Palácio do Planalto espera
que essa atitude mude após a eleição. Mesmo com a vitória do candidato tucano
José Serra, que tem a intenção de entrar firme no combate ao crime organizado,
se for eleito.
Um trabalho de aproximação com Serra já está em curso. Amigos que se
encontravam desavindos há alguns meses, após trocas de farpas por meio da
imprensa, José Serra e o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, se
reaproximaram e conversaram longamente no último domingo, em evento na sede da
Federação Israelita do Estado de São Paulo.
Thomaz Bastos, com isso, junta-se ao presidente da Câmara, Aldo Rebelo, que tem
sido o principal canal de interlocução entre o presidente da República e o
ex-prefeito de São Paulo. O deputado defende inclusive que Lula deva se manter
o mais distante possível da eleição paulista, procurando vencer a votação para
presidente também em São Paulo, mas sem atacar e destruir as pontes com José
Serra.
A relação com Aécio Neves, que deve se reeleger com tranqüilidade para o
governo de Minas Gerais, já é considerada excelente. Como não será mais
candidato, acredita-se no Planalto que Lula não terá maior dificuldade para
conversar com a oposição e talvez até, quem sabe, tentar aproximar PT e PSDB no
horizonte de 2010.
Lula conta manter uma boa relação com o ex-governador de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos,
que deve se eleger senador pelo PMDB. "O presidente gosta muito de Jarbas,
e vice-versa", diz um aliado. O deputado Jader Barbalho, que na campanha
já é um dos principais conselheiros de Lula, poderá vir a ter um papel no
segundo mandato, mas longe dos holofotes. A avaliação no Planalto é a de que
Jader é um articulador competente, "quase genial", nas palavras de um
ministro próximo do presidente.
No PT, o presidente aposta no crescimento do deputado José Eduardo Cardoso
(SP), com quem já teve divergências no passado. Uma idéia ousada e
surpreendente que tem sido comentada no círculo político de Lula é a hipótese
de viabilizar o nome do ex-ministro Antonio Palocci para a presidência da
Câmara. Seja como for, aposta-se que Palocci será eleito e terá papel
importante na Câmara.
Conservadorismo macroeconômico do presidente afasta risco de 'chavismo' num
eventual 2º governo
Quem conversa com o presidente sobre o próximo mandato diz não ter a menor
sombra de dúvida: seria infundado o risco de que Lula possa vir a adotar
qualquer atitude "chavista". Não é à toa que o presidente conversa
seriamente sobre um governo de coalizão com o PMDB, partido que pode eleger a
maior bancada de deputados, um bom número de governadores e que, apesar da fama
de fisiológico, tem tradição e uma imagem na opinião pública muito melhor que a
dos partidos mensaleiros PP, PTB e PL.
A sigla já apresentou um modelo de coalizão a Lula, assemelhado à concertação
chilena. Nos últimos dias, o presidente do Senado, Renan Calheiros, e o senador
José Sarney, os dois principais interlocutores do presidente no PMDB, estiveram
com Lula para aprofundar as negociações em torno da aliança.
Pela proposta, o PMDB ficaria com uma área do governo, integralmente. Por
exemplo: se for a área social, ficaria com a Saúde e o Desenvolvimento Social.
No caso de Infra-Estrutura, cuidaria das Comunicações, Minas e Energia, Transportes
e Integração Nacional. De "porteira fechada", ou seja, com a
responsabilidade de fazer as indicações para todos os cargos, dos ministros aos
presidentes de autarquias. O pressuposto é que o PMDB também se responsabilize
por qualquer problema que vier a ocorrer com seus indicados.
Mas o fundamental na proposta pemedebista é que o partido quer um assento no
Palácio do Planalto, o que significa participar da coordenação administrativa ou
política, do núcleo decisório do governo. Os pemedebistas avaliam que a relação
não deu certo antes justamente porque o partido não teve voz junto ao
presidente. Eles elogiam muito a ministra Dilma Roussef (Casa Civil), que deve
permanecer, avaliam que ela administra muito bem o governo, mas não deixou de
ser uma "comissária" dos interesses do PT.
A extensão da participação do PMDB agora só depende do número de votos que
tirar das urnas no dia 1º de outubro. O PMDB acredita que vai eleger a maior
bancada da Câmara dos Deputados, manter o maior número de representantes no
Senado e conquistar pelo menos dez governos estaduais.
As expectativas quanto ao desempenho do PT nas eleições são mais modestas. O
partido concorre com chances efetivas de vencer a disputa em três estados
pequenos - Piauí, Sergipe e Acre. No Planalto, aposta-se que o partido, apesar
da piora de imagem provocada pelos inúmeros casos de corrupção, sairá pelo
menos com a mesma bancada da atual legislatura.
O posto visado no Palácio do Planalto pelo PMDB é a coordenação política, hoje
ocupado pelo ministro Tarso Genro (Relações Institucionais). O nome em
circulação no PMDB é o de Nelson Jobim, o ex-presidente do Supremo Tribunal
Federal que Lula chegou a cogitar de ter como companheiro de chapa na eleição.
Neste caso, Genro poderia ser deslocado para o Ministério da Justiça, que
ficará vago com a disposição de Márcio Thomaz Bastos de não participar do
próximo governo.
O titular do Ministério da Fazenda, Guido Mantega, espécie de curinga do presidente,
pode ser deslocado para outra função. Lula gosta de Guido, que o acompanha
desde os tempos em que ambos estavam no Instituto da Cidadania, mas poderá
optar por um nome de maior envergadura junto aos mercados. Guido tem arestas
com o setor financeiro, que sempre o viu com desconfiança por causa das idéias
que defendeu no passado, mas, na avaliação do Planalto, o ministro tem se saído
bem. "Quem vai para a Fazenda é capturado pela racionalidade",
pondera um ministro.
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, não só quer permanecer no
governo, como ficaria feliz com uma promoção. Ele pode permanecer onde está,
embora o compromisso assumido pelo presidente, revela um aliado com trânsito no
Planalto, é o de que ele ficaria no cargo até 31 de dezembro de 2006.
A Fazenda tem candidatos fortes, como o presidente da Petrobras, Sérgio
Gabrielli, que além de apoio no PT poderia ser "adotado" também pelo
PMDB. Delfim Netto, por exemplo, fala bem dele, assim como o senador Renan
Calheiros. O senador Aloizio Mercadante é considerado nome certo no novo
ministério, mas não na equipe econômica. Uma Pasta com visibilidade, mas longe
do Ministério da Fazenda.
Nos últimos dias, animado com as pesquisas eleitorais, Lula se divertiu ao
rememorar os conselhos que recebeu no auge da crise do mensalão. Naquele
momento, petistas e ministros importantes, como Palocci, sugeriram que, para
contornar a crise que chegou às cercanias do Planalto, ele anunciasse que não
disputaria a reeleição. "Queriam que ele desistisse, mas ele não topou.
Todos erraram", conta um aliado.
ARI CUNHA
24/08/2006
MS
Paulo Sérgio
Passos, ministro dos Transportes, visita hoje às 15h a rodovia BR
158, na ponte sobre o Córrego São Mateus, no município de Selvíria, em Três
Lagoas. O senador Ramez Tebet confirmou presença. Afinal, ele é da terra.
CIDADES
24/08/2006
Adriana
Bernardes
Da equipe do Correio
Quatro acidentes em uma hora deixaram quatro pessoas feridas, ontem, na BR-060,
que liga Brasília a Anápolis. Só no km 26, perto de Alexânia, a Polícia
Rodoviária Federal registrou duas capotagens, uma delas de um carro da Polícia
Militar, dirigido por Sebastião Pereira e ocupado por mais três pms. Todos
tiveram escoriações e foram socorridos aos hospitais de Alexânia e do Gama. No
mesmo local, Vilmar Nascimento de Freitas saiu da pista e também capotou, mas
saiu ileso do acidente.
As outras duas ocorrências foram no km 22 e no km 3, das Sete Curvas. No
primeiro, José Marques Fernandes, que dirigia uma Parati, perdeu o controle do
veículo e saiu da pista. No segundo, uma carreta carregada com cerveja tombou
entre o barranco e o acostamento. A pista não precisou ser interditada. “Todos
os acidentes foram em trechos duplicados. Chovia forte. Pode ser que os
motoristas não tenham redobrado a atenção o suficiente”, disse o Inspetor
Luciano Moreira Rodrigues, responsável pela área operacional do posto da
Polícia Rodoviária Federal da BR-060.
Correria
No início da tarde o diretor-geral do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit), Mauro
Barbosa, esteve na rodovia e anunciou a instalação de barreiras eletrônicas ao
longo da BR-060. Funcionários do órgão vão percorrer a rodovia e conversar com
os policiais rodoviários federais para levantar os problemas e definir os
locais das barreiras.
Os equipamentos começam a funcionar no fim de dezembro. A intenção é forçar os
motoristas a reduzir a velocidade. “Há 10 anos o motorista demorava, em média,
três horas e meia de Brasília a Goiânia. Hoje o percurso é feito em duas horas.
Isso significa duas coisas: a pista está melhor e o condutor está correndo
mais”, ponderou Mauro Barbosa.
Preocupada com a quantidade de acidentes na BR-060, a Polícia Rodoviária
Federal divulgou uma nota em que recomenda atenção redobrada aos motoristas.
“Os constantes desvios e movimento de caminhões e tratores nos canteiros de
obras, se transformam em agravante na segurança de trânsito”, destacou o
inspetor Dalvimar de Lucas Barbosa. Ele lembrou ainda que alguns pontos do
trecho conhecido como Sete Curvas estão em obras.
Além do redutor eletrônico de velocidade, anunciou também a assinatura de dois
contratos de restauração da BR-040 e BR-020. Na primeira, a pista será
restaurada entre Valparaíso (GO) e Cristalina (GO), e vai custar R$ 26 milhões.
A outra, inclui 280km, na região de Formosa (GO) e Posse (GO) e está orçada em
R$ 28 milhões. Nos dois casos as obras vão começar em setembro. “Outra
prioridade é a BR-070, na região de Águas Lindas. Já temos os recursos
liberados para a duplicação. Só falta o licenciamento ambiental”, assegurou
Barbosa.
GERAL
24/08/2006
Ministro inicia
hoje visita em quatro cidades
Da redação
O ministro dos
Transportes, Paulo Sérgio Passos, chega hoje a Campo Grande e deve
visitar ainda as cidades de Três Lagoas, Selvíria e Paranaíba. Por volta das
8h, Passos participa da solenidade de entrega do Centro Popular de Cultura,
Esporte e Lazer da Comunidade Vida Nova I. Em seguida, ele visita as obras de
restauração da BR-262, no trecho entre Campo Grande e Água Clara.
Por volta das 12h30min, ele embarca para Três Lagoas onde cumpre agenda de
trabalho e segue para Selvíria e Paranaíba.
MINAS
24/08/2006
Acesso ao
Belvedere continua caótico
Cláudia Rezende
Repórter
Esperança de melhoria no acesso para o Bairro Belvedere e mediações, na Região
Centro-Sul, e para o município de Nova Lima, na Região Metropolitana, o projeto
de construção do Portal Sul (alça viária que prevê a ligação da MG-030 à
BR-040) está parado. Segundo a BHTrans, responsável pelo empreendimento, o
motivo é a falta de verbas, mas para os moradores da região, a paralisação do
projeto tem conotação política.
Para o presidente da Associação dos Moradores do Bairro Belvedere, Ubirajara
Pires Glória, o que está barrando o projeto é a intenção da prefeitura em
reverter a lei estadual 15.979/2006, que transformou a Mata do Cercadinho em
estação ecológica. A nova legislação, publicada em janeiro deste ano, proibiu
qualquer empreendimento no local, inclusive o projeto de construção de 12 prédios
que já estava aprovado pela prefeitura. Segundo ele, o Executivo municipal alega
que a lei também inviabilizou a intervenção viária.
Ubirajara Pires diz que conhece o projeto e garante que a alça não interfere na
estação ecológica. Ele argumenta, ainda, que a proposta do Portal Sul existia
antes da lei ser aprovada. A esperança do morador é que a área de 2 mil metros
quadrados, necessária para a construção da alça, seja incluída no plano de
manejo do Cercadinho. «É o plano de manejo que vai consolidar qual vai ser a
área da estação ecológica», diz Pires.
O presidente da associação observou que a obra é fundamental para a região,
que, segundo ele, recebe um fluxo de cerca de 11 milhões de veículos por ano
por causa dos shoppings, além do tráfego local. «É uma falta de sensibilidade
da prefeitura com quem mora no Belvedere, em Nova Lima e com quem vai aos
shoppings», diz.
O plano de manejo está sendo feito pela Copasa e Instituto Estadual de
Florestas (IEF), que têm 18 meses, a partir da entrada em vigor da lei, para
concluir o trabalho. A assessoria da Copasa informou que os estudos para o
projeto ainda estão em andamento. O órgão esclareceu, também, que o projeto
viário da região do Belvedere é um empreendimento que deverá ser submetido ao
Conselho de Política Ambiental (Copam). A assessoria do IEF não retornou as
ligações da reportagem para se posicionar sobre o assunto. A assessoria do Departamento
de Nacional de Infra-Estrutura e Transportes (Dnit)
informou que o projeto da alça do Belvedere está em análise há duas semanas no
órgão e que só iria se pronunciar depois que for concluído o estudo. A supervisão
das obras será feita pelo Dnit.
Obra de acesso para o Buritis não evita engarrafamento
A conclusão da primeira etapa das obras de melhoria viária no Bairro Buritis,
na Região Oeste de Belo Horizonte, no último sábado, ainda não conseguiu
aliviar o trânsito no local, segundo os moradores da área. O presidente da
Associação dos Moradores do Bairro Estoril (Ambe), Maurício Paceli, afirma que,
ao contrário do que se esperava, o tráfego na região ficou ainda mais tumultuado
nos últimos dois meses.
«Dizem que piorou por causa das obras do Anel Rodoviário, porque os motoristas
tentam fugir do engarrafamento passando pelo bairro. Não sei se é por isso ou
por causa das modificações promovidas», diz. Segundo ele, trafegar na região
está se tornando impossível. Segundo ele, o maior foco de congestionamento
ocorre na Avenida Barão Homem de Melo.
Para Paceli, a Avenida Mário Werneck melhorou pontualmente por causa do
alargamento de um quarteirão, mas a situação ainda é crítica. Outra área complicada,
afirma, é a interseção entre as avenidas Barão Homem de Melo e Raja Gabaglia
com Rua José Rodrigues. Ele acredita que faltam muitas obras para melhorar a
circulação, como a construção de uma trincheira e pistas exclusivas para os
bairros da região.
O presidente da Associação dos Moradores do Bairro Buritis (ABB), Marcelo de
Abreu e Lima, ainda tem esperança de que o trânsito no local fique mais
aliviado. «As obras ainda não foram concluídas. Acho que pode melhorar um
pouco», diz. Ele lamenta que a ampliação da Mário Werneck não tenha beneficiado
toda a via, que fica em três pistas em um quarteirão e, depois, volta a ser uma
faixa apenas. Abreu aponta ainda a interseção da Barão Homem de Melo com José
Rodrigues e Raja Gabaglia como um grande problema.
A assessoria da BHTrans informou que a obra não foi concluída e, por isso, os
resultados ainda não foram percebidos pelos moradores. Segundo a empresa, falta
promover uma intervenção para equacionar o problema da interseção das avenidas
Barão Homem de Melo e Raja Gabaglia com a Rua José Rodrigues. Outra obra
prevista é o prolongamento da ampliação da Mário Werneck em direção ao Anel
Rodoviário, com a redução do canteiro central.
CIDADES
24/08/2006
BR-174 passa por
nova recuperação
ELIANE ROCHA
Editoria de Cidade
O Programa do Governo Federal para recuperação de rodovias, chamado de “Operação
Tapa-Buracos”, não solucionou o problema da BR-174. A obra que custou R$ 11
milhões passa novamente por reparos. Desta vez o recurso para realizar obras de
revitalização e conservação da rodovia é de R$ 117 milhões.
Segundo o diretor do Departamento Estadual de Infra-Estrutura de Transporte
(DEIT), José Eufrânio Alves, o serviço realizado no início deste ano precisa
ser refeito em virtude das fortes chuvas que abriram novos buracos na rodovia.
Por se tratar de uma obra de emergência, ele disse que o tempo não foi
suficiente para realizar toda a obra que a estrada necessita. “A rodovia
precisa de um recapeamento geral”, disse, ao frisar que o recurso destinado
para a obra será descontado cerca de R$ 6 milhões referentes ao programa
federal de tapa-buracos.
O serviço de revitalização da estrada – que consiste na correção de defeito do
asfalto e recapeamento geral – ficou dividido por trechos, onde cada empresa
vencedora do processo licitatório está responsável pela execução da obra.
Os trechos ficaram assim distribuídos: Divisa com o Estado do Amazonas a Vila
do Equador – 116 quilômetros; Rio Dias a Caracaraí – 108 quilômetros; Caracaraí
a Boa Vista; e Boa Vista a Pacaraima. Esses quatro contratos correspondem a R$
96 milhões.
Nesses pontos, segundo Eufrânio, a falta de conservação da rodovia contribuiu
para abertura de novos buracos e somente um trabalho de tapa-buracos não
resolveria o problema no asfalto. Por isso será feito um trabalho de correção
de toda a pista para eliminar o excesso de buracos que se abrem, devido à
erosão do asfalto.
Foi feita ainda a licitação para conservação da estrada – que consiste no
serviço de tapa-buracos e limpeza da rodovia – que ficou dividida em três
trechos: Divisa com o Estado Amazonas a Vila do Equador; Vila do Equador a Novo
Paraíso; e Caracaraí a Boa Vista. Esses três contratos estão orçados em R$ 21
milhões, onde cada empresa receberá R$ 7 milhões para executar o serviço.
No trecho Caracaraí a Boa Vista a empresa Araújo Ltda, que ganhou a licitação
de R$ 7 milhões para fazer a conservação da estrada, está com equipes na rodovia,
fazendo o serviço de capina e roçado no acostamento da pista.
Segundo funcionários da empresa, o trabalho de conservação será feito até o
posto fiscalização da Polícia Rodoviária, em Boa Vista. Outra equipe realiza do
trabalho de tapa-buracos, de Mucajaí a Iracema.