JORNAL DO BRASIL - RJ

Receita veloz

INFORME ECONÔMICO
30/06/2006

Receita Federal conclui até o dia 14 os testes do novo sistema que controlará a entrada e saída de mercadorias do Brasil, o Siscomex Carga. A operação tem como base a troca eletrônica de documentos implantado no país há dez anos pela Multicon.net, empresa responsável desde outubro pelas simulações e correções de eventuais falhas na ferramenta. Segundo a empresa, o recurso permitirá agilizar e elevar o ritmo na fiscalização das cargas no comércio exterior brasileiro. Só no porto de Santos, cerca de 450 navios circulam mensalmente, movimentando cerca de 130 mil contêineres.

 

 

O ESTADO DE S. PAULO - SP

O nosso indefeso presidencialismo

ESPAÇO ABERTO
30/06/2006

As eleições de 2002 evidenciaram que o regime político do Brasil continua carregando no ventre o monstro da ingovernabilidade. O presidente foi eleito com expressiva votação individual, mas seu partido, o PT, só conseguiu conquistar magros 17% das cadeiras na Câmara dos Deputados. Ainda que somados às legendas aliadas, o governo ficou sem maioria parlamentar. Esse é o nosso indefeso presidencialismo. Quem ocupa a Presidência nessas condições precárias não tem escolha: tem de buscar uma base majoritária à custa de muitas concessões e arranjos. O risco do País é enorme. Se o esforço para organizar a tal base majoritária cai em mãos de pessoas sem princípios firmes e valores éticos, acontece o que aconteceu. Nascem daí o valerioduto, o mensalão, os sanguessugas, etc.

O presidente de plantão diz que não sabia de nada, mas ao mesmo tempo declara que todas essas coisas são useiras e vezeiras em nossa vida política. Ele tenta confundir o povo, sustentando que, durante a campanha eleitoral, receber auxilio financeiro de entidades que deixam de contabilizar essas operações em seus registros fiscais é a mesma coisa que, depois de eleito e empossado, montar um esquema de sangria dos cofres públicos para comprar consciências e legendas , como única forma de montar uma bancada majoritária obediente e fiel.

Essa diferença precisa ser sempre salientada. Não há como igualar as duas formas de atuação política. O valerioduto e o mensalão não eram nem habituais nem sistemáticos em nosso comportamento, como insiste o ocupante distraído do Planalto. Nada disso havia ocorrido antes no País.

Nosso indefeso presidencialismo já assistiu muitas vezes à instalação de balcões de negócios e ofertas de cargos e vantagens, mas nada que se compare ao assalto ao trem pagador que Lula e o PT armaram contra nós. Só cegos e fanáticos admitem que o chefe maior não sabia de nada e nunca percebeu coisa alguma.

As eleições estão chegando e os brasileiros estão, ainda, perplexos. O País está aflito e desconfiado, sentindo-se sem comando e sem rumo. Os que não têm suficiente discernimento político e se deixam comprar por qualquer favor, esses talvez ainda queiram que a atual situação continue. Mas aqueles que conseguem enxergar e analisar o que ocorreu, para esses o panorama é de desânimo e desesperança. No fundo, todos torcem e desejam que, nestas próximas eleições , saia vencedor um candidato que não tenha tomado parte nesse mar de lama. Um candidato livre dessa maldita herança de corrupção. Livre desses maus costumes que o PT introduziu em nosso frágil sistema. O País sonha com alguém que tenha compostura, que não aprove, de forma tão cúmplice, os desmandos praticados por companheiros salteadores e invasores de bens alheios ou públicos. Alguém que na escolha de sua equipe se oriente pelos critérios do mérito e da competência.

Temos esse desejo e sonhamos esse sonho. Vamos lutar e trabalhar para que isso se torne realidade e o Brasil possa ver sua alma limpa renascer. No entanto, mesmo que sejamos vitoriosos - e acredito que seremos - temos de encarar a dura realidade de nosso indefeso presidencialismo. Não adianta só eleger um excelente candidato. É absolutamente imprescindível garantir-lhe uma bancada majoritária fiel e solidária. É preciso não esquecer o fato de que as eleições parlamentares vão ocorrer na mesma data e que para elas não haverá segundo turno. Votou, está votado! Ganhou, está eleito!

Infelizmente, o nosso indefeso presidencialismo depende desse sistema eleitoral, que garante aos deputados um mandato com prazo fixo de quatro anos e mais um monte de direitos, inclusive o de mudar de partido quantas vezes quiser e não acompanhar as questões fechadas na bancada. Os correligionários do presidente, por exemplo, só o apóiam se quiserem. Até para conseguir um bom orçamento, para obter leis importantes, para reformar e agilizar a administração, tudo tem de ser negociado! Tem sido assim ao longo dos anos. Quantas iniciativas legais, decisivas para o desenvolvimento do País, continuam engavetadas, à espera do apoio parlamentar? Quantos projetos? Quantas escolas? Quantos hospitais? Quantas
estradas? Quantos portos? Quantas ferrovias? Quantos centros de pesquisa?

Não temos partidos fortes porque o voto proporcional acaba com eles, por dentro, e depois a infidelidade partidária os destrói por fora. Não há punição para a traição e para a venda das consciências. Isso faz da atividade política um enorme sacrifício para as pessoas de bem e, como conseqüência, os parlamentares se tornam o alvo predileto da desmoralização perante o eleitorado, cada vez mais distante e descrente. Aliás, vale sempre a indagação: neste nosso indefeso presidencialismo, qual a força permanente do eleitor? Qual o seu papel quando o Parlamento se comporta assim? Pode o eleitor fazer alguma coisa além de ir para a rua, pintar a cara e xingar? Se a democracia é o governo do povo, para o povo e pelo povo, não seria justo chamar o povo sempre que houvesse correções a fazer? Infelizmente, essa solução democrática não existe no regime presidencialista.

Sem voto distrital, sem fidelidade partidária, sem a exigência de um desempenho mínimo dos partidos, corremos o risco de ter de novo o pesadelo de um presidente sem maioria parlamentar e uma maioria parlamentar sem presidente!

No nosso presidencialismo indefeso, qualquer governo já nasce fraco, pois vai depender de barganhas com partidos sem comando, com legendas sem eleitorado e com parlamentares sem compromisso.

Alckmin sabe disso. Já avisou que vai enviar o projeto de reforma política no primeiro dia de seu mandato. É o caso de perguntar ao eleitor: como votará o seu candidato nesse caso? Só vote em quem assumir, também, esse compromisso.

Sandra Cavalcanti, professora, jornalista, foi deputada federal constituinte, secretária de Serviços Sociais no governo Carlos Lacerda, fundou e presidiu o BNH no governo Castelo Branco

E-mail: sandra_c@ig.com.br

 

 

 

O ESTADO DE S. PAULO - SP

País investe 20,4% do PIB no 1º trimestre

Taxa de investimento é a maior no período desde os 20,6% de 2001

ECONOMIA & NEGÓCIOS
30/06/2006

O investimento do País atingiu 20,4% do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre, a maior taxa no período desde 2001 (20,6%), informou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Houve crescimento de 9% ante igual período do ano passado. Em todo o ano de 2005, a taxa ficou em 19,9%.

O aumento dos investimentos puxou a expansão - divulgada em maio - de 3,4% do PIB, para R$ 478,9 bilhões no trimestre. Para a técnica do IBGE Maria Laura Muanis, o ano eleitoral, programas como o de recuperação das
estradas e a queda dos juros estão entre as razões do avanço dos investimentos.

Em relação ao último trimestre de 2005, o PIB cresceu 1,4%, em termos reais (sem inflação). Para o segundo trimestre, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) prevê crescimento menor - de 1,2% ante o primeiro trimestre - e expansão do PIB de 3,8% no ano. O desempenho no primeiro trimestre fez o Ipea elevar a projeção de avanço dos investimentos, de 5,8% para 7,8%, fechando o ano em 20,5% do PIB.

Na avaliação de Sérgio Valle, economista da MB Associados, é preciso cautela na análise do investimento. "Mesmo sendo essa taxa relativamente boa, não é suficiente para crescer a taxas mais elevadas", disse.

Valle lembra que o crescimento da construção reflete mais projetos residenciais que fábricas ou obras de infra-estrutura. Para o PIB crescer acima de 4%, o País precisaria de uma taxa de investimento "de pelo menos 25% do PIB", afirma.

"Para uma taxa de investimento mais ambiciosa, é preciso fazer uma reforma fiscal efetiva e controlar os gastos correntes. Aí será possível aumentar o investimento público em infra-estrutura. Sem isso, não há como aumentar a competitividade e reduzir custos, além de juros mais baixos", argumenta Valle.

O investimento totalizou R$ 97,7 bilhões no primeiro trimestre, R$ 10,2 bilhões acima do mesmo período de 2005. As demais parcelas do PIB, pela ótica da demanda, foram as seguintes: consumo das famílias, R$ 277,8 bilhões; consumo do governo, R$ 84,6 bilhões; exportações de bens e serviços, R$ 74,8 bilhões; importação de bens e serviços, R$ 58,8 bilhões.

Por setores, a indústria girou R$ 168,6 bilhões; a agropecuária, R$ 34,7 bilhões; e serviços, R$ 248,3 bilhões. Do total do PIB, R$ 54,2 bilhões foram impostos.

De forma geral, o peso dos setores ficou quase estabilizado. Uma estimativa do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) indica que o peso da indústria no PIB cresceu ligeiramente, de 36,9% para 37,3%, e o de serviços, de 54,4% para 55%, favorecidos pelo avanço da massa de salários. Já o peso relativo da agropecuária encolheu de 8,7% para 7,7%. O IBGE calcula esses pesos apenas com o resultado fechado de cada ano.

Outro item que puxou o PIB no trimestre foi o consumo das famílias, que cresceu 4% ante o primeiro trimestre de 2005. Como o consumo cresceu, sobrou menos para poupar, afirma Maria Laura. Isso, explica ela, simplificadamente, por que a taxa de poupança recuou de 22,4% no início de 2005 para 21,6% no primeiro trimestre deste ano.

Ainda segundo o IBGE, a capacidade de financiamento da economia (comparável ao superávit em conta corrente) foi de R$ 3,6 bilhões - R$ 3,6 bilhões abaixo dos R$ 7,2 bilhões de igual período do ano passado.

A redução, segundo o IBGE, decorre, sobretudo, do encolhimento do saldo externo de bens e serviços e do aumento do envio de lucros e dividendos para o exterior. O crescimento mais forte das importações reduziu o superávit de bens e serviços.

 

 

 

O ESTADO DE S. PAULO - SP

Cai vantagem de Lula sobre Alckmin, aponta Vox Populi

Tucano chega a 32% e diferença entre os dois se reduz de 26 para 13 pontos

NACIONAL
30/06/2006

Pesquisa Vox Populi a ser divulgada hoje pela revista Carta Capital indica que caiu pela metade a vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o pré-candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin. Lula aparece com 45% das intenções de voto, 4 pontos menos do que na última pesquisa do instituto, apresentada há três semanas. O ex-governador subiu de 23% para 32%. A vantagem caiu de 26 para 13 pontos porcentuais. As informações foram divulgadas ontem à noite no blog do jornalista Ricardo Noblat (noblat.estadao.com.br).

Na simulação do segundo turno feita pelo Vox Populi, a vantagem do presidente Lula sobre Alckmin também foi reduzida - de 19 para 8 pontos porcentuais. A margem de erro é de 2,2 pontos porcentuais.

O levantamento foi contratada pela Associação Nacional do Transporte de Carga e Logística e envolveu 2 mil entrevistas, entre os dias 22 e 24. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral na segunda-feira.

Na pesquisa espontânea, onde o entrevistado declara sua intenção de voto sem que sejam apresentados a ele candidatos, o presidente manteve o índice anterior: 35%. Já Alckmin subiu 5 pontos, de 12% para 17%.

Segundo Noblat, "há um dado na pesquisa que deve preocupar Lula: por larga maioria, os eleitores de outros candidatos no primeiro turno dizem que votarão em Alckmin em um eventual segundo turno".

O candidato tucano recebeu com empolgação o resultado. "Acho ótimo, mas recebo com muita humildade. Sempre defendi o uso das sandálias da humildade e vou continuar assim", comemorou. O presidente do PT, Ricardo Berzoini, não foi localizado na noite de ontem para falar sobre a pesquisa.

 

 

 

GAZETA MERCANTIL - SP

PPPs vão recuperar vias federais na Bahia e Minas

TRANSPORTE E LOGÍSTICA
30/06/2006

Brasília, 30 de Junho de 2006 - O Conselho Nacional de Desestatização (CND), composto pelos ministros do Planejamento, Orçamento e Gestão, Casa Civil, Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e Fazenda, aprovou na quarta-feira o estudo de viabilidade técnica, econômica e financeira e as diretrizes da modelagem do projeto de Parceria Público-Privada (PPP) para as rodovias BR-324 e BR-116 na Bahia e Minas Gerais. Essa será a primeira obra feita por meio de uma PPP do governo federal. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, já declarou que o edital do projeto deve ser publicado até julho.

O projeto demandará investimentos de R$ 1,14 bilhão e terá custos operacionais durante a vigência do contrato de aproximadamente R$ 770 milhões. Essa PPP terá vigência de 15 anos.

Os estudos determinam a restauração de 113,2 Km da BR-324 entre Salvador e Feira de Santana e 524,2 Km da BR-116 de Feira de Santana até a divisa entre a Bahia e Minas Gerais. Serão construídos 146 Km de terceiras faixas para ampliar a capacidade de circulação de automóveis, 28,4 Km de ruas laterais e 41 passarelas. Além disso, serão edificadas instalações para a cobrança de pedágio e atendimento aos usuários. O trecho da BR-116 entre Feira de Santana e o entroncamento com a BR-242, de 84 Km, será duplicado.

O intervalo da BR-324 incluído no projeto é um corredor utilizado para o transporte de mercadorias exportadas ou importadas por meio do
Porto de Aratu. Já a BR-116 liga o Sul ao Norte do país. Segundo o Ministério do Planejamento, cerca de 75% da produção do Estado da Bahia é transportada em caminhões que transitam por essa rodovia.

O modelo da PPP aprovado pelo Conselho Nacional de Desestatização foi produzido em conjunto pelo Ministério do Planejamento, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e International Finance Corporation (IFC) – braço do Banco Mundial responsável pelo financiamento à iniciativa privada. O modelo considerou estudos técnicos de engenharia e de tráfego, levantamento de condições ambientais e estudos de viabilidade econômico-financeira.

kicker: Projeto demandará investimentos de R$ 1,14 bilhão; BR-116 e BR-324 concentram tráfego pesado nos dois estados

(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 5)(Fernando Exman)

 

 

VALOR ECONÔMICO - SP

CND aprova estudo de viabilidade de PPP de rodovia

1º CADERNO
30/06/2006

O Conselho Nacional de Desestatização (CND) aprovou, na quarta-feira, o primeiro estudo de viabilidade técnica, econômico, financeira e de modelagem do projeto de Parceria Público Privada (PPP) para restauração e manutenção das rodovias BR -116 e BR-324.

O projeto - o primeiro do governo federal a ser implementado sob a Lei de PPP (nº 11.079, de 2004) -, envolve, durante os 15 anos de contrato, investimentos de aproximadamente R$ 1,14 bilhão e custos operacionais em torno de R$ 770 milhões.

Conforme os estudos, a parceria cuidará também da operação e aumento de capacidade dos seguintes trechos rodoviários: os 113,2 quilômetros da BR-324, entre Salvador e Feira de Santana; e os 524,2 quilômetros da BR-116 que vão de Feira de Santana até a divisa da Bahia com Minas Gerais.

O trecho da BR-324 é um importante corredor de exportação e importação, com alto volume de tráfego de caminhões em torno de Feira de Santana e no acesso ao
Porto de Aratu, próximo a Salvador. Já a BR-116 é um corredor de 4.500 quilômetros que liga o Sul e o Norte do Brasil.

Os investimentos deverão incluir ainda a restauração das duas
rodovias, a construção de 146 quilômetros de terceiras faixas, 28,4 quilômetros de ruas laterais, 41 passarelas, instalações operacionais de cobrança e atendimento ao usuário e duplicação de trecho de 84 quilômetros da BR-116, entre Feira de Santana e o entroncamento com a BR-242

Sob o Termo de Cooperação celebrado entre o Ministério do Planejamento, o BNDES e a International Finance Corporation (IFC), do Banco Mundial, foram realizados os estudos técnicos de engenharia e levantamento das condições ambientais; estudos técnicos relativos ao tráfego; e a modelagem econômico-financeira. O primeiro estudo de viabilidade de PPP foi feito com a ferrovia Norte-Sul, mas o governo acabou optando por fazer concessão para essa obra.

 

 

CORREIO BRAZILIENSE - DF

No bolso do servidor

Trinta e uma categorias serão beneficiadas com reajustes que representam um gasto de R$ 5,5 bilhões este ano. Governo não diz de onde sairão os R$ 400 milhões necessários para completar o Orçamento

ECONOMIA
30/06/2006

A três meses da eleição e faltando apenas algumas horas para esgotar o prazo permitido para reajustes salariais, segundo a legislação eleitoral, o governo vai publicar hoje as medidas provisórias com o aumento do funcionalismo público. Com a primeira MP, publicada no dia 30 de maio, ao todo 1,5 milhão de servidores serão contemplados, inclusive os militares (veja quadro). Eles representam pouco mais de 80% do quadro de funcionários do Executivo federal. Pensando nas urnas o governo foi generoso. Vai gastar R$ 5,5 bilhões em 2006 — R$ 400 milhões a mais que o previsto no Orçamento deste ano — e vai deixar uma conta de R$ 10,8 bilhões para o presidente eleito, em outubro, pagar em 2007. No total, 31 categorias serão contempladas.

A generosidade próxima às eleições não foi intencional, segundo o secretário de Recursos Humanos, Sérgio Mendonça. O orçamento só foi sancionado em maio por isso o processo convergiu neste momento. O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Marco Aurélio Mello, entendeu de outra forma. Segundo ele, as MPs ferem a legislação eleitoral, que impede reajustes acima da inflação nos 180 dias que antecedem as eleições. Mas reconheceu que dificilmente algum partido político vá entrar com recurso no TSE contra os aumentos. Há um apelo muito grande envolvido, nenhum partido impugnará para não ter votos contrários dos servidores, disse. O governo concedeu os reajustes com o respaldo da Advocacia Geral da União (AGU), que interpretou que a lei só impede reajustes lineares nesse prazo. Reestruturações como estão sendo concedidas nas MPs estariam livres até o dia 30 de junho. Estamos amparados num parecer da AGU, que é quem defende o governo, então estamos tranqüilos, disse Mendonça.

Para ter dinheiro e cumprir a promessa, o governo jogou parte da responsabilidade para os auditores fiscais — da Receita Federal, da Previdência, do Trabalho — e os técnicos da Receita. O aumento dessas categorias está vinculado a um incremento na arrecadação. Se cumprirem a meta de arrecadar cerca de R$ 10 bilhões a mais neste ano, o reajuste nos salários chegará a 34%. Mas, segundo Mendonça, o dinheiro a mais deverá vir por melhoria na fiscalização e não por elevação de impostos. No bolo dos R$ 5,5 bilhões não está incluído o aumento dos servidores da Justiça em votação no Congresso Nacional — na semana passada o governo fez um acordo com o Judiciário se comprometendo a disponibilizar os R$ 600 milhões necessários para elevar os salários em cerca de 40% neste ano. Na Secretaria de Recursos Humanos a origem do dinheiro para honrar o compromisso ainda é uma incógnita. Uma das possibilidades é enviar ao Congresso um pedido de crédito suplementar ao Orçamento.

A escolha das categorias beneficiadas levou em conta os trabalhadores que não tiveram aumento no ano passado, segundo Mendonça. Entre os que ficaram de for a, estão os funcionários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em greve há dois meses. As propostas, no entanto, não agradaram a todos. Os auditores fiscais preferiam um reajuste fixo, mas reconhecem que a elevação da arrecadação é viável. Pelo menos a meta é factível, disse o presidente do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco), Carlos André Soares Nogueira. Na próxima quinta-feira a categoria define se interrompe a greve iniciada em 4 de maio.

Assembléias
Também paralisados, os servidores das carreiras jurídicas fazem assembléia na próxima segunda-feira. Mas não estão satisfeitos com a proposta que até 2009 vai representar um incremento de 73,16% nos salários. Os valores ficaram muito distantes dos acertados. A proposta era aproximar os nossos salários aos do Ministério Público, para preservar as carreiras, afirma o presidente da Associação Nacional dos Advogados da União (Anauni), José Wanderley Kozima. Segundo ele, o salário inicial bruto da categoria deveria passar de R$ 7,5 mil para perto de R$ 19 mil. Mais insatisfeitos ainda ficaram os servidores do Plano de Classificação de Cargos (PCC). O governo continua mantendo a política de governo anteriores, de priorizar as carreiras da segurança e do Fisco. O PCC é menosprezado e tratado como o indigente do serviço público, critica o secretário-geral da Confederação Nacional do Servidores Públicos Federais (Condsef), Josemilton Costa.

(Agências reguladoras citadas no gráfico)

 

 

CORREIO BRAZILIENSE - DF

Consumo cresce mais que o Produto Interno Bruto

Gastos dos brasileiros no primeiro trimestre derrubam a taxa de poupança e podem comprometer o aumento da produção no país

ECONOMIA
30/06/2006

As famílias brasileiras e o governo não se intimidaram ao ir às compras no primeiro trimestre deste ano. Juntos, consumiram R$ 362,3 bilhões no período, volume 10,25% superior aos gastos registrados entre janeiro e março de 2005 (R$ 328,6 bilhões). Entre as famílias, o consumo foi estimulado pelo crescimento da renda, pelo desemprego menor, pela maior oferta de crédito e pelo recuo da inflação, pontos que favoreceram, principalmente, a população de mais baixa renda. Os gastos do governo foram impulsionados pelas obras de recuperação das estradas — operação tapa-buracos — e pelo calendário eleitoral. “O consumo se mostrou realmente forte no primeiro trimestre”, disse a economista Maria Laura Muanis, do Sistema de Contas Nacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O forte ímpeto para o consumo, tanto por parte das famílias quanto pelo governo, derrubou a taxa de poupança do país, indicador fundamental para medir a capacidade de crescimento de uma economia no médio e longo prazos. Quanto maior for a taxa de poupança, maior fôlego terá o país para se desenvolver de forma sustentável. Para que a taxa de poupança caia, o incremento do consumo tem que ser maior do que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). “Foi o que aconteceu nos primeiros três meses deste ano”, destacou Maria Laura. Enquanto o consumo cresceu 10,25%, o PIB subiu 9,2%, totalizando R$ 478,9 bilhões. Com isso, a taxa de poupança baixou para 21,6% do PIB, ficando 0,7 ponto percentual abaixo da computada entre janeiro e março do ano passado. Esse indicador, por sinal, está em queda desde o final de 2003, quando o consumo das famílias recuperou o fôlego.

Motores
Na opinião da economista-chefe da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), Luciana de Sá, não há perspectivas de mudança na composição das contas nacionais nos próximos trimestres. “O consumo das famílias e os gastos maiores do governo continuarão funcionando como importantes motores da economia”, disse. Para Luciana, com a inflação sob controle, a população está mais confortável para gastar, mesmo que isso implique em fazer dívidas, porque os juros estão caindo e a massa salarial, aumentando. “Creio que a demanda interna será, daqui por diante, o grande responsável pelo crescimento da economia”, ressaltou.

Segundo o vice-presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Martus Tavares, é importante que o consumo das famílias aumente. Mas, a seu ver, esse processo tende a se esgotar no médio prazo, uma vez que o reforço da renda da população está vindo de elevações insustentáveis do salário mínimo e de programas assistencialistas do governo. “O crescimento da economia não deve se basear apenas no incremento do consumo. O crescimento tem de estar ancorado em investimento em infra-estrutura, que, no futuro, vão garantir o bom funcionamento da economia, gerando emprego e renda sem pressionar os cofres do governo”, afirmou.

Financiamento
Ao detalhar os números do PIB do primeiro trimestre, o IBGE constatou que a capacidade de financiamento da economia diminuiu. O saldo de recursos disponíveis ficou em R$ 3,6 bilhões no primeiro trimestre, ante os R$ 7,2 bilhões registrados em igual período de 2005. A retração foi resultado da queda do saldo comercial brasileiro — de R$ 18,2 bilhões para R$ 16 bilhões — e do forte aumento das remessas de lucros e dividendos para o exterior, que somaram R$ 1,7 bilhão. “O saldo comercial caiu porque, com o dólar mais baixo, as importações ganharam impulso”, explicou Maria Laura. “Já as remessas de lucros refletiram a lucratividade maior das multinacionais instaladas no Brasil e o volume mais significativo de investimentos estrangeiros no país”, complementou.

 

 

 

J. DO COMMERCIO - AM

Workshop sobre logística

ECONOMIA
30/06/2006

O Ministério dos Transportes, o Ministério da Defesa, a Fieam e o Cieam estão convidando para o 1º Workshop que terá como base os estados da Amazônia Ocidental (Amazonas, Acre, Roraima e Rondônia) para desenvolvimento do PNLT (Plano Nacional de Logística de Transportes), cuja finalidade é formular um plano indicativo que servirá de referência para investimentos públicos e privados nos próximos quinze anos. O encontro será realizado no auditório do Senai/AM, na Av. General Rodrigo Otávio 2394 (Bola da Suframa), no dia 3 de julho (próxima segunda-feira), das 9h00 horas às 18h30 horas. Na ocasião, em nome do Cieam e da Fieam, o especialista em logística, Geraldo Vantine, e o economista Raimar Aguiar farão uma apresentação sobre a situação da ZFM.

 

 

 

O IMPARCIAL - MA

Governo anuncia licitação de rodovia

A estrada Barreirinhas-Parnaíba ligará São Luís à cidade de Fortaleza, no Ceará, e custará aos cofres públicos R$ 317 milhões

POLÍTICA
30/06/2006

A tão sonhada estrada de ligação entre São Luís e Fortaleza, pela costa maranhense, finalmente sai do papel: o governador José Reinaldo Tavares lançará, na próxima semana, edital de licitação para construção da rodovia Barreirinhas-Parnaíba, num total de 128 quilômetros de extensão e consolidar um dos dois maiores pólos turísticos do Brasil, os Lençóis Maranhenses e o Delta das Américas, na fronteira com o Piauí.

Além da estrada, que é uma extensão da BR-402, o governador mandará incluir no edital a construção de ramais ligando à rodovia federal os municípios de Santa Amaro (34,8 quilômetros), Santo Amaro-Primeira Cruz (22,6 quilômetros), paulinho Neves (31,1 quilômetros) e Água Doce do Maranhão (11,8 quilômetros de via de acesso)

As obras de implantação da rodovia federal e dos ramais estaduais atingirão recursos da ordem de R$ 317 milhões e têm prazo de conclusão de dois anos, aproximadamente. E o seu anúncio só foi possível depois que o governador José Reinaldo Tavares, enfrentando uma série de dificuldades, assinou convênio com o Departamento Nacional de Infra-Estrutura-Denit do
Ministério dos Transportes.

“Foram quase três anos de elaboração de estudos e projetos, além de gestões junto ao
Ministério dos Transportes”, relatou o governador, feliz com o anúncio desse grande empreendimento que vai dotar a costa maranhense da infra-estrutura de transportes necessária ao seu desenvolvimento pleno.

O governador José Reinaldo tem certeza que as obras vão revolucionar o turismo, incrementar a economia de uma vasta região, já que abrirão novas perspectivas para a criação de camarão e estímulo à pesca, “tudo no sentido de melhorar as condições de vida de dezenas de milhares de maranhenses”, preocupou-se.

As obras será executadas pelo Governo do Estado por delegação de competência do Governo Federal. Antes o governador já havia determinado a construção de sete pontes de concreto sobre os rios que cortam o curso da estrada, o que, segundo a Secretaria de Infra-Estrutura do Governo do Maranhão, vai agilizar, em muito, os serviços de implantação das
rodovias projetadas.

 

 

 

HOJE EM DIA - MG

Siesta mineira

MÁRCIO FAGUNDES
30/06/2006

Um despachante amigo dessa meia página ligou ontem revoltado pelo fato de que há uma hora e meia aguardava alguém aparecer no Dnit, situado à Avenida Prudente de Morais, nas proximidades do Colégio Pitágoras. Segundo ele, o órgão federal fecha na hora do almoço. ‘Um absurdo!‘, concluiu, pronto a recorrer de uma multa de trânsito em rodovia federal para um de seus clientes.

 

 

DIÁRIO CATARINENSE - SC

Os dois ritmos da duplicação

GERAL
30/06/2006

Ao se percorrer o trecho Sul da BR-101, em Santa Catarina, constata-se que a duplicação saiu do papel, porém com algumas exceções. Mesmo diante das mudanças no ritmo de trabalho nos lotes e apesar de todo o atraso que marcou o início dos trabalhos, o Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (DNIT) garante que o cronograma está sendo cumprido e que a obra será entregue no final de 2008.

A duplicação dos 248,5 quilômetros entre Palhoça e Passo de Torres tem hoje trechos cuja conclusão dos trabalhos varia entre 3% e 30%. Entre os 14 lotes (nove de pavimentação e obras e cinco de obras especiais) em que foi dividida, os mais adiantados são o 27 (Criciúma) e o 23 (Paulo Lopes).

Em contrapartida, o 22 (Palhoça) e o 29 (Araranguá) são os que apresentam a menor evolução.

O
DNIT afirma que mesmo com a desistência da empreiteira responsável pelos trabalhos deste último lote - o mais atrasado de todos - o cronograma geral não será prejudicado, com a segunda colocada na licitação assumindo, em breve, as obras.

Em função de imprevistos como esse, o andamento dos trabalhos é diferente entre os lotes. Em alguns, como o 27, é intensa a presença de homens e máquinas em todo o trajeto. Em outros, durante quilômetros, não se enxerga nenhum vestígio de obra.

Outros fatores que também influenciam o andamento são o tempo e o tipo de terreno. Após um dia de chuva, são necessários três de sol para que as obras de terraplanagem reiniciem. E, em terrenos muito úmidos, o aterro exige um período de adensamento (acomodação do solo) que, em alguns casos, pode chegar a oito meses.

Além disso, apesar de terem o mesmo prazo para conclusão, cada uma das empresas trabalha com um cronograma próprio. Por isso essa diferença no ritmo das obras. Diferença que torna necessário percorrer 63 quilômetros para se visualizar o primeiro trecho asfaltado.

Vigilância pela continuidade e conclusão

Vencida a batalha pelo início da obra, que durou 10 anos, o foco da questão passa a ser a vigilância pela sua continuidade e conclusão. Por isso, dando continuidade à luta iniciada em 1994 pela RBS, com a campanha BR-101, A Duplicação em Nossas Mãos, o Diário Catarinense começa hoje uma nova etapa nesta guerra. Para acompanhar o desenvolvimento dos trabalhos e o cumprimento dos prazos, uma equipe do DC percorrerá, periodicamente, em Santa Catarina, todo o trecho Sul para verificar o andamento das obras.

Um acompanhamento para evitar que novos atrasos e imprevistos - que se estendem desde o início dos estudos preliminares, em 1997, até o começo das obras, em março de 2005 - impeçam a concretização de previsões como a do então
ministro dos Transportes Alfredo Nascimento.

No ato da assinatura da ordem de serviço, em Palhoça, no dia 3 de dezembro de 2004, ele prometeu que o presidente Lula inauguraria o primeiro trecho da duplicação antes do final do seu mandato. Diante dessa impossibilidade, a luta agora é para que essa tenha sido, definitivamente, a última promessa não cumprida em relação à BR-101 Sul.

 

 

ZERO HORA - RS

Terminais fluviais no Jacuí

ECONOMIA
30/06/2006

A Aracruz não receberá benefícios previstos nos programas de incentivos Fundopem e Integrar-RS, mas fez questão de assegurar que o Estado e os municípios se comprometam com questões de logísticas. Com as prefeituras de Cachoeira do Sul e Rio Pardo, obteve o compromisso de que ambas manterão os respectivos planos diretores de maneira a preservar as atuais condições de logística à empresa.

O projeto prevê a construção de terminais portuários fluviais nas duas cidades, que passarão a receber grande número de madeira dos demais municípios da região. Com isso, será intenso o tráfego de caminhões de carga na região.

- Em outras cidades, o crescimento desordenado transformou
estradas em ruas. Queremos evitar riscos e problemas futuros com as comunidades - explicou o diretor da Aracruz Walter Lídio Nunes.

Também será construído um terminal no
Porto de Rio Grande, por onde a empresa planeja exportar 100% da celulose produzida na nova unidade. Ainda em fase de estudo, o projeto poderá ser instalado em parceria com a Stora Enso e com a Votorantim.

 

 

 

ZERO HORA - RS

Prestes a encalhar

INFORME ECONÔMICO
30/06/2006

Empresas com terminais portuários no Rio Gravataí, entre a ponte na BR-116 e o Guaíba, estão à beira de um ataque de nervos pela falta de dragagem que ameaça o encalhe de navios - obrigados a chegar e sair com 30% a 40% menos de carga.

Grupos como a Tergasul (Petrobras), Yara (antiga Adubos Trevo), Oleoplan, Tenit e Merlin movimentam no local, em conjunto, mais de 1,7 milhão de toneladas por ano.

Principalmente em grãos e fertilizantes, um volume maior que o do porto da Capital.

***
As empresas levaram às secretarias dos Transportes e do Desenvolvimento a oferta de arcarem com o custo da dragagem de R$ 1,4 milhão, já que uma das alegações do Estado é de falta de recursos.

Mesmo assim, os trabalhos de retirada do lodo acumulado no fundo do rio não foram iniciados.

A limitação compromete a formação de estoques de adubos para a safra de verão e o transporte de soja até Rio Grande.

 

 

 

 

JORNAL DO COMÉRCIO - RS

Rio Grande do Sul tem potencial para explorar hidrovias

GERAL
30/06/2006

O seminário Navegar 2006, encerrado ontem em Porto Alegre, apresentou aos empresários gaúchos e aos representantes do setor as vantagens do transporte por hidrovias, além de discutir as carências e potencialidades desta modalidade logística. O evento promovido por iniciativa da SPH (Superintendência de Portos e Hidrovias) também expôs casos bem sucedidos de outros estados brasileiros.

"O Rio Grande do Sul possui 758 quilômetros de
hidrovias, que comunicam as indústrias localizadas num raio de 130 quilômetros de Porto Alegre ao porto do Rio Grande. No Estado, 60% das empresas do setor industrial estão nessa região. É um potencial que precisa ser melhor explorado, pois o transporte hidroviário é o que tem menor custo e menos agride o meio ambiente", afirma o diretor superintendente da SPH, Roberto Hallal.

Ele explica que desde meados do ano passado a SPH vem fazendo visitas às empresas que já utilizam as
hidrovias, bem como a prospecção de possíveis transportadores. Esta é a estratégia potencializada pela realização do seminário. No evento, Luiz Figueiredo, da Cia Norsul de Navegação, apresentou os resultados obtidos pela Aracruz Celulose no transporte de madeira entre a Bahia e o Espírito Santo; o engenheiro Luiz Garcia, do Ministério dos Transportes, mostrou a viabilidade econômica sob o prisma governamental; e Mauro Barreides, da Cia Docas do Pará, falou sobre o porto de Santarém. "Queremos despertar os empresários para a necessidade de se trabalhar a logística de uma forma integrada. Pequenas distâncias devem ser feitas por rodovias, não discuto isso. Mas longos trechos, o mais lógico é transportar por hidrovias", afirma Hallal.

O presidente da Agência de Desenvolvimento Tietê-Paraná, Carlos Schad, um dos palestrantes do encontro, ressalta a necessidade de integrar as
hidrovias com as ferrovias e as rodovias. Ele diz que é só uma questão de evidenciar a demanda latente, para que se faça o investimento. "Além disso, é importante que os rios navegáveis tenham ligações entre si. Quando se fez a hidrelétrica de Itaipú, não se criou a estrutura de reclusas necessária para comunicar a Tietê-Paraná com a Paraná-Paraguai. Dessa forma, a produção do Centro Oeste é escoada ou pelo Norte, ou pela Argentina", diz ele.

Atualmente, a modalidade hidroviária enfrenta alguns problemas críticos. Um deles é a falta de pequenos navios, que possam navegar tanto pelos rios quanto fazer cabotagem. Outro, apontado por Hallal, é a dificuldade de se conseguir licenças ambientais para dragar os
portos. "Chega a ser mais fácil conseguir o dinheiro que a licença. Isso pode acabar inviabilizando o negócio", observa. Ontem, o investimento anunciado pelo governo do Estado e a Aracruz Celulose trouxe novo fôlego ao setor. A empresa espera transportar uma tonelada anual de madeira pelo rio Jacuí, reabilitando os portos de Cachoeira do Sul e Rio Pardo.

 

 

 

GAZETA DO POVO – PR

Eleições e tapa-buracos elevam taxa de investimentos do país

ECONOMIA
30/06/2006

Rio – A taxa de investimentos da economia brasileira no primeiro trimestre de 2006 somou R$ 97,694 bilhões e atingiu 20,4% do Produto Interno Bruto (PIB, soma das riquezas do país), segundo dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Trata-se da maior taxa de investimentos para um primeiro trimestre desde 2001. De acordo com o IBGE, o aumento dos investimentos na economia no início do ano foi conseqüência, sobretudo, do calendário de disputa eleitoral, que propicia um incremento das despesas em construção civil, aumento de crédito para habitação e para o programa de recuperação de rodovias. Além disso, a economista Maria Laura Muanis cita fatores macroeconômicos. “A taxa de juros está inferior a do primeiro trimestre do ano passado’’, afirma.

Os números do IBGE mostram que o PIB totalizou R$ 478,9 bilhões no primeiro trimestre do ano. Nos primeiros três meses do ano passado, o PIB somou R$ 438,2 bilhões. No último trimestre de 2005, alcançou R$ 521,8 bilhões. No mês passado, o IBGE divulgou que o crescimento do PIB nos primeiros três meses de 2006 foi de 1,4%, o que representou a maior alta em um ano e meio. Em todo o ano passado, a expansão foi de 2,3%.

Por outro lado, a taxa de poupança recuou e passou de 22,4% do PIB nos primeiros três meses de 2005 para 21,6% do produto para o mesmo período de 2006. Esta é a menor taxa ao se levar em consideração um primeiro trimestre desde 2003. A taxa de poupança serve como parâmetro da capacidade de investimentos porque representa os recursos disponíveis para aplicação nos mercados interno e externo.

A taxa recuou porque o consumo cresceu mais que a renda disponível bruta. Em outras palavras, com o consumo maior, devido principalmente ao aumento da massa salarial e a menor taxa de juros para pessoas físicas, sobram menos recursos para a poupança.

O consumo das famílias, por exemplo, passou de R$ 252,8 bilhões no primeiro trimestre de 2005 para R$ 277,8 bilhões nos três primeiros meses de 2006. Já o governo totalizou em consumo de R$ 84,561 bilhões no primeiro trimestre deste ano, ante R$ 75,8 bilhões.

A capacidade de financiamento da economia (disponibilidade de recursos que o país tem para emprestar ao restante do mundo) foi de R$ 3,6 bilhões. Já no mesmo período do ano passado tinha atingido o dobro, R$ 7,2 bilhões.

 

 

 

CORREIO POPULAR – SP

Pá de cal no sonho

OPINIÃO
30/06/2006

Desde o início do processo de mudanças na política ferroviária brasileira, no governo Fernando Henrique, já tínhamos clara a noção da encrenca rondando os trilhos. Mas era impossível prever a extensão das mudanças até a concretização da venda da Brasil Ferrovias para a América Latina Logística, a ALL, concretizada recentemente. Trata-se, infelizmente, de uma verdadeira pá de cal sobre tudo o que fizemos, criamos, produzimos e sonhamos desde a pedra fundamental da nossa ferrovia ainda no império. Tudo isso foi para o brejo e nossas idéias e ideais são agora coisas do passado, para serem relembradas em museus.

Não se trata de aceitar a derrota. Todos têm visto como nossa luta é persistente e brava. Mas temos de ser realistas. Vale a pena lembrar o governo Mário Covas e a nossa então Fepasa. Contávamos com mais de 20 mil ferroviários enfrentando a famosa opção preferencial pelas
rodovias ao invés do transporte de passageiros e cargas pelos trens. Sabe-se hoje que, naquela época, já estava selado o nosso destino: para eles, trem é para carga, nada de passageiros. Afinal, carga não reclama e dá muito lucro. Daí pra cá, as situações foram se sucedendo como uma morsa esmagando uma peça na bancada de trabalho. Começaram os processos de redução de pessoal gradativamente, demitindo, privatizando, demitindo, vendendo, demitindo, mudando, demitindo, até chegar hoje na casa dos pouco mais de 3.000. E, pior, como vemos agora, chegou a vez de mais uma leva de dispensas.

Lá atrás, no passado, falava-se em tecnologia, em ficção científica. Agora, vemos a realidade disso e sentimos na própria carne o que era tão bonito de se prever. Hoje, com apenas um maquinista, é possível levar 9 mil toneladas de carga de Santos até o destino final, com absoluto controle, monitorado por satélite e o proprietário da carga acompanhando pelo computador em que trecho da ferrovia se encontra. A ficção virou realidade e a realidade se virou contra nós. O homem não tem mais importância. Em nossa área, ele nem é objetivo final, como passageiro, nem é peça operacional significativa, porque os satélites e os sistemas informatizados de controle comandam tudo. E tudo, nesse caso, significa lucro, muito lucro.

Enfim, é assim que está a situação. Mas vale a pena ressaltar mais uns poucos detalhes nesse desabafo. São Paulo deixa de comandar os destinos ferroviários brasileiros a partir das últimas mudanças. O complexo sobre trilhos está sob o comando de duas grandes holdings, a Vale do Rio Doce (englobando a
Ferrovia Centro-Atlântica, a Estada de Ferro Carajás e a Vitória/Minas) e a ALL, que detém o controle acionário da Brasil Ferrovias, formada pela Ferroban, Novoeste e Ferronorte. Vamos trocar em miúdos: Vale significa sede em Belo Horizonte e ALL em Curitiba. São Paulo, assim, vira um simples corredor e perde definitivamente sua importância histórica e estratégica.

Imaginem o significado disso na vida de milhares de pessoas. Avaliem o resultado prático: além das demissões diretas, a repercussão é grande em todo um sistema que se formou à volta da engrenagem ferroviária. Para cada emprego direto na ferrovia, acredita-se que algo em torno de outros três sobrevivam como satélite desta estrutura.

Terminado o quadro da triste realidade por aí, já seria muito complicado e penoso. Mas falemos um pouco sobre as duas empresas detentoras do complexo ferroviário brasileiro. A primeira, a Vale do Rio Doce, é uma holding sucesso de administração e fábrica de dinheiro. Ataca em todas as áreas. Diversifica. E sempre com os mesmos métodos: o suor do trabalhador, o lucro em primeiro lugar. Seu objetivo se resume a ganhar dinheiro. A segunda, a que chega agora, é a ALL, comandando de Buenos Aires, na Argentina, até o Araguaia, no Mato Grosso brasileiro. E quem é a tal da ALL? É outra fábrica de dinheiro. Passa como um trator por cima de tudo e de todos se isso significar rentabilidade. Aliás, essa é uma palavra-chave na empresa, famosa pela eficiência nos investimentos na Bolsa de Valores. Seu negócio é o mercado de risco. Para isso, adotou a metodologia de comprar, reformular, demitir, enxugar, substituir gente por máquinas e conseguir mais lucros.

É esse o destino da ferrovia brasileira hoje. Não faço aqui um desabafo de despeito nem uma confissão de derrota. Trata-se simplesmente de uma constatação. Estamos vendo o ocaso de uma opção vantajosa para o Brasil, de uma solução de transporte de pessoas e cargas, de uma fonte geradora de empregos.


Paulo Francisco é presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Mogiana

 

 

 

GAZETA DO POVO – PR

Licença permite dragagem em Paranaguá

ECONOMIA
30/06/2006

O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) concedeu a licença ambiental que permite o início imediato das obras de dragagem no Porto de Paranaguá. A Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa) não quis comentar se abrirá novo processo licitatório ou se a obra será feita em caráter emergencial. A Appa se restringiu a dizer que anunciará, na semana que vem, seus planos para resolver o problema de acesso ao porto.

A falta de licença ambiental foi um dos fatores que emperrrou o processo licitatório para as obras de dragagem, aberto pela administração no início do ano. A única empresa que se candidatou apresentou preço maior do que o máximo estabelecido na licitação, justamente pela falta de licença ambiental (o serviço fica mais caro pois a empresa tem de depositar o material retirado em local distante).

Com a nova licença, o problema do acesso ao terminal pode ser resolvido, mas a obra pode ficar mais cara, já que o material retirado pode ser depositado provisoriamente num local, mas terá de ser retirado de lá mais tarde. Uma licença em curso no Ibama irá determinar o depósito definitivo. Para o o economista Luiz Antônio Fayet, do Conselho da Autoridade Portuária de Paranaguá (CAP), este tipo de licença vai onerar a obra. “Será feita uma dupla dragagem, o que com certeza aumentará os custos”, diz.

O presidente da Associação Brasileira de Terminais Portuários, Willen Mantelli, defende a dragagem permanente. “Um porto sem dragagem de manutenção é um porto que vai ter problemas, por isso defendemos a privatização da manutenção nos
portos”, diz.

Para as empresas que operam no
Porto a dragagem precisa ser feita em três locais: no canal de acesso, ou canal da Galheta, na bacia da evolução e nos berços de atracação. Segundo a Capitania dos Portos o Canal de acesso ao porto, que tem 200 metros de largura, está hoje com 110 metros por causa dos bancos de areia. “Com isso os navios têm de esperar a maré favorável para poder atracar, o que gera prejuízos para as empresas”, diz o diretor de comunicação da Associação Comercial Industrial e Agrícola de Paranaguá (Aciap), Antonio Carlos Corrêa. A Aciap representa 400 empresas que operam em Paranaguá.

 

 

 

GAZETA DO POVO – PR

Entidades questionam navegabilidade

ECONOMIA
30/06/2006

Nesta semana, um problema com uma bóia deslocada suspendeu a navegação por mais de 24 horas no Porto de Paranaguá e reacendeu a polêmica sobre a navegabilidade na bacia. Segundo entidades empresariais, os problemas indicam que falta manutenção na estrutura portuária. O deslocamento na bóia 4, no Canal da Galheta, ocorreu no início da manhã de quarta-feira. A movimentação de navios foi suspensa até a tarde de ontem. No início de junho, problema semelhante deixou o porto fechado durante a noite.

Para a Administração dos
Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), o deslocamento de bóias é normal, principamente nesta época do ano, por conta de ciclones extra-tropicais. (ML)

 

 

 

CORREIO DO ESTADO - MS

A crise das agências

ARTIGOS
30/06/2006

Mecanismos importantes para a credibilidade do país nos foros internacionais e fatores de atração de investimentos, os chamados marcos regulatórios padecem de graves deficiências no Brasil, a partir da precária situação em que se encontram as agências reguladoras. Criadas para pôr regras e fiscalizar a prestação de serviços públicos por concessionárias privadas, após o processo de privatização, que se iniciou no governo Collor e se expandiu no governo FHC com a venda, em 1998, das empresas de telecomunicações, na maior operação do gênero do mundo, as agências enfrentam sérias dificuldades para desempenhar seu papel. Não dispõem de estruturas e de recursos, sofrem influências político-partidárias; mudam de rumo, a cada ciclo presidencial; aguardam a nomeação de diretores e seus quadros se esvaziam.

A previsibilidade e a transparência dos marcos regulatórios são elementos essenciais para atrair os investidores. Em algumas áreas, os limites desses macros são difusos, ocasionando déficit operacional e, às vezes, duplicidade de funções entre pessoas jurídicas do governo e órgãos de Estado. Por falta de regras estáveis, a desconfiança grassa em muitos setores. Criadas como entidades tipicamente de Estado, para editar normas, fiscalizar sanções, resolver disputas entre empresas, decidir sobre reclamações de consumidores, acabam não realizando a função precípua de regular o serviço público evitando injustiças e discriminação.

O sistema de
transportes é um caso típico de desorganização. O setor enfrenta grave crise decorrente da baixa integração dos modais, péssima qualidade e insuficiência do sistema rodoviário e dificuldade de acesso aos portos, cujo modelo de gestão é dos mais precários. Um exemplo de falta de integração entre os modais está na região de Três Lagoas e Bolsão mato-grossense, onde uma industrialização incipiente poderia ser acelerada com o aproveitamento da Bacia Paraná-Tietê e o reaproveitamento da estrada de ferro da Rede Ferroviária Federal, além da integração com a Ferronorte, que atravessa o Mato Grosso e o Mato Grosso do Sul. Para o setor de transportes, há duas agências reguladoras, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ), ambas criadas em 2001. Nos últimos 20 anos, os investimentos no setor de transportes têm sido muito baixos, oscilando entre 0,09% a 0,28% do PIB. No campo da regulação, as deficiências aparecem na natureza limitada das concessões rodoviárias, no caráter estatal das administrações de portos e na fragmentação na estrutura de propriedade das operadoras ferroviárias. Como decorrência, emergem os elevados custos de logística no país, estimados em 16% a 20% do PIB, quando comparados a uma média de 11% a 12%¨na Europa e 9,8% nos Estados Unidos. Estimam-se em R$ 10 bilhões as perdas de companhias brasileiras com problemas de logística.

As agências do setor de
transportesANTT e ANTAQ - trabalham de maneira isolada, sem foco para a questão logística, razão pela qual é razoável pensar-se em sua fusão. No caso desta última, a crise que enfrenta começa com o isolamento a que se sujeita e com a falta de recursos orçamentários para atender as demandas refreadas dos portos e hidrovias. Entre os tipos de navegação que fiscaliza, está a navegação de cabotagem, a realizada entre os portos ou pontos do território nacional, utilizando a via marítima e as vias navegáveis interiores. Mas não se compreende a razão por que não abriga a cabotagem turística. Nesse nicho, a ausência de definições é imensa, enquanto se multiplicam normas e resoluções a cargo de inúmeros órgãos. Trata-se de um mercado promissor para o Brasil, que poderá comportar um fluxo de 5 milhões de turistas, que terão tão ou mais interessantes que o saturado mercado do Caribe. No entanto, por falta de regras claras e excesso de burocracia, o turismo marítimo está ameaçado.

Os agentes que atuam no setor – Polícia Federal, Ministério do Trabalho, Receita Federal, Capitania dos
Portos e Vigilância Sanitária – expandem a burocracia e afugentam os grandes navios de turismo marítimo. Veja-se a disposição do Conselho Nacional de Imigração, sob a égide do Ministério do Trabalho, que chega a exigir a contratação de 30% de brasileiros para as operações a bordo, coisa impraticável ante a moldura internacional que baliza os contratos das tripulações e a inexistência de profissionais especializados. Por falta de unificação legislativa, somos obrigados a conviver com situações extravagantes. A praticagem – atividade que consiste em receber o navio e conduzi-lo para dentro do porto – é uma delas. Chega-se a cobrar uma taxa de praticagem de US$ 30 mil, no porto de Santos, quando este custo oscila entre US$ 5 mil a US$ 10 mil nos portos internacionais. Por falta de critérios racionais, inexistência de marcos próprios para definir as atividades, afastamento da ANTAQ das questões da cabotagem turística, o Brasil permanece ao largo deste mercado.

E como coroamento dos problemas enfrentados pelas agências, há o processo de escolha dos dirigentes pelo presidente da República, após indicação aprovada pelo Senado. Há sempre forte pressão de partidos e grupos na indicação dos diretores. A governança regulatória sujeita-se, ainda, a contratos de gestão que não têm sido convenientemente implementados, seja por conta das formas sugeridas seja por conta da reduzida capacidade de controle dos Ministérios sobre as agências. As agências reguladoras carecem de aperfeiçoamento, sob pena de se expandirem os conflitos entre elas e os Poderes Executivo e Legislativo, além de organizações da sociedade civil.

Ramez Tebet, senador (PMDB-MS), foi presidente da Comissão de Assuntos Econômicos e do Senado.