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BRASIL
24/03/2007
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Missão de Walfrido é acalmar insatisfeitos
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O novo ministro da Coordenação Política, Walfrido Mares Guia,
terá como primeira missão no cargo apaziguar os ânimos dos partidos aliados
ainda não contemplados pela reforma ministerial.
Na próxima semana, o governo deve dar ao PSB a aguardada resposta sobre a
Secretaria Extraordinária dos Portos. Ontem, o presidente se reuniu por
mais de duas horas com o presidente do partido e governador de Pernambuco,
Eduardo Campos, que saiu sem uma posição concreta sobre o desejado posto na
Esplanada.
- O presidente tranqüilizou o partido e deixou claro que o PSB não ficará
desconfortável no governo porque ele vai considerar a nossa posição política
- assegurou o senador Renato Casagrande (ES), que participou do encontro.
Dentro da legenda, a interpretação é que Lula finalmente destinará a
secretaria ao PSB na próxima semana, durante viagem que o presidente fará ao
Estado do Pernambuco.
Caberá a Walfrido ajudar a resolver o problema com o PR, atual destinatário
do Ministério
dos Transportes, que já se manifestou contrário à separação da Secretaria da
estrutura do Ministério.
Também está sobre a mesa do novo titular da Coordenação Política a relação do
governo com o PDT, ansioso para receber a pasta da Previdência Social. Os
nomes do presidente da sigla, Carlos Lupi, e do secretário-geral do PDT,
Manoel Dias, são os mais cotados para o cargo.
A solução do enredo entre os aliados sobre a reforma ministerial deve acabar
na próxima semana, diz Walfrido.
- Acredito que até o final deste mês, vamos ver tudo equacionado - declarou.
Na próxima terça-feira, mais dois ministros tomam posse. O novo titular da
pasta do Desenvolvimento, Miguel Jorge, e o jornalista Franklin Martins, que
comandará uma secretaria, com status de ministério, responsável pela
comunicação social do governo.
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PAINEL
24/03/2007
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Compasso de espera
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A bancada do PR se reuniu na quinta com Alfredo Nascimento e
deliberou que o senador só reassumirá os Transportes na semana que vem se
Lula chamar o partido para "uma conversa". O assunto não é outro
senão a subtração da área de portos do ministério para dar origem a uma
secretaria a ser entregue ao PSB.
O próprio Nascimento disse ontem a parlamentares que pode não tomar posse se
Lula não "explicar o sentido" da mudança. Queixou-se de que o
Planalto confirmou sua escolha sem que o presidente o tenha chamado, ou ao
comando do PR. Inflado graças ao poder de atração do vistoso ministério, o
partido quer uma compensação por ficar sem uma área em que vários de seus
parlamentares têm indicados e interesses.
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NACIONAL
24/03/2007
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Disputa PR-PSB atrasa definição nos Transportes
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Favorito a voltar ao cargo, Nascimento quer que Lula desista
de criar Secretaria de Portos para socialistas
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Tânia Monteiro
Na segunda-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reúne com a
ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, e técnicos do governo com ligação na
área de transportes, para definir se cria ou não a Secretaria
de
Portos,
com status de ministério, que está sendo objeto de disputa entre o PSB e o
PR. Lula não gostou da forma como o presidente do PR, senador Alfredo
Nascimento (AM), que já foi ministro dos Transportes e é o mais forte
candidato a ocupar o cargo, tentou forçá-lo a desistir da criação da pasta.
Nascimento concedeu entrevistas afirmando que o partido não aceita o
ministério sem a secretaria e se o presidente optar por essa mudança estará
cometendo um erro administrativo.
Para interlocutores de Lula, esse tipo de pressão normalmente não apresenta
bons resultados e pode levar o presidente a repensar todo o desenho dessas
áreas, com o risco de até deixar Nascimento de fora do governo. Uma decisão
sobre a questão deverá ser tomada na semana que vem - isso se o presidente
não acabar optando por “empurrar com a barriga” o assunto para acalmar a
disputa pela secretaria.
Ontem Lula convocou o PSB para uma reunião no Palácio do Planalto, no fim da
tarde. Na conversa, assegurou aos parlamentares do partido que podem ficar
tranqüilos, mas não garantiu que eles terão a nova pasta.
O governador de Pernambuco, Eduardo Campos, presidente do PSB, que também
esteve com Lula, avisou que o partido não será um problema para o governo. “O
PSB não apóia o governo em troca de espaço, de caixinha, de ministério ou de
diretoria de empresa”, declarou ele, explicando que o partido não vai
constranger o presidente com nenhum pleito. Campos disse que Lula espera
fechar a reforma ministerial na semana que vem e anunciar todas as nomeações
ainda pendentes.
EQUILÍBRIO DE FORÇAS
Já o líder do PSB no Senado, Renato Casagrande (ES), contou que “o presidente
disse que desconhece os espaços que o governo tem e precisa ter a exata noção
desse espaço, para poder encontrar o equilíbrio de forças”. Segundo ele, o
comportamento do PR ao pressionar contra a retirada da Secretaria de Portos do Ministério dos
Transportes não foi bom para o próprio partido.
“Não ficou bom para eles mesmos porque quem manda no governo é o presidente”,
afirmou Casagrande, ao insistir em que o apoio do partido ao governo não está
condicionado aos cargos que vier a obter. “Para resultado no Congresso
traduzido em votos, é indiferente para nós os cargos obtidos. Não é isso que
orienta o nosso partido a apoiar o governo, mas o projeto político”,
declarou. Só que fez uma ressalva: “Não vamos ficar brigando por um cargo,
mas se ficarmos só com o Ministério da Ciência e Tecnologia, tenho de dizer
que não estaremos sendo atendidos em nossas posições políticas.” Disse ainda
que, se Lula resolver nomear Pedro Brito para a Secretaria de Portos, o partido estará
atendido.
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ECONOMIA &
NEGÓCIOS
24/03/2007
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Delegação do Porto de Santos ao Estado
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Manoel A. S. Reis*
Foi uma grata surpresa saber que o governador José Serra tem por objetivo
obter a delegação da gestão do Porto de Santos ao governo do Estado de
São Paulo.
Durante os anos de 2001 e 2002, foi desenvolvida uma intensa atividade
visando a transferir a responsabilidade pela gestão do Porto de Santos do
governo federal para o governo do Estado de São Paulo, com a participação dos
municípios de Santos, Guarujá e Cubatão. Essa ação resultou do interesse do
governo do Estado de São Paulo em receber a delegação, à luz da Lei 9.277 de
10/5/1996, que representava a política do governo federal de descentralizar a
gestão portuária, tornando-a mais eficiente e competitiva. Por intermédio
dessa lei, muitos portos brasileiros foram delegados com sucesso a órgãos
governamentais locais. Na época, o trabalho foi intenso e completo, tendo-se
chegado a um convênio pronto para ser assinado em setembro de 2002, já
equacionados todos os problemas jurídicos e, em especial, os financeiros, que
não eram pequenos, e preparadas as minutas das leis estadual e municipais que
seriam necessárias. Resultado? O convênio não foi assinado e os motivos,
apesar de não ditos, eram claramente políticos, pois, tecnicamente, o
convênio era perfeito. Tivesse a delegação acontecido e a história do Porto de Santos teria
sido bem melhor para São Paulo, para a região e para o Brasil!
Em agosto de 2001 foi assinado um Protocolo de Intenções entre a União, o
Estado de São Paulo e os três municípios, visando à delegação do Porto de Santos,
responsável pela movimentação de 27% do comércio exterior brasileiro. Em
outubro do mesmo ano, o ministro dos Transportes constituiu um
grupo de trabalho que contava com membros de diversos ministérios na área
federal e membros designados pelo governo do Estado. Esse grupo concluiu ser
oportuna a delegação do porto, pois isso viabilizaria a melhoria da
eficiência e da imagem dele, sua incorporação ao planejamento e gestão do
sistema logístico regional, o estímulo à concorrência, a reformulação dos
planos diretores dos municípios visando à interação harmônica porto/cidade e
o estímulo à instalação de atividades produtivas geradoras de empregos e de
exportações, a integração da diretoria da Autoridade Portuária no dia-a-dia
dos problemas logísticos da região, a gestão ambiental integrada com as
políticas regionais e a racionalização do trânsito de veículos que demandam o
porto. Sobre esse último tema, pretendia-se construir as vias perimetrais das
margens direita (Santos) e esquerda (Guarujá) do porto, que permitiriam
separar o tráfego urbano dos tráfegos rodoviário e ferroviário associados ao
porto e que trariam maior fluidez ao movimento de cargas e racionalizariam o
tráfego urbano.
Para assumir a delegação, o governo do Estado de São Paulo criaria uma
sociedade de propósito específico para tornar-se autoridade portuária em
lugar da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp). Na época, a grande
dificuldade era o passivo da Codesp, que atingia R$ 600 milhões e que, à
semelhança do processo de delegação de outros portos, deveria ser
assumido pelo governo federal, até porque foi sob o comando federal que a
dívida foi gerada. Mas, em vista da resistência do governo federal em assumir
a dívida, o governo entendeu que a nova autoridade portuária poderia, por
meio de uma gestão enxuta e competente, perfeitamente possível, quitar o
passivo num prazo adequado e aceitou. Ainda assim o governo federal não
concordou com a assinatura do convênio, claramente por motivos não-alinhados
com os verdadeiros interesses do País.
Hoje, decorridos mais de quatro anos, a situação pouco mudou e o passivo da
Codesp cresceu para R$ 820 milhões. Esse atraso no desenvolvimento do Porto de Santos contribui
de forma contundente para os problemas de infra-estrutura logística de que
padece o Brasil. Lamentavelmente, tem-se perdido muitas oportunidades de
alavancar o desenvolvimento, sendo este um exemplo marcante.
Como cidadão brasileiro, desejo que o governador José Serra atinja seu
objetivo de trazer para a esfera regional a gestão do Porto de Santos, pois
não faz nenhum sentido a gestão de um porto dessa importância ser realizada a
distância e calcada em interesses políticos.
*Manoel A. S. Reis, Ph.D., professor da FGV-EAESP, é coordenador do GV CELog.
E-mail: manoel.reis@fgv.br.
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POLÍTICA
24/03/2007
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Lula usa posse para dar recados
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Na cerimônia em que Walfrido Mares Guia, Marta Suplicy e
Reinhold Stephanes assumiram cargos, presidente justificou saída do PT da
coordenação política, elogiou novos ministros e criticou ruralistas
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Sandro Lima
Da equipe do Correio
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva utilizou a cerimônia de posse dos
novos ministros de Relações Institucionais, Walfrido Mares Guia (PTB); do
Turismo, Marta Suplicy (PT); e da Agricultura, Reinhold Stephanes (PMDB),
para mandar uma série de recados. Ao PT, excluído da coordenação política,
Lula disse ter escolhido Mares Guia devido ao bom relacionamento que mantém
com os parlamentares.
“Vocês poderiam me perguntar: ‘Por que o presidente escolheu o Walfrido e não
um companheiro do PT?’ Porque depois de conversar com os deputados, depois de
conversar com os senadores da oposição, de direita, de esquerda, de centro,
de qualquer lado que vocês queiram pensar, a unanimidade é que o Walfrido é o
ministro que mais gosta de deputado e senador”, disse Lula, provocando um
longo aplauso ao ministro.
Cansado dos conflitos ocorridos entre o PT e os demais partidos da base
aliada no primeiro mandato, Lula decidiu nomear um coordenador político fora
dos quadros do PT. “Walfrido é sempre aquele cidadão que junta a fome e a
vontade de comer. Ele sempre faz mais do que aquilo que a gente pede, ele
sempre consegue produzir mais”, afirmou o presidente.
Depois da bronca, veio o afago. Lula elogiou a ex-prefeita de São Paulo Marta
Suplicy e disse que ela pode ocupar qualquer cargo na administração pública.
“Eu sempre acho o seguinte: alguém que foi prefeita de São Paulo pode ter
qualquer cargo no mundo”. Marta, que é cotada para disputar a presidência
pelo PT em 2010 e tem o apoio da maioria do partido, disse que o presidente
foi muito “simpático” ao elogiá-la.
Segundo Lula, Marta perdeu a reeleição para a prefeitura de São Paulo em 2004
porque fez um governo voltado para os pobres. “A Marta não ganhou as eleições
porque foi vítima de um preconceito na história deste país. Eu dizia: ela é
uma traidora de classe, ela traiu a classe dela, porque ela resolveu fazer
uma política para os pobres que jamais foi feita naquela cidade”. Nesse
momento, a prefeita foi bastante aplaudida.
Nas últimas semanas, o PT pressionou Lula a nomear Marta para uma pasta de destaque.
A primeira opção foi o Ministério da Educação. A segunda foi o Ministério das
Cidades. O presidente não acatou a sugestão e ofereceu o Ministério do
Turismo. Apesar de ser uma pasta com orçamento menor, Marta decidiu
aceitá-la.
Brincadeiras
Demonstrando muito bom-humor, Lula fez uma série de brincadeiras durante o
discurso. “Antes da Marta se eleger, eu fiz um sobrevôo com a Marta, de
helicóptero, para conhecer a periferia de São Paulo, e confesso a vocês que
voltei para casa pensando o seguinte: só um doido quer governar São Paulo.” O
clima de descontração foi reforçado pelas intervenções do pai-de-santo
Roberval Uzeda, que em vários momentos do discurso do presidente gritava “é
isso aí” ou “é isso mesmo”, levando os convidados às gargalhadas.
O ministro Reinhold Stephanes também não escapou das brincadeiras de Lula. “O
Reinhold Stephanes é, no mínimo, um privilegiado. Porque eu liguei para o
(governador do Paraná) Requião e o Requião fez tantos elogios a ele que eu
falei: algo está errado, porque quem conhece o nosso companheiro Requião sabe
que são poucos os brasileiros merecedores dos seus elogios.”
Depois, Lula mandou um duro recado aos ruralistas, que foram contrários à
indicação de Stephanes. O presidente determinou ao novo ministro que não “atenda
apenas àqueles que gritam mais, porque milhões de agricultores neste país,
que não podem vir a Brasília ou que não estão na Câmara, não podem nem
gritar. E, certamente, esses são a maioria. E nós temos que legislar e
governar para todos eles”.
O presidente mais uma vez criticou a imprensa. Ele disse que mesmo depois “do
massacre que o governo sofreu”, venceu as eleições porque milhões de
brasileiros atendidos pelos programas sociais do governo federal “muitas
vezes não tinham sequer condições de ter acesso aos jornais ou a um jornal na
televisão”.
Para Lula, os beneficiados pelo programas governamentais “passaram a ser
sujeitos da própria história e não mais coadjuvantes que assistiam de longe
os formadores (de opinião) dizerem o que eles tinham que fazer”. “É assim que
nós precisamos construir um país, onde um ser humano não precise ficar
dependendo do outro para ter informação correta, um ser humano não precise de
informação de outro para tomar a decisão em quem vai votar.”
personagem da notícia
Sinais sutis de poder
A posse de Walfrido Mares Guia na coordenação política do governo não deixou
nenhuma dúvida. O ministro é a nova estrela do governo Lula. Não apenas pelos
elogios enfileirados no discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas
por aqueles sinais sutis, ou nem tanto, de poder. Ele tinha a claque mais
animada na festa. Reuniu a mais longa fila de cumprimentos e a mais poderosa.
Deputados e senadores se acotovelavam para abraçar o ministro encarregado do
relacionamento com o Congresso, tarefa que inclui cuidar das nomeações para o
governo e liberar as emendas de parlamentares ao Orçamento.
Depois da posse coletiva, Walfrido caminhou poucos metros até um salão menor,
onde aconteceria a cerimônia de transmissão do cargo de ministro das Relações
Institucionais. A platéia seguiu com ele. A sensação de poder também. No
discurso, caprichou no sotaque mineiro e na distribuição de elogios. Falou
bem de Lula, é claro, mas também elogiou o PT, que resistiu à sua nomeação
para o cargo. Cumprimentou o PMDB, PR e todos os outros aliados. Mandou um
abraço ao vice-líder da oposição, presente numa das primeiras filas. Marcou o
figurino do “bom ministro”, em contraste com o coordenador anterior, Tarso
Genro, que tinha fama de brigão.
Mas talvez tenha sido Tarso quem melhor definiu Walfrido, ao lembrar que ele
lhe contara estar preocupado em trocar um ministério técnico, como o Turismo,
pela coordenação política. “Todos o reconhecem como um político extremamente
hábil. Até para dizer de vez em quando que não é político”. (Gustavo Krieger)
Franklin Martins começa na quarta
O jornalista Franklin Martins esteve ontem no Palácio do Planalto acertando
os últimos detalhes para sua nomeação como ministro responsável pela área de
comunicação e publicidade do governo. Franklin assumirá uma nova pasta, que
concentrará a Secretaria de Imprensa e a Secretaria de Comunicação (Secom). O
jornalista, que assume o cargo na próxima quarta-feira, disse que nas
primeiras semanas vai acumular as funções de secretário de imprensa e de
gestor da publicidade governamental.
Neste período, nomeará um porta-voz. Franklin voltará a promover briefings
diários. Tal modelo foi utilizado no governo Fernando Henrique Cardoso.
Posteriormente, Franklin nomeará um secretário de imprensa para o contato
diário com os jornalistas e se dedicará à área de comunicação e publicidade.
Ele também será responsável pelo projeto de implementação da rede pública de
TV.
De acordo com Franklin, não há problema na concentração da comunicação de
governo e da gestão das verbas publicitárias em uma única pasta. “A divisão
das verbas publicitárias é técnica. Eu não vou me meter nisso”, garantiu.
(SL)
PSB FICA COM PORTOS
O presidente Lula recebeu ontem a cúpula do PSB no Palácio do Planalto e
garantiu que o partido será contemplado com mais um ministério. Na
segunda-feira, haverá um novo encontro com o PSB em que será formatada a
estrutura da Secretaria de Portos e definida a nomeação de Pedro Brito para
o cargo. O governador de Pernambuco, Eduardo Campos, e o senador Renato
Casagrande ficaram satisfeitos. No mesmo dia, Lula recebe o senador Alfredo
Nascimento (PR-AM), futuro ministro dos Transportes, para comunicá-lo
sobre a divisão da pasta. (SL)
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BRASÍLIA - DF
24/03/2007
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A fórmula
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Antes de anunciar oficialmente que o PSB ficará com a
Secretaria de Portos, o presidente Lula pretende dar posse ao ministro
Alfredo Nascimento, com quem conversa na segunda-feira. A nova secretaria só
sai depois da Semana Santa. Lula tem dito a seus mais fiéis interlocutores
que não dá para deixar o PR cantando de galo na porta do gabinete
presidencial.
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ECONOMIA
24/03/2007
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620 são chamados
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Do CorreioWeb
O Ministério do Planejamento publicou portaria que autoriza a convocação de
mais 305 candidatos aprovados no concurso público para analista ambiental do
Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Minerais Renováveis
(Ibama). A seleção, realizado em 2005, já nomeou todos os aprovados previstos
no edital: 610. Os 305 excedentes deverão ser convocados entre os dias 16 e
20 de abril.
O concurso teria o prazo de validade vencido em agosto do ano passado, mas o
Ibama optou por prorrogá-lo até agosto de 2007. Na próxima semana, os
candidatos receberão em casa o pedido de exames pré-admissionais.
DNIT
Foi autorizada também a nomeação de 315 candidatos aprovados e não convocados
no concurso de 2006 do Departamento Nacional de Infra-Estrutura e Transporte
(Dnit). O número
corresponde a 50% dos aprovados, já que a seleção ofereceu 630 vagas para
todo o Brasil. Os novos servidores serão convocados a partir de abril. O
preenchimento dos cargos ficará condicionado às vagas existentes no órgão na
data da nomeação e à substituição dos terceirizados do Dnit.
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CLÁUDIO HUMBERTO
24/03/2007
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PR chia, mas não briga
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A ausência de políticos do PR (Partido Republicano) na posse
dos ministros, ontem, foi a maneira de os parlamentares ligados ao ex e
futuro ministro Alfredo Nascimento (Transportes) demonstrarem insatisfação
com a criação da Secretaria de Portos, área retirada da pasta sob
controle do partido. O presidente e seus articuladores fazem pouco caso do
beicinho: não acreditam que a turma do PR esnobe o orçamento bilionário do DNIT.
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CIDADES
24/03/2007
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Dnit ameaça cancelar contratos se trabalho for de má qualidade
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Sinézio Alcântara
Especial para A Gazeta
A direção do Departamento Nacional de Infra-estrutura e Transportes (Dnit) chamou a atenção
das empresas que executam trabalhos de conservação da rodovia BR-070, no
trecho Cuiabá/Cáceres: "Se não houver melhora na qualidade dos serviços
serão cancelados os contratos e será chamada a empresa segunda colocada na
licitação para realização do serviço". O ultimato público foi feito na
manhã de ontem pelo superintendente do órgão, Rui Barbosa Egual, durante
reunião com autoridades e representantes de ruralistas em Cáceres. A ameaça
de suspender os contratos com as empresas Delta Construções e Novacon
Engenharia - que há alguns dias trabalham na recuperação da BR - foi feita
depois que o superintendente recebeu denúncia dos ruralistas de que em
algumas partes da rodovia, principalmente entre a Ponte Marechal Rondon, em
Cáceres, até a localidade do 120, os serviços seriam de má qualidade.
Acompanhado de engenheiros e várias autoridades municipais, o superintendente
anunciou que em dois meses serão iniciados os serviços de recuperação de 45
km da rodovia que interliga Cáceres a San Matias na Bolívia. "Já existem
recursos disponíveis para a recuperação dessa rodovia. Nos próximos dias
realizaremos a licitação e em dois meses daremos início aos trabalhos",
garantiu. Pavimentada há 10 anos, a rodovia nunca recebeu nenhum tipo de
conservação porque era estadual. Agora, mesmo assim, o serviço será feito,
disse.
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POLÍTICA
24/03/2007
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Senadora recua e deverá apoiar a indicação de Pagot para o Dnit
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Auro Ida
Da Redação
A senadora Serys Marly (PT) admitiu ontem que poderá apoiar a indicação do
secretário de Educação, Luiz Antônio Pagot, para a direção-geral do Departamento
Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit). "Podemos
apoiar dependendo do apoio que tivermos em contrapartida", enfatizou.
Serys Marly disse que poderá recuar da indicação de Odinarte Borges para o Dnit, desde que o
governador Blairo Maggi venha a apoiar a indicação de Gustavo Assunção para
uma diretoria da Eletronorte. "Esse é um assunto que ainda precisamos
discutir", ponderou. Segundo ela, é preciso haver uma reunião dos
parlamentares, que integram a base de sustentação do presidente Lula, com o
chefe do executivo estadual para discutir as questões dos cargos federais em
Brasília. "Não pode ser todos os cargos para Blairo Maggi ou para o PT.
Mas para todos que integram a base de apoio do Lula. É preciso haver uma
distribuição democrática".
Para ela, não será difícil chegar a um entendimento em torno dos cargos
federais. "É importante que haja consenso em torno dos nomes e, por
isso, não podemos radicalizar". Serys disse que Odinarte tem as
qualidades necessárias para assumir o Dnit, mas que, se houver um acordo, não teria
dificuldades de apoiar a indicação de Pagot. "Não tenho nenhuma
dificuldade para isso". A senadora afirmou que, em nenhum momento, vetou
o nome de Pagot. Não tenho veto a ninguém por princípio, mas por fim",
ponderou, assinalando que vetou no passado alguém, "mas não o
Pagot".
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POLÍTICA
24/03/2007
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Lula e Dilma vão definir na 2ª se será criada secretaria de
portos
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Tânia Monteiro
Brasília/AE
Na segunda-feira (26), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reúne-se com a
chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e técnicos da área de transportes do governo, para
definir se cria ou não a secretaria de portos, com grau de ministério, que é
objeto de disputa entre o PSB e o PR.
Exercendo o segundo mandato, Lula não gostou da forma como o presidente
nacional do PR, senador Alfredo Nascimento (AM), que foi ministro dos
Transportes e é o mais forte candidato ao cargo, novamente, tentou
forçá-lo a desistir da criação da secretaria. Nascimento afirmou que o
partido não aceita o ministério sem a secretaria e que, se o presidente
retirá-la da pasta, cometerá um erro administrativo.
Para interlocutores de Lula, foi uma tentativa de pôr a faca no pescoço do
presidente. Estes mesmos interlocutores advertem que atitudes como estas,
normalmente, não apresentam bons resultados e podem levar o presidente a
repensar todo o desenho destas áreas, até podendo deixar Nascimento de fora
do governo. Mas uma decisão só deverá ser tomada na próxima semana, se o
presidente não optar por "empurrar com a barriga" este assunto para
acalmar a disputa pela secretaria.
Ontem, Lula convocou o PSB para uma reunião no Planalto, no fim da tarde. Na
conversa, assegurou ao partido, a quem havia prometido a futura secretaria de portos, com status de
ministério, que na próxima semana decidirá a questão e que os parlamentares
podem ficar tranqüilos. Mas não assegurou que eles terão a nova pasta.
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24 HORAS
25/03/2007
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CORRIDA AO OURO
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E assim que está sendo chamada a maratona iniciada após a
escolha da equipe ministerial do segundo mandato de Lula e o afã pela
ocupação dos cargos no segundo escalão do governo. As estatais são as
chamadas "pérolas da coroa", com destaque pelas presidências da
CEF, Petrobras, Infraero e outras que movimentam dinheiro e poder, ou as duas
coisas juntas. Também são disputadas as cadeiras em departamentos como o Dnit, que encomenda
obras no Ministério dos Transportes, ou a Funasa, que
se encarrega das compras no Ministério da Saúde. Quem tem padrinho forte que
se habilite.
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O PAÍS
25/03/2007
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PR espera manter Portos para continuar a crescer
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Intenção de desmembrar os Transportes atrapalha planos do
partido, que prometeu cargos a novos filiados
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Maria Lima e Adriana Vasconcelos
BRASÍLIA. A cúpula do PR está em pé de guerra com o governo Lula para manter
os cargos que imaginava que teria no Ministério dos Transportes, para onde deve
retornar nesta semana o ex-ministro e atual senador Alfredo Nascimento (AM).
A provável criação da Secretaria Nacional dos Portos, desmembrando
este setor do Ministério dos Transportes, revolta o
partido.
Com o ambicioso projeto de pular de 23 deputados eleitos para 50 até meados
deste ano, os caciques do ex-PL já têm uma bancada de 39 — tendo como base de
negociação o loteamento de cargos federais.
Aos novos integrantes, as promessas eram de que poderiam ter os comandos
regionais do Dnit (ex-DNER) e dos portos.
Alertado por aliados de que o inchaço do PR poderia levar a qualquer momento
a um novo escândalo, o presidente Lula resolveu tirar um pouco do poder da
pasta dos Transportes, solucionando um outro problema: atender, com a
Secretaria de Portos, ao PSB do governador Eduardo Campos (PE), que perdeu
a Integração Nacional.
O PR, contudo, não deve cumprir a ameaça de não aceitar a pasta sem as jóias
do fisiologismo, as administrações dos portos, o que seria pior para os planos do
partido.
No Ceará, o grupo do ex-governador Lúcio Alcântara (exPSDB) optou pelo PR.
Ele pode trabalhar ao lado de Walfrido dos Mares Guia no Ministério das
Relações Institucionais.
Seu filho, Léo Alcântara, nomearia o comando da Companhia Docas de Fortaleza;
o deputado Vicente Arruda indicaria o sobrinho Romeu Aldigheri para o Ibama;
e o deputado Marcelo Teixeira levaria Pedro Wilton Clares para o Dnit.
Se a cartada não vingar, o deputado Valdemar Costa Neto (SP) pode perder o
comando do Porto de Santos. Ele renunciou ao mandato anterior para não
ser cassado no caso do mensalão.
Evita aparecer, mas está por trás da articulação, vista como chantagem entre
governistas.
Em Alagoas o PR terá dificuldades para segurar Maurício Quintela, ex-PSB e
ex-PDT.
Ele nega, mas teria acertado indicações para o Dnit e para o Porto de Maceió.
— Saí do PDT por questões regionais — justifica Quintela.
Na Bahia, o senador Antonio Carlos Magalhães(PFL-BA) acusa o ex-afilhado
político José Rocha de ter trocado o PFL pelo PR de olho nos cargos: — Já
mudaram várias vezes a diretoria das Docas e vão mudar de novo. Por que ele
deixaria o PFL depois de tantos anos? O líder Luciano de Castro defende a
prática: — Não há nada ilegal em indicar uma pessoa qualificada a um cargo.
Por que só cobram uma postura diferente do PR? Não oferecemos nada, mesmo
porque ainda não temos nada.
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O PAÍS
25/03/2007
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Partido tenta forçar um recuo do presidente
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Líder diz que, sem Portos, Nascimento não assume pasta
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BRASÍLIA. A apreensão do senador Alfredo Nascimento (PRAM) ao
longo da última semana era visível. Convidado há quase um mês para voltar ao
comando do Ministério dos Transportes, de onde saiu no
ano passado para disputar uma vaga no Senado, Nascimento começou a ser
pressionado pelo partido a não tomar posse, caso Lula confirme o
desmembramento da pasta, com a criação da Secretaria Nacional dos Portos. O Planalto
chegou a informar, sexta-feira, que ele será empossado quartafeira, mas o
senador foi para o Amazonas sem receber o aviso.
Embora tenha participado das últimas reuniões do Conselho Político do
governo, Nascimento não teve oportunidade de tratar do assunto com o
presidente Lula e passou a última semana esperando um chamado do Planalto
para acertar seu futuro.
A estratégia do PR é a de esticar a corda ao máximo para forçar um recuo de
Lula. Até segunda ordem, a orientação da cúpula partidária é para que
Nascimento não assuma o cargo enquanto persistir o impasse sobre o comando
dos
portos.
— Essa é uma questão pacífica dentro do partido. Se o governo insistir em
retirar o controle dos portos do Ministério dos Transportes, Alfredo
Nascimento não assume — afirma o líder da bancada na Câmara, Luciano de
Castro (RR).
— Sem os portos, Alfredo não assume. Como alguém é convidado para
gerenciar uma loja e na hora de assumir confiscam metade do estoque dessa
loja? — reitera o senador Magno Malta (PR-ES).
“Ser da base ajuda. Não seria hipócrita de negar isso” O líder do PR nega a
barganha dos cargos ou que isso tenha influenciado no inchaço da legenda. Diz
que o fato de o partido ser da base também ajuda a atrair parlamentares,
especialmente os que não estão confortáveis na oposição: — Ser da base do
governo ajuda. Não seria hipócrita de negar isso. Ajuda para viabilizar as
demandas que são encaminhadas por prefeitos.
Na votação que impediu, na semana passada, a instalação da CPI do Apagão, 33
dos 34 deputados do PR que estavam em plenário apoiaram o governo.
Interlocutores de Lula, contudo, consideram que sua a margem de manobra no
início do segundo mandato ainda é grande para que aceite uma chantagem.
— Quem tem de resolver isso é o presidente. É ele que governa e deve promover
o equilíbrio na coalizão. Ele não pode contratar escândalos futuros nem ceder
a chantagens — observa o líder do PSB no Senado, Renato Casagrande (ES).
O líder Luciano Castro já levou o recado da cúpula ao líder do governo na
Câmara, José Múcio Monteiro (PTB-PR), que aposta em conciliação: — O
presidente vai resolver essa questão de forma a atender a todos e fortalecer
a base.
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NACIONAL
25/03/2007
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Aliados ainda disputam cargos que movimentam mais de R$ 6 bi
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Recursos de diretorias de estatais e presidências de órgãos
estratégicos estimulam briga por vagas do 2º escalão
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Sônia Filgueiras, Christiane Samarco, BRASÍLIA
Com a reforma ministerial praticamente concluída, os partidos da base aliada
digladiam-se, agora, pelos cargos do segundo escalão federal. A briga envolve
cifras impressionantes. Juntos, PT, PMDB, PP, PR e PSB disputam um orçamento
de pelo menos R$ 6,2 bilhões, considerando-se apenas presidências e
diretorias de estatais - como Eletrobrás, Eletronorte, Furnas e Banco do
Nordeste - e de órgãos estratégicos do governo, como a Fundação Nacional de
Saúde (Funasa) e o setor de portos do Ministério dos
Transportes.
Isso sem falar em nacos de poder de grandes empresas, como Petrobrás, Caixa
Econômica Federal, Banco do Brasil e Correios - donas de orçamentos colossais
para empréstimos e investimentos.
A briga por cargos azedou a relação entre os presidentes das duas Casas do
Congresso, já estremecida desde a eleição de Arlindo Chinaglia (PT-SP) para
chefiar a Câmara. O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), apoiava
o deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP) e Chinaglia não perdoou - está ajudando o
PMDB da Câmara na busca de mais cargos e até se recusou a atender aos
telefonemas de Renan.
Chinaglia também está decidido a tirar da presidência da Transpetro,
subsidiária da Petrobrás, o ex-senador Sérgio Machado (CE), outro apadrinhado
de Renan.
APETITE
O apetite do PMDB continua forte. O partido acaba de ganhar o Ministério da
Agricultura e já sonha com o comando da Companhia Nacional de Abastecimento
(Conab). Mas há resistência: embora tenha deixado a Agricultura no ano
passado, o ex-ministro Roberto Rodrigues ainda tem ex-auxiliares em
postos-chave.
Outro foco de disputa está no Ministério dos Transportes. O presidente Luiz
Inácio Lula da Silva chegou a adiar a posse do senador Alfredo Nascimento
(PR-AM), depois que o PR se declarou contrariado com a decisão de tirar da
pasta a gestão dos portos e entregá-la, na forma de uma secretaria especial, ao
PSB. Em jogo estão R$ 326 milhões em investimentos privilegiados, incluídos
no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
O PT deve perder um posto estratégico no segundo escalão: a direção geral do
Departamento Nacional de Obras contra as Secas (Dnocs), hoje comandado por um
técnico ligado ao partido. O novo ministro da Integração Nacional, o peemedebista
Geddel Vieira Lima (PMDB), quer substituí-lo por um nome indicado pelo líder
do partido na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN). O deputado Eunício
Oliveira (PMDB-CE), ex-ministro das Comunicações, também tenta emplacar uma
indicação. O Dnocs tem R$ 135 milhões para investimentos.
O mesmo deverá acontecer com a direção da Companhia de Desenvolvimento dos
Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), alojada na Integração
Nacional e comandada pelo PSB. A companhia tem R$ 426 milhões para obras.
As trocas planejadas pelo PMDB na Integração preocupam o PSB, que tem três
governadores nordestinos. O partido também trabalha para ficar com a
presidência do Banco do Nordeste (BNB), atraente por sua carteira de
empréstimos, além dos R$ 105 milhões para investir.
PMDB, PSB e PT estão juntos, ainda, na empreitada de recriação da
Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). Serão mais cargos e
investimentos.
O PT, que aceitou ficar com o Ministério do Turismo emagrecido, amargou outra
perda: a Secretaria de Saneamento do Ministério das Cidades, que passou a ser
comandada pelo PP. O ministério conta com R$ 3,2 bilhões para investimentos
em habitação e saneamento e concentra parcela importante dos projetos do PAC.
Mas o PP quer também a presidência da TBG, a Transportadora Brasileira
Gasoduto Brasil-Bolívia, e seus R$ 186 milhões em investimentos.
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POLÍTICA
25/03/2007
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Quem manda no cofre
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PT e PMDB comandam ministérios com mais verbas. Orçamento dos
ministros acompanha tamanho de suas bancadas no Congresso
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Gustavo Krieger
Da equipe do Correio
Nos últimos três meses, os partidos aliados ao presidente Luiz Inácio Lula da
Silva no Congresso disputaram espaços na Esplanada dos Ministérios. Mais que
o número de pastas conquistadas, outra contabilidade aponta quem ganhou esse
jogo de poder. Nessas contas, vale o orçamento e o poder de fogo de cada
ministério. Elas mostram que os partidos aliados abocanharam fatias
importantes de poder, mas o PT continua a controlar mais cargos estratégicos
que qualquer outra legenda.
Somados, os 16 ministérios em mãos de petistas têm orçamento de R$ 171
bilhões. O partido controla duas áreas-chave no governo. De um lado, os
ministérios da área econômica (Fazenda e Planejamento) onde são tomadas as
decisões sobre gastos. De outro, os ministérios sociais, responsáveis por
programas de ampla repercussão eleitoral, como o Bolsa Família.
Politicamente, as pastas mais importantes são Desenvolvimento Social e
Educação. Comandado pelo mineiro Patrus Ananias, o Desenvolvimento Social vai
gastar R$ 24 bilhões em 2007. Quase tudo vai para programas sociais. Mais de
R$ 8,8 bilhões estão reservados para o Bolsa Família. Outros R$ 14,3 bilhões
serão distribuídos para programas de “Proteção Social Básica”. O dinheiro é
distribuído por meio de uma rede de convênios com prefeituras em todo o país,
mas a eleição de 2006 deixou claro que é o presidente Luiz Inácio Lula da Silva
quem capitaliza os dividendos políticos do programa. E com ele, o PT.
A Educação tem um orçamento um pouco maior. Serão R$ 27 bilhões em 2007. Mas
quase metade desse dinheiro é gasto com a manutenção da rede de universidades
federais. Mesmo assim, sobram verbas para programas sociais de grande impacto
político. São R$ 1,4 bilhão para Educação Profissional, R$ 2,1 bilhão para o
projeto Brasil Escolarizado. Isso sem falar no ProUni, que troca incentivos
fiscais por bolsas de estudo em universidades privadas. No ano passado, foram
138 mil bolsas.
Aliados
Principal parceiro do PT na coalizão de governo, o PMDB foi bem aquinhoado na
divisão de ministérios. As cinco pastas controladas pelo partido têm um
orçamento de R$ 80,6 bilhões previsto para 2007. O destaque é o Ministério da
Saúde, com nada menos que R$ 49,7 milhões orçados. Não por acaso, a pasta
motivou uma longa queda-de-braço entre Lula e a bancada do PMDB na Câmara. O
presidente queria um nome técnico, o partido tentava indicar um deputado. No
final, o ministro escolhido foi um especialista, o médico José Gomes
Temporão. Mas ele se comprometeu a “ouvir com atenção” a bancada do PMDB na
hora de fazer nomeações ou distribuir verbas.
As outras pastas do partido também são consideradas cargos de primeira linha.
A Integração Nacional, entregue ao deputado Geddel Vieira Lima (BA) vai
movimentar R$ 8 bilhões esse ano e comanda grandes projetos, como a
transposição do Rio São Francisco. O senador Hélio Costa, ministro das
Comunicações, tem um orçamento de R$ 11 bilhão e ainda supervisiona as
concessões de emissoras de rádio e televisão. O orçamento direto da pasta de
Minas e Energia não é dos maiores. São R$ 5,4 bilhões. Mas subordinados à
pasta estão estatais com enorme poder de investimento, como a Petrobras.
Finalmente, o Ministério da Agricultura, a última opção dos peemedebistas na
reforma. São R$ 6,4 bilhões de orçamento direto, mas a pasta administra
verbas vindas de operações de crédito do Tesouro Nacional. São R$ 2,1 bilhões
para desenvolvimento da lavoura do café, por exemplo. Ou R$ 3,6 bilhões para
manutenção dos estoques reguladores de alimentos.
Entre os outros aliados, a vantagem ficou com o PR, que manteve o Ministério dos
Transportes, entregue ao senador Alfredo Nascimento (AM). A pasta tem orçamento
de R$ 11 bilhões para 2007. E desse dinheiro nada menos que R$ 7,3 bilhões
estão reservados para investimentos. Mas o partido vai perder uma parte
dessas verbas. O presidente Lula já decidiu criar uma Secretaria dos Portos. O cargo,
oferecido ao PSB, vai levar atribuições (e verbas) da pasta dos Transportes.
O PP também comemorou a manutenção da pasta de Cidades, com R$ 5 bilhões para
gastar por ano e projetos na área de infra-estrutura e saneamento.
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POLÍTICA
25/03/2007
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Poder sem dinheiro
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Normalmente, quando se trata de governo, dinheiro no orçamento
equivale a poder político. Mas há exceções notáveis. No governo Lula, três
delas chamam a atenção. Há dois ministros praticamente sem orçamento, mas com
enorme influência política: Dilma Roussef, da Casa Civil, e Walfrido dos
Mares Guia, de Relações Institucionais. Realidade inversa vive o ministro da
Previdência, cargo oferecido por Lula ao PDT. O orçamento chama a atenção
pelo gigantismo. São R$ 190 bilhões, o maior da Esplanada. Mas esse dinheiro
é quase todo para pagamento de aposentadorias. Sobram só R$ 46 milhões para
investimento. E uma enorme lista de dores de cabeça, como a correção das
aposentadorias e as filas em frente aos postos de atendimento.
O poder de Walfrido está na sua capacidade de influir no orçamento dos outros
ministros. Como articulador político do governo, cabe a ele controlar a
liberação das emendas apresentadas por parlamentares ao Orçamento. Cada
deputado ou senador tem direito a uma cota individual de verbas, que reserva
para sua base eleitoral por meio de emendas ao projeto de orçamento do
governo. Normalmente, são verbas de ministérios como Saúde, Integração
Nacional ou Transportes. Por orientação do Palácio do Planalto, os ministros
de cada área só liberam as emendas depois de conversar com a coordenação
política. É uma forma de manter a fidelidade dos parlamentares.
A força de Dilma também se explica pela influência sobre os outros ministros.
A Casa Civil coordena as ações do governo e ganhou a missão de centralizar as
ações do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Não aplica diretamente
as verbas, mas vigia os outros ministérios para ver se o dinheiro está sendo
usado nos projetos que o presidente Lula considera prioridades. O PAC se
transformou em uma espécie de orçamento paralelo, envolvendo vários
ministérios, mas sob a supervisão da Casa Civil. (GK)
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