TRANSPORTE E
LOGÍSTICA
26/05/2006
BNDES libera US$
44,2 milhões ao setor
26 de Maio de
2006 - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou,
ontem, financiamento de US$ 44,2 milhões, equivalentes a R$ 94,7 milhões, para
o Estaleiro Navship Ltda. Os recursos serão aplicados na construção de um
estaleiro especializado em embarcações de apoio marítimo, em Navegantes (SC).
O estaleiro terá capacidade para construir quatro navios por ano e receberá
investimentos totais de US$ 56,5 milhões, dos quais US$ 12,2 milhões, 22%, provenientes
de recursos próprios. O crédito do BNDES, que responderá por 78% do orçamento,
virá do Fundo de Marinha Mercante. O Navship foi criado em novembro de 2004,
está em fase inicial de operação. Ele é controlado pelo grupo norte-americano
Edson Chouest Offshore (ECO).
O projeto prevê a geração de 270 empregos nas fases iniciais, devendo atingir
400 novos empregos com a conclusão integral das obras, previsto para o fim
deste ano.
Expansão no mundo
O grupo visa aumentar o grau de internacionalização da produção, com a instalação
da unidade no Brasil para a produção de embarcações para atuar no mercado local
e na costa ocidental da África.
O estaleiro está localizado em terreno de 161 mil metros quadrados, ao longo do
Rio Itajaí, local que conta com boa estrutura logística, permitindo o rápido
acesso à malha rodoviária do porto de Itajaí, em Santa Catarina.
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 5)(São Paulo)
RIO
26/05/2006
Mais problemas à
vista na BR-101
Paulo Roberto
Araújo
O gargalo de um dos principais acessos do Rio vai ficar mais estreito — e, novamente,
em pleno período de férias, como aconteceu no auge do verão passado, quando o
estado precário da BR-101 deflagrou uma operação tapa-buraco, causando grandes
congestionamentos. Desta vez, a precariedade é de um trecho de 360 metros da
rodovia: o Elevado Roberto Silveira, que, segundo o Departamento Nacional de
Infra-Estrutura Terrestre (Dnit), corre risco iminente de desabar.
O elevado, no início da Rodovia Niterói-Manilha, vai passar por
obras emergenciais nos próximos 180 dias. Já a partir da próxima segunda-feira,
caminhões com mais de 30 toneladas serão proibidos de trafegar por ali, mesmo
de madrugada. A interdição parcial das pistas está prevista para julho, quando,
por ser férias escolares, aumenta o fluxo de veículos na estrada, principal
acesso à Região dos Lagos, ao pólo petrolífero de Macaé e Campos e ao Nordeste.
Normalmente pelo viaduto passam 80 mil veículos por dia, sendo três mil caminhões.
Durante uma inspeção, técnicos do Dnit constataram
o comprometimento de toda a estrutura do elevado, construído em 1963, muito
antes da Ponte Rio-Niterói, como via urbana para ligar Niterói a São Gonçalo.
Os técnicos condenaram sete dos oito dentes gerber (estrutura de encaixe das
vigas que alivia a tensão sobre os pilares).
Para agravar o quadro, boa parte da ferragem do elevado está oxidada e à mostra,
e a falta de manutenção bloqueou o escoamento da água, que se acumulou e
comprometeu os caixões (bases) de concreto que sustentam os pilares. Também
foram encontradas muitas trincas na laje do elevado. Devido à urgência da obra,
que vai custar R$ 3,8 milhões, empreiteiras contratadas pelo Dnit já estão trabalhando no escoramento
do elevado, com uso de macacos hidráulicos.
Caminhões terão que mudar trajeto
Primeiros a serem prejudicados, os caminhoneiros terão que procurar outros caminhos
nos próximos 180 dias. As alternativas são a engarrafada Alameda São Boaventura
e a BR-493 (Magé-Manilha).
— Existe um risco de desabamento por causa da deterioração dos dentes gerber,
por isso decidimos proibir a passagem das carretas. Não há risco para veículos
de passeios e ônibus. Estamos nos antecipando para evitar um problema maior —
explicou o coordenador do Dnit no Rio, o engenheiro Rodrigo Costa.
Desde que foi inaugurado, o elevado só passou por manutenção de estrutura há
dez anos. Sob a construção, num terreno invadido, surgiu uma favela.
Técnicos do Dnit acreditam que os motoristas de
veículos particulares vão sofrer os efeitos das obras em meados de julho,
quando começam as obras nas pistas do elevado. O canteiro central, que sustenta
os postes de iluminação, será retirado para abertura de uma pista reversível. O
trânsito vai fluir em meia pista para a construção de um novo guarda-corpo (o
atual é frágil e está parcialmente destruído), a substituição do asfalto por um
mais resistente e a abertura de uma passagem para pedestres nas laterais.
Na sexta-feira, o Dnit começa a instalar as placas para
desviar os veículos pesados da Avenida do Contorno. A melhor opção é a BR-493,
mas ela não serve para os caminhões com destino a Niterói. Estes terão que usar
a Alameda São Boaventura.
A secretária de Serviços Públicos de Niterói, Dayse Monassa, disse que os problemas
de falta de manutenção não só no Elevado Roberto Silveira como em outros
trechos da BR-101 vêm ocorrendo porque o Dnit aguarda
o fim do processo de privatização da BR-101 Norte. Ela prevê problemas no
trânsito de Niterói durante as obras porque a Alameda São Boaventura está
saturada só com o tráfego local. O processo de licitação da BR-101 Norte está
em análise no TCU.
RIO
26/05/2006
UMA RODOVIA CHEIA
DE PROBLEMAS: PONTE ATÉ HOJE NÃO FOI RECONSTRUÍDA E BURACOS FORAM TAPADOS NA
MARRA
A falta de
manutenção da BR-101 Norte, que liga o Rio ao Espírito Santo e ao Nordeste, já
causou uma série de acidentes, levando a estrada a ser chamada de Rodovia da Morte. Em novembro do ano
passado, um trecho de 71 quilômetros da estrada foi interditado por causa do
desabamento de uma ponte, em Silva Jardim. Oito dias depois, uma ponte metálica
montada pelo Exército foi aberta a veículos leves. Uma pista alternativa também
foi aberta, 13 dias mais tarde.
No rastro do desabamento da ponte — que até hoje não foi reconstruída — aconteceu
uma verdadeira "guerra do buraco" entre os governos federal e
estadual, sobre o direito de fazer os reparos na pista. A governadora Rosinha
Garotinho mandou o DER tapar as crateras da estrada federal. Já o governo
federal, que há pelo menos sete anos não cuidava da conservação da BR-101
Norte, não queria permitir o trabalho. O caso foi parar na Justiça e o estado
conseguiu uma liminar para continuar as obras.
O mau estado das estradas federais levou a União a anunciar
uma operação tapa-buraco em vários pontos do país. Na BR-101, os reparos
começaram em janeiro, em pleno período de férias. Os congestionamentos foram
inevitáveis.
Foi justamente num trecho em obras, em São Gonçalo, que no último sábado Mauro
Mota Chavesmorreu ao derrapar com sua moto. A família da vítima disse que vai
processar o Dnit porque não havia sinalização. Em
março houve três acidentes, com três mortos, na altura de Campos. Num deles,
dois caminhões e dois carros bateram na pista sentido Rio. Em outro, uma moto
foi atingida por um carro.
BRASIL
26/05/2006
No meio do caminho
Operação do
governo federal recuperou cerca de 15 mil quilômetros de rodovias, 55% do
previsto
O Programa
Emergencial de Trafegabilidade e Segurança nas Estradas (a chamada Operação Tapa-Buracos)
recuperou quase 15 mil quilômetros de rodovias
brasileiras. Esse número representa mais de 55% de um total de 27,1 mil quilômetros
de estradas, em 23 estados e no Distrito
Federal, que foram incluídos no programa.
O balanço foi apresentado ontem pelo ministro dos Transportes, Paulo Sérgio
de Oliveira Passos, em
entrevista coletiva às emissoras de rádio da Radiobrás (Nacional AM de
Brasília, Nacional da Amazônia e Nacional da Amazônia).
As obras tiveram início no dia 9 de janeiro e, segundo Passos, devem ser concluídas
no mês que vem. "Estamos seguros de que fizemos e estamos fazendo o que
deveria ser feito", afirmou. O ministro disse que as obras começaram no período
de estiagem. "Pouco depois, quando se intensificaram as chuvas houve uma
redução no ritmo de execução do programa, que retoma agora, quando, em várias
regiões do país, as chuvas já diminuíram.
Passos também comentou os resultados da fiscalização das obras feita pelo Tribunal
de Contas da União (TCU), divulgados há duas semanas. O TCU constatou
irregularidades nas obras de 104 trechos de estradas,
escolhidos por amostragem em um total de 250, do programa emergencial e do
programa de recuperação do Departamento
Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit).
Justificativa
De acordo com o ministro, em nenhum momento o TCU determinou que as obras
fossem paralisadas. "Apenas ressaltou o aspecto de que alguns trechos do
programa que estavam sendo executados poderiam não estar enquadrados
necessariamente como emergenciais. Mas é isso exatamente que nós estamos
examinando para oferecer mais subsídios ao tribunal", disse.
Segundo Passos, eventuais erros formais existentes nos contratos estão sendo
corrigidos. "Eventualmente, o tribunal pode ter registrado a constatação
de alguma imperfeição do ponto de vista formal no processo que constitui cada
contrato, mas até esses erros formais nós temos tido o cuidado de corrigi-los,
de tal foram que estejamos perfeitamente sintonizados com as orientações do TCU
e mais, que o programa possa ser executado da melhor forma possível".
O ministro lembrou que o governo federal pediu ao TCU e à Controladoria-Geral
da União que fiscalizassem as obras, para garantir a qualidade dos serviços que
estão sendo feitos pela Operação Tapa-Buracos nas estradas (Agência Brasil).
CIDADES
26/05/2006
Rio Amazonas
inunda novo porto de Parintins
Paulo
Sicsú/Freelancer
O novo porto de Parintins (a 325 quilômetros de Manaus), inaugurado há menos de
dois meses, está sendo tomado pelas águas do rio Amazonas. A obra, financiada
pelo Ministério dos
Transportes e
executada pelo Exército Brasileiro, custou o equivalente a R$ 16 milhões.
A área do pátio de estacionamento, onde o serviço não foi concluído, está sendo
inundada. No calçadão, a água também já chegou. Esta semana, o
diretor-executivo da Sociedade de Navegação, Portos e
Hidrovias do Amazonas (SNPH), Rildo Cavalcante, esteve vistoriando a obra.
"Na verdade, o Ministério
dos Transportes ainda
não entregou o prédio para o Governo. Já entramos em contacto com o Exército e
cobramos providências. Uma delas será construir um muro, para tentar impedir a
água".
Os portuários também se queixam de que não foram consultados pelos engenheiros
responsáveis pelo trabalho. "Eles não quiseram nos ouvir. São doutores e
acham que sabem tudo. Eu disse que tivemos várias cheias e que uma delas alagou
tudo. Agora esse porto vai para o fundo", disse Admilson Pereira.
O tenente Neto, do Exército, informa que foi mantida a mesma altura do muro de
contenção do cais, por que os engenheiros levaram em consideração a última
grande cheia, de 1953. "Consultamos a administração do porto e fizemos o óbvio,
que foi manter a altura". O oficial disse que o engenheiro de Brasília,
que projetou obra, vai a Parintins tentar solucionar problema.
GIRO
26/05/2006
Espólio
Petistas estão
de olho nos cargos federais do PL goiano no Dnit e na
Valec. Caso Lula se reeleja e PL vá de Cidinho.
CIDADES
26/05/2006
Problemas crônicos
Pistas
colecionam buracos, depressões e rachaduras. Falta sinalização nas vias de
acesso aos bairros e a depredação atinge abrigos de ônibus e viadutos.
Continuamente afetados, usuários pedem restauração completa
Carlos Humberto
Luz
Buracos, rachaduras, depressões e ondulações nas pistas e acostamentos, além do
mato e do lixo espalhados às margens e junto aos precários abrigos e pontos de
ônibus. Apesar da sua evidente importância como ponto de convergência das estradas federais que cortam a Região
Metropolitana, o Anel Rodoviário de Belo Horizonte, com 18 quilômetros de
extensão, é o próprio retrato do abandono. Diariamente, 100 mil veículos
trafegam nos seus dois sentidos, no trecho entre as interseções com as avenidas
Antônio Carlos e Amazonas, na divisa de Contagem.
Basta observar as inúmeras emendas no asfalto para perceber que o Anel Rodoviário
e suas vias laterais não receberam restauração completa nas últimas décadas,
como reivindicam os usuários em geral, mas apenas as paliativas operações
tapa-buracos. Os resultados não poderiam ser outros: acidentes graves, com
mortos e feridos, além dos prejuízos provocados por danos aos veículos e às cargas.
PONTO DE ÔNIBUS
O perigo também afeta diretamente os pedestres, por causa de falta de passarelas
em quantidade suficiente nas travessias, não esquecendo os usuários do
transporte coletivo. Quase debaixo do viaduto na interseção da Avenida Carlos
Luz, no sentido de Contagem, um velho abrigo ameaça até cair sobre as pessoas
que aguardam os ônibus. A estrutura de concreto cedeu no seu ponto de encaixe e
sustentação, havendo ainda bastante aparentes ferragens e rachaduras, em decorrência
do desgaste do tempo.
Quando os caminhões passam em alta velocidade e carregados, é possível sentir a
trepidação. A laje pode cair sobre as pessoas a qualquer momento. Além disso,
falta sinalização e sobram buracos também nas vias de acesso aos bairros laterais.
É fácil perceber que há muito tempo não são feitas obras sérias por aqui ,
reclamou Fernando Aleixo Schmal, morador do Bairro Ouro Preto que percorre o
trecho todos os dias.
O estudante de Ciências da Computação (UFMG) e morador do Barreiro, Cristiano
Nascimento, reclamou também da sujeira em torno do abrigo de ônibus. Quando
chove, cerca de 50 pessoas ficam espremidas debaixo da estrutura inclinada e
comprometida. Não há sequer cestas de lixo para reduzir a sujeira nas proximidades.
A situação do Anel é lastimável.
TREPIDAÇÃO
Outro que não poupou críticas ao estado de conservação do Anel Rodoviário de BH
foi o caminhoneiro Adriano Adrião, que, semanalmente, transporta louças sanitárias
a partir de Vitória (ES). Está difícil trabalhar no Anel de BH. A trepidação é
tão intensa que sempre perco parte da mercadoria no trajeto. As vias laterais e
as cabeças dos viadutos também estão danificadas, a exemplo do que passa sobre
a Avenida Cristiano Machado. Molas, eixos, rodas e pneus não resistem a tantos
problemas. O Anel precisa de restauração completa, como a que estão sendo
executada na BR-262, em João Monlevade.
Odilon Rosa da Silva, que percorre diariamente o trecho entre as interseções
com a Cristiano Machado e com o acesso à Cidade Industrial, alertou que a
situação é mais complicada debaixo de chuva: Os veículos menores são mais
afetados por causa da falta de visibilidade. Operações tapa-buracos não
resolvem, pois outros vão surgindo em partes diferentes do percurso. É preciso
fazer uma restauração completa, com asfalto novo, como na BR-381 (saída de
Betim) . Ele destacou alguns pontos críticos: bairros Betânia e das Indústrias,
onde falta sinalização; interseções com a Via Expressa (falta drenagem) e com a
Antônio Carlos; e bairros Caiçara e Engenho Nogueira (falta passarela).
O Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transporte (Dnit), através da sua assessoria de
comunicação, informou que a licitação das obras de manutenção do Anel Rodoviário
deverá ser concluída até o início de junho, para contrato da empreiteira selecionada:
A atual fase é de análise das propostas e, caso não haja recursos das outras empresas,
o contrato poderá ser feito rapidamente. A operação tapa-buracos inclui também
as vias laterais. Sinalização horizontal, placas, limpeza e corte do mato
também serão providenciados , informaram os técnicos federais.
POLÍTICA
26/05/2006
Tapa-buraco
A construção da
ponte sobre o Rio Manhuaçu, na BR-259, em Aimorés, na divisa de Minas com o
Espírito Santo, pode ser retomada. A obra foi paralisada uma semana depois de
iniciada porque o Tribunal de Contas da União encontrou uma série de
irregularidades. O ministro
dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, recebeu ontem, um laudo técnico do
Dnit garantindo o caráter emergencial da
obra.
POLÍTICA
26/05/2006
Garotinho
formaliza apoio a Pedro Simon (25/05)
Ex-governador
vai recorrer à Justiça contra manobra de ala governista
BRASÍLIA »l O
ex-governador Anthony Garotinho (PMDB) desembarca hoje, às 11h, em Brasília para
apoiar a pré-candidatura do senador Pedro Simon (PMDB-RS) à Presidência da
República. O esforço ocorrerá no dia em que governistas do PMDB convocaram reunião
da Executiva da legenda para evitar a realização da Convenção Nacional do
partido, no próximo dia 11. Na terça-feira, o presidente do Senado, Renan
Calheiros (AL), avisou a Simon que não havia mais tempo "para improvisar
uma candidatura à Presidência".
A cada dia a disputa de poderes entre os defensores da candidatura própria e os
que querem aliança com o governo fica mais acirrada. Governistas avisam que o
Palácio do Planalto com apoio do PT promete aos peemedebistas dois grandes
filões para os que aderirem à luta pela reeleição do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva.
Em jogo estão os ministérios da Saúde e dos Transportes, com os órgãos vinculados
a eles. O Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Estradas (Dnit) tem um dos mais gordos orçamentos
da União.
Em contrapartida, Anthony Garotinho mandou um recado, dizendo que entrará na
Justiça tão logo os, governistas tentem fazer: qualquer manobra para evitar a
convenção de junho.. Seu discurso é que o PMDB precisa manter-se independente
para ser respeitado. Renata Giraldi giraldirenata@yahoo.com.br
GERAL
26/05/2006
TAPA-BURACOS
A Operação Tapa-Buracos recuperou quase 15 mil quilômetros de rodovias no país. Esse número representa
mais de 55% de 27,1 mil quilômetros de estradas em 23
estados e no Distrito Federal. As obras começaram janeiro e devem ser concluídas
em junho, informou o Ministério
dos Transportes.
GERAL
26/05/2006
Indenizações
passam de R$ 10 milhões
O Departamento Nacional de
Infra-Estrutura de Transportes (DNIT) já pagou mais de R$ 10 milhões em
desapropriação de imóveis para as obras de duplicação da BR-101 Sul.
No total, foram concluídos 187 processos dos cerca de 600 previstos. Para os
próximos meses, a previsão é que sejam concluídos mais cem processos, com um
custo de R$ 3,9 milhões.
O Programa de Desapropriação visa regularizar a faixa de domínio atual e
efetuar as novas desapropriações necessárias para a implantação das obras de
duplicação. Segundo o DNIT, estão sendo praticados preços
justos nas avaliações e indenizações, para que as famílias afetadas não sofram
perdas patrimoniais e de qualidade de vida, fazendo com que o processo
transcorra sem conflitos e questões judiciais.
O programa se desenvolverá em duas etapas: o Processo de Desapropriação propriamente
dito e o Subprograma de Auxílio na Reconstrução das Moradias de Famílias de
Baixa Renda.
POLÍTICA
26/05/2006
O Tribunal de
Contas da União (TCU) fará tomada de contas especial para apurar irregularidades
nas obras da BR-317 no Acre, trecho Rio Branco, na divisa Acre-Amazonas, com extensão
de 57,4 Km. O tribunal citou Sérgio Yoshio Nakamura, diretor geral do
Departamento de Rodagem do Acre (Deracre), em solidariedade com Domingos Sávio
de Medeiros, engenheiro e fiscal da obra, Júlio Augusto Miranda Filho,
coordenador geral da 22° Unit/RO-AC/Dnit, e a empresa
Fidens Engenharia Ltda. para, no prazo de 15 dias, apresentarem alegações de
defesa ou recolherem aos cofres do Tesouro Nacional R$ 282.517,82.
Os responsáveis deverão justificar a possível retenção das medições dos
serviços e a quase paralisação da obra nos meses de junho e julho de 2003.
Segundo relatório de auditoria, os serviços foram realizados em junho e julho
de 2003, mas só foram lançados nos boletins de medição em agosto, para que o
pagamento correspondesse ao reajuste previsto para aquele mês, o que beneficiaria
a empresa contratada.
O tribunal determinou, ainda, que o Dnit registre
as informações da obra no Sistema Integrado de Administração de Serviços Gerais
(Siags) no prazo de 30 dias e a fiscalize para garantir a boa aplicação dos recursos
repassados e a boa qualidade da obra.
O governo do Acre, juntamente com o Dnit e o
Deracre, deverá elaborar um novo cronograma físico-financeiro da obra da
BR-317, levando em conta peculiaridades regionais, o estágio em que a obra se
encontra e a programação orçamentário-financeira, para que o empreendimento
possa se ajustar em termos de planejamento e execução para alcançar o resultado
proposto no contrato. Cabe recurso da decisão.
As obras possibilitarão a interligação da hidrovia do rio
Madeira com o porto do rio Purus, em Boca do Acre (AM), facilitando o fluxo de
pessoas e o abastecimento de mercadorias em Rio Branco e Vale do Rio Acre,
favorecendo, ainda, a exportação de produtos brasileiros.
Cópias dos autos foram enviadas ao Tribunal de Contas do Estado do Acre para as
providências cabíveis. O ministro Marcos Bemquerer Costa foi o relator do
processo. (Da Assessoria do TCU)
NEGÓCIO
26/05/2006
Ferrovia
Transnordestina gera clima de impasse
Alterações no
traçado do projeto de construção provoca desunião entre os estados atingidos
Alan Amaral
Quadro de inviabilidade econômica, clima de desunião entre os estados nordestinos
e prejuízo para o escoamento da produção agrícola no oeste da Bahia, território
que hoje responde por quase 70% da produção de grãos da região. Esses são
alguns dos problemas que serão gerados caso sejam concretizadas as alterações
no traçado do projeto de construção da Ferrovia
Transnordestina. O alerta, feito pelo secretário estadual do Planejamento, Armando
Avena, aponta ainda para um aumento considerável nos custos do empreendimento.
"Com as mudanças, a implantação da ferrovia exigirá um investimento da
ordem de R$4,5 bilhões, valor oito vezes maior que o montante estimado
inicialmente, que era de cerca de R$500 milhões. Aliado ao desperdício de recursos
- os quais poderiam estar sendo aplicados na melhoria das vias de transportes já existentes -, será deixado de fora
também do processo o maior pólo de desenvolvimento regional do Nordeste,
situado em Juazeiro e Petrolina", destaca. A afirmação vem como resposta
também ao comentário feito pelo diretor da Companhia Ferroviária do Nordeste
(CFN), Jorge Mello, de que a Bahia é um estado "bairrista" e que defende
apenas seus interesses quando o assunto é o escoamento da produção agrícola.
Sob a alegação de que é preciso buscar cargas âncoras, com grandes volumes que
possam suportar os custos fixos da ferrovia, a CFN transferiu para o Piauí o
ponto de captação da produção de grãos.
Segundo Avena, até pouco tempo atrás a Transnordestina era motivo de união
entre os estados locais, já que o traçado original tinha como proposta
interligar o cerrado setentrional aos portos do litoral,
viabilizando rotas de escoamento que beneficiariam todos os territórios
estaduais. "Com base na proposta inicial, a ferrovia partiria do bipólo Juazeiro/Petrolina
até o município de Salgueiro, em Pernambuco. Dessa forma, os quatro grandes portos do Nordeste - Suape, Pecém, Aratu e
Itaqui - estariam interligados às regiões produtoras", argumenta. Contudo,
com as modificações feitas pelo governo federal, o novo trecho partirá de Eliseu
Martins, no Piauí, uma região de baixíssima densidade econômica, e seguirá em
direção aos portos de Suape, em Pernambuco, e Pecém,
no Ceará. Conforme explica, com a proposta original seria viabilizado o
escoamento da produção de grãos do sul do Maranhão, sul do Piauí e oeste da
Bahia - que deve confirmar em 2005 a marca de 5,6 milhões de toneladas. Outra
vantagem apontada, está no fato de que a produção baiana ficaria na boca da
ferrovia, possibilitando inclusive o uso da Hidrovia do São Francisco. "Já
com as alterações, as cidades de Juazeiro e Petrolina, área hoje conhecida como
a capital do Nordeste Setentrional, ficarão muito distantes da nova ferrovia.
Ou seja, vamos ter um empreendimento que vai se concentrar em atender apenas
aos interesses do Piauí e da própria Companhia Ferroviária. Além disso, na nova
rota a única atividade de porte está no pólo gesseiro de Araripe, que seria
melhor servido se a ferrovia saísse de Petrolina", ressalta.
De acordo com o secretário, a Bahia não é contra a construção da Transnordestina,
mas apenas ao traçado que substituiu o programa inicial. "O novo projeto é
tão antieconômico que ele até prevê o transporte de passageiros em vagões de
dois andares. A questão é que a população carente do Nordeste não terá condições
de arcar com o valor da passagem", comenta. Para Armando, o projeto atual
apresenta uma taxa de retorno extremamente baixa, além de requerer uma
engenharia financeira baseada na utilização de bilhões de reais dos cofres públicos.
Outro ponto levantado está na inconsistência dos estudos que sustentam essas
alterações, já que eles afirmam que a ferrovia irá transportar 30 milhões de
toneladas de grãos, mas a produção do cerrado só alcançará 25 milhões de
toneladas em 2024, sendo que 50% desse total terá origem na Bahia, que, devido
à distância, dificilmente tomará o rumo da nova Transnordestina.
BASTIDORES
26/05/2006
Autor distante
Enquanto o
presidente Lula se penitenciou diante do ex-presidente José Sarney pelas críticas
que fez à Ferrovia Norte-Sul, que se dizia na época
que “ligaria nada a lugar nenhum”, nenhum dos dois personagens lembrou-se do
autor da obra, que eles transformaram em enredo misantropo: o engenheiro José
Reinaldo, então ministro
dos Transportes.
Foi ele quem mandou fazer o projeto, defendeu e tocou a construção dos primeiros
226 km da linha ferroviária, ligando as cidades maranhenses de Estreito e
Açailândia, fazendo a conexão com a Estrada de Ferro Carajás, permitindo o acesso
ao Porto de Itaqui, em São Luís.