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TRANSPORTE E LOGÍSTICA
09/10/2006
Cresce a precariedade nas rodovias
Brasília, 9 de Outubro de 2006 - Pesquisa da
CNT revela que 75% das estradas apresentam situação ruim, péssima ou
regular. A Pesquisa Rodoviária da Confederação Nacional do Transporte (CNT)
trouxe más notícias para o presidente-candidato Luiz Inácio Lula da Silva: o
percentual das estradas em estado ruim, péssimo ou regular aumentou em 3 pontos
percentuais. Passou de 72% em 2005 para 75% neste ano.
O levantamento desagradou o governo, que chegou a se reunir com a CNT nas
vésperas da divulgação para pedir modificações na metodologia. Representantes
do Ministério
dos Transportes criticam, por exemplo, a avaliação conjunta das estradas administradas pelo
governo federal e pelas administrações estaduais. As últimas, que estão em pior
estado, derrubam os números e deixam a conta política para o presidente Lula.
"As rodovias federais estão, na
média, melhor do que as estaduais, e isso puxa os números para baixo",
afirma o ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos. "O governo
federal está no caminho certo e o usuário tem essa percepção", ressaltou.
O ministro critica também a pontuação usada na pesquisa. Pela metodologia da
CNT, um trecho que recebe nota oito é considerado regular. "Se o seu filho
tira oito no colégio você vai dizer que ele é regular?", questiona o
ministro.
Já a CNT aproveitou os números negativos para criticar os baixos investimentos
na recuperação e conservação das estradas. De acordo com números da
confederação, apenas 61% dos recursos da Contribuição de Intervenção no Domínio
Econômico (Cide), foram investidos em transporte no ano passado e 44% até
agosto deste ano.
A taxa é cobrada na venda de combustíveis e deveria ser usada para a melhoria
do setor de transportes. "Não dá mais para continuar nesse ambiente, o
setor (de transportes) passa por um momento difícil e não há aumento de
investimentos", observa Flávio Benatti, da área de cargas da CNT.
Segundo Benatti, é preciso investir R$ 22,5 bilhões para recuperar a malha
brasileira e outros R$ 1,5 bilhão por ano para a conservação.
A pesquisa CNT mostrou que a "Operação Tapa-Buracos", feita pelo
governo federal no início do ano, teve pouco impacto na qualidade da malha
rodoviária brasileira. Segundo Benatti, a operação emergencial ajudou apenas a
reduzir o número de trechos classificados como "péssimo", que caiu de
18,2% na pesquisa do ano passado para 12,2% neste ano.
"Realmente se fez uma operação emergencial que melhorou o pavimento, mas
ficou para trás questões como sinalização e melhoria dos acostamentos",
observou.
Sem acostamento
O levantamento apresentou significativa diferença entre as estradas estatais e as
concedidas à
iniciativa privada. Foram consideradas ótimas
ou boas 79,7% das rodovias administradas pelas concessionárias. A classificação é a
mesma em apenas 16,9% das estradas administradas pelo governo federal. Na
pesquisa, foram avaliados critérios como qualidade do pavimento, sinalização e
acostamento.
Em 54,5% dos trechos pesquisados a pavimentação foi considerada regular, ruim
ou péssima. Há rachaduras em 19% do asfalto, buracos em 8,6% e 1,1% do
pavimento está totalmente destruído. Não existe acostamento em 40,5% dos
trechos e em outros 5,8% o acostamento foi tomado pelo mato.
Já a sinalização foi considerada regular, ruim ou péssima em 70,3% dos trechos.
Em 13,6% não existem faixas centrais e em 20,2% das estradas as placas estão no
meio do mato ou não existem.
As 24 rodovias melhor avaliadas são
administradas por empresas privadas. A única a receber nota máxima foi a São
Paulo-Limeira, que liga a capital paulista ao interior. O trecho da rodovia
Leopoldina em Minas Gerais, a BR-262 recebeu a menor avaliação.
A pesquisa CNT avaliou 100% da malha federal e os principais trechos das rodovias estaduais e
concedidas. Foram avaliados 84.382 quilômetros entre os dias 28 de junho e 5 de
agosto.
kicker: Ministério dos Transportes critica a avaliação conjunta das estradas administradas pelo
governo federal e pelos estados
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 5)(Lorenna Rodrigues)
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PRIMEIRO LUGAR
09/10/2006
Privatizar foi a melhor solução
O porto de Imbituba, em Santa Catarina, o
primeiro a ser totalmente administrado pela iniciativa privada no Brasil, vai
crescer. Neste mês, a Antaq, agência reguladora do setor portuário, vai licitar a
construção de dois novos terminais no porto, um para contêineres e outro para
fertilizantes. Juntos, os lances mínimos somam 69 milhões de reais. Além do
valor a ser pago pela licença, os compradores terão de investir cerca de 120
milhões de reais nos dois projetos. A Libra, uma das maiores administradoras de
terminais privados do país, demonstrou interesse em adquirir as licenças para
construir os dois terminais. Desde que foi privatizado, em 2003, o porto viu a
movimentação de navios em seus terminais mais que dobrar.
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ESTUDO EXAME -
LOGÍSTICA
09/10/2006
Trilhos sob medida
Para
ampliar o número de clientes e crescer, as empresas de transporte ferroviário
investem bilhões de dólares em soluções "personalizadas"
Nas duas últimas décadas do século 20, o
sistema ferroviário brasileiro atingiu um grau de deterioração jamais visto na
história do país. Malconservadas, as ferrovias impediam o aumento do volume de carga
transportada e a frota obsoleta tornava a operação ineficiente. Com a
privatização iniciada em 1996, o cenário vem mudando rapidamente. Os
investimentos de cerca de 7 bilhões de reais nos últimos cinco anos
transformaram um modelo em colapso num caso raro de recuperação. De apenas 18%
em 1996, as ferrovias responderam no ano passado por 25% do transporte de
cargas no Brasil. Segundo projeções da Associação Nacional dos Transportadores
Ferroviários (ANTF), o percentual deverá chegar a 30% em 2008. A expansão da
malha e a modernização da frota provocaram importantes mudanças no setor. Até
um passado recente, os trens brasileiros serviam apenas para o transporte de
grãos e minério, mercadorias normalmente destinadas à exportação e com menor
retorno para os transportadores. Nos últimos tempos, porém, as grandes
operadoras ferroviárias passaram a explorar um novo tipo de cliente: as
indústrias. Obviamente, grande parte da safra agrícola e da produção
extrativista ainda é transportada em vagões, mas os comboios levam com freqüência
crescente produtos de maior valor agregado.
Para continuar a crescer nesse ritmo e atender a essa nova clientela, as
empresas ferroviárias partiram para uma nova estratégia -- as soluções sob
medida. Trata-se da aplicação do conceito de personalização de produtos,
conhecida no jargão do marketing como customização, ao mundo das ferrovias. As empresas
ferroviárias estudam as necessidades de seus clientes ou possíveis clientes e
adaptam o serviço que oferecem a essas demandas. Isso pode incluir o uso de caminhões
ou até a construção de novos ramais na malha ferroviária. Só no ano passado, a
América Latina Logística investiu 250 milhões de reais em adaptações desse
tipo. Outros 200 milhões de reais foram aplicados pelos clientes, em projetos
de parceria. A MRS Logística, outra gigante do setor, pretende investir 1
bilhão de dólares em ações de customização de transporte de carga.
Um caso que ilustra bem essa mudança de comportamento das empresas ferroviárias
é a parceria que a ALL mantém com a Sadia -- e as soluções que as duas empresas
encontraram para resolver um problema operacional. O projeto original era
transportar os alimentos congelados da fábrica da Sadia em Toledo, no interior
do Paraná, até Cascavel, uma distância de 50 quilômetros de estrada. Dali, a
carga deveria ser embarcada em vagões com destino ao porto de Paranaguá, no
litoral paranaense. Essa operação exigia um custo adicional importante e um
alto risco de atrasos. Para cada dez vagões com alimentos, a ALL tinha de
providenciar um vagão-gerador, de forma a manter os produtos congelados na
temperatura ideal. "Se o gerador quebrasse, ficaríamos com todos os dez
vagões de carga parados", diz Alexandre Campos, diretor da ALL. Para
resolver o problema, a ALL partiu para uma solução que envolveu tecnologia e
investimentos: a construção de uma estação de "recarga de frio" em
Curitiba. Os produtos percorrem o mesmo trajeto, mas não precisam mais do tal
vagão-gerador. "O transporte ficou mais flexível e com custo menor",
afirma Campos.
Historicamente, o modelo de desenvolvimento brasileiro propagou-se ao longo das
rodovias. Por essa razão, um
grande número de indústrias se instalou à beira de auto-estradas e a muitos
quilômetros de distância da malha ferroviária. Conquistar esses clientes é um
desafio -- e uma necessidade -- na estratégia de expansão de empresas como a
ALL. Ao interligar o transporte de caminhões e trens, as empresas de logística
ferroviária esperam justamente atrair uma parcela desse público. Em alguns
casos, isso já acontece. Recentemente, duas empresas gaúchas, Doux Frangosul e
Avipal, fecharam contratos desse tipo com a ALL. As cargas saem em caminhões
direto das fábricas dessas companhias até um dos armazéns que a ALL mantém na
região metropolitana de Porto Alegre. De lá, seguem de trem até o porto de
Rio Grande, no sul do estado, com destino à exportação. Esse é ainda um
processo incipiente. Atualmente, a ALL transporta apenas de 15% a 20% das
cargas que teria condições de atender. Nos Estados Unidos e na Europa, de 50% a
60% dos produtos industrializados são transportados por via ferroviária.
No cardápio de soluções que as empresas de logística ferroviária oferecem está
a possibilidade de levar o trem até a porta da fábrica. Esse é um dos processos
mais custosos, mas, dependendo do tamanho do contrato, pode ser uma solução
lucrativa para ambos os lados. Foi assim, após estudos detalhados, que a MRS
Logística fechou parceria para transportar a produção da fábrica da VCP,
divisão de papel e celulose do grupo Votorantim. Na unidade instalada em
Jacareí, no interior de São Paulo, a VCP produz perto de 900 000 toneladas de
celulose por ano. A questão era como escoar a produção até o porto de Santos.
Depois de dois anos e meio de pesquisas, chegou-se ao projeto final. A MRS
reformou uma linha ferroviária que passava perto da fábrica -- desativada há
muitos anos -- e a VCP construiu em sua fábrica um terminal para o carregamento
dos trens. O serviço incluiu algumas adaptações dos vagões utilizados pela VCP.
Uma delas foi a vedação dos compartimentos para que a celulose não entrasse em
contato com a água. A segunda, para aumentar a rapidez no processo de carga e
descarga, foi a criação de um vagão que abrisse nos dois lados (semelhante às
dos caminhões que transportam bebidas). "Temos um contrato de dez anos de
exclusividade com a VCP, o que possibilita esses investimentos" afirma
Julio Fontana Neto, presidente da MRS.
Carga pesada
O transporte ferroviário obteve em 2005 o melhor desempenho dos últimos
anos.Veja o aumento de carga transportada — em bilhões de toneladas por
quilômetro útil (TKU)
2000 - 155
2001 - 163
2002 - 170
2003 - 183
2004 - 206
2005 – 222
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OPINIÃO
09/10/2006
Não temos a menor idéia do custo dos acidentes aéreos em nosso país. Mas seríamos capazes de apostar em valores bem inferiores ao custo dos acidentes de trânsito nas rodovias brasileiras, cerca de R$ 27 bilhões, recentemente divulgado pelo Ipea.
O acidente com o Boeing da Gol afetoume diretamente.
Naquela tarde de sextafeira encerrava-se uma semana de intenso trabalho em
Brasília, por conta das atividades da Semana Nacional de Trânsito, e
aguardávamos o embarque no vôo 1907 com destino ao Rio de Janeiro. Com quase
duas horas de atraso sem qualquer explicação ou justificativa, fomos acomodados
em outro avião e chegamos ao destino sem qualquer problema, mas ainda
absolutamente desinformados. Na sala de desembarque, aguardando a chegada das
bagagens e já com os celulares ligados, começava uma sucessão infindável de
ligações dando-nos conta do acidente.
A perplexidade foi geral e um confuso sentimento, misto de fragilidade,
angústia e alívio, contaminava todos. A dimensão da tragédia comoveu o Brasil e
mobilizou os meios de comunicação e uma complexa estrutura civil e militar, que
partiu em busca de informações precisas e, mais do que isso, da identificação
das suas verdadeiras causas. Afinal, o Brasil pode se orgulhar de apresentar um
dos mais baixos índices mundiais em ocorrências desse tipo — apesar do intenso
tráfego aéreo em seu território — prova da competência e da seriedade dos que
atuam tanto na operação do transporte aéreo como no seu controle.
Pessoas inocentes, com sonhos e projetos de vida que foram violentamente
interrompidos em meio a ferragens retorcidas. Exatamente como acontece no
trânsito.
Mas por que no trânsito a reação não é igual? Será porque o acidente aéreo é um
fenômeno raro e, por isso, quando ocorre surpreende? Ou será conseqüência
direta da rígida observância das normas internacionais de prevenção e
segurança, que não são flexíveis quando se trata do transporte da mais valiosa
carga que existe, a vida humana? No trânsito rodoviário, infelizmente, as
coisas não funcionam assim. De tão freqüente, o acidente, geralmente provocado
por imperícia, negligência e imprudência, é encarado pela sociedade com
inexplicável naturalidade e tratado, até por algumas autoridades, com
injustificável acomodação. As exigências legais e preventivas na circulação de
automóveis são muitas vezes flexibilizadas, outras vezes pouco exigidas e
respondem certamente pela enorme incidência de sinistros e pela banalização dos
fatos. É legítimo afirmar que no trânsito brasileiro temos um Boeing lotado
caindo a cada dois dias. É só fazer as contas: morrem por ano cerca de 40 mil
pessoas, vítimas dessa crônica violência sobre rodas.
Desse lamentável episódio com o avião de passageiros, tenho apenas duas
certezas. A primeira, a indescritível dor dos parentes das vítimas do mais
grave acidente aéreo brasileiro. A segunda, que ao final de algum tempo um
relatório completo e detalhado vai identificar as causas, apontar culpados e
atribuir responsabilidades, com todas as conseqüências cíveis e penais.
A primeira certeza, a da dor, é eterna e exatamente igual para os familiares
dos que morreram em acidente aéreo ou terrestre. Mas a segunda, a apuração
rigorosa e a identificação das causas com as providências corretivas e
punitivas decorrentes, não acontece, infelizmente, com a mesma intensidade no
asfalto.
FERNANDO PEDROSA é coordenador da Câmara Temática de Educação para o Trânsito e
Cidadania do Contran.
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GAZETA DO BRASIL
09/10/2006
Burocracia atrasa projeto de
terminal de grãos
São
Luís, 9 de Outubro de 2006 - Embarque de soja em Itaqui deverá aumentar 23% e
superar 2 milhões de toneladas. O atraso na implantação do Terminal de Grãos do
Maranhão (Tegram) pode comprometer o escoamento da safra de soja do próximo ano
pelo porto do Itaqui, em São Luís. O início das obras depende da autorização da
Agência Nacional de Transporte Aquaviário (Antaq) à Empresa
Maranhense de Administração Portuária (Emap), responsável pela administração do
porto, para arrendamento à iniciativa privada das áreas do terminal onde serão
construídos silos de armazenamento.
"A Antaq prometeu dar a
autorização desde 30 de agosto e até hoje não tenho nenhuma posição. Vai chegar
o período chuvoso e as obras não poderão ser iniciadas. Há um ano que luto para
obter esta autorização", afirma o presidente da Emap, Ricardo Zeni.
A única informação que obteve da Antaq até o momento, segundo Zeni, é a de que o
problema está por conta do Tribunal de Contas da União (TCU), que informa não
ter ainda critério de avaliação do processo de arrendamento. "Vamos
prejudicar o escoamento da safra de soja do próximo ano por conta de burocracia
do TCU e da Antaq", diz Zeni. Ele ressaltando que se houver problemas para
escoar a produção, a culpa não será do Itaqui.
O embarque da soja, atualmente, é feito pelo berço 105 do Itaqui, arrendado à
Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) e que integra, assim, o Terminal de Ponta da
Madeira - de propriedade da companhia. A soja tem como destino os mercados
asiático e europeu. O transporte até São Luís é feito pela Estrada de Ferro
Carajás (EFC) e Ferrovia Norte Sul (FNS). Uma pequena parte viaja em carretas ao
longo da malha rodoviária da região.
A previsão de embarque da soja este ano é da ordem de 2,1 milhões de toneladas,
o que representa um aumento de 23% sobre o volume de 2005, quando o movimento
foi de 1,7 milhão de toneladas.
A maior parte (42%) corresponde a grãos produzidos no Maranhão. O restante é
proveniente do Tocantins (39%), Piauí (10%), Mato Grosso (5%), Pará (2%) e
Oeste da Bahia (2%), estados que formam o Corredor Centro-Norte. Ainda não há
previsão para 2007, de acordo com a CVRD.
Idealizado com o objetivo de atender à demanda crescente da produção de grãos
do Corredor Centro-Norte, o Tegram seria uma alternativa a mais ao embarque de
grãos, especialmente soja, por São Luís, que já começa a enfrentar problemas de
filas de caminhões carregados ao longo da rodovia que dá acesso ao complexo
portuário. O projeto consiste na construção de armazéns e instalação de
equipamentos portuários para o embarque de grãos pelo berço 103 do Itaqui.
No momento, três empresas aguardam a decisão da Antaq e TCU para o
arrendamento das áreas do Tegram: a ABC Inco e a Ceagro Business, em parceria
com a Cargill. Os investimentos somam cerca de R$ 80 milhões para construção de
silos e instalação de carregador de navios no berço 103.
De acordo com o projeto do Tegram, a nova estrutura permitiria o embarque de
mais um milhão de toneladas de grãos já para a próxima safra, com possibilidade
de se ampliar a capacidade no futuro, segundo Zeni. "Temos condições de
instalar mais um carregador de navios", garante.
A ABC Inco vai inaugurar uma esmagadora de soja no município de Porto Franco, no Sul do
Maranhão, e escoará sua produção pelo Itaqui. A Ceagro é uma empresa maranhense
que atua no agronegócio, especificamente com a compra e venda de soja no
Estado.
A implantação do Tegram significa também a quebra do monopólio da CVRD no
embarque da soja. O terreno destinado ao terminal na área do Itaqui foi
dividido em cinco lotes a serem arrendados. A medida visa estimular a
competição entre as empresas.
(Gazeta Mercantil/Gazeta do Brasil - Pág. 13)(Franci Monteles)
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EMPRESAS
09/10/2006
Porto paulista recebe até 13
mil caminhões por dia na safra
Depois de adentrar os limites do porto de Santos, nas
épocas de pico das safras agrícolas, que levam até 13 mil veículos por dia à
Baixada Santista, uma carreta pode amargar a espera de até quatro horas para
chegar ao costado do navio. Em outras situações, como a falta de planejamento
nos embarques por operadores, a espera pode se prolongar por dias, com os
veículos estacionados nas vias internas do porto ou até nas áreas urbanas
próximas.
Para minimizar esse quadro de prejuízos e insegurança aos transportadores, a
Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) montou um esquema de
credenciamento de pátios fora da área do porto, a fim de cadenciar a chegada
dos veículos ao local das operações.
O porto conta com apenas 700 vagas estáticas nos seus terminais privados e mais
300 vagas de propriedade da Codesp exploradas por sindicatos de caminhoneiros.
Com a abertura do credenciamento de novos pátios, a estatal pretende abrir mais
12,1 mil vagas, distribuídas por oito empresas, uma delas, a Ecopátio
Logística, capacitada a oferecer 3,5 mil vagas em Cubatão. Segundo o diretor de
infra-estrutura da Codesp, Arnaldo Barreto, o total de vagas projetado
resultará na capacidade dinâmica de 40 mil unidades, suficientes para contornar
os entraves atuais do fluxo de veículos, que têm o agravante de cruzarem com
vias férreas internas do porto.
Os pátios, com área mínima de 50 mil m2, deverão oferecer ambiente acolhedor
aos caminhoneiros, com uma ampla oferta de serviços, como por exemplo
vestiário, lanchonete, lazer, balança e sistema de comunicação.
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EMPRESAS
09/10/2006
Movimentação de cargas bate
recorde com crescimento nas importações
O porto de Santos registrou recorde histórico com a
movimentação de 7,4 milhões de toneladas de cargas em agosto, impulsionado
pelas importações, que cresceram 33%, para 2,6 milhões de toneladas,
comparativamente a igual mês do ano passado. No acumulado do ano, com 49,9
milhões de toneladas, o terminal santista aponta um avanço de 2,7%, com
projeção de chegar a 76,2 milhões de toneladas até dezembro, o que equivaleria
a um crescimento 6% sobre 2005. Nos últimos doze meses, até agosto, as
operações totalizaram 73,2 milhões de toneladas, valor 3,4% superior ao
registrado no mesmo período anterior.
Segundo a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), administradora do
porto, há uma inversão no crescimento do fluxo de cargas em Santos, a favor das
importações, embora as exportações, em peso, sejam, na média, mais do que o
dobro dos desembarques.
Alguns itens, como carvão, enxofre, gás liquefeito de petróleo, que o pais
adquire no exterior, tiveram comportamento positivo no acumulado do ano. As
compras de enxofre, por exemplo, cresceram 10,5%, para 964.683 toneladas. Nas
exportações, os destaques do período ficaram com o café em grãos, com 582.716
toneladas, mais 30%; açúcar, mais 10,3%; e soja em grãos, mais 10,4%. Os
embarques de carnes caíram 26%, para 427 mil toneladas.
De janeiro a agosto, como resultado dessa tendência, as importações subiram
8,8%, para 15,4 milhões de toneladas. Nesse mesmo período, as exportações
subiram apenas 0,2%, para 34,5 milhões de toneladas.
Os Estados Unidos lideram o fluxo de mercadorias que transitam por Santos, nos
dois sentidos. As importações do mercado americano, nos oito primeiros meses
deste ano, chegaram a 2,6 milhões de toneladas, o equivalente a 20% do total
que entrou no país por Santos. Nas exportações os números correspondentes foram
de 4,7 milhões de toneladas e 18,4%. Ainda em relação ao acumulado até agosto,
somadas exportações e importações para todos países, o porto de Santos
movimentou cargas no valor de US$ 38,8 bilhões, ou o equivalente a 26% da
balança comercial brasileira, em oito meses. (JR).
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ESTUDO EXAME -
LOGÍSTICA
09/10/2006
Num
mundo sem fronteiras, ligado pela web e viciado em velocidade, entregar o
produto certo na hora certa com o menor custo é vital para a competitividade
Os
estilistas da espanhola Zara, fabricante e rede de varejo de roupas que
rapidamente está se tornando uma marca de moda globalizada, descobriram um
jeito de lançar coleções numa velocidade maior do que a da maioria de seus
concorrentes. Mais da metade da produção da empresa é confeccionada na sede de
La Coruña, na Espanha. A fabricação é própria ou fica a cargo de pequenos
parceiros instalados nos arredores da unidade. As roupas são feitas em pequenos
lotes e distribuídas por caminhão para entrega na Europa ou por avião para as
lojas que a rede possui mundo afora, inclusive no Brasil. Ao contratar pequenos
fornecedores que atuam vizinhos à fábrica-mãe, a Zara ganhou um tempo precioso
-- e tempo é quase tudo numa economia viciada em velocidade. Enquanto uma
empresa que produz roupas na Ásia leva até nove meses para colocar um novo
modelo nas lojas, a Zara faz isso em pouco mais de um mês. O efeito desse
processo é visível. Como a rede evita a produção em massa, a renovação dos
modelos é intensa. Para o consumidor, a impressão que fica (uma expressão da
verdade, por sinal) é a de uma marca vibrante, com energia suficiente para
apresentar novidades não a cada verão ou inverno -- mas sempre. A estratégia só
funciona graças à eficiência logística da Zara, que permite que um vestido
fabricado em La Coruña apareça poucas semanas depois na vitrine de uma loja
como a do MorumbiShopping, na zona sul de São Paulo.
Poucos conceitos são tão mal compreendidos no mundo dos negócios quanto a
logística. A experiência da Zara descrita acima poderia ser, para muitos,
apenas um exemplo do bom uso de instrumentos de marketing. Também é isso. Mas o
coração do sucesso da empresa é sua grande capacidade de despachar seus
produtos. Isso envolve fatores como inteligência estratégica, administração da
produção, gestão de parceiros e controle de estoques. Ao contrário da visão
tradicional, logística é muito, muito mais que o transporte de mercadorias. Sua
importância na última década tornou-se tão vital para a produtividade, a
eficiência e a rentabilidade dos negócios que logística virou espertamente
slogan de uma série de companhias que nada mais fazem que carregar caminhões.
Mas, numa simplificação, pode-se dizer que contar com uma boa logística
significa colocar o produto no lugar certo, na hora e na quantidade certa, a
preços competitivos. "A logística está presente em praticamente todas as
atividades empresariais", diz Adalberto Panzan, presidente da Associação
Brasileira de Logística (Aslog).
Estima-se que os custos logísticos movimentem 3,2 trilhões de dólares ao ano em
todo o mundo. Nos últimos anos, a globalização colocou a logística em um novo
patamar. Com o aumento brutal da circulação de mercadorias e a pressão
incessante por reduzir custos e aumentar as vendas, as empresas voltaram os
olhos para a importância de desenvolver uma cadeia de suprimentos eficiente.
Isso implica a coordenação das diversas partes envolvidas num processo
produtivo -- do fornecedor da matéria-prima aos parceiros responsáveis pelo
desenvolvimento do projeto, passando pela operação de frotas de transporte, pelo
recebimento de encomendas e até pelo recolhimento de pagamentos. Em certo
sentido, é possível comparar os bens que circulam no mundo com a avalanche de
informações presentes na internet. Tanto as mercadorias "físicas"
como as "virtuais" estão se tornando cada vez mais abrangentes,
exigindo das empresas uma rápida adaptação para atender a um mercado em
permanente mudança.
Para tornar sua cadeia de suprimentos mais ágil e competitiva e dedicar mais
tempo ao próprio negócio, empresas como a Cisco Systems, maior fabricante
mundial de equipamentos de rede para internet, terceirizam grande parte de sua
produção. Esse processo exige elevado grau de planejamento logístico, já que
envolve parceria com dezenas de outras empresas. A própria Cisco admite que a terceirização
lhe permitiu crescer mais depressa do que se operasse as próprias unidades de
montagem de equipamentos. Na indústria automobilística, com seus centenas de
fornecedores, a sofisticação da logística é vital. Em sua fábrica em Bangalore,
na Índia, a japonesa Toyota exige que a entrega de peças seja feita
just-in-time -- na quantidade necessária e no momento certo. As entregas na
fábrica de Bangalore acontecem a cada 2 horas e com um índice de falhas próximo
de zero.
No mundo globalizado, as operadoras de transportes expressos estão se tornando gigantes
dos negócios, empresas com enorme potencial e com grande capacidade de
interferência -- para o bem e para o mal -- no dia-a-dia de seus clientes. Nos
Estados Unidos, a UPS, que transporta 14 milhões de pacotes por dia, criou uma
facilidade para quem precisa consertar computadores laptop da marca japonesa
Toshiba. Quando o laptop chega a um de seus centros de distribuição, é levado
para um armazém onde o reparo não é feito pela Toshiba, mas pela própria UPS.
Seus técnicos são treinados por profissionais da Toshiba. Mas não deixa de ser
surpreendente o fato de que uma empresa de entregas expressas realize reparos
em equipamentos eletrônicos. Nesse caso, UPS e Toshiba entraram em acordo para
tornar a vida do cliente mais fácil. Por que envolver duas companhias gigantes
em um processo que, na prática, poderia ficar sob a responsabilidade de apenas
uma delas?
O avanço da internet deu um formidável impulso às empresas de entregas
expressas. O comércio eletrônico contribuiu para que a americana FedEx batesse
todos os seus recordes de movimentação em dezembro do ano passado, quando foram
transportados quase 9 milhões de pacotes em um único dia. E uma nova revolução
logística está a caminho. Numa tendência global, o transporte de carga via
aérea está ocupando o espaço que historicamente pertenceu a navios, trens e
caminhões. Estudo da consultoria McKinsey estima que, em 2020, cerca de 80% de
todos os bens que cruzam as fronteiras internacionais serão transportados por
aviões, ante os atuais 20%. A projeção é baseada justamente no crescimento
exponencial do comércio eletrônico e na importância cada vez menor das
fronteiras para o comércio internacional. É nesse cenário que a FedEx está
inserida. "Somos muito procurados pelo varejo eletrônico pela confiança
gerada pela marca, mas nosso objetivo é ampliar cada vez mais os serviços
oferecidos", afirma Carlos Ienne, diretor-geral da FedEx Express para o
Mercosul.
Recentemente, uma pesquisa realizada pela FedEx mostrou que, apesar do
crescimento de utilização da internet e do e-mail como formas de comunicação, a
demanda por documentos em papel não dá sinais de redução. Baseada nisso, a
FedEx adquiriu nos Estados Unidos a Kinkos, uma cadeia de lojas especializadas
em fazer fotocópias, com 1 300 pontos-de-venda no país. A aquisição permitiu a
criação de um novo negócio. Em vez de simplesmente despachar por via área
documentos em papel, a FedEx passou a oferecer a seus clientes um serviço de
impressão remota. Se, por exemplo, um executivo precisar de pilhas de
documentos para fazer uma conferência num lugar distante do seu de origem,
basta enviar o material eletronicamente a uma loja da Kinkos e retirá-lo na
forma impressa. Não existe palavra mais adequada para definir esse procedimento
do que logística.
No Brasil, os serviços logísticos sofrem com os gargalos históricos que impedem
que o país cresça no mesmo ritmo de emergentes como a China. Rodovias precárias, linha
ferroviária ultrapassada, aeroportos insuficientes, portos defasados são
obstáculos à expansão acelerada e à sofisticação do negócio. Mesmo com todas as
deficiências estruturais, o setor vem registrando bons índices de crescimento.
Em 2005, a logística movimentou aproximadamente 214 bilhões de reais no país,
valor que deverá ser 20% maior neste ano. Mas há muito para ser feito,
especialmente no desenvolvimento tecnológico. Segundo um estudo da Escola de
Administração de Empresas da Fundação Getulio Vargas, 44% de todas as empresas
instaladas no Brasil empregam alguma tecnologia em logística. Nos Estados
Unidos, esse percentual é quase duas vezes maior. "Um país só se
desenvolve de verdade se concentrar esforços para modernizar suas operações
logísticas", diz Panzan, da Aslog. "Sem isso, ficará relegado a um
segundo plano no cenário econômico internacional."
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ESTUDO EXAME -
LOGÍSTICA
09/10/2006
Solução que vem de fora
Apesar
da inação do governo brasileiro, ainda há esperança. Grandes grupos
estrangeiros elegeram o Brasil como alvo de investimentos em logística
Um
dos principais obstáculos ao desenvolvimento do Brasil é a falta de
investimentos na área de infra-estrutura. Nas últimas décadas, os aportes não
acompanharam o ritmo de crescimento do país e o que se vê hoje é um descompasso
entre as necessidades do setor produtivo, que depende das artérias logísticas
para fazer suas mercadorias chegar aos diversos mercados, e a falta de
modernização de rodovias, ferrovias e portos brasileiros. Essa defasagem se
intensificou a partir dos anos 80. De acordo com levantamento realizado por
Paulo Tarso Resende, coordenador do Núcleo de Estudos Logísticos da Fundação
Dom Cabral, nos anos 70, durante o milagre econômico, os investimentos em
infra-estrutura equivaliam a 4% do PIB brasileiro, nível compatível com a
velocidade de desenvolvimento do país na época. Depois disso, os recursos
minguaram. Na década de 80, as verbas aplicadas no setor representavam 1,5% do
PIB, caíram para 1,1% nos anos 90 até atingir a proporção de 0,3%, o que mal
resolve o problema de manutenção das rodovias. Segundo Resende, não deixa de ser
surpreendente o fato de o Brasil bater recordes de exportação nos últimos anos,
apesar dos gargalos históricos. "Apesar de muito grave, o problema da
infra-estrutura nacional de logística ainda não recebeu a atenção que
merece", diz Resende.
Tão surpreendente quanto os resultados positivos da balança comercial é o
interesse crescente de alguns países pelo Brasil. É o caso do Japão, que se
manteve apático em relação ao mercado brasileiro por mais de uma década e agora
volta novamente os olhos para o outro lado do mundo. De acordo com dados da
Japan External Trade Organization (Jetro), entidade de promoção comercial do
governo japonês, em 2006 os investimen tos japoneses no Brasil deverão chegar a
1 bilhão de dólares, um crescimento de quase 30% em relação ao ano passado e
quatro vezes maior do que todo o montante investido aqui em 2004. Embora a
entidade não seja precisa a respeito da participação da logística nesse total,
sabe-se que boa parte do dinheiro será destinada a projetos ligados ao setor.
"Os japoneses estão interessados, sobretudo, em iniciativas que aliam
logística e energia", diz Alexandre Uehara, analista político-econômico da
Jetro.
No ano passado, o Japão aprovou uma lei que prevê a adição de 3% de álcool à
gasolina com o objetivo de reduzir a emissão de poluentes. Em encontros
recentes, o presidente Lula e o primeiro-ministro japonês, Junichiro Koizumi,
definiram que o Brasil será um parceiro importante nesse processo. Contudo,
para que o volume de álcool exportado seja significativo, como quer o Japão, é
imprescindível que sejam feitos investimentos na expansão das malhas rodoviária
e ferroviária e na modernização dos portos. Na falta de ações concretas do
governo brasileiro, grupos privados japoneses começam a se mexer. O grupo
Mitsui, um conglomerado com atuação que vai de mineração a bancos e indústrias
químicas, está envolvido no desenvolvimento de projetos para exportação de
etanol para o Japão. Hoje, além de a malha ferroviária brasileira ser
deficiente, há poucos vagões para o transporte de cargas líquidas. No ano
passado, a Mitsui exportou 2 milhões de quilolitros de etanol para o mercado
japonês, mas a intenção é triplicar essa quantidade em até três anos. Isso só
será possível com uma forte injeção de recursos. Por meio da MRC Serviços
Ferroviários, braço do grupo que se dedica ao setor de ferrovias no Brasil, a Mitsui
pretende investir em terminais de carga, portos e armazéns. Além dela, outros grandes
grupos japoneses, como Mitsubishi e Marubeni, pretendem colocar dinheiro em
projetos na área de petróleo no litoral do país, o que poderá consumir recursos
estimados em 900 milhões de dólares.
Mas não é apenas o setor energético que tem despertado o interesse de
estrangeiros. O setor imobiliário, que poucos associam ao segmento de
logística, também se enquadra nesse cenário. Exemplo disso é a incorporadora
americana Hines, que gerencia um fundo de funcionários públicos da Califórnia.
A Hines está investindo 100 milhões de dólares na construção de prédios
industriais, a maioria deles grandes galpões e centros de distribuição. O
esquema funciona da seguinte maneira: a empresa procura um cliente interessado nesse
tipo de construção, faz um estudo de viabilidade e ergue o imóvel. Depois,
aluga o prédio para um operador logístico que, dessa forma, evita imobilizar
parte de seu capital. "Já possuímos 200 000 metros quadros de área
construída no estado de São Paulo", diz Steve Dolman, vice-presidente da
subsidiária brasileira da Hines. "Nosso próximo passo é investir no Rio de
Janeiro."
Não é de hoje que o Brasil atrai investimentos estrangeiros no segmento de
logística. No início da década de 90, o grupo americano Martin-Brower veio ao
Brasil para cuidar da logística de abasteci mento dos restaurantes da rede
McDonald's. Hoje, 80% do faturamento da empresa é gerado pelo fast food.
Segundo o diretor para a América Latina da empresa, Tupanangyr Gomes, entre
2006 e 2007 a empresa investirá no país cerca de 15 milhões de dólares,
principalmente na modernização da frota de caminhões e em sistemas
tecnológicos. Por enquanto, as operações da empresa estão concentradas em São
Paulo, mas o grupo Martin-Brower também entrega para as filiais de seus
clientes em outros estados.
Razões da ineficiência
Uma pesquisa realizada pela Fundação Dom Cabral mostra que 85% das empresas
brasileiras registraram aumento de custos logísticos nos últimos cinco anos.
Confira as principais razões
Má conservação das estradas 42%
Péssimo funcionamento dos portos 13%
Falta de segurança 13%
Falta de veículos 6%
Falta de armazenagem 5%
Mão-de-obra 4%
Outros 17%
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ESTADO MAIOR
09/10/2006
Concorrência-bomba
Uma
nuvem de suspeita encobre a concorrência de nº 034/2006, por meio da qual o
Governo do Estado pretende usar recursos do DNIT para contratar a implantação e
pavimentação da BR-402/MA, trecho da BR-135/MA (divisa MA/PI), incluindo
construção de ponte sobre o rio Parnaíba, e acesso a Barreirinhas (MA-255). São
várias e graves as irregularidades que comprometem a realização da
concorrência.
Para começar, o convênio entre o Governo do Estado e o DNIT, que é uma exigência
fundamental da legislação em vigor, ainda não foi ainda inteiramente firmado,
não tendo, portanto, o Governo do Estado delegação plena para realizar a
concorrência.
Uma das exigências essenciais do convênio ainda pendente é que nenhuma das suas
cláusulas pode ser alterada sem prévia autorização do DNIT, principalmente em
relação ao projeto de engenharia a ser financiado pelo Governo Federal. Só que
o Governo do Estado não deu importância à exigência, colocou seus interesses
acima da regra e fez alterações no convênio sem consultar o DNIT.
Em primeiro lugar, a planilha da licitação em relação ao projeto foi
modificada, contrariando frontalmente a exigência do convênio. A Secretaria de
Infra-Estrutura modificou a descrição dos serviços e o valor previsto pelo DNIT. Outras mudanças
foram feitas sem autorização do DNIT, de modo que o custo da obra foi aumentado
em mais de R$ 800 mil. Outras modificações foram feitas, entre elas a mudança
de expressões que alterou completamente o sentido de um dos procedimentos
previstos no convênio.
O mais grave, porém, é que, contrariando todas as regras em vigor, a Secretaria
Estadual de Meio Ambiente emitiu uma licença fajuta, que simplesmente não foi
reconhecida pelo Ibama. De acordo com a fonte da coluna, várias irregularidades
gravíssimas foram cometidas pela Sema para emitir a tal licença, que não foi
nem será ratificada pelo Ibama. E as obras não podem ser licitadas sem a
licença ambiental emitida pelo Ibama.
Como se diz no meio policial, a concorrência Nº 043/2006 é encrenca pura, chave
de cadeia mesmo.

ECONOMIA
09/10/2006
ANTT aprova projeto que traz
nova ferrovia para o Tocantins
Infra-estrutura - Edital para
licitação da obra sairá em cerca de 15 dias; produção do Mato Grosso será
escoada por um braço da ferrovia norte-sul em Miracema
Com um percurso ferroviário previsto de 800 quilômetros,
ligando a cidade de Miracema (TO) a Lucas do Rio Verde (MT), foi aprovado nesta
semana o projeto Brasil Central. O projeto, de autoria do diretor da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) Gregório Rabelo, prevê que o novo ramal,
ligado à ferrovia Norte-Sul (em construção já no Tocantins) possibilite o
escoamento da produção de grãos do Mato Grosso, hoje o maior produtor deste
gênero no País. Segundo informações da ANTT
em 15 dias será liberado o edital para licitação do novo trecho.
Além do ramal setentrional (Miracema-Lucas do Rio Verde), o projeto - aprovado
pela Deliberação 345/2006 - prevê ainda outro ramal ligando Estreito (MA) a
Eliseu Martins (PI), e ainda um eixo ligando Açailândia (MA) a Belém (PA).
Segundo a ANTT, ainda há estudos ou
levantamento sobre os custos da construção, que serão conhecidos após o
processo licitatório. “Entretanto, acredita-se que o processo físico do ramal
da Norte-Sul será feito através de Parceria Público Privada (PPP)”, informa a
Agência através de nota. Depois do processo licitatório, o projeto será entrega
ao Governo Federal, com todos os estudos, para que sejam iniciados os projetos
de obras físicas.
Segundo a ANTT, o escoamento da
produção de grãos de Mato Grosso hoje é muito prejudicado, por enfrentar mais
de dois mil quilômetros por rodovias
até chegar ao porto de Paranaguá (PR), encarecendo o transporte e reduzindo a
lucratividade para o produtor.
Migração
Segundo o diretor da ANTT Gregório
Rabelo, já existem muitos produtores de Mato migrando para outras regiões, em
função da falta de condições para escoar a produção. “Essa região entre o Mato
Grosso e o Tocantins já produz mais de 12 milhões de toneladas de grãos por
ano, além de minérios e um rebanho bovino com mais de 15 milhões de cabeças. Só
falta colocar os trilhos e os vagões, pois os comodities a serem transportados
já existem com suficiência para justificar a viabilidade econômico-financeira
do referido ramal ferroviário”, justifica o diretor.O presidente da Federação
das Indústrias do Estado do Tocantins (Fieto), Eduardo Machado, destacou que a
obra é importante para o Tocantins porque aumentará o fluxo de carga através da
ferrovia Norte-Sul. “É uma antiga reivindicação dos estados que compõem a
regiões. Para o Tocantins traz inúmeros benefícios, com a construção de mais uma
plataforma multimodal na cidade de Miracema (TO)”, enfatizou.
Ainda para o presidente da Fieto, o Tocantins é o ´pulmão´ para todo o restante
do País em termos de logística. “Essa nova obra cria muitas expectativas não
apenas pela possibilidade de escoamento dos grãos de Mato Grosso e região, mas
também pela redução do custo por tonelada”, disse. “Também com mais grãos sendo
escoados pelos trilhos, as estradas
serão mais conservadas, porque haverá menos caminhões transitando, dando mais
tempo de vida às vias”, lembrou.
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SERVIÇOS
09/10/2006
Portos
A
movimentação de cargas no Porto de Santos bateu recorde em agosto. Após
ultrapassar em julho, pela primeira vez, a marca de 7 milhões de toneladas,
agosto superou o movimento em 14,16%. O crescimento em agosto foi reflexo,
principalmente, do incremento de 32,95% nas cargas de importação. As
exportações acusaram aumento de 6,14%.