GAZETA DO BRASIL
25/09/2006
Construção de cais será retomada, depois de três
paralisações
Recife, 25 de Setembro de 2006 - O governador
de Pernambuco, Mendonça Filho, e o secretário estadual de Desenvolvimento
Econômico, Alexandre Valença, anunciam a retomada da construção do cais 4 do
Complexo Industrial e Portuário de Suape, localizado a 40 quilômetros do
Recife.
A construção desse cais foi iniciada no final de 2001 e paralisada três vezes,
sendo a última no início de 2003. Nessa etapa, quando o investimento no projeto
chegou a cerca de R$ 50 milhões, foram colocados alguns pilares e providenciada
a dragagem de 4 milhões de m³ de areia.
Após a última paralisação, o governo de Pernambuco fez várias tentativas de
retomar o empreendimento, todas fracassadas por causa do contingenciamento de
verbas federais. O projeto estatal de Suape tem ainda um saldo de restos a
receber do Orçamento Geral da União (OGU) de 2005 no valor de R$ 15 milhões.
A administração da estatal trabalha com a expectativa de receber estes recursos
ainda em 2006. Já o OGU de 2006 define um investimento de R$ 46 milhões para o
complexo. A retomada do projeto continua sob a responsabilidade das
construtoras baianas Norberto Odebrecht e OAS.
A liberação chegou a ser recentemente anunciada pelo ministro
dos Transportes, Paulo Sérgio
Passos. A previsão agora é de conclusão dos
trabalhos em nove meses. "A expectativa é que até o final do primeiro
semestre de 2007 o cais esteja em operação", afirma Alexandre Valença.
O cais 4 de Suape será o primeiro terminal de granéis sólido do complexo,
viabilizando projetos de peso no setor graneleiro, com os moinhos da Bunge
Alimentos e M. Dias Branco. "O cais pode ser utilizado ainda para movimentação
de milho, conferindo mais competitividade para o forte setor avícola
nordestino, e para a movimentação da safra de açúcar do Nordeste", destaca
o presidente da estatal Suape, Matheus Antunes.
Depois da conclusão, o cais será licitado através de concorrência pública para
a construção de um terminal graneleiro. Com 15,5 metros de profundidade, poderá
receber navios de grande porte, com até 14,5 metros de calado e capacidade
superior a 100 mil toneladas de porte bruto (TPB).
Segundo os executivos da estatal que administra a área, o terminal de granéis
sólidos de Suape terá importância estratégica para a logística regional e
receberá boa parte das cargas transportadas pela ferrovia Transnordestina, cujo
primeiro trecho, entre os municípios de Salgueiro e Missão Velha, já está em
construção.
Esta linha da ferrovia vai trazer grãos do sul do Piauí e do Maranhão para os
portos de Suape e Pecém (CE). A Transnordestina,
essencial para a redução dos custos de transporte na região, tem previsão de
entrada em operação até 2009.
(Gazeta Mercantil/Gazeta do Brasil - Pág. 13)(Ângelo Castelo Branco)
1º CADERNO
25/09/2006
Audiência pública reúne cem pessoas em Salvador
Patrick Cruz
Cerca de cem pessoas participaram da etapa realizada em Salvador das audiências
públicas que tratam da primeira Parceria Público Privada (PPP) destinada à
concessão de rodovias federais. A
rodada da última quinta-feira, 21, foi a terceira também para uma fração da platéia
que acompanhou os encontros dos dias 18, em Vitória da Conquista, cidade
distante pouco mais de 500 quilômetros da capital, e de Jequié, a 390
quilômetros de Salvador, realizada no dia seguinte. A quarta e última será
ocorrerá dia 3 de outubro, em São Paulo, na Bovespa.
A abertura do encontro ocorreu com as formalidades de praxe. Nilo Garcia, da Agência
Nacional de Transportes Terrestres (ANTT),
leu as regras para manifestação da platéia como em um debate político na TV. O
coordenador da força-tarefa que trata da PPP, Rui Inácio de Morais, apresentou
em seguida dados técnicos sobre os trechos das BR 324 e 116 que farão parte da
concessão e exaltou a influência das rodovias
na economia baiana. "Essa parte eu já sei de cor", cochichou um dos
participantes que estiveram também nos dois encontros anteriores.
Após todas as apresentações, começam a ser lidas manifestações por escrito da
platéia. Carlos Henrique Rocha, que representava a CCR no evento, questionou o
fato de não haver exigência de índices financeiros (de liquidez geral e grau de
endividamento) para quem for participar da licitação. Sem isso, argumentou ele,
uma empresa poderia quebrar em plena vigência do contrato.
O diretor do programa de PPP do Ministério do Planejamento, Maurício Portugal
Ribeiro, explicou aos participantes que essa não-exigência foi acatada para que
tanto companhias brasileiras quanto estrangeiras pudessem entrar no processo da
PPP.
Por atuarem em cenário econômico mais favorável, com taxas de juros bem mais
baixas que as do Brasil, argumentou Ribeiro, as estrangeiras usualmente operam
bem mais alavancadas. Segundo ele, a exigência de patrimônio líquido mínimo de
R$ 120 milhões e uma garantia de proposta de R$ 11 milhões apenas para
participar do processo já são avalistas da saúde financeira dos competidores.
Houve quem achasse pouco 41 passarelas ao longo dos 665 quilômetros da
concessão. A Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba), que administra os
portos públicos do Estado, também sugeriu a inclusão
da Via Portuária nas obras. Esse trecho liga a BR-324 ao
Porto de Salvador no perímetro urbano da cidade.
Pouco provável que o acréscimo possa ser feito agora, diz o coordenador da
força-tarefa, Rui Inácio de Morais. "Mas ele pode ser objeto de um esforço
conjunto dos governos federal e estadual", prometeu.
As sugestões também podem ser feitas pela internet. Mas, se feitas por escrito
durante uma das sessões da consulta pública, têm que ser lidas para o registro.
Uma delas, do Departamento de Infra-estrutura de Transportes da Bahia (Derba),
estendeu-se por 26 tópicos, momento em que parte da platéia começou a deixar o
encontro.
A maioria, entretanto, permaneceu no local para as manifestações orais, última
etapa prevista pelo protocolo. "O projeto da rodovia 116 é obsoleto",
disse Paulo Villa, diretor executivo da Associação de Usuários dos Terminais
Portuários de Salvador (Usuport). "Ela foi projetada quando ainda não
existiam carretas como as de hoje, com 2,60 metros de largura."
A Usuport elaborou recentemente um diagnóstico das rodovias
baianas. A BR-116, projetada há cerca de 45 anos, foi descrita no levantamento
como saturada, com sinalização ruim e condição regular de tráfego.
O mesmo diagnóstico foi feito da BR-324. Villa diz que pesa ainda mais contra a
BR-116 o fato de ela não ser duplicada no Estado. "A largura mínima de uma
pista (estabelecida pelo Departamento Nacional de Infra-estrutura de
Transportes) é de 3,5 metros, mas, com carretas de 2,60 metros de largura,
sobram apenas 45 centímetros de cada lado do veículo", disse o diretor da
Usuport.
Para os acostamentos, o mínimo exigido é de 1,5 metros de largura, o que não
comporta transportadores de carga de grande porte. Como a PPP não prevê
duplicação da BR-116 no Estado da Bahia, Villa sugere que as dimensões da pista
sejam ampliadas para comportar as carretas atuais.
Villa foi um dos últimos participantes a se manifestar. Já perto de 12h30, após
três horas de debates entremeados por uma pausa para café, a maior parte dos
inscritos abriu mão das perguntas ao microfone. As íntegras dos debates e das
perguntas podem ser consultadas na internet.
Leia mais em www.antt.gov.br
1º CADERNO
25/09/2006
Estradas têm exigência de qualidade menor e
prazo dilatado para obras
De Brasília
Nas rodovias que vão
inaugurar as Parcerias Público-Privadas (PPPs) do governo federal, as exigências
de qualidade das estradas
são menores do que nas demais concessões federais e estaduais e as obras de
melhoria são muito dilatadas ao longo do contrato, segundo especialistas
ouvidos pelo Valor- que preferem não identificar-se para evitar atritos com o
Ministério do Planejamento.
De acordo com os estudos de viabilidade, os investimentos deverão chegar a R$
2,4 bilhões na restauração, manutenção e expansão da capacidade das rodovias
BR-116 e BR-324 ao longo da concessão patrocinada (com contraprestações do
governo federal), que poderá variar de 13 a 17 anos. No entanto, a minuta de
contrato é pouco rigorosa com as condições gerais das duas estradas.
A qualidade é medida pelo HCM (sigla em inglês para Manual de Capacidade
Rodoviária), um conjunto de normas técnicas editada regularmente pelo Conselho
de Pesquisas em Transportes da Academia Nacional de Ciências dos Estados
Unidos.
O conselho define parâmetros que resultam em notas de A a F para avaliar a
qualidade das rodovias. Esses critérios
avaliam o estado do pavimento, a sinalização e o tempo médio de congestionamento,
por exemplo. Nas estradas
exploradas pelo setor privado em São Paulo, as concessionárias devem manter
nível A ou B.
Nas rodovias federais
pedagiadas, como a Nova Dutra, a qualidade pode chegar ao nível C. No caso da
BR-116 e da BR-324, o rigor diminuiu e as concessionárias podem ir quase até o
nível E. Para efeito de comparação, pequenos defeitos no asfalto, como trincas,
são geralmente suficientes para jogar a qualidade da estrada para o nível D. O
Ministério do Planejamento diz que as exigências mais brandas justificam o
valor relativamente baixo do pedágio, de R$ 0,035 por quilômetro, menor que a
média das demais concessões já realizadas. Essa tarifa é mais adequada ao nível
de renda da região e à disposição do usuário em pagar.
Os ganhadores da licitação precisam fazer trabalhos iniciais de recuperação das
rodovias, num prazo de seis
meses (BR-324) a um ano (BR-116), para iniciar a cobrança de pedágio. As faixas
adicionais para o tráfego de caminhões, principalmente em subidas, só serão
construídas nos 145 quilômetros previstos entre o segundo e o sexto ano de
concessão. A duplicação de 83 quilômetros da BR-116, entre Feira de Santana e o
entroncamento com a BR-242, deverá ser feita até o sétimo ano de contrato ou
até que se atinja o número de veículos estabelecido nos estudos técnicos. (DR)
BRASIL
25/09/2006
Aeroportos vigiados
Governo resolve controlar os 10 maiores pontos
de aterrissagem de vôos internacionais para se precaver contra o vírus que
transmite a gripe aviária. Bagagens serão inspecionadas e haverá esterilização
de resíduos
Solano Nascimento
Da equipe do Correio
O governo concluiu o plano de preparação de aeroportos para uma possível
pandemia da gripe aviária. O documento, obtido com exclusividade pelo Correio,
prevê a instalação em 10 aeroportos com vôos internacionais de um sistema de
raios-X para vistoriar todas as malas transportadas nos compartimentos de
bagagens, em busca de material orgânico. Haverá ainda um sistema para
esterilizar resíduos de alimentos servidos em aeronaves que chegam ao país.
No plano geral de prevenção contra a gripe aviária, divulgado pelo Ministério
da Saúde no começo do ano, era preconizado somente o controle de vôos
originários de áreas onde existe o vírus da gripe, como Ásia e África. Agora, a
intenção é atingir com as medidas todos os vôos internacionais, já que conexões
em outros países permitem que aeronaves e passageiros cheguem ao Brasil, a
partir de áreas infectadas, em vôos que não são diretos. Com isso, o universo
para vigilância aumentou muito. Dados da Infraero mostram que entre janeiro e
agosto deste ano pousaram no país 7,7 mil aeronaves carregando 4,1 milhões de
passageiros. No ano passado, foram 6,4 milhões de passageiros aterrissando.
Mais de 95% dessa movimentação ocorre nos 10 aeroportos que serão vigiados.
“Todo o vôo internacional é considerado de risco”, afirma o contra-almirante
Carlos Edson Martins da Silva, diretor do Departamento de Saúde do Ministério
da Defesa e coordenador do grupo técnico que elaborou o plano para aeroportos.
As medidas são resultado de uma discussão de sete meses, que envolveu também representantes
de ministérios como Saúde, Agricultura e Meio Ambiente. O documento, que tem 53
páginas, explica que o objetivo principal do plano é apontar “ações a serem
empreendidas em áreas aeroportuárias ,para minimizar o risco de entrada e a
disseminação do vírus da influenza aviária ou de um eventual novo subtipo viral
responsável por uma nova pandemia de influenza no território nacional”.
Tratamento de resíduos
Uma das medidas consideradas imediatas — e que, ainda assim, terá um prazo de
até seis meses para ser implementada — é a criação de um sistema para
tratamento de resíduos de alimentos de origem animal servidos em aeronaves.
Foram discutidos modelos distintos usados para isso, e a opção do grupo técnico
foi pelo sistema de autoclave, que esteriliza materiais por meio de pressão de
vapor d’água com temperatura superior a 100ºC. É o equipamento usado em
hospitais e consultórios médicos e dentários. A intenção é tratar os resíduos
de todas as aeronaves de fora que aterrissarem nos 10 aeroportos.
A escolha do sistema de tratamento de resíduos foi polêmica. A Infraero,
empresa pública que administra aeroportos, preferia a aquisição de
incineradores. “O sistema mais eficaz para o Brasil é a incineração”, diz
Álvaro Eduardo Valente, superintendente de Meio Ambiente da Infraero. Carlos
Edson explica que a opção pelas autoclaves levou em conta a maior facilidade de
instalação, a resistência de ambientalistas a incineradores e o custo mais baixo.
“Tecnicamente, a autoclave resolve, pois o vírus da gripe é inativado com certa
facilidade”, explica. Carnes, ovos e outros restos de alimentos serão levados
para as autoclaves, que precisarão ter capacidade de no mínimo 250 litros.
União de esforços
Os escâneres dos grandes aeroportos internacionais deverão ser instalados na
parte externa do terminal de passageiros. A intenção é as malas chegarem às
esteiras para recolhimento só depois de já terem sido analisadas no sistema
especial de raios-X. As bagagens suspeitas serão separadas para inspeção. Um
único funcionário fará a observação interna das malas, mas um monitor vai gerar
dali imagens para fiscais da Receita Federal, Vigilância Sanitária e Vigilância
Agropecuária, uma união rara de esforços. Bagagens consideradas de risco serão
esterilizadas.
O Ministério da Saúde chegou a prever no começo do ano a vacinação de
tripulantes de aeronaves contra a gripe convencional como forma de protegê-los
da versão aviária da doença. O governo agora desistiu da idéia. “Não há
evidências de que a vacina contra a gripe sazonal proteja contra a pandemia”,
explica Jarbas Barbosa, secretário-executivo do Ministério da Saúde e
coordenador do Grupo Executivo Interministerial (GEI) criado para preparar as
medidas contra a gripe aviária.
Está quase concluído também o plano de prevenção em
portos. A preparação vai envolver principalmente o Ministério
dos Transportes, que administra parte dos
portos, e a Marinha.
"Todo vôo internacional é considerado de risco"
Carlos Edson Martins da Silva, diretor do Departamento de Saúde do Ministério da
Defesa
O número
7,7 mil aviões pousaram no Brasil entre janeiro e agosto deste ano
Plano ameaçado por falta de recursos
A preparação pelo governo de medidas para conter uma possível pandemia de gripe
aviária enfrenta atrasos e falta de recursos. Não há certeza de que a área
econômica autorizará os gastos propostos para melhorias em aeroportos e outras
áreas. Enquanto isso, a doença se expande pelo mundo. Já foram registrados 246
casos da gripe, dos quais 144 foram fatais, e houve eliminação de milhões de
aves suspeitas de contaminação pelo H5N1. O risco de chegada do vírus à América
do Sul aumenta a partir deste mês, com o início do fluxo de aves migratórias do
Hemisfério Norte.
O plano para aeroportos não define custos, mas o coordenador do grupo que
elaborou o documento estima que as medidas exijam investimentos entre R$ 100 e
R$ 200 milhões. A Infraero tem um cálculo parecido. Acha que precisaria de R$
150 milhões para preparar os aeroportos, apesar de haver só R$ 14 milhões
previstos para a empresa e nada liberado. “Do aeroporto para dentro, não está
sendo contemplado praticamente nada, é só a Infraero que está colocando
recursos”, reclama Álvaro Valente, superintendente de Meio Ambiente da
Infraero. Na verdade, nem a empresa está colocando, porque coisas simples como
a limpeza de dutos de ar-condicionado — que pode reduzir a proliferação do
vírus — ainda estão sendo licitadas.
Jarbas Barbosa, secretário-executivo do Ministério da Saúde, estima que com
cerca de R$ 18 milhões é possível fazer as melhorias mais urgentes nos
aeroportos. Esse dinheiro também não está garantido. “Estamos negociando com a
área econômica”, afirma. Uma das idéias é criar uma ação específica no
Orçamento da União para reunir recursos necessários ao combate à epidemia. Só
que o projeto do Orçamento do próximo ano já foi enviado ao Congresso, e a
inclusão agora implicará uma alteração na proposta.
Apesar de autoridades do governo terem repetido, desde o começo do ano, que não
faltarão recursos para proteger o país contra a gripe, não houve sequer
liberação de dinheiro para o Ministério da Saúde compensar as verbas que foram
transferidas de outros programas para a compra de doses do Tamiflu, remédio
considerado eficaz contra a gripe aviária. Da mesma forma, não foram
autorizados gastos para equipar novos laboratórios do Ministério da Agricultura
para fazer testes de detecção do vírus da gripe em aves. Hoje só há uma unidade
capacitada para isso em todo o país. Também falta dinheiro para preparar
laboratórios ligados ao Ministério da Saúde para fazerem testes em amostras de
seres humanos suspeitos de contaminação pelo H5N1.
Parte das medidas preconizadas agora para aeroportos já estavam previstas no
plano geral contra a gripe, anunciado no começo do ano, e não foram colocadas
em prática. Entre elas, o treinamento da tripulação de aeronaves que fazem vôos
internacionais para agir em caso de suspeita da doença. “Os serviços médicos de
aeroportos precisam estar melhor preparados”, diz Paulo Magalhães, gerente-geral
da área médica da Fundação Rubem Berta, ligada à Varig, e ex-presidente da
Sociedade Brasileira de Medicina Aeroespacial. “O cenário da gripe aviária é
bastante grave, bastante preocupante.” (SN)
NEGÓCIOS S/A
25/09/2006
Setor de navegação em alta
Após dois anos de vigência, a Lei 10.893, de
2004, é avaliada positivamente pelo setor de navegação, que a considera um
impulsionador à marinha mercante e à indústria naval brasileira. O único
problema apontado por representantes do setor é a demora na aplicação plena da
legislação, que visam aumentar a participação da bandeira brasileira na
navegação de longo curso e dos navios fabricados no Brasil. E como tudo nesta
época do ano remete às comparações políticas, o Ministério
dos Transportes registra que, desde 2003, o BNDES liberou
recursos da ordem de R$ 2,5 bilhões para o setor de navegação, mais que o dobro
de liberações nos dois mandatos de FHC.
INFORME ECONÔMICO
25/09/2006
Visita cancelada
Uma negociação com chineses em Bagé (RS), para
tratar da implantação da tecnologia da TV digital no Brasil, impediu a ministra-chefe
da Casa Civil, Dilma Roussef, de inaugurar hoje, em Itajaí, as obras do Molhe
Sul. Ontem, por volta das 18h, a assessoria da ministra contatou o
Porto de Itajaí cancelando o evento, que
aconteceria às 9h30min, com a presença de Dilma e do ministro do Planejamento,
Paulo Bernardo. O compromisso em Bagé teria surgido por convocação do
presidente Lula.
***
A solenidade foi transferida para quarta-feira, mas com a presença do ministro
dos Transportes, Paulo Sérgio
Passos, que cumpre agenda no Norte catarinense. A
visita ainda será confirmada hoje. A obra no Molhe Sul custou R$ 16,5 milhões
aos cofres federais, através do programa Agenda
Portos. Os ministros fariam o caminho que o
presidente Lula fez em março, em vistoria ao Molhe.
GEORGE VIDOR
25/09/2006
Investimento, enfim
E-mail: vidor@oglobo.com.br
As empresas de construção pesada e montagens industriais estão animadas com os
próximos anos, em função de investimentos que estão começando a deslanchar. Na
sexta-feira, por exemplo, será lançada em Santa Cruz, município do Rio, a pedra
fundamental da CSA, uma grande siderúrgica do grupo alemão ThyssenKrupp, que deverá
produzir placas de aço já em 2008.
A obra deverá envolver mais de dez mil pessoas, quando forem simultaneamente
montados os equipamentos da coqueria (onde são eliminadas as impurezas do
carvão mineral), da sinterização, do alto-forno, da aciaria e do pátio de
matérias-primas. Alemães, belgas e chineses serão os principais fornecedores,
mas a engenharia brasileira é que se responsabilizará pela construção do
terminal marítimo exclusivo — um desafio, pois o píer ficará a quase três
quilômetros das instalações industriais, interligado por uma ponte, com trecho
de 1.600 metros sobre o mar. Essa distância é necessária para que se atinja a
profundidade de 17 metros na Baía de Sepetiba, a fim de permitir que atraquem
no terminal navios transportadores de minérios (carvão) e de produtos
siderúrgicos.
Além da CSA, todas as grandes siderúrgicas brasileiras estão expandindo suas
instalações, e novas usinas da CST, da Usiminas e da CSN vão ser definidas até
o ano que vem.
Para abastecer essas fábricas, as ferrovias
terão de ampliar sua capacidade de transporte (um novo ramal será construído no
litoral sul do Espírito Santo, por exemplo).
Novos minerodutos também estão previstos, ligando Minas Gerais ao Norte
fluminense e ao Espírito Santo, para escoar parte do aumento das exportações de
minério de ferro.
Mesmo no caso das rodovias,
há obras contratadas: cerca de R$ 1,3 bilhão para a duplicação da BR-101 no Nordeste
e para um trecho de 26 quilômetros da Rio-Santos, exatamente o que atenderá aos
terminais portuários da Baía de Sepetiba.
Investimentos industriais importantes continuarão sendo feitos em torno do
petróleo — um complexo petroquímico em Itaboraí, uma nova refinaria em
Pernambuco e ampliação da capacidade das já existentes, construção de plataformas
de produção, navios e sistemas de escoamento dos produtos — da mineração e, em
especial, do setor de papel e celulose, que tem estimulado agricultores a se
transformarem em plantadores de florestas.
Ainda no agronegócio esperase que a produção de cana-de-açúcar alcance 540
milhões de toneladas anuais, e que a de álcool carburante salte de 16 bilhões
para 24 bilhões de litros por ano, aproveitando a onda dos biocombustíveis.
Permanecem como uma frustração os setores de energia elétrica e saneamento
básico. Em ambos há tantas dificuldades regulatórias que somente por milagre é
possível viabilizar investimentos.
Curiosamente, os órgãos responsáveis pela preservação do meio ambiente têm
postura contraditória em relação às duas áreas. Criam todo tipo de dificuldade
para licenciamento de hidrelétricas (embora 95% dos brasileiros já contem com
eletricidade em seus domicílios, e, portanto, não podem prescindir mais dessa
energia), mas não se horrorizam diante das estatísticas do IBGE que mostram não
existir no Brasil tratamento adequado para 85% do esgoto, constituindose em
foco terrível de doenças e de agressão à natureza.
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E como estamos em vésperas de eleições, o momento é bom para se tocar nas feridas.
O crescimento dos gastos públicos vem sendo justificado pelo incremento dos programas
sociais, e vários deles têm o indiscutível mérito de garantir a sobrevivência
de uma parcela expressiva da população. Em 80% dos municípios, a folha de
pagamentos da previdência é a principal fonte de renda local (mais do que a
folha dos funcionários públicos). O Bolsa Família impede que falte alimentos na
mesa dos mais pobres, e por aí vai.
No entanto, pelo que se gasta com esses programas, não faz sentido que o
rendimento escolar continue deficiente; que as crianças pobres estejam ainda
sujeitas a pegar catapora, meningite e hepatite A ou B por falta de vacina nos
postos de saúde; que a gravidez precoce seja quase uma epidemia; e que a
distribuição de medicamentos para evitar um grande número de internações
hospitalares — onerosas aos cofres públicos — não aconteça na proporção
necessária.
Nem mesmo exercícios físicos, capazes de melhorar as condições de saúde da
população, são estimulados nos programas oficiais.
Assim, o orçamento para atender todas as demandas do Sistema Único de Saúde
(SUS) teria de ser ilimitado .
Programas sociais sem metas objetivas voltadas para a qualidade viram
assistencialismo ou caridade, que são úteis, e às vezes se tornam a única fonte
de sobrevivência, mas não tiram ninguém da pobreza.
As agências internacionais de avaliação de risco e os analistas dos grandes
bancos de investimento atribuíam quase grau de investimento para a Tailândia,
vejam só, e os fatos mostraram que se trata de um país com instituições
frágeis. Curiosamente, por conta da Tailândia, as economias emergentes, entre
as quais a brasileira, poderão agora ser vistas com desconfiança pelo mercado
internacional.
POLÍTICA
25/09/2006
Delcídio quer reforço para região Norte
Candidato ao governo do estado vai implementar
um plano de incentivo ao ecoturismo e à seringueira
25.Set.2006 | DOURADOS - O candidato da
coligação Um novo Avanço para Mato Grosso do Sul, Delcídio do Amaral, vai
implementar um plano de desenvolvimento para o Norte do Estado, capaz de
conciliar a proteção ao meio ambiente com a geração de emprego e renda. A
região vem sofrendo um processo de esvaziamento econômico decorrente da dependência
quase total da pecuária por estar situada no entorno do Pantanal, onde a legislação
limita o processo de industrialização, e impede, por exemplo, a instalação de
curtumes, usinas de álcool e de fecularias de mandioca, que é uma cultura que
se adapta às características de solo da região.
"Estou em Coxim firmando este compromisso em praça pública. A partir do
macro-zoneamento regional que vai ser elaborado em meu governo, ouvindo
técnicos e lideranças comunitárias para identificar a vocação econômica de cada
região, vamos escolher alternativas de desenvolvimento, entre as quais aponto
previamente a seringueira (árvore produtora da borracha), que pode ser
cultivada por pequenos e médios produtores, além do eco-turismo" destacou
Delcidio, durante um comício que sábado á noite reuniu milhares de pessoas na
Vila Alegre. "Volto a Coxim com a certeza de que temos serviço a mostrar.
Não decepcionamos a população que , em 2002, acreditou em nossas propostas e
garantiu nossa vitória na disputa pela vaga no Senado. Conseguimos viabilizar
mais de R$ 8 milhões em emendas no orçamento da União, dinheiro que permitiu a
Prefeitura melhorar a qualidade de vida de quem mora aqui na Vila Alegre, com a
pavimentação das ruas e serviço de drenagem que está sendo feito" lembrou
o candidato, destacando ainda que se empenhou pessoalmente para garantir a
construção do campus da Universidade Federal na cidade, cuja inauguração deve
ocorrer até dezembro. Delcidio diz que o desafio agora é gerar empregos e criar
oportunidades para os jovens que estão concluindo o segundo grau e o ensino superior.
"Para ter acesso ao mercado de trabalho essa geração não pode ter como
única alternativa sair da cidade, buscar seus sonhos longe daqui, dos seus
familiares. A região Norte tem potencial para entrar em um ciclo de desenvolvimento
sustentável e permanente. Mato Grosso do Sul reúne todas as condições de se
tornar um grande produtor nacional de borracha, que é um produto de alto valor
agregado, do qual o Brasil ainda não é auto-suficiente. A rentabilidade é bem
maior, por exemplo, que o gado e a soja" disse Delcídio.
O candidato explicou como pretende incentivar o eco-turismo na região Norte.
"O primeiro passo neste sentido já foi dado. Intervimos junto ao Governo
Federal, para que fosse criado um grupo de trabalho interdisciplinar, na Presidência
da República. Esse grupo, em 90 dias, vai definir soluções para salvar o maior
patrimônio ambiental da região, que é o Rio Taquari. Há mais de 20 anos o rio
agoniza lentamente com o assoreamento. Mais do que nos indignarmos com essa
tragédia ecológica, temos que nos unir e arregaçar as mangas em busca de
solução" afirmou.
Outro desafio que terá de ser vencido para consolidar o eco-turismo como
atividade sustentável é investir fortemente na qualificação da mão-de-obra.
"Exatamente por isso é que pretendemos fazer com que o ensino público
atenda as demandas do desenvolvimento econômico. Nossos jovens precisam dominar
mais de um idioma e ter conhecimento, além do básico, de informática. Do
contrário, corremos o risco de atrair investidores e eles acabarem importando
mão-de-obra de outros estados" alertou.
Em relação a obras de infra-estrutura, Delcidio reafirmou sua disposição de
continuar cobrando do governo federal a construção da terceira pista da BR-163,
que hoje passa por obras de melhorias, além da pavimentação, da BR-359, no
trecho Coxim-Fazendas Baús, vital para permitir a intermodalidade no escoamento
da produção regional, com o acesso a Ferronorte. "O projeto já está sendo
elaborado pelo Ministério dos Transportes.
O desafio agora é viabilizar os recursos para que a pavimentação saia do
papel", afirmou, lembrando as audiências públicas em que a sociedade da
região Norte manifestou esse desejo.
ESTADO
25/09/2006
Categoria interditará BR-153 nesta segunda
Mototáxis - protesto é contra decisão do STF
que considera o serviço irregular; Classe pede aprovação de projeto federal
Wherbert Araújo
Palmas
Cerca de dois mil mototaxistas do Estado realizam amanhã uma manifestação na
BR-153 em resposta à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) em agosto
passado, que declarou por unanimidade, a insconstitucionalidade de leis
estaduais do Pará e Minas Gerais que dispõem sobre a utilização de motocicletas
para o transporte remunerado de passageiros, os mototáxis. O manifesto acontecerá
das 7 às 11 horas e interditará a rodovia no cruzamento de acesso à cidade de
Pedro Afonso, na região Nordeste do Estado. A categoria reivindica a aprovação
de um projeto de lei engavetado na Câmara dos Deputados que trata sobre a
regulamentação do serviço de mototáxi e motoboy.
Segundo a decisão do STF o serviço de mototáxi é ilegal, já que somente a União
tem competência para legislar sobre o transporte urbano. A decisão tem reflexo
direto em todo País e também em Palmas e demais cidades do Estado, onde há o
serviço em funcionamento.
O presidente do sindicato dos mototaxistas de Palmas, Jucelino Barbosa Lima,
falou sobre a criação da central nacional da categoria que já tem a adesão dos
estados do Tocantins, Minas Gerais, Maranhão, Pará, Ceará, Amapá e Rondônia,
sendo ele eleito vice-presidente.”Estamos visitando diversos municípios do
Estado para a paralização.Nós pretendemos levar essa manifestação à discussão nacional
em Brasília”, ressaltou. Ainda segundo o presidente, atualmente existem cerca
de dois mil mototaxistas trabalhando no Tocantins. Segundo a Agência Municipal
de Trânsito, Transporte e Mobilidade (ATTM), atualmente, 206 mototaxistas tem
permissão de tráfego para atuar em Palmas, distribuídos em 20 pontos de
trabalho.
ABAIXO-ASSINADO
Segundo o mototaxista Raimundo Veloso, somente na manhã da última sexta-feira,
cerca de 80 pessoas assinaram um abaixo-assinado promovido pela classe que será
entregue em Brasília (DF) ao Congresso Nacional pedindo providências. De acordo
com o mototaxista, a classe não tem encontrado dificuldade em conseguir assinaturas.”Todas
as pessoas se manifestam favoráveis à nossa causa”,ressaltou.
Entenda
A decisão do STF foi favorável a uma contestação da Confederação Nacional dos
Transportes (CNT) do ano de 2004, considerando assim a insconstitucionalidade
de leis estaduais do Pará e Minas Gerais que dispõem sobre a utilização de
motocicletas para o transporte remunerado de passageiros, os mototáxis. Segundo
a decisão, somente a União tem competência para legislar sobre o transporte
urbano. A alegação da CNT é que não cabe ao estado, em detrimento das normas
constitucionais e federais, criar um novo tipo de transporte coletivo. Em Palmas,
o serviço também foi considerado irregular, já que uma lei municipal que o regulamenta.
POLÍTICA
25/09/2006
Alckmin garante que fará nova BR-316 no Maranhão
O candidato do PSDB à Presidência, Geraldo
Alckmin, falou ontem por telefone com o candidato tucano a deputado federal
Roberto Rocha, a quem garantiu que, sendo eleito novo presidente do Brasil, a
primeira estrada que irá construir no país será a BR-316, que corta o Maranhão
de leste a oeste. Alckimin assinalou que a BR, que está com trechos sofríveis,
não será restaurada. “Vamos é construir uma nova rodovia no lugar da que hoje
existe no Maranhão”, afirmou Alckmin, que conseguiu, através de telefone
celular, alcançar Roberto Rocha, que estava em visita ao prefeito de Maranhãozinho,
Josemá Cunha Rodrigues.
Para Alckimin, as condições em que se encontra a BR-316 são uma imoralidade.
Depois de assistir no programa Fantástico, da Rede Globo, a uma reportagem
feita por Pedro Bial, o ex-governador de São Paulo pegou um avião e fez questão
de vir pessoalmente constatar os problemas da rodovia, no Maranhão. Ao chegar à
região do Gurupi, Alckmin seguiu num veículo e, depois, pegou uma moto, para
ver de perto os trechos mais afetados pela má conservação da estrada que liga o
Pará ao Maranhão.
No contato telefônico com Roberto Rocha, Alckmin voltou a afirmar que sua
campanha está caminhando para o segundo turno, e que sua candidatura
experimenta uma tendência de crescimento, em razão da queda da popularidade do
presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “O Brasil não pode continuar mais durante
tanto tempo com um governo corrupto, ineficiente e que não faz o Brasil
crescer. Quem paga o preço não é o governante, é o povo. É menos emprego para o
povo, menos tranqüilidade”, disse ele no telefonema a Roberto Rocha.