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10/04/2006
Contratação
discutível
Servidor que há três anos deixou cargo acusado de irregularidades é nomeado subsecretário de Auditoria do Ministério Público da União
O Diário
Oficial da União de 21 de março registra a nomeação de José Wanderley Pinheiro
como subsecretário de Auditoria do Ministério Público da União. Aposentado pelo
serviço público, ele fez carreira por quase duas décadas em postos de chefia na
área de controle e auditoria do governo. Nada de errado em aproveitar a experiência
de um especialista não fosse o fato de Wanderley ter sido forçado a sair do
serviço público em razão de indícios que apontavam para a tentativa de obter
vantagens indevidas.
Até junho de 2003, Wanderley chefiou a Secretaria Federal de Controle Interno
(SFCI) da Controladoria Geral da União (CGU).
Trabalhou em postos de chefia da área de auditoria e controle e pediu
exoneração do cargo 15 dias depois que se tornaram públicas condutas
incoerentes com a postura de um servidor público na tentativa de conseguir uma
moradia às custas da União.
Para ter sucesso no pleito, Wanderley declarou em fevereiro de 2001 não ser
proprietário de imóvel no Distrito Federal. O então chefe da SFCI, no entanto,
omitiu que já era o dono de um apartamento na 206 Norte comprado da própria
União e financiado pela Caixa Econômica Federal. O episódio foi publicado em
reportagem do Correio, que divulgou fac-símile dos documentos que comprovam a
história. Na ocasião, Wanderley assinou memorando em que afirmava reunir os
pré-requisitos para ser beneficiário de imóvel funcional.
Um ofício foi enviado por ele e o pedido, aceito pelo então
secretário-executivo da Casa Civil, Silvano Gianni. Dessa forma, passou a ter
direito de ocupar um apartamento na 316 Sul.
Mas em função da ameaça de servidores ligados à Imprensa Nacional em denunciar
a transação, Wanderley desistiu de ocupar a moradia na Asa Sul e assinou
documento abrindo mão do apartamento. A atitude, no entanto, gerou a abertura de
duas auditorias internas na Controladoria para investigar o caso. Uma delas foi
concluída em 31 de dezembro de 2001. E a outra, em 25 de outubro de 2005. Ambas
foram arquivadas.
Nada que desabone
Por meio da assessoria de imprensa, o Ministério Público da União informou
desconhecer qualquer processo em curso contra o José Wanderley e não considera
errada a sua contratação. O controlador-geral da República, Jorge Hage, afirma
que não há nada que desabone a conduta de Wanderley e impeça a recondução do mesmo
ao Ministério Público, uma vez que as investigações internas concluíram pelo
arquivamento da denúncia. O controlador, no entanto, acrescenta fato novo ao
caso. Diz que quando Wanderley foi demitido, houve uma espécie de acerto para
que a iniciativa da demissão não fosse creditada à CGU, mas sim a um pedido do
próprio funcionário.
“Aqui na CGU nós primamos pela elegância, pelo bom tom. Nesse caso, nós
queríamos o cargo de Wanderley para que pudéssemos colocar um auditor de nossa
confiança, então o que houve foi um acordo de cavalheiros”, explica Hage. O
ministro ainda frisa que Wanderley estava na CGU desde a gestão anterior e que,
após seis meses de governo Luiz Inácio Lula da Silva, a cúpula da Controladoria
tinha chegado a um consenso para substituir o funcionário.
Até deixar o cargo na CGU, Wanderley acumulava salário (aposentadoria e
remuneração por cargo comissionado) de R$ 22 mil, superior ao teto do
funcionalismo à época de R$ 17 mil. Procurado pela reportagem para comentar a
posse à frente do Ministério Público, José Wanderley disse que as denúncias
feitas pela Associação de Servidores da Imprensa Nacional são infundadas. “As
matérias a respeito desse assunto só têm o objetivo de denegrir minha honra e
imagem”, disse. Ele afirmou que o apartamento da 206 Norte não poderia ser considerado
seu, uma vez que a Caixa abrira processo judicial para questionar a venda do
imóvel, sob alegação de que o mesmo só caberia a servidores do próprio banco.
Mas a escritura do imóvel demonstra que em julho de 1993 o apartamento foi
passado para o nome de Wanderley.
Entre o tempo em que saiu da CGU e que assumiu o cargo no Ministério Público,
que lhe rende vencimentos de R$ 5 mil, além da aposentadoria a que tem direito,
de R$ 14 mil, Wanderley assumiu outros cargos como auditor. Trabalhou na
assessoria técnica da Câmara dos Deputados, atuou no setor de auditoria do
Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes (Dnit) e como consultor da Fundação Getúlio Vargas.
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10/04/2006
Semana Santa
e MPs trancam as votações
O Congresso
entra em ritmo de recesso branco. Além do feriadão da Semana Santa, a Câmara e
o Senado Federal estão com a pauta de votações trancada por nove medidas
provisórias. Na Câmara, são três e, no Senado, seis medidas impedindo a votação
de qualquer outra matéria nesta semana. O bloqueio da pauta está previsto por
lei e, só pode ser desfeito, após a votação das medidas.
Para isso, os deputados precisam votar, por exemplo, a medida provisória que
abre crédito extraordinário de R$ 890 milhões para o Ministério das Cidades
aplicar em obras de urbanização. Aguarda votação a medida que reajusta em 8% os
valores das tabelas do Imposto de Renda da Pessoa Física e dos descontos com
educação e dependentes.
Também está na fila de votações a medida que isenta do Imposto de Renda os
rendimentos conseguidos por investidores residentes no estrangeiro nas
aplicações em títulos públicos federais. Depois de votar as medidas
provisórias, os deputados poderão analisar projeto de lei que cria a Timemania
e o que trata da utilização e proteção da vegetação nativa da Mata Atlântica.
No Senado, a primeira medida a ser votada dispõe sobre a estruturação da
Carreira Previdenciária no âmbito do Instituto Nacional do Seguro Social
(INSS), a reestruturação da Carreira Previdenciária e a criação da Carreira de
Perícia Médica da Previdência Social.
Na fila de votações, estão ainda três medidas que abrem crédito extraordinário.
Uma é em favor do Ministério
dos Transportes e
de Encargos Financeiros da União, a segunda, para o Ministério dos Transportes, e, a terceira, para os ministérios
da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e das Relações Exteriores.
As outras duas medidas provisórias tratam da criação do Simples (Sistema
Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das
Empresas de Pequeno Porte) e da aprovação do Plano Nacional de Viação.
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10/04/2006
Acidentes
matam oito nas estradas
Cinco pessoas
morreram em menos de uma hora em dois acidentes na madrugada de ontem, na
BR-381, saída para Vitória, em Sabará, na Grande BH. Ainda na região
metropolitana foram registradas outras três mortes em acidentes, ontem. No mais
grave, uma mulher morreu e uma criança ficou ferida, em batida envolvendo um
carro dirigido por um inabilitado, em Brumadinho.
A violência na BR-381 teve início no km 405, às 4h, durante forte chuva, quando
a Parati, placa GND 0249, de Iapu, Leste de Minas, dirigida por Marcelo Almeida
de Oliveira, de 25 anos, bateu no ônibus da empresa Gontijo, placa GXH 5533. O
motorista e o passageiro do carro Luiz Henrique Amado, de 19, morreram no
local. O condutor do coletivo, Reginaldo Matozinhos da Silva, 31, escapou.
No km 422 da BR-381, cerca de 30 minutos depois, morreram outras três pessoas
na batida do Chevette, KBO 9040, de Rio Casca, Zona da Mata, dirigido por Veber
Lelis da Silva, de 27, com a carreta Scania, MTN 8716, de Santa Maria de Jetiba
(BA), conduzida por Marcos Simmer, de 26. O motorista do Chevette e os
passageiros Suelem Cristina de Souza Teixeira, de 22, e Flaviano de Freitas
Souza, de 19, tiveram morte imediata. Werlen Francisco dos Santos Aguiar, de
19, foi internado em estado grave no Hospital de Pronto-Socorro João XXIII, na
capital.
No km 86 da MG 010, em Jaboticatubas, Grande BH, Luciana Tomich Alves, de 22,
morreu na queda do Fiat Uno, placa HAY 9153, num abismo de seis metros. O
motorista do veículo, Aldo Márcio Moura, de 34, sofreu escoriações e foi levado
para a Santa Casa de Lagoa Santa. Embora o acidente tenha ocorrido por volta
das 20h de sábado, só ontem, às 9h, os policiais rodoviários estaduais localizaram
o carro e o corpo da passageira ,que foi jogado para fora do veículo. Policiais
apuram suspeita de que o condutor do Uno estivesse embriagado, já que no
veículo foram encontradas várias garrafas e latas de bebidas alcoólicas.
Uma mulher morreu e uma criança ficou ferida na batida do Corsa, GOW 9240,
dirigido por Rogério Alves Moreira, de 36, e o Chevette, GQU 4862, conduzido
por Leonardo Souza Ferreira, de 22. O acidente ocorreu às 3h46, no km 45 da MGT
040, na curva do Machado, no trevo de Mário Campos/BR-381, distrito de Funil,
em Brumadinho, região metropolitana. Valéria Aparecida Parreiras, de 30, morreu
no local, e sua filha, Jamis Tamires Parreiras Souza, de 3, sofreu escoriações.
O motorista do Chevette também se feriu, e o carro foi apreendido. Na Rua Barra
Feliz, bairro Industrial São Luiz, em Contagem, o motoqueiro Álvaro Jorge
Pereira Júnior, morreu no começo da manhã ao bater sua moto Honda Titan contra
uma carreta
BR-262 Depois de quase quatro meses, o km 443 da BR-262, em Nova Serrana, a 122
quilômetros de Belo Horizonte, foi liberado neste fim de semana. O trecho
estava interditado desde 15 de dezembro, quando uma cratera de dez metros de
profundidade e 40 de largura engoliu a estrada, depois de uma tempestade. A
tubulação não suportou o grande fluxo de água e causou a erosão na rodovia que
liga Belo Horizonte ao Triângulo Mineiro. Na época, três caminhões – um
carregado com 23 mil litros de óleo diesel – caíram no Córrego Moreira, sem
deixar feridos.
De acordo com o policial Dulcelino José, do posto da Polícia Rodoviária Federa
(PRF) de Bom Despacho, a empresa contratada pelo Departamento Nacional de
Infra-Estrutura de Transportes (Dnit) instalou manilhas para equilibrar o
escoamento de água da chuva e evitar novas erosões. “No dia do temporal, só
havia uma tubulação metálica na rodovia e ela não suportou”, explica.
Durante a interdição, os motoristas de carros de passeio tiveram que usar um
desvio por Nova Serrana, passando por Perdigão e retornando à BR-262. Caminhões
e ônibus tinham que passar por Bom Despacho, Martinho Campos, Pitangui, Onça do
Pitangui e Pará de Minas. Porém, uma estrada provisória, a aproximadamente 200
metros das obras, foi aberta ao tráfego.
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10/04/2006
Conduta
suspeita e cargo de confiança
Servidor que
deixou cargo na CGU há três anos, acusado de irregularidade na compra de um
imóvel, é nomeado para o MP
Brasília - O
Diário Oficial da União de 21 de março registra a nomeação de José Wanderley
Pinheiro como subsecretário de auditoria do Ministério Público da União.
Aposentado pelo serviço público, ele fez carreira por quase duas décadas em
postos de chefia na área de controle e auditoria do governo. Nada de errado em
aproveitar a experiência de um especialista, não fosse o fato de Wanderley ter
sido forçado a sair do serviço público em razão de indícios que apontavam para
a tentativa de obter vantagens indevidas.
Até junho de 2003, Wanderley chefiou a Secretaria Federal de Controle Interno
(SFCI) da Controladoria Geral da União (CGU). Trabalhou em postos de chefia da
área de auditoria e controle e pediu exoneração do cargo quinze dias depois que
se tornaram públicas condutas incoerentes com a postura de um servidor público
na tentativa de conseguir uma moradia às custas da União. Para ter sucesso no
pleito, Wanderley declarou em fevereiro de 2001 não ser proprietário de imóvel
no Distrito Federal. O então chefe da SFCI, no entanto, omitiu que já era o
dono de um apartamento na 206 Norte comprado da própria União e financiado pela
Caixa Econômica Federal. Uma reportagem divulgou fax-símile dos documentos que
comprovam a história. Na ocasião, Wanderley assinou memorando em que afirmava
reunir os pré-requisitos para ser beneficiário de imóvel funcional. Um ofício
foi enviado por ele e o pedido, aceito pelo então secretário-executivo da Casa
Civil, Silvano Gianni. Dessa forma, passou a ter direito de ocupar um
apartamento na 316 Sul.
Mas em função da ameaça de servidores ligados à Imprensa Nacional em denunciar
a transação, Wanderley desistiu de ocupar a moradia na Asa Sul e assinou
documento abrindo mão do apartamento. A atitude, no entanto, gerou a abertura
de duas auditorias internas na Controladoria para investigar o caso. Uma delas
foi concluída em 31 de dezembro de 2001. E a outra, em 25 de outubro de 2005.
Ambas foram arquivadas.
Por meio da assessoria de imprensa, o Ministério Público da União informou
desconhecer qualquer processo em curso contra o José Wanderley e não considerar
errada a sua contratação. O controlador-geral da República, Jorge Hage, afirma
que não há nada que desabone a conduta de Wanderley e impeça a recondução do
mesmo ao Ministério Público, uma vez que as investigações internas concluíram pelo
arquivamento da denúncia. O controlador, no entanto, acrescenta fato novo ao
caso. Diz que quando Wanderley foi demitido, houve uma espécie de acerto para
que a iniciativa da demissão não fosse creditada à CGU, mas sim a um pedido do
próprio funcionário.
“Aqui na CGU nós primamos pela elegância, pelo bom tom. Nesse caso, nós
queríamos o cargo de Wanderley para que pudéssemos colocar um auditor de nossa
confiança, então o que houve foi um acordo de cavalheiros”, explica Hage. O
ministro ainda frisa que Wanderley estava na CGU desde a gestão anterior e que,
após seis meses de governo Luiz Inácio Lula da Silva, a cúpula da Controladoria
tinha chegado a um consenso para substituir o funcionário.
HONRA Até deixar o cargo na CGU, Wanderley acumulava salário (aposentadoria e
remuneração por cargo comissionado) de R$ 22 mil, superior ao teto do
funcionalismo à época de R$ 17 mil. Procurado pela reportagem para comentar a
posse no MPU, José Wanderley disse que as denúncias feitas pela Associação de
Servidores da Imprensa Nacional são infundadas. “As matérias só têm o objetivo
de denegrir minha honra e imagem”, disse. Ele afirmou que o apartamento da 206
Norte não poderia ser considerado seu, uma vez que a Caixa abrira processo
judicial para questionar a venda do imóvel, sob alegação de que o mesmo só caberia
a servidores do próprio banco. Mas a escritura do imóvel demonstra que em julho
de 1993 o apartamento foi passado para o nome de Wanderley.
Entre o tempo em que saiu da CGU e que assumiu o cargo no Ministério Público,
que lhe rende vencimentos de R$ 5 mil, além da aposentadoria a que tem direito,
de R$ 14 mil, Wanderley assumiu outros cargos como auditor. Trabalhou na
assessoria técnica da Câmara dos Deputados, atuou no setor de auditoria do
Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes (Dnit) e como consultor da Fundação Getúlio Vargas.
"Nós queríamos o cargo de Wanderley para que pudéssemos colocar um auditor
de nossa confiança" - Jorge Hage - Ministro interino do Controle e
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