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POLÍTICA
25/12/2006
Sonhos de uma noite de Natal
Ministros,
candidatos a presidente da Câmara e dirigentes do partido chegam às festas de
fim de ano sem saber se terão os desejos realizados. Os confirmados não podem
comemorar para não provocar ciúmes.
Foram
poucos os ministros que amanheceram hoje com um presente de Natal do presidente
Luiz Inácio Lula da Silva. Com exceção do ministro da Justiça, Márcio Thomaz
Bastos, que já anunciou que vai deixar o governo, todo gabinete sonha em ganhar
mais quatro anos na Esplanada dos Ministérios. Os presentes ficaram para 2007.
Somente após a eleição para as presidências da Câmara e do Senado, em
fevereiro, Lula vai dar início à reforma ministerial.
Por enquanto, os ministros apenas sonham com o conteúdo dos pacotes. Tarso
Genro, que ocupa a pasta de Relações Institucionais, gostaria de ganhar o
Ministério da Justiça. A maioria, porém, trabalha para permanecer onde está e
não ser preterida no próximo governo. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, foi
um dos que trabalhou intensamente, evitou desagradar o presidente e por isso
receberá como prêmio a permanência no cargo. Mas não receberá o presente que
sonha desde que chegou ao governo: a demissão do presidente do Banco Central ,
Henrique Meirelles.
No governo, há o grupo que já recebeu os presentes, mas ainda não pode
mostrá-los, para não causar ciúme nos demais. É o caso dos ministros da Casa
Civil, Dilma Rousseff; da Cultura, Gilberto Gil; das Relações Exteriores, Celso
Amorim; e da Secretaria Geral da Presidência, Luiz Dulci.
Eles já ganharam de Lula a confirmação nos respectivos cargos. O presidente do
Banco Central está no mesmo grupo. Meirelles foi bastante elogiado por Lula na
confraternização de fim de ano do governo realizada há quatro dias no Palácio
da Alvorada. Paulo Bernardo, do Planejamento, faz parte da cota do PT na
Esplanada e tem grandes chances de permanecer onde está. Walfrido continuará a representar
o PTB no governo no Ministério do Turismo.
O ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, que já deu a Lula uma
champanhe para comemorar a queda do risco país abaixo dos 200 pontos, deseja,
além de continuar no cargo em 2007, nomear o presidente do Banco Nacional de
Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Demian Fiocca, presidente do banco,
é ligado ao senador Aloizio Mercadante (PT-SP) e foi apoiado pelo ministro
Guido Mantega. Furlan argumentou com Lula que o BNDES deve ficar sob influência
do Ministério do Desenvolvimento para atuar com mais arrojo e ajudar o país a
crescer a taxas mais elevadas.
Os secretários executivos alçados à condição de ministros durante a reforma
ministerial ocorrida em abril – quando os titulares saíram para disputar as
eleições — ganharam sobrevida com o adiamento das negociações em torno do novo
governo para fevereiro. Mas dificilmente algum deles resistirá às mudanças.
O presente recebido por eles foi permanecer no cargo por mais dois meses. Estão
neste grupo os ministros dos Transportes, Paulo Sérgio de Oliveira Passos, e o da Saúde, Agenor
Álvares.
Lula também fez seus pedidos para o Papai Noel. Na última sexta- feira, durante
café da manhã com jornalistas no Palácio do Planalto, revelou que deseja “tranqüilidade”
em 2007. O outro desejo do presidente é que o país cresça 5% nos próximos anos.
Congresso
Há um presente cobiçado por muitos, mas que apenas um poderá receber: a
presidência da Câmara. O líder do PT, Arlindo Chinaglia (SP), e o atual presidente
da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), digladiam-se pelo apoio de Lula. Nos últimos
dias, ambos trabalharam intensamente para ganhar o “presente de Natal” do presidente,
mas por enquanto não sabem quem será o premiado. Evitando dar pistas, Lula
disse que gosta tanto de Aldo quanto de Chinaglia.
Se não tomarem cuidado, como aconteceu na eleição de Severino Cavalcanti
(PP-PE), os aliados correm o risco de ficar de mãos abanando.
Os integrantes da base aliada que farão parte do conselho político encheram o presidente
de bilhetinhos com seus pedidos. Ainda que, após todas as reuniões com Lula, os
representantes dos partidos tenham negado qualquer alusão ao cargos, todos
sonham em ampliar a presença na Esplanada. O presidente nacional do PMDB,
Michel Temer, deseja permanecer à frente da legenda em 2007 e ser um dos
principais interlocutores na negociação dos cargos com Lula. Os primeiros
presentes cobiçados pelo partido são os ministérios dos Transportes e da Integração
Nacional. Mas querem muito mais.
O PT, além da presidência da Câmara, quer ter papel de destaque na coalizão
governista, mantendo postos chave como Fazenda, Desenvolvimento Social,
Relações Institucionais, e se possível, recuperar o Ministério das Cidades,
hoje nas mãos do PP. Marta Suplicy é um dos nomes cotados para a pasta das
Cidades. A ex-prefeita de São Paulo é citada também para a Educação.
O PCdoB, que trabalha para manter a presidência da Câmara, deseja ainda que
Orlando Silva Junior permaneça no Ministérios do Esporte.